I – Passeando até à Suiça 2012

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– Passeando até à Suiça 2012 … e muito mais além!

– O dia do azar! –

Cucu!

Já de volta, começo a apreciar, escolher e reviver cada foto…
São muitas, são bonitas, são cheias de história, estórias e sentimentos.

Esta viagem foi das mais difíceis e mais sofridas que me lembro de ter feito!

Longe vai o tempo em que nada acontecia e eu partia e voltava em paz, depois de ter visto e visitado tudo o que encontrava pelo caminho! De repente, parece que tudo acontece antes de eu partir… e às vezes durante também!

Depois de ter decidido e decretado onde queria ir este ano… a minha Magnifica ressentiu-se do seu desgaste e pediu-me ajuda! Gastei todo o dinheiro amealhado no porquinho para a viagem, a mudar-lhe o alternador e a fazer a revisão para que ela pudesse continuar a gozar de boa saúde…

Claro que, na conjuntura atual, gastar as economias do porquinho mealheiro foi um golpe duro! De repente fiquei sem saber se poderia ir de viagem! Ainda eu nem sonhava o que mais se preparava para acontecer!

Lá me fui e me foram convencendo a continuar com o meu projeto e ir!

Sou uma pessoa que não precisa que a convençam do que quer ou deve fazer mas, numa situação destas ajuda um “Vais pois! O resto depois se verá!” (grande moçoilo!)

O programa foi-se aperfeiçoando, o percurso foi floreado, como eu gosto de fazer, procurar tudo o que poderá interessar no meu caminho e a alegria voltou a reinar cá pelo meu lado…

Então, apenas 4 dias antes de partir, foi o dia do azar, uma garrafa de água se abre dentro da minha carteira e afoga a minha máquina fotográfica e o meu telemóvel… sem concerto! Para além de empapar todos os documentos, papeis e até dinheiro!

Mas o azar não estava esgotado, no mesmo dia, ao estacionar a moto no lugar de garagem onde fica o Jeep, a moto do Filipe e a minha, encaixados como num puzzle, a manete do travão encrava, a moto não pára, bate na coluna, continua a andar e bate na moto do Filipe… caem as duas, contra as colunas…

Desespero, até para levantar as motos do chão está difícil pois caíram em recantos e posições que torna difícil a operação… O prejuízo? Nem convém falar!

Não sou uma pessoa frágil nem chorona mas há momentos que até os heróis choram e se desesperam!

“Filipe parti a minha moto e a tua! Não há nada a fazer, só trabalhar para pagar!” dizia-lhe eu ao telefone…

Quando ele chegou ficou pasmado com a obra! Mas não perdeu a sua calma. Pôs-se a trabalhar na minha moto com o mecânico da Honda – Motoboxe, que fica mesmo por baixo da minha casa, e costuraram a carenagem da minha Magnífica! Furinho aqui, furinho ali, umas fitinhas de plástico e a coisa ficou fixa!

“Vais fazer a tua viagem sim, porque o problema da moto é só plásticos e isso não a vai impedir de andar!” – determinou ele quando eu disse que já não ía a lado nenhum!

E foi assim que parti, com a Magnífica toda partida!

Decidi que nada diria sobre o acontecido para que ninguém se preocupasse nem me preocupasse com perguntas, nem me falasse do assunto durante a viagem! Já me bastaria ter de ver a minha Magnifica partida todos os dias… As fotos durante a viagem, seriam feitas sempre com a moto voltada do lado esquerdo! Se há quem goste de ser fotografado pelo seu melhor ângulo, porque não fazer o mesmo com a minha motita?

E lá fomos, eu e ela por 18.660 km…

Muita gente se preocupou, por esses países, e me abordou querendo saber se eu tinha tido um acidente, se estava tudo bem comigo! Muitas vezes tive de contar a história…

E o azar acabou e tudo acabou bem, no final…

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– De casa até Vitória-Gasteiz –

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Depois da desorientação inicial, depois de acalmar o meu coração que não parava de bater desordenado… encontrei a minha motita efetivamente costurada e segura! Tinha de decidir o que fazer! Passeei-me um pouco com ela, puxei-a, acelerei, travei! Nada acusava o “estalo” que ela tinha levado! Fui ver a manete do travão, estava tudo ressequido lá por dentro, foi retirada, vista e oleada…

Nunca mais encravou, mas eu nunca mais confiei nela! Eu, que uso essencialmente o travão de mão, comecei a usar mais o travão de pé, afinal aquilo tem Dual CBS a travagem seria assistida pelo travão de mão, de qualquer maneira!

Depois só me restava voltar à minha máquina mais antiga e seguir viagem!

Mas é triste, depois de me ter habituado a uma máquina melhor, justamente quando me preparava para ver coisas lindíssimas, ter de usar uma máquina inferior! Deu-me um ataque de inconformismo e comecei rapidamente a procurar uma máquina nova! Eu sabia que não era o momento de gastar mais dinheiro, com todas as despesas que se avizinhavam, mas que se lixasse o dinheiro! Eu nem sabia mesmo se ou quando viria a poder voltar a partir, depois de todas as despesas que o azar me obrigaria a fazer!

Por isso escolhi a maquina na net, fui procura-la ao melhor preço e comprei-a na Worten! Ao pagar, descobri que ela tinha um bom desconto em talão o que me “obrigava” a fazer outra compra com ele até ao final de Agosto a contar a partir do dia seguinte!

