8.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

– navegando… –

7 de agosto de 2019

Como ocupar o tempo quando se tem tanto sem nada para fazer?
Sempre as mesmas pessoas, as mesmas lojas, as mesmas salas, as mesmas paisagens, Acho que fui morrendo de tédio a cada minuto que passava, e os minutos transformaram-se em horas infinitas. Eu li, eu escrevi, eu olhei a minha localização, tudo vezes sem conta, até à insanidade!

E a bolinha azul, que era eu no mar, não se movia quase nada a cava visualização! Só me ocorria que, se houvesse estrada, eu faria aquilo num instante de moto! Eu poderia até fazer tudo num dia…

Fui-me vingando a comer, mas até isso perdia a piada! O pequeno almoço era a coisa mais interessante para comer, com pão fresco de diversas qualidade e todas aquelas coisas que eu gosto!

Lá fora estava um frio de rachar, com direito e vento e humidade com fartura. E tal como eu, muita gente passava por lá a todo o momento, provavelmente, como eu, para não enlouquecer de tédio!

Nada que me impedisse de fazer uns desenhitos…

Então avistaram-se ilhas no telemovel, fiquei tão excitada, estariamos já a passar nas Ilhas Faroé?
Mas não, era ainda o arquipélago das Shetland, a norte da Escócia…

Mais umas horas a passear pelo barco, a desenhar aqui e acolá…
Mas a paciência era pouca, quando já se começa a desenhar pormenores do barco para se passar o tempo…

Quando o barco começa a balançar há sempre gente a enjoar! Isso é terrivel porque, mesmo eu não enjoando no mar, se vir alguém vomitar fico mal disposta e posso enjoar também. Então só me resta sair de perto. Mas às vezes é tanta gente por todo o lado a querer deitar carga ao mar, que só fugino dali, mesmo com frio e vento! Céus, como eu destesto tudo aquilo!
Ao menos o mar é sempre bonito, com os passarocos a animar o momento!

Então elas começaram a aparecer, as Ilhas Faroé!

Confesso que foi uma emoção avistá-las pela primeira vez!

Uma rapariga correu com o seu caderninho para desenhar as primeiras perspetivas das ilhas, mesmo com aquele vento todo, bem na frente do barco!

Ela não levava os materiais mais apropriados para desenhar naquelas circunstâncias, Tinha um estojo com vários lápis que era difícil de usar, e os lápis de cor não eram boa ideia para aquele vento todo. O melhor teria sido usar um pincel com reservatório de água e aguarela, como eu faço. É fácil de manusear e apenas com uma caneta, o pincel e uma caixinha minúscula de aguarelas, o desenho sai rápido.

Não faz sentido ficar ali ao vento e ao frio e desenhar basicamente de memória, pois ela nem conseguia olhar direito para a paisagem.
Eu sou prática, fico de pé, pouso o caderninho na grade, a mão que não desenha segura o livrinho e a caixa de aguarela, a outra faz tudo o resto num instante! Claro que o resultado é simples, não iria ficar ali a vida toda a dar mais pormenor!

E perder o espetaculo que era estar a ver terra depois de tanto mar!

Então começaram a aparecer as casas, estavamos a chegar a Tórshavn!

Ver civilização depois de tantas horas de barco era, no mínimo, emocionante!

O tempo estava cinzento, mas mesmo assim tive tanta vontade de sair! Naquele momento estava a precisar tanto de conduzir!

Podia ver as casinhas vermelhas, de telhado de relva, que compõem o governo feroês, na pequena península de Tinganes.

E do outro lado do ferry via-se o pequeno farol

O porto não é grande, acho que nada é grande naquelas ilhas, mas é muito movimentado!

Ficamos ali muito tempo. Afinal as ilhas são abastecidas pelo ferry, que transporta duzias de camiões com tudo o que é necessário e que não se produz ali. Lembro-me de ver imensos camiões de fruta!

O nosso ferry parecia gigante ali no meio, onde tudo é pequenino!

(Sim, o ferry tinha jacuzzi exterior e o povo usava aquilo com o maior frio, em alto mar!)

Meu Deus, eu já morri e ressuscitei diversas vezes e ainda agora atingi a primeira etapa do caminho até à grande ilha! Não sou uma pessoa ansiosa mas desta vez acho que vou morrer de ansiedade!

E depois de mais uma eternidade, ele moveu-se de novo e nós partimos! Eu tinha curiosidade de ver por onde seguiriamos. Por entre as ilhas? Quais, como?

E foi fascinante! Era uma sensação quase surreal, numa atmosfera tão etérea que eu quis ficar…

Estavamos a passar por entre as ilhas do norte!

Pudesse eu percorrer e contornar todas aquelas ilhas de barco, para poder ver e viver aquela sensação para sempre!

O meu pensamento era, como se percorriam aquelas ilhas se não se via qualquer rua desde o mar? Será que as ruas nunca dão para a água? Serão todas internas, por dentro das ilhas? Seria uma uma pena! Mas é claro que não, eu vira-as em casa ao traçar caminhos, que parvoice!

Apaixonei-me pelas Ilhas Faroé só por as ver passar…

Eu precisava de ficar mais tempo, não tinha a certeza se quando voltasse lá viveria a mesma sensação e isso deixava-me nostalgica…

E veio mais mar, mar alto, sem nada mais para além de mar para ver! Céus, vou morrer de tédio!

Com um pôr-do-sol mixuruca por entre nuvens carregadas. É, eu já percebera que iria ser recebida com chuva no meu destino, embora ainda estivesse tão longe…

O povo também se entretinha a apanhar as melhores perspetivas do que havia em redor, embora não fosse nada de muito extraordinário.

Ainda fiz amizade com algumas pessoas por ali, sobretudo as mais interessadas na paisagem, por-do-sol, ilhas e por ai fora. Porque muita gente não quis saber de nada, apenas ficara todo o tempo entre os salões e nos camarotes. Como eu os compreendo, a seca era grande por todo o lado!

A sensação boa que o pôr-do-sol trazia era de que amanhã chegaria à Islândia, com chuva ou sem ela!

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