3 – Passeando pela Europa 2010

35 dias, 19.000km, 14 países
Viagem a solo por Espanha, França, Andorra, Itália, Eslovénia, Croácia, Hungria, Eslováquia, Polónia, Alemanha, República Checa, Áustria, Suíça e Liechtenstein.

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Crónica em tempo real!

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24 Agosto 2010
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Cucu!

Estou em Praga, já caminhei umas horas pela cidade e de mota já lhe dei varias voltas, é que é tudo tão grande, tão espaçoso e tão distante que o que me vale é a motita, senão não teria pernas para ir ver tudo!

A net aqui é leeeeenta para caramba, por isso não devo poder colocar nada hoje… paciencia, vou dormir que amanhã vou para os glaciares!

Beijucas

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25 Agosto 2010
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Cucu!

Estou em Salzburgo por 2 dias!
Fiz uma viagem impecável. A paisagem é bem mais interessante por estes lados, parece que estou na Suíça!

Acho que fiz boas fotografias e, como a net aqui é boa, vou tentar por a escrita em dia, enquanto estou a descansar na pousada que mais parece um hotel de 3 ou 4 estrelas!

Deixei-vos em Bremen, terra muito bonita com a sua arquitectura Gótica de tijolo que eu só conhecia dos livros mas que por cá é comum e muito bonita!

No dia seguinte fui para Frankfurt e pelo caminho passei numa terrinha maravilhosa, Marburg, aparecia referenciada como uma terra de interesse histórico e é!

“Peguei” na minha motita e fui ver

Terra pitoresca com as suas casinhas de “brincar” como eu gosto!

A catedral gótica, junto da qual eu tomei mais uma cervejola óptima (como todas nesta terra!)

Esta catedral, a Catedral de Elisabeth, é uma das primeiras em gótico puro e dizem que foi o modelo arquitectónico para a Catedral de Colónia! Se bem que os arquitectos esmeraram-se muito na de Colónia!…

A terra é um mimo! Com direito a rio, fica na margem do rio Lahn

e a recantos lindíssimos!

Fica num local um pouco íngreme, o que nos permite subir e vê-la lá de cima

Depois é desfrutar de todas as ruelas possíveis, pois todas têm o seu encanto!

É uma cidade tão antiga como Portugal! Sec XII! E a Rathaus é do sec XVI (1527) Um espanto!

Aqui eu já estava viciada num pão que eles têm que é cozido com queijo por cima… huuuuuum uma delícia, comi 4 ao passear pela cidade!

Depois lá fui para Frankfurt, (Frankfurt-am-Main) é o centro empresarial e financeiro da Alemanha.

Depois de Marburg pareceu um bocado menos interessante… tudo é relativo!

O recanto mais encantador da cidade está na praça Römerberg

Como havia algum tempo até anoitecer dei uma corrida até Heidelberg

Com a sua ponte medieval, como toda a cidade

E as ruínas do seu castelo medieval/renascentista, Victor Hugo andou por lá!

E veio a noite com mais um pôr-do-sol!

É giro assistir-se ao pôr-do-sol sobre uma ponte histórica!

Quando cheguei de novo a Frankfurt era noite

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25 Agosto 2010
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No dia seguinte depois dar uma volta pela cidade de Frankfurt

fui para Offenburg e no caminho fui “cumprir a promessa” de visitar Saarburg!

Pelo caminho, ao abastecer, o moçoilo da estação de serviço veio lavar-me o vidro da mota! Muito simpático e cantava enquanto lavava!

O caminho foi recheado de paisagens lindas

Saarburg valeu a pena, é outra terrinha bem pequena e bonita, com um desvio no rio, que o faz passar no centro da cidade, juntando-se de novo numa queda de água impressionante!

A origem da cidade é medieval e lá estava a catedral

Valeu a pena passar lá!

Depois segue o rio Saar (daí o nome da cidade), lindo caminho!

Segui por paisagens relaxantes e caminhos deliciosos, atravessei um pouco da França

Voltei a entrar na Alemanha e passei em Baden Baden, uma cidade termal

E fui jantar a Estrasburgo! Tinha lá estado no ano passado mas é sempre bonito lá voltar! A cidade é muito bonita como toda a Alsácia

Aquela catedral há-de impressionar-me para sempre!

Lindíssima!

O foi noite no rio Reno…

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26 Agosto 2010
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Cucu!

Hoje, para completar o quadro e para fazer inveja a todos os viajantes fui fazer a Alpin Road… huuuummm que espectáculo! Um sonho sobre 2 rodas! Ainda tenho um pé no paraíso!!

Agora quando me disserem que quem nunca foi a Faro não é motard eu pergunto e quem não foi mas fez a Alpin Road é o quê?

800km de puro prazer, entre os Alpes austriacos e o Tirol! Ainda tenho as mãos a temer!

Até já

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29 Agosto 2010
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Dia 22 de Agosto, fui para sul, passear-me pela Floresta Negra e Lago de Konstanz entre Alemanha, Suíça e Áustria.

Pelo caminho passei por Freiburg, uma cidadezinha interessante em que todas as ruas têm pequenos cursos de água abertos, onde a água fresca corre permanentemente

A sua catedral gótica, como quase todas as que tenho visto, está em obras!

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O largo da catedral é simpático com algumas construções remarcáveis

Depois toda a cidadezinha vai tendo construções medievais muito bonitas, apetece passear por ali!

Depois fui para Konstanz, um percurso giro mas desesperante com todo o trânsito!

Houve automobilistas que stressarm porque eu os fui passando, queriam que eu ficasse horas na fila com eles com um espaço óptimo ali ao lado par eu passar?

Já os peões não se chatearam nada quando estacionei a mota o caminho deles para visitar a cidade! Algumas pessoas ficaram a ler os autocolantes da traseira da minha motita e, curioso, os que mais os excitaram foram os de Espanha! Tudo é relativo, Espanha fica longe dali!

