IV – Passeando até à Escócia 2011

21 de Agosto de 2011

Passeando por Edimburgo!

As 2 noites previstas para Glasgow converteram-se de repente em 5, eu não poderia mais fazer tudo o que planeara e tinha 2 hipóteses diferentes, ou reformulava tudo a partir dali, ou apenas alterada a parte que ficara comprometida com a avaria!

Decidi alterar apenas aqueles dias próximos que estavam afectados directamente pela avaria! Anulei os dias que previra para a Irlanda, comuniquei com os sítios onde marcara dormidas na Escócia para alterar as chegadas e mantive todo o resto da viagem inalterado.

Agora estava ali à porta da Escócia com 2 dias para esperar pela minha Magnífica!

A disposição era diferente do dia anterior, quando esperava um telefonema a qualquer hora a dizer para ir buscar a moto. Desta vez tinha mesmo de passar o tempo, usa-lo o melhor possível, pois a moto viria tarde demais para eu fazer algumas coisas, por isso apanhei o comboio e fui para Edimburgo!

Glasgow era-me já suficientemente conhecida para eu saber que a estação de onde partia o comboio para Edimburgo não era aquela que ficava pertinho do hostel. Teria de ir até à estação de Queen’s Street no outro extremo da zona comercial!

Era domingo e não havia ninguém nas ruas!

Uma montra repleta de máquinas de costura antigas, podiam-se ver ali varia centenas delas! Cada vez que lá passei fiquei maravilhada a ver!

Com o céu cinzento e as ruas vazias, tudo parecia tão triste! Só esperava que em Edimburgo o tempo estivesse melhor, ou, pelo menos, com mais gente!

Enganei-me! Quando cheguei a Edimburgo fui recebida por uma carga de água monumental! Fiquei abrigada na estação a ver se aquilo passava, determinada a comprar um guarda-chuva e correr a cidade toda!

Mal a chuva abrandou apanhei um autocarro panorâmico. Tive de limpar o assento com as mangas para não molhar o rabo ao sentar-me. Claro que tinha de ir lá em cima, na parte aberta, que se lixasse a chuva!

The Queen’s Street

Havia vestígios de festa pela cidade, mas a chuva afastara toda a gente! Afinal estava a decorrer o festival de Edimburgo, o maior e mais famoso festival do mundo!

O castelo está ali em cima, no meio de tudo, no topo de um rochedo que não é mais que a cratera de um velho vulcão extinto!

Fotografei-o, cá de baixo, até à exaustão!

A vantagem de ir no autocarro era que podia fotografar continuamente sem me preocupar com a moto!

O autocarro foi dando a volta pela cidade antiga e a minha vontade era sair a toda a hora para ver tudo de perto, mas contive-me, queria entender primeiro a “disposição” da cidade!

Deixei-me levar, queria ir para perto do castelo e da zona medieval que prometia ser linda!

Afinal Edimburgo é considerada uma das capitais mais bonitas da Europa!

Passamos nas Belas Artes da cidade onde Sean Connery posou nu para ser desenhado, nos tempos idos da sua juventude! Eheheh

Nem tudo é antigo na cidade e encontrei pormenores giros, como estes “limpadores de janelas”!

E continuava a dar a volta ao enorme rochedo do castelo the Castle Rock!

A bancada para o festival Edinburgh Military Tattoo, é visível cá de baixo formando um conjunto surrealista junto do rochedo!

E cheguei à Royal Mile na cidade antiga, de onde tudo parte e onde tudo acontece!

A festa começava a voltar à vida, à medida que o tempo ia melhorando e o dia ia avançando.

A catedral de St Giles ou a High Kirk of St. Giles, com uma origem do sec XII mas hoje mais do sec XV, estava fechada, com um guardião à porta, pois estavam em oração!

Dei a volta à catedral pela Paliament Square

Com a estátua equestre de um Charles III todo imponente, rodeado de povo que nem o via, coitado!

Quando cheguei ao outro lado da praça e da catedral, parecia outro mundo!
Havia gente por todos os lados e grupos de actores anunciavam de formas criativas e deliciosas as peças que levavam à cena naqueles dias!

