3 – Marrocos 2012 – O regresso!

– A Medina de Fes –

6 de Abril de 2012

As nossas motitas dormiram em cima do passeio em frente ao hotel, com um guadião a tomar conta delas. Escusado será dizer que de dia haveria outro guardião a pedir mais uns dirhams por as guardar durante o dia! Naquele país a gente paga por tudo e para tudo!

Até para estacionar em cima do passeio nos pedem dinheiro!

As motos ficariam ali estacionadas durante a manhã, enquanto iriamos de carro até à Medina.

Passamos pelo Palácio Real, passamos sempre pois eles têm muito orgulho nele e, quando apanhamos um meio de transporte para ir a qualquer lado ali, levam-nos sempre às portas do palácio! Ainda o hei-de visitar por dentro!

Aquelas portas se fossem cá, já tinham sido roubadas pelo bronze!

E lá fomos visitar a Medina mais antiga do pais!
Não entramos pela porta grande, acho mesmo que entramos pela porta do cavalo!

As ruelas são estreitas e os transportes são feitos com burros, os maiores, ou asnos, os mais pequenitos. Sim por ali também circulam algumas mobiletes e pequenas scooters, mas nada como em Marrakech!

A Medina de Fes foi fundada no sec IX, o que faz uma quantidade de seculos! Há uma série de estatísticas sobre ela, sobre quantas ruas, quantas mesquitas e por aí fora…

A mim bastou-me o que vi! Descobri que lá há livros sobre o país em Português, coisa quase impossível de encontrar em Espanha, por exemplo, e a mais é o nosso país irmão!

Descobri que ali também se come caracóis, pelo menos há quem os arranje no meio da praça publica na Medina!

Pelo aspeto ranhoso que tinham acho que não seria capaz de os comer por muito bem cozinhados que fossem…

As portas decoradas e recortadas têm frequentemente um pau que une os dois lado, pouco acima do meio, o que quer dizer que se alguém vier a correr distraído, dará ali uma cambalhota monumental, pois vai-lhe bater com a testa!

A Medina de Fes não teve em mim o efeito que teve a de Marrakech… eu sei que muita coisa estava fechada por ser sexta-feira e porque tudo abre meio tarde naquele país, mas mesmo assim…
Havia ali uma desolação que não senti na outra, um abandono quase antipático…

Entrando por uma portinha insignificante, pelo meio de lojas de peles e subindo sempre…

O cheio forte recebia-nos e facilmente percebemos onde estávamos a chegar. Lá em cima, do terraço da loja, pudemos ver a Tannerie

“Nas Tanneries de Fes curte-se o couro de forma tradicional utilizando urina de gado e fezes de pomba. Ali se vive envolto num cheiro nauseabundo, trabalha-se com as mãos e pés nus, nos líquidos e tintos, e produzem-se os mais belos couros que se possa imaginar. Curiosamente estudos revelam que aqueles homens vivem uma vida saudável Estivemos lá apenas há 3 dias e o tempo de chuva que se vinha sentindo deve ter sido nosso amigo e o cheiro nem era muito forte! Imagino como seria se estivesse sol e calor!”

Acho que tivemos sorte por ter chovido naqueles dias, senão o cheiro teria sido bem mais nauseabundo, se estivesse sol, se estivesse calor…

Por outro lado não tivemos tanta sorte com a cor das curtições que estavam a fazer, só havia duas ou três cores!

Quem inventou de chamar curtir a dar um beijos ou apreciar musica, não faz ideia do cheiro que tem a curtição!

Estávamos lá pelo meio da Medina e podia-se ver por cima dos muros o “mundo lá fora” e imaginar o que seria viver perto daquele cheiro! Eu sei que numa Medina eles distinguem a zona habitacional da zona comercial, mas o cheiro não será capaz de o fazer!

Descemos dali pelo interior da loja, que é o único acesso. Tudo bem que o cheiro não era muito forte, mas era horrível na mesma!

Os gatos são habitantes bem-vindos na Medina, impedem que ela fique infestada de ratos!

No entanto os cães não são muito numerosos, porque devem afastar os gatos, digo eu! São animais impuros, em casa onde há cão não se pode rezar!

Há ruelas tão estreitas por ali que as mais fininhas chegam a ter apenas 50 cm! Coitado de quem é gordo!

Aquilo é mesmo labiríntico, mas continuo a achar que o nosso guia não nos mostrou o melhor!

As portas sempre me encantam, velhas mas decoradas e recortadas!

Depois da zona dos curtumes seguíamos pela Medina meio desértica

com recantos curiosos

Fes tem uma belíssima coleção de palácios catalogados com interesse histórico

Seguramente não fomos visitar os mais bonitos e os que vimos da porta mas não podíamos visitar é que eu queria ver!

