V – Passeando até à Suiça 2012

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Oberalppass / Furkapass / Grimselpass
13 de Agosto de 2012

Naquele dia seguiria para Lucerne, o caminho não é longo como quase nenhum caminho é naquele país! É como se tudo fosse tão perto que em 200 ou 300 km a gente pudesse alcançar meio país! Mas ali todo o percurso é deslumbrante por isso não deverá haver pressa para chegar a lado nenhum!

Então decidi fazer 3 dos Pass que mais gosto por aquelas paragens, em passo de passeio, porque aquelas paisagens são lindas e inspiradoras, sobretudo com todo aquele sol e o céu magnificamente azul!

Despedi-me do meu hotelzinho lindo de montanha

E fiz-me à estrada que é sempre deliciosa e com as bermas “alcatifadas” de relvinha verde

Atravessei o Distrito de Surselva que é lindo e uma das poucas zonas onde se fala o Romanche. Ali perto forma-se o rio Reno com a junção do Vorderrhein e do Hinterrnhein.

O vale do Vorderrhein é deslumbrante!

A estrada parece uma prateleira na encosta escarpada do monte com o paraíso logo ali à nossa direita!

Depois os vales sucedem-se, por vezes a grande altitude.

E chegamos a Oberalppass, sem darmos por ela, na apreciação da estrada e das paisagens!

O Oberalppass é uma estrada fantástica, um alto passo de montanha que faz a ligação entre os cantões de Grisões e de Uri e atinge a bonita altitude de 2046m! É uma estrada extraordinária não apenas por causa das suas agradáveis curvas mas, sobretudo, pelas suas belíssimas paisagens!

Por momentos a gente tem até pena que não seja possível parar a todo o momento para apreciar tudo o que a estrada tem para nos mostrar e, quando a gente pensa que a descida será o fim do prazer, o grande vale de Urseren estende-se aos nossos pés!

Lá em baixo atravessamos Andermatt e continuamos pelo longo vale.

E há um momento, lá por Hospental, em que o Overalppass se transforma em Furkapass!

E do outro lado fica o passo fantástico, o Furkapass, e é desde a sua subida que temos a noção da estrada que acabamos de percorrer!

Há momentos de pausa por aqueles caminhos, quando os veículos são maiores que o espaço da curva!

Ao fundo o Oberalppass deslumbrante depois do grande vale!

E a subida continua e o deslumbramento está de ambos os lados do monte

O Furka Pass é uma estrada que nos permite ter, para além de um grande prazer de condução, o deslumbramento da paisagem.

Sobe a mais de 2400 metros de altitude, com uma série de curvas fechadas e paisagens extraordinárias sobre o maciço de St Gottard e o Vale de Ursen.

Ali se filmou partes do filme de James Bond, Goldfinguer.

De lá de cima pode-se ver o Grimselpass, o terceiro Pass delicioso que iria fazer naquele dia.

E a descida do Frukapass ainda tinha tanta beleza para proporcionar até chegar ao Pass seguinte!

A sua famosa curva “suspensa” fica daquele lado. Lá estava ela.

Por aquelas paragens é por vezes um “não sei se vá, não sei se fique” com tanta beleza que nos rodeia!

Tiro mais umas quantas fotos (repetidas) e sigo o meu caminho, pois então!

Ali está a curva “suspensa” na minha frente!

E os rasgões da estrada na encosta que eu acabava de descer.

O glaciar de Furka ou o glaciar do Rhone.

Há ali uma gruta de gelo que eu visitei há muito tempo, terei de lá voltar um dia, quando as minhas finanças me permitirem fazer visitas (e viagens de comboio também, pois este ano nem pensar!)….

O Grimselpass é um dos meus Pass do coração. Há muito que não lhe dedicava a atenção que queria, mas passeei muito por ali em tempos e este ano quis matar saudades, já que o tempo estava bom e com boa visibilidade!

A última vez que ali passei o topo nem se via, com as nuvens baixas que formavam um chapéu lá em cima!

A estrada que acabara de fazer parecia uma linha num bolso lá em baixo!

Lá em cima mais um ponto de encontro de motards!

O Totesse, um lago simpático e lindo com uma pequena ilhota e o glaciar a espreitar ao fundo,

Um francês, que me viu passar e depois tirar fotos ao lago e à moto, veio-me perguntar se eu não queria que me tirasse uma foto!

Aproveitei a simpática oferta. Ficamos ali um pouco a conversar, ele andava a passear com a esposa e chamou-lhe a atenção eu andar por ali sozinha. A sua surpresa aumentou quando percebeu que eu era de longe e iria seguir para mais longe! Gente simpática!

Temos a sensação de estarmos mais uma vez no topo do mundo!

Ali ao lado há uma estradinha estreita de montanha, de circulação alternada controlada por semáforo, que vale a pena visitar. A gente espera um pouco e vai em paz por ali fora, pois temos 15 minutos para chegar ao outro extremo. Uma vez lá, teremos de esperar pela nossa vez para voltamos.

Só vale a pena faze-la se estiver o tempo limpo pois com muita visibilidade conseguimos ver o coração do glaciar ao longe!

Para lá não estava muito à vontade pois levava um carro atras de mim e cheguei à barragem com poucas fotos. Mas no regresso trataria de não levar ninguém atrás de mim a stressar-me!

O glaciar de Oberaar e o seu lago Oberaarsee é uma das nascentes do rio Aar, o rio turquesa que atravessa Interlaken e a capital da Suíça: Bern.

Não havia ninguém por ali, parece-me que continua a ser um caminho desconhecido da maioria dos turistas! O que foi uma boa noticia para mim! 😉

Um glaciar com mais de 4km e acima dos 2.500 de altitude, que parece ao alcance da nossa mão!

Depois o caminho de regresso a Grimsel foi feito nas calmas a aproveitar bem os 15 minutos que tinha para o fazer!

Apenas havia um carro para fazer o mesmo caminho e eu deixei-o ir à frente. Curioso que também ele circulava bem devagarinho, as pessoas deviam ir lá dentro, como eu, a tirar fotos e a apreciar a paisagem deslumbrante!

O tempo deu-me para tudo, até para fazer 2 pequenos filmes do caminho!

É sempre curioso ver os lagos de montanha turbos e baços, parecendo impossível que aquela agua se venha a tornar azul-turquesa e transparente mais à frente!

A dada altura já se via o Grimselpass a serpentear lá em baixo!

E segui para Lucerna, relaxadíssima e cheia de paz!

Ao chegar ao lago ainda tinha muito tempo pela frente para rever a cidade que, para mim, é uma das mais bonitas da Suíça, mas para muita gente é mesmo a mais bela!…

Os cisnes estavam a tratar do jantar! 😀

—- A bela Lucerne! —

Claro que não fui quietinha e sem uma foto até Lucerne! Afinal a beleza do caminho não se esgotava ali!

Desci o Pass na companhia de uma Glodwing de gente simpática.

Entrei no cantão de Obwalden, que contem o centro geográfico da Suíça e, para mim, é o cantão mais bonito do país!

Lá em baixo Lungern e o seu lago Lungerersee, um lago esmeralda lindíssimo que me prende sempre o olhar, cada vez que passo ali!

Parei e não mexi mais por muito tempo! Fiz um picnic ali e tirei meio milhão de fotos repetidas e iguais a tantas outras que tirei noutros anos…

E depois de horas a comer, a beber e a tirar fotos repetidas, lá me forcei a descer o monte até Lucerne, ainda com o verde do lago no olhar!

O lago de Lucerna é um dos lagos mais belos do país, por isso a perda não era significativa!

O hostel era num sítio estratégico da cidade, por isso fui largar a trouxa e a moto e fui passear a pé pela cidade, pois há ali recantos lindos que já não visitava há anos!

A rua das traseiras do hostel era gira, com paredes pintadas em “tromp l’oeil” que davam a sensação de que a rua continuava! O que eu gosto daqueles murais!

Ali à beirinha fica o monumento Löwendenkmal, ou monumento do Leão

Mark Twain falava do monumento como “a mais lúgubre e tocante peça em pedra no mundo.”

