16. Escandinávia 2017 – Passeando entre as ilhas até à bela Odense.

8 de agosto de 2017

Acordar com o grasnar de patos foi uma sensação inesperada e muito agradável, como se eles fizessem parte de um sonho de que eu acabava de acordar.

O ambiente que eu procurava, ao hospedar-me ali, era de paz e natureza, mas o que me esperava superou as espectativas.

Eu queria ver como eram as pessoas comuns e as localidades fora dos roteiros turísticos, passear sem pressas e viver dias lentos de viagem, sem correr para lado nenhum para ver coisa nenhuma. Apenas descobrir o que houvesse no meu caminho!

Por isso despenderia todo o meu dia passeando entre as duas grandes ilhas, Fyn e Sjælland.

Eu nunca vivo uma viagem esperando pelo que vem a seguir. Cada momento tem toda a importância da minha atenção e curiosidade como se fosse o ponto alto de toda a viagem!

Paro a todo o momento e aprecio cada recanto anonimo que me prende a atenção e os sentidos!

Fui percebendo que, não andando pelos sítios mais turísticos, poderia ter de percorrer longas distancias em ruas de terra batida, algumas mesmo com “jardim” ao meio!

Mesmo quando não eram visíveis, por trás dos arbustos havia casas, não importava que aspeto tivesse cada quelho!

As casas eram sempre lindinhas, mas algumas eram mesmo encantadoras!

E o mar de Kattegat era logo ali, lisinho como um lago…

Quintas e castelinhos são pequenas maravilhas retiradas de uma história de encantar

e as igrejinhas deliciosas, pintadas de branco com portais curiosos e portas e portões vermelhos que adorei e estavam por todos os lados!

Também as há em tijolo, mas a estrutura é semelhante, pelo menos quando vistas do exterior.

Todo o caminho que fui fazendo pela Sjælland, a mesma ilha onde fica a capital, era rural e cheio de beleza simples e o humor dos agricultores ia-se manifestando nas esculturas em feno nos limites das suas propriedades.

E acabei por atravessar o pedaço de mar que me separava da ilha ao lado e voltei a Fyn

e cheguei a Odense, uma das cidades mais antigas do país, que eu tinha em mente desde o tempo em que as civilizações vikings me encantaram. A origem do nome da cidade vem desse tempo, precisamente, uma reminiscência das adorações do deus nórdico Odin.

Há um encanto nas cidades dinamarquesas, como se cada uma, não importa a sua dimensão, tivesse sempre um pouco de conto de fadas. Odense é mesmo a cidade natal de Hans Christian Andersen, que tantos contos escreveu, e ao passear pelas ruas da cidade, ladeadas de casinhas térreas, pintadas de cores vivas, quase conseguia sentir a inspiração para os cenários dos seus contos. Tudo tão bonito!

(in Passeando pela vida – a página)

Ali nasceu Hans Christian Andersen e ele está representado na cidade em escultura e no jardim Lotzes, numa espécie de teatrinho a lembrar um palácio de conto de fadas, junto ao seu museu. Ao longe eu via gente a desenha-lo.

Aproveitei e fiz o meu próprio desenho.

Claro que depois fui espreitar os delas e isso deu uma boa conversa, com comentários técnicos e opiniões. Elas gostaram dos meus desenhos, eu gostei dos delas!

O centro da cidade estava em obras, mas a ruinhas em redor eram inspiradoras o suficiente para um belíssimo passeio pela cidade histórica.

O rio Asfart está por todo o lado, muito bonito e retorcendo-se pela cidade e jardins até à catedral.

A serenidade do ambiente era tão presente que apetecia ficar por ali o dia todo!

Acho que foi na Dinamarca que eu vi as miúdas mais bonitinhas. Achei curioso o pormenor de as ver frequentemente passear com o cãozinho na cesta da bicicleta, ao ponto de decidir tomar atenção para captar um! E lá estava ele a espreitar, placidamente!

Logo a seguir estava catedral de Sankt Knuds, uma construção gótica do século XV em tijolo, que valeu a pena visitar por dentro.

Sempre me fascinam construções diferentes das que estou habituada a ver e ver como foram tratadas ao longo dos séculos mostra bastante do povo que a cuidou.