A confusão de uma Medina pode por uma pessoa louca, mas o silêncio e o vazio também é triste!


Então encontramos uma tinturaria artesanal como eu nunca vira na vida! Fiquei impressionada com o que se pode fazer num espaço tão exíguo!

Os alunos estavam mesmo interessados, talvez inspirados pelo Rui, um especialista na matéria!

Mais à frente, no meio da imundice, uma fonte no chão!

O ar de espanto do João a olhar para a água e a comentar como era possível no meio daquilo tudo a agua ser tão transparente! Presumo que eles terão nascentes de água límpida, digo eu!

Um velhinho e o seu burro proporcionaram-me uma das fotografias mais interessantes desta visita!

Aquela era a zona dos tintos e dos tingimentos.

Então chegamos a um espaço arejado, depois de tanto aperto nas ruínhas e ruelas da Medina. De repente o espaço aberto parecia uma grande praça!

E é nesta praça que fica a universidade mais antiga do mundo árabe, a universidade Kairaouine.

A escadaria azul da Biblioteca Kairaouine, que apenas os muçulmanos podem subir! Uma chatice, o que eu queria mesmo era ir ver!

Depois vieram os tapetes. Graças a Deus lojas a gente pode visitar todas…

Mas esta loja eu gostei de visitar!

Ali havia uma infinidade de belíssimos tapetes de lã que custam uma fortuna. “Os tapetes marroquinos são uma arte ancestral que vem desde o seculo XIII e desde sempre até hoje, continuam a ser carregados de significado para qualquer nível de sociedade.”

São frequentemente oferecidos como dote ou grande prenda e usados em tudo e em todo o lado!

E do topo da loja pudemos ver a Medina!

Vimos a mesquita Kairaouine aos nossos pés!

E o mar de antenas parabólicas bem democraticamente distribuídas em todos os telhados!

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– Ainda a Medina de Fes! –

Depois dos tapetes voltamos ao mundo real da Medina, para irmos ver (queria eu) a mesquita Kairaouine (ou Quaraouiyine), porque apenas os muçulmanos lá podem entrar, e as mulheres por porta diferente da dos homens!

A Mesquita deve o seu nome à cidade de Kairouan, na Tunisia, devido aos muitos emigrantes dessas paragens na zona, na época da sua fundação.

A mesquita ocupa uma grande área da Medina, pudemos passar por varias das suas 14 portas,

A Mosquee Quaraouiyine, receberia naquele dia 20,000 homens e 2,000 mulheres, pois era dia de festa. Eu queria ver aquilo por dentro e um senhor ofereceu-se para me fazer 2 ou 3 fotografias do pátio interior! Programei a minha máquina e dei-lha para a mão e valeu a pena! Aquilo é lindo!

O senhor andou tão contente a tirar fotos para mim e ainda nos tirou uma foto a todos!

Depois iriamos visitar os tecelões, a Medina está organizada por áreas de trabalho e ali eram a sedas!

Ui as portas, que giras! 😀

E lá encontramos numa loja de lenços, tecidos e adereços em seda, os teares.

E o tecelão sorridente!

Mais à frente eram os latões

As ruelas são estreitas mas ainda dá para passar de motinha!

E depois a farmácia

Cheia de certificados e recortes de revista emoldurados.

Havia muita tralha para cuidar dos cabelos, do rosto, da pele… elas tapam-se, tapam-se mas é cá fora, porque dentro de casa fazem uso àquelas tretas todas!

O óleo d’Argan está por todo o lado, fabricado a partir da noz da árvore de Argan que apenas existe em Marrocos, por isso chamam ao óleo o ouro de Marrocos.

Os meus amigos estavam muito concentrados nas explicações e exemplificações do “farmacêutico” de serviço!

Mais à frente encontramos o “motor” da caldeira para os banhos de Hamman.

Hamman na realidade quer dizer mesmo “banho” e em Marrocos são banhos relaxantes e purificantes, da pele e dos músculos. Uma variedade do banho turco.

Ali no fundo ficava a caldeira de um desses banhos, (há muitos na Medina). O homem está ali, continuamente a acrescentar serrim de madeira de cedro, para avivar a chama e aquecer a água. De cima vai recebendo pancadas na parede ou no chão, em linguagem que lembra o código morse, e que lhe vai dizendo se é para aquecer mais ou deixar arrefecer um pouco.

O homem é substituído de 3 em 3 horas… antes que morra de calor e sufocado pelo pó do serrim, digo eu!

