41. Passeando pelos Balcãs… – Fim de uma bela história… regresso a casa…

1 de setembro de 2013

Andorra-la-Vella não é a cidade mais bonita que conheço, é mais aquela espécie de supermercado onde se aproveita para comprar umas coisitas, como o meu perfume, ou um radio para o carro do moçoilo. Dá-se umas voltitas por ali e está tudo visto… ou será que tenho essa sensação porque passo lá vezes sem conta, ano após anos de há muitos anos para cá?

De qualquer maneira as pessoas são simpáticas e até se torna agradável andar por ali a ver montras… de material motard! Pois, estava na hora de continuar à procura de uma viseira para o meu capacete!

A dada altura eu já nem tirava o capacete, simplesmente pousava a moto à porta da loja, entrava um pouco e perguntava “tem uma viseira interior para este capacete?” e apontava para a cabeça “Ah, não! Vá à loja XX»” e eu seguia para a tal loja!

E ía-me divertindo um pouco por aqui e por ali!

É inacreditável como um capacete tão bom, de uma marca tão importante, não tem em nenhum dos seus representantes uma porcaria de uma viseira para vender! É mais fácil comprar um capacete novo que uma viseira para o que tenho? Pois, parece que o que importa é vender, agora cuidar do que se vende, nem por isso!

Acabei por fazer amizade com gente boa, uns portugueses outros espanhóis, mas todos muito simpáticos e curiosos sobre a minha moto, os seus autocolantes e os sítios onde fui com ela!

E vim embora com a viseira colada com fita-cola e até hoje ainda ninguém me arranjou a porcaria da coisa! Está encomendada à Schuberth desde setembro e… nada ainda!

A viagem acabaria logo a seguir! É sempre a sensação que tenho quando passo os Pirenéus para o lado de Espanha, por isso não me interessaria ir a mais lado nenhum…

Uma coisa que eu aprendi recentemente, numa das últimas viagens que fiz, foi que não adianta alongar por Espanha o que terminou em França ou Andorra, porque o sentimento já é de saudade da viagem e tudo parece ter o sabor da despedida! Então, sendo assim, o melhor é atravessar o país e vir para casa! Saudade por saudade, mato as saudades da viagem com o regresso a casa para junto do meu moçoilo…

Entretanto, depois de combinações descombinadas eu, que deveria passar em Pedrola, na terra do Rui Vieira, para dizer um olá, recebo a mensagem de que o homem afinal combinara tudo mal e não estaria por lá!

Mas eu fui na mesma! Ora aí está uma boa maneira de não fazer sempre os mesmos caminhos e dar uma volta pela terrinha do rapaz!

É um pueblo pequeno e simpático com um canal “à porta”, onde a gente dá uma volta, ficam algumas pessoas a olhar, a gente segue caminho e tudo volta ao normal!

E segui para casa… há uma nostalgia em cada regresso e a Espanha potencia esse sentimento com as suas planícies de perder de vista…

Voltei a passar em Peñafiel, cujo castelo ainda não visitei mas está agendado para uma próxima passagem…

Mas tirei a dúvida: sim, é geminada com a nossa cidade de Penafiel, onde vivo, como eu imaginava! Está ali o brasão cá da terra estampado na placa! Adorei!

Ao longe começou a aparecer uma coluna de fumo muito intensa! Puxa, que grande incendio por ali haveria!

Foi quando entendi que as coisas que me diziam eram mesmo verdade: o país estava a arder!

Depois de mais de 17 mil quilómetros, em que apanhara temperaturas proibitivas, países pobres e com as matas cheias de lenha apetitosa para arder à toa, eu apenas vira os vestígios de um pequeno incendio na Bósnia! 20 países sem fogos nem vestígios de terra queimada!

E o meu país? Estava a arder!

Entrei por Chaves e, de lá até Penafiel vi 8 colunas de fumo, sem esquecer que para sul de Penafiel tudo era fumo, por isso os fogos continuavam às dezenas por aí abaixo. O ar cheirava a queimado, o céu era meio negro, meio castanho…

…e cheguei a casa!

Com direito a receção, com fotógrafo de serviço a registar a minha entrada…

… com a cara toda queimada, o nariz vermelho, depois de ter largado já a pele, mas muita satisfação pelo caminho percorrido na maior paz!

E foi o fim do último dia de viagem!

