14. Escandinávia 2017 – De Nuremberga até Hamburgo

6 de agosto de 2017

O facto de irmos subir toda a Alemanha não implicava faze-lo sem explorar, por isso havia duas ou três coisas pelo caminho que eu queria ver. Afinal o dia tínhamos o dia todo para fazer seiscentos e pouco quilómetros, não havia necessidade de ir a correr para Hamburgo!

Um dos sítios onde eu queria passar e estava na minha agenda há anos, era Bamberg. Uma cidade cheia de história que irei certamente voltar a visitar mais me pormenor, um dia, e que me encantou num passeio relaxado pelas suas ruelas.

Bamberg tem uma escultura de Igor Mitoraj, o mesmo que fez o Eros Vendado de Cracóvia. Sempre curiosa a sensação de cruzar com uma escultura dele, literalmente um pedaço do mundo clássico!

A sensação que se tem é que a ponte que atravessa o rio Regnitz está cheia de tralhas, entre esculturas religiosas cheias de pormenores e casas coloridas!

Mo meio fica a antiga Rathaus, aquela casa de travejamento amarelo que é o ex-libris da cidade.

Mas ela só é visível no seu enquadramento perfeito, a partir da margem ou da pequena ponte pedestre que passa mais atrás.

O edifício é do século XIV e fica na ligação das duas pontes à ilha sobre o rio Regnitz, por isso parece que está no meio da ponte.

É tão bonito o conjunto!

E sempre que passeio por uma cidade que parece também uma aldeia, só me ocorre quão felizes são as pessoas que ali vivem, pois têm o paraíso tão perto da porta de casa!

Chamam àquela margem do rio a Pequena Veneza, e é fácil de entender porquê, há gôndolas e tudo!

As casinhas enfileiram-se pela margen, como se fossem de brincar, e têm pequenos ancoradouros onde as pessoas param os seus barcos como quem pára carros ou bicicletas…

Frequentemente me perguntam se eu não tenho dificuldade em deixar para trás um sitio encantador, se como faço quando tenho vontade de ficar mais um dia ou dois mas não posso porque tenho de continuar a minha viagem.

Na realidade eu sempre passo em aldeias e cidades que me atraem sem o intuito de as explorar a fundo. Não sou uma maquina e só faço o que me apetece, e correr de lado para ado para ver tudo o que há, não condiz com o meu espirito relaxado e sereno em viagem. Seria incapaz de me massacrar tentando ver tudo numa corrida frenética! Eu deixo sempre assunto para voltar mais vezes e assim é-me muito fácil seguir viagem sem remorsos nem cansaços desnecessários!

Por isso seguimos para norte, pois Fulda ficava mais acima e tinha também coisas que eu queria ver!

Fulda é também uma cidade de origem medieval, e tem algumas construções muito bonitas. A Altes Rathaus é um edifício colorido, com travejamento exterior, muito bonito! Parece que todas as terras por ali têm uma Altes Rathaus – antiga Câmara!

Ao lado fica a Stadtpfarrkirche, a igreja paroquial lá do sitio, toda colorida.

Por ali gostam de cores vivas e contrastantes nas casas, e isso dá um ar tão cativante e alegre às ruas!

Parar para um café pode ser a experiencia mais surpreendente por aquelas terras!

O meu parceiro de viagem estava sempre a querer para tomar um cafezinho! Ora, por ali o café é caríssimo, é enorme e é uma bosta! Oh homem, acho que só podes ser masoquista!!!

A verdade é que o calor me provocava sonolência e eu também já estava a ser meio masoquista com o café. E no entanto não adiantava nada pois era tão fraco que nem para tirar o sono servia!

Seria chá de café?

Hann. Münden seria a ultima cidade a visitar antes de chagar ao nosso destino. Chamam-lhe a cidade dos três rios, porque fica no ponto em que o rio Fulda e o rio Werra se unem e se transformam no rio Weser.

Mas eu queria ver as suas casas medievais, meio inclinadas, com cores e decorações espantosas, e não me dececionei!

Aparentemente parece uma cidade igual às outras, com ruas bonitas cheias de comércio

Então chega-se à zona mais antiga

Então tudo em redor era fascinante! De repente estamos rodeados de casas com 400 e 500 anos, impressionantes!

Acho que elas se suportam umas à outras e se mantêm firmes passado tanto tempo com o apoio mutuo!