Os salões de cabeleireiro são inspiradores

E mais portas

E caminhos estreitinhos

Recantos e escadinhas

Para chegar ao fabrico das peças em estanho e cobre

Esta foi das poucas lojas que visitamos que não vendia coisas velhas, cheias de pó e com aspeto de terem sido achadas no lixo!

Bem, mas ali a gente pode ver que não se fabricavam coisas velhas, como em muitos recantos do país! Ali se podia ver como todas aquelas coisas são fabricadas, melhor, manufaturadas!

Aquilo é desenhado martelada a martelada sobre o metal, com goivas finas e delicadas!

Fascinei-me com o candeeiro no teto, eu e a Paula, ficamos encantadas por todos os candeeiros!

E voltamos à Medina pois então, onde os táxis são burros e cavalos.

Onde há lojas de grande e pequena tecnologia

E chegamos ao Mausolee Moulay Idriss, no centro da Medina de Fes não pode ser visitado por nós… uma pena não poder passar da porta! É o Túmulo de Moulay Idriss II que fundou a cidade de Fes no sec IX pela segunda vez! Quase cinco séculos depois da sua morte foi encontrado ali um corpo intacto que se julga ser dele! Ele é o santo padroeiro da cidade e acredita-se que dá sorte ir ao seu Mausoléu dá sorte aos estrageiros, por isso é normal encontra-los a por a mão em determinados pontos da cerca da construção que, por estes dias anda em restauro profundo! Eu queria era vê-lo por dentro…

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– Uma luta sensual na lama com a minha Magnífica! –

Estava na hora de sair da Medina e voltar para as motos para seguir viagem! Ainda fui pondo o olho aqui e ali, ao passar numa das portas da Mesquita. Era uma das portas das mulheres!

Mais à frente uma escolinha de uma sala apenas, com um grupo de miúdos, aparentemente minúsculos demais, cantarolava uma cantilena tipo tabuada de antigamente! Cantavam a lição!

As mesquitas e as suas torres, são tantas naquela Medina!

A Medina das 15 mil ruas, das 150 mesquitas, das 500 mil pessoas…

Voltamos a sair por uma porta invisível, havia gente “estacionada” por todo o lado.

Pregamos nas motos e seguimos para a tarde mais louca desta viagem!

A Medina está por todo o lado, demos-lhe a volta por fora, por boa parte dos seus muitos quilómetros.

Fes ficou para trás, lá em baixo, como uma manta sem fim!

Olhando atentamente podia-se ver a Mesquita e os milhares de telhados numa manta espetacular!

E saímos da cidade e partimos para a nossa aventura!

As paisagens são verdes por ali acima, com pormenores espantosos.

As estradas e as curvas eram extraordinárias!

As casinhas por aquelas paragens são lindas. As paredes são brancas e os telhados de colmo coberto com argila, provavelmente para os tornar mais resistentes aos ventos e intempéries!

A paisagem continuava a mudar e a apresentar-se cheia de beleza!

Estava finalmente sol, a paisagem era linda, que mais faltaria num dia perfeito para viajar?

Então encontramos a primeira ponte que vi na minha vida, de terra batida e com buracos e poças de água!!

Chegamos a Karia Ba Mohamed, uma terrinha simpática onde pararíamos para recuperar energias!

Ora lá estava a carninha ao penduro, mesmo à mão de escolhermos o que comer!

Este assador não é um assador qualquer, como parece à primeira vista! Há ali um interruptor que faz com que se ligue a ventilação! Primitivo, primitivo, mas não necessita de abanico!

Custou um bocado convencer o homem que a costela mindinha da vitela se pode comer assada na brasa! Ficou meio incrédulo e, meio contragosto, lá a cortou e assou e a gente comeu de boa vontade! Só é pena eles passarem tanto a carne, se bem que ali é aconselhável que o façam, por uma questão de desinfeção!

Pelas carinhas larocas dá para entender que estava tudo contente!

E lá pegamos de novo nas motitas para seguirmos para aquela que seria uma luta sensual na lama mais as nossas montadas! E digo sensual porque tudo foi feito com muito carinho e cuidado!

Tudo começou pelos preliminares, de paisagens lindas e suaves, inspiradoras!

Estradas lindas ladeadas pelas belas paisagens!

Recantos surpreendentes de paraíso!

E então começou o caminho das manobras carinhosas, cuidadosas e deslizantes!

Cada pedaço de alcatrão ou terra batida lisa, era uma pequena versão de autoestrada espetacular!

Junto dos percursos de condução delicada e criativa!

Ainda não sei como consegui tirar a mão do volante e fazer algumas fotos!

A paisagem era muito interessante e, a cada vez que a gente parava, valia a pena olhar em volta!

Nesta altura já batizara a minha motita como Pan-Marrokian ST-A (A de adventure!)