Finalmente se fazia justiça à fama da cidade, como cidade da cultura e das artes, a Atenas do norte!

De repente eram poucos os recantos sem ninguém, as pessoas apareciam de todos os lados! Ali ao lado ficam The City Chambers.

Em frente à porta faziam-se caricaturas originais, a aerógrafo em t-shirts! Gostei de ver!

Recantos de um canto medieval de uma cidade extraordinária!

Nunca pensei achar sexys os kilts nos homens, mas a verdade é que vi alguns bem giros a quem a saiinha assentava mesmo bem!

Cruzei com Hume, um filosofo que, em parceria com John Locke, me deu que fazer em tempos de faculdade! Claro que sendo ele escocês de Edimburgo, seria de esperar um encontro entre nós!

E lá fui para o castelo, que era um dos pontos altos da minha visita!

Com a trapalhada que de repente andava pela cidade, houve momentos em que agradeci o facto de estar sem a moto! Assim nunca stressei se ela estria bem, se seria multada ou se alguém se sentaria em cima e a pusesse ao chão! Até o mau tem um lado bom!

O castelo de Edimburgo é surpreendente, cheio de história e cheio de gente o tempo todo! Mas que importa, quando lá de cima se pode ver a cidade de diversos ângulos, se come decentemente, se bebe uma cerveja refrescante e se passeia serenamente!

Demora-se um bocado a entrar, a fila dá voltas sobre si e vai-se pondo o olho ao que há para ver dali! Ao comprar o bilhete decidi comprar um passe “The Explorer Passport” para explorar todos os castelos possíveis em 2 dias à escolha entre 5, assim não teria mais de pagar fortunas para os ver!

Lá de cima pode-se ver o rio Forth

Vê-se ao longe o Monumento Nacional Escocês, no topo do Calton Hill em homenagem aos que lutaram nas batalhas napoleónicas.

Não era fácil andar pelo castelo com tanta gente que lá andava.

Lá encontrei o famoso One O’Clock Gun, um canhão que é disparado todos os dias às 13.00 horas menos ao domingo desde 1861 como um sinal de tempo para os navios no rio.

Mas há mais canhões por ali!

O tempo estava a melhorar e as perspectivas sobre a cidade também!

Quando ia a entrar no patio onde está este senhor a cavalo um grupo de mulheres, bem crescidas, passou por mim a correr para ir tirar fotos junto da estátua! E soltavam gritinhos e tudo! Pensei que o homem fosse alguém muito importante, depois percebi que elas nem sabiam que era, apenas queriam tirar fotos junto de tudo o que encontravam!

Apanhei-me ali no vidro! eheheh

Gostei muito dos recantos do castelo, passeei-me por ali durante horas!

Por uma nesga entre dois edifícios chega-se a Crown Square, onde fica o palácio real

Ali fica também o Scottish National War Memorial, memorial a todos os escoceses mortos em guerra ao serviço da nação. Curiosamente, lá dentro, numa série de grandes livros, constam os nomes de todos os heróis de guerra!

O castelo já foi, entre outras coisas, prisão! E esta é visitável hoje.

Há ali uma série de museus e exposições para visitar. Coisas ligadas à guerra e ao exército. É engraçado ver imagens de homens bravos a lutar de saias! Eu sei que o tecido não protege nada, mas as pernas à mostra dão-me a sensação de fragilidade! Não?

E a cidade rodeia-nos por todos os lados ali em cima!

E foi para lá que eu fui a seguir.

Mesmo à porta do castelo fica o The Scottish Whisky Experience, onde se pode fazer uma replica do percurso do Whisky , mas eu não fui visitar! Estava muita gente e eu iria visitar mais do que uma destilaria a sério e a funcionar, já tinha decidido!

Dei muito mais importâncias a artistas de rua como este William Wallace tão espantoso como o Mel Gibson no Bravehart!

Este leitor sem cabeça

Ou este tocador de gaita-de-foles!

