1. Passeando por Marrocos 2011

1.

Cucu!

Em Tanger, ainda, eu escrevia umas linhas, como tantas outras escrevi durante a viagem, e alguém sugeriu que fossem essas linhas o inicio da minha crónica… E porque não começar pelo que sentia na ultima noite em terras de Marrocos?

E escrevia eu:

“Estou quase de regresso, apenas uns 900 e tal quilómetros me separam de casa, será a ultima etapa.

Neste momento estou sentada na esplanada do hotel Continental, em Tanger. Todo o grupo já foi dormir, mas eu tardo em dar por terminada a minha incursão por Marrocos…

Algumas coisas me desiludiram, muitas coisas me agradaram e uma infinidade delas me maravilharam neste país! Houve um momento em que pensei com os meus botões “isto não tem nada a ver comigo” ou “só por ti, Sottomayor, estou a passar por isto” quando o vento era tão forte que eu pensei por diversas vezes, me ía atirar ao chão…

Mas o paraíso estava mais além, sempre mais espectacular, sempre mais surpreendente!

Uma cidade azul, umas horas no silêncio do amanhecer no deserto, uma cordilheira aos meus pés, uma Medina espantosa e outra e outra ainda … um grupo de motos amigas em meu redor!

Houve um momento em que disse que não deveria cá voltar, o que levava era suficiente para a memória. Hoje não tenho mais a certeza!

Se calhar voltarei mais cedo do que cheguei a pensar!

Tenho tanta pena que o meu amigo não tenha podido ver o que os meus olhos viram… nem viver o que o meu coração viveu!

De repente nem sei como poderei fazer uma crónica desta viagem! Mas sei que tenho de faze-la, para que nada se perca no tempo… vou faze-la nem que seja pouquinho a pouquinho e demore um mês a termina-la!

Adeus Marrocos e até à próxima!”

Mas a epopeia começou assim:

Os preparativos começaram cedo, as histórias que fizeram cada um de nós juntar-se e formar este grupo são diversas, mas uma constante se manteve: todos queriam ir a Marrocos!

E a viagem começou, para uns mais cedo do que para outros: Eu, o Jorge, o João e o Filipe, com direito a comité de despedida na área de serviço de Santo Ovideo

 

 

No dia 15 os primeiros 4 viajantes e respectivas motas partiram do norte, descendo o país até Lisboa, onde foram recolhidos simpaticamente pela Paula, Carlos e pais que, alem de nos darem guarida, ainda nos deram de jantar!

Mas a verdadeira viagem começaria no dia seguinte! Eram que horas? 5.00 da matina? 5.30h? Que importa, para a festa não ha perna manca!

Logo ali à frente começamos a juntar mais gente ao grupo: o Vitor e a Sandra!

E a seguir o Alberto e a Mila, que o restante povo era do Algarve e só se juntaria a nós mais tarde um pouco, já por terras de Espanha

(Continua amanhã que a net está a empatar!…)

2.
Foi depois de nos encontrarmos todos e de uns simpáticos quilómetros em conjunto que o vento apareceu! E parecia que nos queria levar pelo ar! Este vento que nos acompanharia até Tarifa, durante a travessia e por grande parte do trajecto até Chefchaouen…

A passagem pela fronteira foi o primeiro impacto com o mundo que iríamos visitar!

Algumas ordens contraditórias mas lá pousamos as motos para tartar das papeladas.

E começou o “monta-desmonta-e-anda-só-um –bocadinho”

Houve quem se transformasse imediatamente em Taliban, mas nem por isso conseguiu passar primeiro!

E la entramos e amarramos as motitas


Mas a parte melhor estava para vir, na fronteira do lado de Marrocos

3 –
Depois veio a burocracia da alfandega marroquina, onde a autoridade tem de ser respeitada, mas onde às vezes é difícil saber quem ela é, já que qualquer fulano anda por ali, com um cartão pendurado ao peito a preencher papeis e não tem nada a ver com a autoridade!!

Aquilo, em cima da minha motita é o meu pé!… enquanto esperava, pacientemente, que nos mandassem seguir…

E passamos, finalmente! Aquele “v” do Vitor deve ser a festejar o facto: estávamos em Tanger!


Então veio mais vento, mais luta…

Escrevia eu naquela noite:

[i]“ A violência do vento, além de me cansar, stressa-me!

Não suporto a ideia de poder estar a atrasar todo um grupo, mas o vento simplesmente não me deixa andar!

A cada curva do caminho senti-o atacar-me, como um bandido! E a cada curva temi cair!

Puxa, será que Marrocos é todo assim? Serei eu capaz de aguentar 8 dias disto, com o meu cotovelo a doer, cada vez mais, e uma moto enlouquecida pelo vento, nas mãos?

Hoje está vencida a luta… amanhã se verá!”[/i]

Chegamos a Chefchaouen

Fomos recebidos com um chá de menta, que alegrou os ânimos, pois eu nunca me lembrei que o que me atrasava a mim também atrasaria os outros, o vento quando nasce, é como o sol, é para todos!

A casa era modesta mas bastante simpática

Andei a cuscar alguns recantos

E depois foi-nos servido o primeiro jantar de tagine para todos!

Almondegas com ovo escalfado. Gostei bastante!

E tortilha para a amiga Maria que não come carne

Depois era hora de descansar e o dono do Hotel arrumou todo o espaço para que a gente guardasse a motos lá dentro! Foi super simpático!

Assim todos pudemos dormir em paz!

4 .

5. A verdadeira beleza de Marocos começa a seguir!

Neste primeiro dia tudo me surgiu ao espírito, do tipo, que bonita paisagem com construções tão feias, decadentes e inacabadas!

Que pena não haver, aparentemente, um recanto habitado bonito!

Entretanto entramos em Chefchaouen que, até chegarmos à Medina, nada parecia ter de melhor em relação ao que já tínhamos visto… mas aquela Medina é um mundo azul inesquecível…

Tomamos um óptimo pequeno-almoço, que foi sempre a melhor refeição de cada dia

E partimos para uma visita guiada pelo filhote do dono do hotel, pela Medina azul

A cidade em si tem o seu interesse

Mas a Medina é a verdadeira surpresa e a entrada não deixa prever a beleza do interior

Caiam-se as casa de azul, uma mistura de cal com pigmento anil, para afastar os mosquitos.

Não podíamos encontrar melhor cenário para uma foto de grupo!

Também há comércio e também há sujidade, mas com aquele azul magnífico, fica a sensação de limpeza!

Recantos lindissimos e portas pequeninas!!

E as senhoras pintam as casas

E o Jorge foi dar uma ajuda!

As senhoras acharam-lhe muita graça!

Desculpem a quantidade de fotos, mas esta era uma das cidades que eu mais queria visitar em Marrocos e não me desiludiu!

6.

Depois levantamos âncora, as motitas tinham ficado guardadas ainda dentro do restaurante do hotel, e fizemo-nos à estrada. Felicidade absoluta: o vento tinha praticamente passado! Que alegria!

Até as paisagens eram mais bonitos sem a ventania a incomodar! As vaquinhas e tal, e gente podia bem com elas, vento é que não!

Chefchaouen ao longe, na encosta do monte

Paramos na berma da estrada para almoçar

À sombra de arvores e guarda-sóis

Comemos tagines de carne e legumes (a minha estava optima! Do melhor que por lá comi!)

Comemos também tagines de carne com cebola e passas (nem provei… detesto cebola!)

Viriamos a constatar durante a viagem, que frequentemente os “botecos” não tinham capacidade para servir assim 14 pessoas de repente, pelo simples facto de que, cada tagine, que normalmente é para uma pessoa, ocupa uma boca de gás ou de fogo!!

O que mais se bebia era coca cola, como se pode comprovar pelo que diz no rótulo!

O pão era óptimo e, eu que adoro pão, fui percebendo que, se é bom come-se, porque o que vem a seguir para comer pode não ser!

E antes que gastasse o dinheiro todo tirei-lhe uma foto, pois não querendo trazer notas para recordação, queria ficar com uma imagem dos dirhams!

E voltamos à Estrada

Havia momentos em que não me bastava tirar uma foto em andamento e tinha de parar…

Outras tirei-as mesmo em andamento e ficaram divinais! Estou a ficar especialista de fotografar e conduzir ao mesmo tempo!

E chegamos a Volubilis onde se situam as Ruínas Romanas , Património UNESCO da Humanidade desde 1997… outro ponto alto desta viagem…

Depois de negociado o preço do estacionamento das 9 motos (que deveriam pagar 90 Dhrs e acabaram por pagar 17 Dhrs e não se fala mais do assunto) foi hora de voltar ao passado!

