Ruta de la Plata – Páscoa de 2009

Desde os tempos antigos, no tempo do Imperador romano Augusto, havia uma rota que fazia a ligação entre o norte e o sul, do Atlântico, em Gijon até Sevilha. A estrada original, e suas extensões naturais, criou uma grande rota que liga a costa cantábrica, com as terras do sul da Hispânia.

A circulação de tropas, comerciantes e viajantes, num fluxo contínuo, favoreceu a disseminação da cultura romana, linguagem e estilos de vida, facilitando o controle do território que o governo precisava.

Esta rota continuou a ser usada ao longo dos séculos, por árabes e cristãos, durante a Idade Média, e continuou a desempenhar um papel importante na rede de comunicação da Península Ibérica.

A riqueza do passado histórico da Ruta de la Plata, cujo nome deriva do árabe “Balat ” – estrada empedrada – é evidente nas muitas relíquias que marcam ainda hoje o seu percurso, e oferece um dos conjuntos mais interessantes do património histórico espanhol.

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1ºdia – 5 de Abril de 2009

Como tinha planeado, comecei pelo sul, a Ruta começa em Sevilla, por isso aproveitei para ir conhecer Ronda que me estava a despertar o interesse há algum tempo, a título de preambulo! ou prólogo como é moda fazer-se agora no Lé-a-lés!

Depois de cerca de 1000km da minha humilde terra até Ronda, deparei-me com uma cidade que me pareceu um postal real!

Ronda, uma cidade surpreendente!

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2ºdia – 6 de Abril de 2009

Depois de uma noite bem dormida, e porque me é difícil estar num locar e não dar umas voltas para ver o que há, fui fazer um pequeno passeio que acabou por totalizar uns 400km!

Málaga, a terra do pintor! Aqui nasceu um dos maiores génios de sempre da pintura: Picasso

Mijas (leiam Mirras para não parecer mal…)

Gibraltar

E regressei a Ronda para dormir pois no dia seguinte ia começar a famosa Ruta!

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3ºdia – 7 de Abril de 2009

No dia seguinte, 7 de Abril, comecei então a Ruta de la Plata a começar em Sevilha, uma cidade espantosa e onde pela primeira vez na minha vida estive sem sofrer de altas temperaturas!

26 graus, um sol lindo e um centro pilhado de bancadas e barreira para as comemorações da semana santa que incluem procissões diárias narrando momentos da vida de Cristo até à sua morte.

A Giralda, onde o rei subia com o seu cavalo pela rampa em espiral que substitui aquilo que noutra torre seria uma escada em caracol!

A respectiva Catedral

Os penitentes, elementos das confrarias que organizam cada procissão.
Cada confraria tem as suas cores, estes vestem todos de preto.

Outros usam duas cores

De novo a Catedral.

Toda a terrinha tem a sua igreja, normalmente grande demais para o lugarejo!
Cidade grande que se preze tem mais do que uma catedral e diversas igrejas, já para não falar em conventos e mosteiros e coisas afins!

Toda a cidade tem também a sua praça de touros!
Depois de horas a marchar por entre peregrinos, penitentes, andores e bandas de musica segui para Carmona, o passo seguinte no meu passaporte

A sua Puerta de Sevilha do sec XV

Na zona de Monastério cria-se o famoso porco preto e podem-se ver os seus “acampamentos” da berma da estrada quando se circula por estradas secundárias.
São estranhamente estreitinhos comparados com os porquitos rosa que a gente conhece!

Por aquelas paragens há cegonhas por todo o lado e não há torre, poste de iluminação ou ponto elevado que não tenha um ou mais ninhos!

A cada passo cruzei com o verdadeiro caminho romano da Ruta

A motita mais fantástica do mundo…


E chegamos a Zafra

Depois veio Nérida!
E mandei a toda a gente um sms a dizer: “quando vos mandarem à Mérida vão! Porque vale a pena! É linda!”
Cidade com imensas heranças romanas, espantosas e em bom estado!