As portas e janelas já há muito que não estão esquadriadas, inclinando-se para um lado ou para o outro, mas firmes e lindas!

E os pormenores das fachadas e portas eram lindos e minuciosos!

E chegamos à Marktplatz, é sempre na Praça do Mercado que fica tudo, sobretudo a Rathaus!

Numa cidade assim o edifício da câmara é sempre espantoso e aquele não é exceção! Chamam-lhe a Historisches Rathaus e bem merece o titulo!

E a sua porta era fascinante! Claro que tivemos de fazer fotos ali, eu até faço coleção de portas mas não tinha nenhuma parecida com aquela!

Acho que o Filipe se sentir tão insignificante junto de um fundo tão vistoso que se pôs a fazer macacadas, só para dar nas vistas, senão ninguém o veria ali! Eheheheh

Então, de repente ao virar uma esquina, num largo bonito com arvores e casinhas giras, estava a Igreja de São Aegidien. Nada de anormal, se fosse apenas a igreja de origem medieval, cheia de história, com pormenores arquitetónicos de diversas épocas, de acordo com as diversas remodelações que foi tendo ao longo da sua rica história…

A novidade estava no seu interior, onde funciona um café restaurante!

Desde 2008, o dono de um hotel na zona, o hotel Aegidienhof, comprou a igreja e adaptou-a para o Café Aegidius , tendo em conta o caráter do espaço sagrado e o uso do mobiliário original.

O ambiente está muito bonito e acolhedor

Mas tenho de concordar que é um bocado estranho tomar um café ou uma bebida num altar!

Quando chegamos a Hamburgo estava a noitecer.

A cidade estava em festa, com gente, musica e barulho em redor do Lago Alster.

E como não nos dispusemos a jantar numa igreja, fomos para o meio da festa encher-nos de salsichas, que por ali são deliciosas!

Confesso que já tenho saudades, tenho de procurar por cá se existem salsichas iguais àquelas para fazer uma tainada.

O pão que nos dão é tão pequenino que não cabe nada lá dentro!

Tivemos de puxar dos canivetes e refazer das sandocas!

Muito bom!

Embora a festa estivesse animada, deu para ver que por ali essas coisas não duram a noite toda! Ainda não tínhamos percorrido todo o perímetro e já estavam a desmontar a coisa!

Mas as perspetivas do lago eram magnificas, com ou sem festa!

Com o jato de água a fazer lembrar o de Genève, mudando de cor em reflexos inspiradores.

À medida que a cidade ia serenando, fomos visitando um pouco enquanto regressávamos às motos. O edifício da Rathaus ficava fantástico com a iluminação a valorizar a sua arquitetura fantástica.

E fomos para casa que amanha seria o dia de seguir para a Escandinávia!

Até amanhã, na Dinamarca…

Anúncios

13. Escandinávia 2017 – Passeando pelo norte da Baviera

5 de Agosto de 2017

A Alemanha é um país tão bonito que sempre me custa atravessa-la sem explorar um pouco, por isso parei em Nuremberga para visitar um pouco em redor. Um dia não é muito tempo para uma zona tão bonita como aquela, mas teria de chegar, veria o que pudesse sem pressas nem stress, e deixaria o resto para outra vez! É sempre assim que eu me contento com o que posso ver ou fazer, prometendo a mim mesma que voltarei.

O café não é grande coisa por aqueles lados, mas no hostel pelo menos não era muito caro, o que já era uma boa qualidade, porque pior do que um fraco café é pagar caro por ele!

A minha Negrita ia-se revelando, para alem de uma boa parceira de estrada, uma boa mesa de apoio também!

Dinkelsbühl foi o primeiro ponto de interesse que visitamos. Uma cidade medieval que eu queria visitar havia imenso tempo. O seu centro histórico parece todo ele um imenso cenário, de tão bonito e bem cuidado que está!

As casas pintadas em cores vivas e com frisos e pormenores decorativos são tão bonitas que apetece disparar fotos em todas as direções!

No centro da cidadezinha, por entre charretes e tendinhas de bugigangas, ficava a St. Georgs Kirche, uma belíssima igreja gótica que condiz tanto com o ambiente em redor!

Linda!

Com os tetos nervurados e altares entre estilos gótico e neo-gótico perfeitos!

