5 . Passeando pelos Balcãs – Rumo à Roménia

(continuação)

26 de agosto de 2013

– Uma corrida entre Budapeste e Innsbruck! –

Budapeste é, na realidade, a junção de 3 cidades: Buda e Obuda na margem direita do rio Danúbio, com Peste, do lado esquerdo.

A passagem por Budapeste era por um lado necessária, tinha de passar por algum lado para voltar para casa, e por outro, desejada! Eu queria muito voltar àquela cidade para visitar e desenhar o parlamento…

Lá percebi que não fizera bem as contas, teria precisado de ficar mais tempo para o conseguir visitar por dentro…

Atravessei a Ponte da Liberdade ou Szabadság híd, que eu desenhei há uns anos e não tinha mais a certeza de como ela era! Na realidade esta minha dúvida devia-se ao facto desta ponte, embora seja de metálica, imita uma ponte de correntes, o que me fez pensar que estava doida ao desenhar a ponte de correntes com aqueles pináculos no topo! Ao atravessa-la reconheci logo a ponte bizarra do meu desenho! É o que dá fazer muitos desenhos no mesmo sítio!

A ponte das correntes fica logo à frente! Sim, andei de um lado para o outro do Danúbio!

A Ponte Széchenyi Lánchíd é uma ponte pênsil, é um ex-libris da cidade e que liga Buda a Peste!

Esta ponte sempre me fascinou e já a desenhei vezes sem conta, daí a confusão com a Szabadság híd, pois os seus desenhos aparecem baralhados uns com os outros nos meus livrinhos!

São ambas do séc. XIX, com apenas alguns anos de distância entre elas, e são lindas, duas das 10 pontes da cidade!

E fui direitinha ao parlamento… aquele edifício é um espanto, mas por dentro é de cortar a respiração! Fui a Budapeste com a finalidade de o visitar… mas correu mal! Estava tudo em obras e a fila para entrar para a visita só era largamente ultrapassada pela fila para comprar os bilhetes!

Valha-me Deus… e eu que tinha uma longa viagem para fazer até à Áustria, de mais de 700km devia ficar ali mais de 1 hora à espera para entrar e demorar depois outra hora na visita? Não sabia o que fazer, fiquei na fila, ao menos “enquanto penso e decido não preciso deixar crescer a fila até ao infinito”!

O que raio se estava a passar na cidade que nunca a vi tão cheia de gente nem tanta fila para visitar o monumento?!

Ele lindo é, um dos mais belos edifícios legislativos e o segundo maior parlamento da Europa, com 700 salas e gabinetes! (porque o maior, passei por ele dias antes em Bucareste!)

Tive de desistir da ideia de o visitar naquele dia… eu não iria ficar ali por horas, no meio de toda a multidão, à espera da visita, ficar sem tempo para dar uma volta pela cidade e depois correr como uma louca até Innsbruck, de noite e sem luz!

Então resignei-me a ir ver o edifício da outra margem do rio, passear calmamente, desenhar e partir depois!

Vi o Palácio Real Húngaro pelas traseiras… Lá em cima, no topo da colina do lado de Buda, sobranceira à cidade, fica o castelo, que é mais um palácio, onde viveram os reis da Hungria.

É de origem medieval, foi remodelado, acrescentado, destruído e reconstruido pela história fora, apresentando hoje aquele ar imponente que nos prende a atenção.

O movimento era tanto que percebi que teria de deixar a moto no fim-do-mundo e caminhar até lá acima… puxa, também não me apeteceu!

Ainda passei na catedral, mas havia por ali uma infinidade de camionetas de turismo e povo aos magotes por todos os lados…

Desisti…

Fui até à margem do rio, o Danúbio que é mais verde do que azul!

Estava lindo naquele dia, sem ninguém por perto. Acho que a multidão estava toda junto dos monumentos, ali só estava eu! Que bom! Finalmente algo da cidade totalmente por minha conta!

E eu desenhei!

Era uma das coisas que eu queria fazer ali, desenhar o Parlamento, se desse tempo depois de o visitar, como não o visitei a ele e a nenhum monumento, perdi-me em desenhos por ali!

O raio do edifício é mesmo bonito e imponente!

Depois fui passeando até junto da Ponte Széchenyi Lánchíd! Parei debaixo dela, o único sítio onde eu podia estar a sós a aprecia-la, pois é uma rua cheia de movimento e os turistas não vão muito para ali e fiquei a olhar… fotografei, desenhei e nada mais fiz do que encher a minha memória de recordações, as passadas, de quando lá fui, e as futuras, que ficaram depois deste momento. A próxima vez vou dar-me todo o tempo por ali para ver e viver tudo com mais calma… tem de ser!

Perdi-me no tempo por ali e quando parti percebi que já iria chegar tarde ao meu destino! Este tarde queria dizer de noite e eu com uma luz da moto fundida….

Eu tinha a vinheta para as autoestradas, um papelito que me custara 7€ na noite anterior, por isso fui fazer uma corridinha!

E ao entrar na Áustria, por via das dúvidas comprei também a vinheta! Não haveria muitas condições para andar em passeio demorado, o tempo ameaçava chuva e tudo!

Por isso, mais uma corrida, mais uma viagem!

O meu destino era Innsbruck mas não resisti em atravessar Viena! Não pelo seu lado mais grandioso e sim pelas ruelas de grande comércio. Afinal eu tinha de comer!

Mas conduzir por Viena é o desespero, sobretudo para quem já conduziu em Istambul, onde tudo é permitido! Em Viena a ordem é absoluta, tudo anda devagar e ordeiramente! Mas a verdade é que apenas na travessia da cidade cruzei com 2 acidentes graves! Bolas o melhor é seguir caminho que é mais perigoso conduzir aqui que no transito caótico e aparentemente desorganizado de Istambul!

E foi a luta total!

Começou descendo a temperatura, como sempre acontece quando vou para Innsbruuck! Depois, também como de costume, desatou a chover! E para terminar, anoiteceu!

Eu não via nada, as estradas brilhavam com tudo e com nada, a minha luz não era suficiente e eu tinha de reduzir a cada curva para ter a certeza de que ia na trajetória correta, cada vez que apanhava um carro em sentido contrario e a rua parecia um espelho!

A distância em vez de diminuir parecia que aumentava a todo o momento e, só quando cheguei a Innsbruck é que me lembrei que a minha dormida era na montanha!

“Pronto, ok, o pesadelo não só não acabou como ainda vai piorar!”

Comecei a subir e só via luzes acima de mim, um espelho debaixo da moto e uma diluvio a lavar tudo!

A cada pequeno aglomerado de luzinhas eu suspirava para que fosse ali o meu hotel… mas nunca era, faltava sempre uma série de quilómetros!

E se ao chegar ao destino não houvesse nada à minha espera? E se eu tivesse de andar de um lado para outro à procura da casa e ela não aparecesse? Como faria, de noite, cheia de frio e a molhar-me?

Mas depois de uma longa distancia sem qualquer luz apareceu uma localidade e, logo à entrada, um hotel lindíssimo, cheio de luzinhas como se já fosse Natal, “oh, quem dera que fosse aquele mesmo, tão lindo!”… e era mesmo!

Que bom que era lindo pois eu iria ficar ali 2 noites!

Fui recebida com muita simpatia, um quarto quente, porque ali o frio começa bem cedo, e um jantar feito na hora para mim!

Afinal o paraíso existe sempre, depois do inferno!