O “Circo Massimo” onde se faziam as corridas de quadrigas

Espantoso como em tantos séculos ninguém se lembrou de construir algo ali no meio de tanto espaço, e ele chega aos nossos dias assim!

O teatro, lindo! Com as suas “ante-câmaras” ou “ante-jardins” ainda hoje espantosos!

O “palco“

A “Plateia”

A planta do local. Mesmo ali ao lado, como se não chegasse o teatro, um enorme anfiteatro!!!

Cá está ele!
Simplesmente ESPANTOSO!

E depois havia mais!! Por todo o lado!

O templo de Diana

Os restos do Arco de Trajano!

A ponte!

O Aqueduto

E até nos baixos dos prédios existem vestígios romanos valiosos e espantosos!

Apaixonei-me por Mérida!
Não se admirem se um dia eu disser que vou a Mérida!

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4ºdia – 8 de Abril de 2009

E então veio Cáceres… e o encanto continuou! Mais uma cidade Património da Humanidade, mais uma cidade para desfrutar!

Épocas que se sobrepõem, desde o tempo dos romanos até a idade mádia, ou até hoje…

O encanto está em todos os recantos

Tudo cheira a história

Tudo é espantoso!

Um deslumbramento para o olhar!

E mais um momento da semana santa que se comemora… a ultima Seia a passar!

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5ºdia – 9 de Abril de 2009

Depois de Cáceres e da sua vizinha Casar de Cáceres

Tive de dar uma corrida até Monastério, onde no dia anterior tinha deixado o BI, no hotel, o que deu uma corrida de cerca de 300km pela autovia da Ruta de la Plata… afinal sempre corri um pouco! eheheh

Mesmo assim deu para tirar umas fotos em andamento!

E veio Plasencia, com o seu moçoilo que bate as horas à boa maneira dos relógios Suíços

E naquela ponta ao fundo, na esplanada, comi a primeira paelha das férias, pois só faziam para 2 pessoas e eu estava a ver que ninguém fazia uma para mim só!

huuuum… deliciosa, sobretudo quando se almoça às 4h da tarde!

A catedral… mais história…
E segui viagem

Para Banos de Montemayor

Recanto de termas no monte

E a seguir Bejar

Aqui o meu Sebastião levou-me para uma pequena aldeia onde se situava o Albergue de Peregrinos onde eu poderia carimbar o meu passaporte.
E acabei por dormir lá!

E a minha motita ficou bem junto à porta, já que não cabia lá dentro como as bicicletas!

Aqui conheci diversos peregrinos que estavam a fazer a Ruta ou o Caminho de Santiago. Um casal francês estava a fazer o caminho a pé, já tinham feito 450km desde Sevilha e faltavam-lhe perto de 550, já que o percurso é de 1000km!

Vários casais estavam a faze-lo de bicicleta!

E aquela gente teve a lata de me considerar uma heroína por ser a primeira peregrina motard que viam!

O espanto deles por eu andar por ali sozinha, sem terem a noção de que qualquer um deles era muito mais herói do que eu já que tinha de percorrer aqueles caminhos de forma muito mais frágil, cansativa e desgastante do que eu com a minha motita!

Reparem que lareira estava ligada… o calor já começava a ser mesmo pouco por aqueles lados!

Dormi como um anjo!

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6ºdia – 10 de Abril de 2009

No dia a seguir andei a fazer parte da verdadeira estrada romana da Ruta e rapei bastante frio! Mas valeu a pena!

E cheguei a um parque temático do granito!

E, depois de chuva e muito frio cheguei a Salamanca, que visitei de fato de chuva vestido, luvas e chapéu enterrado até aos olhos!

Depois veio Zamora, e aí correu um bocado mal… apanhei frio, estrada bastante má, vento um bocado forte, chuva e, quando parecia que não podia piorar, começou a nevar! Que luta!

E depois de passar por tudo, eis que fui multada por ter passado num lugarejo, no meio de lado nenhum, a 60km/h… devia ir a 50km/h! Paguei 70€ e mais nada!
Fomos, eu no meio dos carros da policia, rapidamente, a 90 Km/h, buscar dinheiro ao multibanco mais próximo para eu pagar… e dizem que os nossos policias andam à caça da multa! :-S

e encontrei a famosa cúpula bizantina da sua catedral!