Eu não conhecia o Santo Knud, por isso fui investigar e descobri que foi um rei dinamarquês do século XI, que se tornou santo, daí não ser conhecido fora do país.

O altar-mor é a coisa mais curiosa e que eu queria ver há muito, com um retábulo espantoso em talha dourada lindo!

Aquela cidade encantou-me! E a vontade era de voltar daqui a uns anos, para a ver depois de terminadas as obras no centro. Entretanto as ruinhas em redor atraiam-me bastante!

Apreciei também o facto de a cidade não estar pilhada de turistas. Fiquei com a sensação de que não será uma cidade na moda para o turismo! Mas que sei eu disso, que não frequento agencias de viagem nem sites de turismo!

Simplesmente conseguia explorar recantos lindos sem ninguém a encher tudo de ruido e selfies e isso era tão fantástico!

E o lado aldeão da cidade era tão encantador!

As pessoas cuidam do que é seu, não havia vestígios de lixo no chão e havia até quem pintasse as suas próprias janelas!

O passeio pela ilha revelar-se-ia um encanto, como eu suspeitara, com ruas bonitas, ladeadas de terrenos cultivados e casinhas, aqui e ali, espantosas!

E havia as pequenas florestas, onde eu nunca sabia onde terminaria o alcatrão e começaria o piso-aventura!

A minha coleção de casinhas ia crescendo a cada curva do caminho, com exemplares espantosos!

E o tal piso-aventura, quando aparecia no meu caminho, podia ser a coisa mais bonita de se percorrer!

E as igrejas continuavam a ser todas muito parecidas, eu já nem sabia quantas tinha visto nem quando comecei, no regresso, a passar pelas mesmas que vira na ida!

Encontrar obstáculos quase no meio das ruas, é a forma mais curiosa de fazer os condutores andarem devagar e com atenção! Confesso que a primeira vez que vi uma coisa daquelas a contornei pelo lado errado!

Eu tinha de ir ver o braço de mar entre Fyn e Sjælland.

Estava um pouco revolto, pelo vento, e percebi que iria apanhar vento ao atravessar a longa ponte entre as duas ilhas.

Podia ver a ponte ao longe. Sentei-me por ali, estava a arrefecer e provavelmente iria chover naquela noite, por isso tinha de aproveitar cada momento antes que a chuva viesse!

Foi uma pequena luta atravessar a ponte, mas o caminho para casa foi feito de coisas bonitas e simples. Acho que a Dinamarca é toda assim!

A cada quilómetro eu me apaixonava mais um pouco pelo país!

Quase fui atropelada por um bicho saltitante que ficou meio aparvalhado a olhar para mim, provavelmente a questionar-se de que raça eram eu e a minha moto!

E consegui chegar à minha casa daquela noite antes que a chuva chegasse!

No dia seguinte iria explorar a ilha de Sjælland até Copenhaga.

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15. Escandinávia 2017 – Finalmente a Dinamarca

7 de agosto de 2017

E chegou o dia de entrar na Dinamarca. Tanta coisa que eu queria ver naquele país e tanta coisa ficou por ver no fim. É sempre assim. Quantas vezes terei de lá voltar até explorar tudo o que tenho em mente?!

Chegou também o dia em que o meu amigo Filipe seguiria o seu caminho e eu o meu! Ora isso merecia um pequeno almoço caprichado, com uma bosta de café, mas muito boa disposição à mistura!

As nossas motinhas também se estavam a despedir, enquanto a GTR tentava secar a toalha de banho do patrão.

Curiosa a sensação de despedida, como se a viagem começasse naquele momento!

E lá seguiu ele o seu caminho…

E eu o meu!
Entraria no país por terra, eu queria ver como eram as coisas por lá, como eram as cidades, as aldeias e as paisagens, mais do que ir a correr para os pontos turísticos apanhar banhos de gente!

A Dinamarca está bem sinalizada, é quase impossível entrar no país sem “tropeçar” na tabuleta de boas vindas!

A curiosidade que o país me despertava era muito para lá dos sítios famosos e turísticos, dos museus ou locais imperdíveis. Eu queria ver como era o nada, o anonimo, os recantos perdidos na paisagem que não fazem ninguém comprar bilhetes para ir vem.

