9. Danúbio 2016

15.08.2016 – Brașov

Cucu!
Depois de um belo dia de introspeção, atravessando zonas pobres e quase desertas, por estradas que a minha Negrita adorou, ou não fosse ela para ‘Cross’ e para ‘Tourer’, cheguei a Brazov onde parece que está toda a população da Roménia e arredores! Jantei na praça com uma mantinha nos ombros, que a noite está fria e ninguém deixa ninguém passar frio por aqui!
Agora vou até ao bar do hotel, que está na maior animação.
Beijucas mil

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16.08.2016

Café no Peles castle!

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17.08.2016 – Sibiu

Cucu!
Pois é, como diz a outra maluca ‘ups, I did it again’ atravessei a montanha e fiz, pela 3° vez a estrada mais famosa do mundo, para chegar a Sibiu! Deixei muita coisa para ver na região, por isso voltei. A tal enorme nuvem mijona vinha atrás de mim e chegou cá uma boa meia hora depois de mim! Acho que ficou aborrecida por não me apanhar na moto e agora está lá fora, toda furiosa, a molhar tudo com toda a força! Eu estou no mesmo hostel do ano passado, fizeram-me uma festa quando cheguei! – Transfagarasan Highway, Romania.

Já que estava na zona, não pude deixar de passar na Transfăgărășan para a experimentar com a minha bonequinha! 😀

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E a minha motita gostou tanto de brincar pela estrada fora! Divertimo-nos à grande! 😀

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Um momento muito mais bonito captado com a máquina fotográfica do que com o telemóvel! A Negrita, bem no meio do caminho, onde ninguém pode estacionar, excepto ela! Parecia uma rainha com toda a gente a olhar para ela! Peles Castle – Sinaia, Transylvania.

 

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Dois austríacos a fazer o Danúbio desde a Alemanha até Budapeste! Levavam tanta tralha que não me consegui conter e tirei-lhes uma foto quando se afastavam. E não andavam a acampar! Levavam era tudo o que poderia ser preciso! 😀
Não chegaram a acreditar que tudo o que eu levava estava comigo, ficaram na ideia de que eu tinha deixado a sacalhada toda no hotel!
Ahahahahaha

 

( Quando a gente viaja regularmente aprende a selecionar o que levar! Não vale a pena ir carregada com coisas que vou usar apenas 1 ou 2 vezes! Interessa-me mais levar espaço vazio para pôr tudo o que preciso, capacete, blusão, e fechar tudo sem deixar nada amarrado à moto! Depois uma peça de roupa lava-se tão facilmente que não há necessidade de levar milhares!)

(Faço o saco para uma viagem de um mês numa hora e nunca me falta nada! Para uma viagem longa faço o saco à ultima da hora e nunca me falta nada! Para ir ‘ali abaixo’ e voltar no dia seguinte, levo tretas que não servem para nada!)

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Hoje, no caminho para cá! (Sibiu)

  1. Passei lá no meu caminho, no castelo do Drácula! Era tanta a confusão como eu me lembro de ser quando o visitei. Filas de carros, pessoas por todos os lados, lojas de recordações cheias de bugigangas e cafés a abarrotar. Quilómetros sem ninguém nas ruas e de repente o planeta todo parece estar no mesmo sitio. Pousei a moto na berma de um passeio e fui apenas dar uma olhada, tirar algumas fotos, que também não é de todo tarefa fácil com tanto turista maníaco a tirar selfies por todos os lados! Ele lá estava, imponente no montículo que lhe serve de base. Com tanto monte bem alto em redor, vá-se lá saber porque foi construído tão chegado ao chão…— emBran Castle – Dracula’s Castle, Transylvania.

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18.08.2016 – Sibiu

Bom dia mundo!
O tempo está ranhoso por aqui mas não chove, o que já é muito bom! O meu hostel é fofinho e típico. Vou passear e ver o que puder com frio e nuvens mijonas em cima de mim!
Até logo

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Cucu.
Vou jantar num restaurante na cidade antiga de Sibiu que tem as luzes mais lindas que já vi, acompanhada de um vinhinho daqui, delicioso!
Tão facil ser feliz aqui!

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E porque uma máquina fotográfica de qualidade é bem melhor que o meu telemóvel sem qualidade nenhuma, o ambiente mais bem registado era assim!

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As casinhas de barro, com velinhas acesas dentro faziam um muro muito bonito e romântico na noite….

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Hoje foi um dia cheio de coisas fantásticas! Corvin Castle, Transylvania.

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Estou tão feia! Com a cara de duas cores! Se fosse um homem deixava crescer as barbas para não se notar como tenho o queixo escuro do sol e a testa branca! Já para não falar da marca do capacete nas bochechas! 😀
E mesmo assim as pessoas acham-me linda e fantástica!!! 😮 Axente Sever, Sibiu, Romania.

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19.08.2016 – Bucareste

Cucu!
Depois de muita luta com a chuva e trovoada… cá estou a jantar tradicional comida romena!

Tão booooom!

Comi Sarmale, um prato de carne picada enrolada em folha de couve, tudo estufado e acompanhada de polenta! Muito bom mesmo!

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Estou tão amuada… descobri agora, quando ia tirar as fotos da maquina para o computador, que não lhe pus o cartão ontem à noite… estava dentro do portátil..
Merda de maquina que não dá sinal de que não tem cartão e tira fotos como se nada fosse!
Só tenho de memória do dia de hoje o que desenhei 😦
Hoje a minha Negrita faz 3 meses e está com 16.000km, não tenho foto do momento, terei de a fazer amanhã, se não me esquecer de novo de pôr dito cartão na maquina…

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20.08.2016 – Plovdiv

Cucu
Depois das temperaturas abaixo dos 12° de ontem, hoje levei com mais de 30°! Realmente não há fome que não dê em fartura!
Fui recebida com um cartaz que dizia ‘Bem vinda Gracinda’ no hostel, que é a coisa mais linda que já vi, nem apetece sair daqui!

Vejam só a recepção a que tive direito! E a mensagem tem uma motinha e tudo! 🙂
Eu adoro a Bulgária e a simpatia dos búlgaros! <3— em Old Plovdiv Guest House.