E foi o fim do 29º dia de viagem…

**** ****

27 de agosto de 2013

– Um pequeno passeio até à Baviera! –

Innsbruck era uma cidade que despertava em mim todo o tipo de sentimentos!

A cada vez que a visitei, grandes temporais me acompanharam, chuva, vento, frio e visibilidade nula! Parece que tudo conspirou sempre para me ocultar os encantos de uma bela cidade, que se foi tornando misteriosa pelo clima que a envolvia!

E de manhã… lá estava tudo molhado e a chuvinha do costume à minha espera para me dar uma molha!

Apreciei com calma o hotelzinho tão bonitinho e simpático, e um pequeno-almoço monumental, como eu gosto!

Quando chove eu fico sempre sem saber muito bem o que fazer! Claro que posso sair e passear, a chuva nunca me assustou ou perturbou a condução, mas não posso fotografar!

Decidi dar uma voltinha por ali perto e depois ir para a cidade passar o resto do dia. Não valeria a pena andar de um lado para o outro com o céu tão baixo e tão húmido que nada deixava apreciar. Assim visitaria a cidade em pormenor, veria museus, exposições e tudo o que implicasse andar protegida da chuva e do frio, e pronto!

Eu estava na montanha a vinte e poucos quilómetros de Innsbruck, por isso não havia mau tempo que me impedisse de ver um pouco do sítio onde estava, que aquilo é bonito! Afinal é o Tirol! Por ali todos os hotéis dão as boas vindas aos motociclistas, incluindo o meu! Lindo!

Pus a máquina fotográfica ao bolso e subi a montanha. Logo ali acima ficava uma terra com um nome muito giro! Como eu não sei alemão pus-me a tentar traduções: “Alto da Peida”, ou “Alta Peida”

Escrevia eu no meu Face naquele dia: “Ontem cheguei aqui, perto de Innsbruck, de noite! Sem uma luz na moto, debaixo de chuva, por uma estrada que brilhava de água e serpenteava pelo monte acima, foi uma aventura! Hoje de manhã ainda chovia um pouco, mas fui “reconhecer” o local onde estou e descobri que estou perto de uma terrinha com um nome giríssimo! Como não sei alemão leio Alto da Peida! Eheheheh”

Mas a verdade é que por ali tudo é lindo, mesmo com chuva e nuvens baixas! Tive de arriscar e pôr de novo a maquina ao peito para ir captando todos os encantos possíveis!

Mesmo ao lado da estrada o riacho mais fofo! Estava a ver quando passava a Heidi por ali a correr!

E desci até Innsbruck, antes que a chuva e a humidade dessem cado da minha máquina fotográfica!

Lá estava ela como eu a conheci sempre: cheia de chuva!

“Rai’s-parta isto! Vou ter de cá voltar tantas vezes quantas as necessárias até apanhar um pouco de sol?”

Mas a cidade é sempre encantadora, mesmo cheia de chuva!

A Herzog-Friedrich-Straße, é o centro cidade antiga onde ficam construções muito bonitas, algumas autenticamente bordadas a cor e relevo, como a Helblinghaus!

E como o tempo estava uma bosta fui-me enfiar na casa dos licores! Que coisa linda, para além de saborosa!

Sim, aquilo bebe-se tudo!

Por esta altura eu já mudara de botas pois as outras tinham as solas gastas e metiam água!

E a dada altura lá estava a catedral da cidade, a Dom zu St Jakob do séc. XVIII! O barroco não é o estilo que eu mais aprecio, mas um magnífico teto pintado nunca me deixa indiferente e aquele é de me pôr definitivamente de nariz no ar! Não é por acaso que aquela catedral é um dos mais extraordinários e importantes edifícios de todo o Tirol!

Se por fora a igreja não é nada de especial, apenas mais uma construção barroca, por dentro os tetos são deslumbrantes!

Nem sei quanto tempo fiquei ali a olhar “para o balão”!

Quando finalmente saí o tempo parecia querer melhorar a qualquer momento! Que bom!

Voltei à Herzog-Friedrich-Straße, onde toda a gente começava a acreditar que o sol viria!

Eu acho que já vi esta fulana mais o seu cãozinho noutras cidades da Europa! Ou teria sido ali mesmo?

E subi à torre do relógio! Eu tinha de ver aquilo tudo lá de cima!

Que pena eu tive de não ver os Alpes dali, como seria suposto, não fossem as nuvens baixas…

Fui tratar de comer. Tinha de decidir o que fazer, porque afinal o sol viera e eu podia dar uma volta pela redondeza em vez de ficar ali todo o dia!

Decidi passear, fui buscar a moto, que ficara na margem do rio Inn, aquele que dá o nome à cidade e que tem uma paisagem muito bonita do outro lado, mas que nada se via, apenas as casinhas giras e coloridas!

A Alemanha é ali ao lado e foi para lá que fui passear, havia umas terrinhas que eu tinha muita curiosidade de visitar por ali.

No caminho da fronteira encontrei uma Motorrad Classica! Coisa fota!

Parei a minha motita na berma da estrada e fiquei ali no paleio com uns senhores que me fizeram uma festa! A assombração foi total quando me perguntaram de onde eu vinha e eu nem sabia responder: “Me? I’m coming from everywhere!” brinquei, então fiz uma rápida lista de onde eu vinha enquanto eles contavam pelos dedos os 17 países que eu acabava de visitar.

Tão engraçadas as suas expressões!
E segui para o 18º país da viagem: a Alemanha!

Mittenwald fica logo a seguir!

Eu sei que Garmich-Partenkirchen é muito mais conhecida pelas suas casas pintadas, mas Mittenwald, que pertence ao seu distrito, despertou-me muito o interesse e foi a ela que eu dediquei mais tempo e atenção! E foi a decisão certa pois é mais encantadora!

A cidadezinha é um encanto, com casinhas pequenas, jardins e flores em todos os caminhos e as pinturas em todas as fachadas!

Os pormenores das pinturas são espantosos! Não são nada obra de amadores ou simples habilidosos! Quem pinta daquela maneira sabe o que faz!

Perdi-me por ali em milhões de fotos!

As ruas estavam cheias de gente, mas num ambiente calmo, nada que se parecesse com o clima frenético dos turistas ruidosos!

E eu sentia-me a passear pelas folhas de um livro de histórias de encantar!

Ao fundo a igreja despertou a minha atenção, se se pintam as casas por fora daquela maneira, como se pintará a igreja por dentro? Claro que fui ver!

Aquele teto era um pequeno deslumbramento!

Não sei o tempo que fiquei por ali a passear, mas lá decidi ir visitar Garmich-Partenkirchen, que também fazia parte dos meus planos.

Aquelas ruínhas eram deliciosas, não pude impedir-me de passear mais um pouco com a moto por elas… pronto, ok, eu sei que é interdito ao trânsito, mas eu queria mostrar aquela beleza à minha Ninfa!

A paisagem envolvente é apenas a imagem do paraíso, mesmo com as nuvens a tapar boa parte dos seus encantos!

E chega-se a Garmisch-Partenkirchen que deve o seu nome à junção de duas cidades antigas Garmisch e Partenkirchen, hoje permanece uma cidade cheia de encanto, com as suas casas pintadas como telas de museu em cenas que contam histórias desde contos locais até cenas religiosas, de uma forma extraordinária!

Frequentemente existem inscrições, dizem que elas contam a origem da casa ou a sua função, eu não conseguiria ler para entender! Mas encantei-me com muitas delas, espreitei pelas suas portas e quis entrar. Tudo parece lindo por ali, numa zona de montanha e neve a desportos de inverno.

