30 – Passeando até à Suiça 2012 – Yverdon-les-Bains, Estavayer-le-Lac e Murten.

16 de Agosto de 2012 – continuação da continuação

Ali mesmo à beirinha fica a catedral embrulhada, numa zona nobre da cidade no topo da colina que domina toda a redondeza.

A catedral espera pelo dia certo para mostrar toda a beleza da sua fachada renovada, por enquanto mantem a sua mascara de beleza!

Em frente fica a estátua de Guillaume Farel, segundo as inscrições no pedestal morreu com 76 anos, em 1565, e foi o grande reformador, pastor da igreja de Neuchatel.

Na realidade ele foi um dos grandes fundadores da igreja reformada, uma variante da igreja protestante, que surge na sequência da excomunhão de Martinho Lutero da Igreja Católica, e se mantem até hoje como grande doutrina em países como Suíça (país de origem), Holanda, África do Sul, Inglaterra, Escócia e Estados Unidos.

Era de origem francesa e amigo de Calvino, a quem aparece associado, e juntos tornaram Genève a “Roma Protestante”, para onde fugiram todos os protestantes perseguidos na França.

Desci calmamente pela cidade e segui pela beira do lago.

Por muitos lagos que haja naquele país (dizem que são perto de 7.000 lagos, rios, nascentes e cataratas) a gente nunca se cansa de passear pela borda de mais um!

Mais à frente ficam as Gorges de l’Areuse. É curioso pensar em gargantas quando não há montanhas à vista, mas a verdade é que elas aparecem e parte das correntes de água e das escarpas são mais escavadas do que entre montes.

Um percurso feito de paz e frescura num ambiente bonito e com o som da agua como musica de fundo. Relaxante!

Fiz apenas um pouco do percurso e pus-me a apreciar os jovens animados na brincadeira no rio. Não me apetecia andar muito, por isso não fui até às gargantas, apenas sentei, lanchei e apreciei a animação e beleza do local.

A rapaziada era simpática e ainda me ri um bocado com eles!

Depois voltei para trás, de barriga cheia e com vontade de dar mais uma volta, pois naquele momento Friburgo estava do outro lado do lago e eu queria ver umas coisas até chegar lá!

Passei numa escola lindíssima que não resisti a fotografar!

Cá pintam-se, e muito bem, as paredes das escolas, os miúdos gostam, fazem uma festa e fica giro. Mas lá pintam-se as venezianas! E fica deslumbrante! Adorei!

Que pena que eu tive que a minha escola não tivesse venezianas que iria divertir-me à grande a pinta-las com os meus alunos! 😀

Depois não é preciso ir particularmente atento à paisagem para descobrir pormenores encantadores pelos caminhos que se fazem! Como o castelo de Vaumarcus do séc. XIII que está a funcionar como restaurante. E o que me apeteceu parar e ir la dentro catar!!

E depois veio Yverdon, ou Yverdon-les-Bains, que os suíços e os franceses chamam “les-Bains” às terras que têm termas e, neste caso, trata-se de uma cidade conhecida pelas suas ótimas águas termais, desde antes dos tempos romanos!

Estava no Cantão de Vaud, a que pertence também Lausanne.

Havia festa por lá naqueles dias, mas estava em pausa! Iria voltar à vida ao anoitecer!

La place de la tannerie estava toda preparada para quem viesse!

As ruas estavam alegremente calmas e a festa pairava no ar.

O castelo do séc. XIII fica ali no meio, imponente, num ambiente arquitecturalmente eclético, com construções de épocas diversas, em harmonia!

Segui passeando pela margem do lago e encontrei Estavayer-le-Lac, onde fui recebida com sapinhos giríssimos, pendurados no meio das ruas!

Adorei! Havia-os de muitas cores e decorações diferentes e eu ia conduzindo e fotografando! Não é fácil conduzir por ruelas estreitas a olhar para o céu e a tirar fotos ao mesmo tempo!

Estavayer, embora fique na margem sul do lago de Neuchatel, pertence já ao Cantão de Friburgo.

Uma cidade com uma longa história e preservada em toda a sua beleza antiga!

La Collegiale de Saint-Laurent, gótica!

E o castelo lindo, na margem do lago!

O Castelo de Chenaux do séc. XIV é delicioso, e estava ali para ser visitado, podemos andar por todos os recantos exteriores sem que ninguém nos peça nada ou tome conta daquilo, como se tivessem a certeza de que quem vem, vem por bem!

Bonito e relaxante passear por ali ao entardecer!

Ali funciona La Prefecture et Service Financiere, segundo indicações no local! Que sorte trabalhar-se num local assim!

E as portas medievais da cidade, como seria de esperar em ambiente tão bem conservado!

Então segui para Murten, acompanhada por um grupo de motards que iam para Berna, gente simpática!

Murten fica noutro lago, um dos 3 que se ligam naquela zona: O lago de Biel, o lago de Neuchatel e o lago de Murten!

É mais uma cidade medieval que preservou o seu aspeto original de forma muito agradável e harmoniosa!

Uma cidade de 800 anos, com arcadas em habitações antigas e encantadoras, onde apetece morar!

As casas cheias de flores e recantos com cadeirões e almofadas, do lado de fora das portas, onde nada é roubado e onde se passam calmos fins de tarde, antes que o frio venha e tome conta de tudo!