O bando, todo catita a aproximar-se do local

E a gente apercebe-se de está a pisar um espaço que foi importante, senão grandioso!

Sabe-se que ali existiu uma grande cidade com uns 20.000 habitantes e nota-se pela dimensão do que resta…

Hoje continua habitada por outro tipo de habitantes!

Ao longe Moulay Idris

A entrada da cidade, com a avenida principal a levar ao arco do triunfo! E eu ali, a ver se aquilo não caía tudo!

E tinhamos de ir embora!

Seguimos para Fez e “contratamos” um guia de motoreta para nos levar ao hotel e não precisarmos de andar de lado para lado à perguntar a uns e a outros, já que os Gps não conhecem nada bem Marrocos!

E foi direitinho!

Não era aconselhável andarmos sozinhos por ali por isso fomos dar uma voltinha pela cidade de táxi! Foi giro e deu fotos curiosas!

Portões do palácio real

Aquilo é tudo em cobre!

Imponente aquele portão!

Depois fomos dar a volta à medina, aqui é uma das portas

Esta foto foi tirada de dentro do carro e ficou curiosa!

A muralha da medina

E Fez vista lá de cima, com a lua como farol!

E fomos dormir satisfeitos…

7.
Ao 3º dia fomos dar uma vista de olhos a Fez. Da minha janela conferi que as motitas estavam onde as tínhamos deixado

A moto do Diamantino tinha tido visitas naquela noite!

Do topo do hotel, onde ficava o restaurante podia-se ver a cidade

Hora de partir

A muralha da Medina parece nunca mais acabar

Não cheguei a saber quantos palácios reais e imperiais ali há. Dizia o guarda que este era o palácio imperial e que não se podiam fazer fotos à sua porta ou fachada! Claro que, rapidamente, roubei uma!

Enquanto o resto do povo ia dando uma olhada por ali, mesmo montado nas motos.

Mas chamem o que quiserem aos palácios, lindo lindo era este! O palácio real!

E com os viajantes na frente, melhor ainda! Não, não tirei fotos com a bandeira portuguesa… eu sei que toda a gente faz mas eu não tirei… alguém a deve ter tirado.

Mais uma porta da cidade (ou na cidade)

E partimos… a caminho de Ifrane a cidade mais europeia de Marrocos…

O ambiente era realmente de uma cidade Europeia, sentamo-nos na esplanada do hotel Chamonix e tudo!

só o chá é que era de menta, como sempre!

e o que eles gostavam daquilo, até enjoarem…

E de repente parecia mesmo que estava noutro ponto do mundo!

Até voltar rapidamente ao magnifico Atlas!

Encontramos uma cidadezinha para parar e abastecer… e para eu meditar…

A palavra Atlas ganhou outro significado para mim, depois daqueles dias!

8.

Escrevia eu em viagem:

“O Atlas…nada do que pesquisei antes me preparou para o que estou a ver e a viver!
Fala-se de uma cordilheira e tal… quantas cordilheiras já vi e percorri? O Atlas não tem nada a ver com nenhuma e por vezes parece-se com todas! O Atlas ficará na minha memória pela sua beleza insólita, onde o deserto é tão diferente e variado em relação ao que eu tinha imaginado!
De repente começamos a passear sempre acima dos 1500metros de altitude e não se sente, não se imagina tal, se não fosse o meu Patrick dizer-mo, nem tal me passaria pela cabeça!
E o deserto está cheio de gente! No meio de lado nenhum há um grupo de homens a conversar, varias manadas de burros, borregos ou camelos a pastar, miúdos a brincar!
Aquela sensação de que o deserto é um vazio de areia, cascalho e horizonte não é totalmente certa… porque certamente há sempre alguém por ali! Uma “mobilete” que se arrasta na estrada infinita, uma bicicleta decrépita… as casas não podem ser longe!
Então no horizonte, uma linha verde se vislumbra, no solo! Tiro fotos, será uma miragem? À medida que nos vamos aproximando a linha verde torna-se num sulco, longo e gigantesco, uma fenda capaz de albergar um oásis aparentemente infinito! Um rio de palmeiras, serpenteia entre os montes a perder de vista e a vida pulula lá em baixo! Terrenos cultivados, casas e quintais, ruínhas e pessoas… há tanta vida no deserto!
E depois de tanta aridez aquele verde é tão mais verde!”

E de repente, no meio do silêncio da vastidão da paisagem, entramos numa terrinha cheia de gente!

Os nomes das cidades (vilas ou aldeias?) aperece frequentemente escrito na encosta de um monte

As estradas não estavam em muito mau estado, mas houve momentos em que a erosão arrastou terra e cascalho para o asfalto

Nada que os valentes viajantes não conseguissem ultrapassar e me ajudassem a passar também! Obrigada Carlos!

Depois foi o momento de para abastecer estômagos

Ali ninguém pode ser muito esquisito! Às vezes os aspecto das coisas nem corresponde ao seu sabor…

mas aquela caçoila já devia estar no lixo há anos!

Também estamos a falar de um povo prático que faz das dificuldade facilidades! Ainda não entendi como eles conseguem transportar todo o tipo de animais lá em cima das carripanas, com tralhas e pessoas à mistura!

E continuava o paraiso!

Um rio implica uma localidade, vida movimento

e começa-se a ver, lá ao fundo, uma linha verde…

e começam a parecer palmeiras e verdura

e um Oasis de perder de vista!

Os nómadas recebem os viajantes nas suas tendas, são simpáticos e conversadores.

Gosto da tenda! Dormiria confortavelmente lá uma noite!

As motitas lá fora

O conforto cá dentro

A atmosfera não estava limpa nem nitida, o ar não estava carregado, no entanto… o que turvava o horizonte era areia!

E o sol converteu-se num ponto luminoso para além da nuvem…

E chegamos ao hotel no inicio de uma tempestade de areia!

Começou o sonho de ir ver o nascer do sol nas dunas…

9.

Começamos a pensar ir ver o sol nascer e se depressa o pensamos mais depressa o fizemos! O que custou mais foi levantar da cama às 3,30h, mas tudo bem. Parece que o despertador foi o mesmo para todos, pois chegamos todos bem na hora.

Depois de um caminho que nenhum de nós conseguiu vislumbrar no meio de nada e de luz nenhuma chegamos onde havia gente!

O nosso guia, que no dia seguinte me quereria comprar com uma série de camelos

Mas nada disto era visível aos nossos olhos tal era a escuridão! Apenas o flash das maquinas nos iam mostrando o que nos rodeava!

E a lua lá em cima meio encoberta

Será que o céu ia estar encoberto e não veríamos o sol nascer?

Sentimos as nossas montadas aproximarem-se na escuridão, vi-as apenas numa ou noutra flashada

São simpáticos os bichinhos, sentam-se para a gente montar, o nosso guia explicava como se fazia, mas uma coisa é ver outra é fazer… outra ainda é conseguir equilíbrio lá no topo quando o camelo se levanta!

Claro que há sempre quem pareça ter nascido em cima de um camelo, só para ns fazer sentir desajeitados e medrosos!

A sensação de caminhar em cima de um camelo… bem não eram camelos, eram dromedários, porque só tinham um bossa… então, a sensação de caminhar em cima de um dromedário, no meio da escuridão da noite, tendo apenas como ponto de luz uma lua meio encoberta é surreal!

Chegamos ao ponto, que para nós era mais uma vez no meio de nada, onde paramos. Subimos à duna bem alta e sentamo-nos no topo, lá bem no vértice onde ela volta a descer vertiginosamente. Os nómadas sentaram-se perto de nos.

Apenas um falava francês e tirou-nos uma fotografia, sentadinhos como putos lá em cima

Eu também lhe tirei uma a ele

E o sol nasceu para nós!

E quando o sol nasce e se faz luz… de repente percebemos que não estamos sós!

Nada sós mesmo!

Ele há gente, dromedários, jeeps, hotéis e tendas….

O deserto está cheio de gente!

E conseguimos ver, pela primeira vez a real cor da areia!

Tenho de mostrar os nossos amigos de dia, pois eram tão giros!

Este dizia “hello”

este mastigava chiclete

este apenas me olhou de lado e nada disse

Este era o meu, já tínhamos conversado tudo na viagem

Este não quis conversa comigo!

e pusemo-nos a andar. O meu dromedário parecia uma avestruz visto de cima!

Aqueles ali somos nós!

Eles andam pela crista da duna, em filinha!

As minhas vizinhas de trás

E eu, como não podia auto-fotografar-me, fotografei a minha sombra e do meu bichinho!

Aqueles “riscos” na areia, são tubos que transportam agua para o deserto onde os nómadas vivem.

E as dunas eram fabulosas…

E a areia acaba e começa o “cascalho” assim, como se de uma manta se tratasse!