Ora no dia seguinte era o dia de eu partir de viagem e antes do fim de Agosto eu não estaria cá, por isso, fui até lá no dia seguinte, comprei um telemóvel (para substituir o que se afogou na inundação) e segui viagem com uma máquina que viria a descobrir, pouco a pouco, a cada dia de caminho… com ela tirei quase 14.500 fotos, das quais 14.000 estão ótimas! O azar acabava ali… ou talvez não…

Mas às vezes é precisa uma certa dose de inconsciência para não se desesperar e desistir de tudo!…

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30 de Julho de 2012

Eu não sabia quando poderia voltar a viajar, por isso esta viagem revestiu-se de significado, para além do que já tinha! Afinal eu iria voltar à Suíça, com todo o tempo para a explorar, tinha uma maquina nova para fotografar, só tinha de aproveitar o máximo do que se me deparasse no caminho! Mas olhar para a minha motita partida fazia-me tanto mal!

Segui direta sem paragens de importância, até Vitória onde passaria a primeira noite. A cidade é interessante, muito movimentada e cheia de recantos curiosos! Há muito que lá queria passar com calma e desta vez foi o que fiz!

É curioso que há ruas que parecem mais ladeiras e há até escadas para as subir e escadas rolantes exteriores para os mais cansados!

Os murais sempre me interessaram, já fiz muitos inclusivamente e por ali há vários bem interessantes!

Vitória tem um “casco antíguo” interessante, com construções pitorescas e igrejas góticas muito bonitas.

As casas muito juntinhas em ruínhas estreitas criam o ambiente certo para se passear, sobretudo quando o calor é muito e nem apetece apanhar sol!

Aproveitei uma igreja (iglesia San Pedro) para experimentar as capacidades da nova máquina fotográfica, porque cá fora, com luz natural, qualquer maquina se desenrasca, agora lá dentro, com pouca luz e sem flash é que a maquina mostra o que é capaz de fazer!

Gostei bastante dos resultados!

Depois dos “apertos” no coração, só me apetecia relaxar e viver a sensação de estar “on the road again”… sem me martirizar a catar a fundo a cidade, apenas vivendo-a!

Afinal viajar não é emprego, por isso não quero ter horários, nem preocupações e, sobretudo, não ter pressas!

Apenas passear e apreciar!

Encontrei um crocodilo lindíssimo junto à catedral nova da cidade. Que coisa mais bonita e perfeita!

A Catedral de María Inmaculada (catedral nova), é um edifício neogótico de meados do seculo XX, nunca a achei muito bonita por fora, sobretudo a fachada, mas tem ângulos interessantes!

A Catedral de Santa María de Vitoria, (Catedral Vieja), é muito mais interessante e tem a seus pés a Plaza de la Virgen Blanca, com esculturas bem curiosas! A Catedral estava em missa, por isso não pude entrar! Estes espanhóis são muito misseiros!

E a Plaza de España, que faz, juntamente com a Plaza de la Virgem Blanca, a ligação do casco antigo com a parte moderna da cidade!

Relaxei passeando pela cidade, calmamente, explorei mais a maquina fotográfica do que o mundo que me envolvia, mas isso nem era importante! Afinal este era apenas o inicio de uma grande viagem!

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– Saint Jean-Pied-de-Port – Andorra – Jaca –

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31 de Julho de 2012

Foi só ao segundo dia que eu comecei a relaxar um pouco! A motita parecia-me bem, não havia porque não fazer os caminhos que sempre gosto de fazer em viagem! Gosto de estradas secundárias, ruelas e caminhos, desde que tenham um piso razoável, que a minha Magnífica é desenrascada mas não é uma Trail!

Então engrenei pelos Pirenéus como tinha planeado, havia por ali uma ou duas coisas que eu queria ver desta vez! Digo desta vez porque outras vezes lá passei e deixei muito o que ver ainda!

Eu gosto das ruínhas onde quase só caibo eu e a minha motita!

E cheguei a Saint Jean-Pied-de-Port, uma cidadezinha muito pitoresca e acolhedora, que já foi a capital da província Basca da Baixa Navarra!

Em Saint Jean Pied de Port, convergem as três grandes vias do Caminho de Santiago no território francês, de Paris, Le Puy e de Vecelay (Chemin de Saint-Jacques des Pyrénées-Atlantiques) e isso é visível pelo centro de apoio e pela igreja de Nossa. Senhora.

Da ponte sobre o rio Nive, junto à torre da fortificação, a paisagem é muito bonita

Logo ali ao lado estavam duas esbeltas senhoras… por momentos eu teria pegado em qualquer uma delas e seguido caminho! Mas só me restava continuar com a minha Magnifica mutilada, pois então!

Esta foi a primeira cidade “fofinha” que visitei nesta viagem, que foi recheada delas!

Aquilo estava cheio de gente, não sei como consegui tirar fotos sem ninguém! Acho que estava tudo a ir para as esplanadas encher-se de cerveja, pois estava muito calor!

Eu também fui, mas tirei as minhas fotos antes! Eheheh

E depois de uma bela cerveja fresquíssima (estava gente ao meu lado a por gelo na cerveja! Nunca tal tinha visto!) segui pela montanha, ali mesmo ao lado os caminhos são super acolhedores!

As vaquinhas andavam por todos os lados! Uma coisa que me stressa um pouco! Nem quero imaginar o que seria de mim se uma embirrasse com a minha Magnífica!

Mas isso nunca aconteceu! Ainda vem que a minha motita é silenciosa, assim nem chegou a assustar ninguém à sua passagem!

