2012 – Marrocos – O regresso!

23 de Março de 2012

Cucu!

Brevemente estarei de partida para Marrocos!

A minha Magnífica está pronta e linda para partir de novo!

Eu, que dizia que Marrocos não era um destino de sonho para mim, lá estou de novo toda entusiasmada por partir para lá! Depois da viagem do ano passado, várias coisas ficaram agradavelmente na minha memória e eu quero, senão revive-las, acrescentar-lhes novas sensações!

A experiencia de viajar com um grupo extraordinário é para repetir, embora o grupo não seja o mesmo! As pessoas que fizeram parte do grupo no ano passado e que não voltarão este ano, farão falta, mas as que vão são muito boa gente! Por isso a fórmula tem tudo para voltar a funcionar e a agradar, como no ano passado!

Um grupo que nunca tinha viajado junto, em que algumas pessoas nem se conheciam pessoalmente, um grupo de pessoas com motos de estilos muito diferentes, com experiencia de condução muito variada, pessoas de diversos pontos do país! Comportaram-se e agiram como velhos amigos e colegas de estrada, sem nunca haver qualquer atrito, sempre juntos, sempre animados, sempre coesos!

Com um grupo assim eu voltarei a viajar a cada ano!

Desta vez viajo pelo meu moçoilo que queria tanto ir comigo e não pode! Seria a primeira viagem que faria comigo, mas a sua vida profissional não lho permite! Por ele irei, e fotografarei tudo o que puder, para lhe contar e mostrar!

A minha motita já fez a revisão, trocou a decoração e está linda e pronta para partir! Já que não troco de moto ao menos que ela troque de visual, para parecer sempre nova, sempre diferente!

Partimos dentro de uma semana!

Beijucas

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29 de Março de 2012

Está na hora de partir!
Até logo!

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Até Lisboa!

30 de Março de 2012

Depois de tanto viajar sozinha, no ano passado, depois de ter sido levantada a primeira hipótese de regresso a Marrocos, perguntei ao meu moçoilo: “No ano que vem fazemos 10 anos que estamos juntos, está na hora de fazermos algo de novo! Vamos viajar juntos! Onde queres ir, à Suíça ou a Marrocos?” e para minha surpresa ele respondeu Marrocos!

A partir daquele momento tudo se começou a compor, o Carlos e a Paula tinham manifestado interesse em voltar, o Leonardo e a Mila também e eu também queria definitivamente ir! Pois se o moçoilo iria finalmente viajar comigo, eu ía até ao fim do mundo com ele!

Foi o primeiro sinal de que a Pascoa de 2012 estaria destinada! Nada de passeio “peninsuleiro” Marrocos é que iria ser!

As coisas foram-se compondo, o destino foi-se tornando real, o moçoilo foi mantendo o interesse a coisa iria para a frente, até que uma mudança inesperada de emprego… impediria o meu rapaz de viajar connosco! Bolas, que raio de azar, logo a primeira vez que ele iria comigo, não pode! Bem, que “raio” de sorte, num momento em que toda a gente berra porque não encontra emprego, ele encontra um e para ficar!

Não se pode ter tudo, por isso tomei a decisão óbvia: “Vou eu e trago todas as fotos que conseguir tirar!”
E assim foi!

Levei a minha Magnífica a fazer um Spa – oferecido pela Mototur, mudei-lhe a maquilhagem, abonequei-a toda, pois velhinha, velhinha mas com direito a tratamento vip! E fui esperando o dia!

O trabalho acumula-se e aperta no final de cada período letivo, mas a verdade é que acabando as últimas reuniões há sempre um ou dois dias livres. Desceria o pais no dia antes, para pernoitar em Lisboa e estar à hora combinada na estação de serviço da ponte Vasco da Gama com o povo! E fi-lo na sexta-feira de manhã! Eu não aguentaria esperar pelo fim da tarde para correr por aí abaixo quando tinha o dia todo livre!

Por isso fui encontrar-me com o Elísio ao Furadouro para irmos os dois em passo de passeio por aí abaixo!

É verdade que a minha motita já tinha saudades da dele! A verdade também é que aquele “grande maluco” é uma ótima companhia de viagem, sempre bem disposto e sempre pronto a beber mais uma cervejinha “pois em Marrocos não haverá!”

É claro que a paragem seguinte tinha de ser para comer e beber! Comemos umas lulinhas grelhadas em S. Jacinto que souberam como ginjas!

O homem ainda consegue ser mais “melga” do que eu a fotografar! É que eu fotografo mais paisagens, mas ele, passa a vida a disparar para a gente!

É sempre curioso começar uma viagem na mais amena cavaqueira com um tipo que tem sempre o que dizer, a toda a hora todo o tempo! É giro! Eheheh

Depois das lulinhas deliciosas, regadas com vinhinho verde branco… bem, estávamos em S. Jacinto, há ali um Ferry, o melhor era mesmo começar o treino de travessia para Marrocos e atravessar para o outro lado por água!

E eu que stresso sempre que tenho de meter a Magnífica num ferry, ultimamente não tenho feito outra coisa! Curioso que eu não tenho qualquer medo de andar de barco, mas meter a minha querida num… stressa-me!
Pelo seu lado ela dá-se muito bem, e nunca se atirou para o chão numa travessia!

Aquele ferry é como um autocarro que leva naturalmente pessoas e carros de um lado para o outro!

Com a vantagem de nos proporcionar momentos giros, como numa grande viagem!

Do outro lado demos uma voltinha até ao farol da praia da barra, que dizia o Elísio, é o mais alto de Portugal! Mas, na realidade é também o mais alto da Península Ibérica!

Claro que as nossas motitas tinham de ir fazendo parte da nossa passeata e ainda bem que as fomos fotografando antes de elas se cobrirem de imundice por caminhos de outras terras!

Assim puderam fazer boa figura nas fotos! Como os meus novíssimos autocolantes giiiiros!

E fomos continuando, enquanto fizesse sol, por caminhos de costa! Neste caso a Costa Nova e as suas casinhas às risquinhas, tão características!

Tenho de admitir que estava apaixonada pelo novo look da minha Magnífica! (ainda estou!)

Chegamos ao fim da ria de Aveiro, com direito a fotos e fitas!

Depois Mira, em obras, pode ser que sejam para melhorar algo!

E seguimos para a mata! A serra da Boa Viagem! Ao tempo que eu não me passeava por ali! Desde a Varadero, lá para 2000 ou 2001!

Do outro lado fica a Figueira da Foz! Uma paisagem deslumbrante desde o Abriga de Montanha, lá no topo!

Há por ali uns trilhos interessantes que eu gostava de refazer, mas não com a minha motita… uma pequena trail era o que eu precisava… se bem que a Varadero já la andou e não era pequena!

E cá está o perfil da minha Magnífica!

E o perfil da motita do Elísio também, uma moto que eu não me importava de ter!

Na descida da serra a Figueira esperava-nos, pena faltar-lhe um pouco de sol e céu azul…

Depois veio Alcobaça! A última paragem antes de seguirmos para o Correia Ambassador Imperial Hotel. A Riad do Tonica onde iriamos pernoitar, que ele e a Ângela têm lá um quartinho para mim e outro para o Elísio!

Naquela noite o povo juntou-se para jantar antes de viajar, com gente boa e amiga, alguns dos que tinham participado na expedição do ano passado, outros amigos, outros parentes, outros esfomeados como eu!

Como eu gosto de tudo esperei para comer o que viesse e saiu-me um arroz de coelho divinal!

Um prato a repetir, nem que eu tenha de lá ir de propósito! Claro que tanto o arroz, como o coelho grelhado que se serviu por ali, foi comido ao som do típico “comer agora que em Marrocos não há!”

A amiga Iza ofereceu aos presentes e viajantes uns docinhos lindos e cheios de significado, produção pessoal dela! Lindos! Obrigada Iza!

E a pandilha presente posou para a foto da noite, comigo atras da camara!

Alguém se lembrou que eu nunca apareço nas fotos e fotografou-me com a minha própria máquina a “dar água sem caneco” que é o que eu gosto de fazer! Eheheh

E foi o fim do dia. Dali seguimos para a Riad do Correia, pois no dia seguinte começava a nossa epopeia!

Fim do 1º dia!

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de Lisboa a Tanger

31 de Março de 2012

Como sempre, para a festa não há perna manca e, bem cedinho, a gente já estava na rua para partir ao encontro do resto do grupo!

A Riad do Correia tem serviço completo e, quando chegamos cá fora, já tínhamos as motitas todas na rua à nossa espera! Grande Correia, só faltava estarem as 3 já a cantar para partir!

Quando chegamos à estação de serviço da ponte Vasco da Gama também não tardou nada em juntar-se todo o grupo!

Um grupo variado e simpático, por ordem na foto:

Carlos & Paula em GSA

Luis e Júlia em TDM

Rui Faria em Pan-European

Elísio em FJR

Alfredo & Mila em Pan-European

Tonica & Ângela em Pan-European

João em GSA

E a minha Magnífica Pan-European
lá ao fundo sozinha, pois eu estava atras da maquina fotográfica!

12 pessoas – 8 motos

Agora de lá para cá a ver se não falta ninguém!

E começava oficialmente a nossa expedição, para uns a primeira, para outros o Regresso!

Só voltamos a parar na fronteira, porque a gasolina cá já não estava para brincadeiras e não havia necessidade de andar a parar antes de chegar a zona de poupança!

Depois era absolutamente necessário atestar o estomago, que eu quando estou com fome fico ainda com pior feitio! La me fui enchendo de jamon ibérico em Rosal de la Frontera, para seguir caminho muito mais bem-disposta!

Foi então que vestimos os fatos de chuva, pois havia um montão de nuvens cinzentas no horizonte. Nós não sabíamos, mas depois de os vestirmos aquela peimeira vez, pouco tempo passamos sem eles durante toda a viagem!

Só voltamos a parar para almoçar, em Puerto de Santa Maria.

Ao tempo que eu não ía ali!

Fomos encher-nos de marisco, calamares e choco ao quilo no Romerijo! Que coisa boa a sensação de “comer agora que em Marrocos não há disto!” eheheh

A única coisa que me desagrada no restaurante é a sensação de fast food à inglesa, de me darem a comida num pacote de papel para eu comer! Mas estava ótimo!

Cá fora o Elísio criou para nós a frase improvável do

“Ai se eu fosse mais velho!”

ao cativar duas senhoras bem catitas, mas com idade para serem suas mães!

Tomamos um cafezinho por ali numa esplanada à chuva e matei um pouco de saudades da cidadezinha!

As nossas motitas ali escondidas no jardim, pois o parque não é para motos, fez questão de dizer o guarda!

E toca a seguir viagem que o nosso destino era um bom bocado mais abaixo! Lá tivemos umas nesgas de sol para animar um pouco, mas foi mesmo só um pouco, nada de ganhar maus hábitos!

Os nossos guias Carlos & Paula não queiram fazer vias rápidas e acabamos por atravessar pueblos bem interessantes que já escrevinhei na minha agenda para um dia que passe por ali não esqueça de visitar, como Vejer de la Frontera!

Com ruínhas de sobe-e-desce extraordinárias para as nossas motitas! Olh’ós vizinhos de trás!

Espanha é um país adorável, cheio de contrastes e beleza! Não consigo deixar de me fascinar com as suas paisagens cada vez que a atravesso!

A chuva voltou logo abaixo, mas mesmo assim fomos dar uma vista de olhos do mirador del cabrito em Tarifa sobre o estreito!

E vimos Africa do outro lado!

Marrocos à vista!

Aproveitamos para beber um copito de ginga deliciosa que o Carlos e a Paula gentilmente ofereceram, para nos preparar o ânimo para a seca infinita de atravessar o mar e passar na alfândega marroquina!

Havia muito quem parasse para ver a paisagem e havia também observadores permanentes e atentos!

E descemos a tarifa para o embarque!

O embarque foi rápido, sem grandes burocracias e sempre a andar!

Já o escolher o sítio certo para cada moto foi uma tarefa morosa e difícil!

Ponha aqui, vire para ali, volte para cá… não dá! Vá para ali…

Houve quem nem se desse ao trabalho de desmontar! Basta agarrar-me aqui ao poste e quando se decidirem vou lá direto! 😉

Finalmente lá se arranjou espaço para todas, umas ali, outras acolá e estas aqui!

pudemos constatar que no lugar de um carro couberam 5 motos bem gordinhas!