Se eu não tivesse ido ao deserto naquela noite teria perdido um pedaço precioso de paraíso…

10.
Depois daquela experiência maravilhosa nas dunas, adormeci como uma anjinho, no caminho de regresso ao hotel! Ainda bem que assim foi, pois eu não gosto nada de andar de carro e por aqueles caminho (trilhos) aos SS no meio de lado nenhum com uns saltos à mistura, eu iria enjoas se não tivesse adormecido!
O meu pretendente (era um tipo engraçado e brincalhão) ainda correu um pouco atrás da minha motita para vir comigo!

Serviu para toda a gente se rir um bocado e iniciar mais um dia de viagem em boa disposição!

De repente sentia-me no meio de um filme, com as tendas dos nómadas ali mesmo à beirinha!

E havia poços e movimento por ali. Turistas que espreitavam, acho que as pessoas são bem recebidas!

Foi quando não pude evitar de para e tirar umas fotos com as minha Magnifica junto da areia!

Que bem que ela ficou!

Parece mesmo que está nas dunas, mas está apenas na estrada junto da areia

O nosso “moto vassoura”, que parava cada vez que eu parava também teve direito a foto!

Depois de quilómetros e quilómetros de burros e borregos a pastar vimos camelos a pastar!

A paisagem foi mudando lentamente

Onde há água há verde!

Apenas um fio de água separa o deserto do oásis!

A paisagem é cada vez mais montanhosa e diferente

Chegavamos às Gorges de Todra… o Atlas alto, um paraíso para o todo-o-terreno certamente, mas um paraíso para quem não pode ir mais longe também!

Aquilo é tão grandioso que eu nem sabia bem como captar toda a dimensão da paisagem!

As construções, simplesmente parecem casinhas de brincar perto da dimensão do “pedregulho”!

E a água que corre, límpida e rápida… contínua!

Vem desta “pocinha” que não é alimentada por riacho algum!

Simplesmente a água surge debaixo para cima, enchendo-a permanentemente! A nascente não será longe!

E sentimo-nos ali, nas entranhas do mundo, embora estejamos a uma altitude considerável!

Tomamos uns sumos refrescantes, para limpar o pó das gargantas. Em Marrocos todo o sumo de laranja é bom!

Estavam sempre a chegar jeeps e motos, cheias de pó!

Não falta quem venda qualquer coisa por ali, recordações ou mesmo tapetes e materiais de grande dimensão

E seguimos viagem…

Há burrinhos tão pequenos por ali que até custa a crer que possam com toda a carga!

E fomos almoçar, que isto de viajar faz fome!

Não se comeu mal! Pelo menos eu gostei bastante!

O restaurante que tão bem nos acolheu e que, logo a seguir, estava a receber mais motociclistas

A vilazinha era curiosa! Tinha uma série de paredes pintadas, o que era bem agradável para quem passava!

Murais bem pintados e limpos! Ninguém os vandalizara! Lá não existe a mania do “gosto muito mas tenho de estragar”!

11.


“O Marrocos profundo foi uma surpresa permanente!

As casa, quase sem janelas, confundem-se com a paisagem, tudo parece ter a cor da terra, dos montes, do chão… À primeira vista não há nada, só depois se começa a vislumbrar algum pormenor, quando o olhar se habituou…

Por vezes, apenas num olhar, conseguem-se reunir “no mesmo postal” um pouco de quase tudo o que há para ver: deserto, planícies cheias de beleza, montanhas únicas e árida e montanhas nevadas!

É certamente um país de contrastes, em termos de paisagens!”

Continuamos o nosso caminho. Curioso como se fazem murais nas paredes, aqui era uma estação de serviço, que nem estava ainda pronta, mas já tinha as paredes pintadas!

E estávamos a chegar a Ouarzazate, a Hollyood do deserto.

Estas construções são deliciosas, se estivesse sozinha tinha parado um milhão de vezes para fotografar umas e outras e outras ainda! Lindas!

Ouarzazate é mais uma cidade das mil e uma noites e o que se vê na net não faz justiça ao que lea é!

Um dia que eu lá volte, tenho de me lembrar que quero ficar ali um dia inteiro, pelo menos!

Desta vez as motos não ficaram dentro do hotel, mas quase! Ao lado da porta era tudo nosso, em cima do passeio, onde podia estar uma esplanada!

O hotel era novo e o meu quarto era giro!

Tinha uma vista simpática sobre aquela zona da cidade!

Do meu duche podia ver a cidade!

Depois fomos jantar, os famosos “couscous” que eu adoro!

Discutia-se sobre “os coucous prestam ou não prestam”…

A verdade é que, normalmente prestam e são muito bons, mas ali… nem por isso! Os meus estavam óptimos, pois fui das primeiras a servir-me… Os meus amigos Diamantino e o Filipe é que não acharam muita piada…

12.

Mais uma noite bem dormida, mais uma vez uma mala para fazer e cá em baixo, mais um óptimo pequeno almoço nos esperava e muita animação, a animação de quem quer ver mais!

Os porta-chaves dos quartos eram muito giros! Curioso como se liga tanto aos pormenores!

Juntando vários, fiz uma Ouarzazate pequena ! Gira!

O grupo era fantastico! À hora marcada estava tudo pronto, pequeno almoço tomado, malas cá em baixo, motas prontas e toca a andar! Nunca se esperou por ninguem!

E “bora” lá ver a cidade!

O Museu do Cinema

E os viajantes todos, mais as respectiva montadas!

Claro que depois fomos fazer umas comprinhas… aliás… fomos negociar umas comprinhas!

Eu nem sou uma compradora compulsiva, mas a realidade é que apetece trazer montes de coisas giríssimas que lá há, para casa!

13.

Mas a cidade não é apenas interessante pelo que tem para comprar! Ouarzazate é diferente de todas as cidades que vi e fascinou-me realmente! Apeteceu-me entrar por aquelas ruinhas e perder-me no meio da arquitectura curiosa… mas tinha um grupo à minha espera…

É uma cidade preparada para os turistas…

E bem pode, com toda a beleza que ostenta!

Ali mesmo, ficavam as cozinha berberes, que se podem visitar e onde funciona uma loja tipo armazém, com montes de coisas berberes à venda.

Muito bonito! Tenho de lá voltar!

Parece um castelinho de brincar, um cenário de Hollyood!

E seguimos viagem…

Passamos à porta dos estúdios mas não fomos visitar, havia muita paisagem para ver logo ali à frente!

E voltamos a ver neve! Da primeira vez a máquina não a conseguiu apanhar, mas desta vez conseguiu!

É o contraste absoluto, estar-se às portas do deserto e ver-se a montanha nevada do outro lado! Deslumbrante!

A qualquer curva da estrada tudo era seco

E tudo era bonito também!

Casinhas, terrinhas, localidades por todo o caminho

A qualquer momento uma ponte de madeira, a lembrar as pontes militares, barulhentas para caramba! Cada tábua batia com um som diferente da outra à passagem das motos, como uma cacofonia!

Pausa para reflexão, vamos para onde a seguir?

A minha Magnífica tinha de reflector sozinha, pois eu estava demasiado ocupada a tirar fotografias!

Há quem reflicta de braços no ar!

Em qualquer recanto, uma mesquita!

E os “castelinhos” são adoráveis, no meio das populações!

Cada vez que atravessávamos uma população tinha a sensação de que era igual à anterior!

Era a uma certa distância da rua principal que as “coisas” ganhavam a sua piada!

E lá estava a neve outra vez!

Consegui fazer zoom com a máquina fotográfica e tirar esta foto giríssima, sem parar! Sou um fenómeno! Eheheh

14.

Cada recanto daquele país me maravilhou, sobretudo as pequenas povoações, com casinhas que pareciam de barro, todas da mesma cor, a confundirem-se coma paisagem… E o que mais me apaixonou foi o que mais se distinguia da Europa!

Começamos a descer o Atlas… ADOREI!
Porque aquilo não era Alpes, nem era nada do que eu já vivi em dezenas de montanhas e cordilheira que já percorri!
Aquilo era Marrocos!

Esta descida foi o êxtase para mim! Só não tirei mais fotos porque senão não chegaria a gozar o prazer de a descer!

E paramos logo a seguir para comer, aquela que foi a minha pior refeição de toda a viagem…

Ao ladinho do restaurante havia muito o que ver e comprar

O local até era agradável

As tagines a fazer montra

O talho ali mesmo ao lado, com o pó da estrada (que era bastante) a temperar as carnes.

A fome já era bastante

O pessoal da cozinha era super-simpático, fartamo-nos de tirar fotos junto deles e das tagines

As casas de banho, como quase todas as que vi em estações de serviço e alguns restaurantes não convidavam a sentar! Ao menos não seria pela sanita que apanharíamos alguma doença!
O outro dizia “aninhou? Tem que rezar!” Ali era mais “cagou? tem que aninhar!”