As paisagens são deslumbrantes!

Aqui eu andava a testar a luminosidade do ambiente e as aberturas da máquina, por isso há céus meio pálidos e outros um pouco intensos demais!

E lá estavam mais vaquinhas no monte!

Nesta viagem vi vaquinhas de 7 ou 8 nacionalidades diferentes! Curioso que me parece que falam todas a mesma língua: língua de vaca, será?

Conheço-a estufada com puré e gosto muito!

Mesmo com as vacas por perto não resisti a parar por ali, no meio de nada, com ninguem à vista e fotografar e desenhar e estender-me na erva… é tão bom sentir a liberdade de nada fazer, apenas curtir o momento!

Mais à frente eram as ovelhas, taaaantas! Aqui na zona onde vivo chamam-lhes “mecas”! eheheheh

Não sei como não desmaiavam com o calor e toda aquela “roupa” em cima! Curioso, será que as ovelhas desmaiam?!

E as paisagens sucedem-se sempre fascinantes!

Decidi ir passear por Lourdes, era muito cedo para ir para casa e eu queria lá ir, por isso não deixei para o dia seguinte, embora fosse passar lá perto…

Fui por caminhos “travessos” e cheguei lá apanhando a Basílica de um angulo diferente! Gostei muito!

Como em Fátima o recinto está sempre cheio de gente!

O sítio onde se queimam as velas parece um crematório de tanta coisa que arde ao mesmo tempo!

“Cette lumière prolonge ma prière”

“Esta luz prolonga a minha oração”

Ali se juntam, num único conjunto, três construções próximas da Gruta de Lourdes: a Basílica da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, a Basílica de Nossa Senhora do Rosário e a da Cripta.

A minha paciência nunca me deixou ficar na fila para me aproximar da Nossa Senhora… ok, da sua estátua!

Ao longe o conjunto é imponente!

Desta vez visitei a Basílica do Rosário, que fica mesmo cá em baixo junto ao recinto.

Das vezes que lá passei, ou estava fechada, ou reservada a doentes!

E fui-me embora para Jaca, que já me apetecia afastar de tanta gente!

Ainda ponderei ir lá acima ao Château-Fort… mas não fui, não me apetecia caminhar mais!

Fui mas é para casa, encher-me de comida, beber uma litrada de agua, que o calor seca a gente!

Naquela noite a minha casa era em Jaca!

Fim do segundo dia de viagem…

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De Jaca até Andorra la Vella

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1 de Agosto de 2012

Normalmente é ao 3º dia que o corpo se habitua definitivamente à sua nova condição de viajante! Sim, que o hábito de um ano não chega até ao outro! É também no 3º dia que eu começo verdadeiramente a sentir-me em viagem!

Há uma leve euforia que se apodera de mim e que, de repente me faz querer ver tudo, por ruas e ruelas, até ao sol se pôr!

Ora eu acordei em Jaca, perto de tanta coisa para ver e a montanha ali ao lado, que comecei por um destino que pretendia conhecer há já algum tempo!

Depois da voltinha matinal por Jaca, em que o forte estava fechado mas a catedral não!

Um edifício lindíssimo a Catedral de San Pedro de Jaca, que é uma das mais antigas construções românicas do país!

Com o “casco antíguo” em seu redor.

Fui até ao Monasterio de San Juan de la Peña, uma construção belíssima encravada por baixo de uma grande rocha, que é afinal todo um monte!

Quem o vê nas fotos parece pequenito, quase uma construção à dimensão de crianças!

Na realidade não é muito grande mas é bem maior do que o que parece!

É uma construção fantástica, anterior à nossa nacionalidade

Que cresceu adaptando-se à forma e ao espaço cedido pelo penhasco

O claustro é uma obra extraordinária que facilmente nos faz pensar no quanto era importante um espaço destes para meditação!

Pequenino e fofinho que parece também ele de brincar!

Diz a lenda que o Santo Graal esteve guardado neste mosteiro por muito tempo!

Aliás, segundo as lendas o Santo Graal “passou” em diversos mosteiros espanhóis!

E lá está ele, encolhido por baixo da escarpa, desde o séc. XI, espantoso!

Depois de uma infinidade de tempo a cuscar todos os recantos do Mosteiro, deixei-me ir passeando pelos Pirenéus, que ali não faltam paisagens bonitas, nem é preciso procura-las!

As estradas de montanha são sempre fascinantes de fazer, embora por andarmos perto das nuvens corremos o risco de enfiar a cabeça nelas!

Sobe-se e encontram-se mais terrinhas!

Há sempre um Col à nossa espera! Ainda bem que eu fiz o Col de Marie Blanque no dia anterior com sol, porque as nuvens cobriam-no quando voltei a passar e aquelas estradas têm piada se a gente as vir!

Claro que a névoa também pode dar um certo ar de mistério às situações, porque lá mesmo no local sentia-se isso também!

Já não é a primeira vez que passo no Château de Mauvezin, um castelo medieval com origem lá pelo séc. XI, mas ainda não foi desta que o fui visitar por dentro!

Pelo menos desta vez aproximei-me mais um pouco que o costume, mas como só faço o que me apetece… não me apeteceu entrar!

Também vi lá ao fundo Sainte-Bernard de Comminges, mas só tirei fotos, não me aproximei! Também sabe bem apreciar os conjuntos históricos de longe, por vezes a gente luta para chegar perto, com trânsito e ruelas e de perto não tem qualquer interesse!

