6. Passeando pela Grécia/Balcãs – Descendo a Italia até Bari

24 de agosto de 2022

Não posso negar que acordei com receio de não conseguir conduzir direito a minha moto. Depois do tempo de inatividade no ferry, a mão acordou completamente imóvel, os dedos estavam inchados e as dores no pulso eram fortes.

Os meus desenhos num ferry são tão inspirados quanto o ferry em si. Nada de novo no convés…

O dia estava lindo, mas as memórias do caminho que eu tinha feito para chegar até ali, de noite, por estradinhas estreitas e cheias de curvas em cotovelo, faziam-me temer pelas minhas habilidades de condução! E depois eu tinha de descer o país e a condução dos italianos não é a mais ordeira e pacífica que conheço. Mas eu nunca deixo as inseguranças tomarem conta de mim, deixo as preocupações para pensar depois, à medida que as coisas vão surgindo.

Agora a minha prioridade era tomar um bom pequeno almoço e arrumar as minhas coisas para partir!

O alojamento era uma casinha muito simpática, dentro de um grande jardim, aparentemente cheia de gatos e cães

ou, pelo menos, de gente simpatizante dos bichinhos, a considerar pelas diversas placas engraçadas sobre peludos e patudos.

Na realidade não vi gato nem cão, apenas gente. Desta vez não tive companhia felina ao pequeno almoço!

Eu não queria enfrentar trânsito intenso, mas, ao mesmo tempo, não conseguia resistir à proximidade de Roma. La fui andando e, sem querer querendo, acabei por não resistir e atravessar a cidade!

Ao tempo que eu não passava ali, as saudades que eu tinha de Roma!

Claro que fiquei com saudades na mesma, porque depois do esforço de conduzir no meio do trânsito intenso, a vontade era de me pôr a andar dali para fora.

Tenho de voltar a Roma com mais tempo e com ambas as mãos a funcionarem bem.

Naquele momento eu não queria confusões, queria apenas rolar pelo país abaixo sem muitas manobras motociclistas, apreciando apenas o que fosse aparecendo à medida que eu ía passando. Assim passei em Sora, ou Sora passou por mim, com a sua Abbazia San Domenico Abate, do século XI, tão bonita, na beira da estrada!

Aquela é uma zona que eu quero explorar melhor, mas não naquele momento.

Mais abaixo aquele rio tem perspetivas muito bonitas, na Isla del Liri, mas o movimento para aquele lado era tanto que eu fugi para a paz.

Espreitei só a Piaza S. Restitura, para tomar um café e porque tinha visto a traseira da Chiesa Collegiata di Santa Restitura, a padroeira da cidade, que parecia quase um castelo. Na realidade muito semelhante à Abbazia San Domenico lá atrás, mas é uma construção muito mais recente, do século XX.

Tomei o meu café com uma paisagem sem turistas, um privilégio que aproveitei bem!

A estrada livre era o momento de paz para a minha mão dolorida, e era nestes momentos que eu aproveitava para pousar a mão do depósito da moto e a deixar descansar..

Então eu vi a Basilica Santuario di Maria Santissima Addolorata ou Santuario dell’Addolorata di Castelpetroso no meio dos montes. Eu já tinha passado ali uns anos antes.

Tive de parar e decidir, enquanto lanchava qualquer coisita: vou até lá ou sigo caminho?

O santuario era tão bonito visto da estrada que eu tive de lá ir, só passar, para ver de perto.

A magnífica construção é Neogótica.

Santissima Addolorata é o mesmo que Santíssima Senhora das Dores e o santuário tem uma história que vale a pena saber!

Em 1888 a Virgem apareceu pela primeira vez a dois pastores que procuravam uma ovelha perdida. Eles a viram ajoelhada, olhando para o céu, com Cristo morto a seus pés. Uma Pietà. Meses depois o bispo de Bojano foi ao local investigar sobre a aparição e também A viu. Então 2 anos depois foi lançada a primeira pedra para a construção do santuário, que apenas foi consagrado em 1975, mais de 80 anos depois!

No altar fica um oratório neogótico com a escultura da Pietà, a Nossa Senhora das Dores com Cristo morto a seus pés.

E aquela cúpula é hipnotizante! Acho que, para mim, todas as cúpulas o são!

Lá de cima a paisagem tem outro encanto, que da rua não dava para perceber!

Só pela perspetiva da paisagem já valeu a pena ir até lá, mesmo passando por algum transito e alguns turistas e peregrinos.

Ainda tinha uma série de quilometros para fazer e quando é assim eu aproveito as paragens para abastecer, para me abastecer também.

A minha motita dava nas vistas onde eu parava, acho que, pelo facto de ser branca chamava mais a atenção. Ao tempo que não me perguntavam se eu vinha da Polónia! E eu tinha de lembrar que Polónia é “PL” e não apenas “P”.

As paisagens continuam lindas à medida que se desce o país, afinal a Itália é linda, toda ela!

Mas à medida que se desce, o lixo aumenta. Não há área de descanso sem lixo, apenas há com muito ou pouco!

E quando precisei de parar, por um motivo qualquer, tive de esperar e andar até encontrar uma área menos suja, porque não é só o lixo que incomoda, é o mau cheiro também, tão mau que eu podia senti-lo ao passar na estrada!

E não, não é só nas áreas de descanso que ele está, é um pouco por todo o lado..

Ainda cheguei a Bari de dia, a tempo de passear um pouco pela cidade, comer e descontrair.

Eu já tinha estado na cidade, por isso não tinha ansias de a catar em pormenor, apenas passear um pouco.

A cidade é muito interessante, com um centro histórico muito bonito, feito de pedra branca e construções cheias de história.

Sempre que ando a pé pelas ruelas de uma cidade e vejo uma moto a passar, dá-me vontade de ir buscar a minha e andar por ali também! Uma vez fiz isso no bairro gótico em Barcelona, tinha eu uma PanEuropean qualquer, e foi giro de ver, porque as ruelas a dada altura eram tão estreitas que as pessoas tinham de se encostar às paredes para eu passar. Só parei quando deparei com uma placa de proibição à circulação de motos!

Bem, ok, naquele dia eu não estava em grandes condições para andar a manobrar a moto em ruelas tão estreitas com um piso meio escorregadio, do polimento das pedras que o compunham!

E lá cheguei até à Piazza del Ferrarese, só para não ir embora sem ter passado no centro do local!

Estava na hora de ir para casa, a minha vontade de explorar tinha sido mais forrte que a dor na minha mão, mas agora era ela que estava a vencer!

Amanhã tenho outra seca de ferry para apanhar…

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