1. Passeando por Marrocos 2011

1.

Cucu!

Em Tanger, ainda, eu escrevia umas linhas, como tantas outras escrevi durante a viagem, e alguém sugeriu que fossem essas linhas o inicio da minha crónica… E porque não começar pelo que sentia na ultima noite em terras de Marrocos?

E escrevia eu:

“Estou quase de regresso, apenas uns 900 e tal quilómetros me separam de casa, será a ultima etapa.

Neste momento estou sentada na esplanada do hotel Continental, em Tanger. Todo o grupo já foi dormir, mas eu tardo em dar por terminada a minha incursão por Marrocos…

Algumas coisas me desiludiram, muitas coisas me agradaram e uma infinidade delas me maravilharam neste país! Houve um momento em que pensei com os meus botões “isto não tem nada a ver comigo” ou “só por ti, Sottomayor, estou a passar por isto” quando o vento era tão forte que eu pensei por diversas vezes, me ía atirar ao chão…

Mas o paraíso estava mais além, sempre mais espectacular, sempre mais surpreendente!

Uma cidade azul, umas horas no silêncio do amanhecer no deserto, uma cordilheira aos meus pés, uma Medina espantosa e outra e outra ainda … um grupo de motos amigas em meu redor!

Houve um momento em que disse que não deveria cá voltar, o que levava era suficiente para a memória. Hoje não tenho mais a certeza!

Se calhar voltarei mais cedo do que cheguei a pensar!

Tenho tanta pena que o meu amigo não tenha podido ver o que os meus olhos viram… nem viver o que o meu coração viveu!

De repente nem sei como poderei fazer uma crónica desta viagem! Mas sei que tenho de faze-la, para que nada se perca no tempo… vou faze-la nem que seja pouquinho a pouquinho e demore um mês a termina-la!

Adeus Marrocos e até à próxima!”

Mas a epopeia começou assim:

Os preparativos começaram cedo, as histórias que fizeram cada um de nós juntar-se e formar este grupo são diversas, mas uma constante se manteve: todos queriam ir a Marrocos!

E a viagem começou, para uns mais cedo do que para outros: Eu, o Jorge, o João e o Filipe, com direito a comité de despedida na área de serviço de Santo Ovideo

No dia 15 os primeiros 4 viajantes e respectivas motas partiram do norte, descendo o país até Lisboa, onde foram recolhidos simpaticamente pela Paula, Carlos e pais que, alem de nos darem guarida, ainda nos deram de jantar!

Mas a verdadeira viagem começaria no dia seguinte! Eram que horas? 5.00 da matina? 5.30h? Que importa, para a festa não ha perna manca!

Logo ali à frente começamos a juntar mais gente ao grupo: o Vitor e a Sandra!

E a seguir o Alberto e a Mila, que o restante povo era do Algarve e só se juntaria a nós mais tarde um pouco, já por terras de Espanha

(Continua amanhã que a net está a empatar!…)

2.
Foi depois de nos encontrarmos todos e de uns simpáticos quilómetros em conjunto que o vento apareceu! E parecia que nos queria levar pelo ar! Este vento que nos acompanharia até Tarifa, durante a travessia e por grande parte do trajecto até Chefchaouen…

A passagem pela fronteira foi o primeiro impacto com o mundo que iríamos visitar!

Algumas ordens contraditórias mas lá pousamos as motos para tartar das papeladas.

E começou o “monta-desmonta-e-anda-só-um –bocadinho”

Houve quem se transformasse imediatamente em Taliban, mas nem por isso conseguiu passar primeiro!

E la entramos e amarramos as motitas


Mas a parte melhor estava para vir, na fronteira do lado de Marrocos

3 –
Depois veio a burocracia da alfandega marroquina, onde a autoridade tem de ser respeitada, mas onde às vezes é difícil saber quem ela é, já que qualquer fulano anda por ali, com um cartão pendurado ao peito a preencher papeis e não tem nada a ver com a autoridade!!

Aquilo, em cima da minha motita é o meu pé!… enquanto esperava, pacientemente, que nos mandassem seguir…

E passamos, finalmente! Aquele “v” do Vitor deve ser a festejar o facto: estávamos em Tanger!


Então veio mais vento, mais luta…

Escrevia eu naquela noite:

[i]“ A violência do vento, além de me cansar, stressa-me!

