40 – Passeando até à Suiça 2012 – A Floresta Negra e a Nascente do Danúbio!

21 de Agosto de 2012 – continuação

Despedi-me da Suíça finalmente, depois de 15 dias por caminhos cheios de beleza e saudade, e parti com a promessa de voltar a qualquer momento, em qualquer viagem que me faça passar perto.

Segui por terras alemãs parando logo a seguir em Sankt Blasien, uma cidade à entrada da Floresta Negra, quem vem da Suíça!

O que me atraiu ali não foi a cidadezinha em si e sim a sua Dom St Blasius!

Aquela imensa construção fica na margem do rio Alb, mas há pontes giras e com flores para atravessar para o outro lado.

Lá estava ela, uma grande construção barroca, parece que esta viagem foi voltada para o barroco!

A sua história perde-se no tempo. A primeira abadia teve origem antes do séc. X, foi passando de seculo em seculo de estilo em estilo até se incendiar lá pelo seculo XVIII. Então esta extraordinária construção nasceu em seu lugar!

A igreja é redonda e o seu círculo tem 46 metros de diâmetro e 63 de altura!

Lá dentro é tudo branco e deslumbrante! Atravessa-se aquele grande espaço amplo de nariz no ar!

Ao longe ninguém imagina a dimensão daquela cúpula nem como ela cobre todo um espaço amplo!

Preparei-me para atravessar a Floresta Negra! Já por lá andara em 2010 mas desta vez pretendia visita-la com mais calma!

Mas de repente foi-se o meu sossego!

Um barulho forte e assustador, como se uma pedra tivesse atingido a roda traseira da minha moto, fez tudo tremer, a ela e a mim!

Parei imediatamente, observei a roda, o travão, toda a engrenagem… tudo parecia normal! Voltei a arrancar e o barulho voltou a sentir-se, forte e perturbador, como se a roda fosse sair do seu eixo.

Não sabia o que fazer, era tarde para ir à procura da oficina Honda mais perto pois, era longe! Pensei procurar dormida ali e não mexer mais até voltarem a ser horas de ir a uma oficina…

Acabei por decidir seguir… iria lentamente até onde ela me levasse, ao menos não ficaria ali, com a sensação de não estar a fazer nada, até ao dia seguinte de manhã!

Não é fácil seguir caminho com uma moto que parece que se vai desintegrar e perder a roda a qualquer momento, mas mesmo assim eu passei em Donaueschingen, não resisti a passar ali tão perto e não parar um pouco!

Ali atrás daquela igreja fica o que eu procurava!

A histórica nascente do Rio Danúbio!

O Danúbio é o segundo mais longo rio da Europa depois do Volga na Russia.

Tem quase 3.000km de comprimento e atravessa a Europa de oeste para este, desde a Floresta Negra, até ao Mar Negro! Curioso o “negro” que lhe é comum na origem e na extremidade!

Olhando bem as suas águas mais parece que se trata de um pequeno lago! Na realidade ele é a conjugação de 2 pequenos riachos que se juntam ali: o Brigach e o Breg.

Não pude deixar de me deslumbrar com uma presença tão forte, um ligeiro borbulhar das águas que, na realidade, corresponde a uma corrente de água que pode ir dos 50 aos 150 litros de água por segundo!

Lá dentro há “verduras” e moedas! Que os turistas não podem ver um poça de agua sem que lhe atirem para dentro uma moedinha!

Interessante seria percorrer aquele rio desde a nascente até ao delta, como eu gosto de fazer com alguns rios! Que eu saiba seriam 9 países de prazer a percorrer: Alemanha, Áustria, Eslováquia, Hungria, Croácia, Servia, Roménia, Bulgária e Roménia!

Então caí na realidade e fiz-me à estrada, cheia de ruídos na roda e de medos no coração! Mais uma vez não tinha mais a certeza se chegaria ao fim daquela viagem!

A Floresta Negra é de uma simplicidade deslumbrante! Entre morros e árvores, vai-se rolando por ali fora calmamente, não fosse a aflição que me fazia circular cheia de cuidados e a passinho de caracol.

