76 – Passeando até à Suíça 2012 – A França – Bergerac, Pau…

5 de Setembro de 2012- continuação

Bergerac é uma cidade de origem medieval linda, onde o Cyrano de Bergerac nunca viveu!

Na realidade o Cyrano que inspirou a peça de teatro, que já deu origem a filmes e operetas e tudo, existiu mesmo, chamava-se Hector Savinien de Cyrano de Bergerac, foi um escritor-soldado-doelista do séc XVII, que acrescentou “de Bergerac” ao seu nome por causa de terras que teriam sido da sua família na antiga localidade onde nasceu Bergerac!

Dois séculos depois a sua história, por ser “meio irrequieto”, inspirou o criador da peça de teatro, Edmond Rostand, que o recriou com um grande nariz!

Ora a cidade, embora nunca lhe tenha servido de habitação, honra-o com diversas homenagens e referencias!

A Eglise Notre Dame de Bergerac em estilo neogótico do séc. XIX, recebe-nos logo ali, junto ao centro histórico da cidade!

Claro que fui dar uma espreitadela antes de ir ver as ruelas!

Quem gosta do gótico genuíno, nunca fica indiferente ao neogótico! Afinal a inspiração no estilo medieval é visível! A grande diferença está nos muitos séculos que separam os dois estilos…

E logo ali abaixo fica a estátua mais recente de Cyrano! Policromada e sobre um plinto inoxidável é impossível passar despercebido a quem passa!

Está na Pelissiere Place e é muito interessante!

Por trás da escultura fica Maison Cyrano de Bergerac, onde se vendem produtos de qualidade, típicos da zona.

A cidade tem uma outra estátua de Cyrano, mais antiga, em pedra, que está numa praça mais abaixo! Fui descendo pela praça encantadora e cheia de vida até a encontrar.

A “Font-Ronde” denuncia o quanto é antiga e as esplanadas em redor permitem bem disfrutar do ambiente formado por edifícios da mesma época bem conservados ou restaurados!

Um tipo de lá de cima de uma janela brincou comigo, por eu andar ali de um lado para o outro a tirar fotos “Tire-me uma foto a mim!”- disse ele “Eu? Nem pensar!” – respondi eu – “Eu só tiro fotos a coisas bonitas e você é feio!” as pessoas desataram a rir-se! Mas ainda o apanhei meio desconsertado lá em cima na janela a olhar meio parvo para mim! eheheh

A zona antiga é muito bonita e pitoresca, com casinhas medievais de travejamento exterior, ou de pedra com as beiras e venezianas das janelas em madeira colorida, como postais ilustrados!

E lá estava a segunda estátua de Cyrano, na place de la Myrpe!

Uma cidade encantadora que vou voltar a visitar quando for explorar melhor aquela zona… sim, já está em agenda para um dia mais tarde voltar!

Depois dispus-me a deixar de me distrair e parar para ver tudo o que surgisse no meu caminho e continuar a descer o mapa pela província da Gasconha…

Mas eis que em Marmande cruzei com o Canal du Midi!

Aquele canal anda-me a chamar há vários anos e eu ando a querer lá ir! Ui, a informação que eu já recolhi sobre ele, até já comuniquei com aficionados e historiadores de lá… agora só me falta ir lá faze-lo de uma vez, de ponta a ponta…

E fui para Pau, que desta vez não havia muito tempo a perder… estava a caminhar para casa rapidamente!

Fui jantar numa esplanada na zona antiga da cidade.

A minha motita fez uma série de amigas num instante!

E lá tive de ir dormir, que no dia seguinte faria o longo percurso até casa, o que, se eu não me perdesse com nada, faria uns novecentos e tal quilómetros… mas eu “perco-me” sempre, nem que seja só um bocadinho!

Fim do trigésimo oitavo dia de viagem…

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58 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Oudenaarde e Gent!

28 de Agosto de 2012 – continuação

Fiz a curva no mapa e segui para Oudenaarde, uma cidade pequena que já foi grande na produção de tapetes! Uma cidade antiga com uma história longa e antiga, cheia de altos e baixos.

Fui recebida pela Sint-Walburgakerk, ou colegiada de St Walburga, uma igreja dedicada à padroeira da cidade! Uma igreja gótica do séc. XII, com um “chapéu” barroco no topo do campanário!

Pousei a minha Magnífica logo por trás da igreja e não tardou a fazer uma amiga igual a si! Senti um pouco de vergonha e pena por ela, pois estava mutilada, ao lado de uma menina lindinha e limpinha… mas depois pensei que não havia porque se envergonhar, já que a sua vida fora cheia e rica e isso cura qualquer orgulho ferido!

O que eu procurava era a belíssima Camara Municipal lá do sítio! Um edifício em gótico flamejante construído no séc. XVI. É nestes casos que os estacionamentos deviam ser arrumados para a periferia, mas na Bélgica encontraria muitos mesmo “em cima” dos monumentos, impedindo muitas vezes a completa visualização dos edifícios mais bonitos da cidade!