Os sumos de laranja, naturalíssimos, vinham directamente do espremedor manual do outro lado da Estrada!

A comida começou a vir para a mesa e não teve mal!

A minha surpresa estava na minha tagine de borrego…

Intragável… tinha vários dias, apenas tinha sido aquecida! Nem as batatas, moles e enjoativas, se aproveitavam… uma pena, porque eu comi lá tagines fantásticas… eu até sou uma pessoa que come qualquer coisa, mas aquilo, não!

Bem, mas eu não viajo para comer e as paisagens fantásticas estavam ali ao lado à espera para serem desfrutadas! E voltamos a ver neve!

As casinhas, de uma arquitectura diferente do que viramos até ali, continuam a confundir-se com os montes e a paisagem, em cascatas fantásticas!

A paisagem ía mudando à medida que nos aproximávamos de Marrakech

“Marrakech era uma cidade que eu queria muito visitar!
O seu nome consta da minha memória e do meu imaginário desde que me lembro de mim!
Nem sei a partir de que momento! A gente cria histórias em volta de determinados nomes com que cruza!
Nomes de pessoas que associamos a outras que já conhecemos, nomes de cidades que associamos a mundos imaginados!
E afinal, Marakech é tudo o que eu imaginava e não é nada parecida, ao mesmo tempo!
A cidade desenvolvida, quase europeia, contrasta visivelmente com uma Medina cheia de gente, de ruelas estreitas e lojas de tudo! Como se coexistissem e épocas no mesmo mundo.
Se a primeira impressão foi de susto, a seguinte foi de confiança. A gente perde-se por aquelas ruelas, não no perigo, mas nas compras, nas curiosidades e na recepção e simpatia… alguma melguisse também… pronto!
A praça Djemaa-El-Fna, é um mundo dentro daquele mundo! Tudo existe por ali, tudo se compra, tudo se vende, tudo se negoceia, de tudo se vê! Mas há um cuidado na apresentação do que se vendo, remarcável! Os frutos secos, ou cristalizados, são expostos com primor, tudo tem um aspecto que promete e provoca!”

O meu Patrick (GPS) garantia que conhecia o local indicado pelas coordenadas do hotel e levou-nos, direitinhos para a Medina de Marrakech!

Tive pena de ter as mãos ocupadas a conduzir, pois teria feito umas belíssimas fotos, com as 9 motos a circular em filinha pelas ruelas estreitas da Medina e toda a gente a olhar espantada “estamos a ser invadidos por elefantes de duas rodas” deviam pensar aquelas pessoas apenas habituadas a ver passar bicicletas e motoretas por ali!

Um simpático “nativo” na sua mobilete, acabou por servir de guia e levar-nos direitinhos ao hotel

O meu Patrick, e outros GPS’s tinham razão, as coordenadas do hotel estavam erradas…

Do hotel podia-se ver a estação de camionetas da cidade e a Medina mais ao fundo.

As motitas ficaram todas “de mãos dadas” na garagem do hotel…

Os moçoilos do grupo pronto para um “banho de Medina”

As moçoilas prontas para outro tanto!

E lá fomos, todos catitas passear até à famosa praça Djemaa-El-Fna

Por ali vende-se de tudo, em lojitas de tudo, muito coladinhas umas às outras, com conteúdos muito variados de porta para porta!

Chegamos à torre da Mesquita da Koutobia

E a praça Djemaa-El-Fna, onde se pode encontrar de tudo!

Aqui me “roubaram” a mão e ma pintaram, assim, como quem me quer explicar como é! Depois pediram-me 50 Drs! “Quanto?? Não tenho, apague-me isso” o Filipe acabou por vir em meu socorro, deu-lhe 10Drs e eu vim embora com um desenhinho na mão que parecia feito de chocolate!

E fomos tratar de comer

Foi ali que eu tirei a barriga de misérias, depois do miserável almoço, comi de tudo!

O que eu gostei daquilo tudo, era peixe, era carne, muito pão daquele óptimo que eles têm por lá, molhos e outros petiscos bem agradáveis!

Discutia-se o jogo em que o Porto acabou por ganhar!

E comia-se com prazer!

Depois veio, literalmente, o carrinho dos bolos! O homem andava por ali com imenso carro de mão, que mais parecia uma mesa com rodas, coberto dos bolinhos típicos dali!

Depois fui dar uma vista de olhos à bancada do assador onde comemos e era bonito de se ver!

Aquela gente é simpática e prestável, fizeram-me subir imediatamente ao lugar do cozinheiro, trocamos chapéus e fizeram uma festa para a fotografia!

Mas a praça ainda tinha muito o que ver e que experimentar! Por isso paramos logo ali à frente, num balcão/carro com diversas coisa a oferecer!

Chás de uma mistura de não sei o quê, mais um pozinho de canela e umas ervas não sei do que mais…

Bolinhos de qualquer coisa e sorrisos dos visitantes, que ainda não se tinham convencido que aqueles chás cansam para caramba!

E seguimos à descoberta do que mais há para vender pela praça! Frutos secos, tâmaras, figos e tanta coisa de trincar!

Tudo primorosamente apresentado! Apetecia mesmo comprar e comer de tudo!

E mais uma vez me puseram a fazer cenas! Eu com medo que ele não me deixasse tirar uma foto mais perto e o senhor pôs-me lá em cima a vender para a foto! São simpáticos os marroquinos!

As tâmaras são um fruto que os muçulmanos muito prezam, em época de Ramadão, ela fornece muito alimento para os nutrir depois de horas sem comer ou para os preparar para aguentarem mais um dia de luz sem comer…

Os sumos são espremidos na hora, à mão, os espremedores de citrinos ainda não chegaram ao comum dos mortais, lá por Marrocos! As laranjas por lá são muito boas, julgo que a qualidade que se encontra no Algarve, se estende por África abaixo!

E voltamos a praça de Koutobia, para apanharmos o caminho, pela Medina, até ao hotel.

15.

E um novo dia amanheceu, o 6º, dia 21 de Abril de 2011.

Dou-me conta, de repente, que nem tenho feito menção aos dias que passam, nem em que dia acontece cada visita!

Pois este era o 6º dia de viagem, não iríamos pegar nas motos, apenas caminharíamos pela cidade. Seria o momento para fazer compras, (negociar compras!), ver o que houvesse para ver a pé! Seria também o momento da pausa, para pôr o esqueleto no sitio depois de uma porrada de quilómetros no corpo!
Depois de mais um pequeno-almoço bem aviado

Os meninos muito aprumadinhos à espera do agrupar para passear!

E partimos apara um belo banho de Medina! De dia o movimento era menos caótico!

As curiosidades locais é que tornaram esta viagem fantástica! Eis uma churrasqueira!

A mercearia, com todo o tipo de massas, massinhas e macarrões!

Feijões, grãos e chazinhos!

O fornecedor de galinhas fresquinhas! Ainda mexiam como as sardinhas!

A variedade de cafés: mais torrados, menos torrados, com mais ou menos chicória!

Fruta radiosa e colorida em todo o lado!

As ruelas estreitinhas, miraculosamente sem lojas!

Parte do comércio ainda fechado. Não cheguei a entender muito bem os horários das lojecas, umas abriam tarde para caramba, outras pareciam nunca fechar, como os barbeiros que estavam a cortar cabelos à meia-noite e com fila de clientes à porta!

E as portas! As portas fascinaram-me!

E o que ía cuscando para lá das portas também me fascinou!

Recantos acolhedores

Pátios interiores a lembrar um pouco os Sevilhanos!

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Artesãos que usam pés e mãos para tornear a madeira!

Há vida em todos os recantos e, embora a horas das motocicletas seja mais para a noite, elas andam por ali!

Pormenores de uma Medina cheia de movimento!

Não, eles não estão a dizer adeus! Estão a avisar que não querem ser fotografados… mas quando eu vi já estava a foto tirada!

E como há que agradar a toda a gente há mimos para os portugas que ali passem!

E cá está o bando de novo, quase todo!

Ele há burrinhos tão pequeninos que até custa a crer que possam com alguma carga!

E cá está o homem das sacas!

E chegamos à praça Djemaa-El-Fna, com direito a “cobras e lagartos”!

Esquilinhos tão calmamente quietos junto às gaiolas!

E a rua onde almoçamos e onde, uma semana depois, aconteceu o atentado!

16.

Havia tanta coisa por ali para ver e visitar! Passamos por um parque de motoretas tão arrumadinho e engraçado! O senhor queria que a gente levasse para lá as nossa motos, deviam enriquecer o curriculum do local!