E cheguei a Saint Béat, uma terrinha na borda do rio Garonne, um rio cheio de coisas que eu quero ver! Um dia destes vou fazer um Passeando pelo Garonne, já prometi à minha nova motita!

Não é uma daquelas terrinhas de visita obrigatória, mas quando a gente passa é simpática para se parar um pouco!

Mais à frente Luchon, de que ouvira vários motards falarem… não tem outro interesse senão as esplanadas, o movimento das pessoas e mais esplanadas… cada qual gosta do que gosta !

E engrenei pelo Vale d’Arán que é muito bonito e se pode visitar repetidamente pois os seus encantos não têm fim!

Tudo o que sobe tem de descer, e há descidas fantásticas! Pena é a plantação de postes por aqueles lados que arruína grande parte da beleza do local!

O que eu gosto da montanha!

E é no meio das montanhas que fica Andorra la Vella. A Pousada de Juventude fica mesmo na encosta, a gente sobe, sobe e pronto, é lá em cima!

Depois foi descer, descer e vir cá abaixo comer! eheheh

Ali lembrei-me que o meu amigo Elísio me pediu fotos com vacas com maminhas grandes por isso tirei uma foto aquela vaquinha « classe » !

Andorra é muito mais calma à noite e até tem perspetivas giras para se fotografar !

E fui dormir, que amanhã era outro dia com tantas coisas bonitas para ver e fazer !

Fim do terceiro dia de viagem!

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De Andorra la Vella a Montpellier

2 de Agosto de 2012

É simplesmente delicioso acordar na montanha com o sol alegre e vistoso! Antes de partir para mais longe eu queria ir a Andorra la Vella comprar o meu perfume que deixo sempre para comprar lá pois cá custa o dobro do preço! Depois seguiria pela montanha, sempre por estradinhas secundarias para França.

Não há grande coisa para catar em Andorra la Vella, quando já se passou por lá tanta vez, mas os montes envolventes são muito acolhedores! O meu Patrick (GPS) dizia-me que não faltavam estradinhas aos SS por ali acima e por ali abaixo. E foi assim a minha voltinha matinal! Deliciosa, sem me afastar da cidade

Há gente que tem o privilégio de viver com uma paisagem destas, todos os dias, do lado de fora das suas janelas!

Tal como em todos os Pirenéus, tanto espanhóis como franceses, Andorra tem igrejas românicas lindíssimas!

Esta Igreja de São Miguel de Engolasters é das mais conhecidas de Andorra, é românica do sec XII e é super “mimi”! Muitas das pinturas e murais destas igrejas pirenaicas estão no Museu da Catalunha em Barcelona, incluindo as desta igreja. Foram retirados para que não se deteriorassem mais e no seu lugar foram colocadas réplicas, por isso as igrejas não estão despidas!

Mais acima um bocado fica o lago de Engolasters, um lago muito bonito que fica lá em cima a mais de 1600 metros de altitude!

A gente vê as placas e vai subindo e vai-se questionando se há mesmo um lago no topo do monte! E há mesmo!

E forma um autêntico espelho de água!

O comércio estava aberto quando desci do monte, por isso foi só comprar o perfume e seguir o meu caminho. Segui para França por Espanha por estradas cheias de paisagens e pormenores lindíssimos!

Belver de Cerdanya lá ao fundo!

Segui um pouco pela Route des Cols que, como o nome indica, é de subir e descer, curvar e chorar por mais!

E segui para Villefranche-de-Conflent, que eu queria visitar desde que passei por ali, no ano passado ao regressar da Escócia, e vi uma autêntica romaria de gente às portas da cidade!

A cidade muralhada é medieval e está muito bem conservada. Foi construída em mármore rosa e foi sendo restaurada e mantida ao longo dos séculos.

Acima da cidadela fica o Fort Libéria, que não visitei… uma coisa que eu aprendi é que não se sobem longas escadarias em viagem ou será muito duro conduzir depois, com os músculos espalmados!

No interior das muralhas há um ambiente de férias! Muitas lojinhas de tudo, muitos turistas e as ruas cheias de gente!

Há recantos que se têm de visitar sem ninguém ou não se conseguirá ver o que o local é, para além dos turistas por todo o lado!

Ainda dei umas voltas por terras próximas, mas nada se aproxima do encanto de Villefranche, por isso segui para onde o interesse me levava!

Continuava por “caminhos de Santiago” e o Monasterio de San Miguel de Cuixá é um exemplar fantástico neste percurso, desde a idade média!

Azar dos azares… estava fechado! Então dei-lhe a volta, comi dos pêssegos do seu pomar, estavam meio verdes mas eu gosto assim! E tirei fotos do exterior, pois então! 😀

As aldeias na encosta do monte sempre prendem a minha atenção!

Enquanto eu me dirigia para Limoux atravessando a Retenue de Vinça, uma represa que proporciona imagens interessantes!

A ideia é sempre sair dos caminhos cheios de carros e gente, normalmente as alternativas são deliciosas ruas estreitinhas com paisagens para mais tarde recordar!

Esta é uma imagem do paraíso, para mim, quando ando em viagem!

E cheguei a Limoux, uma cidade que eu tinha curiosidade de conhecer desde 2009, quando perdi o meu GPS e vim de Carcassonne até Andorra comprar outro. O nome Limoux estava por todo o lado, mas eu não tinha condições de pensar sequer em visitar a cidade!

Desta vez tirei as dúvidas, é uma cidade interessante sim! Com a sua Pont Neuf do Séc. XIV sobre o rio Aude, muito bonita!