A este dei-lhe uma moeda, afinal ele estava a fazer um esforço maior, para tocar aquilo! A moeda deu-me o direito de o fotografar de vários ângulos, pois então!

E os recantos encantadores estão mesmo ali

Fui seguindo, catando o que a cidade tinha para me dar…

A vantagem de se ir lá em cima no autocarro, é que se vê por cima dos muros! E por cima de um muro vi um snooker gigante com gente a jogar!

Fui até junto do morro que fica ali mesmo ao lado, o Salisbury Crags, no meio do Holyrood Park, que as pessoas sobem para verem a cidade lá de cima… nem pensar em fazer tal caminhada! Cruzes!

A cidade é muito bonita, faz justiça à sua fama de beleza, sim senhor!

The Balmoral Hotel, junto à estação de caminho de ferro Waverley Station, originalmente construído para a empresa desta estação, mantém desde sempre o seu relógio adiantado 2 minutos para que ninguém chegue atrasado ao comboio!

Então não resisti e fui visitar o cemitério da Parish of Saint Cuthbert, no sopé do Castelo. Aquele cemitério está cheio de personalidades escocesas e não só, entre elas Charles Darwin, que foi um notável estudante da também notável universidade de Edimburgo!

Não fui lá para procurar nem fotografar a tumba de ninguém… apenas para passear em solo “sagrado” por quem lá está!

O castelo é uma presença permanente por toda a cidade e podia ser visto dali, lá em cima, imponente.

Com aquele céu azul não resisti a tirar-lhe mais um milhão de fotos!

Lá estava a igreja

Mas era mesmo o cemitério que me estava a fascinar!

Encontrei lá um bichinho tão giro! Tentei fotografa-lo sem o assustar.

Aproximei-me muito devagarinho e tal mas, não é que o gajo não tinha medo de ninguém e veio para mim a ver se eu lhe dava comida! E eu cheia de cuidado para não o assustar! Eheheh

Naquele país os animais não têm medo de ninguém, sinal de que são bem tratados. E o esquilito foi “meter conversa” com quem lhe deu de comer!

Segui para West Princes Street Gardens para onde dava o cemitério.

Como o sol se tornara espantoso!

Fui subindo a colina junto ao Castle Rock, com um dia daqueles só apetecia passear por ali!

Podia-se ver The General Assembly lá em cima, o ponto de encontro da Assembléia Geral da Igreja da Escócia

Estava cheia de gente por aqueles dias!

Ao longe podia ver o Scott Monument, teria de ir lá vê-lo mais de perto, mas não subiria escadas nem pagaria uma fortuna para ir lá cima, isso era certo!

Dei umas voltas por ali e “apanhei” o jardim do melhor ângulo! O relvado de East Princes Street Gardens estava cheio de gente, ali não se perde um momento de sol e naquele dia estava a ser bem mais do que um momento, estava a ser um paraíso!

Claro que também me estiquei no relvado, (quase dormi) e claro que também me sentei num banco! Ali tive pena de não gostar de gelados, pois era o que apetecia fazer, comer um!

Em frente, do outro lado do jardim fica a linha do caminho-de-ferro (em baixo, invisível) e lá em cima a cidade antiga.

E cheguei ao Scott Monument, erigido em estilo neo-gótico vitoriano, ao escritor escocês Sir Walter Scott, que foi o primeiro escritor inglês famoso internacionalmente ainda em vida.

Lá está o homem sentado no meio. Pagava-se para subir ao topo e eu fiquei cá em baixo, pois então!

Não fui também à colina, the Calton Hill, “inspirada” em Atenas, nem ao monumento a puxar para o grego, onde as pessoas gostam tanto de se fazer fotografar em frente.

Dei a volta por “cima” da estação, com perspectivas curiosas e enquadramentos surrealistas.

Apanhei o “quim” e fui embora para Glasgow, onde a George Square estava mais cheia de gente do que nunca! Continuei a não entender o que se passava, apenas no dia seguinte descobriria o que andavam ali a fazer!

E fui para casa, que era mais uma vez em Glasgow, pois então!

Fim do 16º dia de viagem… de comboio!

