59 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Brugge, a encantadora!

28 de Agosto de 2012 – continuação da continuação!

Brugge é um cidade encantadora onde apetece passear a pé, tirar umas fotos, parar numa esplanada, sem pressas, apenas apreciando o momento!

Uma cidade onde eu viveria feliz, porque é linda e é perto de tantas outras coisas lindas!

Uma cidade muito antiga e que é cidade há quase 900 anos, cheia de história e histórias pela história fora!

Para além de canais ela tem também lagos e parques e muitas zonas verdes como o Kon Astridpark!

Que tem até direito a uma grande igreja! Aliás parece que igrejas é o que não falta na cidade!

Dizem que Brugge é a Veneza do Norte, por causa dos muitos canais que cruzam a cidade… mas que me perdoe quem é fan de Veneza, mas Brugge tem coisas em que é mais bonita!

Permanentemente cheia de turistas, tem para oferecer todo o tipo de atrações turísticas e culturais!

A praça da Municipalidade é um dos centros da cidade com a sua Câmara gótica do séc. XIII, a mais antiga da Flandres.

Dizem que tem, na sua fachada, alternando com as 6 janelas, 48 nichos com estátuas!

Ao lado fica a Basilique du Saint-Sang – Basílica do Sangue Sagrado, um santuário românico do séc. XII. Diz a lenda que o Sangue Sagrado de Cristo foi trazido de Jerusalém para a cidade!

E as rendas!
As rendas são património preservado!

Desde o século XV, quando Charles V da Bélgica decretou que a renda deveria ser ensinada nas escolas e conventos das províncias belgas, que as técnicas rendeiras, além de não se perderem, se foram aperfeiçoando e tornando ex-libris de cidades, aldeias e do próprio país!

Rendas que já fizeram e dominaram a moda ao longo da história, como durante o renascimento.

A renda típica de Brugge é a renda de bilros, que é rara e acarinhada porque só pode ser feita artesanalmente! A mais procurada é a “Toveressesteek” – “Ponto de Feiticeira”, que requer entre 300 a 700 bobinas (bilros), e deve ser mesmo necessário ter poderes mágicos para não baralhar aquilo tudo e fazer uma rodilhice de fios!

Por vezes encontramos rendeiras que trabalham à entrada da porta de casa, para que os transeuntes possam apreciar a técnica!

E volta-se sempre à Grote Markt – Grand Place…

Já tinham retirado a bancada da frente do Campanário, já não haveria mais concerto de carrilhão!

Não iria voltar a comer mexilhões! Apetecia-me encher a barriga de porcarias, por isso fui à procura de uma casa de batatas fritas, onde toda a gente compra pacotões de batatas com molhos para comer sentados pelos muros na berma do canal!

Só faltava localizar o tal canal!
Era logo ali à frente!

Huuuum, há dias em que só uma coisa desta me serviria de jantar! Batatas fritas e espetadas! Delicia!

E então com o “Rozenhoedkaai” – O Cais do Rosário, como cenário, tudo estava perfeito! Aquele canal é o mais fotografado e desenhado da cidade!

Segui para mais uma voltinha pela cidade, até ficar noite!

Porque há recantos lindos por todos os lados, basta apenas passar e apreciar!

A vantagem é que se passeia por ali como por Amesterdão! Pode-se andar por todo o lado, pelo menos de moto, encostar e disparar mais uma foto, sem que ninguém stresse com a gente!

Na realidade estamos muito perto da Holanda e há pormenores que nos fazem pensar que até estamos lá!

Há diversas portas da cidade, esta é numa ponte muito bonita! Não passa trânsito ali, há um pino no meio do caminho, mas a minha motita passou!

A cidade é quase totalmente cercada pelo rio, o que faz com que este sirva de foço nas entradas antigas da cidade!

Então vi que o sol estava a preparar-se para se pôr em efeitos de laranjas e nuvens muito bonitos e saí um pouco da cidade na sua direção!