E foi tão bonito cada quilómetro que percorri, olhando em redor com encanto mesmo quando no horizonte não havia mais nada para além dele mesmo!

No meio de lado nenhum uma igreja, um jardim, um cemitério, faziam-me lembrar a Irlanda sem se parecerem nada com ela. Uma atmosfera de paz e serenidade, no meio do vazio, que me encanta.

E cheguei a Ribe, a cidade mais antiga da Dinamarca e uma das mais antigas da Europa. A catedral do século XII é um marco poderoso no meio da cidade feita de pequenas casinhas, muitas deles protegidas e preservadas pela sua importância histórica.

O edifício foi ampliado em tijolo 3 ou 4 séculos depois e mais tarde restaurado e alterado o seu interior, mas está bonito até hoje.

A praça em redor estava tão solarenga e alegre que apetecia passear por ali.

Não consegui sair dali antes de catar todas as ruinhas, em perspetivas encantadoras.

São mais de 100 casas que estão hoje protegidas e ainda bem, pois são o encanto da cidade!

Os pormenores são encantadores, como se cada proprietário cuidasse da sua casa como se de uma joia se tratasse!

A sensação ao passear pelas ruelas era de que as casas eram quase mais baixinhas do que eu!

A sensação que eu tinha era de que poderia ficar ali umas férias completas!

Mas lá fui seguindo pela costa, porque a curiosidade é sempre um bom motor para me manter em movimento e logo a seguir ficava Esbjerg, com os seus Men at sea, uma enorme escultura que comemorou os 100 anos da cidade em 1994.

O conjunto escultórico mede 9 metros de altura e pode ser visto do mar, pelos barcos que se aproximam do porto.

As pessoas pareciam negras e pequenininhas junto dos monstros brancos!

Ia percebendo e sentindo a Dinamarca como um país de pequenos encantos e essa seria a memória que cada quilometro de caminho formava na minha mente!

Não queria ver cidades, nem pessoas, nem atrações turísticas, por isso fui andando na direção do meu destino, procurando desviar-me de ferrys para atravessar para a grande ilha de Funen (Fyn) e depois para a Zelândia (Sjælland).

Ao lado da longa ponte há um farol

E ela é a única estrada em que paguei portagem, para além da ponte/túnel que liga a Zelândia à Suécia, claro.

Aqueles céus iam-se revelando em cenários fantásticos para uma paisagem serena.

Um caminho tão bonito quanto cheio de nada!

E lá estavam as igrejinhas lindas, nem todas brancas, mas todas com uma configuração típica.

Os caminhos que partiam da estrada que eu percorria eram ladeados de arvores, e eu podia perceber onde estavam pelas fileiras de “bolinhas verdes” que elas formavam ao longe.

E eram frequentemente de terra batida o que lhes dava um ar de caminho particular.

O mar continuava fantástico com um céu impressionante cpor cima, seguramente iria chover aquela noite…

Mais um caminho de terra batida e chegaria ao meu destino.

Fui recebida por dois grandes gatos peludos muito curiosos, numa quinta cheia de animais, onde eu dormiria por 3 noites.

Registos de viagem – 2

Cheguei ao meu destino para dormir na Dinamarca e é uma quintinha, cheia de animais bem no meio da natureza! O meu quarto é uma roulotte com avançado e o meu pátio um grande relvado. Grande espanto à minha chegada “big bike and big lady!” Ainda me chamam grande e eu ainda não me sinto pequena junto deles! Vou jantar com esta gente boa e descomplicada!

(in Facebook)

A minha roulotte seria a verde, ao fundo de um relvado foto e perfeito.

Era hora de alimentar os animais da quinta e eu acompanhei a Karen nessa tarefa. A Karen é a jovem proprietária da quinta, que foi fazendo a visita guiada a todos os animais que ali cria, enquanto distribuía comida. Havia alguns recém-nascidos por lá.

Havia também uma enorme variedade de coelhos, separados por raças ou por cores, não sei!

O que mais me fascinou foi o maior de todos!

Acho que nunca tinha visto um coelho tão grande!

Perdi a noção de quantos animais diferentes vi naquela quinta!

Cavalos e póneis, acho que só não vi vacas!

Mas seria com os gatos felpudos e fofinhos que eu conviveria mais.