Aqui já quase toda a gente tinha experimentado o banho de lama, a minha Magnífica teve o cuidado de se reclinar ligeiramente sem deixar que eu me sujasse! Muito delicada nesta luta na lama, por isso uma luta sensual!

O Elísio conseguiu sair ileso! Dançou, estrebuchou, mas não caiu! Grande e fiel amigo da sua Nº 2, já batizada e FJR-A (A de adventure também!) pois era uma das que se estragaria tristemente se tivesse ido ao chão. Grande Elísio!

Vimos carros e furgões deslizarem de lado em toda aquela lama! Porque não podíamos nós deslizar também?

Eu estava preocupada com o pneu da minha motita, mas a lama não parecia deixar que ele perdesse ar! E lá fomos seguindo!

O que vale é que eramos muitos e ajudávamo-nos uns aos outros… quanto mais não fosse com apoio moral!

E não conseguia evitar de por o olho à paisagem envolvente!

Enquanto a estrada melhorava consideravelmente até parecer uma estrada de luxo perto do que já se vira!

Oh pr’a eles a curtir a estrada todos contentes!

Então, quando a gente pensava que tinha chegado ao paraíso… a brincadeira recomeçou!

Aquela lama era tão fininha e escorregadia que as motos tendiam a andar de lado, mesmo quando a gente ficava parada! É no mínimo estranho sentir uma moto de 300 quilos deslizar de lado!

O João foi o herói da tarde! Aquele que apoiou cada luta de lama, cada par amoroso de moto/condutor! Grande João, se não fosses tu, acho que ainda andava por lá à espera que aquela lama secasse e se convertesse em terra!

Encontrei uma foto no meio das fotos do Luis de um dos momentos em que o João me apoiava na travessia do lodo “Ai que eu não consigo” era a única coisa que eu conseguia dizer ao sentir a Magnífica a rabear e a querer estender-se na lama “Não me abandones!” dizia eu para o João, pois tinha a certeza que e ele me deixasse naquele momento eu não seguraria mais a moto! Eheheh
Que episódio!

Então o Correia, que se tinha revelado um grande acrobata de duas rodas, com uma condução irrepreensível, escolheu a melhor poça de lama e, por sinal a ultima, para se estender mais a sua querida Ângela!

Não havia condições, os pés escorregavam, as motos deslizavam, fazíamos todos SS artísticos por ali e lá vinha o João segurar cada moto, como quem segura a traseira da bicicleta para ensinar as crianças a andar de bicla!

Grande João! Quando voltar a entusiasmar-me com uma luta sensual na lama com a minha Magnífica não me posso esquecer de te convidar, por via das dúvidas!

Neste momento os nativos da localidade a que chegávamos vieram em nosso socorro e aconselharam-nos a seguir outro caminho… pois seguir em frente não era bom caminho!

Sábio conselho e vindo na hora certa! A partir dali o caminho era lindo e muito bom, em comparação!

Oh que paraíso! O cascão de lama nos meus pés até começou a secar e a querer caír!

Até já apetecia e dava para brincar!

Paramos finalmente para avaliar a situação e limpar as unhas!

Quem diz limpar as unhas diz lavar a moto do Tonica e o Tonica!

Um dos senhores da estação de serviço sacou da escova e do balde com detergente e toca a esfregar o lodo da metade mais criativa do Tonica, aquela que fizera o banho de beleza na argila!

Carros para lavar? Esperam na fila que isto agora está ocupado!

Eu acho que toda a gente tinha vontade de fazer companhia ao Correia, mas faltou a coragem de arriscar a testar fatos de chuva!

E chegamos ao nosso refúgio daquela noite, onde fomos recebidos com conforto e simpatia!

As minhas botas estavam lindas e eu não tinha outras para calçar!

Havia bolinhos e chá de menta para todos… menos para mim, que não gosto nem de uma coisa, nem de outra!

Foram-nos servidas tajines deliciosas e quentinhas, que isto de andar a rolar e a rebolar na lama faz uma fome danada!

O que eu gosto daquela comidinha! Acho que vou ter saudades!

E nem faltou o vinhinho de Portugal, que alguém deixará lá no restaurante e que o senhor muito gentilmente nos ofereceu!

Ui, e pude tirar a duvida e concluir que tajine acompanhada de um bom vinhinho é mesmo a delicia perfeita!

Depois foi o fim de mais um dia, com direito a lavagem de botas no lavatório e a uma noite muito bem dormida, depois de um longo dia!

E foi o fim do 8º dia de viagem

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– Passeando por Chefchaouen… a Medina azul! –

7 de Abril de 2012

Depois de uma noite bem dormida toda a gente acordou bem disposta e com um sorriso aberto!