E vivi mais um momento de paz, deslumbrando-me com ele, antes de voltar para a pousada de juventude e me encher de cerveja com o povo!


E foi o fim do trigésimo dia de viagem!

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58 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Oudenaarde e Gent!

28 de Agosto de 2012 – continuação

Fiz a curva no mapa e segui para Oudenaarde, uma cidade pequena que já foi grande na produção de tapetes! Uma cidade antiga com uma história longa e antiga, cheia de altos e baixos.

Fui recebida pela Sint-Walburgakerk, ou colegiada de St Walburga, uma igreja dedicada à padroeira da cidade! Uma igreja gótica do séc. XII, com um “chapéu” barroco no topo do campanário!

Pousei a minha Magnífica logo por trás da igreja e não tardou a fazer uma amiga igual a si! Senti um pouco de vergonha e pena por ela, pois estava mutilada, ao lado de uma menina lindinha e limpinha… mas depois pensei que não havia porque se envergonhar, já que a sua vida fora cheia e rica e isso cura qualquer orgulho ferido!

O que eu procurava era a belíssima Camara Municipal lá do sítio! Um edifício em gótico flamejante construído no séc. XVI. É nestes casos que os estacionamentos deviam ser arrumados para a periferia, mas na Bélgica encontraria muitos mesmo “em cima” dos monumentos, impedindo muitas vezes a completa visualização dos edifícios mais bonitos da cidade!

Alguns recantos encantadores são muito antigos por ali!

E fui andando para Gent, uma cidade que há muito queria visitar!

Gent é uma cidadezinha medieval encantadora onde tudo parece ficar no mesmo lugar! Dá-se a volta e encontra-se mais e mais coisas!

A Catedral de St Baaf nasce sobre uma primeira construção em estilo românico mas é renovada posteriormente em estilo gótico!

Curioso o jogo de cores de pedra que é usado no interior!

Na praça em frente as casas são deliciosas e perfeitamente enquadradas no conjunto!

Mais à frente, do outro lado da praça, fica o Beffroi, um campanário do séc. XIV que possui um carrilhão de 44 sinos conhecidíssimo nos Paises baixos!

É uma das três torres no centro histórico de Gent, com as da Catedral e da Igreja de Saint Nicolas logo a seguir!

E a seguir lá estava a Sint-Niklaaskerk que é o mesmo que dizer a Igreja de Saint Nicolas ou São Nicolau!

A igreja é um dos maiores e mais antigos edifícios da cidade e foi construído com pedra azul de Tournai. Diz-se que o seu estilo é “gótico de Tournai”!

Uma pena os fios dos trolleys por todo o lado a traçar os enquadramentos!

Depois há o rio Leie, com ar de canal, que atravessa a cidade e onde as pessoas se passeiam de barco ou a pé, ou ainda se sentam a curtir um solzinho da tarde que foi o que eu fiz também!

Ali é a Graslei, a área movimentada de comércio com edifícios remarcáveis, testemunhas da riqueza do local, ainda hoje!

E tudo parece ter sido desenhado para combinar com o que já existia por ali, em paisagens encantadoras e enquadramentos perfeitos!

E na outra margem do rio, e no extremo da ponte de Sint-Michiel, fica a Sint-Michielskerk, que é o mesmo que dizer Igreja de São Miguel, e que me atraía grandemente!

Algo de descomunal e exótico me atraiu, porque eu não vejo todas as igrejas que me aparecem pela frente! Apenas as que me atraem!

A construção, em gótico tardio, tem elementos posteriores muito importantes, devido aos diversos reveses e recuperações que sofreu, depois de incêndios, abandono, pilhagens e destruições deliberadas que quase levaram à sua demolição!

O interior é grandioso e os jogos de cores, entre a pedra e o tijolo, são harmoniosos e fazem pensar no que se teria perdido com o desaparecimento do edifício!

Pus-me a olhar para uma nossa Senhora que achei curiosa pela simplicidade e contraste com a parede de tijolo…

e fiz amizade com um senhor que estava ali sentado a desenha-la! Gosto muito de ver gente a desenhar, por isso pus-me ali no paleio com ele e ainda fiz uns sarrabiscos também!

