III – Passeando até à Suiça 2012

*

*

– Ponte dei Salti, Lago de Lugano, Lago Maggiore –

9 de Agosto de 2012

Antes que o dia aquecesse estupidamente, teria de tratar de ver o que mais queria naquelas paragens, pois mal o tempo começasse a ficar demasiado quente, a vontade de parar desapareceria e não haveria mais paciência para catar pormenores!

E foi o que aconteceu, acabei por dar uma bela volta de moto, mas parando pouco e apreciando mais as panorâmicas gerais que os recantos da paisagem

Existem diversos lagos ali pela zona, mas nem eles são suficientes para refrescar o ambiente! O lago de Lugano (o Ceresio) é bonito e proporciona enquadramentos muito bonitos, sobretudo ao amanhecer e ao entardecer!

As localidades nas suas margens são interessantes e parecidas, arquitetonicamente, mais com as italianas do que com as suíças!

Fui andando na direção de Locarno, subindo o rio até ao lago de Vogorno, com as aldeiazinhas nas encostas a lembrar Piódão!

O que eu queria visitar por ali era a Ponte dei Salti, uma ponte de origem medieval, com duas arcadas e que faz um efeito extraordinário sobre as pedras esculpidas e as águas verdes do rio Verzasca!

O conjunto forma um cenário de rara beleza e algo irreal!

Chamam-lhe frequentemente ponte romana, mas não é verdade, é muito posterior à presença romana na Suíça!

As águas do rio parecem falsas!

Toda a envolvência é deslumbrante, como dizem por lá “O charme de Verzasca está no coração do rio”

A ponte liga Lavertezzo a Verzasca e conduz a diversos percursos pedestres de grande beleza!

O rio talhou a pedra de formas belas e inesperadas!

A praia “dura” de miúdos e graúdos!

Tirei as botas e também fui chapinar!

Mais à frente, casas isoladas do outro lado do rio têm as suas próprias pontes privadas, que fazem a ligação ao lado de cá!

Lavertezzo é logo ali e tem o seu encanto, com o rio a passar-lhe aos pés, num ponto onde se lhe juntam outras aguas e outros riachos.

Dois casais de motociclistas preparavam-se para partir, tinham passado ali a noite. Cada um tinha a sua moto e meteram conversa comigo. Ficaram muito espantados por eu andar em viagem sozinha, nenhum deles o tinha feito nunca, pois viajavam sempre em grupo. Achei muito giro cada um conduzir a sua moto, eles e elas!

Eu fui mais rápida a parar, dar uma volta e fotografar do que eles a prepararem-se para partir!

Quando cheguei ao lago de Locarno ou Lago Maggiore o calor já era meio sufocante, lá se foi a vontade de parar e caminhar!

Fui contornando a sua margem lá por cima, por entre montes e arvores. Eu não aguentaria o aperto do trânsito com aquele calor!

E como em viagem eu faço só o que me apetece, fartei-me de fazer quilómetros lá por cima e fazer enquadramentos quase aéreos da paisagem citadina cá em baixo!

Subi pelo caminho do monte Bré, mas nem pensar em subir lá acima a pé! Aquela é considerada uma das zonas mais solarengas da Suíça!

E que bem que me soube!

Na descida encontrei o santuário da Madonna del Sasso, que nem pensei em visitar dado que teria de caminhar até ele por uma ruinha “sobe-e-desce”!

Uma construção do séc. XV, destino de grandes peregrinações, edificada em cima de um penhasco.

Tive de voltar à cidade para continuar o meu caminho, circulando junto de carrinhos de brincar muito bonitos!

Era cedo para voltar para “casa” era demasiado calor para andar na rua mas, mesmo assim, continuei a passear pelos lagos em redor. Então lembrei-me da promessa que fizera ao meu moçoilo, de ir visitar o museu Guzzi e tirar muitas fotos lá dentro!

Azar o meu! Alem de haver obras pelo caminho com filas infinitas de trânsito ao calor, que eu tive de furar “que se lixe, afinal os suíços daqui não são parecidos com os italianos? Então não deverão estranhar que eu fure pelo meio dos carros!” o museu fecha a partir dos primeiros dias de Agosto até final do mês… Bolas!

Agarrei na moto e fui-me embora pelo caminho mais longo, mas sem carros, apenas disfrutando do prazer de conduzir e do ventinho que, embora quente, era facilmente suportável! A conduzir não há calor que me incomode!

