VI – Passeando até à Escócia 2011

28 de Agosto de 2011

E chegava o momento de partir, de sair do reino!

Finalmente voltaria a circular pelo lado certo, finalmente não teria de pensar todo o tempo “vai pela esquerda mulher” “chega-te para a faixa de lá no cruzamento à direita” “cuidado com o «SLOW» ao contrário”… “pelo sim pelo não encosta-te às sebes à esquerda” “ESQUERDA, ESQUERDA!” …

Mas afinal não me apetecia nada voltar… havia tanta coisa para ver que deixara para trás, que só queria um pouco mais de tempo!… mas era hora de partir, tinha o caminho traçado…

Tomei um grande e variado pequeno-almoço, despedi-me do pessoal simpático da pousada, um ambiente ainda mais acolhedor com o sol a entrar pelas janelas.

E fui embora, dar uma última voltinha pela cidade.

Não tinha feito nada do que toda a gente faz quando vai a Londres! Mas não quis partir sem ver de perto um guarda de chapéu peludo!

O Buckingham Palace estava fechado, era cedo e as pessoas amontoavam-se aos poucos junto das grades.

O Wellington Arch, também chamado de ‘Constitution Arch’ em frente ao Buckingham Palace. Dizem que representa a paz no seu carro!

Tirei uma última foto com a minha Magnífica e o Big Bem como fundo, para o álbum dela e segui para Dover. Não valia a pena perder mais tempo a ver o que quer que fosse à pressa. O embarque seria às 11 horas, por isso não iria stressar com corridas.

Desci até à borda do país nas calmas, segui o meu trilho serenamente e posicionei-me para embarcar. Um senhor de Jeep, muito simpático veio oferecer-se para me tirar uma foto junto da moto. E eu lá fiz de modelo.

Logo a seguir um motard, que chegou entretanto ofereceu-se para ser meu fotógrafo também! Aceitei gentilmente (puxa, de repente toda a gente se oferece para me fotografar!) Lá fiz de modelo de novo!

A minha motita foi tratada com todas as mordomias, é o que vale ser-se uma de quatro motos! Se fosse uma multidão delas seria diferente, certamente!

Este ferry que me trouxe era tão confortável como o que me levara!

O dia estava chuvoso e nem me aproximei do convés! Vento e chuva não era o que mais apetecia naquele momento! Mas o azar do mau tempo ainda estava para chegar! E eu que me queixava do tempo em Inglaterra, apanhei a chuva toda em França!

Desembarquei no sítio que já conhecia mas, de repente, tudo parecia surrealista!
Eu contava com tudo menos que iria stressar ao entrar na estrada pela direita! Hesitei, quase parei, o meu cérebro deu um nó e eu não sabia o que estava a fazer! Corri um pouco para chegar até aos carros e seguir atrás deles e tive medo de ficar sozinha na estrada com aquela confusão no meu sótão!

Como podia estar a acontecer tal coisa? Como podia eu, em apenas 18 dias, ter-me habituado tanto à condução pela esquerda, ao ponto de stressar para conduzir pela direita? “acho que os meus alarmes estiveram tanto tempo ligados para eu não fazer bosta a toda a hora que agora não desligam mais!”

Apareceram as rotundas e eu morri de susto em cada uma delas… valha-me Deus, com a porcaria da chuva e do miolo a funcionar ao contrário, ainda me ía matar por ali! Apanhei uma via-rápida, deveria ser mais fácil engrenar na circulação correcta em vias de um sentido apenas. E foi a escolha certa! Cheguei direita a Lile, embora ainda meio baralhada!

Chovia bastante e não me afastei muito do centro, junto da Bolsa Velha, um edifício muito interessante do sec XVII

Logo ali ao lado fica o Teatro Sebastopol e a Câmara de Comércio, na Praça do Teatro, com a sua torre do relógio que toca canções populares a toda a hora!

Dei uma volta pela cidade sem me deter muito nos seus recantos e encantos porque chovia.

Encontrei o rio e a cidadela, que não fui visitar.

Na berma do Rio Vauban.

Há quem viva no rio, não é só em Amesterdão!

Acabei por me por a andar pois a chuva estava a chatear-me mesmo, continuei a descer o país!

Há muito que andava para passar em Luxemburgo e foi desta vez a vez de lá passar.
Luxemburgo é o nome do país, o único Grão-Ducado do Luxemburgo existente, e é também o nome da sua capital. É pequenino mas muito bonito, ainda hei-de visita-lo melhor.

A capital é uma cidade muito bonita, entre dois rios, o Alzette e o Pétrusse.

Do lado da catedral pode-se ver a torre de Plateau Bourbon, do outro lado.

A ponte mais famosa da cidade, a ponte Adolphe, construída de 1900 a 1903, era a maior ponte do género na época. O vão do arco tem 85 metros e a altura máxima é de 42 metros.

Lá em baixo fica o vale do Pétrusse

Andei por ali a passear e atravessei a famosa ponte, claro!

Para ter uma outra perspectiva da cidade, com a catedral de Notre Dame como cenário.

Fui ver a torre do Plateau Bourbon de perto

Era domingo, estava tudo fechado, por isso segui o meu caminho calmamente.