Tudo parece lindo por ali, numa zona de montanha e neve a desportos de inverno.

Gostava de poder estar lá em época de Natal e apreciar a atmosfera que aquele ambiente deverá proporcionar por esses dias…

Eu sei que por ali tudo é lindo, por isso estava na hora de seguir mais um pouco para outra localidade encantadora!

**** ****

– De regresso ao Tirol! –

Ainda teria tempo de ir mais longe um pouco. A vantagem do verão é que os dias nunca mais acabam e, embora parecesse já tarde, ainda nem 2.00 horas eram, apenas as nuvens estavam baixas, o que fazia parecer fim de tarde!

Por isso peguei na moto e fui até Füssen, uma terrinha muito bonita e famosa por ter em seus domínios vários castelos, entre eles um muito famoso!

A cidadezinha é encantadora e estava cheia de gente gira, calma e apreciadora dos encantos do local, como eu gosto!

A terra dos violinos, a maior da Baviera, com direito a castelinho seu, e basílica, e rio e tudo!
Wagner passou na cidade…

Direito a chocolates bonitos também, até apetecia provar… se eu gostasse!

Oh, e casinhas deliciosas, em cores inspiradoras!

O seu castelinho ficava logo ali acima…

Eu achei que ele deveria ser interessante por dentro… mas não me apeteceu visita-lo! Apenas o olhei cá de baixo, numa viagem grande a gente simplesmente não pode ambicionar visitar tudo!

Preferi sentar-me numa esplanada cheia de gente, com um sol inspirador a aquecer-me a alma, juntamente com um delicioso café com nome português! Sim, nesta viagem tomei diversos cafés deliciosos! Será que a Europa está, finalmente, a aprender a apreciar café de jeito?

Tudo se passava naquela praça e não apetecia sair dali!

Na outra ponta da rua que desembocava na praça, estava a minha motita estacionada, logo depois de uma fonte inspiradora, com miúdos de bronze a brincar com a água!

Logo à frente fica o castelo mais famoso do lugar: o Schloss Neuschwanstein.

Ali ao lado há outro, mas não tem o mesmo protagonismo, o Schloss Hohenschwangau. É um castelo do séc. XIX, onde viveu o Rei Ludwig II da Baviera, sim, o mesmo que construiu o Schloss Neuschwanstein!

Lá estava ele ao fundo, o Schloss Neuschwanstein por ele eu fora ali!

Uma pena não poder ir até lá acima na moto… tive de a deixar no parque junto das outras.

Não me apetecia nada subir aquilo tudo a pé até ao topo! A paisagem é bonita mas entrando nas zonas das árvores nada se vê, apenas se caminha subindo e isso não é de todo o que mais gosto de fazer!

Por isso apanhei uma tipoia e lá fui por ali acima ao som dos cascos dos cavalos!

O castelo é imponente de perto mas seguramente muito mais belo apreciado de longe!

As paisagens que o rodeiam são fascinantes e muito mais inspiradoras para um castelo do Drácula do que as do castelo de Bran!

E as perspetivas do castelo a partir dali também eram sugestivas!

Na entrada pode-se ver o enorme busto de Ludwig II, o louco que afinal trouxe tanta coisa à Baviera, entre arte e arquitetura e riqueza, embora houvesse tanto medo que ele levasse o pais à ruina quando o depuseram por insanidade e o mataram….

Pois… a fila para visitar o castelo estava para demorar mais de 2 horas, dizia a senhora da bilheteira… mas nem era preciso muitas explicações, bastava apreciar a feira de gente que se acumulava em filas infinitas junto dos torniquetes para entrar!

“Ao tempo que eu andava para visitar o Schloss Neuschwanstein! Hoje chego lá e tinha uma fila de 2 horas de espera! Valha-me Deus! A culpa toda foi das coisas lindas que fui explorando pelo caminho e que me fizeram chegar lá tão tarde! É que o Tirol sempre me “distrai” do meu caminho e não lamento nada o tempo que gastei a passear pelas suas montanhas deslumbrantes! Aquele castelo foi obra de um “louco”, Luís II da Baviera, e inspirou o castelo da Bela Adormecida da Disney. Claro que não o visitei, não iria esperar 2 horas para voltar para Innsbruck de noite com uma luz da moto fundida … vou ter de lá voltar com mais tempo um dia destes!”

Andei por ali a passear… claro que me sentia frustrada, deveria ter começado indo ali direta e no regresso ver o resto…

Claro que me vinguei e fiz uma pequena série de desenhos do exterior do castelo! “Já que não visito desenho!”

O “contraluz” dava um ar misterioso ao castelo e eu não conseguia para de brincar com isso!

E lá em baixo a planície inspiradora…

Decidi descer o monte a pé, dizem que para baixo todos os santos ajudam e depois poderia captar mais umas perspetivas da construção!

E por fim fui vê-lo lá de baixo. As vezes que eu parei a moto para o fotografar!

Atrás de mim ficava o Schloss Hohenschwangau ao longe.

E voltei para Innsbruck, por caminhos diferentes, regressando ao belo Tirol!

“O Tirol sempre me enche de espanto, com as suas montanhas extraordinárias e estradas serpenteantes e lagos quase artificialmente verdes!

Biberwier é um dos recantos encantadores daquelas montanhas, onde a gente pára um pouco para descansar o corpo e acaba por descansar também a vista e a mente, porque o mais insignificante recanto tem como paisagem a imagem do paraíso.”

Parei e fiquei ali, deslumbrada, com a máquina fotográfica na mão, consciente de que ela nunca captaria o que os meus olhos viam! Desenhei também, mas nada se aproxima do que senti!

E fui encontrar uma capela já minha conhecida!

As vezes que eu já passei por ela!

Desta vez parei a moto e fui vê-la de perto! É no mínimo original!

Tem um Cristo feiinho lá dentro mas está muita arranjadinha e é muito bonita!

Encostado a ela tem um banco corrido onde a gente se pode sentar e apreciar esta magnifica paisagem, com a minha Ninfa lá ao findo junto à estrada!

A forma da capela é mesmo curiosa!

E por trás tem um Santo António com o menino às costas! Ou será o São João?! São Francisco, não?

E fui para casa que naquele dia ainda seria em Innsbruk, mais propriamente me Gries, no meu hotelzinho tão mimi, onde me trataram como uma princesa, com direito a jantar caprichado e uma cervejola de litro (parecia pelo menos).

E foi o fim do 30º dia de viagem…

**** ****

29 de agosto de 2013

– Até Genève passando pelo Gottardpass! –

Mais um passo longo na minha viagem a caminho de casa! Naquele dia eu atravessaria a Suíça para ir até Genève…

Eu iria fazer estradas já tão conhecidas, algumas que já fizera no ano passado, mas mesmo assim sentia-me tão entusiasmada como se não passasse no país há tempos!

Já perdi a conta das vezes que visitei ou passei na Suíça, mas tento sempre fazer coisas diferentes, dedicar minha atenção a pormenores mais distantes e foi o que voltei a fazer este ano! E por isso, embora tenha dedicado boa parte da minha viagem do ano passado ao país, sentia-me impaciente por lá voltar…

Tracei o meu caminho no mapa e fiz-me à estrada!

Claro que tomei o caminho da montanha, embora por ali todos os caminhos sejam de montanha, mas antes ainda dei uma voltinha pela terra que me acolhera, aproveitando o sol para ter uma perspetiva diferente do que vira no dia anterior!

Com sol tudo consegue ser ainda mais encantador!

