12. Escandinávia 2017 – de Iseltwald até Nuremberga

4 de agosto de 2017

A cada sitio que a gente pára dá vontade de ficar mais um pouco, mas a excitação de ver o que vem a seguir é sempre o combustível que dá energia e vontade de arrumar tudo nas malas e pôr rodas ao caminho. E o meu caminho seria ainda tão longo, que tudo o que via sabia sempre um pouco a prefácio de algo mais longínquo e mais novo!

E demos mais um passo para norte, que a Escandinávia fica lá para cima!

Uma viagem é feita de moções e, apenas o facto de olhar para uma paisagem com a sensação de ir ficar ali mais um dia, é complemente diferente de olhar para ela ao partir.

Há uma serenidade num lago ao amanhecer, quando não há vento e tudo parece tão quieto, como se as águas fossem sólidas, de espelho, que o ritmo do coração abranda cá dentro e todo o resto do mundo parece afastar-se!
Que coisa linda!

E a aldeia fica ali mesmo, do outro lado da rua, com os chalés de madeira lindíssimos a completar o quadro de perfeita beleza.

Apanhei o meu companheiro de viagem a encolher a barriga para ficar mais elegante na foto.

E logo a seguir fica a cidade, que parece uma aldeia grande, de Interlaken. Aquele ponto onde todos os destinos de ski confluem, já que fica no centro da melhor zona de montanha do país.
Mas no verão é calma e colorida, com o rio Aar a atravessa-la ligando os dois lagos, Brienzersee e Thunersee, que a ladeiam.

E a cor do Aar voltou a fascinar-me, sempre me fascina!

O Filipe à sombra da bananeira… não, à sombra do candeeiro sobre o rio!

Ali no meio é o ponto onde termina Interlaken e começa Unterseen.

Uma localidade de cada lado do rio

A gente tinha parado as motos em Unterseen, logo a seguir ao rio e à ponte, ou antes aos rios e às pontes, já que o Aar de multiplica ali formando uma longa ilha o que dá a sensação de se tornar em vários canais. E as motos ficavam tão bem no ambiente em redor!

Já não sei quantas fotos tirei junto daquelas casas, nem com quantas motos o fiz! E a tradição cumpriu-se de novo!

E seguimos para norte. As paisagens sucedem-se encantadoras e é gratificante seguir atravessando-as. Como eu costumo pensar nestes momentos “que belo dia para passear!”

Então, de repente algo prendeu a atenção. Estávamos numa espécie de xona industrial e havia formas enormes no exterior de um armazém que eu tinha de ver de perto!

Simplesmente WoW!


Tratava-se de um atelier de escultura com materiais reciclados!

Chama-se Recycle Art e ali se fazem esculturas espantosas e únicas, usando peças de automóveis e motos, porcas, parafusos e rodas dentadas, tudo meticulosamente soldado.

E fazem-nas em todas as dimensões, algumas intimidam mesmo pelo seu pormenor, realismo e dimensão!

As esculturas são feitas à mão, de acordo com estudos prévios, depois polidas e lacadas.

E os resultados são verdadeiramente impressionantes!

O Filipe adorou o burro do Shreck, quase aparafusava a língua para ficar mais parecido com ele!

Eu identifiquei-me mais com os monstros, dragões e bicharocos meio monstruosos, devo ser mais monstruosa do que ele, cá no meu intimo!

E eles executam qualquer escultura de reciclagem sob encomenda, através de fotos ou desenhos desde veículos, animais, figuras fantásticas ou móveis. ADOREI!

Havia um carro em dimensão real pronto para ser entregue. Era impressionante!

Às vezes as coisas acontecem assim, numa viagem, a gente fica imenso tempo a ver o que não estava previsto e passa ao lado do que previra! E foi assim com Baden, olhamos para ela lá de cima da rua, mas a vontade de descer e ir ver de perto não era nenhuma, por isso ficamos com registos gerais, até voltarmos a passar com vontade de explorar!

Eram os últimos registos da Suíça, antes de entrar mos na Alemanha e o tempo estava a ameaçar dar-nos uma molha. Parece que vai ser sempre assim, quando entrar na Alemanha com o Filipe! Claro que a culpa era toda dele, já que no ano passado, quando me acompanhou até Estugarda, também apanhamos uma molha ao entrar no país!