Há lagos e cidades mas o que mais me deslumbra ao passear por ali é a sensação de infinito que aquela imensidão verde transmite!

Quilómetros e quilómetros verdes e centenários!

E passei em Triberg a cidadezinha dos relógios de cuco!

Não queria perder muito tempo, não queria correr o risco de ter de circular de noite com os barulhos que a moto ia a fazer!

Mas ao mesmo tempo não resisti a parar junto ao maior relógio de cuco do mundo!

Eram quase 6.00 horas e eu queria ver o cuco a espreitar!

Ali se fazem os míticos relógios de cuco!

Podem-se fazer visitas guiadas ao relógio, mas não teria cabeça para tal naquele momento.

E o tipo espreitou às 6.00h em ponto e cantava alto!

Foi-se para dentro o cuco e eu lá segui o meu caminho.

Aos poucos o barulho foi-se tornando menor, menos intenso e menos frequente, como se o que o provocasse estivesse a “acalmar”…

Ao chegar a Estrasburgo já só de vez em quando é que ele se fazia ouvir! Isso deu-me coragem para ir até ao centro da cidade jantar, contra a minha ideia inicial de ir para o hotel e não mexer mais até amanhecer!

Fui jantar na Place Gutenberg, num dos restaurantes onde vou sempre que ali passo!

A catedral fica logo ali ao lado! Da esplanada do restaurante onde eu jantava podia ouvir musica e perceber que a catedral estava em festa!

O que se passava na realidade era um evento de verão intitulado Illuminations de la Cathédrale, que constava de iluminações ao som da música, que faziam parecer que a catedral se movia e se transformava.

E acabei o serão deitada no chão da praça da catedral a olhar para ela cá de baixo, como tanta gente!

Fim do vigésimo terceiro dia de viagem.

38 – Passeando até à Suiça 2012 – Reichenau, o lago de Konstanz e a cidade..

20 de Agosto de 2012 – continuação

Do outro lado da curva no lago fica Reichenau, uma ilha no lago Konstanz.

O caminho de Reichenau é encantador! Na realidade é um caminho para uma ilha, o que o torna uma estrada no meio das águas. De cada lado da estrada as árvores, grandes e frondosas, tornam o percurso extraordinário, como um caminho de preparação para a ilha monástica, onde os mosteiros, igrejas e conventos são parte do percurso romântico e de interioridade religiosa e histórica.

O Kloster Reichenau, ou Mosteiro de Reichenau, é uma construção lindíssima e um exemplar extraordinário do período carolíngio, a época da alta idade média e de Carlos Magno, lá pelos 2 ou 3 séculos antes do século décimo.

Foi fundado no séc. VIII e foi por muito tempo dos mais importantes na zona até Saint Gallen.

O teto da igreja faz lembrar o interior de uma grande barcaça em madeira!

E os encantos medievais são simples e belos!

Há uma sequência de construções religiosas dignas de visita por ali, tudo catalogado pela Unesco. Mais à frente fica a encantadora Georgskirche, ou kirche st. George,

em restauro por fora mas linda e perfeita por dentro!

A basílica de São Jorge, do ano 900, que se pensa ter sido construída para guardar as relíquias do santo, é um edifício ainda mais belo que o mosteiro de Reichenau, com os seus afrescos surpreendentemente únicos e bem conservados!

Momentos de paz e contemplação também sabem bem numa viagem!

Cá fora, ao lado da Basílica fica o cemitério. É sempre curioso ver como uma população cuida dos seus mortos, mostra muito de um povo!

Logo a seguir fica Konstanz. Eu passei lá em 2010, mas é uma cidade que vale a pena voltar a visitar!

Pensa-se que o seu nome venha do imperador Constâncio Cloro, o imperador romano que lutou ali contra os alamanos.

A Basilica de Konstanz, é chamada também de Basílica Papal, porque ali foi eleito o papa Martinho V no séc. XV.