E à medida que o sol descia de um lado a lua subia do outro. Valia apena passear um pouco e ir vê-la sem as arvores na minha frente.

Tive companhia no meu passeio. Sem que eu dissesse nada, o gatinho simplesmente me acompanhou, como se fosse um cão treinado.

Passear com um cão é coisa de gente banal! Gente especial passeia com um gato 😉
E ele espera a cada vez que eu paro para tirar uma foto e aprecia o que estou a apreciar!

Definitivamente fui adotada por ele, pois veio comigo para casa

Soube bem ter companhia, ainda por cima eu adoro gatos!

Quanta serenidade aquele país e aquele ambiente me transmitia! No dia seguinte iria simplesmente passear, sem me preocupar em ir muito longe nem em ver muitas coisas, aquela atmosfera não me permitia pensar em stresses de multidões nem turistas aos magotes…

14. Escandinávia 2017 – De Nuremberga até Hamburgo

6 de agosto de 2017

O facto de irmos subir toda a Alemanha não implicava faze-lo sem explorar, por isso havia duas ou três coisas pelo caminho que eu queria ver. Afinal o dia tínhamos o dia todo para fazer seiscentos e pouco quilómetros, não havia necessidade de ir a correr para Hamburgo!

Um dos sítios onde eu queria passar e estava na minha agenda há anos, era Bamberg. Uma cidade cheia de história que irei certamente voltar a visitar mais me pormenor, um dia, e que me encantou num passeio relaxado pelas suas ruelas.

Bamberg tem uma escultura de Igor Mitoraj, o mesmo que fez o Eros Vendado de Cracóvia. Sempre curiosa a sensação de cruzar com uma escultura dele, literalmente um pedaço do mundo clássico!

A sensação que se tem é que a ponte que atravessa o rio Regnitz está cheia de tralhas, entre esculturas religiosas cheias de pormenores e casas coloridas!

Mo meio fica a antiga Rathaus, aquela casa de travejamento amarelo que é o ex-libris da cidade.

Mas ela só é visível no seu enquadramento perfeito, a partir da margem ou da pequena ponte pedestre que passa mais atrás.

O edifício é do século XIV e fica na ligação das duas pontes à ilha sobre o rio Regnitz, por isso parece que está no meio da ponte.

É tão bonito o conjunto!

E sempre que passeio por uma cidade que parece também uma aldeia, só me ocorre quão felizes são as pessoas que ali vivem, pois têm o paraíso tão perto da porta de casa!

Chamam àquela margem do rio a Pequena Veneza, e é fácil de entender porquê, há gôndolas e tudo!

As casinhas enfileiram-se pela margen, como se fossem de brincar, e têm pequenos ancoradouros onde as pessoas param os seus barcos como quem pára carros ou bicicletas…

Frequentemente me perguntam se eu não tenho dificuldade em deixar para trás um sitio encantador, se como faço quando tenho vontade de ficar mais um dia ou dois mas não posso porque tenho de continuar a minha viagem.

Na realidade eu sempre passo em aldeias e cidades que me atraem sem o intuito de as explorar a fundo. Não sou uma maquina e só faço o que me apetece, e correr de lado para ado para ver tudo o que há, não condiz com o meu espirito relaxado e sereno em viagem. Seria incapaz de me massacrar tentando ver tudo numa corrida frenética! Eu deixo sempre assunto para voltar mais vezes e assim é-me muito fácil seguir viagem sem remorsos nem cansaços desnecessários!

Por isso seguimos para norte, pois Fulda ficava mais acima e tinha também coisas que eu queria ver!

Fulda é também uma cidade de origem medieval, e tem algumas construções muito bonitas. A Altes Rathaus é um edifício colorido, com travejamento exterior, muito bonito! Parece que todas as terras por ali têm uma Altes Rathaus – antiga Câmara!

Ao lado fica a Stadtpfarrkirche, a igreja paroquial lá do sitio, toda colorida.

Por ali gostam de cores vivas e contrastantes nas casas, e isso dá um ar tão cativante e alegre às ruas!

Parar para um café pode ser a experiencia mais surpreendente por aquelas terras!

