II – Irlanda & Reino Unido – Passeando por caminhos celtas

9. até Galway passando pela Peninsula de Dingle!

4 de agosto de 2014

A frustração de andar à procura de algo e não encontrar aguçou o meu apetite e meu esprito teimoso!

Não que eu seja particularmente teimosa ou preocupada em cumprir programas, mas havia algo que eu queria ver desde mesmo antes de sair de casa e, andar tão perto, saber disso e não conseguir encontrar, arreliou-me um bocado. Eu não iria sair dali sem tentar de novo, por isso no dia anterior procurei a localização certa no Google maps, coloquei-a no Gps por toque, já que ele desconhecia o sítio, e fiz-me à estrada.

Naquele dia eu seguiria para Galway e decidi faze-lo percorrendo parte do caminho do dia anterior para tentar de novo…

Eu nem gosto de repetir caminhos por isso acabei por inventar um bocado, só para não fazer a mesma rua para o mesmo lugar! E ali a gente nunca se arrepende pois, mesmo que não haja nada de especial para ver, as casinhas comuns dos habitantes anónimos, são deliciosas!

Embora passasse em Clonakilty, que aquela hora da manhã estava calma e colorida que até apetecia ficar mais um pouco.

Logo a seguir, tal como eu suspeitara no dia anterior, voltava a sair das estradas nacionais e seguia pelas ruelas de risca ao meio para encontrar o que tanto procurava!

E lá estava ele: o Drombeg Stone Circle…

Escrevia eu na minha página do Facebbok:

“Eu ontem tinha-o procurado, mas sem sucesso! Muito carro na rua, muitas festas nas cidades foram-me distraindo do meu caminho e eu não consegui chegar até ele. Mas depois de bem estudado o caminho, voltei lá hoje! O Drombeg Stone Circle, também conhecido como The Druid’s Altar, era um dos sítios que eu queria muito visitar. Trata-se de um vestígio megalítico remarcável e de uma beleza impressionante, se pensarmos a quantas épocas sobreviveu, desde um passado tão distante. Senti-me verdadeiramente em frente a um altar: um altar da história da humanidade!”

Eu sentia como se pisasse solo sagrado… essa sensação percorrer-me-ia diversas vezes nesta viagem, porque os sítios funcionam como uma maquina do tempo ao contrario, fazendo chegar até nós coisas tão antigas que a nossa mente quase não consegue contabilizar o quanto!

E tudo está ali, ao alcance do toque das nossas mãos, como se muito natural fosse! E estamos na presença de construções com mais de 3000 anos!

Hoje a gente sabe e consegue reconhecer que ali ao lado era uma casa, e uma cozinha, construções posteriores ao círculo mas, a esta distância, parecem tão antigas como ele!

Fiquei por ali uma infinidade de tempo! Sentei-me num canto, onde o desnível formava um longo degrau de terra relvada, e desenhei!

Claro que não podia ficar ali o dia todo mas podia prolongar o prazer seguindo o meu caminho por ruínhas desertas mas ladeadas de casa espantosas! Continuei a confirmar que por aquele país se vive muito bem!

Casas que são mansões com grandes terrenos e relvados em redor, um espanto!

A natureza é encantadora e quando penso na Irlanda não consigo deixar de pensar que ela está por todo o lado, como na Escócia!

E ali parece que a natureza e a habitação estão sempre em harmonia!

Eu tinha de parar de fotografar as casas espantosas ou iria fotografar um milhão delas até sair do país, já que todas as casas são espantosas por lá!

Cortei a direito então pra me dirigir para Dingle e passei por Macroom. Havia tanta coisa para ver por ali mas eu iria seguir! Embora o tempo estivesse a ficar cinzento havia muita gente por ali,

Nem pensar em visitar o castelo!

Quando a paisagem natural me despertava muito mais interesse naqueles dias!

Mais um pouco e estava em Inse, tão pertinho de Dingle que se sentia!

Curioso como as pessoas aproveitam o tempo, se fosse cá, com o frio e aquelas nuvens não haveria ninguém na praia!

Curioso também era as pessoas levarem os carros até à areia!

E a península de Dingle é linda! Impossível seguir sem parar aqui e ali para ver a paisagem!

Eu sabia que as cabras eram alpinistas, mas as vacas? Não fazia ideia!

E lá estava o Gallarus Oratory, que me trouxera até ali!

Traduzido à letra o seu nome quer dizer “Igreja do Lugar dos Estrangeiros” é datado entre os séc. VI e IX e pensa-se que teria recebido peregrinos de fora da península.

Parece um barco de pernas para o ar e é uma construção dos primeiros cristãos da península, por isso era mais um solo sagrado que eu pisava!

Eu andava ali, de um lado para o outro, completamente fascinada com aquilo tudo!

Ao lado fica uma enorme sepultura a que chamam Tumulo do Gigante!

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E dali a paisagem ao longe também é encantadora! Afinal estava numa das penínsulas mais bonitas da ilha!

E, embora estivesse bastante longe do meu destino daquele dia, eu iria passear por ali com toda a calma, levando a moto por caminhos e carreiros até praias e enseadas…

Tudo é tão perfeito e intocado por ali!