Com o calor e o ambiente em redor tão inspirador, não havia como evitar para numa esplanada mesmo à porta da igreja e tomar uma cerveja refrescante!

Afinal estávamos no país da boa cerveja!

E a vontade era de explorar cada recanto em redor e acrescentar novas casas lindas à minha já longa coleção de casas europeias!

Tão bonito o ambiente de uma cidade sem prédios nem edifícios enormes apenas casinhas individuais!

E as portas da cidade foram mantidas e conservadas até hoje

Finalmente lá seguimos para Rothenburg ob der Tauber, uma cidade muito bonita que só peca pela fama que a faz estar sempre banhada de turistas.

As suas portas são espetaculares!

Quando os sítios são bonitos nunca há pressa em ir embora. O que quer se seja para ver a seguir pode esperar, se o tempo for pouco, fica para outra vez. De nada adianta andar a correr de lado para lado sem se dar tempo de apreciar cada local!

E não faltava nada por ali, até ursinhos para o rapazola brincar! 😉

E no meio das nossas explorações, sem contar encontrar mais nada do que todo o encanto de cada rua…

Encontramos uma loja de Natal espantosa!

A loja tem um museu, mas apenas as varias salas com exposição de mil e uma coisas para o Natal foi suficiente para nos prender a atenção por muito tempo!

Não se podia tirar fotos mas ninguém consegue controlar muito bem o meu telemóvel nem a rapidez com que ele capta uns e outros!

Confesso que sou uma fascinada pelo Nata, como uma criancinha!

E há sempre um bonequinho, ou um bonecão, para fazer par com o Filipe!

Parece que lá na terrinha são típicas umas bolas enormes de doce de diversas cores.

Não sei o que aquilo é mas não me inspirou confiança, tinha ar de coisa muito doce e eu sou mais de salgadinhos

mas o meu amigo é todo doceiro e parecia tão feliz a devorar aquilo!

Poucas ruas estavam livres de multidões o que era uma pena, pois a arquitetura é linda!

A sorte é que os turistas enchem as ruas famosas, onde se podem captar as perspetivas que aparecem na internet, e poucos perdem tempo com as ruinhas paralelas e desconhecidas.

mesmo que nelas esteja a beleza mais genuína!

E o pedaço mais famoso do local estava cheio de gente, claro! Espera-se uma infinidade de tempo para vagar um pouco, ou só se verá gente e é o que se vê no fim, gente!

Nunca há pressa quando se vêem coisas bonitas, se não houver tempo para ir ma muitos lados, haverá para ir a poucos, mas que sejam bem vividos!

E nesta treta de ficar uma pouco quieta a apreciar o momento, descobri que existe Iced Tea com gás! Uma bosta!

Com grandes nuvens a formar-se, mas com toda a boa disposição de quem quer continuar a ver coisas bonitas, fomos até Lauf an der Pegnitz.

Por ali tudo é bonitinho e Lauf an der Pegnitz é um pequeno encanto, tão perto de Nuremberga que num instante se passa lá!

O centro é pequeno mas bonito, ideal para parar um pouco a tomar qualquer coisa enquanto o rapaz se punha a namorar ao telemóvel!

Claro que enquanto ele andava de um lado para o outro nas suas conversas, eu tinha de me entreter com alguma coisa, na esplanada mais bem situada lá do local, com a porta da cidade a fazer cenário de fundo!

A cerveja continuava a ser boa por aqueles lados!

Então de repente as nuvens chatearam-se à brava e ficaram mesmo negras de raiva!

E desatou a chover com toda a força!

Um momento raro, quando há sol de um lado e as nuvens ficam negras do outro, por isso, quando toda a gente se abrigava debaixo dos guarda-sóis eu fui procurar o melhor angulo para captar o contraste!

O Filipe não entendia nada do que andávamos a fazer a olhar para a chuva e apanhar com ela na testa! Oh rapaz, para a próxima tens de usar um chapéu! A mim a chuva não me perturbou nadinha! 😀

Eu tinha de registar aquele momento, em que o céu estava negro e as casas cheias de luz!

Porque a natureza não nos dá muito tempo para registarmos algumas das suas habilidades mais belas!

E lá fomos para Nuremberga, com as motos lavadinhas de fresco!

Aproveitando para percorrer outras ruas da cidade cheias de encanto!