Bem amarradinhas ao chão, não fosse dar-lhes uma vontade incontrolável de se passearem pelo porão cheio de carros!

E lá partimos, com direito a uma viagem de pé na fila para entregar os papéis e verificar os passaportes!

O Ferry é simpático, embora eu ainda não o tenha explorado todo, pois ou bem que entrego papeis ou bem que me passeio por ali!

Estava tudo no mesmo sítio quando voltamos ao porão!

E bem-vindos a Marrocos onde a primeira experiencia é sempre de teste à sua paciência!

A princípio a gente até pensou que esperaríamos ali um bocado e seguiríamos, nem desmontamos logo nem nada!

Mas estávamos enganados! Anoitecemos ali no meio da “parada” a dizer baboseiras e a comer tangerinas, até tudo ser processado não sei onde, nem por quem, nem para quê e nos mandarem seguir simpaticamente, como se apenas ali tivéssemos estado uns dez minutos!

BEM-VINDOS A MARROCOS!

Depois de tudo aquilo só apetecia ir direto ao hotel e ir COMER!

A maior parte do grupo foi comer umas sandocas e saladas de não sei quê acompanhadas com não sei que mais! Eu, o Elísio e o Rui fomos a um bar, onde se podia ver um Heineken luminoso à porta!!

“vamos beber cerveja porque mais à frente não haverá!” eheheh

O hotel era simpático mas, como muitos hotéis em Marrocos, há sempre um cuidado especial com a entrada, receção e bar cá em baixo mas os quartos são bem mais espartanos!

Elísio & Rui limitada à porta do hotel!

Fim do 2º dia!

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de Tanger a Marrakech

1 de Abril de 2012

Era dia dos enganos mas não foi por engano que acordamos em Tanger!

Uma das boas regras de viagem é comer tudo aquilo a que se tem direito ao pequeno almoço, pois a gente não sabe nunca a que horas vai voltar a comer! Claro que há sempre a hipótese de fazer umas sandocas com o que houver para levar para morder em qualquer paragem!

Eu por sistema não faço sandocas, por uma razão: só tenho fome quando as não faço nem levo comigo! Quando me dedico a faze-las é para andarem aos trambolhões no fundo da mala até ao dia seguinte, o que é um desperdício de comida!

Todo o hotel que se prese, em Marrocos, tem o seu cantinho exótico, é só uma questão de procura-lo! Não importa o estilo da receção, nem dos quartos, o oásis marroquino, cheio de requintes decorativos, almofadas e tapetes existe sempre! Se não existir ao público existirá, seguramente, em privado, para os grandes senhores de lá, não disponível ao reles turista!

E este hotel não era exceção! Foi só dar uma voltinha e voilá, estava a entrar no mundo árabe!

Curiosa a forma como normalmente estes recantos contrastam com o resto do hotel!

Ora vejamos isto com luz:

Depois o resto é banal, mas aqueles recantos são sempre de procurar e explorar!

Ora vamos lá atestar as barriguinhas das motos que Marrocos está a chamar por nós!

Ali até dá gosto encher o depósito! Ao tempo que eu não o fazia por menos de 30 €!!!!
Com a gasolina a 1.05 €, os 29 litros da minha Magnífica nem custam a sustentar!

Tanger moderna de passagem a caminho de outros destinos….

E um bocado de autoestrada, que o destino é longe para caramba e a gente quer chegar lá de dia!

Quanta alegria!

Ainda aquela gente não sabia que aquilo era sol de pouca dura, nem quanta chuva nos esperava!

Do outro lado, depois de sair da autoestrada, começava a variedade de paisagens, climas e horizontes!

“Marrocos é um país de encantos, beleza e contrastes impressionantes e imprevisíveis! Perdemo-nos pelos seus montes e penhascos, encontramo-nos nas suas praias e costa, voltamos a descobrir o infinito nas suas planícies verdejantes, pontilhados de vermelho…
Tudo muda a cada curva do caminho, tudo espanta e surpreende!”

As fotos que eu tiraria por ali se tivesse mais tempo…

A contrastar com a serenidade da paisagem… um monte de motos e de gente animada!

Ok, aquilo era uma espécie de lição de árabe em que os meninos tinham de aprender a ler “STOP”…

E não é que todos conseguiram ler?! Lindos meninos!

Enquanto os senhores responsáveis decidiam a rota a tomar!

As localidades, populações ou aldeias (não sei como designar um lugarejo minúsculo!!) têm sempre uma estrada ao meio, tipo travessia triunfal, por vezes em mau estado, cheia de terra e com bordas enlameadas!

Os animais passeiam-se frequentemente na berma das estradas, mesmo das autoestradas, e por vezes atravessam-se no caminho de quem passa!

O almoço faz-se na berma das estradas dos lugares, onde tudo o que podemos comer está à vista!

Tajines de qualquer coisa, frango, borrego, vaca, almondegas ou legumes (aquelas nem sei de que eram)

Pronto, uma tajine é isto: batatas, legumes e uma das carnes que enumerei acima (porco NUNCA!)

Pode-se também comer carne assada na brasa! E podemos escolhe-la ali mesmo ao lado!

O assador é da superfície comercial, por isso está tudo pertinho!

O pão delicioso está mesmo mo meio do espaço e é só servir!

Só temos de escolher o que queremos

Comemos um misto de vaca e borrego D E L I C I O S O!

Vê-se pelas caras risonhas que tinham todos sido conquistados pelo estômago!

Depois foi levantar a âncora e continuar, pois o caminho ainda ia longo!

Quando se fala que o burro está em extinção eu não entendo qual? É que por lá há:
Burros, asnos, jericos e mulas por todos os lados!

Embora fazendo um percurso de “toca a andar” vêm-se coisas curiosas a toda a hora! Há que ter técnica para fotografar em andamento!

E pronto, chegou a chuvada mestra! Até a lente da máquina se encheu de agua, valha-me Deus ( ou Ala?)

E ela caia com tanta força que nos fomos enfiar de filinha no túnel de lavagem de automóveis de uma estação de serviço que providencialmente apareceu no nosso caminho!!

Oh a minha querida máquina encheu-se de lagrimas!

Desculpem lá! Lavar o carro com esta chuva, nem pense, vá dar uma volta que a chuva lava, agora é a nossa vez de ficar aqui dentro!

E lá continuamos o caminho todos embrulhados em impermeáveis, como rebuçados em celofane!

Havia sinais de festa por todas as terrinhas em que passávamos! Bandeiras de Marrocos e imagens do rei! Havia também tendas destas por muitos sítios!

Disseram-me que fora o presidente que passara ali! Ainda perguntei se tinha sido o rei, pois a cara dele estava por todos os lados! mas não, foi o presidente mesmo! Ainda vou estudar a coisa para entender como eles têm rei e presidente ao mesmo tempo!!!!

Há zonas em que as populações são todas parecidas ao chegar! Com os seus motociclos de 3 rodas que tudo transportam, em ruas por vezes bem ruins!

O povo estava a apreciar o caminho, a considerar pelos rostos bem-dispostos!

Lá se iam vislumbrando umas nesgas de sol de vez em quando!

As ruas começavam a ser originais, apenas uma pequena nesga de alcatrão ao centro! Quando alguém passava pela gente tinha de por parte do rodado na terra ou a gente iria borda fora!

Mas aquela gente é simpática e saia da faixa para a gente não ter de o fazer!

E encontrei algo curioso: uma ponte de terra batida esburacada! Fenomenal, heim?

Os bichinhos na berma da estrada já estavam a stressar um pouco!

E lá continuamos o nosso caminho apreciando o que a paisagem de melhor nos apresentava!

Quando chove e depois o céu se abre, imagens fantástica nos surgem, com a atmosfera límpida e os raios de sol a fazer a natureza brilhar!

E a natureza apresenta-se esplendida! Heim?

logo a seguir, um pouco mais de chuva

E chegamos ao nosso destino!

Depois de uma trapalhada para chegar a consenso sobre onde e como deixar as motos no largo do lugarejo, a polícia dizia para deixar as motos arrumadas num canto e se deixássemos guardião lhe pagar!
Mas se a polícia estava ali para quê pagar ao guardião?

Deixamos, pagamos e fomos mas é ver o que ali nos levara!

“Les Cascades d’Ouzoud – a água cai de forma impressionante fazendo vários ressaltos até ao desfiladeiro, numa altura de mais de 100 metros! É na primavera que elas estão mais fantásticas e, por aqueles dias de chuvas intermináveis, tinham reservado para nós um espetáculo de beleza e água abundante. De repente uma nuvem se erguia até nós, cá em cima, vinda das águas batidas lá no fundo. Um recanto belíssimo no Alto Atlas, mesmo ali a nordeste de Marrakech”

Então fomos dar a volta para vermos aquele espetáculo natural de outro angulo!

Para o outro lado vê-se o seguimento do curso de água, que passa debaixo da montanha onde estávamos.

E as montanhas em frente

E as cataratas em toda a sua grandiosidade vistas de frente!

Percebe-se melhor a sua dimensão quando comparamos com as construções no cimo do monte lá ao fundo!

O percurso para o miradouro está repleto de lojinhas de tudo!

E pronto, era hora de seguir para Marrakech, que ficava a cerca de 150 km e anoiteceria em breve!

Infelizmente as coisas correriam menos bem no percurso de subida depois das cataratas e um cão atravessou-se no caminho do Leonardo, sem que ele se conseguisse desviar a tempo…

Ainda fomos jantar à Medina, à praça de Jemaa el-Fna… mas eu não tirei mais nenhuma foto naquela noite…

Fim do 3º dia de viagem!

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A Medina de Marrakech!

2 de Abril de 2012

No dia seguinte soubemos, logo ao pequeno-almoço, que o Leonardo não estava nada bem! Tinha levado a moto até ao hotel no dia anterior, tinha dormido bem durante a noite, até se mexer e sentir a dor no ombro!

Trazia o braço ao peito e percebia-se facilmente que não poderia continuar a viagem connosco! Uma pena!

Fiquei agradada com sua tranquilidade, do Leonardo e da Mila, dada a situação desagradável em que se encontraram de repente, mas a verdade é que a forma como se encara uma situação pode tornar menos penosa a sua resolução! Eles iriam acionar a Assistência em Viagem, o Carlos e a Paula ficaram com eles para os apoiarem naquele momento, enquanto o restante grupo partia para explorar a Medina de Marakech.

Estávamos instalados no mesmo hotel do ano passado, lá de cima podia ver a piscina que não tinha visto no ano anterior!

E lá fomos para a Medina!

Fomos recebidos com a maior azafama logo no exterior, com uma série de pessoas a passar em todas as direções!

Mas o carrinho do pão é que me encheu as medidas!

Atenção que aquele pão é uma delícia! Quero lá saber porque sítios ele anda, comi-o sempre em abundancia!

Eu gosto muito da Medina de Marrakech! É giríssimo atravessá-la, cheia de movimento, de gente de todo os tipo e com todo o tipo de produtos em venda!

O que me fascina naquela Medina é a diferença de ambientes que de repente se vive!

Depois, no meio de tudo o que se vende, há uns espaços “à parte”!

Logo ao lado volta-se ao real, com burricos e tudo!

Encontram-se mulheres vestidas de todas as formas, até as cobertas até aos dentes!

Ao lado de outras vestidas de ganga e iguaizinhas às nossas de cá!

Chagamos à mesquita, a Koutoubia! A grande mesquita e maior edifício da cidade!

Achei muita piada os pombos enfiados em todas as reentrâncias da parede da Mesquita!

Os pormenores decorativos do edifício são curiosos! Aliás, os pormenores decorativos fascinam-me naquele país, onde as casa podem estar todas velhas, todas podres ou meio inacabadas, às vezes até sem pintar, mas têm sempre uns requintes decorativos aqui ou ali que até destoam por vezes!

Essa constatação levavam-me a comparar essa realidade com um mulher feia, velha, suja e mal vestida, mas que põe rímel nos olhos!!!

As portas decoradas e recortadas… espera aí, tem gente na frente!

Deixa ver de perto quem é! Grande par, Tonica e Ângela, tão queridos!

Andamos ali a inspecionar a Mesquita em todos os ângulos, já que visita-la estava fora de questão.

E cá estamos nós, o grupo desfalcado de 4 elementos!

Em volta da Mesquita não falta espaço, a contrastar com o aperto da Medina!

A praça Jemaa El Fna fica logo ali ao lado e fomos até lá! É a praça onde tudo acontece e tudo se pode encontrar!