**** ****

22 de Agosto de 2011

Uma voltinha pelas terras baixas das Terras Altas!

No dia anterior, antes de me por a andar para Edimburgo, pedira à menina da recepção do hostel que me marcasse um lugar num passeio de mini-coach.

Tinha de o ir apanhar no centro da zona comercial, num ponto que evidentemente eu já conhecia, acho que já conhecia a zona central da cidade como se vivesse lá há tempos, de tanto passear por ali, de dia e de noite…

Decidi ir cedo para tentar descobrir coisas que durante o dia ainda não tinha conseguido, não imaginava é que chegaria lá tão cedo! Ao sair a porta do hostel estava um mini-coach parado à porta à espera de pessoas, como a menina da recepção tinha tido dúvidas sobre o locar do embarque para me dizer, perguntei ao condutor se era aquele que me ia levar, mostrei o bilhete. Não era, mas o senhor muito simpático disse-me que me levava até ao meu, pois ía lá apanhar gente! Claro que aproveitei!

O ponto de partida era junto à The Gallery of Modern Art – GoMA

O edifício neo-clássico é imponente!

Em frente o desgraçado do Duke de Wellington tinha um cone de trânsito na cabeça! Pensei que tivesse sido um acto de vandalismo mas acabei por descobrir que aquilo é arte!

Os edifícios que rodeiam o museu são igualmente imponentes.

Fui caminhando para a George Square

Começavam a aparecer pessoas na rua, apressadas para trabalhar, com o tempo cinzento de novo, o movimento da rua anima um bocado!

A George Square estava vazia pela primeira vez desde que ali chegara!

Os pombos ainda dormiam aninhados nas estátuas! Eu sou mesmo madrugadora!

Cheguei ao lado oriental da praça onde fica o mausoléu aos heróis de Guerra da cidade.

Era aqui que eu nunca conseguia chegar quando passava na praça!
E era aqui que estava o segredo que eu queria desvendar!

Quem me explicou o que se estava a passar foi o condutor/guia do mini-coach: Glasgow fora invadida por americanos!

Estavam a filmar na cidade cenas de um filme com Angelina Jolie e Brad Pitt que tinha a ver com zombies, algo como World War Z!

A cidade é parecida com Filadélfia e mais barata que a cidade americana o que tornou o transporte de toda a tralha até ali, compensadora!

Por outro lado aquela lavoura toda é também compensadora para a cidade pela quantidade de paparazzi que vêm atrás dos actores, pela multidão que se junta para tornar o filme possível, figurantes etc etc etc totalizando 1.200 pessoas!

Glasgow estava transformado em Filadélfia, com 70 e tal carros todos lixados, disse-me o moçoilo das saias!

Até camiões os americanos trouxeram!

Por isso, quando o filme sair posso dizer que lhe vi as entranhas em Glasgow! Eheheh

Depois de uma volta pelo mundo cinematográfico, feito de carros destruídos aos montes, lá fui para o ponto de encontro, onde devia embarcar para uma passeata pela zona baixa das terras altas! No cardápio que a empresa tinha havia apenas 2 passeios para a segunda-feira e o outro, alem de implicar muitos quilómetros de carro (coisa que me provoca alergia) passaria por terras onde eu iria mal tivesse a moto pronta!

Estes passeios são muito interessantes porque são de apenas um dia, em carros pequenos, para grupos de 16 pessoas no máximo, o que torna a “coisa” num passeio de amigos!

O nosso condutor/guia era muito simpático e fazia-nos as vontades! Eu era a única que não viajava em casal, por isso sentei-me na frente, mesmo ao seu lado e ele via a minha inquietação para tirar fotos e parava ou abrandava a marcha! Tão querido!

Claro que paramos para fotografar o castelo cá de baixo!

E como eu estava sozinha, havia sempre alguém que se oferecia para me tirar uma foto! As pessoas não conseguem imaginar qual é o prazer de tirar fotos às coisas sem ninguém na frente! Diziam que eu só tirava fotos artísticas, por não terem ninguém! Engraçado, eu nunca tinha visto as coisas assim!