A minha esperança era que ele levasse a chuva com ele quando nos separássemos, tal como fez noa ano passado, quando andou a nadar pela França, enquanto eu me deliciava com o sol dos países de leste.

Sinto-me sempre um embrulho quando visto toda a tralha de chuva!

E chegamos a Schwäbisch Gmünd. Uma cidade tão encantadora quanto uma cidade medieval alemã pode ser.

Há algumas construções religiosas por ali que eu gostava de visitar por dentro, como a igreja Românica Johanniskirche, mas não eram já horas de visitas, por isso só restava ver por fora e apreciar as fontes pintadas nas praças…

e a casas com pinturas no exterior, que sempre me fascinam!

Bem no coração da praça do mercado havia uma praia de areia montada para a miudagem brincar.

Um ambiente divertido que despertava a curiosidade a qualquer menino!

E as casinhas em redor são tão antigas e bonitinhas que tornam cada rua um cartão postal

Em redor da catedral, parece que se anda mesmo para trás no tempo!

A Heilig-Kreuz-Münster – Catedral da Santa Cruz – estava aberta para um concerto, por isso os banais mortais não podiam entrar! Uma pena porque, a considerar pelo seu aspeto exterior, deve ser linda, como todas as construções góticas o são!

E havia pequenos pormenores bem mais modernos curiosos e divertidos para explorar pela cidade

Mas os sofás cor de laranja fascinaram-me!

Que bem fica o preto sobre laranja!

Quando chegamos a Nuremberga estava a noitecer. O centro histórico é grande e fascinante, no dia seguinte teríamos de explorar aquilo tudo mas, para já, a urgência era mesmo ir comer!

Hora de parar e descansar e comer, antes que fosse tarde demais e tivéssemos de ir dormir de barriga vazia!

Aquino era tudo vontade de comer mesmo!

Amanhã estaremos ainda em Nuremberga, porque há algumas coisas bonitas que quero ver por ali…

Anúncios

11. Escandinávia 2017 – passeando pelo centro da Suiça…

3 de agosto de 2017

Passear um pouco pela Suíça é sempre tão pouco!
Mas o meu destino não era aquele, estava apenas numa pequena pausa de passeio por ali e tinha de me contentar com isso e seguir. Por isso daríamos uma volta pelo Bernese Oberland, e seria uma belíssima forma de matar saudades da montanha e do país.

Acordar com uma paisagem inspiradora, põe qualquer pessoa de boa disposição. Aquela água é um gelo, mas o povo não parecia importa-se e, àquela hora, já havia gente na mais amena cavaqueira enfiado nela como se fosse uma sauna!

Quando me passeio por sítios assim, o pensamento que me ocorre sempre é que há gente que vive naquele paraíso toda a sua vida!

Com o lago ali mesmo ao lado da rua, com aquela agua incrivelmente turquesa a inspirar para nunca mais sair dali!

Making off da foto de uma GTR junto ao lago!
E sim, a minha Negrita cobria-a completamente, são aqueles momentos em que a minha moto é maior que as outras todas, questão de perspetiva! eheheheh

E eu tinha de aproveitar o facto de ter alguém que me fotografasse para me captar naquele cenário de sonho!

Andar por ali de moto é tão bonito!

E fomos subindo para o Grimselpass, como quem vai subindo para o céu!

As águas que se tornam turquesa em Interlaken são cinzentas e turbas por ali, porque estamos a aproximar-nos do seu glaciar! Lindo!

Quando se chega lá acima há sempre motos junto ao Tonensee e há um bar onde fomos tomar café. Quase todos os empregados são portugueses e isso chocou-me, porque já la fui tanta vez e nunca me tinha apercebido!

Frequentemente as pessoas falam de que encontram portugueses por todo o lado e eu sempre me surpreendo porque não tenho essa experiência. Ou eles são turistas em bando e falam alto e eu vejo que existem, ou não me lembro de encontrar portugueses por todo o lado como muita gente diz! E de repente andava a encontra-los a torto e a direito! Como era isso possível?

