2 – Marrocos 2012 – O regresso!

3 de Abril de 2012

– Ouarzazate –

O dia amanheceu meio cinzento e fresquinho. As nossas motitas tinham pernoitado na esplanada coberta e fechada do hotel Marmar, uma delicadeza que a gente aprecia sempre!

É sempre mais fácil arrumar as tralhas na moto quando ela está arrumadinha e abrigadinha!

Aqueles pequenos-almoços com o delicioso sumo de laranja, são imperdíveis!

E não resisti a fazer a mesma brincadeira do ano passado e fotografar a pequena cidade formada pelos porta-chaves dos quartos! Muito giros!

Então fomos até ao centro antigo de Ouarzazate, que eu queria muito visitar desde o ano passado.

(Ouarzazate é chamada a porta do Deserto e fica entre as montanhas e os oasis do vale do Dadès e do vale do Draa.)

A muralha da Medina é visível da rua, como uma fortaleza!

E na frente da rua, a Kasbah de Taourirt…

A Kasbah de Taourirt é uma das mais belas construções arquitetónicas da cidade. É incontornável, impossível de ignorar, porque se impõe como uma fortaleza!

Esta construção bérbere impressiona pela sua massa enorme cheia de detalhes decorativos e pitorescos. Ela é semelhante a um grande castelo de areia do deserto!

Este ano eu não poderia deixar de a visitar… acho até que tirei esta foto igualzinha à do ano passado! Visitamo-la com um guia todo catita, meio ator de cinema (segundo ele dizia) e que contou uma série de pormenores sobre a história do local e sobre Marrocos e sua história e costumes. Foi giro!

A Kasbah de Taourirt servia de palácio ao Pacha de Marrakech, Thami el Glaoui, que se insurgiu contra o rei Mohammed V quando Marrocos era um protetorado francês.

Os pormenores das torres são lindíssimos !
Dizem que os materiais e técnicas de construção usados naqueles « castelinhos de terra » é ecológica, está a ser estudada e planeia-se o seu uso noutros pontos do planeta, pois não deixa resíduos por isso não destrói o ambiente em seu redor ! Espantoso heim ?

E o guia dispunha-se a contar-nos histórias por horas a fio, e a gente até as ouviria se não tivesse metade do grupo à porta à nossa espera !

Então o Pacha tinha 4 mulheres e uma infinidades de filhos, por isso o palácio tinha de ser grande e organizado. Ter muitas mulheres era sinal de grandeza económica, pois ele tinha de as sustentar, a elas, aos filhos e a todos os empregados necessários para manter toda a vida da Kasbah em ordem! E ainda há quem se queixe de ter de aturar uma mulher ou um marido !

As janelas são em baixo porque as mulheres passavam a vida sentadas e aninhadas no chão e assim poderiam ver facilmente para fora !

E por elas viam o resto do palácio e a Medina ao fundo, também de casas de barro!

Taourirt é o nome da aldeia onde foi construída a la Kasbah. Esta aldeia foi fundada no sec XII e a Medina chegou até nós habitada e pode ser visitada!

Até o ninho da cegonha é bizarro!

Ora veja-se de perto! Parece que tem vários andares não?

Os pormenores da Kasbah são lindíssimos vistos de perto! Tão simples e tão imponentes!

Os interiores foram restaurados e ainda se podem ver tetos trabalhados em madeira de cedro.

E desculpem-me, mas fiquei encantada com alguns recantos e pormenores!

Acho que aquela gente andava sempre aninhada, pois todas as portas são pequenas e baixas!

A forma como se sustenta um primeiro andar numa casa de barro também me aguçava a curiosidade!

Tanto Ouarzazate e a sua Kasbah de Taourirt, como a Kasbah deAït Benhaddou, são Património da Humanidade reconhecido pela Unesco e ambas fazem parte da Cidade do Cinema e foram cenário de diversos filmes!

E fomos visitar a Medina medieval!

Curioso o pormenor das “caleiras”, tubos que afastam a água das paredes das casa, para que estas não se dissolvam com o cair continuo da agua! E mesmo assim as paredes são fortificadas em todo o possível percurso das águas que possam cair conta elas! Muito giro!

Na praça central preparam-se para lavar um grande tapete! As casas não têm condições para estas lavagens!

Ali ao lado, a farmácia de produtos naturais. Dizia o guia que, com o preço elevado dos medicamentos, os povos continuavam a recorrer a medicina tradicional!