E com a treta esqueci-me de fotografar a obra de Van Dyck que está lá numa parede, como se fosse um quadrozito de um habilidoso qualquer… apenas uma obra de um dos maiores pintores do barroco flamengo!

E voltei para o centro da cidade, do outro lado do rio.

Porque será que as grandes igrejas negras perecem mais colossais que as outras?

A minha Magnífica lá estava, discretamente encolhida junto com a biclas… a espantar olhos! Perguntaram-me pela centésima vez se estava tudo bem comigo, já que a moto estava partida…

Peguei nela e nem o castelo fui ver. Eu sei que o castelo de Gent é digno de uma visita, mas não me apeteceu, em contrapartida estava era a apetecer-me passear pelas ruínhas secundárias e ver o que passasse na minha frente, enquanto me dirigia para Brugge de novo, que já tinha saudades da bela cidade!

A perfeita imagem do paraíso, para mim, é encontrar ruínhas destas quando estou cansada da cidade!

Fui seguindo até Ooidonk, atrás de umas coisas e de outras, e encontrei um castelinho/palácio que me pareceu irreal à primeira vista!

Um dia vou passar pela zona e irei visita-lo por dentro, está na agenda! Mas naquele dia limitei-me a “roubar” enquadramentos!

E voltei para Brugge, aquela cidade que não me canso de visitar e onde é sempre um prazer passear!

(continua)

57 – Passeando até à Suiça 2012 – A Bélgica – Veurne, Ieper e Tournai…

28 de Agosto de 2012

E hoje, 12-12-12, já que o mundo não acabou, vou contar mais um pouco desta viagem que se aproxima do fim! Desta vez é mesmo história até ao Natal! 😀

Naquele dia eu iria começar a desvendar os mistérios de um país de que se fala pouco! Parece que ninguém vai passar férias para Bélgica, não se lê nada de especial sobre ela e isso desperta-me muito mais interesse do que aqueles sítios onde toda a gente vai, em tom de missão motociclista!

Então daria uma bela volta por alguns sítios que estudei em casa e outros que se atravessassem no meu caminho e a que nunca resisto!

Segui para Veurne, que em francês se diz Furnes, nunca hei-de entender estas línguas que dizem as coisas de maneira tão diferente!

Veurne chamou-me a atenção pela sua arquitetura simpática de ruelas acolhedoras a fazer lembrar Brugge. Na realidade é uma cidade renascentista em tijolo amarelado! A igreja gótica de St Walburga em tijolo vermelho chama a atenção!

Não se podia visitar, estava lá dentro um funeral… parece que morreu muita gente por ali naqueles dias, pois não foi o único funeral que encontrei!

A cidade não é a coisa mais extraordinária de se visitar por isso, depois de uma voltinha, segui para Ieper, por caminhos interessantes!

Ieper é uma cidade muito mais monumental, embora o principal se encontre num espaço limitado!

A cidade esteve no centro de diversas guerras e batalhas pela sua posição estratégica junto da Alemanha. Todo o centro histórico foi já um monte infinito de escombros…

Depois da Primeira Guerra a cidade foi reconstruida fielmente pelos desenhos e fotos da época, com dinheiros da Alemanha, que não respeitou a neutralidade do país e fez da cidade, além de um campo de batalha, um local de experiências, onde gazes foram usados sobre soldados e população!

O Palácio do Pano, segundo a tradução, é imponente e cheio de placas que honram quem morreu para libertar a cidade!

A Catedral de Saint Martin gótica do séc. XIV é um dos edifícios mais altos da Bélgica e fica logo ali ao lado!

Passear por ali e imaginar que aquilo já foi campo de várias batalhas teve um efeito em mim!

Na catedral que, por acaso já não é catedral e sim proto-catedral, estava mais um funeral!
(Proto-Catedral quer dizer que já foi catedral e já não é, porque para ser catedral tem de ter um bispo residente e certamente já não há um por lá!)