O meu parceiro de viagem estava sempre a querer para tomar um cafezinho! Ora, por ali o café é caríssimo, é enorme e é uma bosta! Oh homem, acho que só podes ser masoquista!!!

A verdade é que o calor me provocava sonolência e eu também já estava a ser meio masoquista com o café. E no entanto não adiantava nada pois era tão fraco que nem para tirar o sono servia!

Seria chá de café?

Hann. Münden seria a ultima cidade a visitar antes de chagar ao nosso destino. Chamam-lhe a cidade dos três rios, porque fica no ponto em que o rio Fulda e o rio Werra se unem e se transformam no rio Weser.

Mas eu queria ver as suas casas medievais, meio inclinadas, com cores e decorações espantosas, e não me dececionei!

Aparentemente parece uma cidade igual às outras, com ruas bonitas cheias de comércio

Então chega-se à zona mais antiga

Então tudo em redor era fascinante! De repente estamos rodeados de casas com 400 e 500 anos, impressionantes!

Acho que elas se suportam umas à outras e se mantêm firmes passado tanto tempo com o apoio mutuo!

As portas e janelas já há muito que não estão esquadriadas, inclinando-se para um lado ou para o outro, mas firmes e lindas!

E os pormenores das fachadas e portas eram lindos e minuciosos!

E chegamos à Marktplatz, é sempre na Praça do Mercado que fica tudo, sobretudo a Rathaus!

Numa cidade assim o edifício da câmara é sempre espantoso e aquele não é exceção! Chamam-lhe a Historisches Rathaus e bem merece o titulo!

E a sua porta era fascinante! Claro que tivemos de fazer fotos ali, eu até faço coleção de portas mas não tinha nenhuma parecida com aquela!

Acho que o Filipe se sentir tão insignificante junto de um fundo tão vistoso que se pôs a fazer macacadas, só para dar nas vistas, senão ninguém o veria ali! Eheheheh

Então, de repente ao virar uma esquina, num largo bonito com arvores e casinhas giras, estava a Igreja de São Aegidien. Nada de anormal, se fosse apenas a igreja de origem medieval, cheia de história, com pormenores arquitetónicos de diversas épocas, de acordo com as diversas remodelações que foi tendo ao longo da sua rica história…

A novidade estava no seu interior, onde funciona um café restaurante!

Desde 2008, o dono de um hotel na zona, o hotel Aegidienhof, comprou a igreja e adaptou-a para o Café Aegidius , tendo em conta o caráter do espaço sagrado e o uso do mobiliário original.

O ambiente está muito bonito e acolhedor

Mas tenho de concordar que é um bocado estranho tomar um café ou uma bebida num altar!

Quando chegamos a Hamburgo estava a noitecer.

A cidade estava em festa, com gente, musica e barulho em redor do Lago Alster.

E como não nos dispusemos a jantar numa igreja, fomos para o meio da festa encher-nos de salsichas, que por ali são deliciosas!

Confesso que já tenho saudades, tenho de procurar por cá se existem salsichas iguais àquelas para fazer uma tainada.

O pão que nos dão é tão pequenino que não cabe nada lá dentro!

Tivemos de puxar dos canivetes e refazer das sandocas!

Muito bom!

Embora a festa estivesse animada, deu para ver que por ali essas coisas não duram a noite toda! Ainda não tínhamos percorrido todo o perímetro e já estavam a desmontar a coisa!

Mas as perspetivas do lago eram magnificas, com ou sem festa!

Com o jato de água a fazer lembrar o de Genève, mudando de cor em reflexos inspiradores.

À medida que a cidade ia serenando, fomos visitando um pouco enquanto regressávamos às motos. O edifício da Rathaus ficava fantástico com a iluminação a valorizar a sua arquitetura fantástica.

E fomos para casa que amanha seria o dia de seguir para a Escandinávia!

Até amanhã, na Dinamarca…

13. Escandinávia 2017 – Passeando pelo norte da Baviera

5 de Agosto de 2017

A Alemanha é um país tão bonito que sempre me custa atravessa-la sem explorar um pouco, por isso parei em Nuremberga para visitar um pouco em redor. Um dia não é muito tempo para uma zona tão bonita como aquela, mas teria de chegar, veria o que pudesse sem pressas nem stress, e deixaria o resto para outra vez! É sempre assim que eu me contento com o que posso ver ou fazer, prometendo a mim mesma que voltarei.