Ali vende-se de tudo: chás, poções, pós, pigmentos, pedras, sabões e eu sei lá que mais!

Andamos por ali literalmente a cheirar uma série de frascos!

Acho que o Luis cheirou algo que não devia e transformou-se num deles!!

Curiosos os pormenores da vida na Medida, homens mais novos cuidam dos homens mais velhos! Ali faziam a barba a um velhote!

Naquela terra ninguém pode engordar muito, ou não passará em algumas portas e ruelas!

Estava na hora de ir embora pois o dia não acabaria ali!

**** ****

– Até ao Deserto! –

Passar por ali ao lado de tais construções é uma sensação de verdadeiro exotismo!

o palácio parece não ter fim, ali na berma da estrada, a imagem de Ouarzazate!

E lá saímos da cidade rumo ao deserto!

O que me chocou no país foi a facilidade com que aquela gente vive e convive com o lixo! A dada altura a gente pressente a chegada a uma cidade pelo muito lixo que vai encontrando nas bermas da estrada!

A paisagem ia mudando em pormenores decorativos pelas encostas das colinas!

E de repente parece que cheguei à América!

Uma espécie de Grand Canyon marroquino!

De repente eu queria parar em todas as esquinas e tirar um milhão de fotos a cada paragem!

O que vale é que os outros também quiseram parar, senão eu só tiraria fotos de corrida!

Aquilo lá em baixo é fascinante! Grandioso!

A gente arrancava e eu voltava a parar, uma vez e outra!

Porque a cada curva do caminho os penhascos mostravam-se de ângulos mais extraordinários!

E sai uma panorâmica meio enrolada da minha máquina!

E a paisagem vai sempre mudando, com montanha diferente a cada quilómetro e as casinhas no meio de nada!

Parece que encontramos diversos países num mesmo país!

A chuva voltava em força e a gente ancorou na lama da praça central de Agdz, uma terra no meio de nada mas que tinha um sapateiro que socorreu o Rui, mais a sua bota “des-solada”

A minha motita nunca se tinha visto ancorada na lama… mal ela sabia o que a esperava a partir dali!

E cá está o Rui com o pé direito enfiado no sapato provisório enquanto a botita ía dar uma voltinha reparadora

Vendo bem de perto até ficava curioso o conjunto improvável do novo par de calçado!

Fomos ficando por ali a fazer tempo e morder qualquer coisa enquanto a bota não vinha!

O restaurante onde paramos até tinha bom aspeto visto de longe!

Não sei como é que aquela gente ainda conseguia tomar mais e mais chá de menta!

Ali mesmo ao lado estava instalada a cabine telefónica mais estreitinha que eu vira na minha vida! Quem é que caberá ali dentro?

E mais isto e mais aquilo, e pimba, mais chá de menta!

E finalmente a bota regressou ao seu dono, pela mão do seu salvador!

O patrão do rapaz é que fez o preço, não foi caro e foi eficiente! Pois aquela bota ainda fez muita lama, agua e terra depois de ter sido colada e pregada ali! Afinal Marrocos não é o fim do mundo! Fazem-se coisas uteis e em cima da hora, bem feitas! Não é verdade Rui?

Bem com o Rui já muito bem calçado lá seguimos, tínhamos muito maus caminhos para percorrer ainda!

Mas o ar de cada um era de alegria! Quem se queixa de passear à chuva? Desde que seja passear é sempre melhor que trabalhar!

A cada dia passávamos frequentemente por grupos de adolescentes que voltavam das escolas!

Ao longe há sempre pormenores surpreendentes na paisagem, por vezes só parando se pode captar o que se vê! O Rui e o Elísio é que estavam sempre a “levar comigo” que ficava para trás e eles faziam questão de ser os últimos e por minha causa ficavam lá para trás!

Voltamos a atravessar um pouco de Grand Canyon

E como aquelas paisagens me fascinam!

E chegávamos a Almif (acho eu) onde almoçaríamos uma farta refeição de 25 gramas de “steak” em 3 minúsculos pedacinhos, acompanhados de 14 palitos de batata frita, vá lá nem mais um, não fosse alguém sentir-se mal com o estomago demasiado cheio!

Foi aqui o grande banquete! O que prova que o tascoso fumarento de berma de estrada continua a ser a melhor opção para se comer, mesmo que a carne tenha moscas!