Não suporto a ideia de poder estar a atrasar todo um grupo, mas o vento simplesmente não me deixa andar!

A cada curva do caminho senti-o atacar-me, como um bandido! E a cada curva temi cair!

Puxa, será que Marrocos é todo assim? Serei eu capaz de aguentar 8 dias disto, com o meu cotovelo a doer, cada vez mais, e uma moto enlouquecida pelo vento, nas mãos?

Hoje está vencida a luta… amanhã se verá!”[/i]

Chegamos a Chefchaouen

Fomos recebidos com um chá de menta, que alegrou os ânimos, pois eu nunca me lembrei que o que me atrasava a mim também atrasaria os outros, o vento quando nasce, é como o sol, é para todos!

A casa era modesta mas bastante simpática

Andei a cuscar alguns recantos

E depois foi-nos servido o primeiro jantar de tagine para todos!

Almondegas com ovo escalfado. Gostei bastante!

E tortilha para a amiga Maria que não come carne

Depois era hora de descansar e o dono do Hotel arrumou todo o espaço para que a gente guardasse a motos lá dentro! Foi super simpático!

Assim todos pudemos dormir em paz!

4 .

5. A verdadeira beleza de Marocos começa a seguir!

Neste primeiro dia tudo me surgiu ao espírito, do tipo, que bonita paisagem com construções tão feias, decadentes e inacabadas!

Que pena não haver, aparentemente, um recanto habitado bonito!

Entretanto entramos em Chefchaouen que, até chegarmos à Medina, nada parecia ter de melhor em relação ao que já tínhamos visto… mas aquela Medina é um mundo azul inesquecível…

Tomamos um óptimo pequeno-almoço, que foi sempre a melhor refeição de cada dia

E partimos para uma visita guiada pelo filhote do dono do hotel, pela Medina azul

A cidade em si tem o seu interesse

Mas a Medina é a verdadeira surpresa e a entrada não deixa prever a beleza do interior

Caiam-se as casa de azul, uma mistura de cal com pigmento anil, para afastar os mosquitos.

Não podíamos encontrar melhor cenário para uma foto de grupo!

Também há comércio e também há sujidade, mas com aquele azul magnífico, fica a sensação de limpeza!

Recantos lindissimos e portas pequeninas!!

E as senhoras pintam as casas

E o Jorge foi dar uma ajuda!

As senhoras acharam-lhe muita graça!

Desculpem a quantidade de fotos, mas esta era uma das cidades que eu mais queria visitar em Marrocos e não me desiludiu!

6.

Depois levantamos âncora, as motitas tinham ficado guardadas ainda dentro do restaurante do hotel, e fizemo-nos à estrada. Felicidade absoluta: o vento tinha praticamente passado! Que alegria!

Até as paisagens eram mais bonitos sem a ventania a incomodar! As vaquinhas e tal, e gente podia bem com elas, vento é que não!

Chefchaouen ao longe, na encosta do monte

Paramos na berma da estrada para almoçar

À sombra de arvores e guarda-sóis

Comemos tagines de carne e legumes (a minha estava optima! Do melhor que por lá comi!)

Comemos também tagines de carne com cebola e passas (nem provei… detesto cebola!)

Viriamos a constatar durante a viagem, que frequentemente os “botecos” não tinham capacidade para servir assim 14 pessoas de repente, pelo simples facto de que, cada tagine, que normalmente é para uma pessoa, ocupa uma boca de gás ou de fogo!!

O que mais se bebia era coca cola, como se pode comprovar pelo que diz no rótulo!

O pão era óptimo e, eu que adoro pão, fui percebendo que, se é bom come-se, porque o que vem a seguir para comer pode não ser!

E antes que gastasse o dinheiro todo tirei-lhe uma foto, pois não querendo trazer notas para recordação, queria ficar com uma imagem dos dirhams!

E voltamos à Estrada

Havia momentos em que não me bastava tirar uma foto em andamento e tinha de parar…

Outras tirei-as mesmo em andamento e ficaram divinais! Estou a ficar especialista de fotografar e conduzir ao mesmo tempo!

E chegamos a Volubilis onde se situam as Ruínas Romanas , Património UNESCO da Humanidade desde 1997… outro ponto alto desta viagem…

Depois de negociado o preço do estacionamento das 9 motos (que deveriam pagar 90 Dhrs e acabaram por pagar 17 Dhrs e não se fala mais do assunto) foi hora de voltar ao passado!