O café não é grande coisa por aqueles lados, mas no hostel pelo menos não era muito caro, o que já era uma boa qualidade, porque pior do que um fraco café é pagar caro por ele!

A minha Negrita ia-se revelando, para alem de uma boa parceira de estrada, uma boa mesa de apoio também!

Dinkelsbühl foi o primeiro ponto de interesse que visitamos. Uma cidade medieval que eu queria visitar havia imenso tempo. O seu centro histórico parece todo ele um imenso cenário, de tão bonito e bem cuidado que está!

As casas pintadas em cores vivas e com frisos e pormenores decorativos são tão bonitas que apetece disparar fotos em todas as direções!

No centro da cidadezinha, por entre charretes e tendinhas de bugigangas, ficava a St. Georgs Kirche, uma belíssima igreja gótica que condiz tanto com o ambiente em redor!

Linda!

Com os tetos nervurados e altares entre estilos gótico e neo-gótico perfeitos!

Com o calor e o ambiente em redor tão inspirador, não havia como evitar para numa esplanada mesmo à porta da igreja e tomar uma cerveja refrescante!

Afinal estávamos no país da boa cerveja!

E a vontade era de explorar cada recanto em redor e acrescentar novas casas lindas à minha já longa coleção de casas europeias!

Tão bonito o ambiente de uma cidade sem prédios nem edifícios enormes apenas casinhas individuais!

E as portas da cidade foram mantidas e conservadas até hoje

Finalmente lá seguimos para Rothenburg ob der Tauber, uma cidade muito bonita que só peca pela fama que a faz estar sempre banhada de turistas.

As suas portas são espetaculares!

Quando os sítios são bonitos nunca há pressa em ir embora. O que quer se seja para ver a seguir pode esperar, se o tempo for pouco, fica para outra vez. De nada adianta andar a correr de lado para lado sem se dar tempo de apreciar cada local!

E não faltava nada por ali, até ursinhos para o rapazola brincar! 😉

E no meio das nossas explorações, sem contar encontrar mais nada do que todo o encanto de cada rua…

Encontramos uma loja de Natal espantosa!

A loja tem um museu, mas apenas as varias salas com exposição de mil e uma coisas para o Natal foi suficiente para nos prender a atenção por muito tempo!

Não se podia tirar fotos mas ninguém consegue controlar muito bem o meu telemóvel nem a rapidez com que ele capta uns e outros!

Confesso que sou uma fascinada pelo Nata, como uma criancinha!

E há sempre um bonequinho, ou um bonecão, para fazer par com o Filipe!

Parece que lá na terrinha são típicas umas bolas enormes de doce de diversas cores.

Não sei o que aquilo é mas não me inspirou confiança, tinha ar de coisa muito doce e eu sou mais de salgadinhos

mas o meu amigo é todo doceiro e parecia tão feliz a devorar aquilo!

Poucas ruas estavam livres de multidões o que era uma pena, pois a arquitetura é linda!

A sorte é que os turistas enchem as ruas famosas, onde se podem captar as perspetivas que aparecem na internet, e poucos perdem tempo com as ruinhas paralelas e desconhecidas.

mesmo que nelas esteja a beleza mais genuína!

E o pedaço mais famoso do local estava cheio de gente, claro! Espera-se uma infinidade de tempo para vagar um pouco, ou só se verá gente e é o que se vê no fim, gente!

Nunca há pressa quando se vêem coisas bonitas, se não houver tempo para ir ma muitos lados, haverá para ir a poucos, mas que sejam bem vividos!

E nesta treta de ficar uma pouco quieta a apreciar o momento, descobri que existe Iced Tea com gás! Uma bosta!

Com grandes nuvens a formar-se, mas com toda a boa disposição de quem quer continuar a ver coisas bonitas, fomos até Lauf an der Pegnitz.

Por ali tudo é bonitinho e Lauf an der Pegnitz é um pequeno encanto, tão perto de Nuremberga que num instante se passa lá!

O centro é pequeno mas bonito, ideal para parar um pouco a tomar qualquer coisa enquanto o rapaz se punha a namorar ao telemóvel!