Fui visitar a catedral, é muito interessante e fresca, naquela altura isso era bom pois estava bastante calor!)

Subi à torre da catedral para ver a cidade lá de cima, devia ser gira!

E era!

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E o lago de Konstanz aos nossos pés!

A floresta negra… estava cheia de gente! Eu que sempre sonhei passear por ali sozinha, entre o mistério e o receito, tive de andar da “perna” e procurar os caminhos menos populares, ou ver-me-ia negra por lá!

Andei por lá a ver se encontrava o capuchinho vermelho, mas a esta hora já se casou com o lobo mau!

Gostei do “nada” para além da densidade do arvoredo! Houve zonas em que a temperatura desceu 3 e 4 graus! E quem anda de mota sente todas essas variações de temperatura! Cheirava a madeira e a feno…

Então uma placa chamou-me a atenção fazendo-me recuar uns anos na minha vida…

Não resisti e fui para lá! A última vez que estive em Schafausen ainda vivia na Suíça, as cataratas mais espectaculares da Europa, embora não sejam altas atingem velocidades e pressão extraordinárias e o efeito é extraordinário!

Ali o cheiro a agua é intenso, não sei se conseguem imagina-lo!

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Depois disso nada mais me apetecia ver, ainda passei por Estugarda mas a pachorra era pouca.

A cidade parecia abandonada, não havia ninguém em lado nenhum, o tempo estava a ficar cinzento… segui caminho por Ludwigsburg

Fui jantar de novo a Estrasburgo, mais um pouco de fascínio, adoro aquela terra!

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Comi bem, ao som de música ao vivo, com a catedral como cenário… que mais querer da vida!?

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02 Setembro 2010
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Cucu cheguei!

De repente deu-me um ataque de saudades e de “o que ando eu a fazer por Espanha se Espanha é destino de Páscoa e não de Verão?” e vim para o meu ninho!

Hoje, finalmente já volto a dormir acompanhada e agarradinha depois de 34 noites sozinha!

O dia foi feito de 4 estações! Apanhei frio, chuva, sol e calor, de forma alternada e imprevista, pois a cada cidade ou recanto de Espanha a temperatura mudava e o humor do tempo também!

Não vim por León e sim por Valladolid e não me apeteceu ficar lá!

Agora é relaxar e acabar a minha história que ficou lá atrás…

Mil beijucas a quem me “acompanhou” (e continuará a acompanhar a história até ao fim nos dias que se seguem), nestes dias e até já!

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03 Setembro 2010
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Ora eu cheguei a casa mas a viagem continua por aqui! [:D]

23 de Agosto parti para Praga passando por Munique e pelo caminho passei pela Legoland! Eu sabia que existia mas não imaginava onde era!

Não entrei, numa viagem destas ir a um parque de diversões, para mim, é cair fora do paraíso para o mundo real… e eu não queria isso… não me apetecia ouvir miúdos e graúdos a gritar e a correr!

Tirei a foto da praxe e pus-me a caminho

Munique, só foi pena o tempo estar encoberto, o céu azul fez ali muita falta naquele dia para mim.

Cada vez que viajo volto a apaixonar-me pela minha motita, só me apetece fotografa-la!

O edifício neo-gótico (sec XIX/XX) da Rathaus é qualquer coisa!

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Estes alemães são engraçados, dentro do edifício da câmara, no pátio interior, existem esplanadas e cafés!

Quando é que se poderia pensar numa esplanada num pátio interior da Câmara do Porto?

Aqui se realizaram os Jogos Olímpicos de 1972, quando tudo correu mal e um grupo terrorista sequestrou atletas e tudo acabou com o celebre Massacre de Munique e a morte de todos os reféns…

A vida que aquela cidade tem, mesmo com tempo negro de chuva!

Ali ao lado a feira fervilha de movimento e a cerveja está sempre a sair! A gente apenas pega numa caneca e paga no balcão ao lado. E é booooa!

Encontram-se “coisas” curiosas pela cidade

Até uma espécie de memorial artesanal ao Michael Jackson!

E elas rezam, e põem coisinhas, e flores e quadro pintados de gosto duvidoso!
O recanto do Kitsch a tocar o pimba e o mau gosto!
E o homem da estátua deixou de ser dono do seu pedestal!

Ali ao lado fica a praia de quem não tem praia!
E pus-me a andar para a República Checa. Munique pedia mais tempo e eu vou lá voltar, esperando encontra-la com tempo de sol e céu azul…

A República Checa foi um paraíso percorrido!

Com os seus laguinhos espalhados por todo o lado!

Digam lá se a minha não é linda de morrer nestes cenários!

Lagos e montes com a estrada no meio!

E cheguei à Pousada de noite, só tive pachorra para “deitar” a motita no recanto de bicicleta que me arranjaram e dormir!

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03 Setembro 2010
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24 de Agosto, um dia cinzento infelizmente, pois uma cidade fica linda com o céu azul lá em cima… Praga é uma cidade muito interessante mas estranhamente diferente do que eu esperava encontrar!

Uma coisa que me surpreendeu nos países que visitei e a Republica Checa não foi excepção, foi a religiosidade dos povos tão evidente!

Na Praça da Cidade Velha a Catedral de Nossa Senhora de Tyn em que as torres estão por cima das casas e a gente só as vê a alguma distância!

Uma coisa que eu aprendi com as minhas viagens por essa Europa fora é que, de manhã cedo, posso passar com a mota por todo o lado, aproveitando os momentos em que os abastecedores entram palas praças e ruelas até aos estabelecimentos.

A Câmara da Cidade Velha, uma torre notável do sec XIV

Por aqueles lados da Europa é comum as casas pintadas por fora com os motivos mais variados e de épocas igualmente variadas! Vêm-se também pela Alemanha, Áustria e Suíça.