Claro que a resposta foi obvia e imediata!
Quando viajo sozinha não tenho com quem falar português, logo ninguém percebe de onde sou. Como andava sempre a tagarelar com o Filipe as pessoas percebiam facilmente de onde eramos e falavam e brincavam connosco! Básico e adorável, e de repente, havia portugueses por todo o lado!

Então fomos ao meu cantinho encantado, onde pouca gente vai, junto ao glaciar do Aar e o seu Obeaarsee, percorrendo um dos caminhos de alta montanha mais bonitos que conheço…

Muita gente que vai até ali, pousa os carros e vai caminhando até ao glaciar, por isso havia carros mas pouca gente, como eu gosto!

Mas havia gente para pedirmos que nos fizessem uma foto aos dois, nas nossas motos, como o coração do Aar ao fundo.

Um momento de descontração e de apreciação do penteado que o capacete desenhou na cabeça do Filipe!

Sim, está lindo, com um carrapito à Tintim em cima e tudo!

A infinidade de montanhas espantosas em redor com tanta coisa para ver e sentir, quase nos tiram o fôlego!

Caminhos espantosos!

Caminhos que estão por todos os lados, de tal maneira se retorcem sobre si próprios de monte em monte!

E de um Passo de montanha vê-se o outro e o glaciar que iriamos visitar a seguir!

Por estrada os dois glaciares estão a pouco mais de 12 quilómetros, o que quer dizer que, a direito, a nascente do Rio Aar (que segue para a capital, Berna), e a nascente do Rio Rhône (que segue para Genève), estão tão perto como o nascimento de dois irmãos gémeos!

“Há muitos anos atrás eu visitei o Glacier du Rhône e há muito tempo que o queria voltar a ver de perto. É sempre uma sensação poderosa, para mim, estar tão perto de um glaciar, como se se tratasse de um vulcão, cheio de vida. Caminhar pelo gelo, que parece mais pedra rija, sentir o seu pulsar debaixo dos pés… Muito mudou aquele gigante, desde a primeira vez que o vi, está bem menor, meio esventrado e o efeito do calor é tão visível! Mas continua tão majestoso e impressionante…”

(in Passeando pela Vida – Facebook)

E ali em baixo fica a caverna de gelo, que vai sendo protegida do calor e ameaça desaparecer a cada verão!

Parece que o abominável homem das neves andava por ali!

E a abominável mulher também!

Em alguns pontos mais finos, onde o gelo foi escavado par colocar a luz, ele podia assemelhar-se ao gelo dos nossos frigoríficos, mas só aí!

O gelo do rio não é branco porque a textura petrificada pelos resíduos naturais o faz parecer mais pedra do que gelo e eu conseguia caminhar por cima da crosta rugosa como se de rocha se tratasse!

E onde ele abre o azul é absoluto!

E a perspetiva do glaciar é linda…

Cá fora estamos no Furkapass, com paisagens incríveis sobre o Grimselpass e a sucessão de montes até perder de vista! Sou uma privilegiada e, em tantas vezes que ali passei, sempre tive direito a bom tempo e boa visibilidade, e sempre me encantei!

O Filipe a arranjar a gravata para a nobre foto!

Claro que fiz a foto da praxe com aminha motita em tão belo enquadramento!

E aproveitei ter quem me fotografasse para aparecer também! Eu gosto sempre mais das fotos em que não estou em pose.

O tempo para dentro de mim com uma paisagem assim…

Depois de uma sequência de estradas em obras, que nos fizeram agradecer a sorte de estarmos em moto, chegamos ao lago dos quatro cantões em perspetivas de fiordes e reflexos quase irreais.

Lucerna fica a seguir, sempre encantadora, não importa quantas vezes a visite!

Com as suas coisas especiais para turistas…

mas também o que de mais genuíno tem de seu!

Um dia, ao passar à porta daquele bar, fui abordada por um bando de fulanos eufóricos, que fazia algazarra em torno de mim e me oferecia cerveja e eu não entendia nada porque falavam alemão. Só depois percebi que era por eu ser parecida com a fulana que é imagem do bar, uma versão da Penélope!

Não sei para onde aqueles dois olhavam, mas devia ser algo muito interessante, a considerar pela atenção!