Motos, motinhas e biclas é coisa que não falta por ali

A questão que eu punha era parecida com a que pus em Amesterdão: se seu pousasse ali a minha mobilete como a iria reconhecer no meio de tantas?!

E chegamos à praça!

Àquela hora da manhã o movimento ainda não é caótico, mas já se encontram uma série de coisas interessantes!

O Elísio não resistiu a ver se era possível alguém enforcar-se com uma cobra!

Os bichinhos eram simpáticos, giros e inofensivos!

E o homem não fazia ideia de com que se metia a negociar o preço da “voltinha na cobra”!

É que o Elísio regateia para caramba, para depois dar uma gorjeta maior do que o preço que paga!

O Luis andava simplesmente fascinado com o sumo de laranja natural lá da terra! Voltou a falar dele por diversas vezes ao longo da viagem! E tinha razão, pois era divinal!

A Ângela foi brincar de vendedora e que bem que ela ficava ali no meio!

Eu passaria uns dias ali em Marrakech! Gosto daquilo, desde o ano passado!

Com todas as tralhas que ali se vendem

Os cheiros, sabores e cores!

E os pormenores cheios de requintes decorativos, como as portas que tanto me fascinam!

Ao lado do caos, a ordem na apresentação dos que se tem para vender!

Os pormenores do que se oferece.

E o caos de novo!

Aquela Medina é um mundo de emoções fortes!

Estava a ver que a emoção mais forte do dia seria quando me vendessem por objetos de latão, já que ali não havia camelos, quando o Elísio teimou em convencer o moço de que eu era não sei quê a não sei quem e tinha uma moto não que mais!

Tudo se vende por ali!

Nunca resisto a espreitar nos pátios e de vez em quando encontro um giro, nem sempre cheio de sucata!

E estava na hora de voltar ao hotel.

Não sem por o olho a tudo com que me cruzo!

Quando chegamos ao hotel a moto do Leonardo esperava à porta que a viessem buscar… era o fim de viagem para ela e seus ocupantes!

E nós prepararmo-nos também para partir, sem nem nos despedirmos deles pois estavam no hospital por aquela hora.

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Aït-Ben-Haddou, a cidade dos filmes!

E a viagem continuou!
Foi só pegar nas motitas e regressar à estrada!

Atravessar a trapalhada de trânsito de Marrakech

E seguir por estradas e caminhos cheios de coisas curiosas para ver, a caminho de Ouarzazate.

Em qualquer curva do caminho a paisagem é deslumbrante!

Embora as nuvens negras não nos largassem nem um momento!

E pimba, um pouco mais de chuva!

Acabamos por perceber que os modestos 21 graus que tínhamos tido em Marrakech eram o pouco e ultimo calor que teríamos por muito tempo, já que começávamos a subir o Atlas e para cima é cada vez mais frio! Já para não falar da chuva que, tocada a vento, se estava a tornar uma chatice! A melhor maneira de superar aborrecimentos é parando para comer, pois então!

Parecíamos adolescentes a brindar com sumo de laranja!

Comemos umas tajines deliciosas!

A Ângela estava com tanto frio que se foi aconchegando com a minha extraordinária camisola térmica da Bering (deixa-me fazer publicidade a ver se ganho alguma coisa!)

A bem dizer estava toda a gente com frio, mas não havia mais camisola para emprestar! Eheheh

E continuamos a nossa subida! No ano passado quando passamos ali no sentido contrário, foi muito mais fácil fotografar! Este ano até estava difícil de ver, quanto mais fotografar!

Vislumbramos um pouco de neve no topo dos montes mais altos, mas a chuva não a parecia deixar fixar-se muito tempo!

As paisagens são imperdíveis por ali e eu só tinha pena que a chuva não me permitisse fotografar mais à vontade!

Podiam-se ver pequenos recantos aninhados no sopé dos montes lindos!

Havia momentos em que quase parava para fotografar, outros em que tinha de parar mesmo!

Até que toda a gente parou também! Foi quando estiveram a negociar pedras e pedrinhas, daquelas pretas por fora e super-coloridas por dentro!

Outros acabaram por encontrar o wc mais bonito das suas vidas!

Outros aproveitaram para brincar um pouco para a foto!

Outros brincavam mesmo tirando fotos!

As negociações duraram um bom bocado!

Foi uma animação e acabamos por ir todos embora cheios de pedrinhas, mas não pedrados!

E as paisagens sucediam-se deslumbrantes!

Com casinhas periclitantes na berma da estrada!

Paragem para abastecer, que o Tonica já levava a motita alimentada a vapores!

E fomos descobrir um recando do paraíso que no ano passado apenas vimos ao longe ao passar!

Os pequenos pormenores da paisagem até lá já são lindos!

Mas o destino era mesmo Aït-Ben-Haddou, uma cidade fortificada no Alto Atlas, muitíssimo antiga e onde foram rodados diversos filmes.

Eu tinha de ver aquilo tudo com calma!

O grupo estava cansado e apenas 3 viajantes me acompanharam na visita à cidade, mas comprometi-me a fotografar tudo para mostrar!

A cidadezinha cresceu do outro lado do rio Ounila, que é afluente do rio Ouarzazate, de onde se pode ver a aldeia na colina em frente.

As lojinhas são rusticas no caminho do rio

E lá estava Aït-Ben-Haddou, a cidade fortificada, onde foram filmados diversos filmes conhecidos, entre eles: Lawrence da Arábia, A Múmia, Gladiador, Alexandre e Príncipe da Pérsia.

A travessia do rio é feita por caminhos muito curiosos!

Sacos de areia fazem o “caminho das pedras” que não seriam tão seguras e imoveis naquele lugar!

Visto da ponte/caminho o rio tem o seu encanto exótico!

Olhando para trás…

O rio é largo, e novo caminho de sacos de areia leva-nos ao outro lado

A cidade fortificada (ksar) na realidade é composta por castelinhos a que chamam kasbahs feitos de terra, isto é de barro cru!

Estas casinhas, que chegam a ter mais de 10 metros de altura, são feitas de barro, misturado com água e palha moída, secos ao sol em moldes de madeira!

Algumas torres mostram bem a erosão do tempo e da chuva sobre o barro

Mas se pensarmos que estamos numa cidade fundada no seculo VIII temos de admitir que o material é bem mais resistente do que pode parecer à primeira vista!!

Fiquei deslumbrada em todo o meu percurso pelas ruelas ingremes da aldeiazinha…

Até os gatos parecem condizer com o tom das paredes e do chão!

Acho que o João, o Elísio e a Ângela também estavam a gostar da visita!

Lá de cima a paisagem era deslumbrante! Podia-se ver as duas partes da cidade atravessadas pelo rio e o oásis verde a perder de vista…

Há uma ponte lá em baixo, que liga a cidade nova à aldeia antiga, mas o caminho da areia é muito mais giro!

Pertinho de mim eu estudava como eram construídas as casas e os muros! Além de palha usam também as camas para dispersar a agua nas bermas dos muros!

E os pormenores decorativos que dão todo o encanto às torres ligeiramente inclinadas.

O que me estava a custar ir embora dali!

Então levantou uma ventania e eu não fiquei mais para trás! O pó daria cabo da máquina fotográfica se eu não tivesse cuidado!

E lá seguimos o nosso caminho, agora sim para Ouarzazate!

Voltamos a ficar no hotel Marmar, o mesmo do ano passado, e ainda se lembravam de nós! Tal como no ano passado pedimos uma ajuda para encontrar um restaurante para jantarmos e desta vez jantamos bem e num sítio giro! Tivemos direito a boleia de carro em 2 grupos e tudo!

No restaurante tivemos também direito a ambiente simpático e tratamento vip!

E direito a chapeuzinho e tudo!

A música ao vivo também não faltou!

Mas a verdade é que a vida do homenzinho era muito mais interessante que a sua cantoria!

A comidinha era do melhor! Tanto as tajines

como os couscous!

O regresso foi feito caminhando e apreciando a cidade à noite!

E foi o fim do 4º dia de viagem!

+++++++

3 de Abril de 2012

– Ouarzazate –

O dia amanheceu meio cinzento e fresquinho. As nossas motitas tinham pernoitado na esplanada coberta e fechada do hotel Marmar, uma delicadeza que a gente aprecia sempre!

É sempre mais fácil arrumar as tralhas na moto quando ela está arrumadinha e abrigadinha!

Aqueles pequenos-almoços com o delicioso sumo de laranja, são imperdíveis!

E não resisti a fazer a mesma brincadeira do ano passado e fotografar a pequena cidade formada pelos porta-chaves dos quartos! Muito giros!

Então fomos até ao centro antigo de Ouarzazate, que eu queria muito visitar desde o ano passado.

(Ouarzazate é chamada a porta do Deserto e fica entre as montanhas e os oasis do vale do Dadès e do vale do Draa.)

A muralha da Medina é visível da rua, como uma fortaleza!

E na frente da rua, a Kasbah de Taourirt…

A Kasbah de Taourirt é uma das mais belas construções arquitetónicas da cidade. É incontornável, impossível de ignorar, porque se impõe como uma fortaleza!

Esta construção bérbere impressiona pela sua massa enorme cheia de detalhes decorativos e pitorescos. Ela é semelhante a um grande castelo de areia do deserto!

Este ano eu não poderia deixar de a visitar… acho até que tirei esta foto igualzinha à do ano passado! Visitamo-la com um guia todo catita, meio ator de cinema (segundo ele dizia) e que contou uma série de pormenores sobre a história do local e sobre Marrocos e sua história e costumes. Foi giro!

A Kasbah de Taourirt servia de palácio ao Pacha de Marrakech, Thami el Glaoui, que se insurgiu contra o rei Mohammed V quando Marrocos era um protetorado francês.

Os pormenores das torres são lindíssimos !
Dizem que os materiais e técnicas de construção usados naqueles « castelinhos de terra » é ecológica, está a ser estudada e planeia-se o seu uso noutros pontos do planeta, pois não deixa resíduos por isso não destrói o ambiente em seu redor ! Espantoso heim ?

E o guia dispunha-se a contar-nos histórias por horas a fio, e a gente até as ouviria se não tivesse metade do grupo à porta à nossa espera !

Então o Pacha tinha 4 mulheres e uma infinidades de filhos, por isso o palácio tinha de ser grande e organizado. Ter muitas mulheres era sinal de grandeza económica, pois ele tinha de as sustentar, a elas, aos filhos e a todos os empregados necessários para manter toda a vida da Kasbah em ordem! E ainda há quem se queixe de ter de aturar uma mulher ou um marido !

As janelas são em baixo porque as mulheres passavam a vida sentadas e aninhadas no chão e assim poderiam ver facilmente para fora !

E por elas viam o resto do palácio e a Medina ao fundo, também de casas de barro!

Taourirt é o nome da aldeia onde foi construída a la Kasbah. Esta aldeia foi fundada no sec XII e a Medina chegou até nós habitada e pode ser visitada!

Até o ninho da cegonha é bizarro!

Ora veja-se de perto! Parece que tem vários andares não?

Os pormenores da Kasbah são lindíssimos vistos de perto! Tão simples e tão imponentes!

Os interiores foram restaurados e ainda se podem ver tetos trabalhados em madeira de cedro.

E desculpem-me, mas fiquei encantada com alguns recantos e pormenores!

Acho que aquela gente andava sempre aninhada, pois todas as portas são pequenas e baixas!

A forma como se sustenta um primeiro andar numa casa de barro também me aguçava a curiosidade!

Tanto Ouarzazate e a sua Kasbah de Taourirt, como a Kasbah deAït Benhaddou, são Património da Humanidade reconhecido pela Unesco e ambas fazem parte da Cidade do Cinema e foram cenário de diversos filmes!

E fomos visitar a Medina medieval!

Curioso o pormenor das “caleiras”, tubos que afastam a água das paredes das casa, para que estas não se dissolvam com o cair continuo da agua! E mesmo assim as paredes são fortificadas em todo o possível percurso das águas que possam cair conta elas! Muito giro!

Na praça central preparam-se para lavar um grande tapete! As casas não têm condições para estas lavagens!

Ali ao lado, a farmácia de produtos naturais. Dizia o guia que, com o preço elevado dos medicamentos, os povos continuavam a recorrer a medicina tradicional!

Ali vende-se de tudo: chás, poções, pós, pigmentos, pedras, sabões e eu sei lá que mais!