Ao entardecer a temperatura voltou a ficar mais aceitável junto ao lago de Lugano…

Voltei a tirar as botas e a chapinar na agua!

E esperei o entardecer na sombra mais fresca até voltar para casa que naquele dia ainda era em Lugano!

Fim do décimo primeiro dia de viagem…

**** ****

– de Lugano a Davos passando pelo Sant Bernardino Pass –

10 de Agosto de 2012

Estava na hora de sair do Tecino e seguir para Davos, mais propriamente para Monstein, onde passaria 3 dias. Davos está longe de ser uma cidade bonita, embora também não seja feia de todo! O seu encanto reside, não da sua beleza como cidade, mas sim na sua envolvência! Por ser a cidade mais alta da Europa é rodeada por montes e estradas serpenteantes e Cols e Pass de fazer perder a cabeça! E os que não ficam perto de si, também não ficam longe, porque naquele país parece que tudo é perto de tudo!
Segui então alegremente para uma das minhas zonas preferidas na Suíça!

Claro que pelo caminho havia muita coisa que eu queria ver! Bellinzona, por exemplo! Afinal eu andara ali pela redondeza e deixara a capital do Ticino para visitar à partida para Davos!

Uma cidade com 3 castelos, o que a torna única e o seu conjunto o mais espantoso dos Alpes! O que fica mesmo no centro da cidade, o Castelgrande é o mais antigo dos 3, estava fechado aquela hora da manhã, mas podia-se ver a cidade a partir da sua muralha!

Andei por ali a cuscar um pouco… O castelo é do séc. X e XI e é mesmo grande, mas eu só o veria da encosta do outro monte.

A cidade cá em baixo é cheia de encantos e recantos!

O Palazzo Cívico, a câmara local, um edifício do início do séc. XX

Muito bonito por fora, com a sua torre

mas ainda mais bonito por dentro, com um pátio interior a lembrar um claustro!

A Igreja de Collegiata dei Ss Pietro e Stefano, que não me apeteceu visitar! (às vezes acontece-me sobretudo quando se trata de igrejas posteriores ao séc. XV… e está é do séc. XVI!)

Ao lado da Collegiata existe uma ruinha que sobe, sobe até ao castelo Montebello, mas a coisa seria muito mais interessante indo pela estrada aos SS de moto! 😀

e lá estava o segundo dos 3 castelos!

Não se paga para visitar este castelo, apenas se entra e anda-se por onde se quiser!

A paisagem a partir das ameias é muito bonita e permite ter uma ideia mais geral do “Castelgrande”, lá em baixo!

Duas torres são bem visíveis, a Torre Nera de 28m e a Torre Bianca de 27m, sobressaindo no meio do recinto muralhado!

Em ambos os castelos funcionam hoje museus! Deixei o castelo de Montebello

E segui para cima, para o castelo Sasso Corbaro e de lá pude ver o castelo de Montebello na sua totalidade! É sempre de uns que se vêm melhor os outros!

E como o Sasso Corbaro é o ultimo não havia mais nível superior para o ver!

Mas de lá podia ver toda a cidade de Bellinzona!

E pronto, estava na hora de continuar. Embora Bellinzona fique junto ao maciço de St Gottard eu não iria fazer o Pass, não me apetecia desviar do meu caminho para fazer a estrada, embora por momentos me tenha passado pela cabeça faze-lo…

Por aqueles dias andavam muitos militares nas ruas de moto, 2 a 2, de colete laranja!

E foi nessa sequência que apanhei a minha Magnífica na Cama!

E logo à frente encontrei a Sorte, o que foi uma alegria para mim, depois dos dias de azar que vivera antes da partida! 😀

As paisagens rurais por ali são simplesmente deliciosas e apetece parar a cada quilómetro para tirar mais uma foto!

E vai-se subindo e os montes vão espreitando!

E não há o que lamentar por não se ter feito um Pass, pois haverá logo outro mais à frente à nossa espera!

Com direito a lago e tudo! O Lago Dosso em Sant Bernardino Pass!

E o Pass continua cheio de beleza!

Todo enrodilhado pelo monte acima!

Lindo e delicioso de fazer, de curva em curva!

E no topo do Pass um outro lago nos espera, lindo e a grande altitude: O Laghetto Moesola!

E estava no cantão de Grisões, o cantão maior do país e o único onde se falam 3 línguas, para além de ser um dos mais bonitos da Suiça! As línguas que ali se falam são, o alemão, o italiano e o romanche (uma língua muito antiga que deriva do latim).