Claro que enquanto ele andava de um lado para o outro nas suas conversas, eu tinha de me entreter com alguma coisa, na esplanada mais bem situada lá do local, com a porta da cidade a fazer cenário de fundo!

A cerveja continuava a ser boa por aqueles lados!

Então de repente as nuvens chatearam-se à brava e ficaram mesmo negras de raiva!

E desatou a chover com toda a força!

Um momento raro, quando há sol de um lado e as nuvens ficam negras do outro, por isso, quando toda a gente se abrigava debaixo dos guarda-sóis eu fui procurar o melhor angulo para captar o contraste!

O Filipe não entendia nada do que andávamos a fazer a olhar para a chuva e apanhar com ela na testa! Oh rapaz, para a próxima tens de usar um chapéu! A mim a chuva não me perturbou nadinha! 😀

Eu tinha de registar aquele momento, em que o céu estava negro e as casas cheias de luz!

Porque a natureza não nos dá muito tempo para registarmos algumas das suas habilidades mais belas!

E lá fomos para Nuremberga, com as motos lavadinhas de fresco!

Aproveitando para percorrer outras ruas da cidade cheias de encanto!

A cidade é atravessada pelo rio com o seu nome, o Pegnitz, que cria recantos e perspetivas muito bonitas nas suas margens.

É preciso ter-se alguma paciência para me acompanhar, quando paro a qualquer momento para fazer mais uma foto!

E finalmente fomos para Nuremberga encher-nos de salsichas, que estávamos na terra delas! Eram deliciosas!

Numa esplanada a atirar para o medieval onde parecia que ainda era Natal!

Ali nasceu e morreu Albrecht Dürer, o grande artista do renascimento, e lá estava a sua estátua…

Nuremberga é uma cidade onde tenho de voltar com mais tempo, é linda e cheia de história. O seu centro histórico é grande e eu tenho de o explora melhor.

Na Espanha todas as cidades têm uma Plaza Mayor, na Bélgica têm uma Grand-Place, na Alemanha têm uma Hauptmarkt! E a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora) ficou na minha agenda para visitar um dia, era linda em contraste com a noite!

Amanhã iriamos para Hamburgo, o ultimo ponto de paragem antes de seguirmos caminhos diferentes e eu entrar em terras escandinavas…

12. Escandinávia 2017 – de Iseltwald até Nuremberga

4 de agosto de 2017

A cada sitio que a gente pára dá vontade de ficar mais um pouco, mas a excitação de ver o que vem a seguir é sempre o combustível que dá energia e vontade de arrumar tudo nas malas e pôr rodas ao caminho. E o meu caminho seria ainda tão longo, que tudo o que via sabia sempre um pouco a prefácio de algo mais longínquo e mais novo!

E demos mais um passo para norte, que a Escandinávia fica lá para cima!

Uma viagem é feita de moções e, apenas o facto de olhar para uma paisagem com a sensação de ir ficar ali mais um dia, é complemente diferente de olhar para ela ao partir.

Há uma serenidade num lago ao amanhecer, quando não há vento e tudo parece tão quieto, como se as águas fossem sólidas, de espelho, que o ritmo do coração abranda cá dentro e todo o resto do mundo parece afastar-se!
Que coisa linda!

E a aldeia fica ali mesmo, do outro lado da rua, com os chalés de madeira lindíssimos a completar o quadro de perfeita beleza.

Apanhei o meu companheiro de viagem a encolher a barriga para ficar mais elegante na foto.

E logo a seguir fica a cidade, que parece uma aldeia grande, de Interlaken. Aquele ponto onde todos os destinos de ski confluem, já que fica no centro da melhor zona de montanha do país.
Mas no verão é calma e colorida, com o rio Aar a atravessa-la ligando os dois lagos, Brienzersee e Thunersee, que a ladeiam.

E a cor do Aar voltou a fascinar-me, sempre me fascina!

O Filipe à sombra da bananeira… não, à sombra do candeeiro sobre o rio!

Ali no meio é o ponto onde termina Interlaken e começa Unterseen.

Uma localidade de cada lado do rio

A gente tinha parado as motos em Unterseen, logo a seguir ao rio e à ponte, ou antes aos rios e às pontes, já que o Aar de multiplica ali formando uma longa ilha o que dá a sensação de se tornar em vários canais. E as motos ficavam tão bem no ambiente em redor!