E as pessoas apreciavam o fim de tarde na margem do Rio Reuss…

que tem perspetivas espantosas, com os desníveis e represas que mostram a sua cor e pureza.

Lucerna fascinar-me-á para sempre…

A perspetiva sobre Samersee é sempre aquela beleza que nos enche o coração no caminho de Lucerne para Interlaken

Que belo caminho para casa!

No dia seguinte seguiríamos para o sul da Alemanha…

10. Escandinávia 2017 – de Annecy até Iseltwald…

2 de agosto de 2017

O trajeto não seria longo naquele dia.
Não é preciso fazer muitos quilómetros para me encantar com a Suíça e eu queria ter tempo para a atravessar mais uma vez. Com um dia de sol, qualquer percurso é agradável e simpático por ali. Iriamos passar em Genève, onde eu não tinha passado no ano anterior, e pelo menos ir até ao Jato de Água, era “obrigatório”.

E como sempre que se faz a ligação entre Annecy e Genève, lá estava a Pont de la Caille para tirar a foto da praxe com a minha Negrita, que ainda não tinha lá passado. Todas as minhas motos passaram ali, à excepção da primeira que nunca foi tão longe.

O Filipe também nunca lá tinha ido…. Nota-se!

Mas já tinha ido a Genève muita vez e ficou todo contente na mesma, por lá voltar!

Eu sempre gosto de ir “tomar um banho” pelo cais do jato, mesmo quando a agua cai por cima dele. Desta vez caía para o outro lado, mas foi um banho na mesma!

Eu tinha posto os braços de fora na esperança de queimar um pouco e deixar o bronzeado à trolha, mas não adiantou muito, continuaram de duas cores.

Facilitou a tarefa de me enxugar com a toalha da moto depois do banho!

Quanta alegria debaixo de uma torre de água de 140 metros de altura!

O dia estava mesmo bom para macacadas, banhos e fotos por ali!

Mas a cidade estava meio desarrumada e cheia de gente, no rescaldo das festas, por isso apenas demos uma voltinha até à ONU e seguimos para paragens mais serenas.

Eu sempre gosto de passar em Gruyères para matar saudades dos pratos de queijo Suíços. A cidadezinha é linda e a tradição manteve-se!

A sua beleza medieval é sempre tão acolhedora, desde o momento em que a vi pela primeira vez e, a cada vez que volto, é como se voltasse para trás no tempo também. Reconfortante!

Estava mais do que na hora de comer por isso enfiamo-nos no Chalet, o restaurante mais típico lá do local, onde tudo é tão bonitinho e pitoresco

e comemos um fondue de queijo divinal!

Aquela cara não é de duvida ou insatisfação, é mais de “quando param as fotos para eu poder comer?”

E era tão bom como eu me lembro de ser!

O almoço foi caro, mas o momento foi único, com uma menina portuguesa simpática a atender-nos e um ambiente bem típico e agradável! Acho que vou continuar a lá voltar, a cada vez que passe!

Só passear por ali me dá vida!

A povoação fica numa colina e a perspetiva do vale, lá em baixo, é tão bonita, que sentamos na relava e ficamos a apreciar. Claro que a barriga estava tão cheia de fondue, que sentar ou deitar na relva era tudo o que apetecia fazer!

O que eu gosto nestes países, França e Suíça, é o cuidado de terem espaço especial para motos, em cantos agradáveis, para que não esturriquem ao sol!

E quando a barriga já se tinha acomodado com o almoço, veio o caminho serpenteante, para ajudar à digestão!

Eu sempre me encanto com as perspetivas daquelas ruas, com paisagens apaixonantes, mesmo quando há motos na minha frente! 😉

O destino era o Brienzsee, um dos lagos de Interlaken, onde iriamos ficar por duas noites.

“Brienzersee é um dos belos lagos suíços que parecem saídos do paraíso. A gente passeia pela sua margem com a relva a chegar até às águas onde podemos molhar os pés ou tomar banho livremente. Mas sentar num banco e ficar a olhar, tentando fazer parte da paisagem, sem nada a perturbar, é do mais relaxante que posso fazer por ali. Interlaken é logo ali, cheia de vida e movimento, tanta paz e tanta agitação, nada falta para fazer qualquer pessoa feliz!”