( Eu nem tinha a certeza se o hostel era ali, entrei para perguntar, não estava ninguém na recepção! Então vi o cartaz e não me pude impedir de sorrir, de orelha a orelha!)

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O meu jantar bem tradicional búlgaro: lasanha. 😀

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20.08.2016

Ainda não foi desta vez que visitei o parlamento! Foi tão pouco o tempo em Bucareste que vou ter de voltar com mais calma para o visitar!

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Toda sujinha, mas foi assim que a minha Negrita celebrou o seu 3º mês de vida!
(se as motos soubessem para o que vêm na minha mão, fugiam quando as fosse comprar!! )

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Coisas que me acontecem em viagem… parte 5! Plovdiv, Bulgária

Estava um calor infernal quando cheguei à fronteira de Ruse, a fila de carros era enorme e havia pequenos grupos de motos no meio. .. Eu não queria ficar ali ao sol a torrar, andando 4 ou 5 metros de cada vez, por isso arrisquei a ‘furar’ a fila, afinal tanto os romenos como os búlgaros são simpáticos com os motards! Mas não queria que os guardas da fronteira me vissem passar assim à frente, por isso parei a uns 50 metros da fronteira. Mas um guarda viu-me e chamou outro ‘bolas, estou lixada’ pensei, ‘nem sequer tenho os papeis todos!’. O tipo aproximou-se e fez-me sinal para atravessar a fila dos carros para outro separador que estava fechado ao transito ‘xi, lixei-me mesmo!!!’ Passei e fui ate à zona de mostrar os papeis. Parei e desci da moto, pronta para o que desse e viesse. Então berra-me o homem lá de trás ‘Go, lady, go!’ e fazia sinal com a mão para eu ir embora. Nem o passaporte mostrei e já estava na Bulgária, deixando toda a gente a tostar lá atrás na fila!
Eu adoro esta gente que não complica!

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21.08.2016 Plovdiv

Bom dia mundo!
Tomando o pequeno almoço no jardim do hostel! Que belo dia está hoje para passear! — em Old Plovdiv Guest House.

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Para dar uma ideia do quanto é lindo o meu hostel, cá está ele visto da rua! Lindo, não é? ❤ — em Old Plovdiv Guest House

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Coisas que me acontecem em viagem… parte 6 (acho!)

Depois de um dia quentinho, a passear por todo o lado, por cerca de 500km, cheguei a “casa” e fui jantar algo tradicional (mesmo búlgaro!) Cheguei ao restaurante, que é mesmo aqui ao lado, e fui recebida com surpresa e admiração! Eu estava cheia de sede e pedi para beber, ofereceram-me uma cerveja de meio litro! Uuuuuuiiiii, que coisa boa, geladinha. Depois veio o jantar! Uma enormidade grelhada à moda de cá! Tanta comida, exclamei eu! Precisas de comer para poderes com aquela moto enorme, disseram-me, bem ao estilo das coisas que eu própria digo quando quero comer muito! Devo confessar que, embora não me ache masculina, não sou nada menina a comer, como como um alarve! E foi o que fiz, comi aquilo tudo e bebi outra cerveja! Quase me bateram palmas no fim! Tu comes como um motard, alguém exclamou! Corei um pouco, mas é verdade…. 😀  — em Plovdiv.

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21.08.2016

Coisas que visitei hoje… pena não se poder ver por dentro o Buzludzha monument, lá em cima! 😦 — em Buzludzha monument.

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Hoje a minha viagem atingiu os 10.000 km!
A minha Negrita tem sido uma cúmplice perfeitamente à altura e hoje, mais do que nunca, confirmo que tomei a decisão certa na nova moto que escolhi para mim!
Somos a equipa perfeita! ❤ ❤ ❤ — em Eyes of God.

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E para terminar o dia, que aqui já é quase uma hora da manhã, sai uma foto minha de hoje. Não está grande coisa, mas foi o que se pôde arranjar! As pessoas só sabem tirar selfies com pauzinhos, quando lhes põem uma maquina a sério na mão nem sabem como se faz! 🙂 — em Eyes of God.

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22.08.2016 às 6:07 · Plovdiv, Bulgária ·

Bom dia mundo!
Hoje vou mudar de pais mais uma vez, desejem-me sorte na fronteira…
Go Negrita, go!

22.08.2016 às  16:48 · Kyustendil, Bulgária ·

Pois é… desta vez não passei!
Não me deixaram entrar na Macedónia, voltei para tras e estou a pensar no que vou fazer a seguir!.

 

Coisas que me acontecem em viagem… parte 7!!!

Não me deixaram entrar na Macedonia, então voltei para a última cidade que tinha cruzado, procurei um hostel, mas está tudo cheio! Estes búlgaros andam todos no arejo por estes dias!!! Pus o GPS a procurar por mim, que é para isso que ele é o meu co-piloto, e ele trouxe-me para aqui, onde estou hospedada. Está a chover a potes com direito a trovões e tudo, deixei a moto na rua e nem a travei, pois podia também não ter um quarto para mim. Ninguém fala inglês aqui, mas estavam preocupados com a moto, então o senhor veio dizer-me que era melhor por a moto no jardim, entendi eu. Peguei no capacete e vesti o blusão para a ir trazer para cá, quando cheguei cá fora… ele tinha-a trazido ele mesmo e estacionado muito bem, à mão! Esta gente é fantástica, não é?

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O que vale é que já tenho o endereço daqui para poder receber o documento! Agora só falta conseguir lê-lo para mandar ao moçoilo! 😀 😀 😀

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23.08.2016 – Kyustendil 

 

Bom dia mundo!
Enquanto estou por aqui em modo stand by, vou descobrindo pequenos momentos passados nesta viagem (Bratislava)!
Beijucas, vou passear!
 

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Ontem…

As diferenças de clima e temperaturas, numa pequena distância, são muito acentuadas! Passa-se do calor intenso, ao fresco, em apenas alguns quilómetros e, sem que quase se aperceba, sobe-se do 300 ou 400 metros para os 1000 e tal. Então as nuvens adensam-se, acinzentam-se e o tempo muda, de repente, também! E quando estava quase a chegar ao Mosteiro de Rila, tive mesmo de parar e vestir o fato de chuva, porque as pinguitas tornaram-se diluvio! O mosteiro estava entre o sol e a chuva, o que dava ao recinto um ambiente meio surrealista de mistura de estações. E tudo valeu a pena, porque ele é lindo!— em Mosteiro de Rila.