A igrejinha da aldeia parecia de brincar e até o pequeno cemitério ao lado parecia mais um jardim de bonecas…

As tabuletas a receber os motards estão por ali!

E seguindo a ruínha de montanha o deslumbramento começa logo a seguir, por paisagens que no dia anterior estavam meio encobertas pelas nuvens, mas que com sol eram um encanto!

Oh a vaquinha!

É sabido que eu stresso com vacas, sobretudo quando elas se põem a olhar para mim fixamente!

Mas perece que por ali é a terra das vacas! Estava em Silz, onde as pistas de ski estão por todos os lado e as vacas parecem ser rainhas!

Pelo menos elas estão por todos os lados também e em todas as cores!

Depois é a descida, com paisagens de cortar a respiração!

Os sinais que eu esperava começaram a aparecer no chão! Oh, aquele CH tornou-me impaciente!

Estava a entrar no Liechtenstein, o 4º país mais pequeno da Europa depois do Vaticano, do Mónaco e de San Marino! Cheguei à conclusão que, dos 10 países menores da Europa só me falta visitar Malta, Chipre e o Kososvo! E qualquer um deles está na minha mira faz tempo…

Entra-se no Liechtenstein como se fosse na Suíça e tem-se a sensação de que o país é o mesmo o tempo todo!

Eu já lá tinha estado, sempre na paz e sossego de um ambiente sereno, mas, desta vez, Vaduz estava cheio de turistas, de arranca-e-pára e de obras e sei lá mais o quê!

Ainda fui até perto do castelo, que ainda não visitei, mas estava tudo sob controle, com direito a estacionar a moto longe e caminhar para caramba para a visita. Não me apeteceu nada, por isso dei meia volta e pus-me a andar!

Deixei Vaduz para trás com toda a confusão e segui para Blazers, uma cidadezinha com um castelinho no topo de uma colina, porque o Liechtensterin não é só Vaduz!

„No sul de Liechtenstein fica a vila de Balzers, com o seu castelinho medieval do séc. XII empoleirado numa pequena colina que sobressai do longo vale que segue até Vaduz. O castelo de Gutenberg esteve em ruinas por muitos séculos até que foi restaurado no início do século passado e desde então permanece lindo e imponente, do alto do seu morro. O principado é muito pequeno, apenas com 160km², e habituamo-nos à ideia que se reduz apenas à sua capital, mas há outras vilazinhas e aldeias por ali, naquele que é um dos países mais ricos do mundo! Cada vez que atravesso o país fico com a sensação de que não sai da Suíça, ou que ainda estou na Áustria, de tão pequeno que é e tão parecido com os países que o rodeiam. Ainda não lhe descobri todos os recantos e encantos, que são alguns, dado que os Alpes estão por todos os lados e as paisagens são deslumbrantes em seu redor!“

Quem o vê ali em cima não imagina que está tão perto da rua e das casas, que o têm como paisagens privilegiada!

A igrejinha é logo ao lado, com uma torre sugestiva!

Estive por ali sentada. Há momentos em que dá uma nostalgia, quando páro e me apercebo que tudo estará a chegar ao fim em poucos dias e depois a vida será como sempre foi cada vez com menos margem de manobra. Então eu tento a todo o custo captar tudo o que me rodeia, desde paisagens até emoções e sensações, porque sei que elas ficarão por muito tempo alimentado o meu imaginário em dias mais nostálgicos!

e entrei na Suíça…

Há uma série de quilómetros que eu deixara de olhar para o meu pneu da frente… eu sabia que ele estava no fim e não queria, não podia pensar muito nele ou não conseguiria conduzir direito! Eu andava a poupa-lo há tempo demais, não o queria mudar num pais desconhecido e decidira que ele teria de chegar a Genève, onde há gente que eu conheço e trata bem as minhas motitas….

E parece que as estradas conspiravam contra mim! Obras e mais obras!

Fiz um amigo que me acompanhou por boa parte do percurso!

Aproveitei que andava pelos Alpes para gastar os pneus nas bordas, só faltou andar com a moto inclinada para não gastar mais no meio! 😀

Há tabuletas muito originais por ali! Dizia aquela que eu estava a passar pela Selva!

Voltei a passar pelo Oberalppass, que é aquele que fica sempre no caminho de quem vem da Áustria e atravessa o país! Acho que o faço quase todas as vezes que vou à Suíça!

Ele vai engrenar no Furkapass, ao fundo do vale, mas no meio há uma saida para um outro passo que eu não fazia há alguns anos….

o Gottardpass!

“ No ano passado, ao passear pela Suíça, não passei no Gotthardpass, mas falei nele como um dos Passos de montanha do meu coração e várias pessoas perguntaram porquê! Pois bem, porque é lindo, é antigo e o pavimento em paralelo! Não se corre por ali, desenha-se um bailado exigente, entre a condução equilibrada e segura e o movimento de rins! Ao lado está a nova estrada alcatroada, que permite fazer o caminho rapidamente e, sobretudo, permite ver toda a beleza do Passo. Passear por ali é sempre um prazer!”

E lá estava ele, lindo, serpenteante e a pedir para ser trilhado!

O GPS mostrava o seu desenho e era muito criativo!

Parei no topo com a mesma sensação de sempre, de que a rua andava por todo o lado! Aos anos que eu não passava ai!

Lá em cima fica a estrada nova, com vista panorâmica para o velho passo!

E comecei a descida. A meio estava uma série de motas paradas com os respetivos tripulantes em magotes por perto. Bateram-me palmas quando passei!

A dada altura olha-se para cima e a estrada desaparece em muros que são quase varandas, por ali acima!

Sim, andei ali para cima e para baixo porque da primeira descida parei tantas vezes para fotografar que voltei para fazer a coisa bem feita depois!

Quando me perguntam qual a diferença entre fazer um daqueles passos de montanha e fazer as nossas estradas cheias de curvas também… para além da quantidade de curvas alucinantes alinhadas num passo daqueles, uma das grandes diferenças é o deslumbramento da paisagem dos Alpes que é sempre exuberante!

Então voltei para trás pela estrada nova para poder apreciar o passo em toda a sua dimensão e encanto!

É sem dúvida um dos passos mais bonitos que conheço!

O topo do passo tem, como sempre, um ponto de acolhimento, o Hospice do Gotthard e o National St. Gotthard Museum

Mas eu já não visitaria mais nada, agora a minha pressa era chegar a Genève e a minha aflição… era conseguir chegar mesmo sem nenhum percalço no pneu….

E eu ainda tinha de fazer muita montanha, por isso fui aproveitando para queimar pneu nos lados!

Do Furkapass via-se o Grimselpass… como ele estava diferente este ano!

Ali ao lado a nascente do Ródano… que eu tenho de visitar numa próxima oportunidade!

E a famosa curva suspensa que carateriza o Furkapass!

A gente vai andando e vendo o que deixou para trás, estradas que sobem montanhas são visíveis de muito longe!

O Grimselpass visto cá de baixo, mais uma filinha de muros que encobre uma estrada muito interessante de fazer!

Nesta altura eu já não queria saber de mais nada senão chegar a casa…. Queria parar a moto e so voltar a pegar-lhe quando tivesse pneu novo!

E assim foi… cheguei em paz a casa, que naquele dia era em Genève!

E foi o fim do 31º dia de viagem

**** ****

– Genève, memórias do meu passado! –

30 de agosto de 2013

• Aviso: este relato é de interesse particular e pessoal… provavelmente nada de especial dirá a quem o ler, porque o escrevi para mim e apenas tornei público para seguir a sequência da viagem… em termos turísticos vale o que vale… Espero que não achem de todo aborrecido! 😀

*** ***

Decidi voltar a Genève com o espírito da comemoração!

