30. Passeando pelos Balcãs… – E cheguei a Bucareste!

23 de agosto de 2013

Naquele serão eu estive a beber cerveja e a comer pizzas até às tantas. O hostel tinha a modalidade “faça você mesmo a sua piza” e estavam por lá uns malucos que se fartaram de as fazer para toda a gente. As cervejas eram enormes e deliciosas, por isso não me faltou nada para ser feliz, a considerar que estava a tratar de recuperar o peso que perdera!

O hostel ficava numa ruela sem transito e eu pensei que não haveria qualquer problema em deixar a moto na rua, mas fui vivamente aconselhada a mete-la no quintal ao lado, porque na rua nada era seguro! Oh valha-me Deus, afinal tudo aflito que eu ia à Roménia, que lá roubam e assaltam e afinal na Bulgária já não posso deixar a moto numa rua longe de tudo porque não é seguro?

Logo ao lado, depois da sebe, ficava a zona do forno e das mesas corridas onde a gente fazia e comia pizas! Ninguém ficou indiferente às manobras da moto e a conversa foi naturalmente para de onde vinha eu de moto! Havia lá muita gente da Austrália, um pequeno grupo de rapazes viajava por um mês pela Europa, pelo que percebi, para beber e participar em todo o tipo de festas! Dizia-me um que viajar de moto devia ser a coisa mais aborrecida do mundo porque, além de nos cansarmos, não podíamos beber! Mas eu estava a beber, respondi-lhe eu com a minha cerveja, que parecia quase de litro, na mão! “pois mas não te podes embebedar!”!

Oh rapaz eu para beber não venho tão longe! Não falta o que beber na minha terra, não tenho necessidade de correr a Europa de bebedeira em bebedeira! A verdade é que só falavam do que se bebia aqui e ali, e que em Sofia as bebidas são mais baratas que em Varna e, tarde da noite saíram, chamaram vários táxis, e foram todos para Varna enfrascar mais um pouco!

A verdade é que no dia seguinte de manhã ninguém acordava para vir servir o pequeno-almoço nem para abrir as portas para eu sair!

Estava farta de estar ali, um mundo de excessos nunca foi o meu mundo, sobretudo quando são excessos que me tiram a consciência e me privam de viver o dia! Quando me quiser embebedar fá-lo-ei na minha casa, pois assim vou para a cama e nem faço cenas, nem perco nada da vida… opinião minha, claro!

Este foi um dia grande para mim, de repente iria realizar dois dos grandes objetivos da minha viagem! Eu sei que podem parecer meio malucos esses meus objetivos, mas há coisas simples que significam muito para mim, mais do que estar em algum momento histórico em algum lugar! Vou só, e é nessa “solidão” que eu me realizo ao sentir-me onde desejei ir!

O primeiro objetivo era nadar no Mar Negro! Claro, com tanta vontade de o ver não podia deixar passar a vontade de o tocar!

Lá estava ele, deslumbrante e nada negro….

Ele chama-se negro porque é mais escuro do que outras águas de outros mares ou cursos de água, uma coloração escura provocada pela composição das suas águas e da vegetação submarina que existe nele. Dizem que as suas águas são menos salgadas que as do Mediterrâneo e outros mares! Ao mergulhar soube-me a água salgada na mesma, teria de ir num instante ao Mediterrâneo provar as suas águas para comparar!

Pousei a moto, rapei da toalha e fui nadar! Eheheh

As pessoas ficavam a olhar para mim e para ela com admiração, contei que ninguém lhe tocaria e assim foi! Ela impôs respeito pois então!

As praias eram deliciosas e a água fresca! Àquela hora da manhã já estava calor suficiente para a frescura das águas ser tão bem vinda!

Que bem que me soube! Num bar em frente à praia fizeram-me uma festa quando fui mudar-me, ninguém falava língua que eu entendesse mas fartaram-se de me dizer coisas, de me cumprimentar levantando o polegar no ar, presumi que eram gestos de admiração… (se fosse de desaprovação levantariam o dedo médio, não?)

E segui fresca e revigorada por terras com nomes muito curiosos, em percursos desorganizados! Fui por onde me apeteceu, dando voltas sem sentido, apenas para ver e espreitar um pouco do que houvesse no meu caminho, porque não queria parar muito, mas queria pôr o olho ao país pois quero lá voltar com mais tempo, um dia!