O tempo estava ruim mas não resisti em continuar, nem que fosse um pouco mais apenas.

O meu moçoilo dizia-me que na net via que o tempo ia melhorar e eu arrisquei mais um pouco!

E dormi em Benavente.
Estava gelada e tive de ligar o aquecimento do quarto.
No dia seguinte, provavelmente iria voltar para casa, pois com aquele tempo não fazia sentido continuar. Não iria usufruir da viagem nem da paisagem!

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7ºdia – 11 de Abril de 2009

Mas eis que o dia amanhece cheio de sol!

Benavente e o seu Parador espectacular

E como o sol parecia querer continuar a acompanhar a minha viagem, segui para Léon!

A sua Catedral magnífica, um exemplar único do gótico

Já que o bom tempo se mantinha segui para as Astúrias e a etapa final da Ruta de la Plata

e aí começou a mudar a paisagem!

E lá tive de conduzir com neve, rezando para que ela não se acumulasse na estrada e para que a água que a molhava não fosse gelo! É que estava frio!

E vieram uma série de pequenas terrinhas no percurso até Oviedo

La Lena e a sua ermida de santa Cristina de Lena, uma construção do século IX no topo de uma colina.

Aller, com a sua estação de ski muito longe da vista nestes dias de menos neve, mas com as vaquinhas a passear-se no meio da rua!

Morcín, no meio do monte com a neve mesmo ali

Mieres e a escultura alusiva ao tradicional projectar da sidra no copo!

E, depois Oviedo e a sua catedral espantosa!

E acabei, naquele dia mesmo a Ruta de la Plata seguindo para Gigón, onde dormi, numa pousada que mais parecia uma casa senhorial!

E cá está o passaporte todo carimbadinho!

Este passaporte é uma espécie de documento que funciona quase como a vinheta do Lés-a-lés que é picada nos postos de controlo.

Só que aqui é um cartão, fornecido pela Oficina Técnica de Gestión da Ruta de la Plata, que contem as terras onde temos de passar e parar para obter o carimbo comprovativo da nossa passagem!

Esse carimbo pode ser obtido nas Oficinas de Turismo, nos Ayuntamentos e/ou nos Alojamentos das cidades aderentes à Rede da Ruta, mas houve terras que foi mesmo a Guarda Civil quem carimbou, pois não havia nada aberto!

Esta Oficina Técnica de Gestión da Ruta fornece toda a informação possível sobre o percurso se esta lhe for solicitada pela net através de seu site:

http://www.rutadelaplata.com/

Esta informação é gratuita, útil e bastante importante!

Então, depois de me instalar

Jantei como uma princesa e fui dar uma vista de olhos pela META da minha Ruta!

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8º dia – 12 de Abril de 2009

E chegou o último dia!
Então, quando parecia que o melhor estava visto, eis que decido regressar a casa pela costa, seguindo depois por Lugo, Ourense e casa…

Andei a cuscar um pouco Gijón

E comecei a contornar a costa

com os campos e os montes mesmo ali ao lado

mas as “nesgas” de sol eram cada vez mais escassas e a chuva cada vez mais intensa!

A paisagem começou a ficar cada vez menos interessante e o céu negro. Era ainda de manhã e já parecia noite!

Então decidi literalmente “partir para outra” e mandei o meu “Sebastian”(GPS) levar-me para Las Médulas

E que bem que fiz, pois, se ele me fez quase saltar muros, morros e montes, foi para me levar o mais directamente para lá!

É claro que ele não contava que tivesse mais neve por ali… é muito distraído!

Mas tinha! Muita neve e NINGUÉM na ruinha de montanha!

Voltei a gelar mais um pouco…

E a rezar também, para que não houvesse gelo na estrada…

E não havia mesmo! O tempo aqueceu mal desci do outro lado dos montes (200km depois) e lá estava o que eu procurava! Bendito GPS!