Grande parte da fronteira ente Luxemburgo e a Alemanha é marcada pelo Rio Mosel, um rio muito extenso e lindíssimo que me anda a cativar há muito tempo e que quero visitar de ponta a ponta um dia destes. É afluente do Reno e é ladeado por cidades e aldeias adoráveis!

Uma das razões que me levou a passar por aquelas bandas foi precisamente o rio!

Por isso ninguém se espante de um dia surgir um “Passeando pelo Mosel” na minha vida!

A outra razão que me levou a passar por ali foi Trier! A mais antiga cidade da Alemanha, fundada pelos romanos e cheia de traços da sua presença!

É também a terra onde nasceu Karl Marx e eu nem pude ignorar o facto pois dei com a casa à primeira voltita pela cidade!

O que me chamou ali foi a “Porta Nigra” uma construção romana do sec III espantosa, baptizada assim por causa das pedras que a compõem enegrecidas pelo tempo. Uma obra extraordinária!

Pousei a motita e fui procurar comida! Passeei-me pela zona histórica e senti-me de novo “em casa”! Havia vida por ali, não tinha mais a sensação de abandono que tantas vezes sentira no Reino Unido, quando mesmo antes do anoitecer, tudo estava já deserto!

Encontrei a catedral Dom St. Peter, que é a mais antiga igreja da Alemanha!

E junto à catedral havia vários pátios com mesas, de onde vinham os sons da animação!

Entrei num, muito simpático, a lembrar os pátios sevilhanos, com diversas mesas, toldes e muitas plantas. Estava um grande grupo numa fila de mesas perto de onde me sentei, cumprimentaram-me alegremente!

Expliquei à menina que não sabia ler a lista e ela trouxe-me uma outra em 4 línguas! Inglês, francês, espanhol e Italiano! Genial!

Pedi cerveja, afinal não estava mais no país onde só há cerveja onde ela não é precisa! Era deliciosa.

A comida era divinal! Era comida a sério! Eu nunca tinha dado tanto valor à cozinha alemã como naquela noite! Tinha arroz e tudo!

Enquanto me deliciava com a comida relembrei passeatas anteriores pelo país e conclui que sempre comi bem na Alemanha! Eu apenas não dava o valor devido porque sempre comi bem em toda a Europa! Agora era diferente: eu vinha de Inglaterra…

O grande grupo que estava ali ao lado saiu e voltou a cumprimentar-me alegremente. Sentia-me tão feliz e “aconchegada”!

Adoro os alemães!

Fui passear mais um pouco pela zona antiga da cidade, a noite estava tão agradável e o ambiente era tão simpático!

No dia seguinte teria de catar aquela zona com calma à luz do dia!

Fim do 23º dia…

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29 de Agosto de 2011

O meu caminho de regresso continuaria rumo a sul, mas não tinha de ser uma viagem sem interesse, por isso continuaria sem fazer vias-rápidas e muito menos auto-estradas. Há tanta coisa para ver e visitar naquele caminho que difícil seria escolher o que ver e fazer!

É esta sensação de liberdade de decisão de última hora, conjugada com o trabalho de casa feito e que me acompanha, que me fascina! Eu faço o que quero como quero! Paro aqui ali e acolá, tiro fotos sem fim ao que me apetece, como quando quero e o que me dá na telha e sigo sem perder tempo! É delicioso viajar assim!

A dormida seguinte seria em Dijon, a terra que chamei da maionese, quando na realidade é da mostarda! Mas até chegar lá havia uma série de sítios onde eu queria passar… alguns deles míticos para mim…

Fui passear para Trier, a cidade que me atraíra tinha tudo para me cativar!

Cheguei ao centro pela Porta Nigra, onde eu vira no dia anterior um parque para motos.

Foi um conforto ter onde por a moto sem stress, depois de tanto tempo sem saber onde a estacionar por terras de sua majestade!

E, pormenor curioso, no parque existe um mapa onde estão assinalados todos os parques para motociclos da cidade! Extraordinários estes alemães!

O sol estava delicioso!

Fui descobrir o Hauptmarkt, que quer dizer “mercado principal“ e é a praça central e uma das maiores da cidade. É muito bonita!

Lá atras da primeira fileira de casas fica a Igreja de St. Gangolf que é a igreja paroquial da cidade.

Entra-se por uma porta entre as casas para o pequeno patio de acesso à igreja.

A construção original era muito mais antiga, esta tem uma base gótica tardia já com decorações barrocas

Embora o barroco não seja o estilo que mais me fascina, tenho de reconhecer que aqueles tectos são muito bonios!

Na praça podem-se ver edificios bem antigos e lindissimos!

Esta é uma das praças mais antigas do país, do sec X, e contem contruções de todas as épocas posteriores: medievais, renascentistas e barrocas

Fui visitar a catedral que tem na sua origem uma antiga igreja do século IV. É a mais antiga igreja da Alemanha, erguida em diversas etapas desde o sec XI até XIV.

Lá dentro os pormenores é que me fascinaram, como o orgão que parecia uma peça decorativa de um trabalho de incrustação minucioso lindissimo!

e o tecto do coro aos “pés“ da igreja.

A igreja em si interessou-me muito mais pelo exterior…

Voltei ao Hauptmarkt, ali ao lado onde tudo se passava!

e que vai dar à Poerta Nigra, lá ao fundo, por uma rua cheia de casas giras

A Porta Nigra é uma construção romana impomente e surpreendente, do sec II!