Encontrei a estátua de Rob Roy, que para mim será sempre Liam Nessonn, como Mel Gibson é o William Wallace!

Rob Roy, ou Robert Roy MacGrgor, é um herói escocês entre os séculos XVII-XVIII, que admiro muito e foi uma sensação pisar terra que ele pisou, tal com Wallace! Ele é ainda hoje um exemplo de honra para os escoceses, um Robin Hood para eles!

Passamos grande parte da manhã no castelo de Stirling, onde eu queria muito ir! De lá, ao fundo, no topo de uma colina vê-se o monumento de William Wallace, que não visitaria naquele dia.

Do castelo podia-se ver a redondeza, a cidade, os montes, um cemitério!

O monte onde o castelo está construído também é de origem vulcânica, como o de Edimburgo, chamam-se the Castle Hill. O castelo é um dos mais importantes da Escócia, rivalizando com o de Edimburgo, pelo seu bom estado de conservação e pelo seu papel na história do país!

Não estava muita gente a visitar o castelo àquela hora da manhã, o que foi uma grande sorte!

O castelo é imponente e lindo, do sec XII ou XIII! Ainda acho que é mais bonito que o de Edimburgo…

Lá em baixo pode-se ver o King’s Knot, um relvado em relevo geométrico e original! Dizia o nosso guia que aquele relvado é misterioso e associado ao Rei Artur e à Tabula Redonda, mas que na realidade ninguém sabe de quando é, quem mandou construir, nem qual a finalidade! Muito bonito o efeito!

O jardim do palácio junto ao Palácio Real

O Palácio Real do sec XVI, muito posterior ao castelo, é uma obra renascentista extraordinária!

Os interiores foram restaurados e têm figurantes que ilustram como seria antigamente!

A Great Hall, onde se podiam fazer grandes festas, serviu ao longo da história para todo o tipo de utilizações. Mas finalmente foi restaurado e hoje está de boa saúde!

É impressionante a vista da escarpa onde se ergue o castelo

Um cemitério de um lado da muralha, há outro do outro lado…

Os canhões mantêm-se apontados para a ponte de Stirling, de onde veio o ataque aquando da Batalha de Stirling Bridge (1297), onde William Wallace dizimou o exército inglês que tentava atravessar o Rio Forth, durante a guerra da independência da Escócia.

O rio Forth é o mesmo que vai desaguar perto de Edimburgo.

De volta à saída/entrada do castelo, ainda sob o efeito de um retroceder na história

Era cedo e fui visitar o cemitério que fica ali mesmo ao lado. Aqueles cemitérios têm uma beleza surpreendente que não conseguia deixar de admirar!

E cá está o nosso mini-coach mais o nosso simpático condutor/guia a que me refiro como o moçoilo de saias!

Curioso como era tão natural vê-lo de saias! Nunca me pareceu estranho ou bizarro o pormenor!

O que eu achava graça era ao seu jeito ao sentar-se ao volante do carro, passava a mão por baixo do rabo para por a saia no sítio e arrumava a saia para por as mudanças! Tudo muito natural! eheheh

De resto era um brincalhão, falava bastante, contava histórias e fazia-me rir!

Houve momentos em que ele se calava e punha música escocesa, momentos que se tornaram mágicos por isso! Saber a história do local e pensar sobre ela ao som de música, que cá nunca ouviria, fez valer a pena passear assim! Os lagos sucedem-se por ali.

“oh please, let me see the cows!” exclamei eu de repente! eheheh

Paramos para tirar fotos e alguém prontamente se ofereceu para me fotografar de novo! As “cows” estavam lá atrás, lindas!

Ali conhecemos as vaquinhas mais famosas da zona! Não conseguia parar de as fotografar! Este é o papá!

Esta é a mamã (acho eu)

Estes são os filhotes!

E cá está uma perspectiva da família toda! Liiiinda!

Julgo que este é o Loch Katrine, mas não tenho a certeza!

Adorei as vaquinhas! Pareciam cães pastores gigantes, não fossem os cornos! Engraçado que elas coçam-se como os cães e tudo, com a pata de trás! Eu nunca tinha reparado como uma vaca se coça!