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(continuará… logo que chegue o documento da moto!)

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33. Passeando pelos Balcãs… – Transfăgărășan – a estrada mais famosa do mundo!

25 de agosto de 2013

E tinha de me despedir de Bucareste e da Roménia, ainda que me apetecesse tanto lá ficar mais uma infinidade de tempo, ainda que houvesse tanta coisa que eu queria ver… Parti cheia de nostalgia e com a promessa a mim mesma de que voltaria com muito tempo para ver tudo o que pudesse!

Eu iria para tão longe naquele dia… É sempre assim, vou com toda a calma do mundo e volto em grandes “passadas”, longas estiradas! Ali eu iria de Bucareste até Budapeste, duas capitais com nomes parecidos em países vizinhos, que distaram entre si, para mim, cerca 1000 quilómetros.

Dei mais uma voltinha de moto pelas avenidas da capital em tom de despedida e fui visitar a igreja da Ascensão Princesa Balasa que é o mesmo que dizer Biserica Domnita Balasa

A Printesa Balasa, a princesa triste que diz a história sofreu muito e fez grandes coisas, está lá no jardim numa estátua em mármore de Carrara e o seu túmulo está no interior da igreja do séc. XVIII em estilo neorromânico! Eu tinha de ir ver por dentro, claro!

Aquelas igrejas sempre farão um grande efeito sobre mim, de tão diferentes que são das nossas!

Os interiores pintados são fantásticos!

Segui na direção de Sibiu, sabendo que iria passar pela estrada mais famosa do mundo no entretanto!

As paisagens continuavam a ser lindas e inspiradoras! Parece que para qualquer lado que eu me dirigisse nada mudaria, seria sempre tudo lindo!

As capelinhas na berma das estradas eram encantadoras, em ambientes deliciosos! Apetecia parar junto de todas para fazer fotos!

Quando dei por mim estava a precisar de gasolina e, como em todo o lado por onde andei por aquele país, não tardou a aparecer uma estação de serviço com multibanco e tudo para eu abastecer! Nem dava para stressar, há gasolina e multibanco por todo o lado e pronto!

Abasteci, 26 litros, depósito cheio, e fui pagar…

O multibanco “elétron” não pagou! Puxei do visa que uso sempre… não pagou! Valha-me Deus, eu já pagara tanta coisa com aquele cartão naquela viagem e de repente ele não dava sinal de vida?? Puxei do 2º visa, aquele que só uso em ultimo recurso, que isto de andar por países desconhecidos a toda a hora requer cuidados destes, sempre uma possibilidade de ultimo recurso… mas não pagou também!

Fiquei desnorteada, os funcionários da estação de serviço também! Chamaram o gerente, que nada pôde fazer, não havia maneira de pôr aquilo a funcionar! Perguntei onde ficava o multibanco mais próximo. Ficava a 3km de distância em Pitesti. Estava eu a pensar como fazer para me deixarem ir buscar dinheiro vivo para pagar, quando o gerente simplesmente me disse para eu ir! Nada me pediu como garantia, apenas me disse para eu ir!

Ficaram ali os três a ver-me ir embora, com ar de quem achava que eu certamente não voltaria…

Lembrei-me de uma vez não ter comigo a carteira na hora de pagar a gasolina, cá em portugal, numa estação de serviço onde eu ia frequentemente e ter deixado como garantia o meu Mp3 que na altura era um aparelho que valia 150€….

Ali nada me pediram, apenas me deixaram ir!

Ao fim dos 3km lá estava o multibanco, levantei dinheiro sem dificuldade e voltei. Quando entrei na estação de serviço o ar de alegria foi visível nos rostos dos funcionários, agradeceram várias vezes. Acho que voltaram a acreditar na humanidade naquele momento!

Eu não iria deixar que o português fosse visto na Roménia como os romenos são vistos por cá!

Mais à frente uns quilómetros encontrei a placa que procurava, depois de umas quantas pessoas me indicarem aqui e ali que eu estava a ir no bom caminho. Gente simpática!

A Transfăgărășan é considerada uma das melhores estradas do mundo, pelas suas extraordinárias curvas e paisagens, no entanto não foi construída com fins turísticos, desportivos ou paisagísticos! Na realidade ela teve desde o início fins militares, foi construída por Nicolae Ceaușescu em apenas 4 anos, tem 90 km de curvas e sobe a mais de 2000 metros de altitude!

É muito variado no seu percurso até chegar ao ponto mais famoso, passa por gargantas, planícies, lagos e sobe sobe sobe!

Contrariamente ao que eu esperava, não estava cheia de motos, nem de condutores malucos, como acontece nos passos de montanha italianos ou franceses! Havia gente, havia movimento, mas tudo na paz, com direito a espaço e tempo para paragens estratégicas para tirar fotos e tudo!

Parei junto a uma cascata para apreciar o caminho percorrido. Havia ali vários carros parados com pessoas a apreciar o mesmo que eu. Um miúdo foi sentar-se junto da moto, visivelmente fascinado por ela. Os familiares também ficaram a olhar mas ele não tirava os olhos da moto. Percebi que os pais queriam tirar fotos ao miúdo ali, mas quando me aproximei todos se afastaram.

Disse-lhe que ficasse, que montasse na moto para a fotografia. Foi giro ver o seu ar de assombro. Agradeceram-me tanto ter deixado o miúdo montar na moto, fizeram uma festa e muitas fotos!

A estrada é linda…

Encontrei todo o tipo de bichinhos por ela acima!

Passear por um Passo de montanha é sempre o deslumbramento total, depois há estradas míticas que enchem esse passeio de significado, porque é aquela estrada e não outra, a que estamos a fazer! É o caso da Transfăgărășan, famosa pela filmagem do Top Gear, que fez dela “a estrada mais fantástica do mundo”!