O bando, todo catita a aproximar-se do local

E a gente apercebe-se de está a pisar um espaço que foi importante, senão grandioso!

Sabe-se que ali existiu uma grande cidade com uns 20.000 habitantes e nota-se pela dimensão do que resta…

Hoje continua habitada por outro tipo de habitantes!

Ao longe Moulay Idris

A entrada da cidade, com a avenida principal a levar ao arco do triunfo! E eu ali, a ver se aquilo não caía tudo!

E tinhamos de ir embora!

Seguimos para Fez e “contratamos” um guia de motoreta para nos levar ao hotel e não precisarmos de andar de lado para lado à perguntar a uns e a outros, já que os Gps não conhecem nada bem Marrocos!

E foi direitinho!

Não era aconselhável andarmos sozinhos por ali por isso fomos dar uma voltinha pela cidade de táxi! Foi giro e deu fotos curiosas!

Portões do palácio real

Aquilo é tudo em cobre!

Imponente aquele portão!

Depois fomos dar a volta à medina, aqui é uma das portas

Esta foto foi tirada de dentro do carro e ficou curiosa!

A muralha da medina

E Fez vista lá de cima, com a lua como farol!

E fomos dormir satisfeitos…

7.
Ao 3º dia fomos dar uma vista de olhos a Fez. Da minha janela conferi que as motitas estavam onde as tínhamos deixado

A moto do Diamantino tinha tido visitas naquela noite!

Do topo do hotel, onde ficava o restaurante podia-se ver a cidade

Hora de partir

A muralha da Medina parece nunca mais acabar

Não cheguei a saber quantos palácios reais e imperiais ali há. Dizia o guarda que este era o palácio imperial e que não se podiam fazer fotos à sua porta ou fachada! Claro que, rapidamente, roubei uma!

Enquanto o resto do povo ia dando uma olhada por ali, mesmo montado nas motos.

Mas chamem o que quiserem aos palácios, lindo lindo era este! O palácio real!

E com os viajantes na frente, melhor ainda! Não, não tirei fotos com a bandeira portuguesa… eu sei que toda a gente faz mas eu não tirei… alguém a deve ter tirado.

Mais uma porta da cidade (ou na cidade)

E partimos… a caminho de Ifrane a cidade mais europeia de Marrocos…

O ambiente era realmente de uma cidade Europeia, sentamo-nos na esplanada do hotel Chamonix e tudo!

só o chá é que era de menta, como sempre!

e o que eles gostavam daquilo, até enjoarem…

E de repente parecia mesmo que estava noutro ponto do mundo!

Até voltar rapidamente ao magnifico Atlas!

Encontramos uma cidadezinha para parar e abastecer… e para eu meditar…

A palavra Atlas ganhou outro significado para mim, depois daqueles dias!

8.

Escrevia eu em viagem:

“O Atlas…nada do que pesquisei antes me preparou para o que estou a ver e a viver!
Fala-se de uma cordilheira e tal… quantas cordilheiras já vi e percorri? O Atlas não tem nada a ver com nenhuma e por vezes parece-se com todas! O Atlas ficará na minha memória pela sua beleza insólita, onde o deserto é tão diferente e variado em relação ao que eu tinha imaginado!
De repente começamos a passear sempre acima dos 1500metros de altitude e não se sente, não se imagina tal, se não fosse o meu Patrick dizer-mo, nem tal me passaria pela cabeça!
E o deserto está cheio de gente! No meio de lado nenhum há um grupo de homens a conversar, varias manadas de burros, borregos ou camelos a pastar, miúdos a brincar!
Aquela sensação de que o deserto é um vazio de areia, cascalho e horizonte não é totalmente certa… porque certamente há sempre alguém por ali! Uma “mobilete” que se arrasta na estrada infinita, uma bicicleta decrépita… as casas não podem ser longe!
Então no horizonte, uma linha verde se vislumbra, no solo! Tiro fotos, será uma miragem? À medida que nos vamos aproximando a linha verde torna-se num sulco, longo e gigantesco, uma fenda capaz de albergar um oásis aparentemente infinito! Um rio de palmeiras, serpenteia entre os montes a perder de vista e a vida pulula lá em baixo! Terrenos cultivados, casas e quintais, ruínhas e pessoas… há tanta vida no deserto!
E depois de tanta aridez aquele verde é tão mais verde!”