E o tempo parece que não passou por ali!

As casas medievais com as suas arcadas tradicionais, cheias de esplanadas e flores e proteção quando chove ou neva. Fazem lembrar as ruas de Bern…

E finalmente estava na hora de pegar na minha motita e ir para casa, que naquele dia era em Friburgo!

Fim do décimo oitavo dia de viagem!

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29 – Passeando até à Suiça 2012 – Le Landeron, Erlach e Neuchatel.

16 de Agosto de 2012 – continuação

Na outra ponta do lago de Biel ficam duas terrinhas muito bonitas, a primeira é Le Landeron, uma cidade medieval do séc. XIV, que mantem o mesmo aspeto desde há muitos séculos! É curioso que é a única cidade da margem do rio que pertence a Neuchatel, pois os limites do cantão acabam logo ali!!

Já foi uma cidade muito importante com seu próprio exército e tudo e foi também o pomo de discórdia por se ter mantido à parte da reforma, mesmo com um grande reformador logo ali ao lado, em Neuchatel, o Guillaume Farel, ficando com mais duas ou três localidades, como ilhas católicas no meio do mar protestante!

A cidade é linda, com a sua praça principal que é, praticamente, toda a cidade medieval.

Com portas de entrada e de saída, na muralha que ainda conserva intacta.

E as fontes com esculturas pintadas tão bonitas!

Passeando pela redondeza, encontramos a qualquer momento, e por todo o lado, quintas com terrenos bem cuidados que contribuem para a beleza verde que o país exibe de norte a sul. E as casas são lindíssimas, parecendo por vezes quase irreais de tão perfeitas e bem enquadradas na paisagem! Dir-se-ia que alguém as põe ali porque ficam bem na paisagem mas, na realidade são casas habitadas, muitas delas com uma parte de habitação e outra de celeiro e a gente quase nem se dá conta!

Logo a seguir fica outra cidadezinha encantadora e ainda mais antiga, do séc. XII, Erlach!

Tudo é cercado de vinhas por ali e, subindo pela encosta até ao castelo, podemos ver como a redondeza é encantadora!

Lá em cima fica a zona mais antiga e pitoresca da cidade.

Nenhum veículo pode circular por ali, a minha motita apenas entrou para dar a volta, também o piso é muito irregular e nem valia a pena arriscar!

Depois ao fim da rua ficam as escadas que levam à rua de baixo!

Então segui para Neuchatel, a capital do cantão com o seu nome e que fica na margem do maior lago totalmente suíço, e que também tem o seu nome! Dá para ver que é uma cidade importante!

E na verdade é, a sua história é longa, andou de mão em mão, nobres poderosos dos países vizinhos, os Condes de Orleans de França e os reis Prussianos da Alemanha, a disputaram e governaram alternadamente, até que ela se juntou à Confederação Suíça e acabou de vez com a cobiça!

La Maison des Halles do séc. XVI, na Place du marche, já foi armazém das mercadorias mais delicadas, como sedas indianas e cereais. Hoje permanece uma joia no coração da cidade antiga!

Ela estende-se pela rue du Trésor, na direção da la place de la Croix du Marché.

A Fonte du Banneret é muito antiga e o seu aspeto atual data do séc. XVI, era usada para dar de beber às vacas e aos cavalos!

Depois, se subisse por ali acima iria dar ao castelo, mas se há rua para andar com rodinhas, não havia necessidade de usar uma que é só para pezinhos! Por isso fui buscar a moto e fui até lá acima, onde fica o castelo e a catedral, pois então! 😀

A catedral está sem rosto, em restauro, e nada se vê da sua fachada mas, por dentro continua linda!

A Catedral é conhecida como “la Collegiale”, é um edifício extraordinário do séc. XII com base românica e mistura com estilo gótico, com um teto espantoso, pois eleva-se até ao céu e é estrelado!

Ouro sobre azul!

Andei ali, de um lado para o outro de nariz no ar!

Depois num dos lados do altar há um Cenotáfio em honra dos condes de Neuchatel e toda a sua família, um monumento do séc. XII, notável e bem conservado através dos tempos!

E aquele teto a encher-me os olhos!

Ali ao lado ficam os vestígios do castelo antigo que ajudou a dar origem ao nome da cidade, pois ao construir-se o castelo novo, que está mais à frente, veio ao longo dos tempos o “neuchatel”!

Este sim, foi a origem do nome, pois é o castelo novo de «Nuefchastel»!

No castelo medieval funcionam atualmente os edifícios do governo cantonal de Neuchâtel.

A arquitetura é espantosa e o edifício imponente!

Ali se trabalha realmente e se tomam decisões, porque não existe o conceito de “puseram-me cá agora aguentem comigo!”

Na salle des Etats podem-se ver os brasões de todos os governantes de Neuchatel até a cidade se juntar à Confederação e se tornar um Cantão Suíço.

Da janela vê-se parte da cidade e o imenso lago ao fundo.

O edifício não pode ser todo visitado pois está em funcionamento todos os dias!

Sempre achei piada à forma como eles pintam as venezianas das janelas às riscas das cores mais improváveis! E o curioso é que fica tão bem!

Adoram as torres, torrinhas e torreões e os chapéus bicudos lá em cima! Um só edifício pode ter diversos!

E preparei-me para continuar o meu caminho…

(continua)