23 – Passeando até à Escócia – Sozinha em Glasgow!

Perguntam-me muitas vezes se não me sinto só ao viajar sozinha por tantos dias, respondo sempre que não e explico como é giro e interessante, que se conhecem pessoas, que se tem tempo para ver mais e melhor…

…naquela noite senti-me só!

Senti que foi um dia em “suspensão”! Nem estava em viagem, nem estava em casa, nem estava só, nem estava acompanhada, apenas estava à espera de quem não veio…

Fiquei muito tempo contemplando a noite. A minha Magnífica estava por ali, algures, também sozinha…

20 de Agosto de 2011

De manhã não sabia o que fazer!
A moto estaria pronta de tarde. Eu tinha as minhas tralhas no armário do meu quarto e não tinha como as levar dali, pois não tinha saco! Comecei o dia por aí, comprar um saco para transportar tudo comigo. Depois tinha toda a manhã para explorar Glasgow, até à hora de ir buscar a motita.

Os sacos de viagem estavam todos a preços exorbitantes! Não estava disposta a pagar 50£ por um saco para usar meia dúzia de vezes! Acabei por encontrar um trolley bem giro a 12£!! Até pensei que o preço estava errado, mas não estava e foi a coisa melhor que eu podia ter comprado, pois pus tudo lá dentro e não tive e de carregar saco nenhum às costas! Foi só puxar e andar e foi assim que dei a volta a Glasgow: de trolley e de autocarro!

Mesmo pertinho do hostel ficava a estação de caminho de ferro, a Central Station.

Em frente ao hostel fica o rio Clyde com uma ponte tão gira para peões.

Depois, ali à beirinha fica a zona comercial. Dizem que as pessoas de Glasgow adoram fazer compras e, pela zona comercial que têm, deve ser verdade! The City Centre é a maior zona comercial do Reino!

Glasgow é uma cidade cheia de construções surpreendentes, embora não seja aparentemente particularmente bonita, depois de toda a beleza que se encontra noutras cidades, tem os seus pormenores de encanto!

Estava sol, o que tornava as coisas menos difíceis para mim, a arrastar o trolley atrás de mim pela cidade!

Então encontrei uma paragem do autocarro panorâmico e fui dar a voltinha à cidade.

Claro que fotografar lá de cima não é a mesma coisa… mas ao mesmo tempo sabem-se muito mais coisas, com a vozinha sempre a murmurar as curiosidades, história e estórias da cidade!

The Clyde Arc, uma ponte famosa pelo seu design inovador, gostava de ter lá passado à noite, mas não deu…

Mais à frente the Scottish Exhibition and Conference Centre, um edifício com mais de 20 anos mas sempre espantoso, como uma couraça de bicharoco, é o maior do reino e é giro! Chamam-lhe o Tatu!

The Glasgow Science Centre, logo a seguir, é mais um edifício delicioso! Aquela zona do rio Clyde parece ocupada por edifícios vindo de outro planeta!

O Clyde Titan Crane – Vestígios da história da cidade, ligada à construção naval!

O Kelvingrove Museum, que queria visitar mas não tive disposição para o fazer… tem tanta coisa lá dentro que eu queria ver… só por isso já vale a pena passar em Glasgow, um dia que volte ao Reino Unido!

Se há coisa que não me faço a mim mesma é obrigar-me a fazer o que não me apetece, mesmo que seja para não perder algo fantástico! Não me apetece, não vou, e pronto!

Os edifícios da Universidade são muito bonitos e imponentes! Glasgow já foi conhecida pelo seu grande centro universitário.

Os bares mais característicos da cidade têm muitos anos de existência!

O Tennent’s Bar teve licença para vender bebidas alcoólicas em 1888 e até 1971 apenas homens podiam lá entrar até que uma multidão de mulheres invadiu o bar e encheu a rua em filas infinitas para entrar. Desde então elas foram aceites e, curiosamente, “todos os” gerentes têm sido mulheres a partir daí!

The Old College Bar, de 1810, basta olhar para ele para se ver o quanto é antigo!

Whistlin Kirky bar, este é mais jovem, é de 1920

Segui olhando para todo o lado, ouvindo histórias dos locais e registando perspectivas da cidade… a cabeça estava na minha motita…

The George Square, recebeu o nome do Rei Jorge III, a praça principal de Glasgow, onde vi acontecer de tudo!