Foi convertida em igreja no sec XII e manteve essa função durante seculos

Sempre tivera a vontade de a ver por dentro, já que as fotos que chegavam até mim apenas a mostravam por fora

Vista de frente é esta coisa extraordinária!

Não me apeteceu ir explorar os outros vestigios romanos, o rio Mosel atraia-me muito mais

E parti em direcção a sul. Recolhera já por ali ainformações preciosas que procurava sobre o rio que quero explorar e só não o segui logo porque as férias estavam a acabar e eu tinha mesmo de voltar para casa!

Passei por Metz, uma cidade que me desperta todo o interesse pela sua catedral e por ser a capital da região da Lorena, o pomo da discordia entre alemães e franceses por muito tempo.

A Tour de la Temple Garnison é visível a grande distancia e promete ser o templo que não é…

ela é, efectivamente, apenas uma torre! Na realidade ela já foi parte de uma igreja neo-gótica do sec XIX, mas depois de Metz ter andado de mão em mão, entre Alemanha e França, a França mandou desmonta-la. Esse trabalho ficou a meio e a torre permanece hoje imponente no meio da cidade, sozinha!

No meio do rio Mosel, que aqui se chama Moselle, le Temple Neuf, um templo protestante em estino neo-românico, do inicio do sec XX, provoca um efeito surpreendente!

A cidade é muito interessante e percorri as suas ruelas em todas as direcções

até ir encontrar a Place d’Armes onde pousei a moto para ir ver a catedral

A catedral de St Etienne é espantosa, em pedra amarela, é uma das maiores de França e tem a maior extensão de vitrais do mundo o que lhe valeu o nome de “la lanterne du Bon Dieu » (a lanterna do bom Deus)!

É linda!

E os seus vitrais estão por todo o lado!

Continuo a achar que quem a vê por fora não prevê o que é por dentro, embora o seu exterior seja bonito!

Voltei ao rio. Muita coisa há para visitar na cidade, mas ela fará parte do meu “Passeando pelo Mosel“ e aí catarei o resto! Eheheh

O rio é encantador em todos os recantos que lhe conheci!

Acho que o vou visitar já no próximo ano!

Continuei o meu caminho e passei em Nancy… mas não gostei da experiencia! O céu estava encoberto, as voltas que dei foram aborrecidas e a cidade não me inspirou, por isso não perdi ali mais tempo. Um dia visitá-la-ei como deve ser e logo se verá se é feia ou se apenas não gostei do que vi!

Mais à frente, na Commune de Dinoze, fica o Cemitério Americano d’Epinal…

Este é um dos 5 Cemitérios-Memoriais Americanos em solo francês e o segundo que visitei, o primeiro foi em 2009 na Normandia…

Ali vive-se uma porção de silêncio e vazio indescritíveis!

5 255 soldados estão ali enterrados num espaço de 22 hectares de terra, o local libertado em 1944 por soldados americanos.

Ali perto um jardineiro satisfez as minhas duvidas de como se corta aquela relva cravejada de cruzes !

Na realidade eles usam um tractor que tem um dispoditivo que faz as laminas contornarem cada cruz !

Numa viagem em que visitei tantos cemitérios antigos, encerrei este tema com um cemitério impressionante e cheio de história. Mais dia menos dia acabarei por visitar os restantes cemitérios militares de França…

Mas as minhas visitas « religiosas » não tinham terminado ainda e a que se seguia era aquela que me fizera descer o país por ali !

Cada um de nós tem os seus sonhos e desejos e eu queria visitar aquele monumento espantoso desde o meu tempo de faculdade, por isso segui para Ronchamp para procurar a Chapelle de Notre Dame du Haut !

Depois de uma subida por uma rua que nada deixava ver para lá das arvores que a ladeavam, deparar com a magnifica capela de Le Corbusier foi o êxtase total!

O interior da capela é impressionante e, embora dissesse algures que era proibido fotografar lá dentro, não resisti !

Le Corbusier foi um arquitecto Suiço considerado um dos arquitectos mais importantes do sec XX, a sua obra é espantosa, de linhas simples e sintéticas, entre dialéticas de cheio-vazio, luz-sombra ou recto e curvo…

Curioso que um artista herege dedique o seu talento a uma obra religiosa que permanecerá historicamente ligada a si !

Naquele local existiu um templo medieval já degradado e que foi arrazado com os bombardeamentos da 2ª guerra, uma placa com uma pomba em cima diz «aqui nesta colina, franceses morreram pela paz»

A capela tem um altar no lado de fora, exactamente no exterior do altar mor de dentro

que dá para o relvado em frente.

Ali de cima da colina pode-se ver a paisagem que inspirou Le Corbusier e que o levou a aceitar projectar um templo religioso daquela beleza e importancia!

Segui o meu caminho cheia de alegria! Tinha realizado mais um sonho!

Fim do 24º dia…

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30 de Agosto de 2011

Dijon foi sempre uma terra que eu quis conhecer, à força de a ver passar nas minhas andanças e de nunca ter podido parar para visitar! Coisas de quem quer aproveitar todo o tempo para outras terras e esquece as que ficam pelo caminho! Mas desta vez não me escaparia!