E a catedral, ou Igeja de Saint Matin do séc. XII, muito bonita, embora enfiada no meio de um transito que devia passar mais longe…

Achei piada à grande pia de agua benta, que fiquei sem saber se não seria a pia batismal, dada a sua grande dimensão!!

O que mais me arrelia quando tento fazer uma panorâmica de uma cidade é o facto de haver sempre uma grua a lixar tudo!

E segui para Carcassonne que conheço bem e sabia que ficava ai bem perto!

Estava muito calor e eu não me quis meter pela cidadela cheia de gente!

Preferi explorar novas perspetivas das longas muralhas que envolvem a cidade e proporcionam enquadramentos lindíssimos e o rio Aude!

Nesta altura o calor já era muito, não se estava bem em lado nenhum, havia muita gente por todo o lado e tudo o que me apetecia era andar para arrefecer, mas a motita começou a querer falhar!

A princípio pensei que era apenas impressão minha, já no caminho me parecera senti-la desacelerar em andamento, mas logo a seguir não se sentia mais nada! Mas desta vez parecia que algo a iria impedir mesmo de andar!

Eu afastava-me já da cidade quando ela começou a soluçar! “Valha-me Deus! Querem ver que vou ficar sem moto? ” Eu dava-lhe um pouco de embraiagem e ela não ia abaixo, mas logo a seguir engasgava de novo! Parei junto ao um grupo de polícias que estava numa sombra a monitorizar um radar (pois, isso também há lá por todos os lados!) perguntei por uma oficina Honda. Para a frente não haveria nada, teria de voltar para Carcassonne.

Indicação de uns e de outros, um senhor numa estação de serviço deu-me um mapa e fez nele o desenho do percurso até à Honda, do outro lado da cidade “vá depressa que aquilo fecha cedo!”
Lá encontrei o que procurava e cheguei a tempo!

A moto não tinha nada! A única coisa que podia ser era impureza na gasolina. “mantenha o deposito cheio e reze para que seja apenas água, porque se for impureza, vai voltar a engasgar!

Mal enchi o depósito, deixou logo de falhar! Milagre, siga para Montpellier!

Já nem parei em mais lado nenhum, apenas para pôr gasolina, pois não deixei mais o deposito chegar sequer a meio… mesmo assim, ao chegar a Montpellier, voltou a soluçar, cada vez mais, cada vez mais forte até ir abaixo à porta do hotel onde iria dormir aquela noite!

“Obrigada fofinha, já que tinhas de ir ao menos fizeste-o no momento certo, já não fico por aí stressada na rua!”

Em Montpellier eu iria encontrar-me com o meu amigo Charles, que acompanhou algumas das minhas crónicas no meu blogue, sobretudo a de Marrocos. Como eu não podia mais ir até casa dele, veio ele até ao meu hotel. Fui jantar a sua casa, conhecer a sua esposa que tão simpaticamente cozinhou para nós. Amanhã iriamos à Honda ver o que a Magnifica tinha. Ele tem uma Pan igual, não haveria problemas, estava entre amigos!

Fim do quarto dia de viagem

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De Montpellier até Nice… cheia de receios!

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3 de Agosto de 2012

O hotelzinho onde fiquei era muito simpático e o patrão estava mesmo preocupado se eu tinha quem me ajudasse com a moto, senão ele mesmo encontraria um stand da Honda para me levar lá!

Mas não foi preciso, o meu amigo Charles Formosa lá estava à hora marcada, mais a sua Pan, para me acompanhar ao senhor doutor!

Ao princípio a minha motita engasgou um pouco, mas depois parecia que nada se tinha passado no dia anterior! E eu acompanhei o Charles sem qualquer dificuldade!

De repente parecia que iria ver as entranhas à minha moto todos os dias!

E tudo para ouvir a mesma coisa! A moto não tinha nada! Tudo funcionava como um relógio, nem dava para perceber que era uma moto com tantos quilómetros!

Mas a minha preocupação mantinha-se! Que adiantava que ela não tivesse nada na frente de toda a gente se, mal se visse sozinha comigo, começasse a falhar de novo?

Não sabia o que fazer, se seguir para a frente, e continuar a viagem, se voltar para trás e acabar com as inseguranças! E diz-me o “manda-chuva” do stand: “Vá para a frente sem medo! Afinal vai andar em países civilizados, a qualquer momento se a moto falhar, chama a assistência em viagem e vai para casa, não sem antes ter feito pelo menos parte da viagem!”

O Charles era da mesma opinião, aliás ele reforçava a sua ideia de que a Magnífica chegaria ao fim da viagem sim senhor! E eu lá fui…

Já não é a primeira vez que eu tenho planos para explorar a zona da Provença e algo me impede de faze-lo! Começo a pensar que tenho de lá ir direta com a única finalidade de a catar de ponta a ponta ou acho que nunca a conseguirei ver como quero!

Ainda dei umas voltas pela zona industrial de Montpellier e pela entrada da cidade a ver se algo acontecia enquanto estava perto da oficina…

Nada aconteceu, era como se ontem nada tivesse acontecido!

Então apanhei a via-rápida e fui por ali fora cheia de cautelas, como evitar permanecer na faixa de ultrapassagem, pois a moto podia engasgar de vez e deixar-me no meio da rua!

Mas nada disso aconteceu…

Eu não gosto de viajar por autoestradas nem vias-rápidas, por isso acabei por sair em Aix-en-Provence…

A moto estava normal mas eu não me aventurei muito pelo centro! Apenas passei e segui o meu caminho junto ao Mont de Saint Victoire, o monte que Sezanne tanto pintou quando ali viveu!