Para mim era um dos dias altos da viagem, aquele em que eu voltaria à Medina de Chefchaouen, que tanto me fascinara do ano passado!

Aquele hotelzinho/restaurante é muito simpático, já la ficamos no ano passado e fomos sempre muito bem tratados! A salinha de cima, tipo varanda, estava por nossa conta e nada nos faltou nunca!

O edifício mantem um aspeto de “por acabar” mas mostra já, em relação ao ano passado, melhorias e pormenores giros de decoração, como o balcão de receção ou as portadas exteriores em azul!

Este ano as motitas não ficaram dentro do hotel e sim numa garagem em construção ali ao lado!

O ambiente em construção combinava perfeitamente com a imundice em que elas estavam convertidas, depois da experiencia do dia anterior!

E preparamo-nos para ir até à Medina de moto, que isto de subir para caramba a pé e voltar, não tem muita piada, sobretudo quando a gente até já sabe o caminho!

A paisagem a partir do hotel só podia ser interessante, não tem muito mais casas para baixo dele!

É que a subida é íngreme até lá acima!

Não faltava espaço para estacionar as motitas, mesmo ali pertinho da entrada de baixo da Medina!

Logo do outro lado da rua ficava uma mesquita e o cemitério!

Não resisti em ir vê-lo mais de perto! Encontrei a porta lateral, que parecia afinal a principal, com um corredor de árvores até à mesquita. O cemitério ficava ali mesmo!

Eu sabia que, por lá, os cemitérios servem apenas para enterrar os mortos e que não há o hábito de pôr flores nem fazer “romarias” para os cemitérios. Apenas há uma lapide que marca a cabeceira e os pés, embora sejam sempre demasiado pequenas para indicarem os pés do/a falecido/a!

A Ângela lá andava meio a mancar por causa da pancada do dia anterior, quando caiu juntamente com o Tónica e a motita. Mas lá andava sem atrasar ninguém! É uma grande senhora!

Então fomos visitar a Medina que, curiosamente é azul, mas tem a porta ocre!

O chão parece uma carpete…

E voltei a entrar na Medina azul, aquela que me fascinará sempre, por muitas vezes que a visite!

Vai-se andando pelas ruínhas estreitinhas e irregulares, algumas com degraus e pedras que saem das paredes das casas, como se já lá estivessem e as casa tivessem sido construídas por cima! Mas tudo em azul!

Desta vez meti-me pelas ruínhas laterais, aquelas que nos levam à casa de cada um

e não só pelas ruas “principais” onde toda a gente passava

e voltava a encontrar os nossos parceiros de estrada

casalinhos amorosos, junto de portas deliciosas!

Oh as portas, ali são tantas tão bonitas que trouxe um coleção completa delas! Cada uma mais encantadora que a outra!

Algumas bem pequeninas! Eu iria ficar marreca se vivesse numa cidade daquelas, só para entrar e sair as portas o que eu me tinha de dobrar!

Que portas espantosas…

e ruinhas estreitinhas, que nos levam a outros patamares da Medina habitacional!

E chega-se à praça no centro da Medina e o espaço aberto e amplo faz querer voltar para o refúgio azul! Acho que aquela praça precisava de ser caiada de fresco de azul, está com um aspeto meio descuidado!

E o azul encantador continua!

Diz-se que aquela cor espantosa é usada para afastar os mosquitos…

Diz-se também que foram os judeus ali residentes que a começaram a usar em 1930, tornando-a característica e caracterizadora da cidade!

A verdade é que dá um ar fresco e limpo à Medina, tornando-a luminosa e encantadora, o que contrasta profundamente com outras como a de Fes, sombria e suja!

Diz-se também que aquele azul tem uma função parecida com os olhos azuis de vidro que se penduram em casa e afastam os maus espíritos! Quem sabe?

Depois de um larguinho há sempre um emaranhado de caminhos que passam por entre umas casa e por baixo de outras para nos levar a mais um recanto azul!

As zonas de comércio são igualmente acolhedoras!

Até chegarmos à grande praça Uta-El-Hammam, na zona alta da Medina, onde os cafés e restaurantes têm um ar colorido e acolhedor e as mesas têm toalhas!

E onde a gente dorme uma soneca à espera de meia dúzia de chás e sumos de laranja!

Tudo se passa naquela praça, onde até o Elísio se pôs a explicar como funcionava a sua camisa de ir às meninas! Puxa-se para os lados e aquilo abre tudo, automaticamente, sem perdas de tempo!

E esperamos, tanto que o sol acabou por abrir!

Já toda a gente sentia falta de um chapéu, o Carlos acabou por pôr o capacete!