Eu que não sou nada de datas, de comemorações especiais, de “hoje estou triste ou contente por que é o dia tal” decidi visitar Genève com o espirito de “faz agora 20 anos!”

Genève será sempre aquele recanto da minha vida que ditou o ponto de viragem, o ponto em que eu pude ser eu à minha maneira, sem ninguém para cuidar ou para agradar, apenas eu e os meus sonhos e descobertas!

Em 1992 eu concorrera com um projeto de trabalho, de continuidade da minha obra, e em 1993 ganhava uma bolsa de estudos artísticos para um ano na Escola Superior de Belas Artes de Genève, hoje chamada “Haute école d’art et de design – Genève”. Não conhecia ninguém, nem na cidade nem no país, a bem dizer nem sabia muito bem onde ficava Genève! Embora eu tivesse concorrido para uma bolsa de estudos na Suíça, pensei que Genève seria uma outra forma de dizer Génova! Quanta ignorância!

Na época meti os meus livros mais importantes, os meus pinceis, as minha toneladas de latas de tinta em grandes sacos de viagem, tudo misturado com roupas, cadernos, toneladas de lápis e bonecos de peluche, e fui embora, com uma carga de mais de 50kg e uma carta de uma pessoa importante da TAP, para me deixarem viajar com todo aquele peso, sem pagar excesso de carga.

A coisa correu bem, a bolsa acabou por ser renovada e eu fiquei por lá de 1993 até 1995, estudando, pintando, escrevendo e desenhando como nunca fizera antes, pois era a primeira vez em muitos anos que eu recebia dinheiro para estudar, sem ter de ter um emprego, como acontecera por cá, durante os meus estudos…

E também foi a primeira vez na minha vida que fui tratada como artista plástica e não como aluna de pintura! Que sensação e quanta responsabilidade!

E eu dediquei este dia a percorrer alguns dos meus caminhos mais queridos na cidade!

***

Comecei o dia observando finalmente o pneu da frente da minha motita…

Mal olhei para ele percebi que não olhar para ele antes foi a melhor coisa que podia ter feito, porque ele estava completamente liso e se eu tivesse constatado isso no dia anterior não teria conseguido conduzir decentemente até ali!

Bora lá visitar os meus amigos a ver se têm um sapatinho novo para a minha bonequinha!

Fui recebida com um “Olha, estou a conhecer esta moto! Quantos quilómetros já tem?”

“Olhe que não conhece!” – exclamei eu deixando o homem confuso.

“Claro que conheço a moto, já esteve aqui varias vezes com ela!” – é claro que ele lembrava-se da outra moto, a Magnífica, que foi ali varias vezes para ver pressão dos pneus e tal.

“Olhe que não foi esta! Esta é nova!”

Ficou muito surpreendido por eu ter comprado uma moto igualzinha à anterior, ficou encantado por saber que a Magnifica chegou à bonita quilometragem de 261.000km na minha mão e que continua vivendo feliz e mais tranquila na mão de outra pessoa e pediu-me meia hora para trocar o sapatinho da motita, não sem antes me dizer com ar de espanto “Diz que é nova e tem 36.000km?? Comprou usada?”

“Não, eu é que já fiz esses quilómetros todos com ela.”.

E fui passear para um recanto da cidade que fica logo ali, no ponto em que o Lago Leman se converte de novo no rio Rhone, em percursos de terra batida por entre árvores, como se estivéssemos longe da cidade, que está ali à porta.

Aquele rio sempre me fascinou, com todo o lago a descarregar nele, um lago imenso com mais de 500km² de área e diversas cidades e aldeias em seu redor e a água chega ali límpida e transparente, como se saísse da torneira naquele momento! É espantoso!

Ali ao lado há uns muros onde é permitido fazer grafitis e, no meu tempo, cheguei a fazer uns quantos a solo e com amigos! Fazer grandes pinturas sempre me apaixonou, ainda hoje não perco uma oportunidade de fazer um mural!

Como na época, hoje continua a haver por ali uma série de grafitis!

A montante fica a cidade e o lago…

E ao longe, pelo meio das casas pode-se ver o grande jato de água. Acho que ele é visível de quase todos os pontos da cidade!

E a meia hora passou, a moto devia estar pronta que aqueles homens não brincam em serviço!

E estava! Foi só pô-la na rua enquanto eu pagava e pronto!

Dá-se uma voltinha, atravessa-se a ponte e lá está o lago limpinho e transparente que até confunde!

E o jato de água!

Há números extraordinários ligados àquele jato: por aquele furinho são projetados 500 litros de água por segundo a uma velocidade de 200 km/h que a elevam a uma altitude de 140 metros, o que faz com que cheguem a estar no ar cerca de 7.000 litros para formar aquele imensa torre de água!

Quando a gente passa perto dele, se o vento mudar de direção, corremos o risco de apanhar um grande banho! Naquele dia estava pouco vento, por isso a água caia quase sobre si própria e a gente molhava-se um bocado ao passar para o outro lado, a ponta do cais! Claro que meti a máquina debaixo da blusa e passei! Eheheh

Passei muitas tardes ali sentada nos degraus do cais a estudar, a escrever e a desenhar, com aquela paisagem inspiradora como companhia…

Depois fui até Place Neuve, é ali que fica a Ópera de Genève e o Jardin des Bastions, onde fica a Universidade… onde fica tudo o que eu associo aos meus estudos e tempos de trabalho intelectual

Não era só eu que ia para ali “dar cabo da cabeça”, há sempre gente a jogar xadrez ou damas por ali e dão cabo da cabeça também!

Mas o sítio onde eu dava cabo da cabeça não era propriamente nos jogos à entrada do parque! Era mais à frente, onde me estendia no relvado e lia e escrevia por horas a fio! Pois é, quem diria que um pintor tem de ler e saber tanta coisa tão variada, como fazer uma tese sobre “Le sign et le signal visuel”?

Estamos no Jardin des Bastions, chama-se assim por ficar aos pés da muralha antiga da cidade. O jardim é lindíssimo e dá acesso ao edifício da universidade, a Uni Bastions, por isso os relvados, em tempo de primavera, estão frequentemente repletos de estudantes sentados a estudar… eu também ia para ali preparar-me para as apresentações dos meus temas em estudo….

No meio do parque, encostado à estrada que sobre na direção da zona alta da cidade, fica o muro dos reformadores, com as estátuas enormes dos 4 grandes fundadores do movimento da reforma protestante.

William Farel, João Calvino, Theodore Beza e John Knox. Os 3 primeiros diretamente ligados a Genève e sua universidade de e o ultimo ao protestantismo na Escócia.

Todo o muro está cheio de referências históricas e personagens ligadas à reforma.

No chão estão os brasões das partes envolvidas mas, pessoalmente sempre adorei o de Genève, com o seu galo e a chave! Lindo!

E mesmo em frente, lá está a universidade…

Um edifício extraordinário com 450 anos, onde eu passei alguns momentos memoráveis…

neste auditório!

A perspetiva desde o “púlpito” onde a gente fala é de respeito, sobretudo se imaginarmos todas aquelas cadeiras repletas de gente preparada para nos ouvir e pôr questões…

É uma sensação pisar o mesmo chão onde Calvino pisou, falar onde ele falou!