Por baixo da catedral há vestígios romanos que podem ser visitados, eu limitei-me a espreitar pelos vidros da pirâmide no chão da praça, na berma da catedral!

A catedral é muito bonita, gótica com tantos vestígios anteriores. Já a visitara antes por dentro, por isso agora apenas a torneei por fora!

Continuei ainda pela margem do lago, e de lá, a estrada para Reichenau é visível pelas filas de grandes árvores, como gradeamentos ao longe! Uma perspetiva encantadora do lago de Konstanz!

E fiz um belo picnic ao entardecer em Ematingen, com o lago e o sol como paisagem. A felicidade existe e é nestes momentos que ela é intensa cá dentro de mim!

Depois, de barriguinha cheia, passei por Frauenfeld, uma cidade do cantão de Thurgau, que merecia uma visita mais cuidada, mas ficará para mais tarde, um dia que volte a passar por ali!

A igreja de Sankt Niklas estava fechada, numa cidade esvaziada e em hora de jantar.

Há por ali um castelinho muito bonito, mas também ele ficaria para outra vez!

E fui para casa, que naquele dia era mais uma vez em Saint Gallen!

Fim do vigésimo segundo dia de viagem…

37 – Passeando até à Suiça 2012 – O amigo Edwin, Lindau, Meersburg e Birnau

20 de Agosto de 2012

Antes de pensar no que ver ou visitar naquele dia, coloquei o GPS na moto e tratei de lhe obedecer cegamente e deixar que ele me levasse até ao stand/oficina que o Edwin me aconselhara!

Foram quase 60km tentando nem olhar para o lado para não perder tempo e chegar cedo, para me despachar e acabar de vez com a preocupação do travão!

Por momentos duvidei que o caminho estivesse certo pois fui-me afastando de centros e cidades e atravessando montes e planícies, sem ver ambiente de ir encontrar um stand Honda no meio de nada! Mas ele lá estava, quando o meu Patrick murmurou ao meu ouvido “chegando ao destino à esquerda”!

O meu amigo Edwin lá estava à minha espera e foi de grande ajuda para explicar o que a minha Magnífica estava a pedir: pastilhas nos travões da frente e de trás!

O stand não era muito grande mas era simpático e as pessoas atenciosas!

Enquanto cuidavam da minha motita, fomos dar uma voltinha pela zona, um bom pedaço de conversa, embora o meu inglês seja pobre, por falta de vocabulário, para conversar relaxadamente!

Fomos passear para uma zona mística, um recando de natureza onde se encontram pequenos “templos” em madeira com decorações curiosas a lembrar ambientes de culto budista

ou ambientes de culto brasileiro, tipo de uma Iyalorixá – mãe de santo!

A natureza presta-se a ambientes curiosos!

Depois de uma bela passeata e de um simpático 2º pequeno-almoço, na companhia do amigo Edwin, fomos buscar a motita! Estava pronta!

Não pude deixar passar a oportunidade de me fazer fotografar, a mim e à minha Magnífica, junto do Edwin, um grande homem, no verdadeiro sentido da palavra!

Senti-me tão pequenina junto dele! Acho que a Magnífica também! 😀

A motita estava ótima, pronta para rolar, nada me perturbaria mais… era hora de partir!

Despedi-me do amigo Edwin com a promessa de que o seu belo país seria, provavelmente em 2014, o assunto de uma viagem ou, pelo menos, o assunto principal! Nessa altura ele acompanhará parte dela com a sua GSA, uma moto à sua medida: grande e grandiosa!

Era cedo, o dia era longo, nada me impedia de visitar ainda grande parte do que planeara visitar por aquelas bandas! Um dia de sorte, sol e passeio pelo lago de Konstanz!

Lindau fica a uns escassos vinte e poucos quilómetros de Weiler-Simmerberg, a localidade onde ficava a oficina da Honda, por isso seria ainda possível realizar o meu plano inicial de dar a volta ao lago de Konstanz, o Bodensse, só que no sentido contrário ao que projetara!

Por isso, em vez de terminar a volta em Lindau, comecei por ali mesmo!