Seguimos o nosso caminho, por entre lagos e paisagens do Parque Nacional de Trossachs. Ao longe vimos o Loch Drunkie (lago bêbado) claro que quis saber a história do nome do dito!

Segundo o moçoilo das saias e de acordo com a minha interpretação do seu inglês-meio-gaélico, o lago deve o seu nome a uma histótia de um grupo de homens que construiu uma destilaria clandestina, com um dispositivo que permitiria esconde-la debaixo da água. Enquanto os homens trabalhavam na destilaria um outro tomava conta na estrada com uma gaita-de-foles. Quando alguém se aproximava, ele tocava uma música em tom de boas-vindas para o viajante, que pensava que ele estava a homenageá-lo, mas na verdade ele estava a avisar os companheiros para eles afundarem a destilaria no lago.

Cá está ele mais de perto

Então fomos ao The Scottish Wool Centre, onde almoçamos comida a sério!

Ali podem-se ver diversas espécies de ovelhas e carneiros que fornecem a lã escocesa tão famosa!

Os carneiros com 2 pares de cornos foram a novidade para mim! Serão casados em segundas núpcias? eheheh

Há também uma série de animais simpáticos com quem podemos “brincar”.

Como cavalinhos miniatura, como eles lhe chamam!

Depois foi o famoso Loch Lomond, que fica entre as terras altas e as terras baixas, é o maior lago da Grã Bretanha

O lago é muito grande, apenas nos passeamos um pouco numa berma, com casinhas muito giras e paisagens bonitas.

Este lago tem dezenas de ilhas, mas nós só vimos umas 4 ou 5, do ângulo em que o visitamos.

E uma senhora muito simpática veio oferecer-se para me tirar uma foto com aquela paisagem! E lá apareço eu de novo! Nunca apareci tantas vezes nas fotos de uma viagem minha como nesta, heim? eheheh

Estávamos ali a conversar e a tirar fotos quando 2 canoas se aproximaram, percebia-se que era um casal, a surpresa foi quando vimos o casal de pombinhos!

Eram idosos!

Sorriram-se para nos quando passaram!

Depois foi o regresso ao mini-coach para seguirmos viagem…

para irmos visitar uma destilaria e beber uns copos! Eheheh

Ali fomos recebidos por um senhor muito simpático que nos ofereceu um cálice de whisky a cada um, que bebemos enquanto ele fazia a introdução à visita.

Aprendi muito sobre o whisky, como se faz e que voltas dá até estar pronto a ser bebido!

Aprendi inclusivamente que a água é um dos principais ingredientes e é comum cada destilaria ter o seu próprio lago e nascente!

Não se pedem tirar fotos dentro da destilaria pois é perigoso dado que, segundo o guia, o ambiente é inflamável. Por isso só tirei fotos antes e depois!

O whisky só está bom para beber quando atinge os 10 anos, dizia o guia, por isso o que bebemos era novo e tinha 10 anos!

Eu nem sou uma apreciadora da coisa, mas tenho de reconhecer que me soube tão bem que, quando o senhor disse que quem quisesse continuar a beber durante a visita podia levar o cálice… eu levei o meu! Afinal eu nem ia conduzir!

No fim andamos a visitar a loja, onde cada um pode encher a sua propria garrafa de whisky para compra!

E foi o fim da vista, com regresso a Glasgow, depois de um dia muito simpático!

E foi o fim do 17º dia!

**** ****

“Já fiz de tudo!

Já dei voltas à cidade…

Já dei voltas a Edimburgo…

Hoje fui dar mais voltas às highlands, foi muito giro, pude falar com as pessoas que iam comigo, pude conhecer o condutor do furgão, brincar e rir… mas tinha sido tão mais bonito de moto!

Estou cansada de esperar, da incerteza sobre como vai ser o fim da história, da prisão em que estou!

De repente compreendo onde reside a minha independência! Ela está na capacidade que tenho de sair por onde quero, estar se me apetece, não ir se assim me dispuser!