Lá fui andando e parando uma infinidade de vezes!

Depois de dar a volta podia ver a praia onde estivera antes ao longe! Tudo parece pequeno comparando com a imensidão da paisagem!

Todo o condado de Kerry é espantoso, mas o West Kerry, aquela ponta da península que se forma ali, é algo de indescritível. Eu via os carros a seguirem pela estrada nacional, bem devagar, como quem olha a paisagem, mas não os segui! Meti por uma ruela estreitinha, que se foi afastando deles e descendo e aproximando do que eu queria ver.

Oh a paz que se sentia ali em baixo, sozinha eu e a minha moto, com as ovelhas a pastar placidamente logo abaixo e o mar!

A costa é recortada de uma forma abrupta e irregular, com o verde da relva a chegar tão perto que tudo parecia quase artificial! Senti uma alegria imensa… afinal estas paisagens existem no mundo real, não apenas nas imagens de “screensaver” em sites da net!

Senti-me imensamente agradecida e privilegiada, por poder estar ali sozinha, com todo o tempo do mundo ao meu dispor!

Até os bichitos convivem pacificamente com a gente, o que quer dizer que não estão habituados a ser maltratados pelo ser humano!

Os cursos de água têm o seu caminho traçado através da rua, pedras alinhadas formam o caminho que a água percorre, rompendo o alcatrão! Lindo!

E as casinhas de habitação a fazerem lembrar casinhas de duendes!

Toda a humidade no ar, gotículas que pareciam ser mais pesadas que o nevoeiro, acabaram por provocar arcos-íris, e quantos eu vi nesta viagem!?

E eis que sou despertada por uma voz que dizia “embarque no ferry” puxa, eu nem sabia mais que o meu Rafael sabia dizer essas coisas! Eu tinha-o programado para me levar para Galway, estava demasiado longe para me pôr a ler placas e a ver mapas, não contava que ele estivesse disponível para me levar a um ferry! E por ali há tantos!

Olhei as horas e os quilómetros, era tarde e se não fizesse o ferry teria o dobro do caminho pela frente! Siga para o ferry, poupemos 100km de estrada!

A minha bonequinha despertou muita atenção por entre os viajantes! Era a única no meio dos carros e roulottes!

o céu parecia que iria cair em cima de nós, com aquelas nuvens gigantescas e espetaculares!

E eu adorei o percurso de ferry, pois só nele eu pude apreciar momentos verdadeiramente mágicos entre nuvens que brincavam com o sol e o mar

Pequenos momentos de pausa e encantamento!

Depois veio a chuva e a noite eu fui para casa, que naquele dia era em Galway. A minha bonequinha dormiu num parque ali ao lado que me custou os olhos da cara…

e foi o fim do 7º dia de viagem!

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10. o condado de Galway

5 de agosto de 2014

Havia tanta coisa que eu queria ver por ali e, de repente, apercebi-me que era tudo cemitérios, ruinas, castelos e mar!

“valha-me Deus, pareço um rato de cemitério a catar tumbas!”

Que se lixe, cada um gosta do que gosta e eu não podia deixar de ver o que tanto me atraia naquele país! Ok, de uma próxima visita verei outras coisas, nesta vou às cruzes!

Pronto, também não vi só ruinas e cemitérios! As casinhas por ali continuavam a fascinar-me, então as de telhado de colmo eram deliciosas! Consegui desenhar umas quantas para juntar à minha coleção de janelas, castelos e cruzes!

E havia-a sofisticadas mas também simples e fofinhas, como casinhas de bonecas!

Dirigia-me a Kinvarra, uma pequena vila piscatória que tem um castelinho muito fofinho à entrada!

O Dunguaire Castle é uma construção do séc. XVI que fascina pela sua beleza simples e pela sua localização encantadora, sobre a baia de Galway!

Há histórias e lendas associadas ao castelo e ao seu lord, uma lenda conta que o rei, King Guaire, era muito generoso e que, mesmo depois da sua morte, o continuou a ser e que um mendigo que ele sempre ajudara visitou o seu tumulo murmurando “King Guaire, even you cannot help me now.” e naquele momento a mão do rei deixou cair algumas moedas aos pés dele, como sempre fizera em vida!

Mas a lenda que me cativou mais foi aquela que diz que, ainda hoje, se uma pessoa fizer uma pergunta junto do portão da frente, ela terá uma resposta no final do dia. Não experimentei… de repente eu não tinha nenhuma pergunta para fazer, como é possível?!

Está aberto no verão, não se paga nada e não tem muito o que ver lá dentro, apenas o pátio e a torre. Mas é bonitinho sim senhor!

Logo a seguir fica a vila e o castelo é visível da berma da estrada por algum tempo!

A gente pára um pouco e tudo é bonitinho por ali!

E a vila é um sossego, com a baía do outro lado da estrada, que inspira para parar e relaxar!

“Quantas vezes parei, quantas vezes fiquei quietinha na berma de uma estrada, de um rio, de um lago, apenas a contemplar? O segredo é não pensar, não me preocupar com o que há mais para fazer para além disso mesmo, contemplar! Porque há momentos únicos, que não se repetirão numa viagem, mesmo que eu volte a passar no mesmo sítio por qualquer motivo. É assim e pronto, o espirito vai-se, a sensação perde-se e a surpresa já não existe. Por isso cada momento deve ser vivido como se nunca mais se voltasse a repetir, porque não se repetirá mesmo!”