Fomos andando à procura das curiosidades da cidade: a mesquita de Alcáçova, que infelizmente não se podia visitar!

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Mas pudemos visitar o Mausoléu dos Saadies,

Um mausoléu régio construído no século XVI, muito bonito!

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De repente pensei que os Muçulmanos também tinham anjos em nichos! Mas depois reparei que o anjinho era nosso!

E voltamos ao mundo real, cheio de sol e de vida

Numa zona visivelmente diferente da Medina que já tínhamos visitado

Uma zona mais airosa e colorida!

O batente de uma porta com a mão de Fátima, a filha do profeta!
Esta mão é simétrica porque Deus não tem direitas nem avessas, é perfeito e o seu nome aparece, frequentemente inscrito nesta mão em forma de capicua, podendo ser lido da frente para trás e de trás para a frente!

E seguimos à procura do palácio de Badia

]

Com os topos povoados de cegonhas!

O palácio Badia já foi residência imperial. Foi construído no século XVI e destruído pouco a pouco e as suas mármores usadas na construção e decoração de outros palácios posteriores.

Muita da sua grandiosidade e alguma da sua beleza ainda prevalecem…

Ele havia gente conhecida por todos os lados! eheheh

Os nossos amigos lá em cima

17.

Voltamos a mergulhar na Medina para caminhar, digerindo a experiencia da visita de um palácio airoso e espaçoso, no meio de ruelas estreitinhas!
E, no meio da vida comum, já nossa conhecida, na Medina

Andava eu a fotografar portas

Quando, atrás de uma, comum por ali

Encontramos um recanto maravilhoso!

Hesitamos em entrar, mas fomos simpaticamente convidados a faze-lo e autorizados a fotografar! Aquela gente entende que promover o local passa por deixar vê-lo!

Um restaurante composto de diversas salas, recantos e antecâmaras maravilhosos! Parecia retirado dos contos da Mil e Uma Noites!

Quis-me sentar em todas as salas e nem me importava de tomar um chá de menta para o fazer, mesmo detestando-o!

Aquilo era tudo tão bonito!

As decorações de algumas paredes pareciam renda!

E foi aqui que tomamos uma bela cervejinha para comemorar a vitória do Porto!

Há uma mesquita em cada esquina!

Naquela noite jantamos num restaurante interessante, onde encontramos o José Rodrigues dos Santos e a família. Não tirei fotos porque nunca gostei de fotografar famosos… sobretudo quando estão na paz das férias com a sua gente!

18.

Era dia 22, o 7º dia de viagem… hora de partir para mais uma etapa…

mas não seguimos caminho sem antes ir visitar uma pequena jóia de Marrakech

O Jardim Majorelle de Yves Saint Laurent

O jardim foi desenhado pelo pintor francês Jacques Majorelle em 1919.
Depois da sua morte ficou meio abandonado até que o casal Pierre Bergé e Yves Saint Laurent o compraram, em 1980 e o reestruturaram.

Hoje o jardim é um recanto repleto de cactos, bambus, buganvílias, entre outras plantas, que contrastam com as construções, pintadas de cores extremamente fortes.

As plantas que povoam o jardim compõem uma rara colecção vegetal que representa os 5 continentes!

A cor intensa do edifício principal faz a cor do céu parecer pálida!

Após a morte de Yves Saint Laurent, o jardim é administrado pelo seu então companheiro, Pierre Bergé.

Então sim, depois da visita, estava na hora de partir

A minha mão estava gira!

A chuva não deixou que se registassem pormenores do caminho, e chegamos a Essaouira!

Almoçamos num restaurante mesmo no porto, mas a cidade chamava para ser visitada!

Aqueles barquinhos azuis estavam a chamar-me a atenção desde que saí de casa!

Eu não sabia era que lá no local eles eram bem mais interessantes que nas imagens que tinha visto na net!

A cidade ao fundo… a cidade que também já foi portuguesa!

19.

Desta vez o meu Patrick (GPS) tinha razão, ficou todo baralhado e tentava a todo o custo fazer-nos entrar na Medina!
O que ele não sabia era que não circulam veículos lá por dentro!
Policias super-simpáticos (até me ofereceram peixe do que estavam a comer!) disseram-me que as motos não podiam entrar, teriam de ficar no parque no exterior.
E tivemos de deixar as motitas de “mãos dadas” cá fora.
O hotel era mesmo no coração da Medina.

O pior era carregar as malas lá para dentro! Mas também não foi problema, havia carros para o fazer!

A sensação de ir dormir no interior de uma Medina era de expectativa! Ia espreitando por todas as portas para ver como ela era lá por dentro!

E lá nos fomos embrenhando numa Medina que não se parecia em nada com a de Marrakech!

Airosa e com lojinhas colorida para nos fazer gastar mais uns Dirhams em souvenirs!

E lá no meio estava o nosso hotel lindo! Maison du Sud!

Uma construção cheia de recantos, pátios interiores, escadas e patamares onde se podia ver de cima para baixo e de baixo para cima!

As diversas salas, na penumbra, tornavam-se acolhedoras e quase misteriosas, com luzinhas agradáveis a criar um ambiente simpático, quase misterioso!

Andei por ali a fotografar tudo, vezes sem conta, até me levarem ao meu quarto que ficava lá bem em cima!

Fui subindo, subindo deixando toda a gente pelo caminho!

O que me valeu foi que o senhor do hotel carregou as minhas malas, senão eu teria parado um milhão de vezes pelas escadas acima até chegar… ao terraço!

O terraço era todo meu! Pronto ok, o Filipe Mendonça e a Olga também tinham quarto no terraço, ao lado do meu!

Claro que fui espreitar o que se via para lá do muro!

E lá de cima via-se a rua principal da Medina!

O hotel era lindo e labiríntico!

E cada vez que eu descia ou subia deliciava-me a captar pormenores, recantos, perspectivas!

Olha eu ali!

Todo o grupo adorou o hotel, acho que ninguém se importou mesmo de deixar as motos à entrada da Medina, só para poder usufruir de um espaço tão giro e simpático!

Adorei esta foto! O flash simplesmente fez desaparecer a parede e a jarra ficou pousada em cima de nada!

O povo reunia-se para sair à descoberta da Medina.

E toda a gente fotografou o local até à exaustão!

A chuva voltara entretanto e o povo ía andando de tolde em tolde para se abrigar minimamente!

Como não se podia andar à vontade por causa da chuva, fui pondo o olho às montras e eu que nem gosto de bolos achei estes girinhos, não são?

As ruínhas estreitas chamam-me sempre a atenção e por ali havia muitas!

Olhem-me para aquele arco! Quem passa lá por baixo?

Aí vem o grupo todo testar a altura do dito arco!

Se havia duvidas quanto à sua real dimensão basta ver! Todos nós éramos grandes demais para passar por ali sem nos baixarmos!

Mesmo a Mila, que era a mais pequenina, teve de se baixar pois os barrotes de sustentação ainda eram mais baixos que o arco de entrada!

Toda a gente vergou a mola para passar!

Uns mais do que outros!

E continuamos por quelhos e ruelas bem giros!

As portas continuam a fascinar-me e aquelas além de giras eram baixinhas!

A Medina branca e azul…

Chegamos à muralha do Castelo Real de Mogador construído pelos portugueses no inicio do século XVI! Essaouira já se chamou Mogador

Toda aquela artilharia é portuguesa!

Ali as gaivotas não fogem da gente, não devem estar habituadas a ser mal tratadas, senão fugiriam!

Perto da gaivota estava um passaroco dos nossos! Eheheh

Havia outros passarocos dos nossos muito interessados em espreitar para o interior da muralha!

E foi aqui, na portinha dentro do arco, que voltei a tatuar outra mão!

A amiga Maria já tinha feito o negócio quando cheguei, e já se tinha tatuado também!
Desta vez aproveitei para fotografar a operação, já que em Marrakech não o pudera fazer, quando me tatuavam a mão esquerda, pois era de noite!

Ha quem lhe chame pintura mas, na realidade, aquilo não é uma pintura, é uma tatuagem: Henna.

A Henna é usada em momentos festivos. Quando casam, as noivas tatuam as mãos e os pés em sinal de boa sorte

A Henna é uma mistura feita a partir de folhas secas e moídas da planta de Henna, com óleo de eucalipto e sumo de limão.
A Henna preta é resultado de uma mistura química.

Isso quer dizer que a minha primeira tatuagem (castanha) era natural, e a segunda (preta) era química!

Algumas das tatuagens das meninas do grupo!

Depois andamos a negociar peixe para o jantar! É preciso paciência e perseverança para se negociar peixe variado para tanta gente!