Todo o movimento que não estava nas ruínhas estreitas estava um bocado por ali.

A mesquita e a kasbah dominam a praça. Ainda hei-de lá ir visitar aquilo por dentro!

As voltas que eu dei à praça até que os sumos e os chás chegassem!

Da porta da mesquita pode-se ver a Medina, de onde todas as ruas convergem para ali!

E as bebidas ainda não tinham vindo!

Não me importava de passar ali mais um dia!

Há personagens curiosas por ali

Muito curiosas!

e as bebidas sem chegarem!

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– Até ao Mediterrâneo! –

Deu tempo para tudo, para ver as novidades, cuscar as lojinhas e as miudezas que por ali havia para comprar!

Os sumos e os chás lá vieram e a gente continuou a catar as lojitas, pois então, enquanto os moços esperavam sentados nas escadas da mesquita.

Então o Elísio não resistiu e também foi cuscar as lojinhas, havia ali um casaquito a chamar-lhe a atenção!

Parecia um toureiro com o casaco enfiado!

Depois tratamos de descer a Medina por outras ruelas azuis e encantadoras

E o bando todo posou para a foto… bem, o bando todo não, porque faltava o Carlos e Paula que já tinha descido e eu que estava atras da máquina fotográfica!

A Ângela lá ia andando com o seu pezinho maroto, como se nada fosse!

Seguíamos explorando recantos cheios de encanto

e portas espantosas que encerravam interiores também espantosamente azuis!

É impossível ficar indiferente àquela beleza azul!

E chegamos ao fim do paraíso azul, com lojinhas e movimento!

As motitas esperavam-nos cá fora a espantar olhos.

Estava na hora de partir de novo!

Seguimos na direção de Tétouan, para a costa mediterrânica, por paisagens extraordinárias proporcionadas pelas montanhas de Rif

Marrocos, o país das mil paisagens!

Os recantos surpreendentes são sempre muitos, mesmo quando pensamos que já nada mais nos pode surpreender!

A natureza em estado puro, com pessoas e animais em esforço de trabalho.

Aproximávamo-nos de uma localidade, Qued Laou , estávamos perto do mar e começava o movimento.

E chegamos a uma feira de coisas velhas! Sempre o Elísio tinha razão, eles só podem ter fábricas de confecionar velharias!

Na berma da estrada um estacionamento de burros

E foi uma dificuldade para sair dali

O Elísio foi aproveitando o tempo para fumar um cigarro, diz ele que o que sabe fazer melhor: fumar! Mas fumar de moto será, certamente, a sua especialização a partir daquele dia!

As vestimentas daquela zona são curiosas, sobretudo os chapéus, grandes e frequentes nas mulheres!

Tudo velho, coisas usadas e velharias, era mesmo o que se vendia! Uma espécie de feira da ladra!

E lá conseguimos passar e chegar ao mar!

O João tratava da toilete, o Correia tirava uma soneca

Na realidade o João arrumava a casa e preparava-se para comer mais um boião de Bledine e o Correia adivinhava que aquele pneu traseiro se estaria a preparar para lhe pregar uma partida!

Os rapazes do grupo puseram-se a brincar para a máquina em automático, mas as da minha maquina ficaram mais giras, senão veja-se:

Todos quietinhos!

Todos a bulir!

E seguimos por uma estrada espantosa… ou pelo menos assim ficará quando acabarem as obras, contornado a costa mediterrânica de Marrocos!

Aquele piso não seria o melhor para uma Pan ou uma FJR, mas depois do treino na lama, qualquer estrada era boa para nós!

E o mar era lindo ali ao lado!

Um espelho azul ali ao lado da estrada rugosa e arenosa!

Lindo de morrer aquele mar!

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– Ultimos momentos em Africa! –

A costa marroquina é mais uma surpresa a explorar, a estrada está em obras e promete vir a tornar-se num belíssimo percurso a fazer mais tarde, quando estiver pronta!

Paramos para comer um peixinho num restaurante que devia ser do melhor que por ali havia, a considerar pela afluência! Ficava mesmo na berma da praia e não parava de chegar gente!

Decidimos comer cá fora, o tempo estava bem melhor que durante a maior parte da viagem, por isso não havia motivo para nos enfiarmos lá dentro!

O calor não era propriamente muito mas a fome e a vontade de comer eram! O João foi incumbindo de ir escolher o “tacho” , 10 peixes grelhados e duas belíssimas saladas mistas com atum!

E os peixes eram ótimos! Mesmo sem facas a gente lá se foi arranjando com garfo e pão!

A paisagem era inspiradora! De um lado o mar, praia e os barquinhos azuis.