Depois fui ao Castelo de Praga, como não podia deixar de ser! Por ali reina uma mistura de estilos desde o Gótico da catedral de São Vito, até as remodelações barrocas, passando pelas intervenções renascentistas em diversos elementos arquitectónicos.

Cá está a catedral de São Vito

Com a construção em frente quase não há espaço para apreciar toda a grandiosidade da fachada do edifício!

Está em obras… (já vos tinha dito que a Europa parece que está toda em obras, não?)

De lá de cima do Castelo pode-se ver Praga

O portão do castelo tem umas esculturas muito curiosas dos dois lados! Vim a descobrir que são cópias de esculturas do sec XVII dos Gigantes Lutadores e realmente eles estão de cacetes na mão a bater em alguém! Voltei a vê-los em Viena! Tenho de saber mais sobre estes gigantes!

Uma coisa curiosa eram os guardas do castelo! Muito sérios, muito bem fardados mas simpáticos! Pediam-lhes para posar para uma foto e eles deixavam, sem um sorriso, mas deixavam e ficavam ali muito prestáveis!

Depois deixei Praga para trás e continuei o meu caminho

por caminhos muito bonitos, sempre com lagos a aparecer, por aqui e por ali!

E entrei na Áustria, por entre duas nuvens, numa nesga de sol!
A Áustria tem um nome incrível que não se parece nada com “Áustria”!

Viena, foi considerada a melhor cidade do mundo para se viver! É obra heim?

… e a Catedral gótica de Santo Estêvão… em obras!

Viena é uma cidade espaçosa! Deve ser terrível visita-la a pé, tudo é tão grande, longe e espaçoso, que eu ia de um edifício para outro de mota, só para não ter de ir e sobretudo voltar a pé!

A catedral de Viena é uma das maiores catedrais góticas da Europa (sec XI)! Muito bonita e com o seu telhado trabalhado com um padrão muito giro!

No Palácio Hofburg, composto de uma série de edifícios e jardins e onde fica o museu da imperatriz Sissi.

Nos jardins da cidade da musica claro que se encontram músicos!

De longe podia-se ver o edifício da Rathaus

Em frente estava a decorrer um grande evento e eu passei ali bons momentos feitos de cerveja e aperitivos e conversa em várias línguas… tinha de ser!

Depois de muito procurar uma oficina da Honda… não consegui! Acabei por ir a uma da Kawasaki e Suzuki. Tinha de trocar uma lâmpada da frente e outra de trás. Estava a tornar-se difícil circula à noite sem uma luz!

Foi uma hora de susto! O rapaz não conhecia a mota, começou a tirar peça e não as conseguia depois colocar no sítio! Estava a ver que tinha de vir embora sem lâmpada e com as peças num saco plástico!

Foi chamar o colega e foi mais meia hora de susto! Pensar que eu conheço gente que troca uma lâmpada de uma Pan e 10 segundos e nem é mecânico!

Coitada da minha motita! Quando eles finalmente conseguiram por aquilo a funcionar, até se assustaram ao abrir o banco de trás para trocar a de trás também!

“deixem lá, deixem lá, essa não faz falta nenhuma, vai assim…! – Disse eu rapidamente! Ficou o trabalhão por 36 €… tenho de tratar de aprender a trocar uma lâmpada…

Depois fui para Salzburgo. Curiosa a sensação que se tem de se estar no centro do mundo! Numa placa da via-rápida vejam só o número de países que estão acessíveis!

O caminho e a paisagem para Salzeburgo são cada vez mais interessantes

Salzburgo é uma cidade pequena, pitoresca e animada! Pena foi o sol que já não queria aparecer e não deixou o céu ficar muito azul…

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04 Setembro 2010
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Alpine Road era o que eu tinha na cabeça ao acordar… no dia seguinte, dia 26 de Agosto, com os Alpes ali à porta não fui visitar a cidade… era mais forte do que eu ir lá para cima, para as curvas, para o céu!

A pousada ficava aos pés do Castelo Hohensalzburg.

E comecei o meu passeio de 800km pelos Alpes Austriacos e depois os Italianos também – o Tirol!

Encontrei finalmente uma oficina da Honda onde estive a ver a pressão dos pneus, ela não faz revisões em viagem.

Depois encontram-se lagos a grande altitude, para cima de 1000 metros!

E cheguei a Bruck, a cidade onde miticamente começa a Alpine Road

Os avisos, pedidos e comunicações para motards são frequentes

Bem como bares, restaurantes e hotéis que desejam as boas vinda aos Bikers! É uma sensação curiosa ser-se tão bem vindo por ali!

Tive uma sensação parecida nos Pirenéus, onde também são frequentes os cafés e restaurantes com motas no telhado a saudar os motociclistas!

E cheguei à portagem, os carros pagam mais 10€ que as motas! E deviam pagar mais, podia ser que assim não andassem lá tantos! Eheheh

Gente muito simpática na portagem que trata os motociclista com um sorriso! Soube-me bem!

E comecei a subida!

A Alpine Road é a estrada alpina mais famosa! Foi construída em 1935 e só esta circulável a partir da Primavera até ao Outono. O resto do ano está coberta de neve.

Leva-nos até ao coração do Parque Nacional Hohe Tauern, a maior montanha da Áustria, o Grossglockner (3.798 m) e seu glaciar, o Pasterze

A estrada serpenteia pela encosta do monte numa infinidade de curvas óptimas para se fazer de mota, numeradas e deliciosas! Pelos Alpes é costume numerarem-se as curvas apertadas para a gente saber quantas fez e quantas faltam fazer!

Embora as curvas sejam em cotovelo, são fáceis de fazer pois são largas e com a inclinação certa.

A dada altura chega-se à base do Bikers Point, onde se pode parar e tomar qualquer coisa

Para se ir ao Bikers Point é uma luta! Os carros atulham aquilo tudo e, a dada altura está-se uma hora a tentar subir e nem para cima nem para baixo!