Não tinha vontade de parar, nem de ver nada, apenas chegar a Nice e ter a certeza que a moto estava bem e que não me abandonaria! A Provença? Não faltarão oportunidades para eu a catar de ponta a ponta!

Cheguei a Nice e enfiei-me na pousada de juventude, que por acaso era bem divertida e com uma paisagem bem bonita!

Fiquei ali a conversar com uns e com outros, pois toda a gente ficava, primeiro surpreendida por eu estar ali de moto, depois por a moto estar partida! Ofereceram-me cerveja, e tive um serão de horas de paleio!

E foi o fim do 5º dia de viagem, com direito a comida japonesa e muita conversa!

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– Passeando pelo Mónaco –

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4 de Agosto de 2012

E mais uma vez a motita deu o dito por não dito e amanheceu como se nada fosse! Tive de concluir que o seu problema fora com a gasolina de Andorra e que certamente tinha alguma gota de água misturada, porque se fosse impureza a moto teria continuado a soluçar e a tossir! Se não o fez mais, deveria ter encontrado água da gasolina e essa passa no filtro sem entupir, só que, como a moto não se move a água, engasgou, tossiu e parou, até passar para baixo, depois nada mais se sentiu!

De repente fiquei supercontente e cheia de vontade de continuar! É que me preparava para fazer grandes caminhos que sem confiança na moto seriam difíceis de fazer!

Era o dia de começar a subida até ao Lac Leman, na Suiça!

Mas antes eu tinha de ver umas coisas, porque era cedo e por isso uma boa hora para ir passear para o Mónaco e porque assim sentiria como estava a minha motita da tosse! E segui contornando a costa até lá!

É um dos percursos bonitos de se fazer mas que pode ser extremamente aborrecido em hora de toda a gente sair para passear os automóveis, por isso queria faze-lo cedinho! Eu nem gosto de carros, porque teria de “levar com eles”?

Tomei um grande pequeno-almoço num ambiente muito giro

A minha Magnífica tinha feito amizade com a GS de um alemão que andava a passear por França com a filha adolescente.

E segui pela estrada mais panorâmica da zona, porque fica ali em cima e nos permite ver tudo, como se estivéssemos no camarote de um anfiteatro!

Eu sei que parei de 100 em 100 metros para tirar fotos semelhantes, mas quem é que consegue evitar de o fazer, com uma paisagem destas?

Èze fica ali em cima, mesmo na borda da estrada… mas não me apeteceu nada pousar a moto e caminhar por ali acima! Quando voltar a passar por ali, já prometi a mim mesma que vou visitar!

E fui-me passear para os jardins do Casino de Monte-Carlo!

Fui caminhando por ali abaixo e reparei que os policias que estavam no local foram muito simpáticos para mim!

Aquilo é bonito sem a multidão por todo o lado!

E lá estava ele, com a escultura em espelho côncavo em frente! Bem, de um lado é côncavo do outro é convexo!

Tinha feito a estrada desde a entrada no Mónaco atrás deste carro! Tem o ferrão do escorpião em cima e tudo! Até fiquei a olhar se não seria um dos elementos da banda, mas não, era um tipo qualquer, provavelmente apenas um fan!

Ainda pensei em ir ao forte, mas tinha de subir até lá acima pois a moto não pode passar! Perguntou-me o polícia que está na rotunda antes, onde eu ia!

“Eu? Eu vou para a Suíça!” respondi.

“Vai para a Suíça por aqui? Mas isto nem tem saída!”

Fez-me lembrar quando perguntaram em Vilar-Formoso ao meu amigo João Luís onde ele ia e ele respondeu que ia para Africa e também lhe perguntaram “por aqui?!” eheheh

Mas houve mais momentos em que me perguntaram onde eu ía e nem sabia o que responder, então perguntava “onde vou neste momento, ou nesta viagem?”

E lá voltei a Nice…

Onde começa a estrada que eu iria fazer

Uma das estradas mais encantadoras e famosas dos Alpes

(continua)

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La Haute route des Alpes – Col de la Bonette

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4 de Agosto de 2012 – continuação

A princípio a estrada é quase banal, escarpa aqui, monte ali e nada mais denuncia o que ela será mais à frente! Eu nunca tinha feito a “ponta” sul por isso tinha de ir atenta, mas a estrada é fácil de encontrar e de seguir, porque está muito bem sinalizada e, mesmo quando a gente não tem a certeza se fez a boa escolha num entroncamento, uma nova placa aparece logo à frente a desfazer as dúvidas!

Então vamo-nos afastando de Nice e vamo-nos aproximando da beleza da natureza em estado puro!

E há momentos de dilema, curtir a estrada ou apreciar os encantos da paisagem? Vou tentando fazer um pouco de tudo, tirando fotos pelo meio!

A estrada é suficiente longa para permitir um pouco de atenção a tudo o que nos vai rodeando mas, por vezes, tive de parar abruptamente porque um recanto da paisagem me prendeu pelo canto do olho!

No seculo XIX viviam nestas casas cerca de 800 soldados que defendiam a zona fronteiriça, é o Camp des Fourches. No inverno apenas um pequeno grupo de homens ficava ali isolado do mundo pela neve e só conseguiam passar de casa em casa por tuneis feitos na neve alta e densa com tabuas de madeira. Chamavam-lhes “les Dilabes Bleus” (os diabos azuis) pela sua coragem e audácia de ali ficarem e caçarem e viverem!