(in Passeando pela Vida – Facebook)

Avistava-se neve, no topo dos montes para lá de Interlaken!

E, de Interlaken até Iseltwald, o caminho era junto ao lago, com direito a paisagens privilegiadas e sensações únicas.

Iseltwald é uma povoação minúscula, de origem que se perde no tempo de tão antiga que é, que fica quase sobre o lago, por isso ele está por todo o lado ali…

em perspetivas de campos cultivados e jardins, mesmo na sua margem!

E as casas são chalés de madeira, bem tradicionais e lindos!

Um ambiente perfeito para conversas ao entardecer, com o sol a pôr-se para lá dos montes, no fim do lago…

“Registos de viagem – 1

Hoje o quarto é uma tenda no Hostel! É uma sensação curiosa acampar sem armar barraca! A paisagem é um dos lagos de Interlakem lindo, rodeado de altas montanhas. “Trago comigo” o amigo Filipe Marques que vai a caminho da Alemanha e é curiosa a sensação de ter com quem partilhar belezas inenarráveis, quando se está habituado a viajar a solo. Vamos passear para as paisagens mais bonitas deste país pelos passos de montanha mais inspiradores.
Até logo”

(in Facebook)

Tão bom estar de volta a este país… amanhã iremos passear um pouco em redor!

9. Escandinávia 2017 – até Annecy

1 de agosto de 2017

A França é sempre tão inspiradora que apetece ficar mais um dia e outro no mesmo lugar, para poder explorar em redor todos os pequenos recantos anónimos que não constam nos roteiros dos turistas e que são cheios de encanto e história.

Mas haverá sempre mais uma série de outras viagem em que passarei por ali, para explorar mais um pouco. A noite seguinte seria ainda passada em terras de França, com algumas curiosidades a explorar pelo caminho, por isso a beleza continuaria!

O céu estava encoberto e cheio de grandes nuvens cinzentas, mas não ameaçava cair-nos em cima, o que era uma grande coisa!

Despedida da hospedagem daquela noite!

A sensação de mudar de casa quase diariamente sempre me agrada e enche de curiosidade! Quando faço as reservas crio imagens dos locais na minha mente, baseada nas fotos do site e nos comentários de outros hospedes, depois descobrir cada sitio é uma novidade diária que me entusiasma! E, se aquele sitio onde pernoitamos era curioso, tinha mais uns 24 ou 25 para descobrir até ao regresso a casa!

A parte mais chata é sempre encaixar tudo direitinho na moto, como quando saí de casa, para que a bagagem não se transforme numa tralha bagunçada por todo o lado! Nem me estou a imaginar a acampar e ter de montar, desmontar e arrumar tudo na moto a cada paragem, mas um dia hei-de experimentar, numa viagem em que fique vários dias no mesmo sitio e não tenha de repetir a operação 30 vezes!

Ali perto, no nosso caminho, ficava Tulle. O transito era tão complicado que nem apetecia andar muito por lá, foi mais uma pausa para tomar café e ver a igreja e pouco mais. Há dias em que não apetece de todo andar na luta no meio dos carros!

Eu já tinha estado na cidade, mas nem me lembrava mais! A Catedral de Notre-Dame de Tulle merecia uma vista, ao menos por ali não havia nem transito nem bandos de turista, era tudo paz!

A catedral, gótica, está mutilada no seu altar onde faltam o transepto, o deambulatório e o próprio altar. Contrariamente ao que se possa pensar, já que Tulle foi palco de momentos terríveis aquando da Segunda Grande Guerra, a ruína de parte da igreja é muito anterior a esses acontecimentos. Ao que parece no século XV já havia problemas com o seu estado e, muito antes do século XX, foi saqueada, abandonada convertida em armazém e só não foi demolida porque a obra ficaria muito cara e ela não valia a despesa… como as mentalidades foram mudando ao longo da história até se começar a dar valor ao que é de preservar, para lá da religião ou da politica!

Em frente à catedral havia uma esplanada ótima para sentar e tomar café, que isto de não ter café decente torna difícil controlar o sono!

E o café era mais aparato do que sabor! Aparato e preço sempre em alta, qualidade e sabor sempre uma bosta!