Uma escultura em relevo construída em homenagem aos guardas suíços que foram massacrados em 1792 durante a Revolução Francesa.

A inscrição superior diz “Helvetiorum Fidei ac Virtuti” que quer dizer “à lealdade e bravura dos suíços”

A inscrição em baixo diz os nomes dos nomes dos oficiais, e o número aproximado dos soldados que morreram (DCCLX = 760), e sobreviveram (CCCL = 350)

O monumento é muito visitado e estão sempre a chegar pessoas em grupos para o verem e fazerem-se fotografar em frente dele!

Achei curioso a quantidade de grupos de indianos que passaram por lá enquanto eu ali estive sentada a apreciar.

Os Alpes são um destino muito procurado pelos indianos para rodar muitos dos seus filmes. A Suíça faz muito boas condições para as equipas que vão filmar no país, com impostos, alugueres e licenças especiais, rápidas e baratas, que nenhum outro país alpino consegue superar!

Acabam por só ganhar com isso pois, alem dos ganhos que as rodagens trazem ao país, pois embora paguem barato pagam muito, pois são muitas pessoas e equipamento por muitos dias a circular no país, trazem depois toda a multidão de pessoas comuns que querem ver com os seus olhos os locais onde os seus heróis foram filmados!

Mais à frente fica um recanto bem antigo da cidade com a sua igreja Hofkirche Sankt Leodegar, uma igreja do séc. XVII, renascentista, construída sobre uma outra românica, que ardeu, e de que restam ainda as duas torres pontiagudas. St. Leodegar é o santo padroeiro da cidade.

Em volta da igreja fica uma espécie de claustro que é cemitério! É curiosa a forma como dispõem as sepulturas em torno da igreja e dentro das arcadas, como se de um jardim se tratasse!

Outras sepulturas são apenas assinaladas com pequenas lápides na relva!

A Cidade Velha fica logo ali em volta com chalés de madeira e vestígios de muralhas em alguns sítios.

Mas as casinhas de madeira ou com o travejamento de madeira exterior colorido, é que são mais comuns.

Há coisas nas montras de souvenires que me espantam! Gostava de ver o MacGyver transportar um canivete suíço destes no bolso! Isto nem é uma arma branca, é mesmo uma arma de arremesso!

Só para encontrar o instrumento que se procura é preciso um mapa do canivete!

Depois fui andando pela margem do lago na direção do Rio Reuss, lá onde fica, entre muitas outras coisas, a famosa Kapellbrücke ou Pont de la Chapelle, uma das pontes de madeira mais antiga da Europa.

O Rio Reuss nasce no maciço de Aar-Gothard, perto do St Gothard Pass, e é afluente do rio Aar, que é afluente do Rio Reno! É tudo família por ali, entre rios e lagos!

A Pont de la Chapelle, do século XIV, é o ex-libris da cidade e uma das pontes de madeira mais antigas da Europa.

Esta ponte foi parcialmente destruída em 1993, quando eu estava na Suíça, por um fogo provavelmente provocado por um cigarro que caiu num barco que pegou fogo à ponte! Foi um susto nacional na época!

Na época existia um ancoradouro de barcos por baixo da ponte que foi proibido depois do incidente.

A ponte foi restaurada e inaugurada em 94

Nota-se ainda a parte velha chamuscada e a nova após o fogo.”

A torre da Água, do séc. XIII, octogonal, já foi prisão e câmara de tortura noutros tempos!

É muito bonito passear por ali, porque todos os ângulos da ponte são bonitos e únicos. Depois há esplanadas animadas por todos os lados e a gente nunca se sente só!

E cheguei à outra ponte de madeira sobre o Rio Reuss, a Spreuerbrücke, ou ponte dos despejos, do séc. XV.

Na idade média apenas ali era permitido lançar despejos no rio. Tal como a Pont de la Chapelle, é adornada por pinturas

Por baixo dela e em seu redor há uma espécie de represas que fazem efeitos muito bonitos nas aguas do rio.

Depois o percurso de regresso é sempre bonito pelas casas pintadas que se encontram por ali, cada uma mais bonita que a outra!

A torre do relógio da Mairie, que continua em obras desde a última vez que lá passei, há 2 anos!

Há casas que enchem os olhos como a Casa Gremial, devia estar ligada aos padeiros pelos desenhos e inscrições, em alemão arcaico

E o rio é logo ali

com as águas irrepreensivelmente límpidas para um momento de rara beleza ao entardecer, antes de voltar para casa, que naquele dia era em Lucerne!…

Fim do décimo quinto dia de viagem!

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O Vale Lauterbrunnen e Grinderwald

14 de Agosto de 2012

Iria ficar 3 dias em Lucerne o que me dava tempo para tudo, até para perder tempo a fazer o que me desse na telha! E o que eu gosto de perder tempo a vaguear sem preocupações de depois ele não chegar para ver tudo!

Comecei por subir o Mont Pilatus, que fica logo ali pertinho da cidade, e que no dia anterior estava coberto por um grande chapéu de nuvem, mas que naquela manhã prometia alguma visibilidade, apesar da névoa matinal sobre o lago!

A névoa acaba sempre por dar um ar de mistério às paisagens e o lago parecia vindo de uma outra realidade.

Enquanto o monte estava bem descoberto e iluminado pelo sol!

As ruínhas são deliciosas pela encosta, ladeadas por relvados imensos.

E o mundo lá em baixo, mágico!

Chama-se frequentemente Lago de Lucerna àquele lago, mas o seu verdadeiro nome é Lago dos Quatro Cantões, mas ele seria assunto para um outro dia quando eu lhe dei a volta!

Naquele dia apenas me passeei pelas encostas para o apreciar ao amanhecer!

E segui por outros lagos, que por ali são frequentes e frequentemente lindos, como o de Lungern que vira ontem a caminho de Lucerne.

E segui para Brienz, uma terrinha muito mimi, com o seu lago espantoso, o Brienzersee.

O lago de Brienz, ou Brienzersee, é um lago lindíssimo de águas cor de esmeralda. As suas margens são íngremes e quase nunca se lhe vê o fundo pois é bastante profundo!

Recebeu o seu nome da aldeia de Brienz, de onde partem passeios de barco ou de comboio para as visitas mais encantadoras ao Oberland Bernense!

Tudo é lindo por ali e a atmosfera é de calma e serenidade, como se o tempo parasse na aldeia onde se fabricam os verdadeiros e únicos relógios de cuco suíços….

Todos os caminhos são bonitos, todos os montes são deslumbrantes, a caminho de Lauterbrunnen.

Lauterbrunnen fica no vale com o mesmo nome, um vale em U, escavado nas montanhas mais impressionantes dos Alpes, entre gigantescas encostas rochosas e picos montanhosos.

Dizem que tem 72 quedas de água, cada vez que lá vou descubro mais uma ou duas até que um dia terei visto todas! 😉

O Vale Lauterbrunnen é uma das maiores áreas de conservação da natureza de toda a Suíça e um “recanto” que venho prometendo a mim mesma explorar mais a fundo, um dia! É que há recantos que eu simplesmente ainda nem sei lá ir, pois conheço-os de comboio, não sei nem se há rua!! 😮

O nome Lauter Brunnen inspira já por si, querendo dizer algo como Fonte Pura ou Muitas Fontes!

E lá estão elas a cair em força por altitudes por vezes de 200 metros, sobre o vale!

Encostas escarpadas que mais parecem muros que ladeiam o vale!

A gente vê as longas linhas brancas pelos penhascos, de águas em queda e sente-lhe o som e a vida, mesmo de longe!

O rio Weisse Lütschine atravessa a cidadezinha e o vale, com as águas brancas típicas dos rios de grande altitude.

E todas as águas se lhe juntam em força!

Por ali tudo é lindo e muito fica para se visitar a cada vez que lá se volta!

Pertinho fica Grinderwald, um alto paraíso de montanha que visito sempre que posso porque a sua beleza é inesgotável!

Um dia tenho de me dispor a subir ao glaciar de Grinderwald, para isso terei de pernoitar uns dias na vila, para caminhar quanto baste por ali acima, por caminhos, escadas e pontes de madeira e ir até ao seu coração!