Já gora os cantões que compõem a confederação Suíça são 26, já que há quem pense que são 3 ou 4 de acordo com o numero de línguas que se fala no país! A prova é que num cantão apenas como os Grisões se falam 3 línguas!

E toca a descer do outro lado, pois o Pass continua por ali abaixo, delicioso!

O aspeto dele na imagem do GPS era lindo!

Mais à frente o lago de Sufnersee espera-nos, mais uma barragem lindíssima!

(continua)

**** ****

– Alpes, Davos e Monstein… –

10 de Agosto de 2012 – continuação

No meu caminho ficava Viamala-Schlucht! Ok, ficava porque eu quis que ficasse!

Viamala é uma garganta monumental pela sua espetacularidade! As paredes estreitas chegam a proporcionar autenticas nesgas de 300 metros de profundidade!

Aquilo fica perto de Thusis, no percurso do Reno na zona, e é digno de uma visita!

Aquelas coisinhas azuis à direita da foto, são carros! A minha motita estava lá também. Por ali se vê a dimensão do abismo!

A tradução para o nome é de “mau caminho” e, se olharmos bem para o desfiladeiro, entendemos bem porque lhe chamaram assim!

O caminho é conhecido desde a época dos romanos e já presenciou e participou em momentos altos na história da zona!

Eu pus-me a olhar para a profundeza daquilo e para a pequena multidão que se aglomerava para fazer o percurso e decidi ver “por fora” e um dia faze-lo na totalidade!

Uma daquelas promessas que faço a mim mesma, durante uma viagem, e que tempos depois me fazem sair de casa para as cumprir! 😀

E segui para Monstein passando por Tiefencastel, uma terrinha deliciosa que fica tão bem nas fotografias com o vale verde e os montes ao fundo! Postal ilustrado!

Os castelinhos nos montes dão um ar tão romântico quanto misterioso à paisagem! Mais tarde eu iria aproximar-me para ver alguns de perto e tirar fotos tipo agencia de viagens! 😉

Entretanto alcancei um grupo de motociclistas italianos muito bem ordenado e simpático, no meu caminho, que andava a apreciar as belezas do país vizinho!

A verdade é que aquela zona é digna de visita por toda a beleza que proporciona ao nosso olhar!

Com a Ruine Belford, um castelo medieval do séc. XII a despertar o imaginário!

E os montes a imitar tão bem um cenário pintado!

Cheguei a Monstein, a aldeia onde se produz uma deliciosa cerveja, com o seu nome, na fábrica de cerveja a maior altitude da Europa!!

A minha escolha de Monstein para passar 3 noites não foi casual! Na realidade, não achando eu Davos uma cidade bonita, procurei uma localidade tipicamente alpina para pernoitar e viver o espirito da zona!

Encontrei Monstein, localizada a 1620 m de altitude numa vertente do monte voltada ao sol, no vale de Landwassertal, rodeado de picos impressionantes, lindas pastagens alpinas e extensa floresta por todos os lados!

O hotel Ducan apresentava-se nas fotos como um postal habitável! Um chalé em madeira, cheio de flores nas janelas, com esplanada e terraço pitorescos e barato! E era mesmo tudo isso, para além da grande simpatia dos funcionários e de, na realidade, ainda ser mais “mimi” do que nas fotos!

Pousei as tralhas e fui dar uma volta à aldeia, que é pequenina mas cheia de vida!

Na realidade ainda apresenta as características inconfundíveis de uma aldeia típica dos Alpes. Casinhas, espigueiros, celeiros e cabanas são construídas em madeira, alguns têm mesmo o teto em telhas de madeira tradicionais e são forradas com pequenas escamas também em madeira.

Ali começam trilhos de percursos e caminhada que, no inverno serão caminhos para esquiadores!

Ainda me aventurei por alguns caminhos onde apenas caberia eu e a minha motita!

Era cedo para jantar, por isso ainda fui dar uma vista de olhos a ver se Davos continuava na mesma ou se tinha mudado muito! Não mudou o suficiente para eu gostar mais dela do que de costume! O mais bonito que tem é o lago, do outro lado da cidade!

Aqueles caminhos são sempre interessantes de fazer, com Schmitten a embelezar o regresso a Monstein!

Iria passar ali varias vezes ao dia, nos dias seguintes, sem perder nunca a vontade de fotografar a aldeia!

Decidi voltar para o hotel e jantar lá! Não me apetecia de todo andar de lado para lado à procura de um sítio para comer!

E o jantar foi uma agradável surpresa! A sala do restaurante era linda, os empregados simpáticos e a comida deliciosa!