Não será a mais fantástica do meu mundo pois já fiz outras tão ou mais bonitas e com curvas tão ou mais fantásticas, mas é uma estrada muito bonita e interessante de fazer, sobretudo quando estamos a subir pelo seu lado menos famoso até ao topo onde começa a sensação de que a estrada anda por todo o lado, como uma linha num bolso. Nesta subida a paisagem é verdadeiramente inspiradora e por vezes quase perdemos a noção da dimensão do que os nossos olhos abarcam, não fosse uma pequena casa aqui ou ali, para servir de bitola de medida!

E chega-se ao topo!

E lá há comidinha e gente simpática e tudo! Nada do carnaval que é em Bormio no topo da Stelvio, que parece uma peregrinação religiosa, apenas um ambiente de montanha com produtos locais à venda!

Depois de comer uns queijinhos com pão e tal, fui ver uns autocolantes da estrada, toda contente, e… não tinha mais dinheiro para pagar! Oh valha-me Deus que isto do dinheiro estava a pôr-me maluca! Então o homem, muito simpático, ofereceu-mos! Que gente boa aquela! Trouxe uns 6 autocolantes oferecidos porque não tinha dinheiro para os pagar, e isso parece a Roménia de que se fala por cá?

Então começa a parte mais famosa da estrada com placas sugestivas que dizem, segundo o tradutor do Google: “Curvas particularmente perigosas circular com velocidade reduzida”

Ora vamos lá ver se a coisa é como nas fotos!

E lá estava ela toda encarquilhada sobre si própria pelo monte abaixo!

É uma estrada larga, que permite uma condução rápida e fluida, podem circular camiões por ela, ao contraria da Stelvio em que as curvas são muito apertadas e não terá ângulo para pesados muito grandes!

O meu Patrick mostrava-me um desenho muito criativo do percurso que eu estava a fazer!

E andava por lá um camião que ocupava toda a estrada a cada curva! Aproveitei para fazer umas fotos e uns desenhos até chegar a ele!

Curiosamente não se viam quase motos nenhumas por ali! E eu só via carros!

Então, de repente passei por… um porco???

O que anda um porco cor-de-rosinha a fazer a mais de 2000 metros de altitude?

E, pela primeira vez na vida, cruzei com uma vara de porcos a “pastar”! Já vi todo o tipo de animais no monte, cabras, vacas, cavalos, burros! Mas porcos? Foi a primeira vez!

Fiquei ali a olhar para eles, todos contentes a passear pela estrada!

E foi o fim da estrada fenomenal e o início da estrada comum!

Andei por ali muito tempo a brincar, desci, subi, mais lento mais rápido e quando segui… o tempo do relógio já era pouco e o tempo meteorológico traiu-me! O céu ficou carregado quando eu andava a curtir umas estradinhas no meio das aldeias e caminhos e o diluvio ameaçou cair sobre mim!

Estava de novo a precisar de gasolina, que isto de andar numa estrada daquelas a brincar, gasta!

E foi na hora que a estação de serviço apareceu no meu caminho… porque o diluvio caiu mesmo, por mais de 2 horas de chuva muito intensa! Os senhores da bomba só me diziam para esperar, quando eu fiz menção de continuar o meu caminho! E fiquei!

Uma RT se juntou à minha Ninfa e eu tive a companhia de um polaco na minha espera por melhor tempo!

Foi um pedaço giro em que trocamos experiencias e conhecimentos, fizemos perguntas e comparamos percursos. O seu trajeto fora muito menor que o meu, mas ele estava tão maravilhado quanto eu com a Roménia, iria voltar para ver mais do país.

Com o tempo que “perdi” ali, que não foi perdido porque trocar experiencias é tão importante para mim com acrescenta-las à minha vida, não pude ir a Sibiu, e isso foi uma pena…

A minha preocupação então era o facto de ter uma luz da frente fundida! Já vi que a sina se mantem, perder uma luz em viagem! Afinal não era mania da Magnífica, a Ninfa fez o mesmo!

O problema agora é que com aquele tempo e a noite a aproximar-se eu não veria nada da estrada para seguir para a Hungria! Por isso decidi que pararia num hotelzinho de beira de estrada a qualquer momento e passaria ali a noite. Budapeste ficaria para outra vez!

Mas então uma situação se criou que me aconchegou o coração e me fez ir até Budapeste por mais de 500km de condução, grande parte noturna! Fui adotada por camionistas que me ampararam e acompanharam, iluminando o meu caminho, fazendo sinais e cumprimentando-me pela janela dos seus castelos com rodas!

A sensação de ir integrada no meio de um comboio de camiões fascinou-me e eu não tive coragem de sair e quebrar aquele ambiente tão agradável! Falei com muitos a cada paragem, comi com eles, ri e brinquei e nunca me senti nem só, nem em perigo nem às escuras! Eu adoro camiões!

E cheguei à fronteira!

Comprei a vinheta para as autoestradas, pois aquela hora eu não iria fazer nacionais, e continuei no meio de uma série de camiões que iam precisamente para Budapeste!

Cheguei à capital à 1.30h da manhã e fui recebida por um motociclista muito simpático que me ajudou a contactar com o hostel que estava fechado àquela hora!

Uma viagem alucinante e diferente de tudo que eu estou habituada! ADOREI!

E foi o fim do 28º dia de viagem

32. Passeando pelos Balcãs… – A Transilvânia e a casa do amigo Drácula!

24 de agosto de 2013 – continuação

A Transilvânia fica na zona central na Roménia e é mundialmente conhecida pelo seu habitante mais ilustre: o conde Vlad Tepes, que nasceu em 1431 e governou o território que corresponde à Roménia de hoje. Ele e o seu castelo inspiraram histórias e romances e hoje vai-se à Transilvânia por causa deles!

Depois de percorrer planícies ladeadas de montanhas deslumbrantes eu sabia que me estava a aproximar do castelo e imaginava-o por ali, no meio da bruma, sobre uma colina qualquer, por entre outros montes sombrios e inspiradores!

Mas os montes estavam longe demais para os 2km que o meu Patrick anunciava! “puxa, como posso estar apenas a 2 km de Bran se os montes estão tão longe?”