Desta vez limitei-me a andar pelas ruínhas estreitas das encostas com a minha motita!

E recolher imagens gerais dos topos mais espantosos!

E são caminhos deliciosos de fazer, com cascatas em ruas ingremes e estreitas onde não passaria muito bem um carro por mim!

Autênticos caminhos do paraíso!

—- Thun e o castelo de Oberhofen.—

Depois de me passear longamente pelas ruelas de Grindelwald, desci até Thun e o seu lago, o Thunersee. Thun é uma cidade muito antiga, fundada no século XII, que fica no ponto onde o Rio Aar sai do lago para seguir o seu caminho para Berne.

Aproveitei para comer qualquer coisa ali mesmo na beira do rio, em ambiente muito simpático e refrescante!

Ali à beirinha fica uma das 2 pontes cobertas em madeira, cheia de flores, que atravessa o rio fazendo um “L”, ligando a pequena ilha onde estamos à margem.

A Schleuse am Mühlenplatz, ou Eclusa de Mühlenplatz, que faz uma represa por baixo com a maquinaria dentro da ponte.

A água é tão límpida que os peixes não têm nenhuma privacidade, pelo menos a gente vê-os com toda a clareza, cá de cima!

O efeito das águas em movimento é muito bonito pois a sua cor torna-se ainda mais luminosa!

A segunda ponte é mais à frente, a Obere Schleuse, ou Eclusa de Obere, à primeira vista até parece a mesma!

Se não tivéssemos de caminhar um bom bocado até ela poderíamos achar que apenas déramos a volta e chegávamos ao mesmo sítio!

Também ela tem a represa por baixo e a maquinaria dentro!

Na realidade estas represas, ou eclusas, vão servindo para controlar a intensidade com que o rio Aar sai do lago e passa pela cidade contornando a sua ilha, dado que quando a sua corrente é muito forte provoca mesmo inundações pois a saída das águas é estreita!

Depois vão-se fazendo umas fotos tipo postal suíço, com as flores em primeiro plano e a igreja gótica ao fundo, que não visitei pois nem me apetecia sair da beira do rio!

O centro antigo da cidade é simplesmente delicioso! A rua Odere Hauptgasse é estreitinha no “rés-do-chão” mas larga em cima, onde passeios e esplanadas se estendem em cima das lojas avançadas, formando num nível alto, uma segunda linha de comércio!

Este tipo de ruas é comum em varias cidades suíças, mas em Thun tem o seu encanto particular.

Lá à frente fica a Rathausplatz , a praça da Rathaus, de onde ficam alguns edifícios bem bonitos, como o hotel Krone ou a propria Rathaus.

Dali se avista o castelo que eu não iria visitar! Eu sei que é lindo, um castelinho do séc. XII onde hoje funciona um museu muito interessante, mas que eu já visitei em tempos e desta vez, nem a magnifica paisagem que se avista lá de cima, me fez subir as escadas que parecem infinitas, vistas cá de baixo!

Mas encantadora mesmo é a rua Odere Hauptgasse, cheia de lojinhas de tudo, que na parte superior quer na inferior, ao nível da rua!

Achei piada à loja dos cata-ventos que os tinha de todas as cores e feitios! Até em forma de moto! E as rodas giravam ao sabor do vento e tudo!

Engraçado que os beirais dos telhados, lá em cima, são largos para caramba! Embora altos presume-se que protejam as pessoas, pelo menos nas janelas, da chuva! O efeito é curioso!

A rua é mesmo engraçada e movimentada, sem ser barulhenta nem stressante!

Descendo um pouco pela margem do rio chegamos ao lago de Thun, o Thunersee, um lago extraordinário de águas profundamente azuis alimentado pelo glaciar Steingletscher através do também azul rio Aar.

A menos de meia dúzia de quilómetros, na margem do lago, fica o belíssimo de Castelo de Oberhofen, do séc. XIII, que está aberto ao público e que eu nunca tinha visitado!
Havia uma secção exterior em obras o que estragava um pouco a beleza do enquadramento!

Mesmo assim a sua beleza permanece quase inalterada!

Aquele castelo já teve um fosso, ou antes, uma reentrância do lago que o contornava, mas foi fechada para proteger os seus alicerces, já que as águas do lago podem ser bastante agressivas em subidas abruptas nos degelos.

Estava perto da hora de fechar por isso fizeram-me tarifa reduzida, o que quer dizer que paguei uma ninharia!

Achei tanta graça ao sinal na porta da casota do cão! Deliciosa!

O que as pessoas não sabem é que eu nem tive de correr para ver o castelo todo, pois simplesmente eu sou rápida a fazer uma visita! Por isso acabei por sair antes mesmo dos visitantes que por lá andavam e, se calhar, vi tudo até melhor que eles! Eheheh

A primeira coisa que se visita é, naturalmente a torrezinha sobre a água que, curiosamente não é tão pequena quanto parece!

Passa-se por um corredor, que é afinal um túnel sobre a água.

E ao fundo fica uma salinha que não me importava de ter, só para mim!

Com direito a uma vista deslumbrante sobre o lago!

Todo o castelo é encantador, com salas lindíssimas, espaços temáticos e masmorras e tudo!

Ali se pode ver como se vivia em tempos feudais por aquelas bandas!

No topo do edifício fica um “oásis turco” a que chamam sala de fumo!

Acho que povo da casa ia lá para cima estender-se nos colchões no chão e fumar daquilo que faz rir!

Lá de cima, da janela, as paisagens são bem bonitas!

Os jardins são muito bem cuidados e coloridos e apetece mesmo andar por ali a passear

Cheios de flores e a lembrar os jardins ingleses!

E lá está a “tourelle du Lac”, que afinal é uma sala bem bonita onde se podia até mobilar como quarto e dormir ali! Acho que era o que eu fazia se a casa fosse minha! 😉

E os jardins continuam por ali fora,

em volta do castelo e pela borda do lago!

O lago é muito apreciado por marinheiros e praticantes de windsurf, dado que oferece sempre uma brisazinha agradável e útil!

Não faltam por ali também embarcações que proporcionam passeios lindíssimos pelo lago onde também se pratica uma série de desportos aquáticos.

A mim bastou-me aprecia-lo em toda a sua calma e beleza, com os pés enfiados na sua água fresca, enquanto miúdos e graúdos se banhavam mais à frente…

E tratei de voltar para Lucerne, porque bonito é passear de dia naquele país! Fazer trajetos de noite é sempre e afinal um desperdício de paisagem!

As casinhas da zona bernense são muito bonitas e têm telhados que parecem chapéus! Cada uma é mais bonita que a outra!

Algumas motos acompanharam-me no caminho para “casa” entre elas uma Pan prima da minha Magnífica!

E jantei em Lucerne, bem na berma do rio, com a Pont de la Chapelle como paisagem!

Uma lasanha deliciosa, que eu gosto muito de comida italiana!

E fiquei por ali à espera do anoitecer!

Passei na estação central de caminho-de-ferro, intervencionada por Calatrava… e fui para casa, que naquele dia era em Lucerne!

Fim do décimo sexto dia de viagem…

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– Laufenburg, o Lago dos Quatro Cantões e as termas de Vals –

15 de Agosto de 2012

Tirei o dia para não fazer nada de especial, para além de conduzir!

Há sempre dias destes nas minhas viagens: tiro um dia para não conduzir, ou um dia para ficar em casa, ou um dia só para conduzir! Enfim, tiro os dias que me apetecem para fazer o que me apetece e acabo sempre por ver coisas giras, mesmo saindo de casa para não ver nada de especial! 😀

Depois não ver nada é difícil por aquelas bandas pois, mesmo sem se querer, “o que ver” está por todo o lado! Então fiz um desenho louco, de vai e volta no meu mapa!

Primeiro fui numa direção qualquer e atravessei uma terrinha fofinha, com uma porta de entrada em torre, Sempach. Fica na margem do lago Sempachersee onde fica também Sursee que não fui visitar embora saiba que é uma terra interessante!

Esta é uma terra histórica na Confederação Suíça, pois ali se travou uma grande batalha contra os austríacos, lá atrás no séc. XIV, quando a confederação se expandia!