Pedi um prato vegetariano, pois não me apetecia nem carne nem peixe e serviram-me um prato lindo e aromático. A princípio pensei que se tinham enganado, pois o prato que eu pedira era composto por queijo, lá da terra, com batatas e legumes, mas o que veio parecia-me peixe!
Embora ao comer o sabor fosse agradável mas indeterminado!

Só à 3ª ou 4ª garfada é que percebi que aquilo não era peixe e sim queijo! Uma delícia, porque o queijo embora panado, não derretera nem ficara enjoativo, pelo contrário, era fofo e… espantoso!

Adorei!

Fim do décimo segundo dia de viagem

**** ****

– Passo dello Stelvio –

11 de Agosto de 2012

Os dias em que estive em Monstein foram dias de ir e voltar, subir e descer, já para não falar no repetir caminhos e observa-los de ângulos diferentes! E o que eu gosto de andar para lá e para cá no topo dos Alpes! E desenhei um 8 no meu mapa! Ou um ∞ (infinito)!

No primeiro dia por minha conta, lá em cima, não dei ordem nenhuma ao GPS e, simplesmente segui o meu instinto e a minha memória para ir onde prometera ao meu moçoilo: até ao Passo dello Stélvio! Há uma série de anos eu fui lá, munida de mapa e muita intuição, desta vez seriam os mesmos meios que eu usaria para lá chegar!

Comecei por seguir pelo Flüelapass, que seria o primeiro do dia. Quando a nossa “casa” é por aquelas bandas não faltam Pass para nos levar e trazer de todo o lado!

Ali há 2 lagos, o Schottensee, maior, e o Schwarzsee, mais pequeno. Faria diversas vezes este pass, por isso não havia necessidade de fotografar muito, logo da primeira passagem!

Depois engrenei noutro Pass, o Pass dal Fuorn

Estava no meu caminho, e cheguei a Santa Maria Val Müstair, uma terrinha muito bonita e cheia de motociclistas que circulavam em todas as direções!

Escolhi a ruinha que me levaria por bonitas paisagens, ninguém veio pelo “meu caminho” por isso segui sozinha, monte acima!

Eu não queria fazer o Pass dello Stélvio de baixo para cima, por isso não fui dar a volta que todos davam. Preferi fazer a Via Humbrail, um “passinho” de montanha, com parte do piso em terra batida, cheio de curvas que sobem pelo meio de uma paisagem deslumbrante e sem ninguém por perto!

É melhor não me distrair muito a tirar fotos e a conduzir, num piso “areado”! Mais à frente há alcatrão e, se a memória não me engana, boas perspetivas para fotografar o “passito”!

E lá cheguei ao alcatrão, sem ninguém à vista! Acho que toda a gente faz o mesmo percurso, por isso fiz bem em fazer o “meu” sozinha! Eheheh

Com direito a paisagens, montes e espetáculo de beleza exclusivos, só para mim!

E naquela passeata, sem quase se dar conta, atingem-se os 2500 metros de altitude!

E logo a seguir aparece a placa do Passo famoso, vê-se logo pela quantidade de autocolantes acumulados na placa, a fama da rua!

Como sempre havia muitas motos por ali, muita gente a tentar tirar fotos junto das placas, muitas lojinhas de todo o tipo de bugigangas, a lembrar uma zona de peregrinação!

Claro que não neguei nenhuma foto famosa à minha Magnífica! Ela tinha o direito de ter documentada a sua presença ali! 😀

E o Passo esta logo ali, mal se começa a descer a rua… imponente!

Muita gente o observava e fotografava, uns já o tinha feito, outros iriam faze-lo.

Bem, fui buscar a moto, junto das t-shirts e dos bonecos de peluche, canequitas e postais, não iria ficar ali eternamente em contemplação!

A sensação ao olhar aquela estrada fantástica é de que ela é meio impossível de existir e de fazer! Tal como nas fotos, lá é difícil entender como “funciona”!

A primeira vez que fiz o passo, fi-lo subindo e quando cheguei lá acima, tive a sensação de que não vira nada! Por isso voltei a desce-lo para ver a paisagem, pelo menos, e é verdade, é muito mais deslumbrante descendo!

E só na descida conseguimos ver partes da estrada que fica escondida na “parede” abaixo de nós!

O glaciar está ali tão pertinho, o que torna o percurso ainda mais fantástico!

Aquela estrada sem ninguém seria o paraiso para a minha Magnífica e para mim!