A cidade é atravessada pelo rio com o seu nome, o Pegnitz, que cria recantos e perspetivas muito bonitas nas suas margens.

É preciso ter-se alguma paciência para me acompanhar, quando paro a qualquer momento para fazer mais uma foto!

E finalmente fomos para Nuremberga encher-nos de salsichas, que estávamos na terra delas! Eram deliciosas!

Numa esplanada a atirar para o medieval onde parecia que ainda era Natal!

Ali nasceu e morreu Albrecht Dürer, o grande artista do renascimento, e lá estava a sua estátua…

Nuremberga é uma cidade onde tenho de voltar com mais tempo, é linda e cheia de história. O seu centro histórico é grande e eu tenho de o explora melhor.

Na Espanha todas as cidades têm uma Plaza Mayor, na Bélgica têm uma Grand-Place, na Alemanha têm uma Hauptmarkt! E a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora) ficou na minha agenda para visitar um dia, era linda em contraste com a noite!

Amanhã iriamos para Hamburgo, o ultimo ponto de paragem antes de seguirmos caminhos diferentes e eu entrar em terras escandinavas…

12. Escandinávia 2017 – de Iseltwald até Nuremberga

4 de agosto de 2017

A cada sitio que a gente pára dá vontade de ficar mais um pouco, mas a excitação de ver o que vem a seguir é sempre o combustível que dá energia e vontade de arrumar tudo nas malas e pôr rodas ao caminho. E o meu caminho seria ainda tão longo, que tudo o que via sabia sempre um pouco a prefácio de algo mais longínquo e mais novo!

E demos mais um passo para norte, que a Escandinávia fica lá para cima!

Uma viagem é feita de moções e, apenas o facto de olhar para uma paisagem com a sensação de ir ficar ali mais um dia, é complemente diferente de olhar para ela ao partir.

Há uma serenidade num lago ao amanhecer, quando não há vento e tudo parece tão quieto, como se as águas fossem sólidas, de espelho, que o ritmo do coração abranda cá dentro e todo o resto do mundo parece afastar-se!
Que coisa linda!

E a aldeia fica ali mesmo, do outro lado da rua, com os chalés de madeira lindíssimos a completar o quadro de perfeita beleza.

Apanhei o meu companheiro de viagem a encolher a barriga para ficar mais elegante na foto.

E logo a seguir fica a cidade, que parece uma aldeia grande, de Interlaken. Aquele ponto onde todos os destinos de ski confluem, já que fica no centro da melhor zona de montanha do país.
Mas no verão é calma e colorida, com o rio Aar a atravessa-la ligando os dois lagos, Brienzersee e Thunersee, que a ladeiam.

E a cor do Aar voltou a fascinar-me, sempre me fascina!

O Filipe à sombra da bananeira… não, à sombra do candeeiro sobre o rio!

Ali no meio é o ponto onde termina Interlaken e começa Unterseen.

Uma localidade de cada lado do rio

A gente tinha parado as motos em Unterseen, logo a seguir ao rio e à ponte, ou antes aos rios e às pontes, já que o Aar de multiplica ali formando uma longa ilha o que dá a sensação de se tornar em vários canais. E as motos ficavam tão bem no ambiente em redor!

Já não sei quantas fotos tirei junto daquelas casas, nem com quantas motos o fiz! E a tradição cumpriu-se de novo!

E seguimos para norte. As paisagens sucedem-se encantadoras e é gratificante seguir atravessando-as. Como eu costumo pensar nestes momentos “que belo dia para passear!”

Então, de repente algo prendeu a atenção. Estávamos numa espécie de xona industrial e havia formas enormes no exterior de um armazém que eu tinha de ver de perto!

Simplesmente WoW!


Tratava-se de um atelier de escultura com materiais reciclados!

Chama-se Recycle Art e ali se fazem esculturas espantosas e únicas, usando peças de automóveis e motos, porcas, parafusos e rodas dentadas, tudo meticulosamente soldado.

E fazem-nas em todas as dimensões, algumas intimidam mesmo pelo seu pormenor, realismo e dimensão!

As esculturas são feitas à mão, de acordo com estudos prévios, depois polidas e lacadas.

E os resultados são verdadeiramente impressionantes!

O Filipe adorou o burro do Shreck, quase aparafusava a língua para ficar mais parecido com ele!