E de repente, no meio do silêncio da vastidão da paisagem, entramos numa terrinha cheia de gente!

Os nomes das cidades (vilas ou aldeias?) aperece frequentemente escrito na encosta de um monte

As estradas não estavam em muito mau estado, mas houve momentos em que a erosão arrastou terra e cascalho para o asfalto

Nada que os valentes viajantes não conseguissem ultrapassar e me ajudassem a passar também! Obrigada Carlos!

Depois foi o momento de para abastecer estômagos

Ali ninguém pode ser muito esquisito! Às vezes os aspecto das coisas nem corresponde ao seu sabor…

mas aquela caçoila já devia estar no lixo há anos!

Também estamos a falar de um povo prático que faz das dificuldade facilidades! Ainda não entendi como eles conseguem transportar todo o tipo de animais lá em cima das carripanas, com tralhas e pessoas à mistura!

E continuava o paraiso!

Um rio implica uma localidade, vida movimento

e começa-se a ver, lá ao fundo, uma linha verde…

e começam a parecer palmeiras e verdura

e um Oasis de perder de vista!

Os nómadas recebem os viajantes nas suas tendas, são simpáticos e conversadores.

Gosto da tenda! Dormiria confortavelmente lá uma noite!

As motitas lá fora

O conforto cá dentro

A atmosfera não estava limpa nem nitida, o ar não estava carregado, no entanto… o que turvava o horizonte era areia!

E o sol converteu-se num ponto luminoso para além da nuvem…

E chegamos ao hotel no inicio de uma tempestade de areia!

Começou o sonho de ir ver o nascer do sol nas dunas…

9.

Começamos a pensar ir ver o sol nascer e se depressa o pensamos mais depressa o fizemos! O que custou mais foi levantar da cama às 3,30h, mas tudo bem. Parece que o despertador foi o mesmo para todos, pois chegamos todos bem na hora.

Depois de um caminho que nenhum de nós conseguiu vislumbrar no meio de nada e de luz nenhuma chegamos onde havia gente!

O nosso guia, que no dia seguinte me quereria comprar com uma série de camelos

Mas nada disto era visível aos nossos olhos tal era a escuridão! Apenas o flash das maquinas nos iam mostrando o que nos rodeava!

E a lua lá em cima meio encoberta

Será que o céu ia estar encoberto e não veríamos o sol nascer?

Sentimos as nossas montadas aproximarem-se na escuridão, vi-as apenas numa ou noutra flashada

São simpáticos os bichinhos, sentam-se para a gente montar, o nosso guia explicava como se fazia, mas uma coisa é ver outra é fazer… outra ainda é conseguir equilíbrio lá no topo quando o camelo se levanta!

Claro que há sempre quem pareça ter nascido em cima de um camelo, só para ns fazer sentir desajeitados e medrosos!

A sensação de caminhar em cima de um camelo… bem não eram camelos, eram dromedários, porque só tinham um bossa… então, a sensação de caminhar em cima de um dromedário, no meio da escuridão da noite, tendo apenas como ponto de luz uma lua meio encoberta é surreal!

Chegamos ao ponto, que para nós era mais uma vez no meio de nada, onde paramos. Subimos à duna bem alta e sentamo-nos no topo, lá bem no vértice onde ela volta a descer vertiginosamente. Os nómadas sentaram-se perto de nos.

Apenas um falava francês e tirou-nos uma fotografia, sentadinhos como putos lá em cima

Eu também lhe tirei uma a ele

E o sol nasceu para nós!

E quando o sol nasce e se faz luz… de repente percebemos que não estamos sós!

Nada sós mesmo!

Ele há gente, dromedários, jeeps, hotéis e tendas….

O deserto está cheio de gente!

E conseguimos ver, pela primeira vez a real cor da areia!

Tenho de mostrar os nossos amigos de dia, pois eram tão giros!

Este dizia “hello”

este mastigava chiclete

este apenas me olhou de lado e nada disse

Este era o meu, já tínhamos conversado tudo na viagem

Este não quis conversa comigo!

e pusemo-nos a andar. O meu dromedário parecia uma avestruz visto de cima!