Fixando bem, ao longe, do outro lado da água…

Lá estava ele…

Finalmente decidi-me a seguir para algures, claro que sempre escolhendo grandes avenidas com ótimo piso… ao ponto de temer voltar-me de pernas para o ar com a qualidade do alcatrão!

Quando, quilómetros depois, passei por uma placa que falava de um tal Cloonacauneen Castle! “Boa, vou lá vê-lo!” e segui por caminhos e ruínhas estreitinhas, entre campos de cultivo e pequenas localidades, sempre me maravilhando com umas coisas e outras até chegar a ele.

Era tão lindo, bem enquadrado, com a torre forrada a heras, um sonho! Mas era um restaurante, uma espécie de quinta para eventos e eu não podia visita-lo. Que pena! Andei por ali a espreitar por cima dos muros. Um castelo normando do séc. XV simplesmente encantador!

Paciência, não dá para ver de mais perto vê-se de mais longe! Depois não faltam coisinhas lindas para ver, casa por exemplo, que eu adoro!

… e os cemitérios…

São tão frequentes os cemitérios com uma abadia em ruinas no meio que a dada altura eu já não pararia em todos, ou ainda por lá andaria a cata-los! Mas há ali uma atmosfera que me fascina, isso há!

A Annaghdown Cathedral é do séc. XII e só tem as paredes em pé, mas tem uma janela românica espantosa!

Parece que ficou em ruinas há muitos séculos, entre guerras e lutas…

E lá estavam elas, as cruzes, cheias de liquens que as tornavam ainda mais espantosas!

Escrevia eu no meu Facebbok:

“A Cruz Celta sempre me fascinou, tão anterior ao cristianismo e no entanto uma cruz! Podem-se encontrar por todas a zonas celtas, mas a Irlanda está cheia delas, desde as originais até às versões mais recentes. E são lindas! A cruz do sol, dedicada ao deus Odin pode representar os 4 elementos. Hoje está também associada à religião cristã, afinal os celtas também se foram convertendo ao cristianismo. Para mim será sempre a «cruz daqui»!”

E então o perfil do cemitério relvado, com as cruzes incertas, em contraste com o céu cheio de nuvens sugestivas, foi o êxtase total para mim! Sentei-me numa tumba e desenhei, pois então!

Há por ali mais vestígios das construções da abadia a completar o quadro, com uma relva que quase parece almofadas debaixo dos nossos pés, de tão fofa e espessa que é!

Lá voltei às ruelas e ruínhas e segui até ao lago, o Loch Corrib!
A bem dizer eu nunca sabia se o que via era mar ou lago, porque ali há de tudo e por todos os lados! E o lago dali é simplesmente enorme, de perder de vista!

Pus-me a desenhar barcos, pus-me a desenhar tudo! Afinal eu nem queria ir muito longe, apenas queria curtir o estar ali!

E tem um castelinho e tudo! Pelo menos onde eu andava, porque do outro lado deverão haver outros, já que aquilo é tão grande e os antigos sempre gostavam de pôr os seus castelos ou em cima das colinas, ou na berma dos lagos! Dizem que o condado de Galway tem mais de 200 castelos!

Fui procura-lo, queria vê-lo mais de perto!

Mas não dava, era privado e não dava para aproximar, uma pena!
Castelos privados, é o que há mais por ali! Como será ser proprietário de um castelo, só nosso, privado?

Acho que a mim me bastaria ser proprietária de uma pequena casinha encantadora, de telhado de colmo! Grande nau, grande tormenta e sustentar um castelo não há-de ser barato!

Voltei a parar, voltei a desenhar, que coisinha linda!

E sim, logo a seguir havia outro!

Um castelinho branco! Embora à primeira vista possa parecer que terá sido adulterado, isso não é verdade. O castelinho, é do séc. XVI e foi restaurado de acordo com o aspeto que ele teria na época!

Na realidade ele é uma torre/casa fortificada que tinha como finalidade proteger os seus habitantes e não uma população!

E as mansões sucediam-se! Vive-se bem naquele país!

De repente uma ruina por trás das mansões! Cruzes, o que é aquilo, sem qualquer indicação? Se fosse na Inglaterra teria uma dúzia de placas a indicar o monumento, mas ali não tinha nada!

Eu até podia nem descobrir o que era, mas iria até o mais perto que pudesse! Segui por carreiros de cabras enquanto a moto passou, até chegar a um portão. “Ok, mais uma propriedade privada!”

Pousei a moto, avancei a corrente que fazia de porta e fui caminhando pelos campos.

Ao olhar para trás podia ver a minha motita a ficar longe, perdida no meio do verde!

E lá estava ela, uma abadia em ruinas, imponente!

Então, quando estava a chegar perto… havia um riacho que não me deixava ir até ela..

Bolas… amuei, sentei-me por ali, tirei um milhão de fotos iguais umas às outras e fui embora.