Não tive coragem de entrar por isso andei no perímetro a cuscar o exterior!

A Cruz Irlandesa, em honra dos Irlandeses mortos por Ieper…

E a Praça do Mercado é muito bonita e acolhedora. Ninguém imagina que tudo aquilo foi destruído e reconstruido há menos de um século!

E ao sair da cidade, em direção a Tournai, a torneira mais famosa lá da zona lá estava no meio de uma rotunda!

Mas, como era de esperar, o caminho é feito de cemitérios e memoriais aos mortos de todos os países que ajudaram a libertar Ieper. Este seria mais um dia que eu passaria “rodeada” por memórias da Primeira Grande Guerra…

Como o Kasteel Zonnebeke – Memorial Museum 1917, que conta as cinco batalhas de Ieper… mas eu não quis ver e apenas visitei os jardins…

E os cemitérios militares sucedem-se pelas ruas que fui percorrendo…

Até eu não parar mais para ver mais nenhum….

E chegar finalmente a Tournai!

Uma cidade que viveu 18 séculos de história bem variada e cheia de reveses, mas que preservou o seu carisma de cidade de arte! É uma das 2 cidades mais antigas do país e permanece um polo cultural importante.

A catedral de Nôtre Dame de Tournai é uma estrutura extraordinária e impressionante! Em pedra negra, sobressai do perfil da cidade como um ser vivo que tudo observa! Conhecida como a catedral das cinco torres, foi construída no séc. XII em três estilos ainda visíveis: a nave é românica, mais antiga, o coro, ou altar é gótico, mais recente e um estilo transitório entre os dois liga estes grandes elementos da construção, no transepto. Hoje está em restauro profundo, que a trará de novo a toda a sua magnificência e imponência! Da Grand Place a catedral imensa sobressai acima de tudo, Christine Lalaing em primeiro plano, a princesa heroína e guerreira que defendeu a cidade contra invasores na ausência do marido, parece apontar para ela!

Christine Lalaing

E fui à procura do colosso! Desde a primeira vez que eu vi uma imagem daquela catedral eu quis vê-la ao vivo!

A gente vê-a por cima de tudo e depois tem de dar a volta e procura-la no meio das ruelas e casinhas!

E de perto, junto da entrada principal, nem parece o colosso que é!

O portal trabalhado pede restauro…

E é o que está a acontecer por estes dias!

Um altar lateral, no transepto, está a servir de altar-mor, enquanto este está subterrado em andaimes!

Curioso encontrar uma escultura dedicada a Roger de la Pasture, um pintor flamengo que tem obras famosíssimas, algumas no nosso museu da Gulbenkian! A bem dizer eu nunca tinha reparado que ele nascera em Tournai! 😮

Voltando à Grand Place ainda deu para brincar um pouco com a água que saia de repente do chão!

É permitido estacionar numa parte de praça e o conjunto formado pelos carros e pelo património é, no mínimo, curioso!

Ainda dei uma vista de olhos á igreja de Saint Quentin, uma igreja românica do séc. XII!

E lá estava o rio Scheldt, a parecer um canal!

E não se consegue ficar indiferente à catedral que se vê de todos os pontos da cidade!

E mais monumentos que lembram quem morreu na guerra, aparecem em Tournai também!

“Esquecer o passado é aceitar o seu regresso!” (Winston Churchill)

Triste mas real e presente por todo o lado naqueles países que tanto sofreram nas guerras…

(continua)

56 – Passeando até à Suiça 2012 – Reims, Arras, Kortrijk e a bela Brugge!

27 de Agosto de 2012 – continuação

Claro que Reims é aquela cidade que é grandiosa pela catedral grandiosa que tem! Que se há-de fazer? Foi o dia das catedrais/basílicas/igrejas! Fiquei muito mais santa depois daquele dia! 😉

E não consigo passar em Reims sem ir ver a dita catedral! É “apenas” a catedral mais extraordinária de França!