Tem também uma porta em torre para sair!

Segui o meu caminho sem destino, embora tivesse um nome em mente: Laufenburg.

Eu sabia que passaria ali perto dali a dias, mas apeteceu-me ir visitar com calma naquele momento!

Laufenburg era uma terra que eu não conhecia, como há muitas pela Suíça, e que irei cata-las um dia ou outro. E o que me despertou o interesse foi o facto de haver uma homónima na Alemanha e logo ao lado uma da outra!

Deixei a mota na Alemanha e fui procurar onde a cidade deixava de ser alemã e começava a ser suíça!

A entrada faz-se por baixo da própria Rathaus!

E ao chegar-se ao fim da rua aparece o rio Reno e a Suíça e Laufenburg, na outra margem!

Na realidade as duas Laufenburg foram a mesma cidade desde o séc. XIII até 1800, quando Napoleão as dividiu. Hoje ainda, as pessoas sentem-se e vivem como se da mesma cidade e do mesmo país se tratasse!

A ponte velha foi desativada para o trânsito dado que se tornara insuficiente. É uma ponte muito bonita, medieval com esculturas a meio!

E do outro lado do rio, outra Rathaus!

Ruínhas muito bonitas com pormenores deliciosos!

E ninguém diria que passamos de uma cidade para outra e de um país para outro e que voltamos atrás, sem nem a língua mudar!

Na realidade andamos entre Laufenburg pertencente a Baden-Württemberg e Laufenburg pertencente ao Cantão de Aargau!

Decidi voltar para o centro da Suíça passando por Brugg, ainda no cantão de Aargau, onde passa o rio Aar a caminho do Reno!

Brugg é uma cidadezinha muito interessante que fica na confluência de 3 rios: O Reuss, o Aar e o Limmat!

Com ruínhas curiosas de passeios elevados onde as esplanadas têm mais graça!

Comi uma belíssima refeição numa esplanada, com direito a sombra e musica ambiente mesmo a calhar!

De onde estava instalada avistavam-se pormenores curiosos!

E voltei a pegar na moto para dar mais umas voltinhas de condução relaxante, passando pelo lago de Zug.

A Suíça é um país cheio de lagos, alguns deles deslumbrantes, outros mais vulgares, mas todos com os seus encantos particulares e histórias mais ou menos felizes. O lago de Zug é considerado o lago menos limpo do país, devido às zonas de cultivo que vão afetando os rios que o alimentam. É no entanto também um assunto em permanente estudo e cuidado, acreditando-se que a sua situação será revertida a médio prazo, já que as questões ambientais sempre foram de primeira importância para o país. O lago não deixa no entanto de ser muito bonito, com a cidade de Zug a dar-lhe o nome e enriquecer-lhe a paisagem!

E o Zugersee tem recantos encantadores em que ninguém diz que aquelas aguas não são tão limpas assim! Na realidade é preciso ter-se uma ideia do que quer dizer “o menos limpo” para os suíços pois, na realidade, têm padrões de limpeza de aguas mesmo muito elevados!

Mas o lago que eu queria visitar era o Lago dos Quatro Cantões, logo ali a seguir!

Lucerne fica na berma de um dos lagos mais extraordinários da Suíça, o Lago dos Quatro Cantões. O seu nome deve-se ao encontro dos quatro cantões fundadores da Suíça: Uri, Scwyz, Unterwalden (que hoje é divido em dois: Ibwald e Nidwald, o que faz que o lago seja hoje, afinal dos 5 cantões!) e Lucerna. A grande beleza do lago deve-se às montanhas que o rodeiam e o tornam um lago em fiord! A verdade é que as paisagens nos surpreendem a cada quilómetro percorrido e a gente pára aqui, encosta ali, tira dúzias de fotos e nunca se sente satisfeita, pois a vontade é traze-lo todo para casa! Deslumbrante e apaixonante…

E ele é lindo… e eu fotografei-o até à exaustão!

E mesmo assim sei que deixei muito para fotografar das próximas vezes que lá passar!

Bendita moto que permite parar em qualquer recantozito da estrada e disparar mais uma ou duas fotos onde ninguém poderia parar!

E cheguei a Altdorf, a capital do cantão de Uri, famosa pela lenda de Guilherme Tell e a sua estátua está bem no centro da praça.

Reza a lenda que Guilherme era conhecido pela sua habilidade no manejo da besta.

“Na época, os imperadores da casa de Habsburgo lutavam pelos domínios de Uri e, para testar a lealdade do povo aos imperadores, Herman Gessler, um governador austríaco tirano, pendurou num poste um chapéu com as cores da Áustria, numa praça de Altdorf. Todos os que por lá passassem teriam de fazer uma vénia como prova do seu respeito. O chapéu era guardado por soldados que se certificariam que as ordens do governador eram cumpridas.

Um dia, Guilherme e seu filho passaram pela praça e não saudaram o chapéu. Foram imediatamente presos e levados à presença do governador que, reconhecendo-o, o fez, como castigo, disparar a besta a uma maçã pousada na cabeça do seu filho. Tell tentou demover Gessler, sem sucesso; o governador ameaçava ainda matar ambos, caso não o fizesse.

Tell foi assim trazido para a praça de Altdorf, escoltado por Gessler e os seus soldados. Era o dia 18 de Novembro de 1307 e a população amontoava-se na expectativa de assistir ao desfecho do castigo. O filho de Guilherme foi atado a uma árvore, e a maçã foi colocada na sua cabeça. Contaram-se 50 passos. Tell carregou a besta, fez pontaria calmamente e disparou. A seta atravessou a maçã sem tocar no rapaz, o que fez a população aplaudir e admirar os dotes do corajoso arqueiro.

Ao observar que Guilherme trazia uma segunda seta, Gessler perguntou por que ele a trazia. Tell hesitou. Gessler, apressando a resposta, assegurou-lhe que se dissesse a verdade, a sua vida seria poupada. Guilherme respondeu: “Seria para atravessar o seu coração, caso a primeira seta matasse o meu filho”.”

Guilherme Tell ficou para sempre associado à libertação da Suíça das mãos do império Habsburgo da Austria.

E depois? Era cedo para ir para casa, por isso fui passear para os montes!

Passei no Rundweg Schöllenen, o percurso do Gotthard Pass através do canyon Schöllenen, que é lindíssimo, com paredes íngremes e caminhos rudimentares e sinuosos construídos pelas populações do vale do Urseren, um caminho para eu me dispor a explorar um dia.

É impressionante a facilidade com que a gente perde a noção da dimensão das coisas por ali!

Ao aparecer o comboio é mais fácil entender a dimensão do rochedo, não?

E decidi ir até Vals, não era no meu caminho mas apeteceu-me!

São mais umas estradas de montanha, algumas em terra batida, que estavam a cuidar delas antes que o inverno chegasse e depois de muita ruela em sucessão de SS, lá apareceu a vilazinha! Como dizem por lá: “Vals é a última aldeia no vale, depois é só montanha e céu!”

Depois de tais caminhos nem parece provável encontrar uma vila tão interessante e movimentada! Mas, a principal razão para eu lá ir é a mesma que leva ali tanta gente: As Termas de Vals!

Uma obra do arquiteto Suiço Peter Zumthor, considerado um dos mais importantes arquitetos do mundo! A obra, é um espetáculo! Uma pena que não a tenha podido fotografar por dentro, pois sei que é belíssima!

Na realidade no início de 1980 a comunidade de Vals comprou um hotel falido composto por três edifícios, da década de 1960, e contactou Peter Zumthor para projetar umas novas termas. Se no princípio isso até abalou a estrutura financeira da comunidade, rapidamente o edifício se tornou um sucesso na Suíça e apenas dois anos após a sua abertura, tornou-se um edifício protegido.

Hoje podem-se encontrar fotografias dele em qualquer tipo de revista no país, o nome do arquiteto é bem conhecido para o cidadão comum de Grisões e a vila de Vals está orgulhosamente no mapa, não só da Suíça mas também do mundo!

É curioso a forma como o edifício se integra na paisagem, sem a ferir ou perturbar sequer!