Andamos por ali literalmente a cheirar uma série de frascos!

Acho que o Luis cheirou algo que não devia e transformou-se num deles!!

Curiosos os pormenores da vida na Medida, homens mais novos cuidam dos homens mais velhos! Ali faziam a barba a um velhote!

Naquela terra ninguém pode engordar muito, ou não passará em algumas portas e ruelas!

Estava na hora de ir embora pois o dia não acabaria ali!

**** ****

– Até ao Deserto! –

Passar por ali ao lado de tais construções é uma sensação de verdadeiro exotismo!

o palácio parece não ter fim, ali na berma da estrada, a imagem de Ouarzazate!

E lá saímos da cidade rumo ao deserto!

O que me chocou no país foi a facilidade com que aquela gente vive e convive com o lixo! A dada altura a gente pressente a chegada a uma cidade pelo muito lixo que vai encontrando nas bermas da estrada!

A paisagem ia mudando em pormenores decorativos pelas encostas das colinas!

E de repente parece que cheguei à América!

Uma espécie de Grand Canyon marroquino!

De repente eu queria parar em todas as esquinas e tirar um milhão de fotos a cada paragem!

O que vale é que os outros também quiseram parar, senão eu só tiraria fotos de corrida!

Aquilo lá em baixo é fascinante! Grandioso!

A gente arrancava e eu voltava a parar, uma vez e outra!

Porque a cada curva do caminho os penhascos mostravam-se de ângulos mais extraordinários!

E sai uma panorâmica meio enrolada da minha máquina!

E a paisagem vai sempre mudando, com montanha diferente a cada quilómetro e as casinhas no meio de nada!

Parece que encontramos diversos países num mesmo país!

A chuva voltava em força e a gente ancorou na lama da praça central de Agdz, uma terra no meio de nada mas que tinha um sapateiro que socorreu o Rui, mais a sua bota “des-solada”

A minha motita nunca se tinha visto ancorada na lama… mal ela sabia o que a esperava a partir dali!

E cá está o Rui com o pé direito enfiado no sapato provisório enquanto a botita ía dar uma voltinha reparadora

Vendo bem de perto até ficava curioso o conjunto improvável do novo par de calçado!

Fomos ficando por ali a fazer tempo e morder qualquer coisa enquanto a bota não vinha!

O restaurante onde paramos até tinha bom aspeto visto de longe!

Não sei como é que aquela gente ainda conseguia tomar mais e mais chá de menta!

Ali mesmo ao lado estava instalada a cabine telefónica mais estreitinha que eu vira na minha vida! Quem é que caberá ali dentro?

E mais isto e mais aquilo, e pimba, mais chá de menta!

E finalmente a bota regressou ao seu dono, pela mão do seu salvador!

O patrão do rapaz é que fez o preço, não foi caro e foi eficiente! Pois aquela bota ainda fez muita lama, agua e terra depois de ter sido colada e pregada ali! Afinal Marrocos não é o fim do mundo! Fazem-se coisas uteis e em cima da hora, bem feitas! Não é verdade Rui?

Bem com o Rui já muito bem calçado lá seguimos, tínhamos muito maus caminhos para percorrer ainda!

Mas o ar de cada um era de alegria! Quem se queixa de passear à chuva? Desde que seja passear é sempre melhor que trabalhar!

A cada dia passávamos frequentemente por grupos de adolescentes que voltavam das escolas!

Ao longe há sempre pormenores surpreendentes na paisagem, por vezes só parando se pode captar o que se vê! O Rui e o Elísio é que estavam sempre a “levar comigo” que ficava para trás e eles faziam questão de ser os últimos e por minha causa ficavam lá para trás!

Voltamos a atravessar um pouco de Grand Canyon

E como aquelas paisagens me fascinam!

E chegávamos a Almif (acho eu) onde almoçaríamos uma farta refeição de 25 gramas de “steak” em 3 minúsculos pedacinhos, acompanhados de 14 palitos de batata frita, vá lá nem mais um, não fosse alguém sentir-se mal com o estomago demasiado cheio!

Foi aqui o grande banquete! O que prova que o tascoso fumarento de berma de estrada continua a ser a melhor opção para se comer, mesmo que a carne tenha moscas!

Ao menos dei o “gosto ao dedo” e fiz por lá algumas fotos do local com piada!

Nunca me dei muito bem a comer numa mesa mais baixa do que o banco em que me sento!

A vantagem de a comida ser menos que pouca é que, embora se perca muito tempo à espera, demora-se menos que nada a comer e a seguir viagem!

E lá fomos passando por mais um e outro oásis

Putos vindos de lado nenhum esperavam que os cumprimentessemos nas bordas da estrada que já ía estando cheia de areia

E de repente… o deserto!

“Avistar as dunas do Saara a partir da estrada, vê-las lá ao fundo, depois do deserto de cascalho negro, em cambiantes de laranjas rosados… foi como avistar um paraíso superior! Como se o deserto fosse uma entidade viva, um ser avassalador que me atraía a si… percorrer todo o cascalho irregular, em ondulações por vezes violentas, foi o menor preço a pagar para chegar com a minha moto Magnífica até ele…”

Teríamos de fazer 8 km pelo cascalho negro até às dunas, onde as motos ficariam no hotel.

Um dia eu prometi à minha motita que nunca mais faria terra batida ou fora de estrada com ela! Ela não nasceu para isso e fica sempre nervosa, um dia atirou-se para o chão e tudo!
Mas ali era a exceção!

Esperamos pelo Jeep que viria buscar as penduras e indicar-nos o caminho. Há que aproveitar o tempo de espera!

Na direção oposta o sol preparava-se para se pôr

O Carlos tinha ido fazer o reconhecimento do caminho e procurar o Jeep desaparecido! Um grande guia!

E lá fomos até à grande duna, a ponta da grande manta que é o Saara! Quando lá chegamos levantava-se uma ventania que fazia o ar encher-se de areia. Coisa ruim para uma máquina fotográfica, mas linda para uma fotografia!

Os Ferraris que nos levariam às tendas já nos esperavam!

Não perdemos muito tempo, o percurso era longo e ajudaria a digerir o resto do almoço minúsculo que tivéramos… santo Deus, se a comida no deserto fosse também uma miséria eu iria morrer de fome! ?

O hotel ia ficando para trás e a hora e meia de caminho começava apenas, a passo de caracol… ok, a passo de camelo!

O grupo mantinha toda a animação de sempre, em 2 grupos de 5 camelos lá se iam trocando piadas de um grupo para o outro!

Os vestígios do sol desapareciam de uma forma muito bonita mas, lá de cima do camelo, é difícil conseguir-se a quietude suficiente para o fotografar sem tremer!

E ficou noite!

Quando chegamos às tendas a comidinha esperava-nos!

Oh quanta alegria! É que depois de almoçar pouquinho, andar de moto e depois de camelo, dá cá uma fome!

E serviram-nos 2 tajines gigantes de frango, deliciosas!

E lá estávamos todos muito contentes a encher-nos de comida!

Lá fora os Tuaregues entoavam canções e tocavam bombos à luz de candeeiros engalanados em caveiras de camelo

E fui para o “meu” quarto dormir!

Os outros ficaram ainda em volta da fogueira, juntamente com outros hóspedes das tendas

Fim do 5º dia de viagem…

**** ****

– Uma chuvada no deserto! –

4 de Abril de 2012

Perguntavam qual a sensação de dormir numa tenda no meio do deserto, acordar rodeada de camelos…

É uma sensação esquisita, acorda-se varias vezes durante a noite, pois o colchão é duro, porque não tenho lençóis, porque durmo vestida!

O vento entra por uma frincha na parede, tenho vontade de ir ao wc mas nem quero pensar nisso pois não distinguira a dita tenda de todas as outras! Não é particularmente confortável, mas também não é o fim do mundo!

Não tive frio, o que foi ótimo, já que aquilo de noite arrefece!

Então, depois de toda a chuva que já tínhamos apanhado, já tínhamos decidido que a culpa de tanta chuva afinal era do Tonica, pois para todo o sítio que ele vai, leva-a com ele. Descobrimos ao acordar que chovera no deserto!

Oh Tonica, a continuar assim quando nos formos embora deixaremos o deserto verde!
Era caso para chamar ao fenómeno: “Uma chuvada no deserto!”

Os nossos Ferraris continuavam estacionados onde os deixáramos na noite anterior!

Ora bem, ali mesmo atras do oásis na areia, estava um duma gigante. A ideia era subirmos por ela para vermos o nascer do sol, que seria à 6.30h segundo o Tuaregue.

Por isso toca a trepar!

O facto de ter chovido durante a noite, tornou a areia mais fácil de subir! Lembro-me que no ano passado tive muita dificuldade em subir uma duna bem menor, e desta vez não custou tanto! Os pés não se enterravam tanto e a gente lá foi subindo.

Mesmo assim por os pés nas pegadas dos outros tornava a subida mais fácil!

Lá de cima as tendas pareciam ilhas no meio do mar ondulado de areia.

O nosso mais novo aninhou ali e puxou da chucha!

E brincava com o i-phone!

Pronto, é claro que não subimos até ao topo da duna! Puxa, ela era grande demais para subir mais para cima!

O Tonica voltou por momentos à infância e deitou a gatinhar por ali acima, mais a sua garrafa de areia!

E no meio da animação… eis que o sol nasceu!

E de repente a cor da areia, provocada pelo sol, iludia a minha máquina fotográfica que a apresentava em tons completamente inesperados!

Um espetáculo digno de apreciar, era lindo olhar em volta e ver o efeito que o sol tinha sobre a areia.

E o sol estava ali, a animar todo o ambiente, provocando efeitos extraordinários de sombra e luz

Voltamos à tenda para o pequeno-almoço. Tudo parecia diferente debaixo daquela luz!

O nosso Tuaregue de serviço era um tipo simpático de turbante amarelo.

A fome era negra, que isto de trepar dunas logo pela manhã é desgastante!

Continuo a não achar muita graça a comer sentada no chão! Ou de joelhos!
Continuo a preferir mesa e cadeiras à antiga portuguesa!

Então voltamos aos nossos Ferraris para tratarmos de volta até às nossas motitas!

Os camelos, que eram dromedários, tinham sido baralhados e tornados a dar! Por isso calhou-me um muito simpático, mas com a sela meio de lado.

E pronto, estávamos todos montados e preparados para mais uma hora e meia de travessia das dunas!

O nosso oásis ficava para trás…

Desculpem mas estes foram uns deliciosos momentos de sol que não pude desperdiçar, por isso fiz algumas fotos lindas que tenho de vos mostrar!

Os contrastes da cor quente da areia com o azul do céu, fascinou-me, enquanto tive sol!

A beleza exótica do deserto é indescritível, por isso só me restava fotografa-la!

Estávamos a escassos 10 quilómetros da Argélia!

O guiador do meu dromedário era solido e bem fixo ao bicho! Um bicho dócil e simpático, como nem um cavalo seria!

Seguíamos em dos grupos como na noite anterior

tanto tempo em cima de um camelo sem ter nada que fazer deu para tirar muitas fotos

O Luís e a Júlia encontraram-se na cauda dos 2 grupos, quando estes circulavam a par! Encontro de camelo para camelo!

E lá fomos chegando ao Auberge du Sud, onde eu quero passar uma noite, um dia que volte a Marrocos!

Encontrei ali enquadramentos muito bonitos!

É uma sensação curiosa ter o deserto como paisagem!

O hotel é uma delícia de decorações exóticas e ambientes misteriosos!

Apetece ficar ali uns dias!

Nos pátios existem vários apartamentos num ambiente acolhedor, de uma construção voltada para dentro, para se proteger das areias do deserto!

Curioso o pormenor dos tapetes em cima da areia para as pessoas passarem.

em cima de um mote de areia, uma mesa e quatro cadeiras!

Depois fui registar o momento em que a minha Magnífica se passeou em cima da areia do Saara!

E la estava todo o bando preparado para mais 8 quilómetros de cascalho negro!

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Um caminho que parecia não ter fim!

Depois fomos até Merzouga, apenas ver como era, mas pelo que se via ao entrar, aquilo tinha umas infinitas ruas, tipo trilho de terra e cascalho!

E o deserto era ali mesmo ao lado!

E seguimos o nosso caminho para Midelt!

Fomos abastecer e ali mesmo demos as roupas que o Leonardo e a Mila tinham levado para dar à crianças. Logo ali eles vestiram varias t-shirt e vieram mostrar-nos como ficavam!