Escolhemos a tenda que tinha o peixe mais fresco e foi uma luta: Lulas, Chocos, Robalo, Dourada, Camarão Tigre, Lagostins, Lagosta… mais isto mais aquilo… 20 € por pessoa e foi um encher a barriga!

Ali mesmo em frente ao mar!

Alem das tendas do peixe também havia as tendas dos sumos, primorosamente enfeitadas com as cascas dos citrinos! Laranjas e toranjas, normais e sanguíneas, que bom aspecto!

E as gaivotas que pareciam de plástico, de tão branquinhas e quietinhas que estavam!

Entre o negócio do peixe e o jantar ainda houve tempo para umas cervejolas frescas que vieram mesmo a calhar

Ali mesmo, com a baia de Essaouira como paisagem!

E fomos jantar!

Um rodízio do mar, foi o que foi o nosso jantar!

Um ambiente romântico… de comilões…

Lagosta para todos, só faltou mesmo um pouco de maionaise e um vinhinho branco geladinho!

E foi um fim de dia, de barriga cheia

E cafezinho numa esplanada, fez-me falta o nosso café por lá… como em todas as minhas viagens faz!

Chichi cama, que a nossa casa era logo ali!

20.

Dia 24 de Abril de 2011…

O meu quarto era muito giro e a casa de banho simpática! Não resisti a tirar umas fotos para a posteridade!

O duche!

Esta ficou desfocada mas não tenho mais nenhuma para mostrar como era o outro lado do quarto: uma salinha de estar, com janelas para fora dos dois lados!

Cá em baixo esperava-me um pequeno-almoço muito bom, como todos durante a viagem, só que este contava com um ambiente privilegiado de puro romance!

Comi tudo e trouxe a tacinha da manteiga… ok, eu sei que isso não se faz, mas ela era tão velhinha e pequenina que não chegou a ser prejuízo para ninguém!

As pessoas inteligentes enchem a barriga ao pequeno-almoço, para terem “combustível” para a viagem! Assim, nem que o almoço seja fracote “barriguinha lá o tem” como dizem na minha terra!

Só mais uma fotozinha ao nosso lindo hotel e partimos!

Chovia quando saímos…

Os carregadores de malas estavam à porta à espera desde as 8.00h embora a gente tivesse dito 9.00h e queriam mais dinheiro para transporta-las. Nos tínhamos pago ida-e-volta no dia anterior, mas quem recebeu o dinheiro ficou com ele e mandou os amigos ver se recebiam outro. Mas não eram más pessoas de todo, senão tinham pedido o dinheiro à porta do hotel ou não carregariam as malas e não foi o que fizeram. Levaram tudo e no fim pediram mais dinheiro… a pobreza por vezes também faz destas coisas!

O céu permaneceu carregado e a chuva não deixou tirar grandes fotos em andamento. Fomos subindo sempre junto ao mar e a paisagem era muito bonita!

Agora eu tinha também uma mão direita muito florida!

As localidades eram cada vez mais parecidas com as do sul de Espanha.

O nosso guia e respectiva co-piloto!

E foi ali que paramos para comer!

Mas ali já não me deixei levar por comidas já feitas! Fui eu mesma escolher e mandar cortar a minha costeleta de vitela e levei-a eu mesma ao assador!

Toda a gente estava animada com pão e triângulos de queijo da Vaca que Ri

Continuo a achar que aquele pão é delicioso! Vou ter saudades, como tenho do pão polaco e austríaco…

O Diamantino já estava com a língua de for a prever o que ia aparecer para o seu repasto!

A minha costeleta estava um pouco grelhada demais, mas estava óptima! Tinha o sabor dos velhos tempos, quando o gado andava no prado…

As azeitonas por lá são óptimas! Algumas bem picantes, por sinal, o que eu aprecio muito!

Os pratinhos de carne que vieram para quem não foi escolher… eram diminutos!

Mas o povo comeu e gostou! Podia era ser mais, talvez!

O pratinho do Diamantino era giríssimo!

A amiga Maria lá teve a sua omeleta do costume! Não estava má!

Apesar de tudo acho que ninguém ficou com fome!

Quando tomávamos café passou um carro cheio de mulheres que gritavam! Parecia que iam para a festa, alguém disse que iam para um casamento!

O café estava óptimo! Do melhor que tomei por lá!

E seguimos caminho, agora com o sol como companhia!

E chegamos a El Jadida

A coexistência do europeu e o africano é visível pela costa

Chegamos cedo ao hotel Ibis, pois tínhamos coisas importantes para visitar na cidade!

Se por um lado é curioso encontrar influências europeias assim fora de contexto, por outro lado faz-me pena! Em Marrocos eu queria ver apenas coisas marroquinas!

Então fomos visitar a cidade

Achei piada aos miúdos, o chão devia estar quente!

Achei piada aos camelos, estes eram gordinhos, nada como os do deserto que eram magrinhos

]

El Jadida

El Jadida foi fundada pelos portugueses nos inícios do século XVI como entreposto comercial e militar na rota marítima para a Índia. A cidade manteve-se na posse da coroa até 1769, data em que foi conquistada em definitivo pelos marroquinos.

Após a retirada portuguesa, a cidade esteve cinquenta anos abandonada o que lhe valeu a designação de al-Mahdouma (a arruinada). Já no século XIX , o sultão Moulay Abderrahmane reabilitou a cidade que passou a chamar-se El Jadida (a Nova).

Os portugueses partiram para o Brasil onde fundaram uma nova Mazagão!

Este era, para mim, outro dos pontos altos da viagem… e não me desiludiu

Não me consegui conter e tirei uma infinidade de fotos… vou tentar por apenas algumas…

Orson Welles filmou partes do filme Othello nesta sumptuosa cisterna, classificada como património mundial da Unesco em 2004.

A cisterna chegava a conter 2,70m de altura de água

Uma última foto coma minha sombra…

21.

Continuamos a nossa visita à cidade e sua fortaleza. Ali mesmo ao lado ficava o posto da Policia, tão giro!

De vez em quando convinha conferir se o bando estava todo! O 14º elemento (eu) estava atrás da câmara!

Na muralha o cheiro a pão fresco era intenso e apetitoso!
Alguém reparou que naquela portinha, por cima da água, estavam a coser pão!
Que cheirinho delicioso!

Portugal investiu bastante trabalho e esforço na construção e defesa desta fortaleza e depois na sua defesa das investidas marroquinas!

Até se por a andar para o Brasil e deixar tudo ao abandono…

E fui visitar o sítio do pão! De onde vinha aquele cheirinho delicioso, bem dentro da muralha! Diziam os senhores que dali saia o pão para os bascos desde antigamente.

Da janela, que era mais uma porta, o acesso ao mar era efectivamente directo!

Andei a cuscar alguns recantos da Fortaleza.

Alguns com umas perspectivas incríveis!

Um pouco mais de comércio

E saímos da fortaleza

Para nos embrenharmos no comercio atravancado do exterior!

Encontramos uma casa de linhas espectacular! Fiquei maravilhada! Aquilo tudo são tubos de linhas de todas as cores!

Giríssimos! Todos em cores brilhantes, acetinadas! Com estas linhas eles fazem aqueles bordados que se vêm nas túnicas!

Eram tantos!

Cá fora era uma feira de rua, parte tradicional, parte produto chinês…

E fomos caminhando pela rua, calmamente, junto ao mar, até ao hotel

Voltamos a passar pelos camelos, que eram dromedários, e eram tão giros e simpáticos! Estavam a fazer mimos uns aos outros.

Acho que o escadote estava ali para, além de me estragar a fotografia, ajudar os turistas a subir para os cavalos, que estavam mesmo ao lado. É que camelo e dromedário senta para a gente subir, mas cavalo não!

Quando chegamos ao hotel o Jorge tinha a moto transformada em estendal e a roupa suja, que ele deixara na moto, estava a arejar! Nunca falte o sentido de humor num grupo de viaja! O Jorge é boa gente, ficou meio espantado meio desnorteado, mas acho que achou tanta piada como nós! eheheheh

Foi só o tempo de recolher a roupa, subir aos quartos e, sem que deixasse de se ver o sol, o céu desabou!

A pequena multidão que se passeava pela esplanada da praia desapareceu como por milagre

E a chuva caiu com toda a força!

Como veio, como foi! Lavou tudo no espaço de meia hora

Fui para o bar petiscar uma série de bugigangas muito interessantes, acompanhadas por uma cerveja deliciosa, fabrico marroquino, chamava-se Casablanca e era parecida com a Heineken.

O povo foi jantar algures mas eu fiquei tão bem! Não havia nada que me tirasse do conforto do hotel!

22.