Por baixo do fino relvado a vida pulsa…

quase sem darmos por nada…

Uma pena não poder entrar para fotografar. Teria de ir fazer eu mesma um spa, mas nem assim poderia fotografar, pois o ambiente é quente e húmido lá dentro, nada próprio para uma máquina fotográfica…

E estava na hora de voltar para casa, por mais montes e curvas e uma deliciosa dança do ventre até Lucerne!

Passando de novo um pouco pelo Gottharpass

Embora não o tenha feito totalmente o que o põe na minha agenda para uma futura passagem, pois é um dos Pass do meu coração!

E o pôr-do-sol quase chegava primeiro do que eu a casa!

Fim do décimo sétimo dia de viagem…

**** ****

– O Mont Pilatus, Burgdorf e Biel –

16 de Agosto de 2012

Estava na hora de seguir para Friburgo e fi-lo desenhando um caracol no mapa! É que Friburgo fica logo ali e não teria qualquer piada arrancar direta para lá, com tanta coisa bonita para ver na redondeza! Aliás, as minhas dormidas são marcadas sempre em pontos estratégicos e nunca é por acaso que eu marco 2 num espaço de apenas cento e tal quilómetros!

Não me interessava passar por Bern, pois nos últimos anos tenho lá “passado a vida” e outros dias virão em que terei vontade de lá passar de novo!

Quando cheguei cá abaixo a minha Magnífica tinha feito amizade com uma Suzuki toda desportiva, eu bem lhe disse que nunca se metesse com motos desportivas pois nunca teria pedal para elas, mas ela esquecia-se por vezes que era uma maratonista e não uma R!

Ok, convenhamos que foi a R ZSX que se meteu com ela, pois estava mascarada e tudo quando cheguei lá fora, com uma cobertura preta, a trabalhar para o mistério!

Achei piada à moto com as “orelhas” recolhidas, fez-me lembrar a minha gata que punha as orelhas para trás quando ia fazer uma asneira!

O dono também meteu conversa comigo, era um rapazola simpático que ficou curioso por a Magnífica ser de uma mulher! Ele estava a viver em Genève e tinha ido dar uma volta até Lucerne. Mais tarde comunicou comigo através do meu blogue, um tipo simpático!

Antes de me ir embora dali, não resisti em subir de novo o Mont Pilatus! Eu sabia que se calhar nada se veria lá de cima, mas não resisti em passar, porque por vezes o tempo chuvoso reserva-nos surpresas nas montanhas, proporcionando perspetivas e enquadramentos da paisagem, únicos! E acabou por ser o caso!

Pela dimensão das casas e dos prédios lá em baixo, dá para imaginar a distância a que eu estava. Depois as nuvens ficavam um pouco abaixo de mim! Por isso a visibilidade estava longe de ser nula!

Fiz outras ruelas diferentes das que fizera já, quando por ali andara dias antes, encontrando outros pormenores na paisagem.

Depois segui pelos montes e pelo meio das quintas e dos campos verdes, por ruínhas estreitas e cheias de curvas, que é o que de mais bonito há para fazer naquele país!

Se as ruínhas não estivessem cheias de terra e marcas da circulação de tratores e carros rurais, dir-se-ia que as quintinhas apenas estavam ali para embelezar a paisagem!

Mas não, aquilo ali tudo funciona! As casa são habitadas e as terras trabalhadas!

E depois fica tudo tão direitinho e verde que parecem campos de futebol às ondas!

Lá cheguei a Burgdorf, estava no distrito do Emmental, sim a terra do queijo tão apreciado, com o seu castelo do séc. XII lá em cima duma colina que domina a cidade. Estava no cantão de Berna e o símbolo com o urso lá estava!

A cidade é muito antiga e já andou de mão em mão, como muitas ou quase todas naquele país, por isso se juntaram todos e formaram o seu próprio país, deixando de ter de lutar contra tudo e contra todos passando a defender-se em conjunto.

Comprei uns pãezinhos deliciosos na feirinha de rua e propus-me visitar a redondeza.

Subi até ao castelo e tudo!

Os castelos têm sempre a vantagem de ficar em locais elevados e proporcionarem vistas panorâmicas sobre a cidade em baixo!

No castelo funciona um museu há mais de 2 séculos e que eu não visitei.

Bastou-me deliciar-me com a sua arquitetura que é sempre interessante!

E desci para a cidade pelo lado oposto ao que subira, por caminhos giros e antigos!

Dali até Biel foi mais um instante de belas ruas!

A cidade de Biel fica na extremidade oriental do Lago Biel, no sopé do Jura e é a metrópole da relojoaria suíça pois ali se fabricam alguns dos melhores e mais conhecidos relógios suíços como os Swatch, Rolex, Omega, Tissot, Movado e Mikron.

Na realidade o país divide-se em 3 faixas, ficando o chamado Planalto Suíço, uma zona quase plana que ocupa cerca de um terço do país e onde vive a maior parte da população, ente a cordilheira do Jura a noroeste e os Alpes Suíços a sudeste.

Biel, e zona onde eu chegava fica, portanto, no início do Jura!

A sua cidade antiga é deliciosa, com as fontes medievais pintadas, tão características no país, como a fontaine de L’Ange, do séc. XVI.

Ali fala-se tanto o alemão como o francês e é a única grande cidade onde essa distribuição é de 50/50.

Dizem que Biel tem 72 fontes com água potável alimentadas até hoje por uma fonte romana!

A fontaine de la Justice é uma delas, do séc. XVI, tem sido mantida impecável ao longo dos tempos!

Anda-se por ruínhas e ruelas até se chegar à praça da catedral, que é sempre onde está o centro histórico e mais pitoresco de uma cidade antiga !

A Place du Ring é deliciosa, com cada construção a rivalizar com a outra, em cada esquina e em cada recanto!

E mais uma fonte do séc. XVI la fontaine du Banneret

A igreja gótica do séc. XV lá estava, a dominar o espaço !

É interessante por dentro, com o teto florido e luminoso.

Estamos numa zona elevada da cidade que continua a descer até à zona nova, com avenidas e prédios lá para baixo.

e voltamos à praça que é muito mais gira que tudo o resto !

Depois foi descer até à motita, por ruínhas tão fofinhas

e cheias de coisas curiosas!

Para seguir o meu caminho, que naquele dia eu estava com vontade de ver muitas coisas!

—- —-

– Le Landeron, Erlach e Neuchatel –

16 de Agosto de 2012 – continuação

Na outra ponta do lago de Biel ficam duas terrinhas muito bonitas, a primeira é Le Landeron, uma cidade medieval do séc. XIV, que mantem o mesmo aspeto desde há muitos séculos! É curioso que é a única cidade da margem do rio que pertence a Neuchatel, pois os limites do cantão acabam logo ali!!

Já foi uma cidade muito importante com seu próprio exército e tudo e foi também o pomo de discórdia por se ter mantido à parte da reforma, mesmo com um grande reformador logo ali ao lado, em Neuchatel, o Guillaume Farel, ficando com mais duas ou três localidades, como ilhas católicas no meio do mar protestante!

A cidade é linda, com a sua praça principal que é, praticamente, toda a cidade medieval.

Com portas de entrada e de saída, na muralha que ainda conserva intacta.

E as fontes com esculturas pintadas tão bonitas!

Passeando pela redondeza, encontramos a qualquer momento, e por todo o lado, quintas com terrenos bem cuidados que contribuem para a beleza verde que o país exibe de norte a sul. E as casas são lindíssimas, parecendo por vezes quase irreais de tão perfeitas e bem enquadradas na paisagem! Dir-se-ia que alguém as põe ali porque ficam bem na paisagem mas, na realidade são casas habitadas, muitas delas com uma parte de habitação e outra de celeiro e a gente quase nem se dá conta!

Logo a seguir fica outra cidadezinha encantadora e ainda mais antiga, do séc. XII, Erlach!

Tudo é cercado de vinhas por ali e, subindo pela encosta até ao castelo, podemos ver como a redondeza é encantadora!

Lá em cima fica a zona mais antiga e pitoresca da cidade.

Nenhum veículo pode circular por ali, a minha motita apenas entrou para dar a volta, também o piso é muito irregular e nem valia a pena arriscar!