Eu identifiquei-me mais com os monstros, dragões e bicharocos meio monstruosos, devo ser mais monstruosa do que ele, cá no meu intimo!

E eles executam qualquer escultura de reciclagem sob encomenda, através de fotos ou desenhos desde veículos, animais, figuras fantásticas ou móveis. ADOREI!

Havia um carro em dimensão real pronto para ser entregue. Era impressionante!

Às vezes as coisas acontecem assim, numa viagem, a gente fica imenso tempo a ver o que não estava previsto e passa ao lado do que previra! E foi assim com Baden, olhamos para ela lá de cima da rua, mas a vontade de descer e ir ver de perto não era nenhuma, por isso ficamos com registos gerais, até voltarmos a passar com vontade de explorar!

Eram os últimos registos da Suíça, antes de entrar mos na Alemanha e o tempo estava a ameaçar dar-nos uma molha. Parece que vai ser sempre assim, quando entrar na Alemanha com o Filipe! Claro que a culpa era toda dele, já que no ano passado, quando me acompanhou até Estugarda, também apanhamos uma molha ao entrar no país!

A minha esperança era que ele levasse a chuva com ele quando nos separássemos, tal como fez noa ano passado, quando andou a nadar pela França, enquanto eu me deliciava com o sol dos países de leste.

Sinto-me sempre um embrulho quando visto toda a tralha de chuva!

E chegamos a Schwäbisch Gmünd. Uma cidade tão encantadora quanto uma cidade medieval alemã pode ser.

Há algumas construções religiosas por ali que eu gostava de visitar por dentro, como a igreja Românica Johanniskirche, mas não eram já horas de visitas, por isso só restava ver por fora e apreciar as fontes pintadas nas praças…

e a casas com pinturas no exterior, que sempre me fascinam!

Bem no coração da praça do mercado havia uma praia de areia montada para a miudagem brincar.

Um ambiente divertido que despertava a curiosidade a qualquer menino!

E as casinhas em redor são tão antigas e bonitinhas que tornam cada rua um cartão postal

Em redor da catedral, parece que se anda mesmo para trás no tempo!

A Heilig-Kreuz-Münster – Catedral da Santa Cruz – estava aberta para um concerto, por isso os banais mortais não podiam entrar! Uma pena porque, a considerar pelo seu aspeto exterior, deve ser linda, como todas as construções góticas o são!

E havia pequenos pormenores bem mais modernos curiosos e divertidos para explorar pela cidade

Mas os sofás cor de laranja fascinaram-me!

Que bem fica o preto sobre laranja!

Quando chegamos a Nuremberga estava a noitecer. O centro histórico é grande e fascinante, no dia seguinte teríamos de explorar aquilo tudo mas, para já, a urgência era mesmo ir comer!

Hora de parar e descansar e comer, antes que fosse tarde demais e tivéssemos de ir dormir de barriga vazia!

Aquino era tudo vontade de comer mesmo!

Amanhã estaremos ainda em Nuremberga, porque há algumas coisas bonitas que quero ver por ali…

36. Passeando pelos Balcãs… – De regresso ao Tirol!

28 de agosto de 2013 – continuação

Ainda teria tempo de ir mais longe um pouco. A vantagem do verão é que os dias nunca mais acabam e, embora parecesse já tarde, ainda nem 2.00 horas eram, apenas as nuvens estavam baixas, o que fazia parecer fim de tarde!

Por isso peguei na moto e fui até Füssen, uma terrinha muito bonita e famosa por ter em seus domínios vários castelos, entre eles um muito famoso!

A cidadezinha é encantadora e estava cheia de gente gira, calma e apreciadora dos encantos do local, como eu gosto!

A terra dos violinos, a maior da Baviera, com direito a castelinho seu, e basílica, e rio e tudo!
Wagner passou na cidade…

Direito a chocolates bonitos também, até apetecia provar… se eu gostasse!

Oh, e casinhas deliciosas, em cores inspiradoras!

O seu castelinho ficava logo ali acima…

Eu achei que ele deveria ser interessante por dentro… mas não me apeteceu visita-lo! Apenas o olhei cá de baixo, numa viagem grande a gente simplesmente não pode ambicionar visitar tudo!