“O meu tempo por Marrocos está a esgotar-se aos poucos, como noutras viagens parece que, de repente, tudo se precipita! Já não há mais aquela sensação de estou longe, estou à descoberta, na traquinice de quem está longe de casa…

Começo a sentir-me perto e a aproximar-me do país, de casa e tudo parece que passou tão rápido!

Sinto que precisava de mais tempo pelo Marrocos profundo, precisava de passear a pé pelas aldeias, demorar-me na contemplação do horizonte, sentar-me umas horas no deserto.

Precisava de desenhar um pouco, de puxar dos meus pincéis e fazer uns sarrabiscos dos locais que mais me fascinaram, precisava… de viver Marrocos mais lentamente!

Ficar sozinha hoje fez-me muito bem, fez-me sentir juntinho a mim! Mesmo imaginando que os outros estão todos juntos a conversar e na grande cavaqueira, estar comigo fez-me reencontrar a minha grande companheira de viagem: eu.”

***

Estávamos no 9º dia de viagem, era dia 24 de Abril…

Espreitei pela janela e reparei que as nossas motitas não estavam sós, o Jorge andava por lá a tratar das coisas dele, mas outras motos se tinham juntado a elas!

Ao chegarmos cá abaixo, constatamos que havia outro grupo de motards no hotel, com uma característica curiosa: eram senhores com uma idade meio avançada!

Gosto sempre de ver motociclistas com idades avançadas, dão-me mais confiança para imaginar que eu poderei também um dia conduzir com uma idade avançada também!

E lá tratamos de partir

Tirei algumas fotos para trás, vi pelo retrovisor que o grupo vinha tão direitinho, que não resisti a fotografa-lo!

O trânsito estava meio atrapalhado por isso apanhamos a auto-estrada. Assim ficamos também a saber como ela é por lá!

E para que ninguém diga que estávamos cansados ou tristes, o povo fez a festa!

Ora veja-se quanta animação!

E chegamos a Tanger. Demos umas voltinhas por lá e encontramos motinhas bem engraçadas, um modelo comum por terras marroquinas!

Atravessamos a cidade, que podia ser uma cidade qualquer do sul de Espanha

E chegamos ao mar

O hotel ficava mesmo ao lado do porto, num quelho, na entrada da Medina.

Mais uma vez fiquei hospedada no topo do hotel! Um senhor carregou a minha mala lá para cima e, qual não foi o meu embaraço, quando ele ficou à espera de uma gratificação e eu não tinha nem um dirham na carteira… ups

O hotel não parecia nada de extraordinário em termos de decoração, mas as salinhas de entrada tinham o seu encanto

Depois encontrei o amigo Diamantino cá fora e fiz dele meu modelo por 2 ou 3 fotos

Continuei a minha exploração do local, que não parecia nada de especial.

Conferi que as motitas estavam bem, lá em baixo.

Quando descobri um recanto que nem parecia pertencer àquela construção!

Maravilhei-me com o pormenor decorativo daquelas paredes, não conseguia deixa de fotografar!

A sala do pequeno-almoço

E as salinhas intermédias, com aberturas no chão, que permitiam olhar para o andar de baixo.

Janelinhas que abriam para corredores com pequenas cúpulas no tecto.

Os tectos…

As cupolas…

E as paredes

Desculpem, não resisti a mostrar o que tanto me fascinou!

23.

Depois de me perder pelo labirinto de decorações deslumbrantes da ala de restauração do hotel, lá me obriguei a seguir um grupo para visitar a Medina!

Éramos apenas 5, um bom número para andar por ali sem stresses. Um guia colou-se a nós, era um tipo simpático e prestável, com os dentes todos estragados, mas com vontade de nos contar quem eram as casas restauradas e habitadas pelos europeus!

Cada Medina é uma Medina e esta bem diferente das que já viramos!

Uma padaria. Curioso que, nas padaria que visitei, os fornos eram sempre baixos, muito perto do chão!

Mais uma Medina branca! As portas continuavam a despertar-me o interesse, eram sempre diferentes!

O Diamantino parecia que tinha uma luz divina sobre si!

Ruelas estreitinhas onde, por vezes as casa pareciam quase tocar-se!

Chegamos à muralha

E, depois de ruelinhas tão estreitas e íngremes, havia espaço para um grande largo!

Se se olhasse com atenção, com olhos que maquina fotográfica não tinha, podia-se ver Espanha lá ao longe!

O nosso guia tirou-nos uma foto deixando a sua assinatura na sombra própria!

Seguimos à procura de mais umas lojinhas, pois faltava comprar ainda algumas recordações para os amigos. Ficou provado que uma Pan tem uma bagageira infinita! A do Diamantino parecia esticar, à quantidade e dimensão de cada compra que a amiga maria foi fazendo por terras de Marrocos!

Encontramos um bar ZERO!

No meio destes caminhos íngremes, com degraus à mistura, circulavam motorizadas!

Curioso que no meio do branco predominante, encontravam-se recantos de cores acentuadas! Vermelhos…

amarelos…

ou vermelhos e amarelos!

Então chegamos a uma casa, que não era mais que uma porta no fundo de um quelho estreito, onde o guia dizia que íamos ver Tanger todinha… não se entendia como! Até entrarmos numa loja descomunalmente grande para o aperto das ruas envolventes e começarmos a subir uma escada que parecia nunca acabar!

E vimos a Medina toda sim senhor!

À porta da loja um senhor perguntou-se se eu não queria que ele me tirasse uma foto ali, eu disse que sim e ele tinha jeito para a coisa!

Depois fomos visitar uma botica gira!

Ali podia-se comprar todo o tipo de especiarias, ervas, chás, sabonetes, pós e “lasquinhas de qualquer coisa! Coisa mais linda!

E chegamos às lojinhas

Depois estava na hora de comer qualquer coisa! Encontramos um restaurantezinho bem perto do hotel, muito giro e limpo

Tinha menu e a comida era boa. Foi uma boa despedida da cozinha marroquina!

A minha tagine de vitela estava deliciosa!

Parece que a comida de todos estava boa!

O dono do restaurante era simpático e parecia-se bastante com o avô cantigas! Eheheh

24.

Naquela noite, a última por aquelas terras, juntamo-nos todos no terraço do hotel. Estávamos todos descontraídos e felizes, pelo sucesso da expedição… mas melancólicos pelo seu fim! Espontaneamente, cada um foi dizendo o que lhe ía no coração, depois daqueles dias juntos, e foi muito giro constatar que todos estavam realmente felizes e com vontade de o dizer a toda a gente!

Uns porque não conheciam quase ninguém no grupo e ficaram “presos” a ele; outros porque tinham sido rejeitados noutros grupos e agora até agradeciam o facto, pois assim tinham conhecido tão boa gente; outros ainda porque estavam habituados a viajar sozinhos e tinham tido receio de não ser boa companhia em grupo; outros… que importa? Todos estavam tão felizes e unidos ao grupo que queriam partir rapidamente para outra viagem!

Foi um momento de confissão, de abertura de coração e de compromisso: temos de viajar de novo, seja para onde for!

Pessoalmente… gostei muito do Vitor e da Sandra, um casal simpatia sempre sorridente e amável;

o Carlos e a Paula, sempre na frente, sempre prestáveis e atentos ao que cada um queria fazer a seguir;

o Diamantino e a Maria, ela sempre de olho no que ía comprar a seguir, ele a fazer contas a onde lavar as tralhas, mas sempre bem dispostos e unidos ao grupo;

o Filipe e a Olga, estavam em todas, é para o deserto, é para comer, é para seguir, sem duvida: é para aproveitar tudo!;

o Alberto e a Mila, sempre serenos, sem esquecer umas festinhas a todos os gatos (e eram muitos) que se iam encontrando no caminho!;

o João, sempre bem disposto e “em todas”, mais a sua motinha desportiva, que levou Marrocos na desportiva!;

o Jorge, a quem tudo parecia acontecer, que no fundo foi animando o grupo com as sua peripécias e conclusões obvias, que repetia a cada passo

e por fim o Filipe XX, a moto vassoura, sempre lá, sempre no fim, que ninguém fique esquecido, eu por exemplo, a cada momento que parava para tirar mais umas fotos, enquanto o grupo continuava o seu caminho!

Todos foram indo dormir… eu fiquei mais um bom bocado, enquanto retirava as fotos da maquina e escrevia o texto com que abri esta crónica…

Decidi naquela noite que acabaria de fotografar mal me separasse do ultimo elemento do grupo…
E fui dormir.

Decidi também que não me levantaria cedíssimo para partir rapidamente para casa… gosto de chegar de viagem de noite e não a meio da tarde, por isso dormi sossegada pois partiria apenas às 10 da manhã com o pessoal do Algarve.

25 de Abril de 2011, que forma agradável de festejar o dia, viajando até casa!