Acabei por descobrir depois que se chama Abbey Ross, que pode ser visitada, mas não indo do lado que eu fui. É do séc. XV, é franciscana e é uma das ruinas mais bem conservadas da irlanda, do tempo em que a religião católica era oprimida na irlanda.

Bela bosta, a visitar será de uma outra vez…

Segui pelo mapa acima ainda por alguns quilómetros até Castlebar, sem ver nada de especial para além de ruínhas e ruelas encantadoras.

Parei para fazer um picnic num jardim muito bonito com direito a rio e tudo.

Com gente gira a passear os cachorros!

Então, quando já não pensava em mais nada senão no meu caminho lindo, na música nos meus ouvidos e no prazer de conduzir, uma torre redonda despertou-me do meu piloto automático!

Puxa, uma torre redonda!

O que eu gosto daquelas torres tão típicas por aquelas terras!

As Irish round towers são aquela coisa que eu apenas vira em livros e sites da internet e eu tinha previsto ver algumas, mas não ali, não naquele dia e estava ali uma! Wow!

Em irlandês chamam-se “Cloigthithe” o que quer dizer “torre do sino” e são torres medievais, lá pelos séc. IX e XII, o que as leva para o românico e não se tem muita certeza da sua finalidade, se eram mesmo sineiras, ou refugio protetor ou de vigia contra os Vikings.

Uma coisa é certa, estão sempre junto de igrejas e muitas vezes a sua presença ajuda a descobrir igrejas desaparecidas, basta procurar perto da torre que estarão lá as fundações!

Adorei aquele momento inesperado, voltei a sentar-me numa tumba e apreciei o momento, com a minha motita lá ao fundo na estrada a olhar para mim…

Logo ali à frente fiz amizade com uns meninos muito engraçados!

Gostaram de mim, chegaram-se perto e tudo. Fiquei a saber que gostam de chocolate, era tudo o que eu tinha e dei-lhes um bocadinho!

Cheguei a Ballina sem vontade alguma de visitar cidades ou ver gente! Chovia, as pessoas estavam encolhidas nas entradas das lojas e eu segui com uma ou duas fotos gerais do rio e mais nada!

E fui embora para casa, que naquele dia era em Galway.

E foi o fim do 8º dia de viagem…

****
11. atravessando a ilha, de Galway até Dublin

6 de agosto de 2014

De Galway até Dublin são cerca de 200 km que se fazem nas calmas em pouco mais de 2 horas, mas acabei por fazer mais do dobro dos quilómetros e demorar todo o dia a chegar de um lado da ilha até ao outro! Fantástico não é?

Quando confiro as horas em que tirei a primeira foto e a ultima, constato que demorei 16 horas naquele caminho! Depois ao passar os olhos pelas fotos e ao tentar escolher algumas para relembrar todo o dia, a enorme dificuldade na escolha explica bem todo o tempo que demorei naquele caminho… foi um dia lindíssimo!

A primeira foto foi no hostel quando me preparava para tomar um “pequeno-grande-almoço” e decidia o que iria ver.

Há dias assim, em que me apetece ver tudo, fazer tudo, mas tenho consciência de que não pode ser, por isso há que traçar um plano e ir andando e ir vendo!

Ora os meus planos não são sempre cheios de lógica, por isso decidi ir para a costa este antes de me dirigir para costa leste. Logica decisão não é?

A lógica é que seu sabia que ali havia muita coisa bonita para ver e que eu não podia partir sem conferir um pouco, pelo menos!

Quando preparava a minha motita para partir, reparei que aparecíamos refletidas na montra em frente, não resisti em registar o momento! Acho sempre giro, mais tarde, relembrar o aspeto que ambas tínhamos durante a jornada!

Claro que, como sempre, antes de partir dou uma voltinha pelo sítio onde estou. Galway não é a cidade mais espetacular que conheço, mas tem pormenores bonitos. Naquela despedida decidi ver aquela enorme igreja por onde eu passara varias vezes.

A Cathedral of Our Lady Assumed into Heaven and St Nicholas é uma igreja extraordinária!

Tem pouco mais de 50 anos de vida e é um edifício surpreendente. Olha-se para ela de fora, construída em pedra cinzenta, e não se adivinha a luz, o espaço e a beleza interior!

Tem planta cruciforme e o altar fica no ponto onde a nave se cruza com o transepto, o que faz com que haja filas de bancos alinhados em todas as direções e a gente quase perca a noção de que lado entrou!

Por cima do altar fica uma cúpula com mais de 40 metros de altura, com uma luminosidade diferente para o interior e é visível, no exterior, a partir de quase toda a cidade. Uma construção recente cheia de referências e influências do passado, muito interessante!

Logo ali fica o rio Gaol e demasiada confusão para que me apetecesse ir ver a igreja medieval da cidade. Terá de ficar para a próxima vez!

Passeei pelo rio um pouco, seria a última imagem da cidade!

E segui para a costa este, que eu tinha muita vontade de conhecer! Eu sabia que teria estradas lindas junto ao mar para fazer, mas o caminho começou bem antes a maravilhar-me!

Ruínhas desertas, montes e vales, rios e lagos, tudo tão quase irrealmente lindo.

Eu dirigia-me para a “Wild Atlantic Way” e tudo era tão bonito mesmo antes de lá chegar!