Lindau é uma cidadezinha numa ilha, no lago de Bodensee. Lindau quer dizer precisamente Linda e o lago de Bodensee não é outro senão o Lago de Konstanz, ou Constancia, que fica na fronteira entre três países: a Alemanha, a Suíça e a Áustria e os três países ainda nem se entendem muito bem sobre como ou onde ficam as suas fronteiras no lago! Lindau fica no estado da Baviera e o seu porto é mítico pela entrada com o marco característico da escultura do leão, de um lado, e o único farol da Baviera, do outro.

A rathaus é um edifício extraordinário, originalmente em estilo gótico e posteriormente renascentista, lindo com as suas pinturas nas duas fachadas, difícil de decidir em que ângulo é mais bonito!

Passeia-se pela ilha como se ela não tivesse fim, pois está recheada de edifícios lindos com fachadas pintadas com imagens e cheia de gente que se passeia calmamente pelas ruas mas, na realidade, é uma ilha bem pequena com menos de um quilómetro quadrado de área!

Pormenores que, quem anda de nariz no ar, vai descobrindo!

A Stadtpfarrkirche St. Stephan, ou igreja evangelista de Santo Estêvão, é linda! De origem românica do séc. XII, comporta em si séculos de modificações, adaptações e reconstruções!

E hoje a sua decoração barroca em estuque é linda e fresca!

Do outro lado da praça fica o Museu Municipal, a “Haus zum Cavazzen”, uma construção impressionante com pinturas extraordinárias nas paredes!

Lindau visita-se calmamente a pé, por ruelas e recantos cheios de encanto!

Com paragem estratégica para refrescar um pouco, que o calor aperta! Afinal estamos ou não no país da cerveja?! E que boa que era! 😉

Ali encontrei os chapéus mais caros da viagem! É verdade, um chapéu igual ao meu chegava a custar mais de 200€! Foi quando pensei em comercializa-los por lá, dado que o meu foi comprado no Porto muitíssimo mais barato!

E tratei de pegar na minha motita e seguir caminho, que o lago é grande e cheio de coisas que eu queria ver!

Voltei a passar no belo porto

E segui passeando pela margem do lago que já visitara em 2010, mas deixara tanto para ver! E voltei a deixar muito para outra visita!

Logo ali à frente fica Meersburg, uma cidadezinha encantadora, como tudo parece ser na borda daquele lago!

Com uma história riquíssima que vem desde tempos remotos, cheia de construções perfeitamente preservadas, a cidade teve sua primeira fortaleza construída por volta do século VII.

Sem ter ainda regressado bem ao nosso tempo, depois de visitar Lindau, voltei rapidamente ao passado ao visitar Meersburg!

A cidadezinha tem duas zonas a parte baixa (Unterstadt) e a parte alta (Oberstadt) que são pedonais e estão ligadas por duas escadas e uma rua íngreme.

E realmente é a pé que se conhece melhor cada recanto de tão encantadora cidade!

Dá-se a volta e apetece recomeçar de novo!

Um mimo de cidade fofinha e linda, onde a água das fontes é fresca, quase gelada, como quem a tira do frigorifico, percorrida por pessoas simpáticas e sorridentes, como num cenário perfeito de uma história infantil!

E as casinhas medievais perfeitamente conservadas, pareciam quase impossíveis!

Lá acabei por deixar a cidadezinha para trás, ou iria passar lá o resto das minhas férias sem nem dar por ela!

Ao passear-me pela margem do lago, logo a seguir a Meersburg, por entre vinhas em paisagens deslumbrantes sobre o lago, com a “Ilha das Flores” de Mainau no horizonte, fica a Basílica de Birnau, uma construção extraordinária do séc. XVIII.

Embora o barroco não seja o estilo que mais aprecio, não podia deixar de a visitar, porque é linda e espantosa!

Um mundo decorativo vibra em cima de nós, em tetos trabalhados em gesso e pintados em afrescos como telas, quase fotográficas!