Depois ao fim da rua ficam as escadas que levam à rua de baixo!

Então segui para Neuchatel, a capital do cantão com o seu nome e que fica na margem do maior lago totalmente suíço, e que também tem o seu nome! Dá para ver que é uma cidade importante!

E na verdade é, a sua história é longa, andou de mão em mão, nobres poderosos dos países vizinhos, os Condes de Orleans de França e os reis Prussianos da Alemanha, a disputaram e governaram alternadamente, até que ela se juntou à Confederação Suíça e acabou de vez com a cobiça!

La Maison des Halles do séc. XVI, na Place du marche, já foi armazém das mercadorias mais delicadas, como sedas indianas e cereais. Hoje permanece uma joia no coração da cidade antiga!

Ela estende-se pela rue du Trésor, na direção da la place de la Croix du Marché.

A Fonte du Banneret é muito antiga e o seu aspeto atual data do séc. XVI, era usada para dar de beber às vacas e aos cavalos!

Depois, se subisse por ali acima iria dar ao castelo, mas se há rua para andar com rodinhas, não havia necessidade de usar uma que é só para pezinhos! Por isso fui buscar a moto e fui até lá acima, onde fica o castelo e a catedral, pois então! 😀

A catedral está sem rosto, em restauro, e nada se vê da sua fachada mas, por dentro continua linda!

A Catedral é conhecida como “la Collegiale”, é um edifício extraordinário do séc. XII com base românica e mistura com estilo gótico, com um teto espantoso, pois eleva-se até ao céu e é estrelado!

Ouro sobre azul!

Andei ali, de um lado para o outro de nariz no ar!

Depois num dos lados do altar há um Cenotáfio em honra dos condes de Neuchatel e toda a sua família, um monumento do séc. XII, notável e bem conservado através dos tempos!

E aquele teto a encher-me os olhos!

Ali ao lado ficam os vestígios do castelo antigo que ajudou a dar origem ao nome da cidade, pois ao construir-se o castelo novo, que está mais à frente, veio ao longo dos tempos o “neuchatel”!

Este sim, foi a origem do nome, pois é o castelo novo de «Nuefchastel»!

No castelo medieval funcionam atualmente os edifícios do governo cantonal de Neuchâtel.

A arquitetura é espantosa e o edifício imponente!

Ali se trabalha realmente e se tomam decisões, porque não existe o conceito de “puseram-me cá agora aguentem comigo!”

Na salle des Etats podem-se ver os brasões de todos os governantes de Neuchatel até a cidade se juntar à Confederação e se tornar um Cantão Suíço.

Da janela vê-se parte da cidade e o imenso lago ao fundo.

O edifício não pode ser todo visitado pois está em funcionamento todos os dias!

Sempre achei piada à forma como eles pintam as venezianas das janelas às riscas das cores mais improváveis! E o curioso é que fica tão bem!

Adoram as torres, torrinhas e torreões e os chapéus bicudos lá em cima! Um só edifício pode ter diversos!

E preparei-me para continuar o meu caminho…

—- —-

– Yverdon-les-Bains, Estavayer-le-Lac e Murten –

Ali mesmo à beirinha fica a catedral embrulhada, numa zona nobre da cidade no topo da colina que domina toda a redondeza.

A catedral espera pelo dia certo para mostrar toda a beleza da sua fachada renovada, por enquanto mantem a sua mascara de beleza!

Em frente fica a estátua de Guillaume Farel, segundo as inscrições no pedestal morreu com 76 anos, em 1565, e foi o grande reformador, pastor da igreja de Neuchatel.

Na realidade ele foi um dos grandes fundadores da igreja reformada, uma variante da igreja protestante, que surge na sequência da excomunhão de Martinho Lutero da Igreja Católica, e se mantem até hoje como grande doutrina em países como Suíça (país de origem), Holanda, África do Sul, Inglaterra, Escócia e Estados Unidos.

Era de origem francesa e amigo de Calvino, a quem aparece associado, e juntos tornaram Genève a “Roma Protestante”, para onde fugiram todos os protestantes perseguidos na França.

Desci calmamente pela cidade e segui pela beira do lago.

Por muitos lagos que haja naquele país (dizem que são perto de 7.000 lagos, rios, nascentes e cataratas) a gente nunca se cansa de passear pela borda de mais um!

Mais à frente ficam as Gorges de l’Areuse. É curioso pensar em gargantas quando não há montanhas à vista, mas a verdade é que elas aparecem e parte das correntes de água e das escarpas são mais escavadas do que entre montes.

Um percurso feito de paz e frescura num ambiente bonito e com o som da agua como musica de fundo. Relaxante!

Fiz apenas um pouco do percurso e pus-me a apreciar os jovens animados na brincadeira no rio. Não me apetecia andar muito, por isso não fui até às gargantas, apenas sentei, lanchei e apreciei a animação e beleza do local.

A rapaziada era simpática e ainda me ri um bocado com eles!

Depois voltei para trás, de barriga cheia e com vontade de dar mais uma volta, pois naquele momento Friburgo estava do outro lado do lago e eu queria ver umas coisas até chegar lá!

Passei numa escola lindíssima que não resisti a fotografar!

Cá pintam-se, e muito bem, as paredes das escolas, os miúdos gostam, fazem uma festa e fica giro. Mas lá pintam-se as venezianas! E fica deslumbrante! Adorei!

Que pena que eu tive que a minha escola não tivesse venezianas que iria divertir-me à grande a pinta-las com os meus alunos! 😀

Depois não é preciso ir particularmente atento à paisagem para descobrir pormenores encantadores pelos caminhos que se fazem! Como o castelo de Vaumarcus do séc. XIII que está a funcionar como restaurante. E o que me apeteceu parar e ir la dentro catar!!

E depois veio Yverdon, ou Yverdon-les-Bains, que os suíços e os franceses chamam “les-Bains” às terras que têm termas e, neste caso, trata-se de uma cidade conhecida pelas suas ótimas águas termais, desde antes dos tempos romanos!

Estava no Cantão de Vaud, a que pertence também Lausanne.

Havia festa por lá naqueles dias, mas estava em pausa! Iria voltar à vida ao anoitecer!

La place de la tannerie estava toda preparada para quem viesse!

As ruas estavam alegremente calmas e a festa pairava no ar.

O castelo do séc. XIII fica ali no meio, imponente, num ambiente arquitecturalmente eclético, com construções de épocas diversas, em harmonia!

Segui passeando pela margem do lago e encontrei Estavayer-le-Lac, onde fui recebida com sapinhos giríssimos, pendurados no meio das ruas!

Adorei! Havia-os de muitas cores e decorações diferentes e eu ia conduzindo e fotografando! Não é fácil conduzir por ruelas estreitas a olhar para o céu e a tirar fotos ao mesmo tempo!

Estavayer, embora fique na margem sul do lago de Neuchatel, pertence já ao Cantão de Friburgo.

Uma cidade com uma longa história e preservada em toda a sua beleza antiga!

La Collegiale de Saint-Laurent, gótica!

E o castelo lindo, na margem do lago!

O Castelo de Chenaux do séc. XIV é delicioso, e estava ali para ser visitado, podemos andar por todos os recantos exteriores sem que ninguém nos peça nada ou tome conta daquilo, como se tivessem a certeza de que quem vem, vem por bem!

Bonito e relaxante passear por ali ao entardecer!

Ali funciona La Prefecture et Service Financiere, segundo indicações no local! Que sorte trabalhar-se num local assim!

E as portas medievais da cidade, como seria de esperar em ambiente tão bem conservado!

Então segui para Murten, acompanhada por um grupo de motards que iam para Berna, gente simpática!

Murten fica noutro lago, um dos 3 que se ligam naquela zona: O lago de Biel, o lago de Neuchatel e o lago de Murten!

É mais uma cidade medieval que preservou o seu aspeto original de forma muito agradável e harmoniosa!

Uma cidade de 800 anos, com arcadas em habitações antigas e encantadoras, onde apetece morar!

As casas cheias de flores e recantos com cadeirões e almofadas, do lado de fora das portas, onde nada é roubado e onde se passam calmos fins de tarde, antes que o frio venha e tome conta de tudo!