Ali mesmo também pudemos apreciar o aspeto da segurança no trabalho que se pratica por lá!

Com a chuva que se afastara um pouco, as nuvens abriam e deixavam ver um lindo e intenso céu azul!

**** ****

– Até Midelt –

De repente o Luis voltou a transformar-se! Aquele rapaz não perde uma oportunidade de se transformar em marroquino!

A tenda Tuaregue está com no ano passado!
Até se dormia uma soneca ali!

Depois de ter dormido numa no deserto bem mais pequena, qualquer tenda me parecia boa para dormir uma soneca!

Mesmo ali ao lado fica o grande oaris

E a seguir havia um lindo céu azul, cheio de nuvens lindíssimas, como tufos de algodão pendurados no céu!

Aqueles céus eram tão inspiradores que os fotografei vezes sem conta!

Mais uma vez uma infinidade de adolescentes parecia sair das aulas em magotes de bicicletas!

Os táxis são o máximo! Dá que pensar se aquelas latas se aguentarão por muito tempo em circulação! Como dizia o Elísio, deve haver por lá fábricas de fazer coisas velhas!

Mais estrada a caminho de Fes.

E passamos de montanhas tipo Grand Canion

Para montanhas tipo Alpes ou Pirenéus!

E pimba, mais um diluvio em cima da gente! Nem apetecia mais tirar fotografias, apenas esperar que o temporal acalmasse e seguir para onde iriamos dormir, na esperança que fosse um cantinho quente e simpático!

Chegamos a Midelt depois de muita chuva e frio, parecia mesmo que tínhamos andado pelos Pirenéus com direito a nevoa baixa, chuva sempre que possível e, se estivéssemos nos Pirenéus mesmo, diria que neve, nas terras mais altas!

Chegamos à Riad, e esta estava cheia de aquecedores! Que coisa boa!

A casa era giríssima, cheia de elementos decorativos e muito acolhedora!

A sala de jantar:

A sala de estar:

O meu quarto:

O quarto da Paula que tinha uma cama que era mais larga do que comprida!

O quarto dos rapazes: Elísio, Rui e João!

Estava-se mesmo bem ali, com o ambiente aquecido, nem pensar em sair para jantar!

Jantamos ali mesmo pois então!

Com direito a vinho e tudo! Vinho marroquino, afinal eles produzem vinho e cerveja, embora a maior parte da população não beba bebidas alcoólicas!

Realmente o ambiente inspirava para momentos românticos e por isso sai uma ou duas fotos com o nosso casalinho mais crescido!

Até o teto trabalhado era muito bonito!

Então veio a comidinha! A apresentação com que as coisas são servidas até as torna mais apetitosas! As entradas:

As tajines deliciosas, se bem que o Elísio se tinha posto a entreter a cozinheira e ele tinha deixado torrar um pouco o “tacho”!

A tagine de frango com limão e azeitonas:

E a tajine de Kefta, (almondegas e ovos)

E frutinha! Tudo muito bonito, apetecia mesmo fotografar!

Foi a coisa melhor que nos podia ter acontecido, ficar ali calmamente a comer e a conviver, sem ter de voltar a sair. Lá fora estava mau tempo e bastante frio e só no dia seguinte voltaria a haver coragem para enfrentar um temporal… ou não!!

Fim do 6º dia de viagem!

**** ****

– E caiu neve no Atlas! –

5 de Abril de 2012

O dia acordou solarengo! Oh que felicidade, depois de tanta molha!
A Magnífica acordou aninhada! Oh que raio de azar!

Já no dia anterior se tinha comentado que ela tinha o pneu de trás baixo, mas como se encheu e ficou bem, pensei que fosse apenas uma questão de descuido na preparação para a viagem!
Mas não, naquele dia ela voltou a aninhar!

Nem quis saber, fui tomar o pequeno-almoço e depois teria que resolver a coisa…

A Riad era mesmo confortável e o ambiente agradável, já que lá fora estava sol, mas um frio de rachar!

Voltei a dar uma volta pela casa para registar os recantos para memória futura!

Curioso o pormenor decorativo que me fez lembrar um presépio! Era, na realidade, uma tendinha berbere com os nómadas lá dentro e tudo!

O nosso garçon privado posou com o Tonica e a Ângela para a fotografia!

E finalmente lá fomos comer, que isto de viajar faz uma fome dos diabos!

O Luis ainda suspirava pelo sumo de Marrakech, nenhum outro se lhe comparava!

E então lá fomos ver o que a minha motita queria! Eu já estava a planear continuar a viagem à pendura de alguém se tivesse de mandar a moto pela assistência em viagem para qualquer lado!

Logo desta vez que eu não levei o spray para furos é que ela aninhou! Mas há sempre alguém que tenha o que é preciso! Grande Rui

Mas ela não aceitou a spray, pouco ou nenhum entrou!
Acho é que ela queria festinhas de menino e lá foi o Tonica fazer-lhe a vontade!

Mas nada a convencia e, quando voltou a pôr o pezinho no chão, estava mesmo em baixo!

Então acabaram-se os mimos, toca a andar e rolar assim mesmo até ao centro da localidade para ver se se resolvia a coisa, nada de mimos!

Enquanto esperava pelos outros na rua, olhei para o lado e, lá ao fundo, por trás da Riad, o monte estava todo nevado! Que coisa mais linda!

Vá lá menina, tem paciência, põe-te boa que eu quero ver aquilo melhor!

Fomos ao senhor dos pneus, ele deu-lhe banho ao sapato, mas não se via borbulhar! Não se vendo furo, como se pode remendar?

Bem se não há furo, tanto melhor! Toca a encher e a seguir viagem para ver aquele imenso monte nevado!

Na realidade a gente andava por ali pois ía à procura das Gorges d’Aouli, que o nosso garçon da Riad tinha dito que eram ali perto, e que valiam a pena, e que tinham até à beira uma aldeia fantasma, pois em tempos existira ali uma mina de chumbo explorada por franceses e tal, mas que se tinham ido embora e aquilo estava abandonado!

Tudo bem, a gente lá foi, mas eu ia mesmo preocupada com o meu pneu de trás, é que não sabendo por onde o ar se escapara, podia voltar a faze-lo e com aquele piso maravilha, cheio de pedaços de rua todos lixados pelas correntes de agua que passaram ali e deixaram tudo esburacado e cheio de pedregulhos…

Mas a minha Magnífica nunca se negou! Grande moto!

E acho que valeu bem o percurso, pois exploramos mais um pedaço improvável daquele país!

E claro, com receio do pneu ou sem ele, eu não deixei de tirar as minhas fotos! 😉

E a minha motita não fez má figura junto das GS, heim?

Nem a minha, nem nenhuma, entenda-se!

A aldeia, não a vimos! Mas também como se poderia ver um fantasma? Eu nunca vi nenhum! E também não foi naquele dia que vi! eheheh

Por isso voltamos para trás, curioso que no regresso a estrada nunca parece em tão mau estado e o percurso nunca parece tão longo!

E até o receio do pneu se foi! Pois se se aguentou na ida, também não seria na vinda que não se aguentaria! E até me esqueci dele!

Valeu a pena ir até ali para ver o contraste espantoso entre o penhasco e o céu espantosamente azul!

Quando os burros ficam velhos e não podem mais trabalhar eles abandonam-nos no pasto (se se pode chamar assim) e eles continuam a sua vida calmamente por ali sem se terem de esforçar mais. Deve ser por isso que a gente encontra tantos à solta por todo o lado que passamos!

E de repente o Atlas nevado estava ali mesmo à nossa frente de novo! Midelt fica na junção entre o Médio e o Alto Atlas e ali estava ele deslumbrante!

Ui, as fotos que eu lhe tirei, e as que teria tirado, se não tivesse toda a gente à minha espera! Eheheh

Como não podia estar tanto frio na noite anterior! Nevou ali em cima, tão pertinho!

Então parou tudo para tirar fotografias àquele espetáculo e às motos!

E não apetecia ir embora! Apetecia-me aproximar e ver a montanha mais de perto!

Mas lá seguimos viagem, que Marrocos não é feito só de montanhas nevadas!

Mas que elas são deslumbrantes, são!

Atravessamos Midelt mas, aparte a montanha cheia de neve e a Riad giríssima, não havia mais nada para ver ali!

Claro que, muitos quilómetros depois, ainda se podia ver por entre as nuvens o espetáculo grandioso que se confundia com elas!

E quando a neve se vai há sempre coisinhas giras para fotografar na berma da estrada! Oh que fofo!

E a paisagem voltava a mudar completamente!

**** ****

– Encontro de amigos a caminho de Fes –

Paramos para abastecer, nem sei bem onde! Algures a caminho de Ifrane, isso tenho a certeza! Não sei se as motos vinham assim tão sedentas, mas a verdade é que a gasosa não chegou para a motita do Elísio, a sua Nº2! Já dizia a minha avó que cada qual tem a sorte que merece !eheheh

Então, de repente, vinda não se sabe bem de onde, surge gente conhecida! Como é possível que, num país quase quatro vezes maior que o nosso, sem combinar nada e a fazer percursos opostos, as pessoas se encontrem?

A princípio ainda pensamos que era mais um desgraçado que iria ficar sem gasolina, mas depois constatamos que era o Legasea e a sua senhora (o Leonel e a Paula do M&D).

A gente até podia ter estado com eles em qualquer lado, mas encontra-los em Marrocos foi a coisa mais gira que podia acontecer! Como uma ligação ao que tínhamos deixado em Portugal!

Gente boa é sempre giro encontrar, seja em que ponto do planeta for! Fizemos uma festa!

E como festa que se prese tem de ter comes e bebes, fomos abancar numa tasca de beira de estrada e comer todos juntos!

Estava frio e as meninas foram aquecer as mãos no assador… ups… oh Elísio, motard que é motard não tem frio! Eheheh

Era giro ver o nosso grupo de motos receber tão bem uma moto amiga no seu meio!

Almoçamos um franguinho assado que eu gostei! Eu sei que as pessoas normais preferem frango de churrasco, mas eu prefiro-o assado nas máquinas! Por isso para mim estava bom e as batatas fritas também, pois não eram aquela bosta das batatas pré-fritas que eu detesto!

O nosso amigo Legasea apresentou-nos uma garrafinha de água divinal, que nos desinfetou a canalização, desde a boca até ao fundo do estomago! Reminiscências de Portugal! E depois foi a despedida, com muitos beijos e abraços e desejos de boa viagem para uns e para outros…

E seguimos, com a promessa de encontrar neve mais à frente pois tinha nevado na noite anterior também em Ifrane!

E lá a fomos encontrar, não era muita mas tinha-se aguentado todo o dia, por isso estava frio e por isso não nevara assim tão pouco!

Aparecia ali, ao lado da estrada, mesmo com o sol aberto, e aguentava-se!

Tal como a montanha a neve sempre me fascina! Tenho sempre vontade de a fotografar, de caminhar até ela…

Por isso lá voltei a parar aqui, e ali, e acolá…

Até chegarmos a Ifrane, a cidade alpina de Marrocos!

Uma cidade fundada por franceses e que se mantem com aquele ar limpinho e arrumadinho de coisa europeia, que até destoa de muito do que vimos em outras cidades marroquinas!

Não é por acaso que tem o cognome de “Pequena Suíça”, é que fica a 1700m de altitude, tem neve para caramba todo o inverno e é uma estância de ski!

E seguimos para Fes, com o Luis meio stressado pois a sua motita começara a queixar-se de falta de pressão no pneu de trás! Bolas, pelos vistos era coisa do diabo, todo o pneu queria furar de repente?

E era furado mesmo! Como era tarde para ir visitar a Medida era o momento certo para ir arranjar o furo da TDM, pois então.

Ao lado da oficina (tipo buteco) de arranjar pneus puseram-se todos a tomar copos de leite com café, como meninos bonitos! Eheheh

A verdade é que é curioso, como dizia o João, olhar para dentro dos cafés e ver imensos homens com os seus copos de leite ou café com leite à frente!

Em frente ficava uma fonte que mais parecia uma sucata! Que coisa impressionante de feia, velha e estragada! Era uma fonte de terracota toda partida!

Passeamos um pouco por ali, uma grande cidade cheia de coisa de pequena aldeia marroquina! Com lojinhas de tudo e gente que vende à porta o mesmo que se vende lá dentro sem que ninguém se importe!

