39. Escandinávia 2017 – entardecer em Estocolmo…

26 de agosto de 2017

(continuação)

Depois de tanta calma e sossego, lá em baixo pelas estações de metro, o regresso à superfície foi quase violento! As ruas estavam cheias de gente, o transito era intenso, não havia muito para onde eu fugir e, no entanto, eu queria paz e distância da confusão.

Eu sempre tenho necessidade de paz e calma numa viagem, mas depois de toda a paz que me acompanhara por terras escandinavas, eu não estava preparada para confusões, por isso fui-me enfiar no Nordiska Museet – Museu Nórdico que, embora estivesse cercado de movimento, estacionamento repleto e pessoas aos magotes, estava sereno e fresco no interior!

O edifício é lindo por dentro e as alas de exposição muito elucidativas do mundo sueco!

E as perspetivas dos interiores eram fascinantes!

É meu costume, quando toda a gente olha para as exposições eu ponho-me a apreciar os encantos arquitetónicos dos locais!

Isto sim, é um grande rei!

Lá ganhei coragem para ir passear no meio do transito, consciente de que a agradável sensação que tivera no dia anterior poderia ser perturbada por novas sensações deixadas por tanto turista…

Mas os pormenores da cidade sempre me chamam, como as antigas cabines telefónicas, e por esses pormenores vale a pena passear e tentar ignorar as multidões.

Não havia ninguém em redor do Museu de Arte Moderna, por isso pude explorar as fantásticas esculturas de Niki de Saint Phalle em silêncio!

A minha Negrita também aprecia arte!

E as perspetivas desde a ilha de Riddarholmen também valiam a luta com o transito!

E foi o momento de mais um pôr-do-sol, cheio de nostalgia por uma viagem que me estava a levar de volta para casa… Esperei para ver mais uma vez o sol como vira do dia anterior. E estava lindo!

Muita gente vai até ali ver o pôr-do-sol, o ambiente é sereno e, de alguma forma, eu sentia que aqueles seriam momentos que iria recordar mais tarde.

Então fui para a zona história, ali perto, explorar mais um pouco e jantar.

A experiencia de chegar à cidade antiga e à zona dos restaurantes foi embaraçosa…

“Registos de viagem – 15
Hoje encontrei um grupo de turistas portugueses no centro histórico de Estocolmo, mas eram tão barulhentos e espalhafatosos, que fiz de conta que não dei por nada e passei de fininho como se fosse estrangeira! Passei duas horas depois por eles, estavam numa esplanada de um restaurante italiano aos berros uns com os outros, como se estivessem numa tasca… Destoavam tanto na serenidade do ambiente, espero que o pessoal do restaurante fosse mesmo italiano e não se chocasse por isso com a algazarra! “

(in Passeando pela vida – a página)

Aquelas lojinhas vão-me fascinar sempre, não importa quantas vezes eu lá volte a passear!

Os gnomos aos montes inspiraram-me..

E eu desenhei um só para mim!

Terminei o meu dia na Stortorget, a praça mais antiga de Estocolmo!

Foi em torno desta praça que a cidade se formou e cresceu!

Amanhã eu riria embora da Suécia e tinha tanta pena!

Nostalgia foi a minha companhia…

Anúncios

38. Escandinávia 2017 – Estocolmo e as suas estações de metro…

26 de agosto de 2017

Há tanta coisa para ver numa cidade que se visita pela primeira vez que é preciso ter-se capacidade de escolher o que ver e deixar o resto para outra vez! É sempre assim que eu me organizo para não ficar perdida entre tanta coisa sem saber em que direção ir, com tão pouco tempo que sobra numa viagem que já vai longa.

Mas havia uma série de coisas que me fizeram querer desde sempre visitar Estocolmo e eu não sairia de lá sem as ver: as estações de metro intervencionadas por artistas. Eu sabia que eram muitas e que algumas valiam mais a pena do que outras, mas estava disposta a visitar todas as que pudesse e me apetecesse!