Quase em frente fica a Uni Dufour, um edifício em betão armado inspirado em Le Corbusier. Ali fica a parte administrativa e era lá que eu, e todos os bolseiros da Confederação, eramos recebidos e tratávamos de todos os assuntos relacionados com a nossa estadia, remuneração e pequenas coisas que surgissem. Era dali que partiam todas as iniciativas para nos levar a conhecer o país, convívios e outras ofertas dirigidas a nós!

Decidi pousar a moto e apanhar o autocarro ou o “tram” (metro, será?). Na pousada de Juventude dão-nos um passe para podermos usar todos os transportes públicos da cidade e eu quis dar uso au meu e fazer algumas linhas que eu usava quando lá vivi.

Ao contrario de cá, nada mudou! Os autocarros têm os mesmos números, fazem os mesmos trajetos e continuam a chegar exatamente à hora prevista!

A Rue de la Confederation fica logo a seguir e, quando passa a ser a Rue du Marché, lá estavam uns fulanos a desenhar no chão! Não resisti e desci ali mesmo!

Um dia saí para a rua com um grupo de alunos para pintarmos na rua e fomos precisamente para ali, com um grande rolo de papel cartonado e montes de caixas de pastel seco e fizemos uma coisa daquelas. Cada um tinha uma imagem de uma obra famosa que iria inserir numa imagem maior, ao vivo para a população ver.

A finalidade não era ganhar dinheiro, era apenas sentir a experiencia de pintar ao vivo e em conjunto. De repente as pessoas começaram a atirar moedas para cima do desenho! Aquilo era giro mas era uma chatice andar a catar moedas nas zonas onde o desenho já estava pronto pois o pastel não tinha fixador e estragavam-se pormenores ao tocar. Então eu tirei o chapéu, (sim, eu lá andava sempre de chapéu também) e pousei-o no chão, fora da zona do desenho e, espanto, as pessoas encheram-no de dinheiro por mais que uma vez! Tive de o esvaziar várias vezes! Acabamos por ir todos confraternizar com o lucro da obra e comemos bem pois, no final, o dinheiro era mesmo bastante!

Voltei a apanhar o autocarro… eu tinha de ir às Belas Artes, essa sim, a minha escola!

Aquele edifício é espantoso!

L’École des beaux-arts de Genève foi fundada em 1748, quando lá estive era chamada de École superieur d’art et design- ESAD e a partir de 2007 passou a ser a Haute école d’art et design – HEAD.

Entrei pela parte de trás… aquela escadaria sempre me fascinou!

Oh, entrar ali depois de tanto tempo teve o seu efeito…

Grandes portas de espelho, fascinaram-me! Quem teve a ideia é genial, pois a sensação que provoca é muito curiosa!

A escadaria… quantas vezes as subi carregada de tralhas, que o meu atelier era no 3º andar!

E lá estava o meu atelier… meu e de muita gente, claro!

Eu era assim na época, aqui junto com os meus meninos em dia de avaliações, uma foto que foi tirada para memória futura…

A tradição mantem-se, no final de cada semestre todos os ateliers são esvaziados do seu conteúdo, o chão limpo e as paredes pintadas de branco, para que sejam feitos os júris de avaliação.

Faz-se uma escala de todos os ateliers, de forma que cada aluno fique com uma sala para si, onde vai expor o seu trabalho para ser avaliado publicamente por um júri de 5 especialistas e toda a população que queria assistir!

Por isso o atelier estava tão limpinho e vazio naquele dia! Era agosto e os júris tinham sido no fim do ano letivo!

O mundo lá fora, olhando pela janela!

Oh aquelas portas de espelho! Lindas!

No andar de cima fica a maior parte dos ateliers, por isso os corredores estavam mais cheios das tralhas que tinham sido retiradas das salas!

Eu sentia que estava a ficar mais emocional… há coisas que tocam tão profundamente, não porque são particularmente belas, mas porque são particularmente amadas… eu podia ter ficado ali toda a minha vida… se não tivesse feito as escolhas menos acertadas…

Saí dali e fui caminhando pela redondeza. No meu caminho ficava a Igreja Russa.

Lembro-me que passava ali a cada passo, desenhei-a por diversas vezes…

Na outra ponta do quarteirão das belas Artes fica o Museu de Arte e História, com uma escultura do Henry Moore mesmo em frente!

Lembro-me que a primeira vez que a vi ali, fiquei escandalizada! Como podia uma escultura de Henry Moore estar ali “à mão” de qualquer um, onde as crianças brincam e sobem sobre ela? E ela lá continua..

em frente do imponente museu!

Dali também se vê o jato de água, lá em baixo no lago!

E a cidade velha fica logo ali

onde fica a catedral onde Calvino palestrou!

E de tantas catedrais que visitei pela minha vida fora, nunca referi uma das que mais profundamente ficou na minha memória: a Cathédrale Saint-Pierre de Genève ! Um edifício ligado à fundação da cidade, que vem do séc. IV, cheio de história até se tornar protestante no séc. XVI. Guilherme Farel pregou ali a reforma e a catedral foi despojada de tudo o que foi considerado supérfluo…

Hoje é também um edifício cívico onde tomam posse os corpos do governo cantonal.

Continua linda, lisa e limpa, com foi deixada depois de esvaziada…

É umas das catedrais que mais visitei, acho que mais do que a nossa Sé do Porto! Porque ía ali muitas vezes, passava ali algum tempo, desenhava, passeava, subia à torre, via Genève lá de cima e seguia para a escola….

Eu não sou uma pessoa religiosa mas sempre apreciei o ambiente gerado por uma catedral, sobretudo se for medieval, românica ou gótica! Eles sabiam como provocar sensações nas pessoas!

Ao fundo existe uma capela extraordinariamente bela, chamam-lhe “la chapelle des Macchabées” , porque dizem que os restos mortais dos Irmãos Macabeus estão lá. O estilo gótico num recanto de beleza que já foi usado como escola no tempo da reforma, que deixou por lá vestígios. Hoje está ali, recuperada e belíssima, onde apetece passar um bom momento de paz!

Na frente fica o largo que permite apreciar toda a imponência do edifício com a sua fachada neoclássica! Na realidade a catedral junta 3 estilos: românico, gótico e neoclássico!

Mais um passeiozinho e passei na Mairie, ou Hôtel-de-Ville, ou camara municipal da cidade. Sempre gostei muito daquele edifício, com origem no séc. XV e desenvolvido ao longo do século seguinte. Ali foi assinada a convenção de Genebra, que tem a ver com os direito humanitários em tempo de guerra!

Mas a torre em rampa é que sempre me fascinou! Aquela rampa foi construída no séc. XVI e permite chegar lá acima sem subir um único degrau!

O edifício é lindo, histórico e imponente!

Como não podia deixar de ser… passei na minha “casa”…

Não tive coragem de entrar, nem de pedir para subir até ao quarto 12.12, lá no 12º andar, de onde eu podia ver a planície até à fronteira de França, com o Mont Salève ao fundo…

Um dia eu vou faze-lo! Vou marcar uma ou duas dormidas na Cité Universitaire, para poder viver a sensação de estar ali!

Na época eu tinha uma motoreta pequenita de dar aos pedais, cá está ela estacionada em frente à Citè. É a do lado direito, tão fofinha com o capacete pendurado no guiador… (foto digitalizada)

Dei a volta ao edifício e a minha janela fica tão lá em cima! Afinal é um 12º andar, com vista panorâmica! Lá está ela na ponta da fecha…

O edifício é antigo mas muito bem conservado e situado! A cite é composta por 3 edifícios que albergam 600 estudantes de 70 nacionalidades diferentes! É uma verdadeira cidade, com direito a sala de cinema, restaurante, discoteca, lavandaria, supermercado e sei lá mais o quê!