A Catedral de Notre-Dame de Reims é aquele monumento incontornável que ninguém consegue ignorar quando passa perto da cidade! Construída no séc. XIII é até hoje uma das duas catedrais góticas mais importantes de França, juntamente com a catedral de Chartres.

Na realidade ela é o monumento, é a igreja, é a cidade, é tudo naquele recanto de França! Olha-se para ela e olha-se para o poder humano sobre a pedra, a gravidade e a beleza!

Ali se passaram alguns dos momentos mais importantes e inesquecíveis do país, entre eles a coroação de Carlos VII, em 1429, com a presença de Joana D’Arc, depois de ela ter liderado a expulsão dos ingleses do território!

Sobreviveu milagrosamente aos intensos bombardeamentos da II Grande Guerra, embora bastante danificada. Mas felizmente, enquanto uns humanos destroem, outros reconstroem e ela ali está hoje, magnifica!

Grande parte dos vitrais medievais da catedral desapareceu, vítimas da sua fragilidade e da estupidez humana… já que a catedral foi bombardeada insistentemente na primeira guerra também, por exemplo!

E lá estavam os vitrais de 1974 de Marc Chagal, pintor francês de origem russa que visitava frequentemente a cidade para trabalhar.

Pela maqueta da catedral pode-se ver a dimensão do edifício, se compararmos o seu todo com a dimensão das portas, por exemplo!

E os interiores são lindos e misteriosos, testemunhas da história de um povo!

A rosácea, sobre o portal principal, é extraordinário e nesta catedral é única e característica, pela sua dimensão, beleza e enquadramento no conjunto arquitetónico e escultórico!

E ela faz-nos sentir bem pequenos e insignificantes aos seus pés! Curiosamente a sensação que tenho sempre, quando estou junto dela, é que é mais “poderosa” que a de Colónia ou Estrasburgo! Talvez porque, por não ser tão alta, tem um ar mais robusto e próximo de nós! Quase ameaçadoramente próxima de nós mortais! 😀

As suas torres são “cortadas” o que ajuda a sensação, pois não sendo pontiagudas, como as das outras catedrais, tornam-na mais larga e baixa!

No jardim em frente a estátua de Joana D’Arc, permanece junto do local onde levou o seu rei…

Para sempre espantosa aquela igreja…

E continuei o meu caminho para norte, fazendo com que Arras ficasse no meu caminho, uma cidade que me chamou a atenção na história!

Uma cidade com uma história antiga, feita de invasões, influencia, cultura e encantos, mas também de destruição e guerra, já que foi palco de batalhas e invasões com edifícios destruídos tanto na Primeira quanto na Segunda guerra! Centenas de suspeitos da Resistência francesa foram executados ali, durante a Segunda guerra, quando a cidade esteve ocupada pelos alemães…

A Camara Municipal e o seu campanário estão catalogados pela Unesco! Originalmente construídos entre os sécs. XV e XVI em estilo gótico, mas destruídos durante a Primeira Guerra, em 1915: o campanário foi destruído e o edifício da Camara queimado juntamente com grande parte da cidade …

A reconstrução foi feita com todo o cuidado, mas desta vez em betão armado, segundo o trado original…

A Grand’Place d’Arras com cerca de 2 hectares de área, onde desde sempre se fizeram feiras e mercados, e as suas 155 casas flamengas de estilo barroco, construídas a partir do séc. XVII.

Tudo ali e pela cidade toda, foi severamente afetado pelos bombardeamentos da Primeira Guerra. Toda a gente foi também sujeita à obrigação de apresentar os planos para as reconstruções, afim de que não se perdesse o traçado nem o aspeto anterior à destruição!

E foi uma medida acertada a considerar pela harmonia e beleza que se recuperou!

E voltei a partir, para entrar finalmente na zona flamenga da Belgica!

Segui para Kortrijk, nome flamengo que em português se chama Courtrai, com a sua Grote Markt, uma praça encantadora e que parece o centro do mundo dali!