Essas minhas asas que são rodas, ou rodas que são asas é que me dão esta dimensão que tenho e sinto quando saio do meu canto pelo mundo fora!

É o que vejo sim, o que me faz andar por aí em viagem, mas é também o que eu sou quando estou em viagem o que me faz vir e eu sou o que sou com a minha moto ao meu lado, sem ela tudo perde piada… de tal maneira que apenas aqui estou porque há a hipótese de ela voltar a andar, porque se tivesse de continuar noutro meio de transporte, já teria voltado para casa!

Nunca esperei um dia com tanta ansiedade e apreensão como tenho esperado o dia de amanhã…

Que não seja uma espera em vão…”

23 de Agosto de 2011

E o dia chegou!

A minha Magnífica só estaria pronta da parte da tarde… esse “da parte da tarde” podia ser apenas à 7.00 horas, por isso fui perguntando na recepção do hostel se haveria lugar para mim por mais uma noite. Havia sim… “provavelmente vou precisar dele!”

Aproveitei a manhã para acabar o meu relatório de auto-avaliação, para mandar para cá por mail para que o meu moçoilo o entregasse na minha escola. Ocupei boa parte da manhã concentrada nesse trabalho o que ajudou a passar o tempo e controlar a ansiedade.

Almocei no bar e tirei-lhe a única foto, depois de tantas horas lá passadas naqueles dias!

E claro que acabei por ir cedo demais ver como estava a minha motita querida!
Estava toda despida!

Comecei a mentalizar-me para o facto de ir ficar sem ela mais uma noite…

Fui-me sentar no stand, ler o jornal motard que saira naquele dia, conversar um pouco.

Estava surpreendentemente calma e resignada! É sempre assim, depois do primeiro impacto nenhum outro tem mais o mesmo efeito, felizmente!

Então de repente vejo-a passar lá fora, toda despida, parecia uma naked, mas lá ia toda catita!

Então quando já estava mentalizada para ficar sem moto mais um dia, ela foi-me entregue!

Eram 2.00h e eu não sabia o que fazer com ela, de tal maneira me convencera de que não a teria!

Também não perdi muito tempo a pensar, amarrei-lhe o trolley no assento e fiz-me à estrada, pelo caminho alguma ideia me viria à mente!

A sensação de liberdade era tal, que parecia que não conduzia há meses, sentia-me eufórica!

Não sabia em que direcção estava a ir, nem em que direcção queria ir, apenas sabia que queria ir e pronto! Não tinha dormida marcada para aquele dia, por isso qualquer direcção podia ser seguida.

De repente um nome veio à minha cabeça: Glencoe

E foi para lá que fui!

E passei por lagos lindíssimos, onde me apeteceu ficar, fotografar e desenhar…

E fui-me aproximando…

Glencoe é considerado frequentemente o recanto mais bonito da Escócia! É um imenso vale longo (que é o que quer dizer Glen) ladeado pelas montanhas mais surpreendentes que se possa imaginar!

Quando se fala em “terras altas” pode-se ter a ideia de que aquilo fica a grande altitude, mas não fica! Na realidade rolamos frequentemente apenas a 200 ou 300 metros de altitude. O que é surpreendente são as diferenças de declive que se podem observar ali!

A dimensão de cada monte é descomunal, alguns não cabiam na objectiva da minha máquina!

Pode-se ver pelas casinhas minúsculas nas fotos!

O silêncio daquela imensidão pode-se sentir um pouco nas fotos, não?

O dia do regresso à estrada foi maravilhoso! A sensação nunca sairá da minha memória, as minhas rodas voltavam a fazer-me voar!

Fim do 18º dia… de novo com a minha Magnífica!

**** ****

(continua)

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6 thoughts on “IV – Passeando até à Escócia 2011

  1. Gracinda está fantástico!
    Com a tua magnifica “doente” pudeste e conseguiste te distrair indo visitar sítios e os fotografando de uma maneira espectacular, esses sítios animais, paisagens….
    Depois de voltares a ter a tua magnifica, pudeste seguir viagem e agora “presenteias” com imagens verdadeiramente espectaculares.

    Bjs Simone

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