Já não sei quantas fotos tirei junto daquelas casas, nem com quantas motos o fiz! E a tradição cumpriu-se de novo!

E seguimos para norte. As paisagens sucedem-se encantadoras e é gratificante seguir atravessando-as. Como eu costumo pensar nestes momentos “que belo dia para passear!”

Então, de repente algo prendeu a atenção. Estávamos numa espécie de xona industrial e havia formas enormes no exterior de um armazém que eu tinha de ver de perto!

Simplesmente WoW!


Tratava-se de um atelier de escultura com materiais reciclados!

Chama-se Recycle Art e ali se fazem esculturas espantosas e únicas, usando peças de automóveis e motos, porcas, parafusos e rodas dentadas, tudo meticulosamente soldado.

E fazem-nas em todas as dimensões, algumas intimidam mesmo pelo seu pormenor, realismo e dimensão!

As esculturas são feitas à mão, de acordo com estudos prévios, depois polidas e lacadas.

E os resultados são verdadeiramente impressionantes!

O Filipe adorou o burro do Shreck, quase aparafusava a língua para ficar mais parecido com ele!

Eu identifiquei-me mais com os monstros, dragões e bicharocos meio monstruosos, devo ser mais monstruosa do que ele, cá no meu intimo!

E eles executam qualquer escultura de reciclagem sob encomenda, através de fotos ou desenhos desde veículos, animais, figuras fantásticas ou móveis. ADOREI!

Havia um carro em dimensão real pronto para ser entregue. Era impressionante!

Às vezes as coisas acontecem assim, numa viagem, a gente fica imenso tempo a ver o que não estava previsto e passa ao lado do que previra! E foi assim com Baden, olhamos para ela lá de cima da rua, mas a vontade de descer e ir ver de perto não era nenhuma, por isso ficamos com registos gerais, até voltarmos a passar com vontade de explorar!

Eram os últimos registos da Suíça, antes de entrar mos na Alemanha e o tempo estava a ameaçar dar-nos uma molha. Parece que vai ser sempre assim, quando entrar na Alemanha com o Filipe! Claro que a culpa era toda dele, já que no ano passado, quando me acompanhou até Estugarda, também apanhamos uma molha ao entrar no país!

A minha esperança era que ele levasse a chuva com ele quando nos separássemos, tal como fez noa ano passado, quando andou a nadar pela França, enquanto eu me deliciava com o sol dos países de leste.

Sinto-me sempre um embrulho quando visto toda a tralha de chuva!

E chegamos a Schwäbisch Gmünd. Uma cidade tão encantadora quanto uma cidade medieval alemã pode ser.

Há algumas construções religiosas por ali que eu gostava de visitar por dentro, como a igreja Românica Johanniskirche, mas não eram já horas de visitas, por isso só restava ver por fora e apreciar as fontes pintadas nas praças…

e a casas com pinturas no exterior, que sempre me fascinam!

Bem no coração da praça do mercado havia uma praia de areia montada para a miudagem brincar.

Um ambiente divertido que despertava a curiosidade a qualquer menino!

E as casinhas em redor são tão antigas e bonitinhas que tornam cada rua um cartão postal

Em redor da catedral, parece que se anda mesmo para trás no tempo!

A Heilig-Kreuz-Münster – Catedral da Santa Cruz – estava aberta para um concerto, por isso os banais mortais não podiam entrar! Uma pena porque, a considerar pelo seu aspeto exterior, deve ser linda, como todas as construções góticas o são!

E havia pequenos pormenores bem mais modernos curiosos e divertidos para explorar pela cidade

Mas os sofás cor de laranja fascinaram-me!

Que bem fica o preto sobre laranja!

Quando chegamos a Nuremberga estava a noitecer. O centro histórico é grande e fascinante, no dia seguinte teríamos de explorar aquilo tudo mas, para já, a urgência era mesmo ir comer!

Hora de parar e descansar e comer, antes que fosse tarde demais e tivéssemos de ir dormir de barriga vazia!

Aquino era tudo vontade de comer mesmo!

Amanhã estaremos ainda em Nuremberga, porque há algumas coisas bonitas que quero ver por ali…