Cada paisagem, cada enquadramento parecia ou merecia um desenho! Não, merecia um quadro!

Então eu parava e focava mais a minha atenção e havia casas, lagos, arvores e todo um cenário de encantar! Sim, tive de desenhar de vez em quando!

E no meio do lago havia pequenas ilhotas e um castelinho em ruinas…

Lá em baixo vi o Clifden Castle… a tentação era grande de o ir ver de perto.

mas eu podia ver que o acesso se fazia por um caminho de terra e não me apetecia nada meter por ali a moto ou, pior ainda, caminhar para caramba até lá…

sobretudo sabendo que havia tanta paisagem deslumbrante para ver por ali. Decidi pelas paisagens, se um dia eu voltar ali, não me esquecerei de ir até ao castelo.

A ruínha era tão inspiradora, eu passeava pelo Connemara National Park e a ruínha que fazia tinha um nome muito inspirador: the Skye Road Loop!

A vantagem de fazer uma rua daquelas de moto é que se pode parar a todo o momento, desde que se encosta bem à berma, pois se formos de carro nem pensar, há que ir atento e procurar uma “orelha” próxima para se meterem e permitirem o cruzamento!

Oh, e as vezes que eu parei!

Ao voltar fiz outro caminho, uma rua mais civilizada, sem jardim no meio e tudo! Um pouco mais acima da outa e com uma perspetiva diferente a paisagem.

Mas eu sou um pouco irrequieta e fazer uma rua com um piso tão bom não foi por muito tempo! Havia algo que eu queria ver e lá meti a motita por caminhos menos aconselháveis! Ela não é uma trail mas já está habituada!

Eu sabia que valia a pena ir espreitar lá para baixo!

Voltei a passar em Clifden, mas só vi a cidade “por cima”

porque o Connemara National Park é logo ali e é deslumbrante!

Tudo estava perfeito, o céu azul com nuvens deslumbrantes, os lagos, os montes, parecia artificial!

Houve momentos em que parecia que estava na ilha de Skye, na Escócia!

Oh, as vezes que eu parei e o tempo que fiquei parada de cada vez!

Tudo era tão perfeito que tinha a sensação que fotografia nenhuma, desenho nenhum, conseguiria captar o que os meus olhos viam!

Mas na realidade era a minha grande satisfação que me fazia sentir quase eufórica de prazer e me fazia temer não conseguir guardar o momento para sempre…

E cheguei à Kylemore Abbaye

Na realidade aquilo era um castelo construído só séc. XIX e só se transformou em abadia depois da I Grande Guerra, em 1920, quando freiras beneditinas vinda da Bélgica, o compraram. E as freiras mantiveram a abadia em funcionamento com uma escola para meninas católicas até 2010!

Ali ao lado fica o Pollacapal Loch que quase se liga ao lago maior, o Kylemore loch, que me acompanhara no caminho para ali.

É impossível não tirar um milhão de fotos ao local!

O palácio estava cheio de gente dentro, que não se mexia, apenas estava por ali a conversar e a tirar fotos junto de tudo o que pudesse!

Dei a volta e fui-me embora para os jardins que, sendo maiores, não deviam estar tão cheios paparazzi!

Há ali uma igreja que chamam gótica, mas é neogótica, claro. Até as gárgulas são anjinhos em vez de monstrinhos!

Bonitinha e pequenina, com um teto muito bem conseguido!

A igreja é praticamente da largura do altar-mor! Muito fofa!

Depois há os jardins vitorianos, muito bonitos e coloridos.

O tempo já não estava nada simpático e começava mesmo a chover…

uma pena pois eu queria ver muitas coisas e agora sim, estava um bocado longe do meu destino daquele dia! por isso segui sem parar mais para leste.

No meio do país ficava um dos meus grandes destinos daquele dia e daquela viagem.
The Monastery of Clonmacnoise era um dos sítios históricos que eu queria muito visitar. Espantoso, antigo, impressionante… sagrado! Fundado no séc. VI remonta aos primeiros tempos da cristandade por terras celtas.

Simplesmente espantoso, com o seu cemitério impressionante e as suas cruzes únicas e extraordinárias!

São 3 as grandes cruzes que eu queria ver: North Cross – a Cruz do Norte, lindíssima e a mais antiga das cruzes de Clonmacnoise não é mais uma cruz, é apenas o tronco principal

A South Cross – a Cruz do Sul, gravada com pregos redondos e uma cena da crucificação.

e a Cross of the Scriptures – a Cruz das Escrituras, a mais bonita e a que me apaixonou completamente! 4 metros de cruz!

Eu gosto de tirar fotos sem ninguém por perto, mas ali esperei que as pessoas se chegassem para poder ter um termo de comparação, alguém que fizesse de escala, para se poder ver a dimensão da obra! É grande!

Não resisti, peguei no meu livrinho e pus-me a desenhar. Um senhor que andava por ali, tão maravilhado quanto eu, quis a todo o custo comprar-me um desenho! Mas eu não queria arrancar a folha do livro, então ele foi pedir uma folha de papel ao balcão da receção e eu fiz-lhe um. Tive de aceitar 30£ depois, ou ele não me largava!