Então subi ao Salève… aquele monte fantástico que eu via da minha janela e que visitei por diversas vezes subindo o teleférico. De moto, há muito tempo que não subia…

“Ao tempo que eu não subia ao Salève… chamam-lhe o Balcão de Genève, porque fica mesmo a seu lado, elevando-se a mais de 1.000 m de altitude, com uma perspetiva deslumbrante sobre a cidade. Eu via-o da janela do meu quarto, quando vivia na Citè Universitaire, e ele maravilhava-me a cada amanhecer, com o rio Arve a serpentear entre mim e ele, vindo dos Alpes. Quantas vezes por ali passeei, com neve e nevoa que tornava a perspetiva da cidade misteriosa e fantástica, quantas vezes eu senti que iria recordar aqueles momentos com nostalgia e uma vontade incontrolável de voltar para trás no tempo e reviver tudo de novo… e desta vez, 20 anos depois, revivi mesmo…”

Eu nunca me cansaria de olhar aquela cidade…

**** ****

– Annecy e o seu encantador lago…

Estava no Salève e decidi continuar o meu caminho rumo a uma cidade de encanto que eu visitei vezes sem conta, tanto quando estava em Genève, como a cada vez que passei por aqueles lados!

Segui pelo monte abaixo pelo lado oposto ao que subira, por ruas muito bonitas e deliciosas para fazer de moto,

por entre aldeias e pastos verdes com vaquinhas a pastar e tudo!

Sim, deixei a motita e fui ver as vacas! Eu só tenho medo delas quando estou em cima da moto! Quando estou no chão não tenho qualquer medo! eheheheh

E cheguei à ponte de la Caille… oh aquela ponte! Eu já passei ali com 5 das minhas 6 motos, este foi o momento em que a Ninfa lá passou!

Aquela ponte é pênsil e tem quase dois séculos. O seu piso é em ripas de madeira com pequenos espaços, o que faz com que quem tem vertigens não a consiga atravessar, pois fica suspensa sobre um abismo de 147 metros de profundidade!

As saudades que eu tenho de ver aquilo tudo cheio de neve…

Um dia terei de apanhar um avião qualquer, durante o inverno, e ir ver…

A seguir aparece o lindíssimo lago…

O Lago de Annecy é um dos amores que ficou até hoje no meu coração, juntamente com o Lago Leman! Tão lindo e misterioso, tão inesperado e surpreendente, como a cidade que lhe dá o nome!

Mas antes de ir visitar a cidade fui molhar os pés mas águas limpíssimas e apreciar os encantos da paisagem por caminhos bem inspiradores!

Rodeado de montanhas e paisagens deslumbrantes nunca se esgota em visita alguma, como se os seus encantos fossem infinitos!

Aquele lago e aquela paisagem sempre me transmitiram serenidade! É considerado um dos lagos mais bonitos do mundo e não é por acaso!

Depois do Lago Leman, é o lago que eu mais visito, sempre que posso, sempre que passo, porque a complementar a sua beleza, a cidadezinha é encantadora!

Há por ali diversos passos de montanha deslumbrantes, de onde ele é visível em toda a sua dimensão, mas neste momento apenas mostro o seu encanto próximo de mim, quando parei e molhei os pés nas suas águas!

É nestes momentos que eu tenho a certeza de que o paraíso existe…

A próxima vez que for ali tenho de ver aquilo tudo de cima, num voo em asa-delta ou parapente que será seguramente o deslumbramento total!

E estava na hora de descer até à cidade… descer de um paraíso natural para um paraíso urbano! Sim, é possível!

Até as estradas mais “banais” por ali são encantadoras!

E lá estava Annecy, a Veneza francesa, ou Veneza dos Alpes, com a sua arquitetura medieval e os seus límpidos e encantadores canais!

Annecy já pertenceu ao condado de Genève e encaixa totalmente no ambiente do país vizinho!

As perspetivas dos canais são sempre encantadoras em todos os momentos do ano!

Lembro-me de fazer os trinta e muitos quilómetros de Genève até lá, na minha motoreta, para passar ali o dia, naquele ambiente de beleza quase artificial!

Ora se eu fazia tal distância numa motoreta que não andava nada, como não poderia lá ir com motos tão grandes e potentes como as que vou tendo hoje?!

O “meu” restaurante fica ali, no lado direito, com o tolde vermelho…

Lá estava ele! É ali que eu janto de há uns anos para cá, a cada vez que visito a cidade!

É lindo por dentro!

Mas foi na esplanada que eu comi desta vez!

Claro que escolhi mexilhões! Eu lá podia passar por França sem comer dos seus deliciosos mexilhões?

Fim da visita, bora lá buscar a motita e voltar para casa… que naquela noite ainda seria em Genève…

O jato de água é lindíssimo de noite, com a iluminação a dar-lhe um toque sobrenatural de brancos translúcidos…

E fui até ao meu parque, o parque Lord Byron, onde eu passei tantos dos meus dias e dos meus serões em tempos… e de onde a cidade cintila ao longe!

Um cruzeiro apareceu na água negra e trouxe-me memórias antigas…
Na véspera da minha partida, o meu regresso a casa depois dos meus estudos acabarem, o departamento dos bolseiros organizou um jantar para a despedida. Esse jantar foi a bordo de um dos grandes cruzeiros no lago e, quando o barco passava perto do jato de água, já no regresso, era hora do jato ser desligado e, à medida que o barco passava, o véu branco da água foi recolhendo por muito tempo, cintilando na luz branca de forma verdadeiramente deslumbrante!

Essa foi a minha imagem da despedida que ficou até hoje…

E foi o fim do 32º dia de viagem…

**** ****

31 de agosto de 2013

– Andorra, a penúltima etapa… –

Logo pela manhã fiz bosta ao limpar as viseiras do capacete pela “enésima” vez!

O Schuberth c3 é um ótimo capacete e tal, mas tem fragilidades que me surpreendem, como aquela viseira interior que é tão flexível que me pareceu sempre que poderia partir a qualquer momento com a pressão ao ser limpa! E é verdade! Apesar de todo o cuidado com que sempre o faço… ela partiu mesmo no encaixe! Bolas, teria de procurar uma nova em Andorra!

Como em tantas outras viagens, desde a primeira vez que estive em Genève, chegou a hora de ir embora! De novo a cidade teve o ar de despedida e eu nem sabia mais do que me despedir pela última vez, desta vez!

De novo eu quis ficar e não voltar mais para casa, de novo tive a vontade de ir a todo o lado rever tudo pela última vez como da primeira vez….

E como em outras viagens, acabei por ir até ao “meu” parque… queria ver aquilo tudo de novo a partir de lá, depois da perspetiva noturna do dia anterior! Da próxima vez terei de ir ali captar um pôr-do-sol extraordinário como já captei tantos, por agora fiquei com a imagem da cidade ao sol da manhã…

Aquilo é lindo visto dali…

Há sempre uma imagem dali que me fica na memória, é inevitável!

Depois desce-se até ao lago e… hora de partir!

Oh aquele lago sempre me encanta!

E parti…

Apanhei a autoestrada, já que é para ir embora façamo-lo depressa…

Ao passar a portagem cruzei com 3 motos suíças, uma delas era uma Goldwing com sidecar e, para meu espanto, transportava algo com grandes rodas sobre ele!

Uma bicicleta?