Mas os cartazes começavam a aparecer, anunciando o castelo assombrado “Castelul groazei”

É sempre uma sensação curiosa, por vezes um pouco hilariante mesmo, quando estou à espera de uma coisa e encontro outra! Pelas pesquisas que fizera na internet eu percebera que o castelo de Bran não era aquela construção tenebrosa e assustadora que se pode esperar e, quando lá cheguei, percebi logo que não seria também pela sua envolvência que ele seria assustador!

Para castelo do Conde Drácula, espera-se que ele esteja numa montanha ingreme qualquer, rodeado de paisagens sombrias ou, pelo menos, de difícil acesso! Quando chegamos lá, ele está pacificamente assente numa colina baixa, rodeado de comércio e recordações e artesanato local, com gente aos magotes por todos os lados e tem-se a sensação que “qualquer folha de couve” o tapa como eu comentava ainda em viagem. Um passo ao lado e ele desaparece atrás de uma árvore ou de uma série de telhados e o terror não é nenhum, mais parece um castelo digno de um conto de fadas! Mas é um castelinho bonito e pitoresco, isso é!

O movimento e o comércio é intenso por ali, lá se vai o restinho de terror que se podia ainda esperar! Eheheh

Entra-se na propriedade do castelo e os jardins são bonitos e verdes, a lembrar histórias de fadas e duendes!

E lá estava ele, talvez na única perspetiva em que é verdadeiramente imponente e assustador!

Mas foi ao entrar, para o visitar por dentro, que veio a vontade de sorrir!

O castelo é tão mimi que a sensação que eu tinha era que a qualquer momento passaria por mim tudo menos um vampiro! Uma Cinderela? Uma Rapunzel? Uma Bela adormecida? Qualquer uma, desde que fosse protagonista de uma história de encantar e nunca de uma história de terror!

O castelo é encantador, pitoresco e com passagens e balcões criativos que nos fazem percorrer todos os seus recantos! Ui a quantidade de desenhos que por ali fiz e o que eu me diverti no meio de uma multidão que o percorria permanentemente! A uns quilómetros da cidade ele é anunciado como castelo assombrado… mas na realidade deveria ser anunciado sim como um castelo assombroso!

Mas tem passagens secretas por dentro de paredes e tudo!

O castelo de Bran, apesar da sua rica história real, é conhecido pela sua história fictícia e romanceada! A sua lenda deve-se ao seu proprietário por muito tempo, o Príncipe Vlad Tepes, “o empalador”, conhecido pela sua bravura mas também pela sua crueldade para com os seus inimigos e prisioneiros, basta o apelido pelo qual era conhecido para se entender o terror que o envolvia! O castelo estava numa posição estratégica de grande controlo das rotas mercantis entre a Transilvânia e a Valáquia, mas a verdade é que, pelo menos hoje, não está no ambiente tenebroso que se espera!

Ah, aquele poço, que eu desenhei lá de cima, é tão diro! Fica no meio do pátio irregular

e está cheio de dinheiro!

Ninguém conseguia ficar indiferente a ele! Eheheh

Foi uma visita muito gira e, como o tempo estava a ficar uma bosta, deixei-me estar por ali a desenhar por horas!

E lá estava ele, imponente e assustador, por uns minutos, pois sai-se do ângulo e ele volta a ser mimi!

Cá fora encontra-se de tudo sobre o famoso conde e seu castelo!

Aproveitei para comer qualquer coisa e fiz amizade com 2 gregos que andavam por ali de moto. Tinham estacionado as motos junto à minha e ao perceberem que aquela Pan era minha ficaram muito impressionados!

Perguntaram-me de onde eu vinha, disse-lhes que também tinha estado na Grécia e eles pensaram que eu fora até lá de ferry. Ficaram escandalizados quando contei que viera por terra e que naquele momento já fizera cerca de 13.000km!

Mais uns que me perguntaram repetidamente onde estavam os meus amigos…

“Estão em Portugal, eu vim sozinha!”

Então um deles comentou com um ar de desilusão comicamente exagerado:

“E nós a acharmos que eramos uns heróis porque viemos da Grécia até aqui sozinhos… a Grécia é já ali comparando com Portugal, e tu és uma menina sozinha!”

E lá me fui embora, que ainda queria passear um pouco por Bucareste ao entardecer!

Adeus Drácula, gostei muito da tua casa!

E o caminho voltou a ser encantador, com pontes de madeira e tudo! Que coisa gira aquele país!

Ah, as paragens de autocarro eram lindíssimas! Mais pareciam bancos de jardim com telhado e tudo!

Logo ali a seguir fica uma cidade muralhada que eu tenho de visitar um dia. Descobri-a ao passar pois fica lá no topo do monte, como eu pensava que ficava o castelo de Bran, mas não se pode ir até lá de moto e já era tarde para eu apanhar o transporte próprio para ir lá acima. Por isso tirei fotos para guardar na memória para a minha próxima visita ao local! Pelo que investiguei deve ser lindíssimo aquilo ali em cima!

Quando vou a conduzir a máquina fotográfica é, frequentemente, a minha agenda! Registo em foto o que não quero esquecer!

e voltei para Bucareste

onde há momentos em que parece que estou em Paris!

Grandiosa cidade!

Com igrejas tão lindas por fora como por dentro

E avenidas de perder de vista!

Passear à noite por Bucareste, depois de tudo o que foi dito, prometido como perigo e anunciado como calamidade, foi a serenidade total!

Lá estava o parlamento a atrair a minha atenção… vou lá voltar, é certo!

A cidade é grandiosa com o Rio Dâmbovita a completar o seu encanto e a proporcionar reflexos de beleza pelo seu percurso! Se tudo não fosse tão calmo e ordenado, diria que se assemelha a passear por Paris ou Madrid, mas o ambiente é mais sereno e não me senti envolvida pela correria do trânsito!

Tal como eu imaginava, o medo por vezes agiganta as insignificâncias e faz ver monstros onde eles não estão. Adorável cidade, quando lá voltar será para ficar o tempo suficiente para a explorar com a calma e deslumbramento que ela merece!

E voltei para casa, onde a motita dormiria mais uma noite ao relento, na berma de uma rua qualquer no centro de Bucareste, sem que nada lhe acontecesse!

E foi o fim do 27º dia de viagem!