Da janela do meu quarto podia ver o pátio do Centro Internacional de Dijon onde pernoitara. Uma pousada a lembrar uma cidade universitária!

O pequeno-almoço era “contabilizado”… não acho muita piada a isso, gosto de comer o que me apetecer, pois é de manhã que carrego as baterias para o dia todo e acordo sempre cheia de fome!

Lá fui toda contente explorar a cidade, muito bonita e pitoresca

Pousei a minha Magnífica mesmo à beirinha desta igreja espantosa! A igreja de Notre Dame de Dijon, um exemplar gótico extraordinário, com uma fachada diferente de tudo o que eu vira até ali!

Uma construção do sec XIII muito bonita!

A igreja fica no centro histórico da cidade, por isso não teria de pegar na moto para o explorar!

As casinhas de madeira estão por todo o lado, perfeitamente integradas em fileiras de construções mais recentes. Em volta da igreja tudo é bonito!

O teatro estava muito giro por aqueles dias! Tinha “peúgas” coloridas enfiadas nas colunas que lhe davam um ar jovial!

A Catedral de Saint Michel, renascentista mas com reminiscências góticas, o que a torna única!

Curioso o buraco sobre o portal que permite olhar por dentro de uma espécie de campânula!

A cidade é tão confusa quanto encantadora, numa mistura de estilos que se justapõem, desde o medieval até aos dias de hoje!

Na Place de la Liberration fica o palácio dos duques de Borgonha, onde funciona o Museu de Belas Artes, a visitar um dia…

Praça Francois Rude no centro da cidade, reorganizada no inicio do século passado, encantadora!

A Route de la Liberté, que leva até à Place de la Liberration, cheia de bandeiras. Gosto tanto do efeito das bandeiras!

E ali à frente estava a feira! O que eu gosto de feiras!

Esta gente tem feira 4 vezes por semana, adicionando o mercado, não sei de que vivem as lojas!

Estava na hora de seguir viagem…

Para voltar a parar em Lyon, uma cidade que não visitava há mais de 15 anos!

Lyon é uma das maiores cidades de França e fica já na zona do Ródano-Alpes, a mesma de Genève e o rio que atravessa a cidade é o mesmo que atravessa Genève!

A Cathédrale Saint-Jean-Baptiste de Lyon estava em obras, nem pude ver a sua fachada!

Ao lado estão as ruínas de uma cidade romana, que foi sendo destruída ao longo do tempo para recuperação da pedra para outras construções.

Pelo meio dos edifícios via-se a Basilique de Fourvière que eu queria visitar, mas apenas depois de ver outras coisas cá em baixo!

A praça da catedral só tinha paisagem para o outro lado, já que esta estava toda embrulhada!

A catedral é muito bonita! Com uma origem Românica foi sendo construída por alguns séculos e adquirindo características do estilo seguinte, o Gótico!

Lá dentro pode-se ver um relógio astronómico muito bonito.

O relógio é do sec XIV e indica a data, a posição da lua, do sol e da terra, assim como as estrelas acima de Lyon. É construído sobre de acordo com o conhecimento da época, que afirmava que o Sol girava em torno da Terra.

Várias vezes ao dia uma série de bonecos mecânicos movem-se e retratam a Anunciação.

A zona onde fica a catedral é muito interessante e pitoresca, é sempre, em qualquer cidade! Cheia de ruínhas estreitas, com cafés e esplanadas e casinhas curiosas, como o Museu das Miniaturas!

Fica no bairro antigo de Saint Jean, chama-se Museu das Miniaturas e Decorações de Cinema e podem-se ver lá dentro mais de 100 miniaturas de cenários e situações quotidianas.

Lyon é a cidade onde os irmãos Lois e Auguste Lumiére inventaram o cinema e algumas destas decorações são das primeiras que se usaram para os primeiros filmes

Cá fora as ruínhas são deliciosas

Fui comer qualquer coisa que, em França, a comidinha vale sempre a pena!

E fui lá acima, finalmente, visitar a Basilique de Notre-Dame de Fourvière.

Aquela basílica é espantosa, desde o local em que está construída, uma colina onde existiu um fórum de Trajano, até à arquitectura do edifício, uma espécie de inspiração bizantina!

É um edifício recente, do fim do sec XIX, grandioso e muito bonito!

Tem uma cripta surpreendente, dedicada a St. Jean

Depois sobe-se à catedral em si e é espantosa!

Lá de cima pode-se ver toda a cidade!

Inclusive a esplanada onde eu almoçara e de onde via a basílica!

Lyon foi a capital da Gália no Império Romano e pode-se ver no bairro de Fourvière, um complexo importante de ruínas da época.

com 2 anfiteatros paralelos, um maior e um menos. Aqueles romanos já tinham, ao nosso estilo, “salas paralelas” a funcionar em simultâneo, como os nossos cinemas?

Este (o menor) tem um chão composto por diversos tipos de mármores coloridos vindos de sítios longínquos! Os tipos tratavam-se bem!

E a partir daqui a minha viagem foi feita de recordação…
Engrenei por um caminho que fizera há muitos anos, aquando do regresso da minha primeira grande viagem internacional…

Naquele dia a minha casa era em Avignon, onde eu estivera muitos anos antes, cheia de espanto e alegria por sentir tão de perto a liberdade de explorar o que se me deparava no caminho…

Fim do 25º dia!