Aqueles ali somos nós!

Eles andam pela crista da duna, em filinha!

As minhas vizinhas de trás

E eu, como não podia auto-fotografar-me, fotografei a minha sombra e do meu bichinho!

Aqueles “riscos” na areia, são tubos que transportam agua para o deserto onde os nómadas vivem.

E as dunas eram fabulosas…

E a areia acaba e começa o “cascalho” assim, como se de uma manta se tratasse!

Se eu não tivesse ido ao deserto naquela noite teria perdido um pedaço precioso de paraíso…

10.
Depois daquela experiência maravilhosa nas dunas, adormeci como uma anjinho, no caminho de regresso ao hotel! Ainda bem que assim foi, pois eu não gosto nada de andar de carro e por aqueles caminho (trilhos) aos SS no meio de lado nenhum com uns saltos à mistura, eu iria enjoas se não tivesse adormecido!
O meu pretendente (era um tipo engraçado e brincalhão) ainda correu um pouco atrás da minha motita para vir comigo!

Serviu para toda a gente se rir um bocado e iniciar mais um dia de viagem em boa disposição!

De repente sentia-me no meio de um filme, com as tendas dos nómadas ali mesmo à beirinha!

E havia poços e movimento por ali. Turistas que espreitavam, acho que as pessoas são bem recebidas!

Foi quando não pude evitar de para e tirar umas fotos com as minha Magnifica junto da areia!

Que bem que ela ficou!

Parece mesmo que está nas dunas, mas está apenas na estrada junto da areia

O nosso “moto vassoura”, que parava cada vez que eu parava também teve direito a foto!

Depois de quilómetros e quilómetros de burros e borregos a pastar vimos camelos a pastar!

A paisagem foi mudando lentamente

Onde há água há verde!

Apenas um fio de água separa o deserto do oásis!

A paisagem é cada vez mais montanhosa e diferente

Chegavamos às Gorges de Todra… o Atlas alto, um paraíso para o todo-o-terreno certamente, mas um paraíso para quem não pode ir mais longe também!

Aquilo é tão grandioso que eu nem sabia bem como captar toda a dimensão da paisagem!

As construções, simplesmente parecem casinhas de brincar perto da dimensão do “pedregulho”!

E a água que corre, límpida e rápida… contínua!

Vem desta “pocinha” que não é alimentada por riacho algum!

Simplesmente a água surge debaixo para cima, enchendo-a permanentemente! A nascente não será longe!

E sentimo-nos ali, nas entranhas do mundo, embora estejamos a uma altitude considerável!

Tomamos uns sumos refrescantes, para limpar o pó das gargantas. Em Marrocos todo o sumo de laranja é bom!

Estavam sempre a chegar jeeps e motos, cheias de pó!

Não falta quem venda qualquer coisa por ali, recordações ou mesmo tapetes e materiais de grande dimensão

E seguimos viagem…

Há burrinhos tão pequenos por ali que até custa a crer que possam com toda a carga!

E fomos almoçar, que isto de viajar faz fome!

Não se comeu mal! Pelo menos eu gostei bastante!

O restaurante que tão bem nos acolheu e que, logo a seguir, estava a receber mais motociclistas

A vilazinha era curiosa! Tinha uma série de paredes pintadas, o que era bem agradável para quem passava!

Murais bem pintados e limpos! Ninguém os vandalizara! Lá não existe a mania do “gosto muito mas tenho de estragar”!

11.


“O Marrocos profundo foi uma surpresa permanente!

As casa, quase sem janelas, confundem-se com a paisagem, tudo parece ter a cor da terra, dos montes, do chão… À primeira vista não há nada, só depois se começa a vislumbrar algum pormenor, quando o olhar se habituou…

Por vezes, apenas num olhar, conseguem-se reunir “no mesmo postal” um pouco de quase tudo o que há para ver: deserto, planícies cheias de beleza, montanhas únicas e árida e montanhas nevadas!

É certamente um país de contrastes, em termos de paisagens!”

Continuamos o nosso caminho. Curioso como se fazem murais nas paredes, aqui era uma estação de serviço, que nem estava ainda pronta, mas já tinha as paredes pintadas!

E estávamos a chegar a Ouarzazate, a Hollyood do deserto.