E o dia seria feito de belas paisagens naturais, porque nem só de cidades e aldeias se enchem os olhos por ali!

As perspetivas da paisagem, verde e ondulante, com as povoações a aparecerem de quando em quando ao lado da nossa rua, tornam aqueles percursos um encanto permanente!

Depois vêm os montes e as estradas inspiradoras que os percorrem, como eu tanto gosto!

Atravessar o Parc des Vulcans d’Auvergne foi muito bonito!

É dos tais percursos que a gente não sabe se deve curtir a estrada ou parar a todo o momento para curtir a paisagem!

Sentia-me perseguida o tempo todo!

Ok, de vez em quando também me sentia perseguidora!

Então parávamos para picnic

E mais uma “mijoca” de café!
Não faças essa cara que, quando não há melhor não se põe defeito!

Então chegamos à bela Annecy!

E foi no momento mais encantador que ela pode ter para mim, ao entardecer, quando o céu ainda é luminoso, mas já acentua os contrastes nos brilhos das águas dos canais, com as luzes que se começam a acender.

Annecy está ligada à minha história como um paraíso onde me refugiei muitas vezes, vinda de Genève na minha pequena motoreta, para passear, relaxar, ler e desenhar, nos meus tempos de estudante…

E a sua aura nunca se quebrou, continua a saber a paraíso encantado a cada vez que lá volto, mesmo quando está repleta de turistas e movimento.

Nós já só tínhamos em mente encontrar as “Moules Frites” que nos vinham a fazer salivar há dias! Mas seguramo-nos, como gente civilizada, para visitar um pouco a cidadezinha antes de escurecer completamente. Claro que a gente segurou-se porque não faltavam menus com os ditos mexilhões um pouco por todo o lado, por isso era garantido que nos iriamos deliciar numa esplanada qualquer, dali a nada. Aguenta mais um pouco Filipe!

E lá veio um panelo de mexilhões para cada um, que coisa boa!

Oh p’ra ele, parece um menino feliz!

Annecy nunca me desiludirá, sempre bela, sempre com as comidas típicas de lá que eu adoro…

Uma ultima foto nas portas da cidade…

E fomos dormir que amanhã seguiríamos para o centro da Suíça…

8. Escandinávia 2017 – França, passeando em redor…

Tínhamos um dia inteiro para explorar em redor, entre Limousin, Dordogne e Auvergne, regiões cheias de pequenos encantos para descobrir. Eu sempre me perco entre pequenas aldeias medievais e paisagens de rara beleza por ali, e sempre deixo tanto para ver a cada passagem!

Com as motos livres de bagagens é sempre mais fácil sair explorando, com espaço para guardar capacetes e blusões e caminhar um pouco aqui e ali!

Turenne fica pertinho dali, uma povoação medieval encantadora, no topo de um penhasco, com perspetivas que parecem ilustrações saídas de um livro de historinhas.

Impossível não nos encantarmos ao passear pelas ruas íngremes e estreitas, ladeadas de belas casas com torres e telhados de ardósia.

No topo fica o que resta do castelo que está na origem da povoação. Não, o Filipe não ficou lá preso, foi só olhar pelas grades!

E apetece passear por ali, fotografar tudo uma vez e outra, guardar na memória tão belo lugar!

Que bem ficavam as nossas motos estacionadas cá em baixo, que a França é um pais delicioso para se passear de moto, elas são aceites em todo o lado com simpatia!

E Turenne é tão encantadora vista por dentro como por fora, com o declive verde dos terrenos em redor a tornar o quadro encantador!

Há uns anos, numa passagem na zona eu visitei Collonges-la-Rouge, uma povoação que, tal como o nome indica, é vermelha, de origem que se perde em tempos medievais muito remotos. Eu sabia que ela era ali perto, por isso pus-me a inventar para ir até lá. Quando eu me ponho a inventar caminhos tendo a escolhe-los bem criativos!

E lá estava ela, toda em arenito vermelho, quase surrealista como eu me lembrava que era!

Tal como Turenne, Collonges é uma das mais belas aldeias de França e é fácil entender porquê!

E os recantos encantadores estão por todos os lados, às vezes com gente a tentar fazer conjunto! Eheheheh

A igreja, toda em pedra vermelha, tem um tímpano no portal de entrada em pedra branca e o pormenor sempre me fascina!