Las Médulas são aquilo que ficou de uma imensa mina de ouro romana!
http://www.fundacionlasmedulas.org/index.jsp

Um espectáculo espantoso!

Bem dizia o Asterix que “aqueles romanos deviam ser loucos” e eram!

Eles simplesmente dissolveram aqueles montes argilosos com água para lhes extrair tudo o que tivessem em ouro! E a paisagem que deixaram para trás é simplesmente espectacular hoje!

Estes são os montes em redor, que nos mostram como deveriam ter sido todos os outros antes da exploração romana!

Eles cavavam redes de túneis no interior dos montes, depois projectavam água transportada de longe, por canais e aquedutos, e concentrada em represas no topo dos montes, por esses túneis. Essa água toda fazia o monte explodir e desintegrar-se dissolvendo-se.

O que vemos hoje é o resultado de tal obra. Túneis e “picos” de argila vermelha!

Depois foi o regresso, por caminhos sempre espantosos e longe de tudo e de todos, porque este Sebastian sisma que me tem de guiar por caminhos de ninguém!

E eu lá vim, sempre deslumbrada

mesmo quando me via no topo dos montes, numa ruela onde cabíamos apenas eu e a minha motita, sem vivalma por perto nos próximos… n quilómetros!

Surpreendentemente, quando desci o monte cheguei à civilização estava pertíssimo de Chaves!
Aquele Sebastian é um brincalhão!

Aqui então sim, foi o fim da viagem…

(há ali outros caminhos que quero fazer…)

Fica a vontade incontrolável de continuar… ou pelo menos de voltar!

O que faltou? Alguém com quem falar…
O que sobrou? Espanto, surpresa, prazer!
O que valeu a pena? Tudo!
O que teria dispensado? A multa e o ter regressado para traz para recuperar o BI…
O que me apetece ainda dizer? Experimentem um dia fazer o trajecto todo, de uma vez.

Um videozinho:

E até à minha próxima crónica!

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12 thoughts on “Ruta de la Plata – Páscoa de 2009

  1. A viagem é espetacular, mas as fotos… Algumas são de tirar o fôlego!!!
    Como este ano vou passar nalguns desses sítios, são o aperitivo para o que vou ver 🙂
    Continua a partilhar conosco sff.

  2. Olá Gracinda!

    Deixei esta crónica para ler mais tarde e não me arrependi!!

    Está espectacular. Tens fotografias de sonho. Fantásticas.
    Adorei a crónica no seu conjunto. Simplesmente adorei (Não exagero)!!

    Obrigada por mais este bocadinho bem passado por aqui.
    Até à próxima crónica, que espero que seja para breve. 😉
    Beijinho

    • Cucu!
      Ainda bem que gostaste!
      Esta foi uma viagem feita a 2, mas com o Filipe em casa a dar-me as dicas sobre o estado do tempo e a incentivar-me para ir até ao fim, pois o norte foi duro de fazer, com neve, chuva e frio!
      À custa desta viagem, ganhei uma estadia de fim-de-semana nas Asturias, pois mandei o meu passaporte todo carimbado e foi seleccionado em sorteio!
      Beijucas

      • Isso é fixe!!
        Ganhar estadias e tudo!
        Acredita que valeu bem o esforço de ires até ao fim!
        Mérito ao Filipe por te incentivar para não desistires e continuares!
        Beijinho

  3. Olá!
    Vou agora em Julho a Picos de Europa com a minha pendura.
    Saímos de Aveiro, vamos a picos 5x dias e no regresso vamos fazer esta rota, mas de Gijéon para Sevilha, passando por marbela e Gibraltar.
    Terminamos o resto da férias por Odeceixe, vai ser a nossa primeira “grande” viagem de mota, parte do percurso teve origem nesta viagem!
    Muito obrigado pela partilha 😉

    Boas curvas

    • Olá!
      Têm aí um belíssimo percurso! Espero que tudo corra bem pois há muito para ver e viver por esses caminhos!
      Fico contente se as minhas voltas ajudam a dar ideias a quem quer passear pela vida também! 😀
      Boa viagem

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