Por isso é que eu acho que os carros deviam pagar uma fortuna e assim não irem para ali entupir tudo, com putos a gritar e horas de fotos pirosas…

Os automobilistas stressam com as curvas, ali sim bastante apertadas, e stressam toda a gente! Deviam ser proibidos de subir!

As paisagens… não precisam de legendas!

As pessoas pareciam miúdos, quando encontravam um montinho de neve era uma festa!

Algumas curvas eram completamente “estragadas” pelos carros!
Empatavam de tal maneira que a gente não as podia fazer decentemente, com um golpe de rins e sem travão!

A dada altura e graças a Deus, os carros são impedidos de seguir! Ficam à espera que quem subiu desça e apenas as motas podem seguir livremente. Oh p’ra eles lá em baixo presos!

E chegamos ao coração do Glaciar

Neste local existiu um pequeno lago e, aquando da construção do “ponto” lembrando o facto puseram aqui uma escultura de uma canoa.

As motas são bem-vindas e podem parar onde quiserem

Aqui é zona de marmotas e são obviamente protegidas, nós é que somos intrusos!

Na saída não fiz o mesmo caminho, desci pelo lado da Itália, queria ver muito mais!

A paisagem vai mudando, este lado é muito mais verde e cheio de árvores

Duas faces dos mesmos montes

E cheguei ao Lago de Résia… eu sei que é longe para caramba, mas 800km pelos Alpes dá para ir a muito lado… 😉

É surrealista ver-se uma torre de igreja que emerge das águas de um lago e eu não resisti em ir lá ver ao vivo!

O lago de Resia é um lago artificial, como é fácil de imaginar, se fosse natural não teria uma igreja e uma localidade no seu fundo! Ali existiam 2 lagos naturais e uma cidade, Venosta Graun, que foram inundados nos anos 50 com a construção de uma barragem.

Apenas a torre da igreja ficou visível e o efeito é no mínimo surpreendente!

Continuei a volta pelos montes fantásticos a caminho de “casa” Salzburgo..

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05 Setembro 2010
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27 de Agosto, era hora de ir visitar Salzburgo! Tinha “esgotado” o ultimo dia de sol na Alpine Road e esta visita já foi bem cinzenta… uma pena! Porque a cidade merecia um céu azulinho!

A pousada de juventude parecia um hotel! Pagava-se 5€ para parquear o carro ou a mota la dentro, mas afinal a minha motita é gordinha mas passava tão bem no “torniquete” que eu fiz batota e entrei e sai por lá… Que querem 5€ é uma estupidez!

De novo o castelo Hohensalzburg, que acabei por não visitar… eu sei que devia, mas não me apeteceu! Quando lá voltar eu visito, prometo…

Ele está ali, visível a partir de quase todos os pontos da cidade e lá de cima a paisagem deve ser extraordinária…

Catedral Barroca em honra de São Roberto de Salzburg

e os recantos circundantes

e cheguei ao largo onde fica a casa de Mozart

A casa/museu de um génio!

Depois andei a apreciar e a curtir os pátios interiores da cidade, são simplesmente encantadores!

Apetecia sentar em todos eles a tomar qualquer coisa (cerveja ehehehe) e quase o fiz!

Andei pela feirinha, como eu gosto tanto de fazer.

Ali nunca se esquecem os trajes tradicionais! E fazem-se actualizações e adaptações modernas à moda espectaculares! Devo dizer que me apeteceu comprar um daqueles vestidos para mim!

Aqueles austríacos são o máximo! Parece que é comuns as pessoas confundirem Áustria com Austrália, então eles têm o humor de fazer t-shirts e auto-colantes com a frase: no kangoroos in Áustria, genial, eheheheh com as vaquinhas a saltar!

E, de repente, Gois era mesmo ali ao lado! Eheheh

Salzburgo vista do seu rio Salzach

Parti para Innsbruck… e então começou a tempestade…

Choveu tanto!

Já não me lembrava de como eram as tempestades nos Alpes, se nos Pirenéus são ruins… experimentem nos Alpes! A chuva era contínua e muito forte, com o nevoeiro que se lhe juntou, nada se via e o vento… o vento fazia-me não ter a certeza se a mota não deslizaria a qualquer momento naquela água toda, levada por ele!

Virei uma espécie de autómato, velocidade constante, sempre em 3ª/4ª senão a mota ía com o vento e a água a começar a entrar pelo blusão.

A dada altura tive de me encolher para o peito não encostar ao blusão ensopado e gelado. A temperatura desceu aos 6 graus… quando a gente está toda molhada, é violento!

Sentia a água a escorrer-me pelo corpo e já nem me importava! Como eu queria que a minha motita aquecesse tudo aquilo que algumas pessoas dizem que ela aquece!

Cheguei a Innsbruck depois de quase 200km disto…

Apenas tirei o capacete e fui toda artilhada procurar um blusão. Aquela gente ao olhar para mim devia pensar que eu é que estava bem protegida para a chuva, com calças de chuva, blusão de mota, cinta e chapéu… eu escorria água dentro daquela tralha toda!

Foi uma pena visitar a cidade com aquele tempo, porque Innsbruck é muito bonita!

Ainda por cima é a capital do Tirol e está lá no cimo entre as montanhas mais altas … e eu não conseguia vê-las…

Vou ter de lá voltar…

O rio Inn que dá o nome à cidade

A minha alegria é que lá encontrei o pão de queijo que eu adoro e que pensava que só havia na Alemanha!

De blusão novo, já mais quentinha e a comer o meu pãozinho, lá tratei de seguir para Lucerne, podia ser que saísse debaixo daquele mau tempo… se bem que na Suíça também nada é garantido em termos de clima! Chove para lá com uma frequência que permite que ela seja verde como é!