31. Passeando pelos Balcãs… – A Roménia encantadora…

24 de agosto de 2013

Depois de tudo o que me foram dizendo sobre a Roménia, de como tinham sido assaltados por lá ou como me iriam roubar a moto e vende-la às peças e tal eu, por via das dúvidas, tratei de encontrar um hostel com parque para motos!

Curiosamente ao chegar ao local não vi sinais de garagem ou outro tipo de parque privado por perto, certamente seria noutro local próximo. Perguntei na receção onde era o parque privado para as motos. “A moto, mete-se cá dentro!” exclamou o rececionista.

“Cá dentro?” Eu entrara realmente por um pátio estreito e comprido, mas a minha moto não passaria sequer o portão! “Cá dentro? – exclamei – mas ela não cabe!”

“Cabe sim, já metemos cá dentro tanta moto!”

“Pois, mas a minha não cabe, não passa sequer na porta!”

O rapaz olhava para mim incrédulo, imagino que na sua cabeça pensaria que eu devia ser uma aselha para não conseguir meter a moto onde tantos motards haviam já metido as suas!

“Onde está a moto?” – quis saber ele como quem vai tirar as teimas e mostrar-me que eu estava enganada. Espreitou pela janela e viu a minha Ninfa bem de cima, acho que a perspetiva dali a tornou ainda mais imponente.

“Ah, não cabe não!” – exclamou espantado!

Claro que não cabia eu sei muito bem a moto que tenho! E ficou ali a olhar para a moto de boca aberta e olhos arregalados. “E veio até aqui sozinha numa moto tão grande?”

Então chegou-se o responsável pelo lugar para espreitar para a moto também.

“ Não há qualquer problema, a moto pode ficar na rua sem que corra perigo!” – disse ele.

“Olha que eu tenho de ter moto para voltar para casa!” – exclamei eu, ao mesmo tempo que pensava em todas as pessoas que me avisaram para nunca deixar a moto na rua pois acordaria sem ela!

A moto ficou na rua sim, mesmo por baixo da minha janela, e ninguém lhe tocou, nem naquela noite nem na seguinte…

**

De manhã eu só queria passear pelo país!

O tempo estava a mudar, já não estava tanto calor e o céu ameaçava encher-se de nuvens a todo o momento! Mas nada me impediria de ir dar uma bela volta de reconhecimento do local!

O país é grande e com clima variado, sai-se debaixo das nuvens e lá está o sol aberto de novo!

Só encontrei ruas limpas e paisagens bonitas! Será que o feio se afastou todo de mim?

Oh as igrejas! Coisas lindas e diferentes onde ninguém me impedia de entrar ou fotografar!

Achei um piadão àquelas torres torcidas!

As pessoas pareciam honradas pela minha visita, sorriam e faziam sinal para eu visitar à vontade!

Os símbolos religiosos deles são muito bonitos, peças de madeira muito bem trabalhadas, como totems!

Cheguei a Câmpina e encontrei outro santuário!

Eu não conseguia resistir a visitar aqueles santuários lindíssimos revestidos de pinturas extraordinárias!

A forma como tudo é pintado em cores vivas contando histórias, faz de cada local religioso um autêntico livro de histórias!

Depois a ruas são boas e, frequentemente, não têm passeios! Em vez disso têm as valetas relvadas com pontesinhas de cimento ou pedra nas passagens para as casas, que nunca têm a porta da entrada direta para a rua!

E as casinhas são mesmo diferentes, frequentemente com telhados de metal, recortados e trabalhados! Por vezes as construções parecem mesmo grandes casas de brincar, de tão queridinhas que são!

Cheguei a Sinaia, onde havia 2 ou 3 coisas que eu queria ver. As pessoas foram muito convincentes ao indicarem-me mais um mosteiro, o Mosteiro de Sinaia, como “a não perder”!

Na realidade há uma igreja nova e uma igreja velha ali, num mosteiro onde vive um grupo de 13 monges.

A igreja nova é do séc. XIX e é muito bonita!

É uma arquitetura diferente da que estamos habituados, olhe-se para aquelas colunas lindíssimas, todas trabalhadas que até parecem bordadas!

Lá estavam os fieis em filinha para rezarem ao seu santo predileto! E beijam-no, e tocam-lhe, e voltam beijar a imagem e as mãos, e por ali ficavamm neste ritual de beija e toca!

Sai-se da igreja e em frente, depois de uma passagem que atravessa o edifício, encontra-se a igreja velha, do séc. XVII.

Não posso deixar de admirar as pessoas que viajam de mochila às costas e catam tudo!

E era tão bonita! Fazia lembrar as igrejas dos mosteiros de Meteora!

Tudo era encantador naquela igreja!

Pormenores de encanto …

E as casinhas em redor? Eram um encanto, pareciam de brincar, por todo o lado!

Ali ao lado sobe-se ao monte até à Cota 1400

E lá de cima via-se toda a redondeza! O castelo de Bran fica ali para a frente uns quilómetros!

A rua que eu estava a fazer andava por todos os lados! Mais uma que, se fosse na Suiça ou na Itália, teria o nome de Col de qualquer coisa e uma tabuleta em cada curva a contabilizar quantas curvas há para fazer!

Fui até ao castelo de Peles.

Chega-se a um parque lindíssimo, com construções extraordinárias e o castelo fica ali dentro, um pouco mais à frente!

Ali há cafés e lojinhas de recordações e gente simpática que ficou a olhar para mim, como se eu fosse um ET que chegou! Nada que um sorriso e um ar simpático não quebrasse!

Ali fiz amizade com um grupo de motards que não conseguia disfarçar o espanto por me ver!

Estavam todos em motos de pista e a minha Ninfa parecia um autocarro perto das deles! Acho que eles não acreditaram muito que eu vinha de tão longe sozinha, alguns estavam sempre a olhar em volta e a perguntar se os meus amigos não viriam mesmo ali ter!

Com a conversa acabei por demorar muito tempo e optar por não visitar o castelo decidindo ir visitar antes o castelo de Bran… o que acabou por não ser a melhor escolha…

Afinal o Castelul Peles é aquele encanto que só se encontra em filmes e histórias de fadas e princesas! Dizem que é um dos mais belos castelos da Europa, eu acho-o um encanto! É um castelo “recente”, romântico lá pelos finais do séc. XIX e ali viveu o rei Carol I, o fundador da moderna Roménia.