E o meu dia foi feito disso, mais do que outra coisa!

Elas não são muito longe umas das outras, mas, contrariamente ao que fizera em Moscovo, onde fora de moto de umas estações para as outras, eu iria tentar apanhar o metro e ir de estação em estação, sem morrer de pavor de me perder da minha querida motita!

Desci às 9.30h da manhã e subiria às 15.30h, o que fez 6 horas debaixo de terra passeando, explorando, apreciando e fotografando e de todas as que vi, porque nem todas foram intervencionadas, e das que foram, nem todas são espetaculares, 10 ficaram-me na memória!

Eu iria começar pela estação de Kungsträdgården, junto ao jardim histórico com o mesmo nome (Jardim Real em português) onde a agitação do dia começava, e encontrei um sítio simpático e seguro para pôr a moto, já que havia parque próprio. É sempre a opção certa quando vou permanecer muito tempo longe dela, para não correr risco de multas!

Claro que antes de ir procurar a entrada da estação não pude deixar de espreitar na igreja de St. Jacobs Kyrka, logo ali. Sempre me atraem igrejas de outras religiões e aquela mais ainda, pois é dedicada ao apóstolo São Tiago Maior, padroeiro dos viajantes.

A igreja tem 4 séculos e, como demorou muito a ser concluída, conjuga uma série de estilos desde o gótico tardio até ao renascentista ou barroco. E é linda! Uma boa forma de começar um dia debaixo de terra, arejando antes as ideias com outras manifestações arquitetónicas!

E a descida era logo ali, do outro lado da praça, atravessando-a a direito!

Como quem entra numa gruta com um tabuleiro de xadrez no chão, lá estava a primeira obra de arte subterrânea gigante do meu dia!


Anda-se por ali a descobrir pormenores “barrocos” pelos cantos!

Um ambiente curioso, com personagens bizarras aqui e ali

O cais de embarque é um pouco sombrio, que aquele verde não é nada luminoso, mas o ambiente é interessante!

O meu momento de coragem em apanhar o metro e seguir na direção certa… ok, eu estive a estudar bem o mapa para não me perder, nem do que procurava nem do sítio onde a minha motita estava. Uma tarefa muito mais fácil em Estocolmo do que em Moscovo, onde eu nem conseguia decifrar direito o nome das estações!

Ao desembarcar na estação seguinte percebi logo que nunca mais me perderia, pois era a T-Centralen onde todas as linhas vão dar, por isso na dúvida até ali eu iria ter por muito perdida que estivesse!

Esta era a estação que mais chama a atenção na internet e é uma das mais bonitas no local!

Impossível olhar em redor e não me imaginar com uma tarefa daquelas: criar uma enorme intervenção artística numa estação de metro! Eu seria tão feliz com um trabalho desses em mãos!

E segui para a estação de Rinkeby T-bana…

Só hoje me dou conta de quanto tempo eu andei e explorei em cada estação! Foi muito tempo pela hora gravada em cada foto!


A estação de Solna Centrum parece toda em honra da nossa bandeira portuguesa!

Os metros paravam, o povo saia e entrava e ficava tudo vazio de novo. Uma estação nunca fica cheia por muito tempo.

Andava eu por ali a explorar, porque as áreas são bastante grandes, quando reparei que uma senhora de idade, usando chapéu preto, me observava e me seguia de perto. Chapéus sempre me atraem a atenção! Então a senhora acercou-se de mim e disse-me, num inglês perfeito

“you are a beautiful lady and your hat is beautiful!”

Fiquei desconsertada! Agradeci o cumprimento e retribui com um “devo dizer o mesmo da senhora e o seu chapéu é lindo também!”

Não tive coragem de a fotografar de frente, quando falávamos, por vezes as pessoas reagem mal a uma fotografia e eu não gosto de constranger ninguém. Mas fotografei-a quando se afastava de mim, meio em contraluz, pensando para mim “olha eu, quando for velhota!”