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31 de Agosto de 2011

Não tinha o destino marcado, isto é, não tinha dormida marcada para a noite seguinte, por isso simplesmente fui dar uma volta pela cidade e depois iria descer pelo mapa abaixo e decidir pelo caminho onde iria ficar!

Avignon… a primeira vez que ali passei foi apenas pelo nome! Lembrava-me a obra de Picasso “Les demoiselles d’Avignon”e fui lá apenas por isso! Afinal este nome evoca uma das obras mais notáveis e importantes do pintor, que marca o inicio de um novo estilo (o cubismo), viola todas as regras e leis da representação figurativa até à data e é verdadeiramente espantosa…

Avignon… é uma cidade cheia de história, verdadeiramente surpreendente e algo misteriosa pela diferença! As ruas são ruelas intrincadas, cheias de sentidos proibidos que nos fazem realmente circular pelo centro histórico!

De repente encontra-se uma praça com um monumento qualquer, depois de se sair, como uma rolha, de uma infinidade de ruinhas! Encontrei a Torre de Saint Jean, ali sozinha no meio da praças apertada entre os edifícios. A torre é o que resta dos vestígios de uma antigo convento dos Hospitaleiros de Saint-Jean-de-Jerusalém, do sec XVI.

E anda-se por ali, de ruela em ruela, até se encontrar outra “clareira” no meio do pouco espaço que cada quarteirão tem!

Então encontrei o Palácio dos Papas!

Avignon foi durante muitos anos a residência dos Papas, a cidade, aliás, foi propriedade da Igreja de Roma e dos Papa durante vários séculos!

O Palais des Papes é um edifício espantoso! Só é uma das maiores e mais importantes construções góticas da Europa!

A praça em frente é descomunal perto do aperto de toda a cidade!

Ao lado fica a Catedral de Notre Dame dés Doms, com origem no sec XII

O conjunto é verdadeiramente monumental! Tenho de me dispor a passar ali uma tarde e visitar tudo por dentro!

Depois de uma volta labiríntica pela cidade chega-se ao rio onde fica a ponte de Avignon que é afinal a Pont de St. Benezet, do sec XII

As muralhas da cidade, bem conservadas, construídas na época em que os Papas se mudaram para a cidade.

Depois engrenei pelos caminhos mais improváveis que encontrei, a França profunda é encantadora!

Até chegar a Narbonne, mais uma cidade onde eu passara muito tempo antes e que não chegara a conhecer direito… linda, com o seu Canal de la Robine a fazer risca ao meio!

Aproveitei para me encher de comida boa de novo! Ah aqueles mexilhões são uma delicia!

A cidade é simpática mas fecha as estações de serviço ao almoço!!!
Fui a 2 e à 3ª nem pensei mais, pedi a uma senhora muito simpática que me pusesse 30€ d’essence na barriguita da minha motita! Eu não iria espera 2 horas que aquilo abrisse! 😉

Narbonne fica já na província de Langdoc tem uma história cheia de estórias interessantes e está ligada a um canal surpreendente, que quero explorar um dia destes num “Passeando pelo Canal du Midi”! eheheh

Para já contentei-me em visitar o Palais des Archevêques e a Catedral,

o acesso à catedral faz-se pelo palácio

A Cathédrale St-Just-et-St-Pasteur do sec XIII

Esta é mais uma cathedral que se visita em silêncio…

Engraçado que as pessoas não faziam barulho, mesmo quando estavam a conversar à porta!

A Place de l’Hôtel de Ville em frente ao Palácio tem um pedaço de ruína romana no centro!

e voltei à estrada ainda a decidir para onde iria!

Ao ver os montes chegarem, no entanto, não tive mais duvidas de onde queria ir! Iria passear pelos Pirenéus e dormir em Ordino, no Hotel dos meus amigos!

O que eu gosto de passear pela montanha!

O tempo ameaçava chuva, eu vesti o fato e nada me perturbaria! Enquanto há visibilidade não há mau tempo que perturbe um passeio pela montanha!

Pas de la Casa apareceu então ali ao lado, ainda uns dias antes ali estivera! Já vai sendo habito passar por lá todos os anos, mas desta vez foram duas e seguidas!

Então decidi ir pelo Col de Ordino, que já queria fazer da última vez que ali passara, mas a configuração da rua não era inspiradora para principiantes! Agora que estava sozinha é que era o momento certo!

E sobe-se, sobe-se e passa-se por cima de todo o caminho que se faz normalmente!

E as paisagens são muito mais interessantes por ali!

E fui recebida amigavelmente num ambiente simpático e acolhedor, onde quero voltar brevemente…de novo!

Jantei divinalmente e bebi um vinho óptimo, que me acompanhou pelo serão!

Fim do 26º dia de viagem!

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1 de Setembro de 2011

É sempre tão difícil voltar…

Olhei para o mapa… olhei pela janela… e os Pirenéus foram mais fortes!

Eu sabia que tinha um trajeto longo para fazer, mas não resisti a torna-lo bem mais longo e ir passear pela cordilheira do meu coração, (depois dos Alpes suíços)…e um caminho que seria de 735 km, de Ordino até Ávila, tornou-se em 1058 km de passeio!

Voltei para trás, dei uma grande volta ao sabor do vento, apenas curtindo a montanha!