E também quem venda dentro da loja o que se produz cá fora! Como as diversas casas de ovos que têm as galinhas poedeiras à porta! Ovos mais frescos não há!

E o nosso hotel! Como quase todos os que conheci até hoje em Marrocos, a entrada e receção não são representativas do que é o resto da casa, mas é sempre bonito catar o que tem de bonito!

Assim como a sala de jantar não ilustra os pitéus que lá se servem! (a considerar pelo parco pequeno almoço servido no dia seguinte)

Mas os requintes decorativos estão lá e é muito giro explora-los!

Naquela noite voltamos a jantar frango assado na máquina, voltamos a conversar até às tantas, a ouvir as máximas do Elísio, as grandes aprendizagens do João, as piadas do Rui e as interrupções do Luis e as risadas de toda a gente…

Fim do 7º dia de viagem!

**** ****

– A Medina de Fes –

6 de Abril de 2012

As nossas motitas dormiram em cima do passeio em frente ao hotel, com um guadião a tomar conta delas. Escusado será dizer que de dia haveria outro guardião a pedir mais uns dirhams por as guardar durante o dia! Naquele país a gente paga por tudo e para tudo!

Até para estacionar em cima do passeio nos pedem dinheiro!

As motos ficariam ali estacionadas durante a manhã, enquanto iriamos de carro até à Medina.

Passamos pelo Palácio Real, passamos sempre pois eles têm muito orgulho nele e, quando apanhamos um meio de transporte para ir a qualquer lado ali, levam-nos sempre às portas do palácio! Ainda o hei-de visitar por dentro!

Aquelas portas se fossem cá, já tinham sido roubadas pelo bronze!

E lá fomos visitar a Medina mais antiga do pais!
Não entramos pela porta grande, acho mesmo que entramos pela porta do cavalo!

As ruelas são estreitas e os transportes são feitos com burros, os maiores, ou asnos, os mais pequenitos. Sim por ali também circulam algumas mobiletes e pequenas scooters, mas nada como em Marrakech!

A Medina de Fes foi fundada no sec IX, o que faz uma quantidade de seculos! Há uma série de estatísticas sobre ela, sobre quantas ruas, quantas mesquitas e por aí fora…

A mim bastou-me o que vi! Descobri que lá há livros sobre o país em Português, coisa quase impossível de encontrar em Espanha, por exemplo, e a mais é o nosso país irmão!

Descobri que ali também se come caracóis, pelo menos há quem os arranje no meio da praça publica na Medina!

Pelo aspeto ranhoso que tinham acho que não seria capaz de os comer por muito bem cozinhados que fossem…

As portas decoradas e recortadas têm frequentemente um pau que une os dois lado, pouco acima do meio, o que quer dizer que se alguém vier a correr distraído, dará ali uma cambalhota monumental, pois vai-lhe bater com a testa!

A Medina de Fes não teve em mim o efeito que teve a de Marrakech… eu sei que muita coisa estava fechada por ser sexta-feira e porque tudo abre meio tarde naquele país, mas mesmo assim…
Havia ali uma desolação que não senti na outra, um abandono quase antipático…

Entrando por uma portinha insignificante, pelo meio de lojas de peles e subindo sempre…

O cheio forte recebia-nos e facilmente percebemos onde estávamos a chegar. Lá em cima, do terraço da loja, pudemos ver a Tannerie

“Nas Tanneries de Fes curte-se o couro de forma tradicional utilizando urina de gado e fezes de pomba. Ali se vive envolto num cheiro nauseabundo, trabalha-se com as mãos e pés nus, nos líquidos e tintos, e produzem-se os mais belos couros que se possa imaginar. Curiosamente estudos revelam que aqueles homens vivem uma vida saudável Estivemos lá apenas há 3 dias e o tempo de chuva que se vinha sentindo deve ter sido nosso amigo e o cheiro nem era muito forte! Imagino como seria se estivesse sol e calor!”

Acho que tivemos sorte por ter chovido naqueles dias, senão o cheiro teria sido bem mais nauseabundo, se estivesse sol, se estivesse calor…

Por outro lado não tivemos tanta sorte com a cor das curtições que estavam a fazer, só havia duas ou três cores!

Quem inventou de chamar curtir a dar um beijos ou apreciar musica, não faz ideia do cheiro que tem a curtição!

Estávamos lá pelo meio da Medina e podia-se ver por cima dos muros o “mundo lá fora” e imaginar o que seria viver perto daquele cheiro! Eu sei que numa Medina eles distinguem a zona habitacional da zona comercial, mas o cheiro não será capaz de o fazer!

Descemos dali pelo interior da loja, que é o único acesso. Tudo bem que o cheiro não era muito forte, mas era horrível na mesma!

Os gatos são habitantes bem-vindos na Medina, impedem que ela fique infestada de ratos!

No entanto os cães não são muito numerosos, porque devem afastar os gatos, digo eu! São animais impuros, em casa onde há cão não se pode rezar!

Há ruelas tão estreitas por ali que as mais fininhas chegam a ter apenas 50 cm! Coitado de quem é gordo!

Aquilo é mesmo labiríntico, mas continuo a achar que o nosso guia não nos mostrou o melhor!

As portas sempre me encantam, velhas mas decoradas e recortadas!

Depois da zona dos curtumes seguíamos pela Medina meio desértica

com recantos curiosos

Fes tem uma belíssima coleção de palácios catalogados com interesse histórico

Seguramente não fomos visitar os mais bonitos e os que vimos da porta mas não podíamos visitar é que eu queria ver!

A confusão de uma Medina pode por uma pessoa louca, mas o silêncio e o vazio também é triste!


Então encontramos uma tinturaria artesanal como eu nunca vira na vida! Fiquei impressionada com o que se pode fazer num espaço tão exíguo!

Os alunos estavam mesmo interessados, talvez inspirados pelo Rui, um especialista na matéria!

Mais à frente, no meio da imundice, uma fonte no chão!

O ar de espanto do João a olhar para a água e a comentar como era possível no meio daquilo tudo a agua ser tão transparente! Presumo que eles terão nascentes de água límpida, digo eu!

Um velhinho e o seu burro proporcionaram-me uma das fotografias mais interessantes desta visita!

Aquela era a zona dos tintos e dos tingimentos.

Então chegamos a um espaço arejado, depois de tanto aperto nas ruínhas e ruelas da Medina. De repente o espaço aberto parecia uma grande praça!

E é nesta praça que fica a universidade mais antiga do mundo árabe, a universidade Kairaouine.

A escadaria azul da Biblioteca Kairaouine, que apenas os muçulmanos podem subir! Uma chatice, o que eu queria mesmo era ir ver!

Depois vieram os tapetes. Graças a Deus lojas a gente pode visitar todas…

Mas esta loja eu gostei de visitar!

Ali havia uma infinidade de belíssimos tapetes de lã que custam uma fortuna. “Os tapetes marroquinos são uma arte ancestral que vem desde o seculo XIII e desde sempre até hoje, continuam a ser carregados de significado para qualquer nível de sociedade.”

São frequentemente oferecidos como dote ou grande prenda e usados em tudo e em todo o lado!

E do topo da loja pudemos ver a Medina!

Vimos a mesquita Kairaouine aos nossos pés!

E o mar de antenas parabólicas bem democraticamente distribuídas em todos os telhados!

**** ****

– Ainda a Medina de Fes! –

Depois dos tapetes voltamos ao mundo real da Medina, para irmos ver (queria eu) a mesquita Kairaouine (ou Quaraouiyine), porque apenas os muçulmanos lá podem entrar, e as mulheres por porta diferente da dos homens!

A Mesquita deve o seu nome à cidade de Kairouan, na Tunisia, devido aos muitos emigrantes dessas paragens na zona, na época da sua fundação.

A mesquita ocupa uma grande área da Medina, pudemos passar por varias das suas 14 portas,

A Mosquee Quaraouiyine, receberia naquele dia 20,000 homens e 2,000 mulheres, pois era dia de festa. Eu queria ver aquilo por dentro e um senhor ofereceu-se para me fazer 2 ou 3 fotografias do pátio interior! Programei a minha máquina e dei-lha para a mão e valeu a pena! Aquilo é lindo!

O senhor andou tão contente a tirar fotos para mim e ainda nos tirou uma foto a todos!

Depois iriamos visitar os tecelões, a Medina está organizada por áreas de trabalho e ali eram a sedas!

Ui as portas, que giras! 😀

E lá encontramos numa loja de lenços, tecidos e adereços em seda, os teares.

E o tecelão sorridente!

Mais à frente eram os latões

As ruelas são estreitas mas ainda dá para passar de motinha!

E depois a farmácia

Cheia de certificados e recortes de revista emoldurados.

Havia muita tralha para cuidar dos cabelos, do rosto, da pele… elas tapam-se, tapam-se mas é cá fora, porque dentro de casa fazem uso àquelas tretas todas!

O óleo d’Argan está por todo o lado, fabricado a partir da noz da árvore de Argan que apenas existe em Marrocos, por isso chamam ao óleo o ouro de Marrocos.

Os meus amigos estavam muito concentrados nas explicações e exemplificações do “farmacêutico” de serviço!

Mais à frente encontramos o “motor” da caldeira para os banhos de Hamman.

Hamman na realidade quer dizer mesmo “banho” e em Marrocos são banhos relaxantes e purificantes, da pele e dos músculos. Uma variedade do banho turco.

Ali no fundo ficava a caldeira de um desses banhos, (há muitos na Medina). O homem está ali, continuamente a acrescentar serrim de madeira de cedro, para avivar a chama e aquecer a água. De cima vai recebendo pancadas na parede ou no chão, em linguagem que lembra o código morse, e que lhe vai dizendo se é para aquecer mais ou deixar arrefecer um pouco.

O homem é substituído de 3 em 3 horas… antes que morra de calor e sufocado pelo pó do serrim, digo eu!

Os salões de cabeleireiro são inspiradores

E mais portas

E caminhos estreitinhos

Recantos e escadinhas

Para chegar ao fabrico das peças em estanho e cobre

Esta foi das poucas lojas que visitamos que não vendia coisas velhas, cheias de pó e com aspeto de terem sido achadas no lixo!

Bem, mas ali a gente pode ver que não se fabricavam coisas velhas, como em muitos recantos do país! Ali se podia ver como todas aquelas coisas são fabricadas, melhor, manufaturadas!

Aquilo é desenhado martelada a martelada sobre o metal, com goivas finas e delicadas!

Fascinei-me com o candeeiro no teto, eu e a Paula, ficamos encantadas por todos os candeeiros!

E voltamos à Medina pois então, onde os táxis são burros e cavalos.

Onde há lojas de grande e pequena tecnologia

E chegamos ao Mausolee Moulay Idriss, no centro da Medina de Fes não pode ser visitado por nós… uma pena não poder passar da porta! É o Túmulo de Moulay Idriss II que fundou a cidade de Fes no sec IX pela segunda vez! Quase cinco séculos depois da sua morte foi encontrado ali um corpo intacto que se julga ser dele! Ele é o santo padroeiro da cidade e acredita-se que dá sorte ir ao seu Mausoléu dá sorte aos estrageiros, por isso é normal encontra-los a por a mão em determinados pontos da cerca da construção que, por estes dias anda em restauro profundo! Eu queria era vê-lo por dentro…

**** ****

– Uma luta sensual na lama com a minha Magnífica! –

Estava na hora de sair da Medina e voltar para as motos para seguir viagem! Ainda fui pondo o olho aqui e ali, ao passar numa das portas da Mesquita. Era uma das portas das mulheres!

Mais à frente uma escolinha de uma sala apenas, com um grupo de miúdos, aparentemente minúsculos demais, cantarolava uma cantilena tipo tabuada de antigamente! Cantavam a lição!

As mesquitas e as suas torres, são tantas naquela Medina!

A Medina das 15 mil ruas, das 150 mesquitas, das 500 mil pessoas…

Voltamos a sair por uma porta invisível, havia gente “estacionada” por todo o lado.

Pregamos nas motos e seguimos para a tarde mais louca desta viagem!

A Medina está por todo o lado, demos-lhe a volta por fora, por boa parte dos seus muitos quilómetros.

Fes ficou para trás, lá em baixo, como uma manta sem fim!

Olhando atentamente podia-se ver a Mesquita e os milhares de telhados numa manta espetacular!

E saímos da cidade e partimos para a nossa aventura!

As paisagens são verdes por ali acima, com pormenores espantosos.