Um local que tenho de voltar a visitar, quando a Alemanha for o destino exclusivo da minha viagem e a ilha de Mainau um dos grandes locais a explorar.

(continua)

36 – Passeando até à Escócia – O dia dos 4 países!

28 de Agosto de 2011

E chegava o momento de partir, de sair do reino!

Finalmente voltaria a circular pelo lado certo, finalmente não teria de pensar todo o tempo “vai pela esquerda mulher” “chega-te para a faixa de lá no cruzamento à direita” “cuidado com o «SLOW» ao contrário”… “pelo sim pelo não encosta-te às sebes à esquerda” “ESQUERDA, ESQUERDA!” …

Mas afinal não me apetecia nada voltar… havia tanta coisa para ver que deixara para trás, que só queria um pouco mais de tempo!… mas era hora de partir, tinha o caminho traçado…

Tomei um grande e variado pequeno-almoço, despedi-me do pessoal simpático da pousada, um ambiente ainda mais acolhedor com o sol a entrar pelas janelas.

E fui embora, dar uma última voltinha pela cidade.

Não tinha feito nada do que toda a gente faz quando vai a Londres! Mas não quis partir sem ver de perto um guarda de chapéu peludo!

O Buckingham Palace estava fechado, era cedo e as pessoas amontoavam-se aos poucos junto das grades.

O Wellington Arch, também chamado de ‘Constitution Arch’ em frente ao Buckingham Palace. Dizem que representa a paz no seu carro!

Tirei uma última foto com a minha Magnífica e o Big Bem como fundo, para o álbum dela e segui para Dover. Não valia a pena perder mais tempo a ver o que quer que fosse à pressa. O embarque seria às 11 horas, por isso não iria stressar com corridas.

Desci até à borda do país nas calmas, segui o meu trilho serenamente e posicionei-me para embarcar. Um senhor de Jeep, muito simpático veio oferecer-se para me tirar uma foto junto da moto. E eu lá fiz de modelo.

Logo a seguir um motard, que chegou entretanto ofereceu-se para ser meu fotógrafo também! Aceitei gentilmente (puxa, de repente toda a gente se oferece para me fotografar!) Lá fiz de modelo de novo!

A minha motita foi tratada com todas as mordomias, é o que vale ser-se uma de quatro motos! Se fosse uma multidão delas seria diferente, certamente!

Este ferry que me trouxe era tão confortável como o que me levara!

O dia estava chuvoso e nem me aproximei do convés! Vento e chuva não era o que mais apetecia naquele momento! Mas o azar do mau tempo ainda estava para chegar! E eu que me queixava do tempo em Inglaterra, apanhei a chuva toda em França!

Desembarquei no sítio que já conhecia mas, de repente, tudo parecia surrealista!
Eu contava com tudo menos que iria stressar ao entrar na estrada pela direita! Hesitei, quase parei, o meu cérebro deu um nó e eu não sabia o que estava a fazer! Corri um pouco para chegar até aos carros e seguir atrás deles e tive medo de ficar sozinha na estrada com aquela confusão no meu sótão!

Como podia estar a acontecer tal coisa? Como podia eu, em apenas 18 dias, ter-me habituado tanto à condução pela esquerda, ao ponto de stressar para conduzir pela direita? “acho que os meus alarmes estiveram tanto tempo ligados para eu não fazer bosta a toda a hora que agora não desligam mais!”

Apareceram as rotundas e eu morri de susto em cada uma delas… valha-me Deus, com a porcaria da chuva e do miolo a funcionar ao contrário, ainda me ía matar por ali! Apanhei uma via-rápida, deveria ser mais fácil engrenar na circulação correcta em vias de um sentido apenas. E foi a escolha certa! Cheguei direita a Lile, embora ainda meio baralhada!

Chovia bastante e não me afastei muito do centro, junto da Bolsa Velha, um edifício muito interessante do sec XVII

Logo ali ao lado fica o Teatro Sebastopol e a Câmara de Comércio, na Praça do Teatro, com a sua torre do relógio que toca canções populares a toda a hora!