E o tempo parece que não passou por ali!

As casas medievais com as suas arcadas tradicionais, cheias de esplanadas e flores e proteção quando chove ou neva. Fazem lembrar as ruas de Bern…

E finalmente estava na hora de pegar na minha motita e ir para casa, que naquele dia era em Friburgo!

Fim do décimo oitavo dia de viagem!

**** ****

– Romont, Moudon e Gruyères – Museu Giguer! –

17 de Agosto de 2012

Friburgo é uma cidade que conheço bem e que visitei recentemente por isso serviria mais para “pouso” para dar a volta e ir a uma das regiões do meu coração: La Gruyère!

Claro que o caminho faz-se caminhando, no meu caso rolando, e até, lá fui vendo o que me aparecia na berma da estrada!

Parei logo em Romont para ver a sua Colegiada de Notre-Dame de l’Assomption.

Linda por dentro, muito mais do que prometia por fora!

A cidade é medieval (com origem no séc. X) e a sua Colegiada também, linda e cheia de cor e encanto, gótica do séc. XIII!

Quase em frente fica o castelo chamado de Grand Donjon, pois mais à frente há uma outra torre do Donjon Petit.

Neste Grand Donjon funciona o museu do vitral

Da muralha vê-se ao longe a torre cilíndrica do Donjon Petit.

Em frente fica o parque de estacionamento da cidade, onde eu estacionei e me pus a apanhar sol, que isto de andar sempre de capacete ou chapéu estava a pôr-me a cara de 2 cores: clara de meio para cima e escura de meio para baixo!

Continuei o meu caminho apreciando as paisagens que me apareciam a cada curva do caminho.

Caminhos daqueles que eu gosto, por entre campos alcatifados de verde e quintinhas de contos de fadas!

Ao longe Lucens e o seu Castelo do séc. XIII, faziam da paisagem um cartão postal!

E cheguei a Moudon, mais uma cidade de origem medieval e com os seus encantos e o rio Broye a atravessa-la!

Ruínhas antigas que gosto de percorrer!

Com escolas a funcionar há séculos em edifícios históricos!

E o meu destino estava já ali à frente! O Pays de la Gruyère é uma zona rural de médias montanhas, pois fica nos pré-Alpes, cheia de encanto pelas suas paisagens ondulantes e verdes!

É muito fácil alguém se apaixonar por aquela paisagem encantada e encantadora!

E cheguei à cidade medieval de Gruyères! A cidadezinha visita-se a pé, mas tem parque pertinho, sem que sejamos obrigados a fazer uma longa caminhada até ela!

Deixei a minha motita na conversa com uma série de outras motitas e lá fui, 8 anos depois da minha ultima visita, passear por aquele mundo medieval …

A cidade deu o seu nome à região e ao queijo, um dos queijos suíços mais famosos no mundo!

Ao fundo La Dent de Broc, os montes a lembrar dentes.

A capela Le Calvaire, ao centro da cidade!

Olhando para trás, um outra perspetiva da rua larga, (quase praça) central da cidade, com o Moléson a espreitar ao fundo. Eu tinha de subir àquele monte mais uma vez e seria naquele dia, pois o céu estava limpo e com grande visibilidade.

Mas eu tinha muito tempo por isso havia uma série de coisas a visitar antes de pensar em subir montes! Como o castelo, um dos castelos mais famosos da Suíça!

A sua entrada fica mesmo ao lado do chalé que se chama Chalet, onde se come uma deliciosa raclete e um não menos delicioso fondue de queijo… ui as duvidas que eu iria ter ao escolher o meu almoço ali, umas horas mais tarde!

As casinhas medievais em torno da praça são espantosas e bem conservadas. Parece que recuamos diversos séculos e só falta olhar por mim abaixo e envergar longas saias até aos pés, a condizer com a envolvência!

A cidade foi sendo restaurada e mantida em toda a sua beleza até aos dias de hoje e a verdade é que um bom trabalho foi ali feito!

E lá estava o chalé chamado Chalet! Às vezes que eu já la fui, posso ser considerada uma cliente da casa!

Logo a seguir à porta das muralhas do Castelo de Gruyeres, fica o edifício chamado de castelo de Sainte-Germain, onde fica o museu Giger!

E era ali que eu queria ir! Já há muito tempo que eu o visitara e apetecia-me voltar a ver a obra do grande criador de monstros!

Hans Ruedi Giger, ou H.R.Giger, como aparece referenciado, é um artista suíço surrealista que cria os mundos e personagens mais estranhos e inquietantes que se possa imaginar! Não é por acaso que é tão plagiado!

Foi ele quem criou o monstro e os decors do filme “Alian, o 8º passageiro” de 1972, que lhe valeram um Oscar!

Aquele museu sempre me impressionou pelo pormenor e riqueza coerente decorativa que contem! Aquele chão é espantoso!

Cá fora duas esculturas sugestivas

É proibido fotografar lá dentro, por isso todas as fotos que aqui aparecem… foram distrações da minha parte e das câmaras de segurança, por isso podem não ter a melhor qualidade de focagem! 😮

Não consigo deixar de me deslumbrar com as suas criações!

Parece que tudo deriva de interiores orgânicos, de ossos, ou vísceras! Olhando pela janela até a decoração do jardim faz parte do mundo Giger!

A sua obra é composta por pintura, escultura, design de comunicação e de interiores e cenários cinematográficos!

A receção é sugestiva, num ambiente negro e cheio de personagens alienígenas. Infelizmente não poderia fotografar de outro ângulo, pois as personagens são muito bonitas.

Encontrámos várias esculturas pelo museu, construídas em materiais que as fazem parecer corpos petrificados!

Aquela decoração de sala de jantar sempre me fascinou! Apetece mesmo sentar ali. Se bem que o espaldar das cadeiras é rugoso e com textura óssea!

Lá em baixo, em frente ao museu, do outro lado do caminho, fica o bar Giguer, deslumbrante também!

Também ali não gostam que se fotografe, aquilo é um bar não é um cenário para fotos! Mas venha lá alguém impedir-me de fazer meia dúzia de fotos!

Porque aquilo é lindo! Parece que estamos dentro da barriga da Moby Dick!

E são confortáveis aquelas cadeiras!

Tive de me forçar a sair dali, ou ainda por lá estaria hoje a tirar fotos aos molhos, como os chineses!

—- —-

– O Château de Gruyères –

Depois do museu Giger continua-se o caminho até à entrada do castelo propriamente dito, um edifício do séc. XIII cheio de encanto que o torna um dos mais importantes do país!

O castelo funciona desde há muito tempo como museu, desde os anos trinta do seculo passado.

Ali existem diversas obras de arte curiosas e exposições permanentes e temporárias, sendo comum encontrar esculturas no percurso que vamos fazendo.

Os 2 escudos na entrada do castelo são deslumbrantes, um representa Marte e a guerra, outro representa Vénus e o amor (o da foto).

O castelo é uma delícia de viagem por 8 seculos de história e estilos que se sucedem de canto em canto e de sala em sala!

Os interiores são uma delícia de decoração que vai desde a época da construção…

até diversos estilos decorativos que documentam momentos da história do castelo e dos seus donos, como a Sala dos Cavaleiros que documenta os feitos dos condes de Gruyères!

Lá em cima, a caminho da varanda florida que dá para o jardim francês, há uma exposição de pintura permanente, pelo menos está lá desde a minha visita há 8 anos!

Com pinturas surrealistas muito interessantes!

Gostei sempre particularmente desta pintura com o castelo de Gruyères lá em cima do monstro verde!

E da bonita varanda florida pode-se ver a bela paisagem sobre o jardim e os montes fora das muralhas!

La Dent de Broc logo ali, qual dente gigante saído da terra!

É giríssimo percorrer os recantos do castelo, por corredores e muralhas, passadiços de madeira inspiradores cheios de flores!

Dá-se a volta e cada recanto é cheio de encanto!

E de repente, na muralha, encontramos La Tour du Prisionnier, com a obra de Patrick James Woodroffe, composta de imagens que parecem saídas dos contos infantis!

O castelo é muito bonito e muito bem enquadrado!