Preferi sentar-me numa esplanada cheia de gente, com um sol inspirador a aquecer-me a alma, juntamente com um delicioso café com nome português! Sim, nesta viagem tomei diversos cafés deliciosos! Será que a Europa está, finalmente, a aprender a apreciar café de jeito?

Tudo se passava naquela praça e não apetecia sair dali!

Na outra ponta da rua que desembocava na praça, estava a minha motita estacionada, logo depois de uma fonte inspiradora, com miúdos de bronze a brincar com a água!

Logo à frente fica o castelo mais famoso do lugar: o Schloss Neuschwanstein.

Ali ao lado há outro, mas não tem o mesmo protagonismo, o Schloss Hohenschwangau. É um castelo do séc. XIX, onde viveu o Rei Ludwig II da Baviera, sim, o mesmo que construiu o Schloss Neuschwanstein!

Lá estava ele ao fundo, o Schloss Neuschwanstein por ele eu fora ali!

Uma pena não poder ir até lá acima na moto… tive de a deixar no parque junto das outras.

Não me apetecia nada subir aquilo tudo a pé até ao topo! A paisagem é bonita mas entrando nas zonas das árvores nada se vê, apenas se caminha subindo e isso não é de todo o que mais gosto de fazer!

Por isso apanhei uma tipoia e lá fui por ali acima ao som dos cascos dos cavalos!

O castelo é imponente de perto mas seguramente muito mais belo apreciado de longe!

As paisagens que o rodeiam são fascinantes e muito mais inspiradoras para um castelo do Drácula do que as do castelo de Bran!

E as perspetivas do castelo a partir dali também eram sugestivas!

Na entrada pode-se ver o enorme busto de Ludwig II, o louco que afinal trouxe tanta coisa à Baviera, entre arte e arquitetura e riqueza, embora houvesse tanto medo que ele levasse o pais à ruina quando o depuseram por insanidade e o mataram….

Pois… a fila para visitar o castelo estava para demorar mais de 2 horas, dizia a senhora da bilheteira… mas nem era preciso muitas explicações, bastava apreciar a feira de gente que se acumulava em filas infinitas junto dos torniquetes para entrar!

“Ao tempo que eu andava para visitar o Schloss Neuschwanstein! Hoje chego lá e tinha uma fila de 2 horas de espera! Valha-me Deus! A culpa toda foi das coisas lindas que fui explorando pelo caminho e que me fizeram chegar lá tão tarde! É que o Tirol sempre me “distrai” do meu caminho e não lamento nada o tempo que gastei a passear pelas suas montanhas deslumbrantes! Aquele castelo foi obra de um “louco”, Luís II da Baviera, e inspirou o castelo da Bela Adormecida da Disney. Claro que não o visitei, não iria esperar 2 horas para voltar para Innsbruck de noite com uma luz da moto fundida … vou ter de lá voltar com mais tempo um dia destes!”

Andei por ali a passear… claro que me sentia frustrada, deveria ter começado indo ali direta e no regresso ver o resto…

Claro que me vinguei e fiz uma pequena série de desenhos do exterior do castelo! “Já que não visito desenho!”

O “contraluz” dava um ar misterioso ao castelo e eu não conseguia para de brincar com isso!

E lá em baixo a planície inspiradora…

Decidi descer o monte a pé, dizem que para baixo todos os santos ajudam e depois poderia captar mais umas perspetivas da construção!

E por fim fui vê-lo lá de baixo. As vezes que eu parei a moto para o fotografar!

Atrás de mim ficava o Schloss Hohenschwangau ao longe.

E voltei para Innsbruck, por caminhos diferentes, regressando ao belo Tirol!

“O Tirol sempre me enche de espanto, com as suas montanhas extraordinárias e estradas serpenteantes e lagos quase artificialmente verdes!

Biberwier é um dos recantos encantadores daquelas montanhas, onde a gente pára um pouco para descansar o corpo e acaba por descansar também a vista e a mente, porque o mais insignificante recanto tem como paisagem a imagem do paraíso.”

Parei e fiquei ali, deslumbrada, com a máquina fotográfica na mão, consciente de que ela nunca captaria o que os meus olhos viam! Desenhei também, mas nada se aproxima do que senti!

E fui encontrar uma capela já minha conhecida!

As vezes que eu já passei por ela!

Desta vez parei a moto e fui vê-la de perto! É no mínimo original!

Tem um Cristo feiinho lá dentro mas está muita arranjadinha e é muito bonita!