A estação de Akalla não é das mais bonitas, mas tem o seu interesse.

A Stadion sim, é das mais fotografadas na net, com os seus arcos-íris sobre azul impressionantes!

A Tekniska Högskolan tem pormenores curiosos!

A Tensta parece saída da pré-história

Não apenas as representações, mas também a forma como foram executadas, lembram a arte rupestre desses tempos!

A estação de Vreten impressiona quando apreciada no ângulo certo, porque os elementos perdem-se um pouco na escuridão do espaço

E finalmente a estação de Huvudsta que também precisa de atenção no ângulo em que é captada.

O verde deve ser uma cor bastante apreciada por lá!

Foram muitas horas debaixo da terra e eu tinha de sair dali. Não importava mais o que havia para ver lá em baixo, teria de ficar para outra vez. E saí para a maior confusão, de onde nem a minha moto conseguia sair sem transgressão!

Havia um evento desportivo, uma prova de ciclismo pelo que percebi, a decorrer e toda a praça Kungsträdgården fora vedada para criar o percurso em seu redor! Uns policias disseram-me que teria de esperar mais de hora e meia até poder sair com a moto!

Peguei na moto e dei umas voltar em redor e percebi que não havia saída, a área onde eu estava fora totalmente cercada por barreiras, eu tinha de transgredir ou ficar até acabar.

Claro que fui falando com os policias que ia encontrando, na minha procura de uma saída, e acabaram por me deixar atravessar a pista formada pela cerca e pôr-me a andar! Dei comigo a passar quase dentro da estação de metro onde começara o meu dia, por caminho de transito proibido e tudo! Gostei dos policias suecos!

(continua)

37. Escandinávia 2017 – de Turku até Estocolmo… 11 horas de ferry!

25 de agosto de 2017

Tinha cerca de 11 horas de barco para fazer naquele dia. Por isso eu me hospedara dentro mesmo do cais, e dormira num hostel que era um barco, assim não teria de acordar cedo demais nem de stressar a percorrer distancias entre a minha dormida e o meu transporte.

Eu nunca tive medo de andar de barco e no entanto sempre tive medo de embarcar a minha moto num! Não porque tema que o barco se afunde comigo e ela dentro, não sofro do pavor arrogante de achar que por eu ir nele algo irá acontecer! O meu medo é apenas de fazer as coisas erradas e não conseguir embarcar a tempo no momento, cais e barco certo! Que fazer? Também tenho direito a ter os meus medos!

Assim, no dia anterior passara no cais de embarque a seguir aquele onde a minha casa estava atracada e confirmara que não era ali, nem no a seguir e sim noutro mais à frente e senti-me reconfortada por ter sido perspicaz em evitar o stress de última hora que tanto me aflige!

Acordei cedo, a minha motita esperava junto ao meu cais e o ambiente era meio surrealista, afinal não é todos os dias que um cidadão comum dorme num navio com um barco de guerra como vizinho!

Fizeram-me entrar no cais e seguir para a frente, por uma linha onde apenas havia eu!

O meu ferry era todo catita e, embora estivesse a chover, não me mandaram entrar. Parecia que toda a gente entraria antes de mim. Aconselharam-me mesmo a proteger-me da chuva numa tenda, que havia ali perto.

Confesso que me senti ignorada e meio miserável, a ver toda a gente a entrar e eu a ficar. Mesmo um grupo de motos seguiu para dentro bem antes de mim! Uma injustiça, pois eu até chegara antes!

Só lá dentro percebi que, obviamente havia uma razão para a entrada por aquela ordem. A minha motita ficou sozinha depois de a parte da frente do porão estar completamente preenchida. Nem as motos que vira entrar estavam por perto sequer!

Bastou-me olhar de novo para o mapa para perceber que a viagem tinha uma “escala” onde sairiam os primeiros veículos a entrar no ferry e que ocuparam a frente toda.