Ao menos dei o “gosto ao dedo” e fiz por lá algumas fotos do local com piada!

Nunca me dei muito bem a comer numa mesa mais baixa do que o banco em que me sento!

A vantagem de a comida ser menos que pouca é que, embora se perca muito tempo à espera, demora-se menos que nada a comer e a seguir viagem!

E lá fomos passando por mais um e outro oásis

Putos vindos de lado nenhum esperavam que os cumprimentessemos nas bordas da estrada que já ía estando cheia de areia

E de repente… o deserto!

“Avistar as dunas do Saara a partir da estrada, vê-las lá ao fundo, depois do deserto de cascalho negro, em cambiantes de laranjas rosados… foi como avistar um paraíso superior! Como se o deserto fosse uma entidade viva, um ser avassalador que me atraía a si… percorrer todo o cascalho irregular, em ondulações por vezes violentas, foi o menor preço a pagar para chegar com a minha moto Magnífica até ele…”

Teríamos de fazer 8 km pelo cascalho negro até às dunas, onde as motos ficariam no hotel.

Um dia eu prometi à minha motita que nunca mais faria terra batida ou fora de estrada com ela! Ela não nasceu para isso e fica sempre nervosa, um dia atirou-se para o chão e tudo!
Mas ali era a exceção!

Esperamos pelo Jeep que viria buscar as penduras e indicar-nos o caminho. Há que aproveitar o tempo de espera!

Na direção oposta o sol preparava-se para se pôr

O Carlos tinha ido fazer o reconhecimento do caminho e procurar o Jeep desaparecido! Um grande guia!

E lá fomos até à grande duna, a ponta da grande manta que é o Saara! Quando lá chegamos levantava-se uma ventania que fazia o ar encher-se de areia. Coisa ruim para uma máquina fotográfica, mas linda para uma fotografia!

Os Ferraris que nos levariam às tendas já nos esperavam!

Não perdemos muito tempo, o percurso era longo e ajudaria a digerir o resto do almoço minúsculo que tivéramos… santo Deus, se a comida no deserto fosse também uma miséria eu iria morrer de fome! ?

O hotel ia ficando para trás e a hora e meia de caminho começava apenas, a passo de caracol… ok, a passo de camelo!

O grupo mantinha toda a animação de sempre, em 2 grupos de 5 camelos lá se iam trocando piadas de um grupo para o outro!

Os vestígios do sol desapareciam de uma forma muito bonita mas, lá de cima do camelo, é difícil conseguir-se a quietude suficiente para o fotografar sem tremer!

E ficou noite!

Quando chegamos às tendas a comidinha esperava-nos!

Oh quanta alegria! É que depois de almoçar pouquinho, andar de moto e depois de camelo, dá cá uma fome!

E serviram-nos 2 tajines gigantes de frango, deliciosas!

E lá estávamos todos muito contentes a encher-nos de comida!

Lá fora os Tuaregues entoavam canções e tocavam bombos à luz de candeeiros engalanados em caveiras de camelo

E fui para o “meu” quarto dormir!

Os outros ficaram ainda em volta da fogueira, juntamente com outros hóspedes das tendas

Fim do 5º dia de viagem…

**** ****

– Uma chuvada no deserto! –

4 de Abril de 2012

Perguntavam qual a sensação de dormir numa tenda no meio do deserto, acordar rodeada de camelos…

É uma sensação esquisita, acorda-se varias vezes durante a noite, pois o colchão é duro, porque não tenho lençóis, porque durmo vestida!

O vento entra por uma frincha na parede, tenho vontade de ir ao wc mas nem quero pensar nisso pois não distinguira a dita tenda de todas as outras! Não é particularmente confortável, mas também não é o fim do mundo!

Não tive frio, o que foi ótimo, já que aquilo de noite arrefece!

Então, depois de toda a chuva que já tínhamos apanhado, já tínhamos decidido que a culpa de tanta chuva afinal era do Tonica, pois para todo o sítio que ele vai, leva-a com ele. Descobrimos ao acordar que chovera no deserto!

Oh Tonica, a continuar assim quando nos formos embora deixaremos o deserto verde!
Era caso para chamar ao fenómeno: “Uma chuvada no deserto!”

Os nossos Ferraris continuavam estacionados onde os deixáramos na noite anterior!

Ora bem, ali mesmo atras do oásis na areia, estava um duma gigante. A ideia era subirmos por ela para vermos o nascer do sol, que seria à 6.30h segundo o Tuaregue.