As estradas e as curvas eram extraordinárias!

As casinhas por aquelas paragens são lindas. As paredes são brancas e os telhados de colmo coberto com argila, provavelmente para os tornar mais resistentes aos ventos e intempéries!

A paisagem continuava a mudar e a apresentar-se cheia de beleza!

Estava finalmente sol, a paisagem era linda, que mais faltaria num dia perfeito para viajar?

Então encontramos a primeira ponte que vi na minha vida, de terra batida e com buracos e poças de água!!

Chegamos a Karia Ba Mohamed, uma terrinha simpática onde pararíamos para recuperar energias!

Ora lá estava a carninha ao penduro, mesmo à mão de escolhermos o que comer!

Este assador não é um assador qualquer, como parece à primeira vista! Há ali um interruptor que faz com que se ligue a ventilação! Primitivo, primitivo, mas não necessita de abanico!

Custou um bocado convencer o homem que a costela mindinha da vitela se pode comer assada na brasa! Ficou meio incrédulo e, meio contragosto, lá a cortou e assou e a gente comeu de boa vontade! Só é pena eles passarem tanto a carne, se bem que ali é aconselhável que o façam, por uma questão de desinfeção!

Pelas carinhas larocas dá para entender que estava tudo contente!

E lá pegamos de novo nas motitas para seguirmos para aquela que seria uma luta sensual na lama mais as nossas montadas! E digo sensual porque tudo foi feito com muito carinho e cuidado!

Tudo começou pelos preliminares, de paisagens lindas e suaves, inspiradoras!

Estradas lindas ladeadas pelas belas paisagens!

Recantos surpreendentes de paraíso!

E então começou o caminho das manobras carinhosas, cuidadosas e deslizantes!

Cada pedaço de alcatrão ou terra batida lisa, era uma pequena versão de autoestrada espetacular!

Junto dos percursos de condução delicada e criativa!

Ainda não sei como consegui tirar a mão do volante e fazer algumas fotos!

A paisagem era muito interessante e, a cada vez que a gente parava, valia a pena olhar em volta!

Nesta altura já batizara a minha motita como Pan-Marrokian ST-A (A de adventure!)

Aqui já quase toda a gente tinha experimentado o banho de lama, a minha Magnífica teve o cuidado de se reclinar ligeiramente sem deixar que eu me sujasse! Muito delicada nesta luta na lama, por isso uma luta sensual!

O Elísio conseguiu sair ileso! Dançou, estrebuchou, mas não caiu! Grande e fiel amigo da sua Nº 2, já batizada e FJR-A (A de adventure também!) pois era uma das que se estragaria tristemente se tivesse ido ao chão. Grande Elísio!

Vimos carros e furgões deslizarem de lado em toda aquela lama! Porque não podíamos nós deslizar também?

Eu estava preocupada com o pneu da minha motita, mas a lama não parecia deixar que ele perdesse ar! E lá fomos seguindo!

O que vale é que eramos muitos e ajudávamo-nos uns aos outros… quanto mais não fosse com apoio moral!

E não conseguia evitar de por o olho à paisagem envolvente!

Enquanto a estrada melhorava consideravelmente até parecer uma estrada de luxo perto do que já se vira!

Oh pr’a eles a curtir a estrada todos contentes!

Então, quando a gente pensava que tinha chegado ao paraíso… a brincadeira recomeçou!

Aquela lama era tão fininha e escorregadia que as motos tendiam a andar de lado, mesmo quando a gente ficava parada! É no mínimo estranho sentir uma moto de 300 quilos deslizar de lado!

O João foi o herói da tarde! Aquele que apoiou cada luta de lama, cada par amoroso de moto/condutor! Grande João, se não fosses tu, acho que ainda andava por lá à espera que aquela lama secasse e se convertesse em terra!

Encontrei uma foto no meio das fotos do Luis de um dos momentos em que o João me apoiava na travessia do lodo “Ai que eu não consigo” era a única coisa que eu conseguia dizer ao sentir a Magnífica a rabear e a querer estender-se na lama “Não me abandones!” dizia eu para o João, pois tinha a certeza que e ele me deixasse naquele momento eu não seguraria mais a moto! Eheheh
Que episódio!

Então o Correia, que se tinha revelado um grande acrobata de duas rodas, com uma condução irrepreensível, escolheu a melhor poça de lama e, por sinal a ultima, para se estender mais a sua querida Ângela!

Não havia condições, os pés escorregavam, as motos deslizavam, fazíamos todos SS artísticos por ali e lá vinha o João segurar cada moto, como quem segura a traseira da bicicleta para ensinar as crianças a andar de bicla!

Grande João! Quando voltar a entusiasmar-me com uma luta sensual na lama com a minha Magnífica não me posso esquecer de te convidar, por via das dúvidas!

Neste momento os nativos da localidade a que chegávamos vieram em nosso socorro e aconselharam-nos a seguir outro caminho… pois seguir em frente não era bom caminho!

Sábio conselho e vindo na hora certa! A partir dali o caminho era lindo e muito bom, em comparação!

Oh que paraíso! O cascão de lama nos meus pés até começou a secar e a querer caír!

Até já apetecia e dava para brincar!

Paramos finalmente para avaliar a situação e limpar as unhas!

Quem diz limpar as unhas diz lavar a moto do Tonica e o Tonica!

Um dos senhores da estação de serviço sacou da escova e do balde com detergente e toca a esfregar o lodo da metade mais criativa do Tonica, aquela que fizera o banho de beleza na argila!

Carros para lavar? Esperam na fila que isto agora está ocupado!

Eu acho que toda a gente tinha vontade de fazer companhia ao Correia, mas faltou a coragem de arriscar a testar fatos de chuva!

E chegamos ao nosso refúgio daquela noite, onde fomos recebidos com conforto e simpatia!

As minhas botas estavam lindas e eu não tinha outras para calçar!

Havia bolinhos e chá de menta para todos… menos para mim, que não gosto nem de uma coisa, nem de outra!

Foram-nos servidas tajines deliciosas e quentinhas, que isto de andar a rolar e a rebolar na lama faz uma fome danada!

O que eu gosto daquela comidinha! Acho que vou ter saudades!

E nem faltou o vinhinho de Portugal, que alguém deixará lá no restaurante e que o senhor muito gentilmente nos ofereceu!

Ui, e pude tirar a duvida e concluir que tajine acompanhada de um bom vinhinho é mesmo a delicia perfeita!

Depois foi o fim de mais um dia, com direito a lavagem de botas no lavatório e a uma noite muito bem dormida, depois de um longo dia!

E foi o fim do 8º dia de viagem

**** ****

– Passeando por Chefchaouen… a Medina azul! –

7 de Abril de 2012

Depois de uma noite bem dormida toda a gente acordou bem disposta e com um sorriso aberto!

Para mim era um dos dias altos da viagem, aquele em que eu voltaria à Medina de Chefchaouen, que tanto me fascinara do ano passado!

Aquele hotelzinho/restaurante é muito simpático, já la ficamos no ano passado e fomos sempre muito bem tratados! A salinha de cima, tipo varanda, estava por nossa conta e nada nos faltou nunca!

O edifício mantem um aspeto de “por acabar” mas mostra já, em relação ao ano passado, melhorias e pormenores giros de decoração, como o balcão de receção ou as portadas exteriores em azul!

Este ano as motitas não ficaram dentro do hotel e sim numa garagem em construção ali ao lado!

O ambiente em construção combinava perfeitamente com a imundice em que elas estavam convertidas, depois da experiencia do dia anterior!

E preparamo-nos para ir até à Medina de moto, que isto de subir para caramba a pé e voltar, não tem muita piada, sobretudo quando a gente até já sabe o caminho!

A paisagem a partir do hotel só podia ser interessante, não tem muito mais casas para baixo dele!

É que a subida é íngreme até lá acima!

Não faltava espaço para estacionar as motitas, mesmo ali pertinho da entrada de baixo da Medina!

Logo do outro lado da rua ficava uma mesquita e o cemitério!

Não resisti em ir vê-lo mais de perto! Encontrei a porta lateral, que parecia afinal a principal, com um corredor de árvores até à mesquita. O cemitério ficava ali mesmo!

Eu sabia que, por lá, os cemitérios servem apenas para enterrar os mortos e que não há o hábito de pôr flores nem fazer “romarias” para os cemitérios. Apenas há uma lapide que marca a cabeceira e os pés, embora sejam sempre demasiado pequenas para indicarem os pés do/a falecido/a!

A Ângela lá andava meio a mancar por causa da pancada do dia anterior, quando caiu juntamente com o Tónica e a motita. Mas lá andava sem atrasar ninguém! É uma grande senhora!

Então fomos visitar a Medina que, curiosamente é azul, mas tem a porta ocre!

O chão parece uma carpete…

E voltei a entrar na Medina azul, aquela que me fascinará sempre, por muitas vezes que a visite!

Vai-se andando pelas ruínhas estreitinhas e irregulares, algumas com degraus e pedras que saem das paredes das casas, como se já lá estivessem e as casa tivessem sido construídas por cima! Mas tudo em azul!

Desta vez meti-me pelas ruínhas laterais, aquelas que nos levam à casa de cada um

e não só pelas ruas “principais” onde toda a gente passava

e voltava a encontrar os nossos parceiros de estrada

casalinhos amorosos, junto de portas deliciosas!

Oh as portas, ali são tantas tão bonitas que trouxe um coleção completa delas! Cada uma mais encantadora que a outra!

Algumas bem pequeninas! Eu iria ficar marreca se vivesse numa cidade daquelas, só para entrar e sair as portas o que eu me tinha de dobrar!

Que portas espantosas…

e ruinhas estreitinhas, que nos levam a outros patamares da Medina habitacional!

E chega-se à praça no centro da Medina e o espaço aberto e amplo faz querer voltar para o refúgio azul! Acho que aquela praça precisava de ser caiada de fresco de azul, está com um aspeto meio descuidado!

E o azul encantador continua!

Diz-se que aquela cor espantosa é usada para afastar os mosquitos…

Diz-se também que foram os judeus ali residentes que a começaram a usar em 1930, tornando-a característica e caracterizadora da cidade!

A verdade é que dá um ar fresco e limpo à Medina, tornando-a luminosa e encantadora, o que contrasta profundamente com outras como a de Fes, sombria e suja!

Diz-se também que aquele azul tem uma função parecida com os olhos azuis de vidro que se penduram em casa e afastam os maus espíritos! Quem sabe?

Depois de um larguinho há sempre um emaranhado de caminhos que passam por entre umas casa e por baixo de outras para nos levar a mais um recanto azul!

As zonas de comércio são igualmente acolhedoras!

Até chegarmos à grande praça Uta-El-Hammam, na zona alta da Medina, onde os cafés e restaurantes têm um ar colorido e acolhedor e as mesas têm toalhas!

E onde a gente dorme uma soneca à espera de meia dúzia de chás e sumos de laranja!

Tudo se passa naquela praça, onde até o Elísio se pôs a explicar como funcionava a sua camisa de ir às meninas! Puxa-se para os lados e aquilo abre tudo, automaticamente, sem perdas de tempo!

E esperamos, tanto que o sol acabou por abrir!

Já toda a gente sentia falta de um chapéu, o Carlos acabou por pôr o capacete!

Todo o movimento que não estava nas ruínhas estreitas estava um bocado por ali.

A mesquita e a kasbah dominam a praça. Ainda hei-de lá ir visitar aquilo por dentro!

As voltas que eu dei à praça até que os sumos e os chás chegassem!

Da porta da mesquita pode-se ver a Medina, de onde todas as ruas convergem para ali!

E as bebidas ainda não tinham vindo!

Não me importava de passar ali mais um dia!

Há personagens curiosas por ali

Muito curiosas!

e as bebidas sem chegarem!

**** ****

– Até ao Mediterrâneo! –

Deu tempo para tudo, para ver as novidades, cuscar as lojinhas e as miudezas que por ali havia para comprar!

Os sumos e os chás lá vieram e a gente continuou a catar as lojitas, pois então, enquanto os moços esperavam sentados nas escadas da mesquita.

Então o Elísio não resistiu e também foi cuscar as lojinhas, havia ali um casaquito a chamar-lhe a atenção!

Parecia um toureiro com o casaco enfiado!

Depois tratamos de descer a Medina por outras ruelas azuis e encantadoras

E o bando todo posou para a foto… bem, o bando todo não, porque faltava o Carlos e Paula que já tinha descido e eu que estava atras da máquina fotográfica!