Nem toda aquela gente estava ali para ir até Estocolmo!

A entrada no ferry foi a coisa mais estranha a meus olhos!

Quando a gente reserva a passagem escolhe se quer camarote ou assento para fazer a viagem a seu gosto. No entanto imensas pessoas entraram pela receção dentro apressadíssimas para descobrirem os seus camarotes, como se alguém lhos pudesse tomar se não chegassem até eles a tempo! E corriam empurrando enormes troleys e empurrando quem se lhes pusesse na frente!

Eram 8 horas da manhã, qual era aflição de irem a correr para os camarotes? Não tinham dormido aquela noite?

Eu preferi apreciar a partida, sempre gosto de saborear a deslocação de um barco, sobretudo quando vou dentro dele!

Eu tinha noção de que navegaríamos por zonas cheias de ilhas e ilhotas, mas, de alguma forma, não estava preparada para fazer uma viagem de tão longa distância sem perder terra de vista!

Comecei por ver as casinhas de uns e de outros nas margens próximas de Turku e segui vendo penedos e rochas por quase todo o tempo!

Entretanto dentro do ferry o ambiente estranho continuava! Uma banda, que me recusei a registar em foto, tocava a mais pura pimbalhada em inglês e em línguas bizarras e desconhecidas, que deduzi serem nórdicas, tipo finlandês, sueco ou ambas à mistura. E sim, o fenómeno pimba é meio universal, cada país tem a sua versão!

Uma pena, já que o melhor heavy-metal é finlandês… 😉

Escrevia eu no entretanto:

“Não entendo muito bem as pessoas! A maioria, mal entrou no barco foi comer! De onde vinham elas para estarem cheias de fome às 8.00 horas da manhã? Outras corriam para os camarotes, como se estes não estivessem reservados e alguém os pudesse ocupar ou roubar! Não dormiram de noite? Agora é meio dia e meia e está tudo a comer bolos e a tomar café! Serei a única dentro dos horários certos, que tomei o pequeno almoço antes de embarcar e agora estou a comer uma deliciosa batata recheada com frango e a beber cerveja?”

E as paisagens sucediam-se impressionantes lá fora…

A costa, fosse ela qual fosse, estava tão perto de nos que fomos acompanhados por motos de água em vários momentos!

E o imenso vazio alternava e apenas era visível de um dos lados do barco, bastava escolher de que lado sair para apreciar!

Acho que não é possível ficar indiferente a um percurso tão rico em enquadramentos com aquela beleza

Aquela travessia marcou o primeiro balanço de tudo o que eu já vivera por terras nórdicas. Foram horas de serenidade, apenas perturbadas pelos meus pensamentos humorísticos em relação ao ambiente dentro do ferry. Horas repletas de pensamentos bons, de imagens fascinantes e de saudade…

… saudade do que já vivera e não se voltaria a repetir tão cedo…

E o ferry seguia de forma impressionante por entre os milhares de ilhas que rodeiam o continente, dando a sensação, por vezes, de que o espaço não seria suficiente para ele passar!

E chegamos a Estocolmo ao entardecer!
Claro que peguei na moto e fui logo explorar tudo o que pudesse, de alguma forma conseguia ter saudades de conduzir, pelo simples facto de ter ficado todo o dia a ver a água passar!

E fui ver o pôr-do-sol na ilhota de Riddarholmen, com a Stadshuset – a câmara – ao fundo, em contraluz!

A cidade antiga de Estocolmo começa logo ali, por ruelas encantadoras onde o tempo não parece ter passado!

“Estocolmo é uma cidade fascinante, vai-se até junto da catedral e começa a viagem no tempo para trás. E as lojinhas decrépitas são tão bonitas, com a luz a incidir nas ruas estreitas, criando um clima a lembrar o Natal! Que belo entardecer!”
(in Passeando pela vida – a página)

Havia uma serenidade no ar, como se nada de mau pudesse estar a acontecer no mundo. Impossível quebrar aquele encanto!