Por isso toca a trepar!

O facto de ter chovido durante a noite, tornou a areia mais fácil de subir! Lembro-me que no ano passado tive muita dificuldade em subir uma duna bem menor, e desta vez não custou tanto! Os pés não se enterravam tanto e a gente lá foi subindo.

Mesmo assim por os pés nas pegadas dos outros tornava a subida mais fácil!

Lá de cima as tendas pareciam ilhas no meio do mar ondulado de areia.

O nosso mais novo aninhou ali e puxou da chucha!

E brincava com o i-phone!

Pronto, é claro que não subimos até ao topo da duna! Puxa, ela era grande demais para subir mais para cima!

O Tonica voltou por momentos à infância e deitou a gatinhar por ali acima, mais a sua garrafa de areia!

E no meio da animação… eis que o sol nasceu!

E de repente a cor da areia, provocada pelo sol, iludia a minha máquina fotográfica que a apresentava em tons completamente inesperados!

Um espetáculo digno de apreciar, era lindo olhar em volta e ver o efeito que o sol tinha sobre a areia.

E o sol estava ali, a animar todo o ambiente, provocando efeitos extraordinários de sombra e luz

Voltamos à tenda para o pequeno-almoço. Tudo parecia diferente debaixo daquela luz!

O nosso Tuaregue de serviço era um tipo simpático de turbante amarelo.

A fome era negra, que isto de trepar dunas logo pela manhã é desgastante!

Continuo a não achar muita graça a comer sentada no chão! Ou de joelhos!
Continuo a preferir mesa e cadeiras à antiga portuguesa!

Então voltamos aos nossos Ferraris para tratarmos de volta até às nossas motitas!

Os camelos, que eram dromedários, tinham sido baralhados e tornados a dar! Por isso calhou-me um muito simpático, mas com a sela meio de lado.

E pronto, estávamos todos montados e preparados para mais uma hora e meia de travessia das dunas!

O nosso oásis ficava para trás…

Desculpem mas estes foram uns deliciosos momentos de sol que não pude desperdiçar, por isso fiz algumas fotos lindas que tenho de vos mostrar!

Os contrastes da cor quente da areia com o azul do céu, fascinou-me, enquanto tive sol!

A beleza exótica do deserto é indescritível, por isso só me restava fotografa-la!

Estávamos a escassos 10 quilómetros da Argélia!

O guiador do meu dromedário era solido e bem fixo ao bicho! Um bicho dócil e simpático, como nem um cavalo seria!

Seguíamos em dos grupos como na noite anterior

tanto tempo em cima de um camelo sem ter nada que fazer deu para tirar muitas fotos

O Luís e a Júlia encontraram-se na cauda dos 2 grupos, quando estes circulavam a par! Encontro de camelo para camelo!

E lá fomos chegando ao Auberge du Sud, onde eu quero passar uma noite, um dia que volte a Marrocos!

Encontrei ali enquadramentos muito bonitos!

É uma sensação curiosa ter o deserto como paisagem!

O hotel é uma delícia de decorações exóticas e ambientes misteriosos!

Apetece ficar ali uns dias!

Nos pátios existem vários apartamentos num ambiente acolhedor, de uma construção voltada para dentro, para se proteger das areias do deserto!

Curioso o pormenor dos tapetes em cima da areia para as pessoas passarem.

em cima de um mote de areia, uma mesa e quatro cadeiras!

Depois fui registar o momento em que a minha Magnífica se passeou em cima da areia do Saara!

E la estava todo o bando preparado para mais 8 quilómetros de cascalho negro!

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Um caminho que parecia não ter fim!

Depois fomos até Merzouga, apenas ver como era, mas pelo que se via ao entrar, aquilo tinha umas infinitas ruas, tipo trilho de terra e cascalho!

E o deserto era ali mesmo ao lado!

E seguimos o nosso caminho para Midelt!

Fomos abastecer e ali mesmo demos as roupas que o Leonardo e a Mila tinham levado para dar à crianças. Logo ali eles vestiram varias t-shirt e vieram mostrar-nos como ficavam!

Ali mesmo também pudemos apreciar o aspeto da segurança no trabalho que se pratica por lá!

Com a chuva que se afastara um pouco, as nuvens abriam e deixavam ver um lindo e intenso céu azul!

**** ****

– Até Midelt –

De repente o Luis voltou a transformar-se! Aquele rapaz não perde uma oportunidade de se transformar em marroquino!