Estas construções são deliciosas, se estivesse sozinha tinha parado um milhão de vezes para fotografar umas e outras e outras ainda! Lindas!

Ouarzazate é mais uma cidade das mil e uma noites e o que se vê na net não faz justiça ao que lea é!

Um dia que eu lá volte, tenho de me lembrar que quero ficar ali um dia inteiro, pelo menos!

Desta vez as motos não ficaram dentro do hotel, mas quase! Ao lado da porta era tudo nosso, em cima do passeio, onde podia estar uma esplanada!

O hotel era novo e o meu quarto era giro!

Tinha uma vista simpática sobre aquela zona da cidade!

Do meu duche podia ver a cidade!

Depois fomos jantar, os famosos “couscous” que eu adoro!

Discutia-se sobre “os coucous prestam ou não prestam”…

A verdade é que, normalmente prestam e são muito bons, mas ali… nem por isso! Os meus estavam óptimos, pois fui das primeiras a servir-me… Os meus amigos Diamantino e o Filipe é que não acharam muita piada…

12.

Mais uma noite bem dormida, mais uma vez uma mala para fazer e cá em baixo, mais um óptimo pequeno almoço nos esperava e muita animação, a animação de quem quer ver mais!

Os porta-chaves dos quartos eram muito giros! Curioso como se liga tanto aos pormenores!

Juntando vários, fiz uma Ouarzazate pequena ! Gira!

O grupo era fantastico! À hora marcada estava tudo pronto, pequeno almoço tomado, malas cá em baixo, motas prontas e toca a andar! Nunca se esperou por ninguem!

E “bora” lá ver a cidade!

O Museu do Cinema

E os viajantes todos, mais as respectiva montadas!

Claro que depois fomos fazer umas comprinhas… aliás… fomos negociar umas comprinhas!

Eu nem sou uma compradora compulsiva, mas a realidade é que apetece trazer montes de coisas giríssimas que lá há, para casa!

13.

Mas a cidade não é apenas interessante pelo que tem para comprar! Ouarzazate é diferente de todas as cidades que vi e fascinou-me realmente! Apeteceu-me entrar por aquelas ruinhas e perder-me no meio da arquitectura curiosa… mas tinha um grupo à minha espera…

É uma cidade preparada para os turistas…

E bem pode, com toda a beleza que ostenta!

Ali mesmo, ficavam as cozinha berberes, que se podem visitar e onde funciona uma loja tipo armazém, com montes de coisas berberes à venda.

Muito bonito! Tenho de lá voltar!

Parece um castelinho de brincar, um cenário de Hollyood!

E seguimos viagem…

Passamos à porta dos estúdios mas não fomos visitar, havia muita paisagem para ver logo ali à frente!

E voltamos a ver neve! Da primeira vez a máquina não a conseguiu apanhar, mas desta vez conseguiu!

É o contraste absoluto, estar-se às portas do deserto e ver-se a montanha nevada do outro lado! Deslumbrante!

A qualquer curva da estrada tudo era seco

E tudo era bonito também!

Casinhas, terrinhas, localidades por todo o caminho

A qualquer momento uma ponte de madeira, a lembrar as pontes militares, barulhentas para caramba! Cada tábua batia com um som diferente da outra à passagem das motos, como uma cacofonia!

Pausa para reflexão, vamos para onde a seguir?

A minha Magnífica tinha de reflector sozinha, pois eu estava demasiado ocupada a tirar fotografias!

Há quem reflicta de braços no ar!

Em qualquer recanto, uma mesquita!

E os “castelinhos” são adoráveis, no meio das populações!

Cada vez que atravessávamos uma população tinha a sensação de que era igual à anterior!

Era a uma certa distância da rua principal que as “coisas” ganhavam a sua piada!

E lá estava a neve outra vez!

Consegui fazer zoom com a máquina fotográfica e tirar esta foto giríssima, sem parar! Sou um fenómeno! Eheheh

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8 thoughts on “1. Passeando por Marrocos 2011

  1. Gracinda parabéns pelo que aqui relatas e pelas fotografias e video. 🙂
    Bem… dizias nas tuas palavras que passo a citar:
    …” De repente nem sei como poderei fazer uma crónica desta viagem! Mas sei que tenho de faze-la, para que nada se perca no tempo… vou faze-la nem que seja pouquinho a pouquinho e demore um mês a termina-la!…”

    Mas a final conseguiste e muito bem, fazer a crónica desta viagem!!