A Ângela lá ia andando com o seu pezinho maroto, como se nada fosse!

Seguíamos explorando recantos cheios de encanto

e portas espantosas que encerravam interiores também espantosamente azuis!

É impossível ficar indiferente àquela beleza azul!

E chegamos ao fim do paraíso azul, com lojinhas e movimento!

As motitas esperavam-nos cá fora a espantar olhos.

Estava na hora de partir de novo!

Seguimos na direção de Tétouan, para a costa mediterrânica, por paisagens extraordinárias proporcionadas pelas montanhas de Rif

Marrocos, o país das mil paisagens!

Os recantos surpreendentes são sempre muitos, mesmo quando pensamos que já nada mais nos pode surpreender!

A natureza em estado puro, com pessoas e animais em esforço de trabalho.

Aproximávamo-nos de uma localidade, Qued Laou , estávamos perto do mar e começava o movimento.

E chegamos a uma feira de coisas velhas! Sempre o Elísio tinha razão, eles só podem ter fábricas de confecionar velharias!

Na berma da estrada um estacionamento de burros

E foi uma dificuldade para sair dali

O Elísio foi aproveitando o tempo para fumar um cigarro, diz ele que o que sabe fazer melhor: fumar! Mas fumar de moto será, certamente, a sua especialização a partir daquele dia!

As vestimentas daquela zona são curiosas, sobretudo os chapéus, grandes e frequentes nas mulheres!

Tudo velho, coisas usadas e velharias, era mesmo o que se vendia! Uma espécie de feira da ladra!

E lá conseguimos passar e chegar ao mar!

O João tratava da toilete, o Correia tirava uma soneca

Na realidade o João arrumava a casa e preparava-se para comer mais um boião de Bledine e o Correia adivinhava que aquele pneu traseiro se estaria a preparar para lhe pregar uma partida!

Os rapazes do grupo puseram-se a brincar para a máquina em automático, mas as da minha maquina ficaram mais giras, senão veja-se:

Todos quietinhos!

Todos a bulir!

E seguimos por uma estrada espantosa… ou pelo menos assim ficará quando acabarem as obras, contornado a costa mediterrânica de Marrocos!

Aquele piso não seria o melhor para uma Pan ou uma FJR, mas depois do treino na lama, qualquer estrada era boa para nós!

E o mar era lindo ali ao lado!

Um espelho azul ali ao lado da estrada rugosa e arenosa!

Lindo de morrer aquele mar!

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– Ultimos momentos em Africa! –

A costa marroquina é mais uma surpresa a explorar, a estrada está em obras e promete vir a tornar-se num belíssimo percurso a fazer mais tarde, quando estiver pronta!

Paramos para comer um peixinho num restaurante que devia ser do melhor que por ali havia, a considerar pela afluência! Ficava mesmo na berma da praia e não parava de chegar gente!

Decidimos comer cá fora, o tempo estava bem melhor que durante a maior parte da viagem, por isso não havia motivo para nos enfiarmos lá dentro!

O calor não era propriamente muito mas a fome e a vontade de comer eram! O João foi incumbindo de ir escolher o “tacho” , 10 peixes grelhados e duas belíssimas saladas mistas com atum!

E os peixes eram ótimos! Mesmo sem facas a gente lá se foi arranjando com garfo e pão!

A paisagem era inspiradora! De um lado o mar, praia e os barquinhos azuis.

Do outro a estrada e o homem que vendia peixe na berma, entre o pó e o fumo dos escapes!

Em frente o caminho a seguir na direção de Martil e o Cabo Negro!

Apesar do lixo na berma das estradas as paisagens continuavam a ser muito bonitas!

Zonas turísticas muito procuradas por europeus e por isso muito arranjadas ao estilo europeu também!

Nas praias pode-se curtir um sol, de cadeirinha e guarda-sol!

Nas ruas apenas areia se pode ver nas bermas, nada que se compare com a entrada na cidade onde os plásticos ainda se amontoam nas bermas, a lembrar as cidades do interior!

E o Cabo Negro fica ali numa ponta, com todas as mordomias e comodidades para agradar ao povo que vem do outro lado do mediterrâneo, com campo de Golf e hotéis e por aí fora..

A areia da praia é meio escura, como no sul de Espanha e tem lixo… o que é uma pena, pois a paisagem é digna de maior cuidado!

Paramos um pouco para ver a paisagem, num local onde se anuncia uma imersão de um recife artificial para preservação da biodiversidade marinha!

As passagens superiores para peões são bem giras por ali, bem como algumas construções que fazem a ligação do ambiente europeu, que está por todo o lado, e o marroquino que deixamos para trás!

Chegamos a Ceuta, onde uma fronteira nos desencorajaria de entrar, mesmo que quiséssemos, e vimo-la mais acima, a entrar pelo mar!

Ao fundo, um enclave espanhol em terras marroquinas…

E as montanhas que a rodeiam

De entre os montes e a estrada que subia e descia, a cada esquina ou descida, a Espanha aparecia-nos no horizonte, para lá do estreito!

Passamos o porto comercial de Tanger e encontramos o primeiro caminho-de-ferro que vimos no país, dentro do porto!

Descobri depois que Marrocos tem sim uma rede de caminho-de-ferro que funciona com regularidade e a preços bastante económicos, embora não tivéssemos passado por nenhum!

E o Mediterrâneo brilhava com o sol de forma deslumbrante ao nosso lado!

do outro lado a Espanha de novo!

Tanger moderna à nossa frente!

Moderna mesmo! Até havia limousines monstruosas todas engalanadas para casamentos junto a hotéis chiques! A tradição já não é o que era!

Voltamos a ficar alojados no mesmo hotel do primeiro dia de viagem e mal abri a janela do quarto fui rapidamente visitada, em jeito e invasão, por uma andorinha! Vi-me enrascada para lhe indicar o caminho de saída pela janela, ela viu-se enrascada para o encontrar!

Depois fomos passear pela cidade, à procura de frasquinhos para pôr areia do deserto, em lojas que, como noutros pontos de Marrocos, vendiam coisas aparentemente velhas! Que tralhas!

Descemos a Medina até à avenida do porto.

E aí começamos a procurar onde jantar

Desta vez foi o Elísio que ficou encarregue de encontrar um local… e levou-nos para um restaurante cheio de charme!

Onde não faltou nada, nem a cerveja, nem a infinidade de tempo de espera pela paelha que pedimos…

A cerveja de produção marroquina foi tão cara como toda a refeição!

E lá veio a paelha. Não estava má, não senhor!

Depois foi voltar para o hotel, para a nossa última noite por terras de Africa!

Fim do 9º dia de viagem

**** ****

– Um regresso a casa conturbado! –

8 de Abril de 2012

E amanheceu o dia da partida! Estava sol, parece que todo o sol que faltou na viagem se chegava na hora de partir! E ainda bem, pois terminar uma viagem com chuva torna a coisa bem mais triste!

Demos a volta e descemos para o porto pelas “bordas” da Medina

A simplicidade da saída do país contrasta profundamente com a complicação da entrada! Até parece que a droga entra no país e não que sai!

Ao longe a Medina, que faz fronteira com o porto.

E a mesquita dentro do próprio porto, porque há mesquitas onde houver gente para rezar!

Juntam-se os papeis todos e mostra-se tudo de uma vez.

Segue-se pelo lado da fila de todos os carros para a sua frente. Seremos os primeiros a embarcar!

Os primeirinhos mesmo, no porão completamente vazio!

Voltamos ao ritual de amarrar as motos ao chão, não vão elas entusiasmarem-se com o balanço do barco e desatarem a dançar no meio dos carros!

A minha motita já se estava a sentir como um cachorro, sempre amarrada pela trela!

Mas portou-se muito bem! Liiinda (embora cheia de lixo!)!

É sempre no regresso que a gente pode curtir calmamente o ferry, sem documentos para mostrar, nem papelada para preencher, nem filas de gente para superar!

Curioso que, sendo um barco que liga Espanha a Marrocos tenha um aviso em italiano no porão, na zona mais baixa “atenção à cabeça”

Tudo parece mais rápido na volta que na ida, e já estávamos a preparar-nos para desembarcar!

Havia Jeeps portugueses na fila para sair do porto em Tarifa!

E saímos para Espanha, com Marrocos no horizonte…

Então chegava a hora de o grupo ir ficando mais pequeno. Primeiro deixamos o Carlos e a Paula, que ainda iriam passear um pouco no sul de Espanha. Depois deixamos o João que ria passear um pouco no sul de Portugal… E ficamos 5 motos…

Seguimos calmamente subindo a Espanha, talvez almoçar em Sevilha fosse a boa escolha, por isso passamos Jerez de la Frontera, o Luis à frente, eu a seguir, depois o Correia e… ups! Onde andavam eles que de repente não vinha mais ninguém atrás de mim?

Bolas, distrai-me um pouco e perco quem me segue desta maneira? Se calhar não me viram virar e seguiram em frente! O Luis abrandava, também ele esperava ver as motos aparecerem a qualquer momento. Mas isso não aconteceu, por isso voltamos para trás, iriamos procurar os companheiros de viagem onde eles estivessem!

Encontramo-los sentados fora da berma da via-rápida, muito direitinhos, como miúdos da escola!

Tinham passado por um filme de terror! O pneu da moto do Tónica simplesmente estourara!

E o espantoso é que ele segurara a moto, ninguém fora ao chão! Apenas a adrenalina do susto, o esforço por sobreviver, e estavam todos bem! Grande Tónica!

Paramos todas as nossas motos junto da moto “aninhada” e “aninhamos” junto com o Correia, pois então, por uma infinidade de tempo!

Estas coisas de Seguradoras e Assistência em Viagem demora o que tiver de ser, só faltavam ali umas cervejinhas e umas sandocas de cerdo ibérico, de resto, a gente entre amigos está sempre bem!

Estávamos a uns escassos 90 quilómetros de Sevilha e do cerdo ibérico, mas não chegamos lá!

Aproveitei para me deitar e dormir uma soneca, que isto de esperar sem comer dá sono! Os meus colegas de viagem mantinham-se firmes! Oh p’ra mim a vê-los de pernas para o ar!

A polícia passou e quis saber o que se passava.

Horas depois o reboque lá chegou.

Toca de pôr a motita lá em cima e seguir atrás!

A gente tinha de ter a certeza de que o Tónica, a Ângela e a motita ficavam bem entregues e, de preferência, almoçar com eles, já que já sabíamos que ficariam em Jerez até ao dia seguinte, quando o pneu seria substituído, para seguirem para casa depois!

A moto ficaria guardada no armazém do reboque para ir no dia seguinte para a oficina.

E nós fomos encher-nos de comida e cerveja num restaurante em frente, que as barriguinhas já estavam meio coladas às costas, enquanto não chegava o táxi para levar o simpático casal ao hotel onde pernoitaria!

Estava delicioso o meu frango panado com molho de pimenta!

O táxi chegou e a condutora, Mercedes de seu nome, veio tomar um café com a gente, enquanto esperava que acabássemos de almoçar!

O Tónica e a Ângela lá seguiram para Jerez. Nós seguiríamos para casa, depois de corrigir a pressão do meu pneu.

Foi o fim da viagem, de uma viagem cheia de peripécias, de pequenas preocupações, mas cheia de alegria e boa disposição, pequenas histórias para nunca mais esquecer e seguramente para mais tarde recordar.

Ficou muito para ver, de um país de belezas sem fim, de paisagens variadas, impressionantes e surpreendentes e de um povo cheio de simpatia e hospitalidade para nos dar.

Um país para voltar a explorar…

Cheguei a casa depois de:

4411 km

4.000 fotos

950€ (450€ de dormidas e ferry e o restante em tudo o resto, incluindo a gasolina a 1.03€ o litro!)

10 dias para recordar!

O que me faltou?
Mais uma semaninha de passeio pelo país da mil paisagens!…

O que sobrou?
Grandes risadas, brincadeiras e alegria, amizade e entreajuda!

O que valeu a pena?
Tudo, mesmo a chuva, o frio e a lama, que afinal nos proporcionaram momentos de rara beleza!

O que teria dispensado?
O acidente do Leonardo que o afastou, a ele e à Mila, deste passeio memorável, tão pouco tempo depois de ter iniciado!

O que me apetece dizer ainda?
… certamente que lá voltarei!

FIM

4 thoughts on “2012 – Marrocos – O regresso!

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