Não sou a pessoa mais religiosa do mundo, mas tenho o habito de pôr uma velinha de vez em quando, em algumas igrejas quando viajo.

Sim, apetece disparar fotos em todas as direções e mesmo assim não se captaria todo o encanto do local!

Mas a região está cheia de coisas bonitas, mais à frente fica Curemont, mais umas das mais belas aldeias de França, com castelos e torres entre ruas estreitas e casas em pedra amarela.

Voltamos a parar as motos e a caminhar por ali, como quem viaja no tempo para trás.

Há sempre uma serenidade nestas povoações que me atrai e fascina, como se o tempo passasse mais devagar e a calma se apoderasse de quem visita!

E quando o calor apertava já, parar numa esplanada e beber uma cerveja fresca até tem outro sabor, com a beleza e serenidade em redor!

Decidimos que teríamos de fazer um picnic algures, num local fresco, porque não iriamos perder muito tempo num restaurante com tanta coisa bonita para ver!

Arranjamos um recanto debaixo de uma ponte, com o rio a espreitar, que parecia que tinha ar condicionado no meio do calor tórrido que se se fazia sentir!

Selfie de comilões, com a top-case da GTR a fazer de dispensa/mesa/cozinha e, a completar o quadro, as motos ao fundo à espera, como os cãezinhos à porta do restaurante.

Seguimos para Tournemire. Definitivamente o dia foi dedicado a sítios de sonho e de contos de fadas!

Uma povoação era vermelha, outra amarela e Tournemire é essencialmente cinzenta!

A igreja é do século XII, por isso a origem da aldeia não é difícil de situar na história.

O château d’Anjon, que esteve na origem da importância da povoação está aberto a visitas, mas não seria desta vez que o visitaríamos, com o calor o que apetece é parar numa sombra e descansar!

Caminhar cansa mais quando está calor, claro!

Qualquer canto fresco é apetitoso, mas não uma casa de banho onde parece que só se cabe de pé, oh Filipe! eheheh

Estávamos num pedaço de mundo privilegiado e era isso que apetecia explorar ainda, antes de o sol se pôr!

E ainda havia uma ultima povoação de encantar: Salers

“Tinha decidido visitar Salers, desde que a minha amiga Sanchinha Pinto me falou dela. Hoje passeei-me finalmente pelas suas ruas encantadoras e o meu pensamento era sobre como ela é tão medieval! Tudo é tão bonito por ali, tão perfeito e deslumbrante!”
(in Passeando pela Vida – Facebook)

Salers está também no topo de uma colina, como é tão característico neste tipo de povoados de origem medieva. Uma forma de se defenderem mais facilmente em tempos menos seguros.

Mesmo com turistas passeando-se pelas ruelas, o ambiente mantinha a serenidade caraterística daqueles povoados.

A Église Saint-Mathieu estava fechada, claro, já era muito tarde para visitas e para missas! Uma mistura de estilo românico com gótico que só pude apreciar de fora.

Mas apreciar os exteriores era bastante compensador. Tão diferentes pedras em cada local que visitamos, como se tivéssemos andado muito quilómetros e mudado de região em região para ver tanta diversidade e, no entanto, era tudo tão perto!

E, como quando é verão e o tempo está bom parece que o dia nunca mais acaba, ainda fomos descobrindo outras belezas a caminho de “casa”.

Quando até o próprio caminho é inspirador não se perde a vontade de explorar!

Foi quando passamos em Argentat!

Havia restaurantes com esplanadas junto ao rio e a missão, de repente, foi procurar “Moules Frites” – mexilhões com batatas fritas – tão típicos e comuns por terras de França!

O sitio é tão inspirador mas, por estranho que pareça todas as esplanadas eram de gelados, hamburgers, crepes e pizzas! Como é possível num país com fama de boa cozinha só se encontrar porcarias estrangeiras para comer num sitio daqueles?

Uma paisagem e um ambiente inspirador para comer… comida de plástico?

Amuamos e fomos para casa cozinhar… sem Moules nem valia a pena ir gastar dinheiro para restaurantes…

Amanhã seguimos para Annecy