O Patrick sempre a indicar-me caminhos incríveis fora dos caminhos de toda a gente… e eu sempre a desconfiar que ele estava a ficar senil…

Os avisos para motards são frequentes pelos Alpes, também julgo que é a zona da Europa que eu conheço onde vejo sempre a maior quantidade de motocilistas!

E o Patrick nunca me enganou e levou-me para paisagens lindas e com sol!

Cheguei de noite a Lucerne, a tempo de me encher de comida, conhecer uma série de pessoas e dormir…

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06 Setembro 2010 </strong
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28 de Agosto, o fim da viagem aproximava-se a passos largos e a Suíça ali à mão com tantos encantos para rever ou descobrir… o sol fazia falta mas nada me impediu de andar por ali quilómetros sem fim…

Eu costumo dizer que as se na Índia as vacas são sagradas, na Suíça são rainhas! Encontrei vacas de fibra de vidro por todo o lado, inclusive esta na Pousada!

Cheguei à Ponte do Moinho. Este tipo de pontes cobertas são frequentes pela Suíça e Áustria, mas em Lucerne pode-se encontrar a mais longa e mais mediática e essa tira toda a importância a esta que fica ao lado. Por isso eu sempre chamei a esta a 2ª ponte de Lucerne!

Desta 2ª ponte a paisagem é bonita sobre o Rio Reuss e as pequenas represas

Lá está a 2ª ponte lá ao fundo

Depois andei por ali a “sentir” a cidade

E cheguei à ponte que é o ex-libris da cidade, a Pont de la Chapelle do século XIV

Esta ponte foi parcialmente destruída em 1993, quando eu estava na Suiça, por um fogo provavelmente provocado por um cigarro. Foi um susto nacional na época!

Foi restaurada e inaugurada em 94

A torre, octogonal, já foi prisão e câmara de tortura noutros tempos

Nota-se ainda a parte velha chamuscada e a nova após o fogo

Depois andei a curtir as casas pintadas e por ali há varias bem bonitas

Aqui fizeram-me uma festa e ofereceram-me uma cerveja e tudo, porque eu era a personificação da imagem do bar! Eu e o meu chapéu! Foi tão engraçado!

Pormenores muito bonitos em casas bonitas!

E segui para Zurich, passando por terrinhas simpáticas

Encontrei mais uma ponte coberta que atravessei de mota… embora fosse interdito o trânsito, mas não estava ninguém a ver!

Apanhei um dia de “tecto baixo” como os suíços dizem, o que não me deixava ver os montes…

E Zurich, como Lucerna, estava cinzento… uma pena…

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A catedral de Zurich, a Grossmünster, sec XII/XIII, imponente!

As torres são mais recentes, uns 2 séculos

Passeando pela cidade antiga encontrei o célebre Cabaret Voltaire!

Aqui nasceu um grande movimento artístico histórico pela revolução de mentalidades em relação à arte em geral: o Dadaísmo!

E parti para Chur

Tive a sorte de encontrar uma festa típica, com as vaquinhas todas engalanadas e com os chocalhos, que são ex-libris da Suíça, enormes ao pescoço!

O pastor a meter-se comigo, enquanto uma vaca encostava a barriga ao retrovisor da minha mota e eu me assustava a sério! Ela punha-me ao chão no instante!

Cheguei a Chur! E fui até lá acima às zonas de ski.

Tudo isto está coberto com metros de neve a maior parte do ano

E um lago a mais de 2.000 metros de altitude

Encontram-se estes veados de ferro pelo monte acima, muitos!

E voltei a Chur, onde as nuvens estavam a baixar sobre a cidade, o que me dava a sensação que ia nevar!

Chur é uma cidade muito pitoresca, muito fofinha!

Na praça principal estava a decorrer um programa de televisão e o povo estava todo lá!

Gostei muito de Chur e a sua montanha, era uma zona da Suíça que eu não conhecia e estava para lá ir há algum tempo! E valeu a pena!

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08 Setembro 2010 </strong
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O dia 29 de Agosto, foi o dia da nostalgia, como seria também o dia seguinte!

Por um lado porque se aproximava o fim desta viagem alucinante, por outro, porque fui visitar locais que nunca mais tinha visitado desde o meu regresso a casa (quando vivi lá para estudar), há uns 15 anos atrás… como as estâncias de ski que eu frequentava e que nunca mais voltei a visitar, porque havia sempre tanto para rever cada vez que voltei à Suíça, que o tempo não chegava para tudo!

Por outro lado, no ano passado eu tinha reservado 9 dias para a Suiça com essa intenção, mas nada fiz… perdi o GPS ao entrar no país e com ele a vontade de ir catar o que quer que fosse! E foi pena, porque no ano passado apanhei lá uma vaga de calor de 38/40 graus e sol era abrasador! Teria sido ideal subir para o fresco do glaciar! Mas eu fi-lo mais perto de Genève, em Zermatt e em Chamonix e não vim aqui!

Então, sem querer saber do tempo que fazia, se estava sol ou encoberto, pus-me a andar por mais uns 500km lá para cima, pelos Alpes…

Comecei por ir a Vaduz e, tal como eu imaginava a gente entra no Liechtenstein quase sem se dar por ela!

Todo o frio do dia anterior não foi por acaso! Lá em cima nos montes de Chur a temperatura às 3h da tarde era de 6 graus e as nuvens tinham mesmo “cara” de neve! E nevou naquela noite! Os picos mais altos estavam brancos! Muito giro sobretudo quando ainda se está em Agosto!

De repente no meio de uma rua, sem mais nem para quê, lá estava a placa a dizer que aquilo, embora fosse igual à Suíça, era o Liechtenstein!

O Liechtenstein é um mini ou micro estado entre a Áustria e a Suíça! Mas consegue ser bem maior que o Mónaco! O Mónaco apenas tem 2 km² e o Liechtenstein tem 160 km² (não sei onde…). Mas é um longo principado, governado pela mesma família há uns 4 séculos, o que é remarcável! E é um dos recantos mais ricos do mundo onde dizem que se fazem lavagens dinheiro e tudo! São muito limpinhos!