Estava muita gente por ali em visita quer ao castelo quer ao parque.. e eu vou ter de lá voltar para o visitar por dentro!

Toda a envolvência é linda, com construções tão encantadoras como ele e gente simpática. Tinha pousado a moto num sítio ingreme e, quando ia sair, ela não recuava, pois enfiou a roda traseira numa reentrância provocada pelo ralo da água. Toda a gente ficou a olhar sem saber o que fazer, então veio um segurança e empurrou-me para trás, fazendo pressão na frente da moto! Agradeci-lhe tanto, ele apenas fez um gesto de adeus “you’re welcome!” respondeu com um largo sorriso! Toda a gente ficou satisfeita por eu sair sã e salva do “buraco”. As pessoas acenaram-me adeus quando parti!

Toda a zona estava cheia de gente e era compreensível, afinal tudo é lindo por ali, com castelinhos e construções lindas a espreitar aqui e ali!

Havia polícia por todos os lados a organizar o trânsito, agentes simpáticos que não prejudicavam as motos, embora os motards romenos (os que encontrei pelo menos por ali) não fossem muito aventureiros, e seguiam ordeiramente na fila dos carros! Eu não me contive a maior parte das vezes e fui furando e ninguém me impediu de o fazer!

(continua)

30. Passeando pelos Balcãs… – E cheguei a Bucareste!

23 de agosto de 2013

Naquele serão eu estive a beber cerveja e a comer pizzas até às tantas. O hostel tinha a modalidade “faça você mesmo a sua piza” e estavam por lá uns malucos que se fartaram de as fazer para toda a gente. As cervejas eram enormes e deliciosas, por isso não me faltou nada para ser feliz, a considerar que estava a tratar de recuperar o peso que perdera!

O hostel ficava numa ruela sem transito e eu pensei que não haveria qualquer problema em deixar a moto na rua, mas fui vivamente aconselhada a mete-la no quintal ao lado, porque na rua nada era seguro! Oh valha-me Deus, afinal tudo aflito que eu ia à Roménia, que lá roubam e assaltam e afinal na Bulgária já não posso deixar a moto numa rua longe de tudo porque não é seguro?

Logo ao lado, depois da sebe, ficava a zona do forno e das mesas corridas onde a gente fazia e comia pizas! Ninguém ficou indiferente às manobras da moto e a conversa foi naturalmente para de onde vinha eu de moto! Havia lá muita gente da Austrália, um pequeno grupo de rapazes viajava por um mês pela Europa, pelo que percebi, para beber e participar em todo o tipo de festas! Dizia-me um que viajar de moto devia ser a coisa mais aborrecida do mundo porque, além de nos cansarmos, não podíamos beber! Mas eu estava a beber, respondi-lhe eu com a minha cerveja, que parecia quase de litro, na mão! “pois mas não te podes embebedar!”!

Oh rapaz eu para beber não venho tão longe! Não falta o que beber na minha terra, não tenho necessidade de correr a Europa de bebedeira em bebedeira! A verdade é que só falavam do que se bebia aqui e ali, e que em Sofia as bebidas são mais baratas que em Varna e, tarde da noite saíram, chamaram vários táxis, e foram todos para Varna enfrascar mais um pouco!

A verdade é que no dia seguinte de manhã ninguém acordava para vir servir o pequeno-almoço nem para abrir as portas para eu sair!

Estava farta de estar ali, um mundo de excessos nunca foi o meu mundo, sobretudo quando são excessos que me tiram a consciência e me privam de viver o dia! Quando me quiser embebedar fá-lo-ei na minha casa, pois assim vou para a cama e nem faço cenas, nem perco nada da vida… opinião minha, claro!

Este foi um dia grande para mim, de repente iria realizar dois dos grandes objetivos da minha viagem! Eu sei que podem parecer meio malucos esses meus objetivos, mas há coisas simples que significam muito para mim, mais do que estar em algum momento histórico em algum lugar! Vou só, e é nessa “solidão” que eu me realizo ao sentir-me onde desejei ir!

O primeiro objetivo era nadar no Mar Negro! Claro, com tanta vontade de o ver não podia deixar passar a vontade de o tocar!

Lá estava ele, deslumbrante e nada negro….

Ele chama-se negro porque é mais escuro do que outras águas de outros mares ou cursos de água, uma coloração escura provocada pela composição das suas águas e da vegetação submarina que existe nele. Dizem que as suas águas são menos salgadas que as do Mediterrâneo e outros mares! Ao mergulhar soube-me a água salgada na mesma, teria de ir num instante ao Mediterrâneo provar as suas águas para comparar!

Pousei a moto, rapei da toalha e fui nadar! Eheheh

As pessoas ficavam a olhar para mim e para ela com admiração, contei que ninguém lhe tocaria e assim foi! Ela impôs respeito pois então!

As praias eram deliciosas e a água fresca! Àquela hora da manhã já estava calor suficiente para a frescura das águas ser tão bem vinda!

Que bem que me soube! Num bar em frente à praia fizeram-me uma festa quando fui mudar-me, ninguém falava língua que eu entendesse mas fartaram-se de me dizer coisas, de me cumprimentar levantando o polegar no ar, presumi que eram gestos de admiração… (se fosse de desaprovação levantariam o dedo médio, não?)

E segui fresca e revigorada por terras com nomes muito curiosos, em percursos desorganizados! Fui por onde me apeteceu, dando voltas sem sentido, apenas para ver e espreitar um pouco do que houvesse no meu caminho, porque não queria parar muito, mas queria pôr o olho ao país pois quero lá voltar com mais tempo, um dia!

Fui ter a uma saliência no mapa sobre o mar em Kavarna, um sítio histórico num local deslumbrante!

Ao chegar lá havia uma cabine com um rapaz a cobrar bilhetes! Oh valha-me Deus que não tenho dinheiro do vosso para pagar! “Oh, I don’t have noney to pay you!” ele ficou a olhar para mim, sorriu e fez-me sinal “No problem, go on!” fiquei espantada a olhar, enquanto ele me mandava seguir! Gente boa!