O dia amanheceu luminoso, mas eu fui pondo o olho a ver se não estaria vento… como no primeiro dia! Mas do hotel via-se o porto e estava tudo calmo!

Que alegria, a manhã estava serena!

As nossas 3 motinhas estavam sozinhas no parque do hotel, o resto do grupo já devia ir longe!

Seguimos pelos quelhos que saiam da Medina

Dirigimo-nos calmamente ao porto

Do porto podíamos ver o nosso hotel ao longe, na encosta da Medina.

A Medina vista do porto…

A fronteira foi fácil de passar, nada que se comparasse com a trapalhada da entrada!

Na fila de espera para entrar no ferry fizemos amizade com um esloveno que andara a dar uma pequena volta por Marrocos sozinho

A multidão que esperava para entrar no ferry a pé

Achei piada que a placa de boas vindas a quem entrava em Marrocos dizia “Bem-vindo ao vosso pais” e não ao “nosso” (deles)

Voltamos ao ritual de amarrar as motos ao chão para que não caíssem com o movimento do barco

O meu Patrick dizia-me onde estávamos

Instalamo-nos calmamente, já que não seria necessário preencher papeis nem mostrar passaportes como na entrada.

E partimos, com direito a paisagens memoráveis do porto e do mar… a junção de mares! Mediterrâneo e Atlântico!

A cidade moderna de Tanger, ao longe

E a cidade antiga também!

E Espanha que se aproxima!

Chegávamos ao lado de cá… desamarrar as motos…

Passar na alfandega…

Seguimos em direcção a Sevilha, almoçamos antes de lá chegar, com o nosso novo amigo esloveno, que ía até ao Algarve para depois seguir para Lisboa….

A motinha dele junto da minha…

Separei-me deles em Sevilha e segui o meu caminho por Espanha até Vilar Formoso, por caminhos deslumbrantes. Fui jantar à Mealhada, leitão acompanhado de espumante… mas não tirei nem mais uma foto!

A minha/nossa viagem terminara onde me separei dos últimos elementos do grupo, o que se passasse a seguir não faria mais parte e eu não queria acrescentar mais nada àquela viagem!

O que vi depois, foi apenas a serenidade procurada para “desacelerar” daquela expedição fantástica e era isso mesmo que eu precisava até casa…

Dias antes de partir eu tinha escrito no facebook e aqui, no meu blog:

“Porquê Marrocos?

Tinha um amigo, meu afilhado no meu Moto-Clube (de S Mamede de Infesta) que tinha o sonho de ir a Marrocos.
No ano passado pediu-me se eu ia com ele e mais uns amigos que queriam começar a viajar.
Dizia ele que juntávamos a sua protecção (ele era policia) à minha experiencia e iríamos por aí fora.

Chamava-se Sottomayor e faleceu num acidente estúpido de moto sem realizar o seu sonho…

Vou a Marrocos por ele…

O meu amigo já faleceu há uns meses… por isso eu comecei a dizer que ia a Marrocos sozinha, pois não havia ninguém para ir comigo.
Então o João Luis criou um tópico no VdM com o nome: “Vamos a Marrocos Gracinda?” e as pessoas começaram a organizar-se para irem a Marrocos “comigo”!

Nunca tinha dito porque queria tanto ir a Marrocos, quando o continente dos meus sonhos é a Europa…

Deu-me para dizer agora! :-(”

Ao Sottomayor: Missão cumprida, por mim e por ti, amigo!

O meu novo mapa desenhado!

Cheguei a casa depois de:

4450 km

3.200 fotos

830€

10 dias para não esquecer!

O que me faltou?
Tempo para ver mais… tanta coisa que ficou por ver!…

O que sobrou?
Bons momentos de amizade e convívio que me souberam bem, depois de tanto viajar sozinha!

O que valeu a pena?
Tudo, mesmo as refeições menos boas que acabaram por ser recompensadas pela boa companhia!

O que teria dispensado?
O vento ciclónico no sul de Espanha e norte de Marrocos, que me fez ter a sensação de ir cair a cada curva!

O que me apetece dizer ainda?
… tenho de lá voltar!

Beijucas e até à minha próxima viagem!

FIM

8 thoughts on “1. Passeando por Marrocos 2011

  1. Gracinda parabéns pelo que aqui relatas e pelas fotografias e video. 🙂
    Bem… dizias nas tuas palavras que passo a citar:
    …” De repente nem sei como poderei fazer uma crónica desta viagem! Mas sei que tenho de faze-la, para que nada se perca no tempo… vou faze-la nem que seja pouquinho a pouquinho e demore um mês a termina-la!…”

    Mas a final conseguiste e muito bem, fazer a crónica desta viagem!!

    Adorei o que vi e li até ao momento e estiveste bem (minha opinião), a maneira como começaste a relatar a tua ida a Marrocos. Quem te o sugeriu, sabia o que dizia!!
    Boas Curvas.

    Beijinho Simone

    • Obrigada!
      Foi uma viagem inesperadamente interessante e cheia de sentido!
      Foi também a primeira vez que eu fiz uma crónica de uma viagem em grupo, nunca me apetece relatar o que vivi com muita gente em volta de mim! Desta vez sentia que tinha mesmo de a fazer… ainda bem que resultou bem!

      • Gracinda, para mim é importante realçar que por vezes existe algo dentro de nós que nos leva a tomar decisões, ter atitudes, etc… e penso que foi isso que te aconteceu. Não era uma viagem “como todas as outras”, essa era diferente, era especial!
        Agradeço-te pela mesma porque está fantástica, em todos os sentidos.
        Obrigado por partilhares momentos como estes e todos os outros que já tive a oportunidade de ver!
        Beijinho Simone

  2. Cara Gracinda,
    Fantástico! Passei a ultima hora em viagem e a comentar com a minha mulher algumas das fotos, “Vê esta Micá, fabuloso!”, “temos mesmo que lá ir!”…
    Marrocos tem sido para nós uma atracção e… receio, nem sei bem de quê!
    Parabéns, excelente reportagem e obrigadão!
    Boas curvas, cumprimentos
    Marco Tavares

    • Olá!

      Obrigada eu!

      Fala-se muito dos perigos de viajar por Marrocos e quando se vai decompor o discurso percebe-se que são pessoas que só viajam em grupo, com guia e acham que se estivessem sós eram “comidos vivos”!

      Eu estive para ir sozinha, não o fiz porque um grupo se juntou a “partir da ideia” mas hoje, que já lá andei, não teria qualquer problema em viajar por lá sozinha, como faço na Europa! As pessoas são simpáticas, apenas nos “melgam” para lhes comprarmos coisas e fazermos preços! De resto, nem aquela história das centenas de putos que nos rodeiam a cada vez que paramos, se concretizou! Talvez se tenha implantado lá a escolaridade obrigatória pois não os vimos em lado nenhum!

      Se querem viajar por Marrocos façam-no, se forem 2 ou 3 casais é quanto basta. Planeiem as dormidas, não faltam sites na net para vos ajudar e vão, sem medo!

      Alguns portugueses em Marrocos:

      http://www.darrita.com/marrocos/
      https://www.facebook.com/ritamarrocos

      http://www.joaoleitao.com/viagens/marrocos/

      Beijucas

  3. Olá estive a ler e a ver as fotos desta crónica as quais adorei.
    África (nomeadamente Marrocos) ou se estranha ou se entranha, no meu caso entranhou-se e de que maneira, comecei com com uma ida a Marrocos em moto com um colega, onde a metodologia e planeamento foi VAMOS E LOGO SE VÊ e este ano acabei por fazer Portugal- Senegal de UMM, foram 6000 Kms ao volante de uma viatura de 22 anos onde o conforto e as novas tecnologias dos veículos modernos ficaram em casa.

    Quanto ao medo e receio de investir em África é legitimo para quem nunca lá foi ou para quem não sente o fascínio daquele continente. Eu pessoalmente limito-me a respeitar a cultura deles e a ele como o são. Afinal nós é que fomos lá “em Roma sê romano”

    Em Junho de 2011 fui em família de avião e carro alugado, não fui com nada marcado e tudo foi negociado na hora, foi uma viagem mais controlada porque ia o meu filho de 10 anos mas sem receios de catanas e facas compridas 🙂 .

    Deixo aqui os sites onde podem ver uns resumo de alguma viagens.

    Um abraço e boas aventuras

    Vitor Cunha

    Amarante

    http://www.facebook.com/pages/4-POR-ACASO-de-UMM-at%C3%A9-Dakar/254386647952205

    http://www.clubecbf.com/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=2670&viewmode=flat&order=DESC&start=40

    Outras brincadeiras em:

    http://www.facebook.com/vdpcunha

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