E apesar dos muitos turistas que passeavam por ali, as ruelas não eram um frenesim como noutras cidades europeias. E eu agradeci em silêncio que a calma não fosse quebrada por gritinhos, corridinhas, selfies e coisas afins típicas dos turistas descontrolados!

A gente esperava um pouco, as pessoas passavam e a beleza dos recantos ficava toda ao nosso dispor, como se estivéssemos sós na cidade!

Mesmo as esplanadas eram alegremente sossegadas, com música ambiente que não atordoava os passantes e agradava aos clientes!

E as lojas? Oh as lojas!
Eram lindas, casas velhíssimas com as janelas a fazer de montras, muitas vezes bem altas, mas cheias de encanto, sem quebrar em nada o tradicional traçado dos quelhos!

Apaixonei-me por Estocolmo…

Felizmente amanhã ainda estaria por ali…

 

18. Escandinávia 2017 – De Føllenslev até Gotemburgo

10 de agosto de 2017

O meu ultimo amanhecer em Føllenslev foi tão agradável quanto os anteriores e eu já me estava a habituar a eles! Mas desta vez não foram os bichinhos da quinta que me chamaram a atenção!

Tinham chegado novos hospedes, eu podia ver os seus carros no relvado, mas foram as duas motos, todas catitas, no canto que me prenderam a atenção.

Conheci os simpáticos donos das mostos ao pequeno almoço. Eram um casal holandês que andava a explorar a Dinamarca. Eles ficaram impressionados com a minha viagem e eu fiquei cheia de vontade de fazer igual à deles e explorar a Dinamarca de ponta a ponta! E a conversa estendeu-se entre viagens, costumes de uns e de outros, gostos musicais e sonhos a realizar. Havia tantos interesses em comum entre nos, embora fossemos tão diferentes. Filosofias de vida que nos uniam a todos, eu, os motociclistas holandeses e os nossos anfitriões.

É tão gratificante quando depois de apenas dois ou três dias fica uma pequena amizade pelas pessoas!

Registos de viagem – 4

Hoje de manhã a despedida foi de abraços e promessas de voltar, porque se faz facilmente amizade com gente boa e simpática que nos acolhe e nos mima com o que nos faz bem! Adorei os dinamarqueses que conheci, e estes três em especial. Por vezes são memórias como estas, que ficam e me fazem voltar a sítios onde já estive!
Kisses & hugs to Karen Lisbeth Brinch Birch & Brian

(in facebook)

E era hora de partir na direção da Suécia.

A minha intensão era fazer caminhos diferentes entre a Dinamarca e a Suécia, na ida e na volta, por isso decidi entrar de ferry e mais tarde sair pela ponte/túnel. O preço das duas travessias era aproximado e as experiencias seriam bem diferentes.

Por isso segui calmamente para Helsingor, onde tomaria o ferry para atravessar o estreito Öresund. De alguma forma eu percebia que a minha passagem pela Dinamarca determinaria todo o meu estado de espirito e ânimo ao percorrer o resto da Escandinávia. Havia uma paz que se instalara dentro de mim, que me fazia querer ver o que ninguém procura ver, o que ninguém faz questão de colocar na net. E o que me fascinava mesmo eram os momentos anónimos mesmo!

As perspetivas de absoluta serenidade do mar eram tão impressionantes para mim

que, embora tenha ido até ao famoso castelo de Kronborg,

ao chegar lá não me apeteceu visita-lo por dentro!
Havia gente a organizar-se para entrar, uma pequena fila na bilheteira, turistas meio ruidosos…

e eu não quis meter-me ali!

E havia um jovem Hamlet, que interagia com as pessoas nas suas divagações sobre a obra de Shakespeare.

Aquele ambiente cativou-me muito mais que uma visita ao interior do castelo. O rapaz, aparentemente, achou-me piada a mim e ao meu chapéu e declamou alguns versos para mim! Quanta honra!