Encostado a ela tem um banco corrido onde a gente se pode sentar e apreciar esta magnifica paisagem, com a minha Ninfa lá ao findo junto à estrada!

A forma da capela é mesmo curiosa!

E por trás tem um Santo António com o menino às costas! Ou será o São João?! São Francisco, não?

E fui para casa que naquele dia ainda seria em Innsbruk, mais propriamente me Gries, no meu hotelzinho tão mimi, onde me trataram como uma princesa, com direito a jantar caprichado e uma cervejola de litro (parecia pelo menos).

E foi o fim do 30º dia de viagem…

35. Passeando pelos Balcãs… – Um pequeno passeio até à Baviera!

27 de agosto de 2013

Innsbruck era uma cidade que despertava em mim todo o tipo de sentimentos!

A cada vez que a visitei, grandes temporais me acompanharam, chuva, vento, frio e visibilidade nula! Parece que tudo conspirou sempre para me ocultar os encantos de uma bela cidade, que se foi tornando misteriosa pelo clima que a envolvia!

E de manhã… lá estava tudo molhado e a chuvinha do costume à minha espera para me dar uma molha!

Apreciei com calma o hotelzinho tão bonitinho e simpático, e um pequeno-almoço monumental, como eu gosto!

Quando chove eu fico sempre sem saber muito bem o que fazer! Claro que posso sair e passear, a chuva nunca me assustou ou perturbou a condução, mas não posso fotografar!

Decidi dar uma voltinha por ali perto e depois ir para a cidade passar o resto do dia. Não valeria a pena andar de um lado para o outro com o céu tão baixo e tão húmido que nada deixava apreciar. Assim visitaria a cidade em pormenor, veria museus, exposições e tudo o que implicasse andar protegida da chuva e do frio, e pronto!

Eu estava na montanha a vinte e poucos quilómetros de Innsbruck, por isso não havia mau tempo que me impedisse de ver um pouco do sítio onde estava, que aquilo é bonito! Afinal é o Tirol! Por ali todos os hotéis dão as boas vindas aos motociclistas, incluindo o meu! Lindo!

Pus a máquina fotográfica ao bolso e subi a montanha. Logo ali acima ficava uma terra com um nome muito giro! Como eu não sei alemão pus-me a tentar traduções: “Alto da Peida”, ou “Alta Peida”

Escrevia eu no meu Face naquele dia: “Ontem cheguei aqui, perto de Innsbruck, de noite! Sem uma luz na moto, debaixo de chuva, por uma estrada que brilhava de água e serpenteava pelo monte acima, foi uma aventura! Hoje de manhã ainda chovia um pouco, mas fui “reconhecer” o local onde estou e descobri que estou perto de uma terrinha com um nome giríssimo! Como não sei alemão leio Alto da Peida! Eheheheh”

Mas a verdade é que por ali tudo é lindo, mesmo com chuva e nuvens baixas! Tive de arriscar e pôr de novo a maquina ao peito para ir captando todos os encantos possíveis!

Mesmo ao lado da estrada o riacho mais fofo! Estava a ver quando passava a Heidi por ali a correr!

E desci até Innsbruck, antes que a chuva e a humidade dessem cado da minha máquina fotográfica!

Lá estava ela como eu a conheci sempre: cheia de chuva!

“Rai’s-parta isto! Vou ter de cá voltar tantas vezes quantas as necessárias até apanhar um pouco de sol?”

Mas a cidade é sempre encantadora, mesmo cheia de chuva!

A Herzog-Friedrich-Straße, é o centro cidade antiga onde ficam construções muito bonitas, algumas autenticamente bordadas a cor e relevo, como a Helblinghaus!

E como o tempo estava uma bosta fui-me enfiar na casa dos licores! Que coisa linda, para além de saborosa!

Sim, aquilo bebe-se tudo!

Por esta altura eu já mudara de botas pois as outras tinham as solas gastas e metiam água!

E a dada altura lá estava a catedral da cidade, a Dom zu St Jakob do séc. XVIII! O barroco não é o estilo que eu mais aprecio, mas um magnífico teto pintado nunca me deixa indiferente e aquele é de me pôr definitivamente de nariz no ar! Não é por acaso que aquela catedral é um dos mais extraordinários e importantes edifícios de todo o Tirol!