As terrinhas a caminho de Vaduz também são micro mas muito giras!

E lá estava o castelo, a residência medieval da família de Liechtenstein, uma das mais antigas da Europa. Inspirador!

Claro que fui vê-lo de perto, as curvinhas pela encosta até eram inspiradoras e tudo

E dali vê-se o vale de Vaduz que é muito bonito mesmo com as nuvens baixas

Vaduz é uma cidade pequena e o seu rio é o Reno.

A Rathaus de Vaduz com a sua escultura muito interessante de cavalos bizarros!

Estava tanto frio por ali que comprei uma camisola cardada para me aconchegar e foi o que fiz de melhor, pois iria usa-la todos os dias até chegar a casa… que Agosto tão caprichoso este que me queria regelar os ossos!!

E continuei o meu passeio pelos Alpes a caminho de St Gallen

St Gallen era uma das cidades e localidades que eu não conhecia e há muito que queria visitar. É uma cidade muito antiga (mais antiga que o nosso país!) e importante na Suiça e o seu centro histórico é muito interessante!

Tem uns balcões giríssimos que nos fazem andar de nariz para o ar a apreciar!

A sua Cathedral, ou Abadia de Saint Gall é Património Mundial e tem uma biblioteca única com livros únicos com mais de 10 seculos! Ups!

Não são só os balcões que são bonitos, as janelas também!

E comecei a descer para Lucerne para ir visitar as montanhas do outro lado, as estancias de ski!

Encontram-se chalets lindíssimos por todo o lado

uns mais pequenos, tipo tamanho familiar

outros maiores, tipo tamanho família e amigos

outros ainda maiores, tipo pensão ou hotel!!
Mas todos cheiinhos de janelas! Também com aquelas paisagens seria uma pena não haver janelas suficientes!

E as terrinhas que se encontram são todas pitorescas!

O lago lá em baixo, estava a chegar a Lucerne, aquele é o lago de Lucerne já!

A Suiça está cheia de lagos e rios! Eu conheço 19 grandes lagos, não quantos serão ao todo, mas sei que há dezenas ou mesmo centenas pequenitos!

Voltei a passar na ponte de Lucerne desta vez com um pouco de sol!

E recomecei a subida para Engleberg

Englberg é uma cidadezinha pequena que se enche, até abarrotar, de gente no inverno pois as suas pistas de ski são um espectáculo!

Tem quase 80km de pistas e as mais altas, no monte Titlis, a mais de 3.000 de altitude! Tem também o único teleférico giratório do mundo, que eu já usava quando lá skiava. Um espanto que não valeu a pena subir, pois o tempo estava encoberto…

Foi a primeira vez que vi a cidade sem neve! Conheci-a sempre com metros de neve nas ruas e em cima dos telhados! As pistas de salto são verdes também, não fazia ideia!

Sabia que ali havia um lago pelas fotos, nunca o tinha visto sem neve!

Os teleféricos encadeiam-se desde a cidade até se chegar ao Titlis, umas centenas de metros mais acima nos montes que nunca são visíveis a partir da cidade.

O que eu me diverti por ali quando vinha skiar….

E há o mosteiro do sec XII, queimado e restaurado uma série de vezes ao longo da sua história!

E tinha uma motita tão gira à porta!

Mais umas curvinhas deliciosas e segui para outra montanha…

É que o paraíso por ali não tem fim!

Caminhos que se entrecruzam por túneis e encostas íngremes!

E cheguei a Grinderwald, mais um grande centro de inverno

Tanto Engleberg como Griderwald situam-se a mais de mil metros de altitude

Mais uma vez foi pena não estar sol, porque aqueles montes são tão altos que fazem a gente quase torcer o pescoço para olhar lá para cima!

Estes são os Alpes Bernenses, de Berna, e têm zonas que são esquiáveis todo o ano!

E estava na hora de descer e ir para Fribourg para comer e dormir… Cheguei lá à noite…

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14 Setembro 2010
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30 de Agosto

A pousada de Juventude de Friburgo é mesmo bem situada, está-se ali ao lado do centro. Cada manhã custava mais fazer a mala para partir… estava a aproximar-me de casa e até o ânimo e os pensamentos que passavam na minha cabeça eram, pouco a pouco mais sombrios…

Mas ainda estava na Suíça e Friburgo é uma cidade muito bonita!

A torre da sua catedral gótica é visível de praticamente todos os pontos da cidade!

E o centro histórico medieval é dos maiores e mais bem conservados da Europa!

E é digno de se visitar!

Falam-se 2 línguas por aqui, o Francês e o Alemão e não lhes falta o bom humor!

A Rua das esposas fiéis!

e no meio da pequena rua diz:

“Eis aqui a rua das esposas fiéis e também o recanto dos maridos modelo! “

Em francês tem muito mais piada porque rima!

Por ali, como em todas as cidades Suíças, passeia-se tranquilamente! Às vezes penso se aquela gente sabe o que é stress!

O rio Sarine

Depois segui pelos caminhos mais improváveis pela zona do Jura através de montes e vales na direcção de Genève

Passei por terrinhas muito simpáticas que estavam a fazer a recepção aos miúdos nas escola! Uma festa pelas ruas!

Acho que as terrinhas estavam concentradas em peso nas escolas!

E cheguei ao parque Natural do Alto Jura! O Jura é uma cordilheira a norte da Suíça a que os estrangeiros chamam frequentemente Alpes, mas não são! Em Genève, por exemplo a gente distingue muito bem os Alpes a sul, o Jura a norte e a cidade e o lago no meio!

Daqui vê-se Genève lá em baixo e os Alpes ao fundo! Esta paisagem é considerada uma das mais belas do mundo!

Só passei em “corrida” pelo centro de Genève, apenas para dizes um olá à cidade, mas arrependi-me!