Curioso, um casal a passear de moto com uma bicicleta amarrada ao sidecar! Atrasei a marcha para os deixar passar e apreciar o conjunto!

Então quando eles me passaram, espanto! Não era uma bicicleta, era uma cadeira de rodas mesmo!

De repente tudo fazia sentido! Nada nos impede de realizar o que sonhamos, desde que sejamos inteligentes! A Goldwing tem até marcha atrás, por isso não é preciso usar os pés para move-la, o sidecar não deixa a moto cair para o lado, e a pendura facilmente liberta a cadeira de rodas para que o condutor possa subir para ela!

Simplesmente não conseguia seguir o meu caminho e fui por muito tempo junto deles a apreciar aquela maravilha de gente!

Uma viagem por autoestrada nunca tem muito o que contar, até se sair dela e se começar a ver coisas bonitas, que é o caso dos Pirenéus!

E Andorra logo a seguir!

E começou a minha epopeia na procura de uma viseira interior para o meu capacete!

Acabei por visitar todas as casas de material para motos em Pas de la Casa, onde parece que toda a gente me conhece já! A verdade é que vou ali tanta vez que até a minha moto já é conhecida e dá sempre nas vistas!

Não havia viseiras para o meu capacete em lado nenhum, toca a subir o monte para ir para Andorra-la-Vella…

Ui, a quantidade de fotos que eu já tirei junto àquela tabuleta, acho que a cada vez que lá passo faço uma nova foto!

Não sei porquê, mas frequentemente sinto que fazer aquela estrada é como se já estivesse a passear em casa…

Parecia Natal em Andorra! Naquele restaurante parece sempre, nunca tiram as luzinhas!

A motita dormiu num parque onde uma Africa Twin ocupava mais espaço que uma Pan e uma FJR juntas! Ainda dizem que as mulheres não sabem estacionar! No que diz respeito a motos acho que poucos homens sabem estacionar a sua moto sem ocuparem todo o espaço possível!

Fiquei hospedada num hostel onde as pessoas eram muito simpáticas e comunicativas, quiseram saber muita coisa sobre mim e a minha viagem e eu aproveitei para saber informações precisas sobre Andorra e explorações que pretendo fazer por ali.

E foi o fim do 33º dia de viagem…

**** ****

1 de setembro de 2013

– Fim de uma bela história… regresso a casa… –

Andorra-la-Vella não é a cidade mais bonita que conheço, é mais aquela espécie de supermercado onde se aproveita para comprar umas coisitas, como o meu perfume, ou um radio para o carro do moçoilo. Dá-se umas voltitas por ali e está tudo visto… ou será que tenho essa sensação porque passo lá vezes sem conta, ano após anos de há muitos anos para cá?

De qualquer maneira as pessoas são simpáticas e até se torna agradável andar por ali a ver montras… de material motard! Pois, estava na hora de continuar à procura de uma viseira para o meu capacete!

A dada altura eu já nem tirava o capacete, simplesmente pousava a moto à porta da loja, entrava um pouco e perguntava “tem uma viseira interior para este capacete?” e apontava para a cabeça “Ah, não! Vá à loja XX»” e eu seguia para a tal loja!

E ía-me divertindo um pouco por aqui e por ali!

É inacreditável como um capacete tão bom, de uma marca tão importante, não tem em nenhum dos seus representantes uma porcaria de uma viseira para vender! É mais fácil comprar um capacete novo que uma viseira para o que tenho? Pois, parece que o que importa é vender, agora cuidar do que se vende, nem por isso!

Acabei por fazer amizade com gente boa, uns portugueses outros espanhóis, mas todos muito simpáticos e curiosos sobre a minha moto, os seus autocolantes e os sítios onde fui com ela!

E vim embora com a viseira colada com fita-cola e até hoje ainda ninguém me arranjou a porcaria da coisa! Está encomendada à Schuberth desde setembro e… nada ainda!

A viagem acabaria logo a seguir! É sempre a sensação que tenho quando passo os Pirenéus para o lado de Espanha, por isso não me interessaria ir a mais lado nenhum…

Uma coisa que eu aprendi recentemente, numa das últimas viagens que fiz, foi que não adianta alongar por Espanha o que terminou em França ou Andorra, porque o sentimento já é de saudade da viagem e tudo parece ter o sabor da despedida! Então, sendo assim, o melhor é atravessar o país e vir para casa! Saudade por saudade, mato as saudades da viagem com o regresso a casa para junto do meu moçoilo…

Entretanto, depois de combinações descombinadas eu, que deveria passar em Pedrola, na terra do Rui Vieira, para dizer um olá, recebo a mensagem de que o homem afinal combinara tudo mal e não estaria por lá!

Mas eu fui na mesma! Ora aí está uma boa maneira de não fazer sempre os mesmos caminhos e dar uma volta pela terrinha do rapaz!

É um pueblo pequeno e simpático com um canal “à porta”, onde a gente dá uma volta, ficam algumas pessoas a olhar, a gente segue caminho e tudo volta ao normal!

E segui para casa… há uma nostalgia em cada regresso e a Espanha potencia esse sentimento com as suas planícies de perder de vista…

Voltei a passar em Peñafiel, cujo castelo ainda não visitei mas está agendado para uma próxima passagem…

Mas tirei a dúvida: sim, é geminada com a nossa cidade de Penafiel, onde vivo, como eu imaginava! Está ali o brasão cá da terra estampado na placa! Adorei!

Ao longe começou a aparecer uma coluna de fumo muito intensa! Puxa, que grande incendio por ali haveria!

Foi quando entendi que as coisas que me diziam eram mesmo verdade: o país estava a arder!

Depois de mais de 17 mil quilómetros, em que apanhara temperaturas proibitivas, países pobres e com as matas cheias de lenha apetitosa para arder à toa, eu apenas vira os vestígios de um pequeno incendio na Bósnia! 20 países sem fogos nem vestígios de terra queimada!

E o meu país? Estava a arder!

Entrei por Chaves e, de lá até Penafiel vi 8 colunas de fumo, sem esquecer que para sul de Penafiel tudo era fumo, por isso os fogos continuavam às dezenas por aí abaixo. O ar cheirava a queimado, o céu era meio negro, meio castanho…

…e cheguei a casa!

Com direito a receção, com fotógrafo de serviço a registar a minha entrada…

… com a cara toda queimada, o nariz vermelho, depois de ter largado já a pele, mas muita satisfação pelo caminho percorrido na maior paz!

E foi o fim do último dia de viagem!

Cheguei a casa depois de:

34 dias
17.500 km
20 países
8.000 fotos
885 litros de gasolina
1.050.53 € em gasolina
649 € em dormidas
41 € em portagens
E resto foi mais em bebida do que em comida…

Despesa total: 2.215.48 €

O que me faltou?
Um pouco mais de tempo para explorar tanta beleza que tive de deixar para trás!

O que sobrou?
Encanto, beleza, surpresa e simpático acolhimento em todo o lado!

O que valeu a pena?
Seguramente que valeu a pena ignorar, mais do que nunca, todos os medos, e avisos, e temores, de uns e de outros, e ir onde queria ir!

O que teria dispensado?
Tanto calor, por tanto tempo, quase até ao esgotamento físico, porque a moral, nada a esgotaria!

O que me apetece dizer ainda?
Esta foi uma das viagens mais extraordinárias que fiz, por isso vai ter continuação!

O mapa das voltas que dei nesta viagem aparecerá mais tarde, pois está uma trapalhada que tenho de rever!

Adeus e até ao meu próximo regresso à estrada!

F I M

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s