Se por fora a igreja não é nada de especial, apenas mais uma construção barroca, por dentro os tetos são deslumbrantes!

Nem sei quanto tempo fiquei ali a olhar “para o balão”!

Quando finalmente saí o tempo parecia querer melhorar a qualquer momento! Que bom!

Voltei à Herzog-Friedrich-Straße, onde toda a gente começava a acreditar que o sol viria!

Eu acho que já vi esta fulana mais o seu cãozinho noutras cidades da Europa! Ou teria sido ali mesmo?

E subi à torre do relógio! Eu tinha de ver aquilo tudo lá de cima!

Que pena eu tive de não ver os Alpes dali, como seria suposto, não fossem as nuvens baixas…

Fui tratar de comer. Tinha de decidir o que fazer, porque afinal o sol viera e eu podia dar uma volta pela redondeza em vez de ficar ali todo o dia!

Decidi passear, fui buscar a moto, que ficara na margem do rio Inn, aquele que dá o nome à cidade e que tem uma paisagem muito bonita do outro lado, mas que nada se via, apenas as casinhas giras e coloridas!

A Alemanha é ali ao lado e foi para lá que fui passear, havia umas terrinhas que eu tinha muita curiosidade de visitar por ali.

No caminho da fronteira encontrei uma Motorrad Classica! Coisa fota!

Parei a minha motita na berma da estrada e fiquei ali no paleio com uns senhores que me fizeram uma festa! A assombração foi total quando me perguntaram de onde eu vinha e eu nem sabia responder: “Me? I’m coming from everywhere!” brinquei, então fiz uma rápida lista de onde eu vinha enquanto eles contavam pelos dedos os 17 países que eu acabava de visitar.

Tão engraçadas as suas expressões!
E segui para o 18º país da viagem: a Alemanha!

Mittenwald fica logo a seguir!

Eu sei que Garmich-Partenkirchen é muito mais conhecida pelas suas casas pintadas, mas Mittenwald, que pertence ao seu distrito, despertou-me muito o interesse e foi a ela que eu dediquei mais tempo e atenção! E foi a decisão certa pois é mais encantadora!

A cidadezinha é um encanto, com casinhas pequenas, jardins e flores em todos os caminhos e as pinturas em todas as fachadas!

Os pormenores das pinturas são espantosos! Não são nada obra de amadores ou simples habilidosos! Quem pinta daquela maneira sabe o que faz!

Perdi-me por ali em milhões de fotos!

As ruas estavam cheias de gente, mas num ambiente calmo, nada que se parecesse com o clima frenético dos turistas ruidosos!

E eu sentia-me a passear pelas folhas de um livro de histórias de encantar!

Ao fundo a igreja despertou a minha atenção, se se pintam as casas por fora daquela maneira, como se pintará a igreja por dentro? Claro que fui ver!

Aquele teto era um pequeno deslumbramento!

Não sei o tempo que fiquei por ali a passear, mas lá decidi ir visitar Garmich-Partenkirchen, que também fazia parte dos meus planos.

Aquelas ruínhas eram deliciosas, não pude impedir-me de passear mais um pouco com a moto por elas… pronto, ok, eu sei que é interdito ao trânsito, mas eu queria mostrar aquela beleza à minha Ninfa!

A paisagem envolvente é apenas a imagem do paraíso, mesmo com as nuvens a tapar boa parte dos seus encantos!

E chega-se a Garmisch-Partenkirchen que deve o seu nome à junção de duas cidades antigas Garmisch e Partenkirchen, hoje permanece uma cidade cheia de encanto, com as suas casas pintadas como telas de museu em cenas que contam histórias desde contos locais até cenas religiosas, de uma forma extraordinária!

Frequentemente existem inscrições, dizem que elas contam a origem da casa ou a sua função, eu não conseguiria ler para entender! Mas encantei-me com muitas delas, espreitei pelas suas portas e quis entrar. Tudo parece lindo por ali, numa zona de montanha e neve a desportos de inverno.

Tudo parece lindo por ali, numa zona de montanha e neve a desportos de inverno.

Gostava de poder estar lá em época de Natal e apreciar a atmosfera que aquele ambiente deverá proporcionar por esses dias…

Eu sei que por ali tudo é lindo, por isso estava na hora de seguir mais um pouco para outra localidade encantadora!

(continua)