Alguns recantos encantadores são muito antigos por ali!

E fui andando para Gent, uma cidade que há muito queria visitar!

Gent é uma cidadezinha medieval encantadora onde tudo parece ficar no mesmo lugar! Dá-se a volta e encontra-se mais e mais coisas!

A Catedral de St Baaf nasce sobre uma primeira construção em estilo românico mas é renovada posteriormente em estilo gótico!

Curioso o jogo de cores de pedra que é usado no interior!

Na praça em frente as casas são deliciosas e perfeitamente enquadradas no conjunto!

Mais à frente, do outro lado da praça, fica o Beffroi, um campanário do séc. XIV que possui um carrilhão de 44 sinos conhecidíssimo nos Paises baixos!

É uma das três torres no centro histórico de Gent, com as da Catedral e da Igreja de Saint Nicolas logo a seguir!

E a seguir lá estava a Sint-Niklaaskerk que é o mesmo que dizer a Igreja de Saint Nicolas ou São Nicolau!

A igreja é um dos maiores e mais antigos edifícios da cidade e foi construído com pedra azul de Tournai. Diz-se que o seu estilo é “gótico de Tournai”!

Uma pena os fios dos trolleys por todo o lado a traçar os enquadramentos!

Depois há o rio Leie, com ar de canal, que atravessa a cidade e onde as pessoas se passeiam de barco ou a pé, ou ainda se sentam a curtir um solzinho da tarde que foi o que eu fiz também!

Ali é a Graslei, a área movimentada de comércio com edifícios remarcáveis, testemunhas da riqueza do local, ainda hoje!

E tudo parece ter sido desenhado para combinar com o que já existia por ali, em paisagens encantadoras e enquadramentos perfeitos!

E na outra margem do rio, e no extremo da ponte de Sint-Michiel, fica a Sint-Michielskerk, que é o mesmo que dizer Igreja de São Miguel, e que me atraía grandemente!

Algo de descomunal e exótico me atraiu, porque eu não vejo todas as igrejas que me aparecem pela frente! Apenas as que me atraem!

A construção, em gótico tardio, tem elementos posteriores muito importantes, devido aos diversos reveses e recuperações que sofreu, depois de incêndios, abandono, pilhagens e destruições deliberadas que quase levaram à sua demolição!

O interior é grandioso e os jogos de cores, entre a pedra e o tijolo, são harmoniosos e fazem pensar no que se teria perdido com o desaparecimento do edifício!

Pus-me a olhar para uma nossa Senhora que achei curiosa pela simplicidade e contraste com a parede de tijolo…

e fiz amizade com um senhor que estava ali sentado a desenha-la! Gosto muito de ver gente a desenhar, por isso pus-me ali no paleio com ele e ainda fiz uns sarrabiscos também!

E com a treta esqueci-me de fotografar a obra de Van Dyck que está lá numa parede, como se fosse um quadrozito de um habilidoso qualquer… apenas uma obra de um dos maiores pintores do barroco flamengo!

E voltei para o centro da cidade, do outro lado do rio.

Porque será que as grandes igrejas negras perecem mais colossais que as outras?

A minha Magnífica lá estava, discretamente encolhida junto com a biclas… a espantar olhos! Perguntaram-me pela centésima vez se estava tudo bem comigo, já que a moto estava partida…

Peguei nela e nem o castelo fui ver. Eu sei que o castelo de Gent é digno de uma visita, mas não me apeteceu, em contrapartida estava era a apetecer-me passear pelas ruínhas secundárias e ver o que passasse na minha frente, enquanto me dirigia para Brugge de novo, que já tinha saudades da bela cidade!

A perfeita imagem do paraíso, para mim, é encontrar ruínhas destas quando estou cansada da cidade!

Fui seguindo até Ooidonk, atrás de umas coisas e de outras, e encontrei um castelinho/palácio que me pareceu irreal à primeira vista!

Um dia vou passar pela zona e irei visita-lo por dentro, está na agenda! Mas naquele dia limitei-me a “roubar” enquadramentos!

E voltei para Brugge, aquela cidade que não me canso de visitar e onde é sempre um prazer passear!

(continua)

57 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Veurne, Ieper e Tournai…

28 de Agosto de 2012

E hoje, 12-12-12, já que o mundo não acabou, vou contar mais um pouco desta viagem que se aproxima do fim! Desta vez é mesmo história até ao Natal! 😀

Naquele dia eu iria começar a desvendar os mistérios de um país de que se fala pouco! Parece que ninguém vai passar férias para Bélgica, não se lê nada de especial sobre ela e isso desperta-me muito mais interesse do que aqueles sítios onde toda a gente vai, em tom de missão motociclista!

Então daria uma bela volta por alguns sítios que estudei em casa e outros que se atravessassem no meu caminho e a que nunca resisto!

Segui para Veurne, que em francês se diz Furnes, nunca hei-de entender estas línguas que dizem as coisas de maneira tão diferente!