A tenda Tuaregue está com no ano passado!
Até se dormia uma soneca ali!

Depois de ter dormido numa no deserto bem mais pequena, qualquer tenda me parecia boa para dormir uma soneca!

Mesmo ali ao lado fica o grande oaris

E a seguir havia um lindo céu azul, cheio de nuvens lindíssimas, como tufos de algodão pendurados no céu!

Aqueles céus eram tão inspiradores que os fotografei vezes sem conta!

Mais uma vez uma infinidade de adolescentes parecia sair das aulas em magotes de bicicletas!

Os táxis são o máximo! Dá que pensar se aquelas latas se aguentarão por muito tempo em circulação! Como dizia o Elísio, deve haver por lá fábricas de fazer coisas velhas!

Mais estrada a caminho de Fes.

E passamos de montanhas tipo Grand Canion

Para montanhas tipo Alpes ou Pirenéus!

E pimba, mais um diluvio em cima da gente! Nem apetecia mais tirar fotografias, apenas esperar que o temporal acalmasse e seguir para onde iriamos dormir, na esperança que fosse um cantinho quente e simpático!

Chegamos a Midelt depois de muita chuva e frio, parecia mesmo que tínhamos andado pelos Pirenéus com direito a nevoa baixa, chuva sempre que possível e, se estivéssemos nos Pirenéus mesmo, diria que neve, nas terras mais altas!

Chegamos à Riad, e esta estava cheia de aquecedores! Que coisa boa!

A casa era giríssima, cheia de elementos decorativos e muito acolhedora!

A sala de jantar:

A sala de estar:

O meu quarto:

O quarto da Paula que tinha uma cama que era mais larga do que comprida!

O quarto dos rapazes: Elísio, Rui e João!

Estava-se mesmo bem ali, com o ambiente aquecido, nem pensar em sair para jantar!

Jantamos ali mesmo pois então!

Com direito a vinho e tudo! Vinho marroquino, afinal eles produzem vinho e cerveja, embora a maior parte da população não beba bebidas alcoólicas!

Realmente o ambiente inspirava para momentos românticos e por isso sai uma ou duas fotos com o nosso casalinho mais crescido!

Até o teto trabalhado era muito bonito!

Então veio a comidinha! A apresentação com que as coisas são servidas até as torna mais apetitosas! As entradas:

As tajines deliciosas, se bem que o Elísio se tinha posto a entreter a cozinheira e ele tinha deixado torrar um pouco o “tacho”!

A tagine de frango com limão e azeitonas:

E a tajine de Kefta, (almondegas e ovos)

E frutinha! Tudo muito bonito, apetecia mesmo fotografar!

Foi a coisa melhor que nos podia ter acontecido, ficar ali calmamente a comer e a conviver, sem ter de voltar a sair. Lá fora estava mau tempo e bastante frio e só no dia seguinte voltaria a haver coragem para enfrentar um temporal… ou não!!

Fim do 6º dia de viagem!

**** ****

– E caiu neve no Atlas! –

5 de Abril de 2012

O dia acordou solarengo! Oh que felicidade, depois de tanta molha!
A Magnífica acordou aninhada! Oh que raio de azar!

Já no dia anterior se tinha comentado que ela tinha o pneu de trás baixo, mas como se encheu e ficou bem, pensei que fosse apenas uma questão de descuido na preparação para a viagem!
Mas não, naquele dia ela voltou a aninhar!

Nem quis saber, fui tomar o pequeno-almoço e depois teria que resolver a coisa…

A Riad era mesmo confortável e o ambiente agradável, já que lá fora estava sol, mas um frio de rachar!

Voltei a dar uma volta pela casa para registar os recantos para memória futura!

Curioso o pormenor decorativo que me fez lembrar um presépio! Era, na realidade, uma tendinha berbere com os nómadas lá dentro e tudo!

O nosso garçon privado posou com o Tonica e a Ângela para a fotografia!

E finalmente lá fomos comer, que isto de viajar faz uma fome dos diabos!

O Luis ainda suspirava pelo sumo de Marrakech, nenhum outro se lhe comparava!

E então lá fomos ver o que a minha motita queria! Eu já estava a planear continuar a viagem à pendura de alguém se tivesse de mandar a moto pela assistência em viagem para qualquer lado!