Desenhei as 3 mas mostro aqui a que mais gosto!

Estas 3 cruzes e algumas lajes e pedras gravadas, foram movidas para o interior do centro de interpretação e, no seu lugar foram colocadas réplicas perfeitas, para proteger património tão extraordinário.

Tinha voltado um pouco de sol, só para alegrar a minha visita exterior ao cemitério e mosteiro. Perfeito!

Uma pinguita de chuva de vez em quando, mas nada de especial, a menos que acerte na lente!

Lá estava uma das réplicas. Obra espantosa! Depois de ter estado junto da original já nem tinha a certeza se tinha lido bem, pois esta também me parecia original!

Exatamente em frente à porta do mosteiro fica a “minha” cruz das escrituras… linda e perfeita como a original!

O mosteiro tem dentro tumbas e cruzes, como acontece em toda a Irlanda, o que permite enquadramentos curiosos!

As pessoas junto das cruzes pareciam tão pequenas…

“Eu queria muito vê-las… e elas estavam mesmo por todo o lado, as cruzes celtas! Tão belas e misteriosas a levar-me para histórias antigas de fadas e druidas. E a levar-me também para cemitérios e ambientes cheios de significado. Eu sempre apreciei estes climas de intensas sensações e a Irlanda proporcionou-me muito mais do que eu pudera imaginar, em entardeceres que provocaram arrepios de prazer e respeito que percorrerem a minha coluna a cada momento…”

O cemitério que o rodeia é utilizado até hoje e ali se celebram serviços religiosos regulares, por isso há no local uma construção moderna em vidro, que faz lembrar a capela das aparições em Fátima, só que mais modesta e discreta. A sensação de pisar aquele solo foi muito forte e curiosa…

E a chuva voltou de novo e eu fui embora para Dublin toda satisfeita porque tinha conseguido ver o que queria. Dei umas voltas e fui encher-me de comida para um self-service chinês, que a fome já era negra!

A comida era muito boa e muita! Exatamente o que eu precisava!

E fui para casa de naquele dia era em Dublin!

E foi o fim do 9º dia de viagem!

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12. o condado de Meath e o Brú na Bóinne!

7 de agosto de 2014

Mais um dia feito de história…

O hostel onde fiquei não era nada de especial mas tinha alguns pormenores que me agradaram. Um deles eram as mesas no pátio, onde se juntavam pessoas ao serão, que conversavam em inglês arranhado, entre risotas e petiscos! Junto da maior parte delas o meu inglês até parecia perfeito

Outro era a sala do pequeno-almoço! Um espetáculo!

Sim, era uma capela linda, em que o altar era a cozinha, e a nave, com mesas corridas, fazia lembrar o ambiente da sala de jantar do Harry Potter, mas em muito pequenino!

E ao fundo, pendurada nas grades do coro, estava a bandeira portuguesa! Espetáculo! Lugar de destaque com a bandeira espanhola ao lado!

Do pátio eu vira a capela no dia anterior quando estacionara a moto, mas não tinha percebido que era parte do hostel!

A moto estava logo ali, eu podia vê-la desde o meu quarto ou da sala do pequeno almoço, com direito a parque privado e tudo!

O dia estava lindo e eu decidi dedica-lo a viajar para trás no tempo, muito para trás!

Peguei nas minhas coisas básicas, os meus livrinhos, a máquina fotográfica e fui dar uma volta de dia inteiro pelo condado de Meath, que fica ligeiramente acima do condado de Dublin, e onde a gente cruza com a história a cada passo que se dá …

Brú na Bóinne era o meu principal destino, não só daquele dia mas de toda a viagem! Era um dos motivos que me levaram até aquele país e àquela zona!

E sentia-me particularmente feliz por poder realizar mais um dos meus objetivos, depois de, no dia anterior ter ido ao mosteiro de Clonmacnoise, a minha lista de destinos estava quase realizada… que bom!

O centro de visitantes está bem servido de parques e o espaço para as motos é grande e bem posicionado.

A minha bonequinha ficou muito bem acompanhada por uma prima branca de nacionalidade espanhola!

Não cheguei a ver o dono da branquinha, uma pena, mas aquilo é tão grande que andávamos uns por cada lado e não nos cruzamos! Até que achei piada à moto em branco!

Brú na Bóinne é um complexo neolítico impressionante, composto por 2 zonas visitáveis Newgrange e Knowth. As pessoas ficavam meio desorientadas sobre qual escolher mas eu tinha o tempo todo do mundo, por isso fui visitar os dois! Eu sabia o quanto aquilo era bonito… para mim, pelo menos!

Embora Newgrange seja mais conhecido e procurado pelos turistas, Knowth é, para mim, mais impressionante.

Estas construções espantosas, são anteriores às pirâmides do Egito, por isso dá para imaginar o meu fascínio a caminhar por ali!

Estamos perante construções do neolítico, lá pelos 3000 a 2000 aC, que foram ficando subterradas e que pareceram colinas por muito tempo!

Durante séculos, gerações e civilizações viveram ali, sem saberem que por baixo dos seus pés algo muito mais antigo e extraordinário estava subterrado!