Do outro a estrada e o homem que vendia peixe na berma, entre o pó e o fumo dos escapes!

Em frente o caminho a seguir na direção de Martil e o Cabo Negro!

Apesar do lixo na berma das estradas as paisagens continuavam a ser muito bonitas!

Zonas turísticas muito procuradas por europeus e por isso muito arranjadas ao estilo europeu também!

Nas praias pode-se curtir um sol, de cadeirinha e guarda-sol!

Nas ruas apenas areia se pode ver nas bermas, nada que se compare com a entrada na cidade onde os plásticos ainda se amontoam nas bermas, a lembrar as cidades do interior!

E o Cabo Negro fica ali numa ponta, com todas as mordomias e comodidades para agradar ao povo que vem do outro lado do mediterrâneo, com campo de Golf e hotéis e por aí fora..

A areia da praia é meio escura, como no sul de Espanha e tem lixo… o que é uma pena, pois a paisagem é digna de maior cuidado!

Paramos um pouco para ver a paisagem, num local onde se anuncia uma imersão de um recife artificial para preservação da biodiversidade marinha!

As passagens superiores para peões são bem giras por ali, bem como algumas construções que fazem a ligação do ambiente europeu, que está por todo o lado, e o marroquino que deixamos para trás!

Chegamos a Ceuta, onde uma fronteira nos desencorajaria de entrar, mesmo que quiséssemos, e vimo-la mais acima, a entrar pelo mar!

Ao fundo, um enclave espanhol em terras marroquinas…

E as montanhas que a rodeiam

De entre os montes e a estrada que subia e descia, a cada esquina ou descida, a Espanha aparecia-nos no horizonte, para lá do estreito!

Passamos o porto comercial de Tanger e encontramos o primeiro caminho-de-ferro que vimos no país, dentro do porto!

Descobri depois que Marrocos tem sim uma rede de caminho-de-ferro que funciona com regularidade e a preços bastante económicos, embora não tivéssemos passado por nenhum!

E o Mediterrâneo brilhava com o sol de forma deslumbrante ao nosso lado!

do outro lado a Espanha de novo!

Tanger moderna à nossa frente!

Moderna mesmo! Até havia limousines monstruosas todas engalanadas para casamentos junto a hotéis chiques! A tradição já não é o que era!

Voltamos a ficar alojados no mesmo hotel do primeiro dia de viagem e mal abri a janela do quarto fui rapidamente visitada, em jeito e invasão, por uma andorinha! Vi-me enrascada para lhe indicar o caminho de saída pela janela, ela viu-se enrascada para o encontrar!

Depois fomos passear pela cidade, à procura de frasquinhos para pôr areia do deserto, em lojas que, como noutros pontos de Marrocos, vendiam coisas aparentemente velhas! Que tralhas!

Descemos a Medina até à avenida do porto.

E aí começamos a procurar onde jantar

Desta vez foi o Elísio que ficou encarregue de encontrar um local… e levou-nos para um restaurante cheio de charme!

Onde não faltou nada, nem a cerveja, nem a infinidade de tempo de espera pela paelha que pedimos…

A cerveja de produção marroquina foi tão cara como toda a refeição!

E lá veio a paelha. Não estava má, não senhor!

Depois foi voltar para o hotel, para a nossa última noite por terras de Africa!

Fim do 9º dia de viagem

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– Um regresso a casa conturbado! –

8 de Abril de 2012

E amanheceu o dia da partida! Estava sol, parece que todo o sol que faltou na viagem se chegava na hora de partir! E ainda bem, pois terminar uma viagem com chuva torna a coisa bem mais triste!

Demos a volta e descemos para o porto pelas “bordas” da Medina

A simplicidade da saída do país contrasta profundamente com a complicação da entrada! Até parece que a droga entra no país e não que sai!

Ao longe a Medina, que faz fronteira com o porto.

E a mesquita dentro do próprio porto, porque há mesquitas onde houver gente para rezar!

Juntam-se os papeis todos e mostra-se tudo de uma vez.

Segue-se pelo lado da fila de todos os carros para a sua frente. Seremos os primeiros a embarcar!

Os primeirinhos mesmo, no porão completamente vazio!

Voltamos ao ritual de amarrar as motos ao chão, não vão elas entusiasmarem-se com o balanço do barco e desatarem a dançar no meio dos carros!

A minha motita já se estava a sentir como um cachorro, sempre amarrada pela trela!

Mas portou-se muito bem! Liiinda (embora cheia de lixo!)!

É sempre no regresso que a gente pode curtir calmamente o ferry, sem documentos para mostrar, nem papelada para preencher, nem filas de gente para superar!