O campanário da igreja de Sint-Maartenskerk ao fundo, que é o mesmo que dizer igreja de São Martinho como está fácil de ver!

Estava fechada, mas mesmo por fora é linda!

Gótica do séc. XIII … há lá dentro coisas que eu queria muito ver, mas terá de ficar para a próxima vez…

O seu campanário de 83 metros! Imponente!

Mais à frente fica a Onze-Lieve-Vrouwekerk kortrijk, que é o mesmo que dizer a Catedral de Nossa Senhora de kortrijk!

Uma construção do séc. XII em estilo românico, é um dos edifícios mais antigos da cidade e é “protegido” por isso!

Já foi como que uma fortaleza para proteger a população em tempos muito remotos e isso é visível pelo seu ar robusto e inexpugnável!

Ao longo da sua longa história muitas histórias passaram por ela, desde pilhagens, destruições, roubos, armazenamento de serreais e a iminência da demolição… a tudo sobreviveu com o esforço da população…

Foi fortemente danificada durante a Segunda Guerra em que, alem dos bombardeamentos, peças, como o relógio da torre, foram roubadas pelos alemães!

Os seus interiores não são românicos há muito, devido às remodelações posteriores, mas contem ainda recantos muito bonitos e antigos, como a Gravenkapel, do séc. XIV, já em estilo gótico!

No meio da praça fica o monumento aos mortos na Primeira Guerra..

Uma espécie de campanário com um telhado no topo onde personagens douradas deverão tocar um sino, ou algo parecido!

Na outra ponta a camara municipal, um belíssimo edifício barroco!

Cá está ele! A minha motita estava estacionada pertinho!

Peguei nela e segui caminho para Brugge, uma das cidades mais encantadoras que conheço e onde ficaria vários dias.

A sua Grande Praça, Grote Markt, é encantadora! Como eu dizia um dia, que me desculpe Vitor Hugo que achava que a Grande Praça de Bruxelas era a mais bonita do mundo… mas esta não lhe fica nada atrás!

A torre Halletoren, do séc. XII é espetacular e possui um carrilhão com 47 sinos que naquele dia estaria em concerto, por isso havia uma bancada montada na frente!

Podia-se entrar no espaço interior

Mais uma torre que eu gostaria de subir um dia, mas são 366 degraus que me arruinariam os músculos das pernas… por isso ainda não foi desta vez que subi!

O palácio provincial fica logo ali ao lado!

Mas eu estava era cheia de fome e fui buscar a motita para o meio da praça, onde outras motos estavam instaladas também e fui eu mesma instalar-me para comer!

Enquanto a moto espantava olhos eu enchia-me de mexilhões! Ui, o que eu gosto daquilo!

A paisagem da esplanada do restaurante era tão bonita que nem apetecia ir embora!

Demorei o tempo todo do mundo, a comer, a beber e na conversa com quem estava por perto, até a noite me chamar para a cama!

O concerto do carrilhão iria começar a qualquer momento, mas eu não esperaria, fui-me embora para casa, que naquele dia era em Brugge!

Fim do vigésimo nono dia de viagem!

55 – Passeando até à Suiça 2012 – Troyes… ou a cidade das 10 igrejas!

27 de Agosto de 2012

Naquele dia seguiria para norte, como inicialmente previra, antes de mudar os meus planos e desviar-me do meu caminho! Seguiria para a Bélgica mas não sem antes catar todos os recantos de Troyes!

Não foi por acaso que eu decidi pernoitar em Troyes!
Há muito tempo que a cidade estava na minha lista de “imperdíveis”!
Trata-se de uma cidade muito antiga e cheia de habitações e igrejas medievais! Nem eu imaginava quantas!

Passeia-se um bocado pela cidade e parece que em cada esquina há uma catedral! Não é por acaso que lhe chamam “La ville aux 10 églises” (a cidade das 10 igrejas!)

A primeira que procurei, seguindo a sua torre por cima das casas, foi a própria catedral dedicada a São Pedro e São Paulo: Cathédrale de Saint-Pierre et Saint-Paul.