Eu estava tão perto do céu, estava mesmo no paraíso!

Os cavalinhos fizeram-me lembrar os Garranos do Gerês, tão lindos e simpáticos! Acho que lhes poderia ter tocado sem que eles se assustassem, de tão perto que me cheguei!

Realmente se o meu paraíso existe é seguramente na montanha!

Depois fui atras de Le Pont du Diable, já perto de Foix (cruzes o que eu andei para trás!) por ruelas onde a minha motita quase teve de ter dobradiças para curvar!

Eu não consigo resistir a nomes desta natureza, apetece-me sempre ir ver o que é uma Ponte do Diabo! eheheh

O rio Ariège, calmo e aparentemente inofensivo, na realidade sobe rapidamente e aumenta o seu caudal de forma surpreendente, conforme diversos sinais avisam no local!

Diz-se que a ponte deve o seu nome a uma lenda:

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Há muito tempo, duas terras, Ginabat e Montoulieu, estavam muito isoladas nas montanhas das fraldas dos Pirenéus porque a travessia do rio era muito perigosa por causa das correntes e redemoinhos, isso tornava muito difícil às populações irem a Foix vender e comprar os seus produtos, pois tinham de fazer longas caminhadas pelas florestas perigosas

Um dia um habitante, tentando resolver esta situação, pede ajuda ao diabo, que lhe construa uma ponte, dado que as populações não tinham condições de a construir por causa da perigosidade do rio. O diabo aceita, na condição de que a primeira alma a atravessar a ponte pronta, seja dele. O pacto foi aceite e numa noite a ponte foi construída.

Mas nenhum habitante das duas terras se atreve a tentar atravessa-la, sabendo do pacto com diabo. Então o homem que fizera o pacto aparece com um gato e fa-lo atravessar a ponte!

O diabo louco de raiva por ter sido engando daquela forma por um mortal desata a saltar e berrar e, com toda a agitação, cai ao rio sendo levado pela corrente forte. Os padres das aldeias acorrem rapidamente a benzer a ponte e a partir dali toda a gente pôde atravessa-la sossegadamente!

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Na realidade o seu nome deve-se ao facto da ponte não parar de se autodestruir no início da sua construção!

Não contente pelo desvio no sentido contrário ao do meu caminho, continuei a catar a zona até Montsegur.

A minha rápida exploração da zona não era inocente! Na realidade eu andava a dar uma pequena volta no País dos Cátaros… uma seita religiosa do sec XIII que considerava, entre outras coisas, que o Papa era um tipo herege! Foram todos mortos e hoje há todo um percurso de castelos que foram ocupados por eles, entre eles o castelo de Montsegur!

Um dia vou fazer um “Passeando pelo país dos Cátaros!” certamente!

O castelo de Montsegur, lindo, lá em cima periclitante no topo de um monte estupidamente alto!

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Não tive coragem de subir lá acima! Teria de o fazer a pé e, depois de um viagem, com tanto quilómetro para fazer… não havia condições!

A cidadezinha de Monsegur fica logo ali em baixo, fofinha!

Tinha de continuar o meu caminho, ou nunca mais chegaria a Ávila!

Mas não conseguia deixar de parar a todo o momento para tirar mais uma foto

A bastante distância ainda se podia ver o monte com o castelo de Montsegur, por cima das árvores!

Passei pelo Col de La Croix Des Morts, muito frequentado por ciclistas

E meti-me pelas ruínhas que eu gosto!

E depois de deambular ainda por uma carrada de quilómetros por ruínhas onde apenas caberia eu e a minha motita, lá cheguei à civilização e a seguir entrei, finalmente, em Espanha!

Onde fui obrigada a guardar a máquina fotográfica pois, logo a seguir, tive de atravessar o temporal e apanhar a chuva toda que não apanhei na Escócia!

Naquela noite a minha casa era em Ávila e era mesmo uma casa por minha conta!

Fim do 27º dia de viagem…

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– De Avila até Avis!

2 de Setembro de 2011

Chegara a etapa de entrada no meu país!
Podia ver pelo mapa como estava perto, nada de milhares de quilómetros para voltar, o que me permitiria passear um pouco e chegar a Avis ainda de dia.

Avila… eu tinha estado ali um mês antes e não foi inocentemente que la voltei. Eu simplesmente precisava de tempo comigo própria para passear por ali e dias antes não o tivera!

Avila, uma cidade rodeada por uma muralha românica impressionante com cerca de 2,5km de extensão! A cidade de Santa Teresa de Avila!

Fiquei hospedada numa casinha de turismo rural muito gira, à entrada da cidade, que ficou toda por minha conta. O dono da casa, que tem um restaurante mais à frente, deu-me uma série de livrinhos com toda a informação sobre a cidade e a província com o seu nome.

Claro que essas informações acabaram por me fazer querer voltar ali, mais uma vez um dia destes, para catar o que não conseguiria catar naquele dia! E por isso pode surgir a qualquer momento um “Passeando por Avila!” na minha vida pois então!

A cidade tem 2 portas voltadas para a zona antiga da cidade, as portas de Alcazar e de S. Vicente. A Puerta del Alcazar é a principal e está junto à Plaza Mayor

A muralha é impressionante, começada a construir no sec XI rodeia a cidade antiga e mantem-se hoje como foi construída na época, o que a torna única, a maior e a melhor conservada na Europa! Tem 2516 metros de perímetro, 87 torreões e 9 portas.