Fui ter a uma saliência no mapa sobre o mar em Kavarna, um sítio histórico num local deslumbrante!

Ao chegar lá havia uma cabine com um rapaz a cobrar bilhetes! Oh valha-me Deus que não tenho dinheiro do vosso para pagar! “Oh, I don’t have noney to pay you!” ele ficou a olhar para mim, sorriu e fez-me sinal “No problem, go on!” fiquei espantada a olhar, enquanto ele me mandava seguir! Gente boa!

E fui explorar ruínhas daquelas que eu gosto tanto! Kavarna foi fundada no séc. V aC pelos gregos e eu queria ir ver como era o que chegou até nós…

Dali a perspetiva sobre o mar é um espanto! Momentos espantosos!

Ali dentro há uma propriedade militar e as ruinas de séculos e séculos de história, mas foram as pessoas que me encantaram! Olhavam-me com espanto, eu ia toda vestida de preto e isso parecia atrair as atenções! Então eu sorria para elas e elas abriam grandes sorrisos também! Não há nada que um sorriso não derreta!

Nada podia comprar porque continuava a não ter dinheiro, o lev nunca chegou a entrar no meu bolso, ou acabaria por trazer mais moedas de sobra no fim do caminho! O que comprei e paguei na Bulgária foi sempre com cartão, mas ali não havia multibanco!

Então uma senhora ofereceu-me água! Genial! Gente tão simpática!

Estive por ali sentada a apreciar a paisagem e a curtir a companhia das pessoas, que estavam muito preocupadas porque eu estava tão perto do penhasco e o chapéu podia ser levado por ali abaixo pelo vento!

Mostrei-lhes que o meu chapéu tem um elástico que me permite prende-lo à cabeça quando está vento! Ah as caras das senhoras espantadas como quem diz “Claro! Por isso está ai em cima tão direitinho com este vento!” e riam-se!

Acabei por fazer um desenho no local, com elas a olhar! Eu nunca faço isso, normalmente desenho “em privado” mas ali apeteceu-me e elas adoraram, sacaram todas dos telemóveis e tiraram-lhe fotos!

Ainda tive direito a uma mão cheia de figos e uvas e tudo! E fui embora com um sorriso enorme porque encontrar gente boa faz tão bem ao coração!

Segui pela berma do mar, mas a minha finalidade era seguir para Bucareste sem parar mais! Há momentos em que só me apetece seguir caminho e a minha obrigação é atender aos meus próprios desejos, mais do que a roteiros ou planos pré-estabelecidos!

E começaram a aparecer as placas que eu esperava! Wow!

A fronteira passou-se na maior paz e serenidade! Cheguei, espantei e segui! Apenas mostrei a capa do meu passaporte e ninguém me incomodou mais, afinal estava na comunidade Europeia de novo!

Achei a operação tão simples que fiquei um pouco ali a olhar para uns e para outros, enquanto a fila dos carros não andava nem desandava. Dois polícias deram a volta à moto e fizeram-me sinal levantando o polegar! Adoraram a moto e parece que adoraram ter uma cliente feminina por ali. “Your friends?” perguntou um “My friends are in Portugal! I’m here alone!”

Adorei o seu “Alone?? Wow! Go on and enjoy our country!”

E o mar Negro era cada vez menos negro, e voltou a apetecer-me mergulhar nele!

Constanţa tem as placas de sinalização da cidade mais originais que encontrei! Enormes barcos marcam a entrada e a saída da cidade!

Apenas dei voltas pela cidade sem desmontar da moto. Ali era o ponto em que eu deixaria o mar Negro para trás e seguiria para o interior do país até Bucareste!

As capelinhas nas bermas das estradas fascinaram-me! Pequenas joias ali, abertas, onde toda a gente podia entrar e, mesmo assim, perfeitas e limpas! Isto mostra muito de um povo que pode entrar e estragar mas respeita! Lembrei-me de quantas capelinhas, bem menos interessantes, existem por cá e estão fechadas a 7 chaves contra o vandalismo!