Estava triste, nem o jacto de água tinha ligado… pus-me a andar antes que mais esta nostalgia desse cabo de mim…

Depois foi um descer a França sem história, mecanizei os meus movimentos, tinha apenas de chegar a mais um destino… desta vez um dos últimos até entrar em casa… custa para caramba!

Apanhei um incêndio monumental no sul de França que cortou quase todos os acessos e um cidade completa. Tive de andar no arranca-pára à procura de uma saída… 96km de desespero e horas de fumo e stress.

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18 Setembro 2010
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Cheguei a Toulouse tarde da noite. A dormida era num retiro de peregrinos de S. Tiago de Compostela e receberam-me, a mim e a minha motita, no pátio do Albergue com cerveja e bolinhos que foram tão bem recebidos, depois de tanto quilometro a comer fumo!

Nem me apeteceu passear pela cidade à noite… Apenas de manhã fui ver afinal onde estava e a cidade é muito interessante!

Encontram-se várias igrejas a cada esquina como a Igreja de St Sernin bem interessante

E a catedral de Toulouse! Muito curiosa por ser uma junção de uma parte mais antiga, Românica, a uma outra mais recente, Gótica, de uma forma “descoordenada”!

A nave da entrada, mais antiga, não encaixa na nave principal! Curioso, parece que não as conseguiram alinhar!

Não cheguei a entender porquê, já que lá fora não falta espaço para alinhar uma na outra!

Se calhar na época não haveria esse espaço todo e agora a gente tem de fazer a curva para continuar o caminho até ao altar!

A catedral fica na praça mais antiga da cidade, a praça de Daint Étienne com a sua fonte com o mesmo nome

O rio Garonne

As ruas pitorescas cheias de pauzinhos para ninguém estacionar!

Praça do Capitólio, já ao estilo das grandes praças espanholas

A Eglise des Jacobins, uma agradável surpresa já que por fora não tem nada de novo mas o interior…

Diferente de tudo o que vi! Na realidade faz parte de um conjunto conventual do sec XIII. Mais uma jóia espantosa do Gótico em tijolo, qualquer coisa de extraordinário!

O grande espelho colocado na base da última coluna, permite-nos ver o tecto e faz ao mesmo tempo um jogo de reflexos curioso!

E eu não podia ficar ali eternamente… tinha de continuar a minha viagem para sul, embora me apetecesse voltar para norte…

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18 Setembro 2010
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Sentia-me tão desorientada! De repente o Patrick não fazia nada do que eu queria, eu via os Pirenéus ao longe e ele não me levava para lá! Na realidade eu nem sabia o que queria… queria continuar a viagem… não queria voltar!

Ele “perguntava” mas queres o quê, ir para Espanha pelo Vale d’Aran? e eu não queria, tinha lá estado no inicio do mês! Era um desperdício voltar a passar no mesmo sitio com uma cordilheira toda a explorar! Então só me restava, no sitio onde estava, passar por Tarbes… também lá tinha estado no inicio do mês e nem tinha achado nada de especial…

Ok moço, tu é que mandas, leva-me para os montes!

E ele levou-me aos pontos mais altos do Pirinéus… Patrick mon cheri my love…

Fui a Gourette onde skiei pela primeira vez depois de voltar da Suíça. Todos aqueles montes são pistas de ski, no inverno. Não são as pistas dos Alpes mas são 30 pistas, o que é óptimo!

Um dos pontos mais altos dos Pirenéus Atlânticos.

A sensação ao conduzir por ali não era muito diferente de conduzir pelos Alpes! Como eu costumo dizer, ainda são primos pela parte dos picos!…

A foto não está inclinada! Aquilo é mesmo assim!

Eu adoro conduzir pelo monte, é uma sensação de “dança do ventre” espantosa! A mota, uma máquina enorme, com aquele ar agressivo que atinge os 250 km/h num torcer do punho, parece uma pluma! Faz lembrar os desenhos animados o Walt Disney, quando os hipopótamos e os elefantes dançam em pontas como as prima-donas!

A direito qualquer mota e qualquer motard anda… ali é outro nível, outra realidade!

E comecei a descer para Espanha. Fiz caminhos onde passei na Páscoa passada, na minha Volta à Península Ibérica e foi giro, porque desta vez estava sol e tudo parecia bem diferente!

Terras desertas, abandonadas na base árida dos Pirenéus…

E cheguei a Pamplona. Decidi, de repente, que podia ficar ali… e voltei a experimentar a sensação de andar de porta em porta à procura de um hotel, um quarto, uma cama, para dormir e percebi de novo, que uma viagem destas sem marcação de dormidas teria sido o suplício da eterna procura de dormida!

Paguei por uma noite tanto como… 5 noites em Berlim ou Viena, ou 7 em Cracóvia… e era só um hotel de 3 estrelas…

Depois do stress na procura de dormida, lá passeei um pouco pela cidade e jantei como uma rainha na praça maior, com direito a vinhinho e tudo! Soube tão bem…

mas também soube a despedida…

Xi, bebi mais de meia garrafa e que bem que soube! Atenção que o hotel era ali ao lado e eu voltei a pé! Às vezes também sou responsável!

Aquela gente janta à 10 da noite, por isso eu estava quase sozinha na esplanada! Foi fixe pois assim ninguém reparou na quantidade de comida que eu pedi nem no vinho que bebi! Eheheh

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18 Setembro 2010
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Pamplona é uma cidade muito interessante, fiquei lá uma noite na Páscoa, mas na altura parte da cidade estava inacessível por causa das comemorações da Semana Santa. Desta vez aproveitei para cartar o que não pude na altura…

É uma cidade interessante e eu tentei passear-me pelos caminhos que não percorri na Páscoa, onde catei mais a zona das muralhas da Cidadela.