A catedral gótica do séc. XII foi vitima de tudo e mais alguma coisa! Diversos fenómenos naturais e “erros” humanos provocaram momentos de destruição no belo edifício, desde guerras, invasões, tufões, tornados e raios que lhe caíram em cima!

Mas conseguiu chegar até nós linda e de novo a precisar de restauro, que está em curso no momento!

Das coisas mais bonitas no gótico são as “paredes de vidro” onde os vitrais provocam os efeitos mais extraordinários com a luz exterior!

Quem vê a igreja por fora não imagina a sua grandiosidade e beleza interior!

Embora seja um edifício remarcável!

Dá-se-lhe a volta e encontram-se edifícios extraordinários, bem antigos!

E outra igreja gótica, a igreja de Saint Nizier, do séc. XVI. Está meio em mau estado e a clamar por restauro!

O que vale é que, pelo que soube, a cada ano um novo edifício entra em fase de restauro e esta igreja já tem vestígios disso pelos andaimes que estão parcialmente colocados!
Não a pude ver por dentro pois estava fechada!

Segue-se mais um pouco pela rua e encontramos mais uma igreja gótica: a Basilique de Saint-Urbain, do séc. XIII

Começada a sua construção no séc. XIII, demorou 8 séculos mais a ser concluída, porque o dinheiro era pouco. Hoje é dedicada a Saint Urbain, o padroeiro da cidade.

Visitei-a demoradamente por dentro, rodeei-a pelo exterior. As suas gárgulas são curiosas, criaturas humanoides, mais do que monstros.

E há momentos que uma camara capta e que não temos a certeza se foi realmente capaz de o fazer! Momentos de rara beleza e demasiado fugazes para que o olho humano memorize e retenha… Trouxe comigo o voo do passarinho!

E o interior era surpreendente!

Mais uma vez aqueles tetos altos, com paredes iluminadas por vitrais, me fascinaram!

As casinhas em redor, e por todo o lado, parecem irreais e saídas de livrinhos infantis!

Mais à frente fica o centro mais “compacto”, em termos de construções medievais extraordinárias!

Casas lindas, boa parte delas do séc. XVI, em madeira ou com os travejamentos exteriores, casas de estuque e lindas de ficar demoradamente a olhar para elas!

Ruelas estreitinhas, como a “Ruelle des Chats” (Ruela dos Gatos)

E pimba, mais um igreja: a Eglise de Sainte-Madelaine, a mais antiga de Troyes, do séc. XII. Inicialmente em estilo românico e posteriormente, no início do Séc. XIII, remodelada já em estilo gótico que acabava de aparecer na França!

O seu jardim já ganhou o prémio das cidades floridas! Na realidade ele é bonito e original já que os corredores para as pessoas passarem, em vez de serem de terra batida ou empedrados, são relvados!

Do jardim pode-se apreciar a construção em redor!

O interior é extraordinário!

O coro e a abside em gótico flamejante, provocam um efeito de grandiosidade e estranheza!

Fiquei ali a olhar!!

Lá fora as ruelas continuam de regresso à cidade histórica, deslumbrantes!

Para encontrar mais à frente a Eglise de Saint-Jean-au-Marché, gótica do séc. XIII, (igreja de São João do Mercado) porque fica no meio da cidade medieval, onde se faziam grandes feiras!

Não a visitei por dentro porque estava fechada! Na realidade está a ser restaurada aos poucos de acordo com patrocínios que vão sendo angariados…

Pela parte que já está pronta, pode-se ver que deve ser muito bonita e vale a pena preservar!

E vi 5 das 10 igrejas de Troyes, apenas aquelas que “se atravessaram no meu caminho”!

A cidade ficou-me no coração pela beleza antiga que encerra e desejei voltar a visita-la de novo um dia!

Entretanto segui o meu caminho pela França profunda, como eu gosto de chamar à imensidão dos campos e searas sem fim, até Reims!

(continua)