Fora das muralhas existem diversas construções religiosas espantosas, aliás, Avila é a cidade com mais construções românicas e góticas em relação ao número de habitantes! A Basílica de San Vicente, uma construção iniciada em estilo românico e concluída já em estilo gótico…

A igreja é espantosa e é tão imponente como uma catedral, na verdade é a segunda maior da cidade depois da catedral!

A cúpula gótica, no cruzamento da nave central com os braços laterais, é espantosa!

E logo ali em baixo, fica o memorial dos 3 irmãos mártires que dão o nome à basílica: S. Vicente, Santa Sabina e Santa Cristeta.

São Vicente, Santa Sabina e Santa Cristeta foram barbaramente torturados, decepados os seus membros e as cabeças esmagadas, por volta do ano 303 por um imperador romano, quando não era aceite a religião cristã e os crentes eram perseguidos… Diz-se que estes 3 mártires eram originários de Évora, só não sei se é a nossa!

O memorial/sepulcro narra episódios da vida de Cristo em pequenas esculturas e relevos.

A basílica é muito bonita e eu andava para a visitar há anos… cada vez que passava à porta e deixava para a vez seguinte!

Mais à frente fica la Puerta de San Vicente

E fui visitar a Catedral!
Um mês antes eu quisera visita-la, mas não estava sozinha e tive de deixar para outra vez. Não podia ir gastar uma hora a visitar a catedral e deixar o meu colega de viagem, de capacete na cabeça, junto à moto à minha espera! :-S

Mas desta vez eu era livre!

Havia uma feira medieval em toda a zona, o que tornou aquela visita ainda mais especial!

A Catedral del Salvador de Ávila é um edifício espantoso, templo e fortificação! É considerada a primeira construção gótica do país!

É curiosa a pedra usada na sua construção, cheia de “manchas” de cor, que resulta muna mescla de cinzas e castanhos avermelhados, bizarra!

Avila é a cidade de Santa Teresa e pensei que a catedral tinha um altar consagrado a ela, à semelhanças de outras igrejas da cidade, mas parece que afinal é de Santa Catalina!

O claustro está protegido por redes! Acho que devem ser os pombos que andam por ali a fazer bosta!

Espelhos nas paredes do claustro!

E cá fora era a feira! Era cedo e estavam a montar os estaminés.

Junto à muralha há mesmo uma estátua de santa Teresa!

E ali ao lado fica a praça de Santa Teresa com a Igreja de San Pedro ao fundo.

Mais uma igreja românica notável!

Andei por ali a passear, aproveitando o sol que estava radioso!

A feira medieval estendia-se para fora das muralhas, com tendas e animais e tudo!

Os burrinhos eram tão fofinhos!

Achei piada à frase mas nem era verdade que eu tivesse ganas de chegar a casa!!!

Mas tive de me por a andar! Não sem antes passar pe’ Los Cuatro Postes, um pequeno santuário, a 1,5 quilômetros da cidade, que marca o lugar onde o tio de Santa Teresa a impediu de fugir, aos sete anos com seu irmão, em busca do martírio na batalha contra os mouros.
Este ponto é privilegiado pela panorâmica que permite sobre a cidade!

Ali ao lado um pintor montava o seu cavalete para pintar.

Lá em baixo, a cidade que lhe servia de modelo

Uma camioneta de chinocas chegara entretanto e eles conseguiram meter-se todos dentro do espaço dos Cuatro Postes!

Continuei o meu caminho passando por Bejar, uma cidade que é mais bonita vista de fora do que de dentro!

E fui almoçar a Placência, mais uma cidade surpreendente, que já visitei noutros momentos, mas que tem sempre muito para mostrar!

Almocei na Plaza Mayor, onde fica a Casa Consistorial, aquela casa renascentista (ok, reconstruida) que tem um moçoilo no telhado a martelar as horas!

Lá está o tipo, de martelo em punho, a dar horas lá em cima!

E enchi a barriga de coisas boas, que em Espanha eu nunca passo fome!

Ali ao lado, depois de um percurso por ruínhas estreitinhas, fica a catedral nova.

Um edifício que junta diversos estilos pela sua história de morosa construção: Estilos Gótico, Renascentista, com elementos decorativos Barrocos.

Estava fechada, mas eu já a visitei antes, é espantosa e comunica pelo interior com a catedral velha!

Voltei à estrada a caminho do meu País…

Ao longe a cidade é imponente!

Ainda passei por Cáceres, mas uma nuvem imensa pousava sobre tudo e ameaçava encharcar tudo a qualquer momento e foi o que aconteceu! Atravessei uma tromba de água espantosa que nem me deixava ver direito a estrada!

E foi numa corrida bem molhada que cheguei a Badajoz, onde não entrei, apenas apreciei de longe. Tenho de lá ir um dia só para a visitar!

Segui para Avis, contornando mais uma tromba de água que, felizmente, não tive de atravessar!

Para quem esperava apanhar toda a chuva do mundo na Escócia, a Espanha foi a surpresa nessa área!