Dizia ele: “Though this is madness, yet there is method in it!”

O dia já ia avançado para me enfiar dentro de paredes, por isso decidi passear em redor.

“E quando aparentemente não há nada para ver, toda a beleza da simplicidade se revela! O mais turistico do local estava trás de mim, era para lá que toda a gente se dirigia, e no entanto o mar, debaixo de um céu revolto, me fascinava tanto. Seguramente que não vi o que toda a gente vai ali para ver, não fiz as fotos tradicionais, não explorei historias de reis e lendas, mas a minha mente parou no tempo, a batida do meu coração abrandou um pouco e eu olhei para a Suécia, do outro lado, pela primeira vez, para lá de toda a beleza do momento…”

(in Passeando pela Vida – a página)

O ambiente era muito agradável, havia uma esplanada num dos edifícios em redor do castelo onde não me atrevi a pedir um café, pois seria ruim, certamente. Mas tomei um relaxadamente, que isto de viajar e explorar não tem de ser uma obrigação nem uma correria!

E as perspetivas do castelo e do estreito eram fantásticas, por isso subi às muralhas, passeei pelos caminhos junto à água e apreciei aquele céu nublado espantoso!

Podia ver ao longe os ferrys cruzando-se, entre ida e voltas. Seria num deles que eu e a minha Negrita embarcaríamos para irmos para o outro lado.

E eu que reclamo da paranoia generalizada das pessoas têm de fazerem selfies junto de tudo e mais alguma coisa, rapei do telemóvel e fiz uma selfie com o castelo como cenário!

Antes de sair da propriedade para me ir embora.

Mas Helsingør não é só Kronborg e o ferry, por isso dei uma vista de olhos à cidadezinha, com recantos bonitinhos e pormenores curiosos.

Passa-se uma portagem como se se entrasse numa autoestrada e depois apanha-se o ferry como quem apanha um autocarro! Não eramos muitas motos a fazer a travessia, apenas um suíço que ia para o sul da Noruega, um casal sueco que voltava para casa depois de um pequeno passeio pela Dinamarca e eu!

E viajamos muito bem acompanhados, com imensos Ferraris mesmo ao nosso lado!

Ficamos todos a ver Helsingør a ficar para trás

e as perspetivas fascinantes de Kronborg à medida que nos afastávamos da costa.

As fotos acidentais que eu descubro por entre todas as que tirei!

Já não era nada cedo quando cheguei ao outro lado do canal. Não teria muito tempo para explorar, mas a verdade é que não me apetecia andar a catar muitos sítios. De alguma forma apetecia-me conduzir sem parar muito e ficar a sós com os meus pensamentos e com a doce sensação que a Dinamarca deixara em mim. Por isso fui seguindo o meu caminho parando apenas para abastecer e apreciar placas curiosas que foram cruzando comigo no caminho!

E Gotemburgo estava cheia de transito! Não é fácil circular pela cidade para quem vem de fora, ainda por cima quando vem habituada a paz e sossego. As ruas são meio confusas e se se faz a escolha errada ou não se obedece criteriosamente ao GPS, corre-se o risco de ter de dar grandes voltas sem ter hipótese de voltar para trás! Arreliou-me bastante andar para trás e para a frente na luta do transito, por isso fugi para a paisagem mais serena que encontrei por ali!

Eu sabia que iria cruzar com dezenas, senão centenas, de lagos ao longo da viagem, provavelmente muito mais bonitos do que aquele, mas a serenidade que me transmitiu era a que necessitava naquele momento.

Claro que nada tinha melhorado no meu regresso à cidade. Terminava um jogo qualquer de futebol e as multidões enchiam passeios e estradas, completando a sensação de “quero sair daqui” que eu já trazia em mim!

Acho que amuei e fui para a cama cedo…

Afinal amanhã era dia de ir para a Noruega e isso é que me importava!