Mas havia gente a stressar nas curvas e o pior é que não eram motos, senão a gente ultrapassava e pronto! Era um carro que parava em cada curva e depois fazia-a por parcelas!

Lá fui aproveitando a deixa para tirar fotos, cada vez que parávamos todos para ele fazer a curva!

Mas a dada altura aquilo estava a lixar a curtição a todos os que íamos atrás dele! Por isso aproveitei uma saída e fui fazer tempo para que aquela “coisa” se fosse embora! Curioso que uma série de motociclistas fizeram o mesmo que eu! Eheheh

E foi da maneira que consegui fotografar o Passo visto de baixo!

Passado um bom par de minutos não havia mais engarrafamento de estrada, e lá continuei a descida!

O Glaciar de Stelvio está num parque natural com o mesmo nome.

O meu Patrick desenhava a sequência de curvas e chamava a estrada pelo nome.

Na curva 48 há um recanto e um riacho em escada!

E cheguei cá abaixo… na berma da rua está uma casa cheia de tralhas e bugigangas curiosas e coloridas, parei para tirar uma ou duas fotos

O homem da casa veio logo, armado em cowboy, pedir-me um euro para eu tirar fotos!

“no tintendo!” já criei em palava única e resulta sempre! 😀

E segui para o Passo Resia, pois havia mais coisas que eu queria rever!

(continua)

**** ****

– Lago di Resia e alguns Passos! –

11 de Agosto de 2012 – continuação

Por ali pela zona não faltam restaurantes, hotéis e cafés desejando as boas-vindas aos motards e por vezes também aos ciclistas. São estradas muito frequentadas pelo povo das duas rodas e há gente que vem de toda a Europa para aquelas paragens para curtir as estradas de montanha!

E realmente eles andam por todos os lados!

E viajam em todo o tipo de motos! Encontrei muita gente a viajar de moto 4!

Mais à frente fica o Lago di Resia, onde eu já andei há 2 anos, vinda do Grossglockner.

Na altura não me apeteceu ir até ao Passo dello Stelvio, vinha da Áustria, era quase o pôr-do-sol, e à Áustria voltei. Mas desta vez era cedo e fui até ao lago que me maravilha, mais uma vez!

Escrevia eu em 2010 a propósito do lago e da torre:

“É surrealista ver-se uma torre de igreja que emerge das águas de um lago e eu não resisti em ir lá ver ao vivo!

O lago de Resia é um lago artificial, como é fácil de imaginar, se fosse natural não teria uma igreja e uma localidade no seu fundo! Ali existiam 2 lagos naturais e uma cidade, Venosta Graun, que foram inundados nos anos 50 com a construção de uma barragem.

Apenas a torre da igreja ficou visível e o efeito é no mínimo surpreendente!”

Dizem que em noites cerradas de tormenta se ouvem os sinos da torre do lago, mesmo tendo estes sido retirados há muitos anos atrás!

De dia e com sol, aquilo é uma animação!

Andava ali um grupo de foliões bem-dispostos a oferecer a versão italiana da ginginha a quem apanhavam a jeito! Estavam por lá muitas motos e muitos motards, mas eles acharam-me piada a mim por eu estar só, pois viram-me chegar sozinha e andar para um lado e para o outro.

Eu já fizera uma filinha de fotos por todo o lado e ia para a moto, quando os ouvi chamar em coro:

“hei, miss Honda!”

– o meu blusão diz Honda nas costas, não havia como ignorar o chamamento! De qualquer maneira eles já vinham na minha direção, de garrafa em punho e copito de plástico em riste!

Fizeram-me uma festa, por entre os olhares divertidos dos presentes que me tiravam fotos e chamaram-me “super donna” por ser a única condutora sozinha que eles tinham visto! 😀

Claro que aproveitei para pedir que me tirassem uma foto para mim também!

A ginja era deliciosa!

Depois lá me consegui escapar enquanto eles foram oferecer ginga a outros motards, e segui o meu caminho!

Passeando pela margem do lago, com o glaciar de Stélvio como paisagem…

Os sinais de boas-vindas a motociclistas continuam por ali fora, com parques de estacionamento especiais para as motos e tudo! Um mundo voltado para nós!

E entrei na Áustria, que se diz Österreich em alemão (muito parecido!), para seguir para a Suíça por outros caminhos diferentes!

Tudo é bonito por ali, afinal é a fama que o Tirol tem e não é por acaso!