A estrada parece traçada nos recantos mais bonitos da cordilheira!

Há momentos em que olhamos para trás e vemos o caminho percorrido, serpenteando pelo monte acima!

Então chegamos ao cume

A estrada é mítica para ciclistas e às vezes temos a sensação de que eles sentem que ela lhes pertence! Tive de pedir para se afastarem um pouco para fotografar o “menir” que assinala o ponto máximo mas, mesmo assim, tive de gramar com as biclas lá encostadas!

Mas o encanto contínua, numa nova sequencia de curvas e encantos

A estrada continuava a serpentear por ali fora, linda!

E fui surpreendida pelo primeiro acidente da viagem. Vi as pessoas ao longe e não percebi o que se passava, até passar perto… uma moto de pernas para o ar e um casal meio em mau estado na berma… Eu não teria tirado a foto se soubesse o que se passava, mas não apanhei os feridos, o que foi menos mal…

Mais à frente fica o Forte de Tournoux encrustado no monte. É conhecido por lembrar os templos do Tibete mas, na realidade, é uma construção do fim do sec XVIII e tinha como finalidade proteger a França contra os Italianos.

Tem visitas guiadas e deve ser interessante visita-lo, mas subir todo o monte por escadas estava fora de questão!

E lá andavam os ciclistas por tão belas paisagens a pedalar

A estrada torna-se perigosa quando deixa de ser “cadenciada” por curvas e os condutores se entusiasmam com as retas, sem pensarem que, depois de uma reta há sempre uma curva!

Depois há momentos em que ela parece uma linha num bolso, de tanta volta que dá sobre si própria!

E quanto mais voltas dá mais bonita é a paisagem!

E cheguei a Briançon, onde passaria a noite.

Briançon pertence ao Departamento dos Altos-Alpes e é a cidade mais alta de frança e a segunda mais alta da Europa, depois de Davos na Suíça.

Porque fica ali tão perto da Itália é uma cidade bastante fortificada, com uma cidadela cheia de interesse e edifícios classificados pela Unesco.

Fui para o hotelzinho, onde rapidamente a minha motita arranjou uma filinha de amigas!

Comi uma pizza divinal e brinquei um pouco com a minha máquina, que as nuvens acima da montanha estavam inspiradoras!

Fim do sexto dia de viagem!

**** ****

– La Haute route des Alpes – Col du Galibier

*
*

5 de Agosto de 2012

O dia amanheceu meio solarengo, meio enevoado e pingão. É verdade, isso acontece a cada passo nas altas montanhas. Naturalmente que o lado solarengo chamava muito mais alto por mim mas, azar dos azares, era pelo lado pingão que eu devia seguir! Ainda pensei em contrariar o percurso mas eu teria de ir apanhar a chuva de uma maneira ou de outra, não adiantava dar uma volta maior, por caminhos menos bonitos!

Por isso dei por ali umas voltas, retive a respiração e mergulhei! Iria ver o Lago Leman ainda naquele dia…

A cidade de Briançon é muito bonita de apreciar de longe, com o forte sobre uma colina mais elevada e a cidadela mais em baixo, parece um cenário!

Uma pena os fios, sei lá de quê, que estragam um enquadramento destes!

Ao longe o conjunto da “ville Haute”, o forte do castelo, o forte des Salettes e o forte des Têtes.
Com uma longa história de guerra e defesa da fronteira francesa, passou por momentos históricos fortes, desde a idade média, passando pelas guerras mundiais e chega aos nossos dias como cidade de ski e desportos de inverno e cheia de monumentos únicos e classificados!

E segui para o lado do tempo ruim, para o col du Galibier, esperando que a chuva não fosse tanta que me impedisse de ver e fotografar um pouco…

Então comecei a encontrar uma infinidade de motos! Parece que de repente toda a gente ia para onde eu ia!

Depois entendi… era domingo e o povo tinha tirado o dia para ir correr para ali! Ultrapassei e fui ultrapassada diversas vezes por esta moto bizarra, que era mais uma moto de 4 rodas do que verdadeiramente uma moto 4! O tipo devia ficar muito incomodado sempre que eu ia à frente dele pois esforçava-se para caramba para voltar a vir-se meter na minha frente! Por vezes obrigou-me mesmo a travar para ele entrar!

Não me lembro nunca de me ter sentido tão pressionada por outros motociclistas para os deixar passar para o espaço à minha frente onde por vezes não cabia ninguém… detestei a sensação! Não sei se era por eu ser a única moto com um “P” atrás, ou se era por ser mulher, ou se era por a minha Magnifica ser a única no seu estilo/tamanho por ali… só sei que detestei!

Um dos que me apertou, ao ponto de quase me tocar na roda da frente, encontrei-o no chão umas curvas mais à frente! No final da aventura, contando com os 2 acidentes do dia anterior, tinha passado por 6 motos viradas de pernas para o ar, 2 das quais com pendura incluída… Ainda bem que a estrada valia a pena ou ter-me-ia arrependido de a ter feito naquele dia!

Então encontrei a chuva! E foi ela que afastou todo aquele “mosquedo” de mim! (obrigada São Pedro) De repente vi-me sozinha na estrada, apenas eu e alguns carros, as motos iam ficando paradas aos grupos aqui e ali, já não havia mais heróis capazes de se meterem à minha frente? Não, porque chovia bastante, o vento era forte e eu aproveitei para seguir em paz!