    Adorei o que vi e li até ao momento e estiveste bem (minha opinião), a maneira como começaste a relatar a tua ida a Marrocos. Quem te o sugeriu, sabia o que dizia!!
    Boas Curvas.

    Beijinho Simone

    • Obrigada!
      Foi uma viagem inesperadamente interessante e cheia de sentido!
      Foi também a primeira vez que eu fiz uma crónica de uma viagem em grupo, nunca me apetece relatar o que vivi com muita gente em volta de mim! Desta vez sentia que tinha mesmo de a fazer… ainda bem que resultou bem!

      • Gracinda, para mim é importante realçar que por vezes existe algo dentro de nós que nos leva a tomar decisões, ter atitudes, etc… e penso que foi isso que te aconteceu. Não era uma viagem “como todas as outras”, essa era diferente, era especial!
        Agradeço-te pela mesma porque está fantástica, em todos os sentidos.
        Obrigado por partilhares momentos como estes e todos os outros que já tive a oportunidade de ver!
        Beijinho Simone

  2. Cara Gracinda,
    Fantástico! Passei a ultima hora em viagem e a comentar com a minha mulher algumas das fotos, “Vê esta Micá, fabuloso!”, “temos mesmo que lá ir!”…
    Marrocos tem sido para nós uma atracção e… receio, nem sei bem de quê!
    Parabéns, excelente reportagem e obrigadão!
    Boas curvas, cumprimentos
    Marco Tavares

    • Olá!

      Obrigada eu!

      Fala-se muito dos perigos de viajar por Marrocos e quando se vai decompor o discurso percebe-se que são pessoas que só viajam em grupo, com guia e acham que se estivessem sós eram “comidos vivos”!

      Eu estive para ir sozinha, não o fiz porque um grupo se juntou a “partir da ideia” mas hoje, que já lá andei, não teria qualquer problema em viajar por lá sozinha, como faço na Europa! As pessoas são simpáticas, apenas nos “melgam” para lhes comprarmos coisas e fazermos preços! De resto, nem aquela história das centenas de putos que nos rodeiam a cada vez que paramos, se concretizou! Talvez se tenha implantado lá a escolaridade obrigatória pois não os vimos em lado nenhum!

      Se querem viajar por Marrocos façam-no, se forem 2 ou 3 casais é quanto basta. Planeiem as dormidas, não faltam sites na net para vos ajudar e vão, sem medo!

      Alguns portugueses em Marrocos:

      http://www.darrita.com/marrocos/
      https://www.facebook.com/ritamarrocos

      http://www.joaoleitao.com/viagens/marrocos/

      Beijucas

  3. Olá estive a ler e a ver as fotos desta crónica as quais adorei.
    África (nomeadamente Marrocos) ou se estranha ou se entranha, no meu caso entranhou-se e de que maneira, comecei com com uma ida a Marrocos em moto com um colega, onde a metodologia e planeamento foi VAMOS E LOGO SE VÊ e este ano acabei por fazer Portugal- Senegal de UMM, foram 6000 Kms ao volante de uma viatura de 22 anos onde o conforto e as novas tecnologias dos veículos modernos ficaram em casa.

    Quanto ao medo e receio de investir em África é legitimo para quem nunca lá foi ou para quem não sente o fascínio daquele continente. Eu pessoalmente limito-me a respeitar a cultura deles e a ele como o são. Afinal nós é que fomos lá “em Roma sê romano”

    Em Junho de 2011 fui em família de avião e carro alugado, não fui com nada marcado e tudo foi negociado na hora, foi uma viagem mais controlada porque ia o meu filho de 10 anos mas sem receios de catanas e facas compridas 🙂 .

    Deixo aqui os sites onde podem ver uns resumo de alguma viagens.

    Um abraço e boas aventuras

    Vitor Cunha

    Amarante

    http://www.facebook.com/pages/4-POR-ACASO-de-UMM-at%C3%A9-Dakar/254386647952205

    http://www.clubecbf.com/modules/newbb/viewtopic.php?topic_id=2670&viewmode=flat&order=DESC&start=40

    Outras brincadeiras em:

    http://www.facebook.com/vdpcunha

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