Pormenores de um castelo que vale a pena visitar!

Da muralha vê-se a envolvência, a igreja de St.-Théodule lá em baixo com o cemitério pequenino! Mais uma terra onde morre pouca gente?!

Lá em baixo a vila de Gruyères, pequena como todas as vilas suíças!

Voltei a passar pelo museu e bar Giger, pois Le Chalet é mesmo ali à beirinha e eu iria lá almoçar!

Le Chalet é um restaurante típico que eu adoro e onde vou almoçar ou jantar sempre que passo perto.

Ali se comem a Raclete e o Fondue mais deliciosos, afinal estamos na terra do grande queijo suíço.

A senhora que serve o fondue já faz parte da imagem do restaurante, trata-nos como se fosse nossa mãe e vem oferecer mais comida quando a gente acaba!

Como eu queria vinho, mas não muito, trouxe-me a canequinha mais gira de um bom e fresco vinho branco. A canequita era pouco maior que o copo e o vinho era delicioso!

A raclete é composta por queijo, batatas cozidas e carne fumada. O queijo é derretido ao calor e espalho depois de fundido sobre as batatas e carne e é um conjunto delicioso!

Saí dali de barriga cheia preparada para continuar as minhas explorações, que eu funciono muito melhor depois de comer!

Ao fundo da rua via-se o Mont Moléson e eu iria visita-lo logo a seguir!

Deixei o castelo para trás, em cima da sua colina e iria vê-lo de longe, a cada momento da subida.

O teleférico fica perto da vila e é fácil de encontrar pois o monte espreita todo o tempo por cima de tudo!

—- —-

– Le mont Moléson, Freddie Mercury e Lausanne –

O Moléson é um monte escarpado que atinge os 2002 metros de altitude e que pertence aos Rochers de Naye que eu visitei quando subi pela encosta em Montreux!

Existe um funicular que faz a primeira parte da subida e um teleférico que faz o topo.

Aquelas encostas, como muitas outras pelo país, são exploradas pelo turismo de inverno com ski alpino, ski de fond e caminhada com raquetes; e pelo turismo de verão com caminhadas, alpinismo e parapente.

Subir no funicular é uma experiência muito bonita, como em muitos outros nos Alpes, porque percorre a montanha serpenteando e revelando pouco a pouco diversas perspetivas da paisagem.

O vale de Gruyères vai ficando para baixo, permitindo ver-se ao longe o lago com o mesmo nome. Um lindo lago artificial provocado por uma barragem.

Ao chegarmos ao fim do funicular, subimos 1.109 metros, depois temos de apanhar o teleférico para subir aos 1.520 metros! E aí já vemos o Moléson, um enorme rochedo proeminente e impressionante!

Ali de cima o vale já é bem distante e pequeno!

Sentimo-nos no topo do mundo e a colina do castelo, lá em baixo, é quase imperceptível!

Lá está o lago ao longe.

Ali de cima, até o que está em cima parece baixo!

E os Alpes estão por todo o lado!

Olhando para sul, por cima dos montes onde alguns parapentes animam a paisagem, a longa mancha branca provocada pelo Lac Leman!

Afinal estamos num ponto alto a poucos quilómetros, a direito, de Lausanne e Montreux!

A sensação de estar-se ali, com uma cerveja fresca na mão e uma paisagem de cortar a respiração… é inesquecível!

Lá tive de me forçar a descer dali, horas depois, depois de muito paleio com alguns caminhantes que se foram sentando perto de mim!

É curioso ver o trilho do funicular pela encosta abaixo, numa paisagem perfeita!

Voltei a passar perto da colina do castelo, para me dirigir para o Lac Leman mais uma vez nesta viagem.

É sempre tão reconfortante passear pelas margens daquele lago!

E fui até Montreux!

Porque estava perto e porque tinha prometido ao meu amigo Rui Vieira tirar uma foto com a minha Magnífica junto da estátua de Freddie Mercury.

Quando lá cheguei havia feira no local! Feira de venda de coisas e feira de gente em volta da estátua do homem!

Bolas, como iria eu fazer para levar a moto até ali com todo aquele povo?

Muito simples! Há um fator que nos permite fazer qualquer coisa sem que ninguém reaja: o fator surpresa!

Por isso fui buscar a moto, subi o passeio, atravessei toda a zona pedonal por entre tendas e povo que me olhava espantado e levei a Magnífica até onde quis!

Freddie Mercury passou em Montreux os seus últimos tempos de vida, onde gravou até morrer…

Diz a placa por baixo da escultura, (numa tradução direta e básica, sem floreios):

“Freddie Mercury, nasceu com o nome de Farrokh Bulsara na ilha africada de Zanzibar, tornou-se um dos maiores artistas de rock da nossa época. A sua carreira de cantor, durante vinte anos, no seio do grupo Queen permitiu-lhe vender mais de 150 milhões de álbuns no mundo inteiro. Visionário, musico fora do comum, ele deixa para trás de si uma herança inestimável assim como uma enorme influencia para as gerações de artistas rock posteriores.

Graças aos Mountein Recordin Studios, adquiridos pelo grupo Queen em 1978, Freddie soube criar até à sua morta, laços muito fortes com a cidade de Montreux.

Apreciador da simpatia e da discrição dos seus habitantes, Freddie considerava Montreux como o seu lar adotivo e um refúgio de paz propício à elaboração das suas últimas obras.”

E ainda aproveitando o tal fator surpresa, tirei as fotos que quis, dando-me até ao cuidado de mudar a motita de posição! Só não a pus em frente à estátua porque aí existe um passadiço de madeira desnivelado e não era mesmo nada aconselhável arriscar a desce-lo com a moto, senão…

Quase em frente da estátua fica uma plataforma circular onde as pessoas aproveitavam para fazer praia e banhar-se no lago a partir dali. Muito interessante!

E pronto, estava cumprida a promessa da foto por isso pus-me a passear por ali. Não me apetecia visitar a cidade, apenas curtir o lago, que o calor era demasiado!

E tratei de seguir caminho, pois com muito calor prefiro andar de moto que a pé! Segui pela margem do lago até Lausanne, logo ali a menos de 30 km.

A cidade estava cheia de gente e de movimento e de calor! Também não me apetecia visita-la de novo já que a tenho visitado em viagens recentes! Mas havia ali algo que eu queria ver: a catedral!

A Cathédrale protestante Notre-Dame de Lausanne é uma construção espantosa do séc. XIII que esteve recentemente em obras de restauro durante muito tempo!

A última vez que a visitei ela estava em obras de recuperação. É um exemplar lindíssimo de arquitetura românica já com elementos góticos, pois foi construída em várias fases! No séc. XVI foi dedicada ao Calvinismo aquando da Reforma Protestante!

Quando fui visita-la, era tarde, deveria estar fechada… mas fui na mesma! Havia uma porta lateral aberta, espreitei, estavam dois homens lá dentro. Perguntei se podia visitar a catedral. “Está fechada menina, só está aberta para quem vem assistir ao concerto! Terá de vir ver o concerto para ver a catedral!” disse um deles “Mas eu não posso, tenho de ir embora!” disse eu. Então um dos senhores disse-me que me deixava ir até ao centro da igreja e voltar. Estávamos exatamente ao nível do início do altar. Fui e tirei 3 ou 4 fotos! Todas as cadeiras estavam voltadas para o novo órgão, (que é uma aquisição relativamente recente e de grande qualidade), no fundo da catedral. A catedral estava linda, mesmo voltada assim “ao contrario”! Tive uma imensa vontade de ficar para assistir ao concerto…

Não podendo ficar, tirei varias fotos a partir do mesmo sitio que o senhor me permitira alcançar!

Aquele teto é mesmo diferente e lindo!

E fui para casa que naquele dia era em Friburgo!

Fim do décimo nono dia de viagem!

(continuará)

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2 thoughts on “V – Passeando até à Suiça 2012

  1. eu queria ser você em cada passo que deu na Suíça, mas me contentei nas imagens maravilhosas que você me deu em particular como um presente de uma linda viagem, fora o conhecimento de lendas e histórias que, praticamente como se eu tivesse viajado no tempo. Obg. valeu cada segundo.

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