Naqueles dias estava cheia de grades, zonas fechadas e muita gente. Não entendi muito bem o que se estava a passar, pensei que fosse uma simulação de incêndio ou acidente, por haver por ali muitos carros de bombeiros… mais tarde vim a saber que era outra coisa bem mais interessante…

The Steeple Tolbooth, uma torre de 7 andares que foi parte de um edifício maior, hoje está ali, isolada, quase no meio de uma rua no centro da cidade!

Encontrei a fonte de Doulton, junto ao Palácio do Povo, a maior e a mais bem conservada fonte em terracota do mundo. Ninguém diria que aquilo não é feito de pedra ou mármore!

Ainda passei no arco do triunfo do Green Park , quando me ligaram da oficina e eu nem tomei mais atenção a nada!

Saí na paragem mais próxima e caminhei até lá!

Estava de novo junto à estação central perto do hostel e perto da oficina!

Fui vendo montras para me distrai e as montras de cerimónia são muito interessantes para homem, nada como aqui que só as roupas de mulher é que merecem toda a atenção e cuidado!

Cheguei à oficina para receber a notícia de que a moto não estaria pronta nem naquele dia, nem tão cedo!

O problema era mais grave do que se pensava e teria de levar várias peças novas…

A minha primeira reacção foi ligar para a Assistência em Viagem e pedir para me levarem a mim e à moto embora dali… sim senhor, iam tratar rapidamente disso…

Então o meu moçoilo ligou-me e disse-me para não fazer isso! A moto demoraria para caramba a chegar a Portugal, eu também iria andar de lado para lado em transportes de que não gosto, faltavam muitos dias para o fim das férias, valia a pena pagar e continuar…

Aos seus argumentos juntei a fortuna que teria de pagar, só da mão-de-obra, muitas horas já gastas e mais umas quantas para voltar a montar a moto, para depois ela voltar para casa estragada e ter de pagar o arranjo cá, na mesma…

Voltei a ligar para a Assistência em Viagem “já não é preciso… parem o processo, ela vai voltar para casa a circular!” e voltei para o hostel a arrastar o trolley atrás de mim… tão só, que me apetecia chorar… a Magnífica continuaria internada por mais 3 dias…

Fui para o bar, encher-me de comida (ali comia-se comida a sério! Até sabiam o que era arroz!) e de cerveja e reformular a minha viagem a partir dali. Tinha de decidir o que fazer com menos aqueles dias de caminho!

“Como pode isto acontecer com a minha motita?

Depois de tantos quilómetros na maior paz eis que algo lhe falta, algo rebenta dentro dela e ela quer andar mas não pode!

Não sei o que falhou nem sei se tomei a melhor decisão ao manda-la arranjar cá, em vez de a fazer transportar para Portugal pela Assistência em Viagem… mas há o problema das condições em que ela seria transportada, há o tempo de espera para que tudo seja resolvido, há o problema de ter de a arranjar de qualquer maneira e há o que teria de pagar para a voltarem a montar para a enviarem para casa!

Há tanto tempo que queria cá vir e agora que estou cá, tudo parece conspirar para me impedir de ir, de ver, de continuar! É a frustração total, como se tivesse uma amiga no hospital, no momento melhor da viagem!

Hoje de manhã comprei um trolley, pus as minhas coisas dentro e fui visitar a cidade, como fazem as pessoas normais que não andam de moto. Foi a melhor coisa que pude fazer, senão teria andado por aí cheia, de sacos e saquinhos às costas! Relaxei! Ainda não sonhava que ela não ficaria a andar hoje!

Depois fiz o quilometro que separa o Hostel do stand Honda, cheia de ilusões, pegar nela, amarrar o trolley no banco de trás e partir sem mais demoras! Mas ela ainda está ligada às máquinas em coma induzido… e assim ficará até virem as peças para transplante!

Voltei ao hostel, havia lugar para mim e cá vou ficar hospedada à espera de novidades…

Espero voltar a partir terça feira…

Espero!”

Fim do 15º dia de viagem… de autocarro!

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4 thoughts on “23 – Passeando até à Escócia – Sozinha em Glasgow!

  1. De certeza que alguns desses edifícios não são extraterrestes ????
    Nem imagino se me passasse uma coisa dessas com a minha moto assim cá por fora…

    • Ali só tenho pena de não ter tido vontade nem disponibilidade mental para visitar alguns daqueles edificios muito loucos! Pois são espectaculares por dentro!

      Terá de ficar para a proxima visita à Escócia!

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