E tudo foi preservado por essa terra que permitiu que nada se estragasse até um dia alguém descobrir e começar a escavar e encontrar…

As pedras gravadas estão perfeitamente intactas, são tantas mais de 100 dizem, só em torno do grande monte… deslumbrantes!

E os alinhamentos não se faziam só com pedras! Eles faziam-nos também com troncos, provavelmente teriam uma cobertura!

E são tantos os montinhos! São 18! Os arqueólogos dizem que eram túmulos!

Se pensarmos que Knowth contém um terço da arte rupestre em toda a Europa Ocidental, podemos entender melhor a importância daquele sítio!

No total são mais de 200 as pedras gravadas que foram encontrados nas escavações de Knowth.

Pode-se entrar numa câmara do grande monte

Mas o fascínio está cá fora mesmo!

De cima do grande monte pode-se ver a redondeza e ao longe Newgrange e o seu grande monte!

Hoje há uma escadaria para subir o monte, em épocas passadas subia-se por um carreiro de terra batida!

Há alinhamentos de pedras com a porta de entrada, o que mostra conhecimentos astronómicos e solares!

E ali em cima viveram populações da era do bronze, medievais e normandas, como se aquilo fosse uma colina, sem imaginarem que era um monte artificial construído por alguém antes deles! Não é fantástico?

Depois da visita a Knowth, voltamos ao centro de visitantes para voltar a apanhar um novo autocarro para ir a Newgrange.

E Newgrange é a estrela do local e, juntamente com Knowth, foi designado como Património Mundial pela Unesco.

“Newgrange foi construído há 5.000 anos (cerca de 3200 aC), sendo por isso mais antigo que o Stonehenge na Inglaterra e a Grande Pirâmide de Gizé, no Egito. Newgrange foi construído durante o Neolítico ou Nova Idade da Pedra por uma comunidade agrícola que prosperou nas ricas terras do vale do rio Boyne.“

A porta está “protegida” por pedras gravadas de uma beleza espantosa… a guia falava e eu ouvia a sua voz ao longe, completamente hipnotizada pelo que via!

Embora se fale em Newgrange como um túmulo, eu não vi aquilo assim e os arqueólogos parece que também já não! Eu vi como um templo que teria outras finalidades que não enterrar gente!

A forma como está construído, as pedras decoradas e o alinhamento do sol aquando do solstício… leva-me para um templo, um lugar de importância astrológica, espiritual, religiosa e cerimonial!

Não se pode fotografar lá dentro, não sei porquê já que não há nada que se estrague!

Uma câmara cruciforme tem todo o ar de templo, como uma igreja ou uma catedral, pequena, debaixo da terra e, num momento único, quando o sol se alinha, o solstício, entra por uma frincha e desenha um rasto de luz no chão, quando o escuro e o frio inverno se vai e se anuncia o início da primavera!

Ora num túmulo esses requintes de refinado conhecimento não teriam qualquer utilidade!

Andei por ali, não havia muito mais para ver ou desenhar mas apetece sempre dar mais uma olhada antes de partir, afinal eu não vou voltar ali amanha!

E lá segui o meu caminho porque havia mais coisas antigas que eu queria ver na zona! Da rua eu ainda podia ver o monte de Newgrange…

(continua)

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13. o condado de Meath, the Hill of Tara e Trim castle!

Continuando um dia feito de história…

Ainda no condado de Meath fica o Hill of Tara – Cnoc na Teamhrach, que quer dizer em irlandês “Colina dos Reis” embora, ao que parece, não tenha vivido ali nenhum rei!

Aquilo seria lindo de ver de helicóptero pois consta de desenhos por saliências no chão relvado, formando círculos concêntricos com efeitos a lembrar a ondulação da água quando cai uma pedra. Por isso eu sabia que do chão pouco veria mas, a sensação de pisar aquele solo era algo que eu não podia perder!

A High Cross está ali no meio de nada, marcando o local da batalha de Hill of Tara, quando rebeldes irlandeses foram derrotados pelos ingleses no final do séc. XIX.…

E as “ondas” são visíveis por vezes de um ponto mais alto!

A Lia Fáil ou Stone of Destiny, a pedra onde, diz a lenda, todos os reis irlandeses formam coroados por muitos séculos.

Há muitas lendas em volta desta pedra, mas o que mais me fascinou foram os seus poderes, que dizem ter reconhecido o verdadeiro rei da irlanda, soltando rugidos de alegria, ou ainda que tinha o poder de rejuvenescer o reio o dar-lhe um longo reinado!

Isto a ser verdade não faltaria quem lá se fosse esfregar a ver se ela lhe ofereceria uma longa vida ou um pouco de juventude, sei lá!

Tara vem do neolítico também, pensa-se por isso que virá de épocas pré-célticas…

O que eu acho curioso é que, nestes milhares de anos todos ninguém lixou aquilo tudo para construir uma porcaria qualquer e tudo se manteve pelos tempos infinitos intacto até hoje! Espantoso!

O centro de visitantes fica na igreja de Sant Patrick e a estátua do santo está ali perto.