E fui explorar ruínhas daquelas que eu gosto tanto! Kavarna foi fundada no séc. V aC pelos gregos e eu queria ir ver como era o que chegou até nós…

Dali a perspetiva sobre o mar é um espanto! Momentos espantosos!

Ali dentro há uma propriedade militar e as ruinas de séculos e séculos de história, mas foram as pessoas que me encantaram! Olhavam-me com espanto, eu ia toda vestida de preto e isso parecia atrair as atenções! Então eu sorria para elas e elas abriam grandes sorrisos também! Não há nada que um sorriso não derreta!

Nada podia comprar porque continuava a não ter dinheiro, o lev nunca chegou a entrar no meu bolso, ou acabaria por trazer mais moedas de sobra no fim do caminho! O que comprei e paguei na Bulgária foi sempre com cartão, mas ali não havia multibanco!

Então uma senhora ofereceu-me água! Genial! Gente tão simpática!

Estive por ali sentada a apreciar a paisagem e a curtir a companhia das pessoas, que estavam muito preocupadas porque eu estava tão perto do penhasco e o chapéu podia ser levado por ali abaixo pelo vento!

Mostrei-lhes que o meu chapéu tem um elástico que me permite prende-lo à cabeça quando está vento! Ah as caras das senhoras espantadas como quem diz “Claro! Por isso está ai em cima tão direitinho com este vento!” e riam-se!

Acabei por fazer um desenho no local, com elas a olhar! Eu nunca faço isso, normalmente desenho “em privado” mas ali apeteceu-me e elas adoraram, sacaram todas dos telemóveis e tiraram-lhe fotos!

Ainda tive direito a uma mão cheia de figos e uvas e tudo! E fui embora com um sorriso enorme porque encontrar gente boa faz tão bem ao coração!

Segui pela berma do mar, mas a minha finalidade era seguir para Bucareste sem parar mais! Há momentos em que só me apetece seguir caminho e a minha obrigação é atender aos meus próprios desejos, mais do que a roteiros ou planos pré-estabelecidos!

E começaram a aparecer as placas que eu esperava! Wow!

A fronteira passou-se na maior paz e serenidade! Cheguei, espantei e segui! Apenas mostrei a capa do meu passaporte e ninguém me incomodou mais, afinal estava na comunidade Europeia de novo!

Achei a operação tão simples que fiquei um pouco ali a olhar para uns e para outros, enquanto a fila dos carros não andava nem desandava. Dois polícias deram a volta à moto e fizeram-me sinal levantando o polegar! Adoraram a moto e parece que adoraram ter uma cliente feminina por ali. “Your friends?” perguntou um “My friends are in Portugal! I’m here alone!”

Adorei o seu “Alone?? Wow! Go on and enjoy our country!”

E o mar Negro era cada vez menos negro, e voltou a apetecer-me mergulhar nele!

Constanţa tem as placas de sinalização da cidade mais originais que encontrei! Enormes barcos marcam a entrada e a saída da cidade!

Apenas dei voltas pela cidade sem desmontar da moto. Ali era o ponto em que eu deixaria o mar Negro para trás e seguiria para o interior do país até Bucareste!

As capelinhas nas bermas das estradas fascinaram-me! Pequenas joias ali, abertas, onde toda a gente podia entrar e, mesmo assim, perfeitas e limpas! Isto mostra muito de um povo que pode entrar e estragar mas respeita! Lembrei-me de quantas capelinhas, bem menos interessantes, existem por cá e estão fechadas a 7 chaves contra o vandalismo!

Então, se calhar, aquele país não está assim tão entregue a gente duvidosa como se pensa frequentemente por cá…

A minha bonequinha em solo romeno! Fica tão bem!

Uma coisa que me despertava o interesse era a arquitetura daquele país e foi aparecendo um pouco do que desejava! Ah aqueles telhados!

De repente a vontade de chegar à capital era grande, queria lá chegar de dia e vê-la naquele dia ainda! Por isso corri!

E de repente deixei de me sentir uma perfeita analfabeta, que nada consegue ler, e consegui entender que havia ali uma autoestrada sem portagens! Boa, segui por ela!

O romeno é uma língua latina por isso consegue-se entender muitas coisas escritas, sobretudo!

E cheguei a Bucareste!

Cidade grande e grandiosa! Cidade espantosa, de trânsito ordeiro, motards simpáticos e estradas limpas! Afinal onde está a Roménia porca, decadente e cheia de ciganos? Certamente fora de Bucareste, porque ali eu sentia-me numa cidade demasiado ordeira!

Que falta me fez conduzir por aquelas avenidas como em Istambul! Ui, seria uma alucinação! Mas tive de seguir calmamente em fila e sem furar muito pelo meio do trânsito que ali parece que não se usa muito…

Uma cidade monumental sem buracos por todos os lados, ou sequer obras a perturbar a paisagem ou a condução!

Quando fui a um minimercado comprar comida para fazer um picnic encontrei gente conhecida no teatro em frente! Que bem que soube!

Como é possível passear por uma cidade daquelas sem encontrar obras por todo o lado? Eu nem sabia que isso existia!

E lá estava a grande avenida que leva até ao extraordinário parlamento! Linda!

Parei ali a moto e não havia ninguém parado fora do lugar! Não havia segundas filas nem transito embaraçoso por todos os lados!

Lá estava o parlamento! O famoso que eu não visitei mas terei de o fazer quando lá voltar! Afinal é o palácio maior do mundo depois do Pentágono, disseram-me lá e confirmei na net!

Está no Guinness, no entanto, como o maior, o mais caro e o mais pesado edifício administrativo do mundo!

Está decidido tenho de lá ir vê-lo por dentro um dia destes!

Acabei o dia junto de um bando de artistas de rua que faziam um grafiti na parede degradada de um edifico bem interessante! A solução de pintar aquela parede pareceu-me genial. Eles eram apoiados e tinham direito a grua e tintas e tudo! Ui, o que me apeteceu meter a mão na obra! Foi um serão agradável com direito a comidinha e cerveja e tudo, juntei o meu picnic ao deles e fizemos uma festa!

E foi o fim do 26º dia de viagem!