Veurne chamou-me a atenção pela sua arquitetura simpática de ruelas acolhedoras a fazer lembrar Brugge. Na realidade é uma cidade renascentista em tijolo amarelado! A igreja gótica de St Walburga em tijolo vermelho chama a atenção!

Não se podia visitar, estava lá dentro um funeral… parece que morreu muita gente por ali naqueles dias, pois não foi o único funeral que encontrei!

A cidade não é a coisa mais extraordinária de se visitar por isso, depois de uma voltinha, segui para Ieper, por caminhos interessantes!

Ieper é uma cidade muito mais monumental, embora o principal se encontre num espaço limitado!

A cidade esteve no centro de diversas guerras e batalhas pela sua posição estratégica junto da Alemanha. Todo o centro histórico foi já um monte infinito de escombros…

Depois da Primeira Guerra a cidade foi reconstruida fielmente pelos desenhos e fotos da época, com dinheiros da Alemanha, que não respeitou a neutralidade do país e fez da cidade, além de um campo de batalha, um local de experiências, onde gazes foram usados sobre soldados e população!

O Palácio do Pano, segundo a tradução, é imponente e cheio de placas que honram quem morreu para libertar a cidade!

A Catedral de Saint Martin gótica do séc. XIV é um dos edifícios mais altos da Bélgica e fica logo ali ao lado!

Passear por ali e imaginar que aquilo já foi campo de várias batalhas teve um efeito em mim!

Na catedral que, por acaso já não é catedral e sim proto-catedral, estava mais um funeral!
(Proto-Catedral quer dizer que já foi catedral e já não é, porque para ser catedral tem de ter um bispo residente e certamente já não há um por lá!)

Não tive coragem de entrar por isso andei no perímetro a cuscar o exterior!

A Cruz Irlandesa, em honra dos Irlandeses mortos por Ieper…

E a Praça do Mercado é muito bonita e acolhedora. Ninguém imagina que tudo aquilo foi destruído e reconstruido há menos de um século!

E ao sair da cidade, em direção a Tournai, a torneira mais famosa lá da zona lá estava no meio de uma rotunda!

Mas, como era de esperar, o caminho é feito de cemitérios e memoriais aos mortos de todos os países que ajudaram a libertar Ieper. Este seria mais um dia que eu passaria “rodeada” por memórias da Primeira Grande Guerra…

Como o Kasteel Zonnebeke – Memorial Museum 1917, que conta as cinco batalhas de Ieper… mas eu não quis ver e apenas visitei os jardins…

E os cemitérios militares sucedem-se pelas ruas que fui percorrendo…

Até eu não parar mais para ver mais nenhum….

E chegar finalmente a Tournai!

Uma cidade que viveu 18 séculos de história bem variada e cheia de reveses, mas que preservou o seu carisma de cidade de arte! É uma das 2 cidades mais antigas do país e permanece um polo cultural importante.

A catedral de Nôtre Dame de Tournai é uma estrutura extraordinária e impressionante! Em pedra negra, sobressai do perfil da cidade como um ser vivo que tudo observa! Conhecida como a catedral das cinco torres, foi construída no séc. XII em três estilos ainda visíveis: a nave é românica, mais antiga, o coro, ou altar é gótico, mais recente e um estilo transitório entre os dois liga estes grandes elementos da construção, no transepto. Hoje está em restauro profundo, que a trará de novo a toda a sua magnificência e imponência! Da Grand Place a catedral imensa sobressai acima de tudo, Christine Lalaing em primeiro plano, a princesa heroína e guerreira que defendeu a cidade contra invasores na ausência do marido, parece apontar para ela!

Christine Lalaing

E fui à procura do colosso! Desde a primeira vez que eu vi uma imagem daquela catedral eu quis vê-la ao vivo!

A gente vê-a por cima de tudo e depois tem de dar a volta e procura-la no meio das ruelas e casinhas!

E de perto, junto da entrada principal, nem parece o colosso que é!

O portal trabalhado pede restauro…

E é o que está a acontecer por estes dias!

Um altar lateral, no transepto, está a servir de altar-mor, enquanto este está subterrado em andaimes!

Curioso encontrar uma escultura dedicada a Roger de la Pasture, um pintor flamengo que tem obras famosíssimas, algumas no nosso museu da Gulbenkian! A bem dizer eu nunca tinha reparado que ele nascera em Tournai! 😮

Voltando à Grand Place ainda deu para brincar um pouco com a água que saia de repente do chão!

É permitido estacionar numa parte de praça e o conjunto formado pelos carros e pelo património é, no mínimo, curioso!

Ainda dei uma vista de olhos á igreja de Saint Quentin, uma igreja românica do séc. XII!

E lá estava o rio Scheldt, a parecer um canal!

E não se consegue ficar indiferente à catedral que se vê de todos os pontos da cidade!

E mais monumentos que lembram quem morreu na guerra, aparecem em Tournai também!

“Esquecer o passado é aceitar o seu regresso!” (Winston Churchill)

Triste mas real e presente por todo o lado naqueles países que tanto sofreram nas guerras…

(continua)