“Saint Patrick, o “Apóstolo da Irlanda” foi um missionário do séc. V que é o grande padroeiro da Irlanda! A sua história mistura-se com a lenda e não se sabe mais como foi realmente, mas dizem que foi raptado de sua casa, na Grã-Bretanha, quando era um adolescente e levado para a Irlanda onde viveu até conseguir fugir e voltar para os seus. Quando se tornou padre voltou para a Irlanda percorrendo-a como missionário pelo país. Saint Patrick’s Day é hoje a grande festa da Irlanda, em março, quando toda a gente sai à rua vestida de verde em memória do bonequinho que o representa e que parece um duende! Quando o encontro vestido de bispo não o associo de todo ao boneco irlandês!”

Logo ali na rua ficam vários estabelecimento alguns deles curiosos! Fui dar com um atelier de pintura de um fulano que estava de volta de uma tela que fazia lembrar as mandalas!

Estivemos ali no paleio enquanto ele pintava com uma minucia impressionante!

Parece que tudo o que ele pintava era do mesmo tipo de composição, telas ou suportes quadrados com desenhos caleidoscópicos que leitura a partir dos 4 lados. Muito bonito!

Ainda me fui meter num alfarrabista que me prendeu a atenção por longos minutos, até eu decidir que o inglês não é a língua que eu mais facilmente leio e que não queria massacrar-me a puxar pela cabeça por isso não iria comprar livros e ponto final!

E pus-me a andar na direção da costa até ser surpreendida por uma construção em ruinas! Eu sei que é o que mais há por lá, igrejas em ruinas, mas há algumas a que não consigo resistir, pronto!

E acabei por me divertir um bocado! Estava a chegar um grupo de pessoas que percebi eram as damas de honor e os respetivos moços, mais os noivos, para fazerem fotos no local!

Eu adoro estas coisas e há sempre um ou dois casamentos no percurso de todas as minhas viagens! Faltava um nesta!

As damas de honor eram redondinhas e não sabiam andar de saltos altos, por isso pareciam meio tortinhas, uma acabou por os tirar e seguir descalça pela relva! Eheheh

Os moçoilos vestiam todos de igual, o noivo incluído, não entendi porquê, ainda por cima de calças beges com suspensórios!

A noiva era a mais bonita, a mais magra e a mais elegante! Será que o casamento era um bom pretexto para desencalhar as damas de honor?! Eheheheh

Bem fui saindo dali, para não aparecer uma sombra negra de chapéu no fundo das fotos, e fui ver a abadia.

Era a Bective Abbey, do séc. XII, e descobri que foi palco de filmagem de cenas do filme de Mel Gibson, “Braveheart”. Fantástico, assim se encontra uma celebridade sem saber!

Claro que teria de ver o filme todo outra vez para tentar descobrir onde aparece a abadia!

Independentemente das pessoas do casamento, foi curioso constatar que as pessoas vão para ali passear e fazer picnics!

Havia ali famílias com miúdos a passar a tarde! A verdade é que o relvado é excelente e o dia estava bonito para se estar ali!

Ali ao lado havia também vaquinhas a relaxar!

E os carros dos “modelos” do casamento!

Ainda se ao menos tivessem levado uma cestinha com algo de comer lá da festa de casamento! Mas só havia os carros e mais nada!

Depois tinha de passar em Trim para ver o seu castelo. Ficava no meu caminho e o dia ainda ia alto!

Eu queria vê-lo porque ele é diferente de tudo o que conheço! A planta da torre é cruciforme, o que não é muito comum porque torna-a mais difícil de defender por ter muitas reentrâncias!

É o maior castelo normando da Irlanda e já esteve para ser desmantelado! Acabaram por o proteger e o abrir ao público com guias que conhecem a sua história e, por isso, tornam a visita interessante.

As perspetivas que se vai tendo ao subir a torre são impressionantes e fazem pensar nos diversos andares que ali existiam em tempos áureos!

O topo foi coberto para proteger o interior e em volta a cidade é visível num ângulo de 360º.

Com direito a visitas curiosas!

Uma senhora ofereceu-se para me tirar uma foto!

As pessoas estranham sempre eu andar a tirar fotos a tudo e não as tirar a mim mesma e oferecem-se para me fotografar e eu aceito sempre!

O castelo é imponente e eu fartei-me de o fotografar!

Também fiz um desenho ou dois, mas muito rápidos porque aquilo iria fechar!

A cidade em redor tem pormenores encantadores!

Ao ir para casa vi mais uma torre redonda, era o Donaghmore cementery…

As Round Towers estavam a ter o mesmo efeito sobre mim que as cruzes celtas e eu tive de parar, ok, só um bocadinho, vá lá!

Na Irlanda, como na Inglaterra, usam um pormenor muito curioso nos cemitérios! Há sempre um muro com um portão, que está frequentemente fechado! Ok, a gente percebe que não pode passar ou terá de saltar o muro! Então há uma série de degraus de um lado do muro e outra do outro, para nos facilitar a vida de “saltar o muro”! Não é espantoso?

Por isso é suposto a gente avançar o muro mesmo!

O cemitério era antigo e pequeno, mas com perspetivas encantadoras e uma relva fofinha como uma almofada verde!

E fui para casa, toda encantada com um dia histórico cheio de coisas que se calhar só a mim me encantam, mas encantam muito!

E foi o fim do 10º dia de viagem!
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Continuará!

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