Dei uma volta pela cidade sem me deter muito nos seus recantos e encantos porque chovia.

Encontrei o rio e a cidadela, que não fui visitar.

Na berma do Rio Vauban.

Há quem viva no rio, não é só em Amesterdão!

Acabei por me por a andar pois a chuva estava a chatear-me mesmo, continuei a descer o país!

Há muito que andava para passar em Luxemburgo e foi desta vez a vez de lá passar.
Luxemburgo é o nome do país, o único Grão-Ducado do Luxemburgo existente, e é também o nome da sua capital. É pequenino mas muito bonito, ainda hei-de visita-lo melhor.

A capital é uma cidade muito bonita, entre dois rios, o Alzette e o Pétrusse.

Do lado da catedral pode-se ver a torre de Plateau Bourbon, do outro lado.

A ponte mais famosa da cidade, a ponte Adolphe, construída de 1900 a 1903, era a maior ponte do género na época. O vão do arco tem 85 metros e a altura máxima é de 42 metros.

Lá em baixo fica o vale do Pétrusse

Andei por ali a passear e atravessei a famosa ponte, claro!

Para ter uma outra perspectiva da cidade, com a catedral de Notre Dame como cenário.

Fui ver a torre do Plateau Bourbon de perto

Era domingo, estava tudo fechado, por isso segui o meu caminho calmamente.

Grande parte da fronteira ente Luxemburgo e a Alemanha é marcada pelo Rio Mosel, um rio muito extenso e lindíssimo que me anda a cativar há muito tempo e que quero visitar de ponta a ponta um dia destes. É afluente do Reno e é ladeado por cidades e aldeias adoráveis!

Uma das razões que me levou a passar por aquelas bandas foi precisamente o rio!

Por isso ninguém se espante de um dia surgir um “Passeando pelo Mosel” na minha vida!

A outra razão que me levou a passar por ali foi Trier! A mais antiga cidade da Alemanha, fundada pelos romanos e cheia de traços da sua presença!

É também a terra onde nasceu Karl Marx e eu nem pude ignorar o facto pois dei com a casa à primeira voltita pela cidade!

O que me chamou ali foi a “Porta Nigra” uma construção romana do sec III espantosa, baptizada assim por causa das pedras que a compõem enegrecidas pelo tempo. Uma obra extraordinária!

Pousei a motita e fui procurar comida! Passeei-me pela zona histórica e senti-me de novo “em casa”! Havia vida por ali, não tinha mais a sensação de abandono que tantas vezes sentira no Reino Unido, quando mesmo antes do anoitecer, tudo estava já deserto!

Encontrei a catedral Dom St. Peter, que é a mais antiga igreja da Alemanha!

E junto à catedral havia vários pátios com mesas, de onde vinham os sons da animação!

Entrei num, muito simpático, a lembrar os pátios sevilhanos, com diversas mesas, toldes e muitas plantas. Estava um grande grupo numa fila de mesas perto de onde me sentei, cumprimentaram-me alegremente!

Expliquei à menina que não sabia ler a lista e ela trouxe-me uma outra em 4 línguas! Inglês, francês, espanhol e Italiano! Genial!

Pedi cerveja, afinal não estava mais no país onde só há cerveja onde ela não é precisa! Era deliciosa.

A comida era divinal! Era comida a sério! Eu nunca tinha dado tanto valor à cozinha alemã como naquela noite! Tinha arroz e tudo!

Enquanto me deliciava com a comida relembrei passeatas anteriores pelo país e conclui que sempre comi bem na Alemanha! Eu apenas não dava o valor devido porque sempre comi bem em toda a Europa! Agora era diferente: eu vinha de Inglaterra…

O grande grupo que estava ali ao lado saiu e voltou a cumprimentar-me alegremente. Sentia-me tão feliz e “aconchegada”!

Adoro os alemães!

Fui passear mais um pouco pela zona antiga da cidade, a noite estava tão agradável e o ambiente era tão simpático!

No dia seguinte teria de catar aquela zona com calma à luz do dia!

Fim do 23º dia…