Então, se calhar, aquele país não está assim tão entregue a gente duvidosa como se pensa frequentemente por cá…

A minha bonequinha em solo romeno! Fica tão bem!

Uma coisa que me despertava o interesse era a arquitetura daquele país e foi aparecendo um pouco do que desejava! Ah aqueles telhados!

De repente a vontade de chegar à capital era grande, queria lá chegar de dia e vê-la naquele dia ainda! Por isso corri!

E de repente deixei de me sentir uma perfeita analfabeta, que nada consegue ler, e consegui entender que havia ali uma autoestrada sem portagens! Boa, segui por ela!

O romeno é uma língua latina por isso consegue-se entender muitas coisas escritas, sobretudo!

E cheguei a Bucareste!

Cidade grande e grandiosa! Cidade espantosa, de trânsito ordeiro, motards simpáticos e estradas limpas! Afinal onde está a Roménia porca, decadente e cheia de ciganos? Certamente fora de Bucareste, porque ali eu sentia-me numa cidade demasiado ordeira!

Que falta me fez conduzir por aquelas avenidas como em Istambul! Ui, seria uma alucinação! Mas tive de seguir calmamente em fila e sem furar muito pelo meio do trânsito que ali parece que não se usa muito…

Uma cidade monumental sem buracos por todos os lados, ou sequer obras a perturbar a paisagem ou a condução!

Quando fui a um minimercado comprar comida para fazer um picnic encontrei gente conhecida no teatro em frente! Que bem que soube!

Como é possível passear por uma cidade daquelas sem encontrar obras por todo o lado? Eu nem sabia que isso existia!

E lá estava a grande avenida que leva até ao extraordinário parlamento! Linda!

Parei ali a moto e não havia ninguém parado fora do lugar! Não havia segundas filas nem transito embaraçoso por todos os lados!

Lá estava o parlamento! O famoso que eu não visitei mas terei de o fazer quando lá voltar! Afinal é o palácio maior do mundo depois do Pentágono, disseram-me lá e confirmei na net!

Está no Guinness, no entanto, como o maior, o mais caro e o mais pesado edifício administrativo do mundo!

Está decidido tenho de lá ir vê-lo por dentro um dia destes!

Acabei o dia junto de um bando de artistas de rua que faziam um grafiti na parede degradada de um edifico bem interessante! A solução de pintar aquela parede pareceu-me genial. Eles eram apoiados e tinham direito a grua e tintas e tudo! Ui, o que me apeteceu meter a mão na obra! Foi um serão agradável com direito a comidinha e cerveja e tudo, juntei o meu picnic ao deles e fizemos uma festa!

E foi o fim do 26º dia de viagem!

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5 thoughts on “30. Passeando pelos Balcãs… – E cheguei a Bucareste!

  1. Ao fim e ao cabo todos passeamos pela vida, umas vezes do modo como a gente gosta, outras ao sabor da corrente.

    Meu Deus como o tempo passa
    Dizemos de vez em quando
    Afinal o tempo fica
    A gente é que vai passando.

    Passear não é tão bom quando nos falta a nossa mota.

  2. Olá Gracinda
    Gosto muito do seu blog.
    Adorava ir á Romenia, é um sonho antigo, mas o meu marido tem receio de andar por lá em carro alugado.
    Pelo que percebi a Gracinda achou tudo super pacifico e não teve um unico problema, certo? Acho que a palavra ” romeno” tem uma conotação muito negativa em Portugal.

    Sonia Ramos

    • Olá

      Quando eu fui à Roménia também ia apreensiva, as pessoas escreviam-me desaconselhando-me a ir porque era perigo e tudo me iria acontecer. Na realidade, e embora eu não tenha percorrido todo o território, o país é pacífico e as pessoas afáveis! Naturalmente que a minha postura é sempre de simpatia e respeito para com as pessoas e não sou pessoa de sair pela noite para bares ou discotecas. A experiencia que tive, tanto em grande cidade, como pequenas aldeias foi semelhante a um qualquer outro país. Há uma grande população cigana no país e há uma maior ainda de pessoas iguais a nós! Ninguém anda a assaltar ninguém nas ruas!
      Por isso, se agirem com respeito e naturalidade será como andar noutro país qualquer… digo eu!

      Beijucas

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