Depois segui para Logroño, cheia de recantos, ruelas e monumentos

A catedral de Santa María de La Redonda do sec XVI na Plaza del Mercado

Praça del mercado

Logroño é mais uma das cidades no Caminho Francês de Santiago.

Normalmente as cidades que ficam nos caminhos de Santiago estão repletas de igrejas que davam apoio espiritual aos peregrinos.

A Espanha tem esta característica, cada cidade parece uma ilha no meio do vazio!

E de umas cidades para as outras, pelos vistos o tempo pode mudar drasticamente!

Cheguei a Burgos debaixo de chuva depois do calor e sol que tinha apanhado até ali!

Burgos é uma cidade muito bonita… mas com toda aquela chuva tornou-se difícil visitar os seus encantos!

Cruzei com personagens bem bizarras…

E outras bem elegantes para contrastar!

A catedral dedicada a Virgem Maria, é espantosa, Gótica inspirada (ou como dizem as más línguas, copiada) nas catedrais góticas francesas.

Depois de se passar pela porta medieval da cidade, o Arco de Santa Maria, lá está a imensa catedral…

Todas as fotos de Burgos foram tiradas sem olhar pelo ecrã, estava a chover bastante e eu não queria molhar a maquina… mesmo assim notam-se a gotas de agua na lente!

Para fotos tiradas sem ver até nem ficaram mal de todo!

Até as esculturas de rua se abrigavam da chuva nos seus guarda-chuvas! Eheheheh

Uma cidade muito bonita a revisitar… com sol!
Não sabia o que fazer, ficar ali mesmo, dormir e esperar que o tempo melhorasse ou seguir? Decidi seguir para Valladolid, e uns quilómetros à frente vi finalmente o fim da nuvem gigantesca que cobri Brugos e o sol ao fundo, timidamente a espreitar. Oh que alegria não chovia mais ali à frente! Era Valladolid!

Foi complicado encontrar um canto para a minha motita, mas lá a pus numa nesga entre outras pequenitas…

O sol não era tanto quanto me parecera, mas pelo menos não chovia.
Valladolid também está bem servida de igrejas! Há-as um pouco por todo o lado. A A Catedral de Nossa Senhora da Assunção de Valladolid é uma surpresa depois da de Burgos ou León, esta não tem nada a ver! O edifício principal é muito mais recente (sec XVI) e diferente!

A última construção sobre outras construções anteriores e muito mais antigas. Nunca entendi porque se tem de construir por cima com tanto espaço em volta, mas os espanhóis têm muito esse costume, de ligar uma igreja mais recente a uma antiga resultando por vezes uma “coisa” meio bizarra!

Esta, além disso, não foi terminada de acordo com o projecto inicial, acabando por ser o resultado possível do que seria para fazer!

Ali ao lado outra igreja, ao alcance do olhar… a Igreja de Santa Maria La Antigua, Gótica mas com uma torre Românica.

A Universidade, um edifício de origem medieval mas com a fachada barroca é a universidade mais antiga de Espanha (sec XVIII).

De repente já não fazia sentido ficar ali… de repente já não fazia sentido andar de um lado para o outro…
É na Páscoa que eu visito a Espanha, não é agora!

Quando se está em viagem 400km não são nada! Decidi não ficar…

E foi o fim da odisseia…
Cheguei a casa depois de:

35 dias
19.000 km
14 países
9.000 fotos
922 litros de gasolina
1.217.48 € em gasolina
609 € em dormidas
42 € em portagens
Despesa total: 2.375.52 €

O que me faltou?
Nada! Tudo esteve perfeito!

O que sobrou?
Curvas e montes e paisagens inenarráveis e vontade de continuar…

O que valeu a pena?
Tudo, se para se ir mais além foi necessário apanhar a chuva e o frio!

O que teria dispensado?
A tempestade nos Alpes entre Salzburgo e Innsbruck..

O que me apetece dizer ainda?
… caí do paraíso ao regressar e estou morta por lá voltar!

O mapa das voltas que dei nesta viagem…


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.
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Beijucas e até à próxima viagem… 😉

FIM

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10 thoughts on “3 – Passeando pela Europa 2010

  1. Olá Gracinda, sou eu de novo! 🙂

    Cheguei ao final desta longa viagem que teve de tudo. Emoção, aventura, dimensão, beleza, sonho, etc…
    Nem sei o que mais posso dizer, pois faltam-me as palavras…
    Está fantástica e as fotografias imortalizam sítios lindíssimos, de uma beleza impossível de descrever.
    Simplesmente Adorei. Parabéns por esta magnifica crónica e o video está bem conseguido (imagens e música a condizer.

    Que continues com as tuas viagens, “catando” tudo o que desejas, por este mundo fora e por muitos anos!!
    Beijinho Simone

  2. Bem,

    Eu só descobri este blog a semana passada….mas ainda bem que descobri…nunca é tarde para descobrir estas verdadeiras obras primas do ver e do voltar a ver… Simplesmente fabulosas estas suas viagens e principalmente as fotografias que como que nos transportam para estes locais de sonho…Muitos parabens e que continue que eu cá continuarei a deliciar-me com estas suas viagens e fotos.
    Já vi a maior parte dos seus diários …tenho passado horas seguidas a ver estas maravihas..

    • Obrigada!

      Fico contente que aprecie os meus relatos!

      Durante muitos anos viajei quase sem tirar fotos, pois as revelações eram caras, e hoje, tantas viagens depois, não me lembro mais muito bem de grande parte dos pormenores de cada uma, para além de as confundir um pouco umas com as outras!

      Então um dia decidi fazer crónicas, a melhor maneira de organizar as memórias de viagem e as fotos também. Fico contente se esse meu trabalho enriquece outras pessoas, ajudando-as a planear viagens ou apenas a se distraírem e conhecerem um pouco do que eu vou vendo, viajando comigo!

      Beijinhos e vá-me acompanhando, que estou a publicar a minha ultima viagem à Suíça, em agosto passado!

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