Logo desta vez que eu não levei o spray para furos é que ela aninhou! Mas há sempre alguém que tenha o que é preciso! Grande Rui

Mas ela não aceitou a spray, pouco ou nenhum entrou!
Acho é que ela queria festinhas de menino e lá foi o Tonica fazer-lhe a vontade!

Mas nada a convencia e, quando voltou a pôr o pezinho no chão, estava mesmo em baixo!

Então acabaram-se os mimos, toca a andar e rolar assim mesmo até ao centro da localidade para ver se se resolvia a coisa, nada de mimos!

Enquanto esperava pelos outros na rua, olhei para o lado e, lá ao fundo, por trás da Riad, o monte estava todo nevado! Que coisa mais linda!

Vá lá menina, tem paciência, põe-te boa que eu quero ver aquilo melhor!

Fomos ao senhor dos pneus, ele deu-lhe banho ao sapato, mas não se via borbulhar! Não se vendo furo, como se pode remendar?

Bem se não há furo, tanto melhor! Toca a encher e a seguir viagem para ver aquele imenso monte nevado!

Na realidade a gente andava por ali pois ía à procura das Gorges d’Aouli, que o nosso garçon da Riad tinha dito que eram ali perto, e que valiam a pena, e que tinham até à beira uma aldeia fantasma, pois em tempos existira ali uma mina de chumbo explorada por franceses e tal, mas que se tinham ido embora e aquilo estava abandonado!

Tudo bem, a gente lá foi, mas eu ia mesmo preocupada com o meu pneu de trás, é que não sabendo por onde o ar se escapara, podia voltar a faze-lo e com aquele piso maravilha, cheio de pedaços de rua todos lixados pelas correntes de agua que passaram ali e deixaram tudo esburacado e cheio de pedregulhos…

Mas a minha Magnífica nunca se negou! Grande moto!

E acho que valeu bem o percurso, pois exploramos mais um pedaço improvável daquele país!

E claro, com receio do pneu ou sem ele, eu não deixei de tirar as minhas fotos! 😉

E a minha motita não fez má figura junto das GS, heim?

Nem a minha, nem nenhuma, entenda-se!

A aldeia, não a vimos! Mas também como se poderia ver um fantasma? Eu nunca vi nenhum! E também não foi naquele dia que vi! eheheh

Por isso voltamos para trás, curioso que no regresso a estrada nunca parece em tão mau estado e o percurso nunca parece tão longo!

E até o receio do pneu se foi! Pois se se aguentou na ida, também não seria na vinda que não se aguentaria! E até me esqueci dele!

Valeu a pena ir até ali para ver o contraste espantoso entre o penhasco e o céu espantosamente azul!

Quando os burros ficam velhos e não podem mais trabalhar eles abandonam-nos no pasto (se se pode chamar assim) e eles continuam a sua vida calmamente por ali sem se terem de esforçar mais. Deve ser por isso que a gente encontra tantos à solta por todo o lado que passamos!

E de repente o Atlas nevado estava ali mesmo à nossa frente de novo! Midelt fica na junção entre o Médio e o Alto Atlas e ali estava ele deslumbrante!

Ui, as fotos que eu lhe tirei, e as que teria tirado, se não tivesse toda a gente à minha espera! Eheheh

Como não podia estar tanto frio na noite anterior! Nevou ali em cima, tão pertinho!

Então parou tudo para tirar fotografias àquele espetáculo e às motos!

E não apetecia ir embora! Apetecia-me aproximar e ver a montanha mais de perto!

Mas lá seguimos viagem, que Marrocos não é feito só de montanhas nevadas!

Mas que elas são deslumbrantes, são!

Atravessamos Midelt mas, aparte a montanha cheia de neve e a Riad giríssima, não havia mais nada para ver ali!

Claro que, muitos quilómetros depois, ainda se podia ver por entre as nuvens o espetáculo grandioso que se confundia com elas!

E quando a neve se vai há sempre coisinhas giras para fotografar na berma da estrada! Oh que fofo!

E a paisagem voltava a mudar completamente!

**** ****

– Encontro de amigos a caminho de Fes –

Paramos para abastecer, nem sei bem onde! Algures a caminho de Ifrane, isso tenho a certeza! Não sei se as motos vinham assim tão sedentas, mas a verdade é que a gasosa não chegou para a motita do Elísio, a sua Nº2! Já dizia a minha avó que cada qual tem a sorte que merece !eheheh

Então, de repente, vinda não se sabe bem de onde, surge gente conhecida! Como é possível que, num país quase quatro vezes maior que o nosso, sem combinar nada e a fazer percursos opostos, as pessoas se encontrem?