Era cedo, por isso fui passear um pouco até Saint Moritz. Eu sei que a cidade é muito mais bonita no inverno que no verão, mas há sempre montras para ver, pessoas e recantos e, claro, o lago! Porque toda a cidade Suíça tem o seu lago ou o seu rio, e há algumas que conseguem ter os dois!

Encontram-se coisas interessantes por ali como a igreja católica de São Carlos.

Ou o Badrutt’s Palace Hotel, construído no séc. XIX e que marcou o início do turismo alpino!

O Hotel Palace tornou-se um marco pela arquitetura da sua característica torre.

Estamos a falar de uma zona onde a cada ano mais de 300 dias são de sol! (há mesmo estatísticas que falam em 322 dias de sol por ano!!)

Por isso, mesmo com neve, as esplanadas são bem-vindas e bem apreciadas! Curioso o pormenor de muitas, mesmo no verão, conservarem as peles sobre os bancos de madeira!

Depois há os pormenores que eu aprecio e que são tão mais interessantes que a cidade no seu todo!

Ali se podem encontrar as lojas e as marcas mais reputadas e a montras são originais! Eu gosto de apreciar o gosto na decoração de montras! Afinal também é uma arte!

Também há os recantos pitorescos e as esplanadas cheias de gente, ainda por cima estava calor!

E as esculturas curiosas e variadas!

Cenas de uma cidade descontraída com muito sol e calor!

Mas longe de ser a mais bonita que conheço! Lindo é o lago, que vislumbrava já por entre as casas!

Saint Moritz fica na sequência de vários lagos, o que lhe fica mais perto tem o seu nome ou Lej da San Murezzan, na língua deles!

A seguir fica o lago pequeno de Lej da Champfer que se liga ao lago maior de Silvaplanersee. Mais à frente ainda fica outro lago, o Lej la Segi, mas nem fui mais, ou nunca mais pararia de ver lagos e de os confundir uns com os outros!

Por isso fiquei-me pelo Lej da Champfer, o estreito que o liga ao seguinte e as estradinhas por ali!

Há ali uma casa, quase um castelo, na junção dos lagos, tão bonita!

Um privilégio viver com uma paisagem daquelas, deslumbrante a cada momento do ano, porque no inverno é paradisíaco também!

As ruinhas que ligam cada recanto habitado por ali são muito bonitas

e as pessoas passeiam-se naturalmente de cavalo! Eu também o fiz, no meu cavalo mecânico! 😀

Os cavalos olhavam para mim de lado… a bem dizer eles só podem olhar de lado! Os seus olhos são voltados um para cada lado, logo nunca olham de frente! 😮

E lá estava a junção dos dois lagos! Eu não iria mais para a frente, queria ir ali ao lado cuscar umas coisas.

Um Pass que eu fiz há muito tempo e que queria rever: o Julierpass

Eu já fiz aquilo de bicicleta um dia e de moto anos depois…

E há um lago, lá à frente, artificial, provocado por um dique que a mim sempre me impressionou!

Porque de um lado fica a água e do outro o monte, com casas e campos de cultivo e gente a viver!

Na minha inocência e ignorância, tenho sempre a sensação que um dia aquela agua toda avança o muro de terra, que é o morro, e afogará toda a gente por ali abaixo!

É o Lac de la Marmorera e ali em baixo está uma cidade, a cidade velha de la Marmorera, afogada desde 1954, quando aquilo foi construído…

Ao longe o muro de terra relvado esconde o lago, como se ali apenas existisse uma colina inocente!

E segui meio para trás, para voltar a Monstein pelo Albula Pass, um Pass muito antigo e bonito!

E tive direito ao meu “pedacinho de Escócia” por momentos!

Construído há quase 150 anos, sempre bonito, sempre renovado e transitável! No inverno chega-se a circular por carreiros formados pela neve, com paredes de mais de 3 metros de altura dos dois lados!

No verão é toda esta beleza!

Bergün fica logo a seguir, uma vilazinha deliciosa de origem medieval, com construções cheias de decorações pintadas, comuns por aquela zona.

Parecem casas bordadas!

E fui para casa, que por aqueles dias, e àquela altitude, a temperatura já baixava um bocado à noite!

Em “casa” esperava-me a deliciosa cerveja local, fresca e tomada no fresco do entardecer!

E voltei a jantar um prato delicioso de legumes variados (e não identificados) com queijo gratinado por cima, numa sala acolhedora e quentinha!

Que feliz que eu sou na Suíça…

Fim do décimo terceiro dia de viagem!

**** ****

(continua)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s