E constatei uma triste realidade para um(a) motociclista, que os automobilistas eram muito mais cuidadosos e atenciosos para mim do que todos aqueles motards! Faziam o esforço por se chegar para a beirinha cada vez que eu me aproximava, davam-me pisca a mandar-me passar e tudo! Veio-me diversas vezes à mente aquelas tretas que circulam no Facebook de que motociclista é boa pessoa, é solidário, é amigo, segue códigos de conduta, é irmão… é muitas vezes reles, mal criado e arrogante, cá e lá… infelizmente! E foram os enlatados os melhores colegas de estrada que podia ter tido por ali!

E segui na maior paz, apesar da chuva e dos trovões em cima de mim, é que o São Pedro não parava de me tirar fotografias, eu bem via os flashes!

Cheguei lá acima sozinha! Havia lá um ciclista acampado, alguns carros e a minha Magnífica!

Ninguém na longa e ziguezagueante rua! Não havia mais heróis!

Por muito tempo apenas se via um carro aqui e outro ali e a paisagem era linda!

É tão bonito quando para de chover e o sol volta, a estrada brilha e o céu fica límpido!

As esculturas em feno são comuns, a cada ano vejo-as pelas estradas Francesas, os camponeses são artistas!

Passei em Valloire mas nem parei! Aquilo estava cheio de motos paradas por causa da chuva e eu já estava fartinha de motos e habilidades!

Só voltaria a parar quando chegasse ao lago Leman…

(continua)

**** ****

– Thonon-les- Bains, Genève –

*
*

5 de Agosto de 2012 – continuação

A ponta norte da Route des Hautes Alpes eu já conhecia por isso andei por ali a inventar pois há diversas possibilidades de ruas a escolher. Claro que eu escolho sempre as mais estreitas, menos concorridas e longe de tudo! Gostos!

Percorrer sem pressas estradinhas cheias de curvas que nos levam de terrinha em terrinha e de monte em monte é delicioso!

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Fui brincar um pouco pelo Col des Aravis que não tinha ninguém!

Mas havia muita humidade no ar e eu temi pela minha novíssima máquina fotográfica, por isso não tirei muitas fotos!

Andava por perto de Annecy e Megève, uma cidade ficava-me à esquerda e outra à direita! Ambas são bonitas mas decidi não ir a nenhuma! Eu queria mesmo chegar ao lago…

Há uns castelinhos por ali que são um encanto na paisagem e eu segui de um para outro.

O Chateau Fèodal D’Avulli é simplesmente delicioso, um castelinho do Sec XII que apetece fotografar até à exaustão!

Fica em Brenthonne e funciona como restaurante! A mim bastava-me olha-lo de todos os ângulos e fotografa-lo, já que visitar estava fora de questão.

Tem à entrada do seu jardim um par de guerreiros em topiária engraçados!

E é lindo!

Mais à frente ficava Thonon-les-Bains, onde eu passaria a noite e o castelo de Ripaille, onde viviam os Duques da Saboia.

Os domínios de Rippaille são um importante sítio histórico, que já esteve abandonado mas foi totalmente restaurado há 2 seculos e hoje é esta beleza de construção, com restaurante a funcionar e os domínios a visitar!

Mais à frente, um outro castelo encantador ainda, no Parc Municipal de Montjoux, o castelo de Montjoux, mesmo na beira do lago!

São lindos e adoráveis estes castelos por serem tão diferentes dos nossos e do que estamos habituados a ver por cá!

E segui até Genève, passando por Yvoire, aquela cidade encantadora na margem francesa do Lac Leman, porque passando perto não consigo deixar de lá entrar!

Esta pequena aldeia medieval fortificada está classificada como uma das aldeias mais bonitas de França e também no concurso promovido pelo pais para as aldeias e cidades mais floridas!

A verdade é que é tão florida, colorida e bonita que até parece irreal!

E tem também o seu castelinho!

O lago, que parece uma piscina de tão limpo, e os patinhos a embelezar o ambiente!

Tudo parece perfeito por ali! Só peca por ser um local muito visitado e estar sempre cheio de gente o que me tem sempre impedido de visitar o jardim dos 5 sentidos, que diz quem já visitou, é um miminho!

A primeira perspetiva que tive da aldeia, há muitos anos quando tinha chegado a Genève havia poucos dias, foi esta, a partir do ancoradouro, pois fui até lá num cruzeiro no lago. E tudo me pareceu irreal de tão belo! Hoje continuo a sentir o mesmo, cada vez que lá passo!

Foi em Yvoire, há muitos anos, que eu comprei o meu segundo chapéu, nesta chapelaria “Chapeaux à gogo” que quer dizer algo tipo “chapéus a granel”!

Pormenores giros que se encontram por lá, coisas que vou vendo, coisas que ainda não tenha visto!

Não falta onde deixar a motita por ali, com direito a tratamento vip!

Segui então para Genève…

É sempre aquela sensação voltar à cidade, as ruas, o trânsito, os pormenores cheios de sentido…

Fui visitar velhos amigos, velhos recantos da minha história…

O tempo estava a escurecer e a pôr-se negro, uma pena porque eu queria ver o pôr-do-sol no lago, com todo o encanto que já assistira tantas vezes…

Voltei ao “meu jardim” como faço sempre… gosto de terminar o dia ali, mesmo sem sol, mesmo com pingos de chuva, gosto!

Não voltaria a Genève durante esta viagem…

Fim do sétimo dia de viagem

(coninua)

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2 thoughts on “I – Passeando até à Suiça 2012

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