A princípio ainda pensamos que era mais um desgraçado que iria ficar sem gasolina, mas depois constatamos que era o Legasea e a sua senhora (o Leonel e a Paula do M&D).

A gente até podia ter estado com eles em qualquer lado, mas encontra-los em Marrocos foi a coisa mais gira que podia acontecer! Como uma ligação ao que tínhamos deixado em Portugal!

Gente boa é sempre giro encontrar, seja em que ponto do planeta for! Fizemos uma festa!

E como festa que se prese tem de ter comes e bebes, fomos abancar numa tasca de beira de estrada e comer todos juntos!

Estava frio e as meninas foram aquecer as mãos no assador… ups… oh Elísio, motard que é motard não tem frio! Eheheh

Era giro ver o nosso grupo de motos receber tão bem uma moto amiga no seu meio!

Almoçamos um franguinho assado que eu gostei! Eu sei que as pessoas normais preferem frango de churrasco, mas eu prefiro-o assado nas máquinas! Por isso para mim estava bom e as batatas fritas também, pois não eram aquela bosta das batatas pré-fritas que eu detesto!

O nosso amigo Legasea apresentou-nos uma garrafinha de água divinal, que nos desinfetou a canalização, desde a boca até ao fundo do estomago! Reminiscências de Portugal! E depois foi a despedida, com muitos beijos e abraços e desejos de boa viagem para uns e para outros…

E seguimos, com a promessa de encontrar neve mais à frente pois tinha nevado na noite anterior também em Ifrane!

E lá a fomos encontrar, não era muita mas tinha-se aguentado todo o dia, por isso estava frio e por isso não nevara assim tão pouco!

Aparecia ali, ao lado da estrada, mesmo com o sol aberto, e aguentava-se!

Tal como a montanha a neve sempre me fascina! Tenho sempre vontade de a fotografar, de caminhar até ela…

Por isso lá voltei a parar aqui, e ali, e acolá…

Até chegarmos a Ifrane, a cidade alpina de Marrocos!

Uma cidade fundada por franceses e que se mantem com aquele ar limpinho e arrumadinho de coisa europeia, que até destoa de muito do que vimos em outras cidades marroquinas!

Não é por acaso que tem o cognome de “Pequena Suíça”, é que fica a 1700m de altitude, tem neve para caramba todo o inverno e é uma estância de ski!

E seguimos para Fes, com o Luis meio stressado pois a sua motita começara a queixar-se de falta de pressão no pneu de trás! Bolas, pelos vistos era coisa do diabo, todo o pneu queria furar de repente?

E era furado mesmo! Como era tarde para ir visitar a Medida era o momento certo para ir arranjar o furo da TDM, pois então.

Ao lado da oficina (tipo buteco) de arranjar pneus puseram-se todos a tomar copos de leite com café, como meninos bonitos! Eheheh

A verdade é que é curioso, como dizia o João, olhar para dentro dos cafés e ver imensos homens com os seus copos de leite ou café com leite à frente!

Em frente ficava uma fonte que mais parecia uma sucata! Que coisa impressionante de feia, velha e estragada! Era uma fonte de terracota toda partida!

Passeamos um pouco por ali, uma grande cidade cheia de coisa de pequena aldeia marroquina! Com lojinhas de tudo e gente que vende à porta o mesmo que se vende lá dentro sem que ninguém se importe!

E também quem venda dentro da loja o que se produz cá fora! Como as diversas casas de ovos que têm as galinhas poedeiras à porta! Ovos mais frescos não há!

E o nosso hotel! Como quase todos os que conheci até hoje em Marrocos, a entrada e receção não são representativas do que é o resto da casa, mas é sempre bonito catar o que tem de bonito!

Assim como a sala de jantar não ilustra os pitéus que lá se servem! (a considerar pelo parco pequeno almoço servido no dia seguinte)

Mas os requintes decorativos estão lá e é muito giro explora-los!

Naquela noite voltamos a jantar frango assado na máquina, voltamos a conversar até às tantas, a ouvir as máximas do Elísio, as grandes aprendizagens do João, as piadas do Rui e as interrupções do Luis e as risadas de toda a gente…

Fim do 7º dia de viagem!

**** ****

(continua)

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