Fui muito bem recebida em Avis por amigos como o Rui Baltazar que me disponibilizou um belo ninho para eu descansar os ossos! E tive direito a, ainda dentro do limbo da minha viagem, dar uma voltinha pelas viagens dos outros!

Fim do 28º dia de viagem…

**** ****

3 e 4 de Setembro de 2011

Faltava pouco para chegar a casa, todo o caminho que é feito dentro do meu país me parece curto!

Os 2 dias seguintes foram feitos de convívio, conversa, comida e bebida… amigos do Motos & Destinos, amigos do Facebook, amigos do Travel Event… amigos que me encheram o coração depois da epopeia que acabava de viver!

É uma sensação estranha e curiosa, chegar de viagem sem na realidade ter chegado! Afinal eu só “chego” de viagem quando entro em casa!

É também estranho, andar ainda envolvia com as sensações da minha viagem e viver de certa forma a viagem dos outros!

Passei um serão de conversa e chouriças assadas no álcool… e depois, no dia seguinte claro que me custou sair da cama.

Claro que não me deitei nada cedo em nenhum dos dias, parecia que não havia cansaço… se calhar não havia mesmo, mas a gente tem de estar cansada depois de tanto quilómetro, não?

A casinha onde me hospedaram era uma fofura!

Quase perdia a fantástica feijoada do Rui Faria, que se está a aprimorar de ano para ano!
Acho que já não é só o Travel que é um evento, a feijoada também!

A gente já vai lá para comemorar também a feijoada!

E a cada ano o tacho terá de ser maior…

O parque de campismo fica num canto do paraíso a que nunca fico indiferente!

Com a albufeira do Maranhão a permitir momentos deliciosos e fotos fantásticas!

Perdi a noção dos dias, apenas andei por ali a curtir o momento!

Acabei por não experimentar nenhuma moto… o que foi uma pena! Mas não me sentia nas melhores condições para conduzir uma moto que não a minha. Volto sempre de viagem com as mãos cansadas e pisadas e isso, somado à minha pouquíssima força, não me inspira confiança para conduzir motos alheias…

Andava eu a curtir a paisagem quando chegou o João Luís! Olha-me este viajante, que já não via há tempos e até já tinha saudades! Eheheh

A noite foi longa e divertida, com histórias e estórias de viajantes e projetos de passeios, num serão de muito paleio, cerveja e amigos que faz sempre bem rever…

Parti no dia seguinte para casa…

Não tinha pressa, tudo me parecia tão perto, coisa de quem passou muitos dias a grande distância de casa!

As paisagens nacionais são muito bonitas, mas a nossa terra foi já tão repetidamente explorada por mim, que apenas apetece passar e registar panorâmicas…

A nostalgia fez-me parar e desenhar mais um pouco, em honra dos momentos que passei fora daqui e que me enchiam já de saudades…

E cheguei a casa depois de:

30 dias
14.500 km
8.055 fotos
722 litros de gasolina
1.025.24 € em gasolina
626 € em dormidas
185€ em entradas e visitas
60€ em transportes alternativos
Despesa total: 2.396.24 €
(mais 980€ da avaria…[xx(])

O que me faltou?
Um pouco mais de azul naqueles céus!

O que sobrou?
Beleza, história e paisagens naturais, muito para além do esperado …

O que valeu a pena?
Não ter desistido, apesar da avaria, e ter continuado!

O que teria dispensado?
Naturalmente aquela avaria em Glasgow, que me desorientou e entristeceu tanto, para além de me ter feito perder um pedaço precioso de caminho…

O que me apetece dizer ainda?
… eu tenho de lá voltar! Ficaram coisas por “resolver” por lá!

Beijucas e até para o ano!

O meu novo mapa desenhado!

FIM

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5 thoughts on “VI – Passeando até à Escócia 2011

  1. Gracinda nesta parte e por sinal a final desta crónica além de mais umas quantas fotografias que imortalizam sítios, paisagens, animais… Momentos verdadeiramente fantásticos, de sonho!
    Resta-me dizer que adorei o relato, as fotos e que terminas-te da melhor maneira que se pode desejar. Em convívio com amigos!!

    Adorei esta Crónica que me levou ao “mundo do sonho” e que pude desfrutar de coisas magnificas.
    Gracinda, Obrigada por mais estes momentos partilhados!

    Que possa continuar a desfrutar de muitas mais crónicas tuas, tão especiais e marcantes como esta.
    Boas Curvas.

    Beijinho Simone

  2. Acabei agora mesmo de ler “Passeando até à Escócia”, que vontade de já ser 2013 para partir para o DmD na Escócia é muito forte, mas ainda falta tanto. Foi pena não ter passado por Rochester (onde vive a minha filha, neste momento) por onde andou Charles Dickens e o seu David Copperfield…Já que, dizem os entendidos, a história é um pouco autobiográfica.
    Lindas fotos belo texto onde revivi alguns dos locais por onde passei já. Só me resta deixar os meus parabens Gracinda Ramos:

    • Obrigada Sérgio!
      Eu vejo muitas coisas numa viagem mas deixo muitas outras para ver quando voltar! Não voltarei no proximo ano, certamente, mas vou voltar mais ano menos ano e vou catar tudo o que ficou por ver!
      Para si, uma otima viagem para 2013, a tal viagem em que não posso participar por ser em tempo de aulas, não é?

      Beijucas mil

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