Curioso que, sendo um barco que liga Espanha a Marrocos tenha um aviso em italiano no porão, na zona mais baixa “atenção à cabeça”

Tudo parece mais rápido na volta que na ida, e já estávamos a preparar-nos para desembarcar!

Havia Jeeps portugueses na fila para sair do porto em Tarifa!

E saímos para Espanha, com Marrocos no horizonte…

Então chegava a hora de o grupo ir ficando mais pequeno. Primeiro deixamos o Carlos e a Paula, que ainda iriam passear um pouco no sul de Espanha. Depois deixamos o João que ria passear um pouco no sul de Portugal… E ficamos 5 motos…

Seguimos calmamente subindo a Espanha, talvez almoçar em Sevilha fosse a boa escolha, por isso passamos Jerez de la Frontera, o Luis à frente, eu a seguir, depois o Correia e… ups! Onde andavam eles que de repente não vinha mais ninguém atrás de mim?

Bolas, distrai-me um pouco e perco quem me segue desta maneira? Se calhar não me viram virar e seguiram em frente! O Luis abrandava, também ele esperava ver as motos aparecerem a qualquer momento. Mas isso não aconteceu, por isso voltamos para trás, iriamos procurar os companheiros de viagem onde eles estivessem!

Encontramo-los sentados fora da berma da via-rápida, muito direitinhos, como miúdos da escola!

Tinham passado por um filme de terror! O pneu da moto do Tónica simplesmente estourara!

E o espantoso é que ele segurara a moto, ninguém fora ao chão! Apenas a adrenalina do susto, o esforço por sobreviver, e estavam todos bem! Grande Tónica!

Paramos todas as nossas motos junto da moto “aninhada” e “aninhamos” junto com o Correia, pois então, por uma infinidade de tempo!

Estas coisas de Seguradoras e Assistência em Viagem demora o que tiver de ser, só faltavam ali umas cervejinhas e umas sandocas de cerdo ibérico, de resto, a gente entre amigos está sempre bem!

Estávamos a uns escassos 90 quilómetros de Sevilha e do cerdo ibérico, mas não chegamos lá!

Aproveitei para me deitar e dormir uma soneca, que isto de esperar sem comer dá sono! Os meus colegas de viagem mantinham-se firmes! Oh p’ra mim a vê-los de pernas para o ar!

A polícia passou e quis saber o que se passava.

Horas depois o reboque lá chegou.

Toca de pôr a motita lá em cima e seguir atrás!

A gente tinha de ter a certeza de que o Tónica, a Ângela e a motita ficavam bem entregues e, de preferência, almoçar com eles, já que já sabíamos que ficariam em Jerez até ao dia seguinte, quando o pneu seria substituído, para seguirem para casa depois!

A moto ficaria guardada no armazém do reboque para ir no dia seguinte para a oficina.

E nós fomos encher-nos de comida e cerveja num restaurante em frente, que as barriguinhas já estavam meio coladas às costas, enquanto não chegava o táxi para levar o simpático casal ao hotel onde pernoitaria!

Estava delicioso o meu frango panado com molho de pimenta!

O táxi chegou e a condutora, Mercedes de seu nome, veio tomar um café com a gente, enquanto esperava que acabássemos de almoçar!

O Tónica e a Ângela lá seguiram para Jerez. Nós seguiríamos para casa, depois de corrigir a pressão do meu pneu.

Foi o fim da viagem, de uma viagem cheia de peripécias, de pequenas preocupações, mas cheia de alegria e boa disposição, pequenas histórias para nunca mais esquecer e seguramente para mais tarde recordar.

Ficou muito para ver, de um país de belezas sem fim, de paisagens variadas, impressionantes e surpreendentes e de um povo cheio de simpatia e hospitalidade para nos dar.

Um país para voltar a explorar…

Cheguei a casa depois de:

4411 km

4.000 fotos

950€ (450€ de dormidas e ferry e o restante em tudo o resto, incluindo a gasolina a 1.03€ o litro!)

10 dias para recordar!

O que me faltou?
Mais uma semaninha de passeio pelo país da mil paisagens!…

O que sobrou?
Grandes risadas, brincadeiras e alegria, amizade e entreajuda!

O que valeu a pena?
Tudo, mesmo a chuva, o frio e a lama, que afinal nos proporcionaram momentos de rara beleza!

O que teria dispensado?
O acidente do Leonardo que o afastou, a ele e à Mila, deste passeio memorável, tão pouco tempo depois de ter iniciado!

O que me apetece dizer ainda?
… certamente que lá voltarei!

(brevemente publicarei o mapa de toda a viagem)

FIM

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6 thoughts on “3 – Marrocos 2012 – O regresso!

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