Cheguei a casa depois de:

34 dias
17.500 km
20 países
8.000 fotos
885 litros de gasolina
1.050.53 € em gasolina
649 € em dormidas
41 € em portagens
E resto foi mais em bebida do que em comida…

Despesa total: 2.215.48 €

O que me faltou?
Um pouco mais de tempo para explorar tanta beleza que tive de deixar para trás!

O que sobrou?
Encanto, beleza, surpresa e simpático acolhimento em todo o lado!

O que valeu a pena?
Seguramente que valeu a pena ignorar, mais do que nunca, todos os medos, e avisos, e temores, de uns e de outros, e ir onde queria ir!

O que teria dispensado?
Tanto calor, por tanto tempo, quase até ao esgotamento físico, porque a moral, nada a esgotaria!

O que me apetece dizer ainda?
Esta foi uma das viagens mais extraordinárias que fiz, por isso vai ter continuação!

O mapa das voltas que dei nesta viagem aparecerá mais tarde, pois está uma trapalhada que tenho de rever!

Adeus e até ao meu próximo regresso à estrada!

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5 – Passeando até à Suiça – de Andorra la Vella a Montpellier

2 de Agosto de 2012

É simplesmente delicioso acordar na montanha com o sol alegre e vistoso! Antes de partir para mais longe eu queria ir a Andorra la Vella comprar o meu perfume que deixo sempre para comprar lá pois cá custa o dobro do preço! Depois seguiria pela montanha, sempre por estradinhas secundarias para França.

Não há grande coisa para catar em Andorra la Vella, quando já se passou por lá tanta vez, mas os montes envolventes são muito acolhedores! O meu Patrick (GPS) dizia-me que não faltavam estradinhas aos SS por ali acima e por ali abaixo. E foi assim a minha voltinha matinal! Deliciosa, sem me afastar da cidade

Há gente que tem o privilégio de viver com uma paisagem destas, todos os dias, do lado de fora das suas janelas!

Tal como em todos os Pirenéus, tanto espanhóis como franceses, Andorra tem igrejas românicas lindíssimas!

Esta Igreja de São Miguel de Engolasters é das mais conhecidas de Andorra, é românica do sec XII e é super “mimi”! Muitas das pinturas e murais destas igrejas pirenaicas estão no Museu da Catalunha em Barcelona, incluindo as desta igreja. Foram retirados para que não se deteriorassem mais e no seu lugar foram colocadas réplicas, por isso as igrejas não estão despidas!

Mais acima um bocado fica o lago de Engolasters, um lago muito bonito que fica lá em cima a mais de 1600 metros de altitude!

A gente vê as placas e vai subindo e vai-se questionando se há mesmo um lago no topo do monte! E há mesmo!

E forma um autêntico espelho de agua!

O comércio estava aberto quando desci do monte, por isso foi só comprar o perfume e seguir o meu caminho. Segui para França por Espanha por estradas cheias de paisagens e pormenores lindíssimos!

Belver de Cerdanya lá ao fundo!

Segui um pouco pela Route des Cols que, como o nome indica, é de subir e descer, curvar e chorar por mais!

E segui para Villefranche-de-Conflent, que eu queria visitar desde que passei por ali, no ano passado ao regressar da Escócia, e vi uma autêntica romaria de gente às portas da cidade!

A cidade muralhada é medieval e está muito bem conservada. Foi construída em mármore rosa e foi sendo restaurada e mantida ao longo dos séculos.

Acima da cidadela fica o Fort Libéria, que não visitei… uma coisa que eu aprendi é que não se sobem longas escadarias em viagem ou será muito duro conduzir depois, com os músculos espalmados!

No interior das muralhas há um ambiente de férias! Muitas lojinhas de tudo, muitos turistas e as ruas cheias de gente!

Há recantos que se têm de visitar sem ninguém ou não se conseguirá ver o que o local é, para além dos turistas por todo o lado!

Ainda dei umas voltas por terras próximas, mas nada se aproxima do encanto de Villefranche, por isso segui para onde o interesse me levava!

Continuava por “caminhos de Santiago” e o Monasterio de San Miguel de Cuixá é um exemplar fantástico neste percurso, desde a idade média!

Azar dos azares… estava fechado! Então dei-lhe a volta, comi dos pêssegos do seu pomar, estavam meio verdes mas eu gosto assim! E tirei fotos do exterior, pois então! 😀

As aldeias na encosta do monte sempre prendem a minha atenção!

Enquanto eu me dirigia para Limoux atravessando a Retenue de Vinça, uma represa que proporciona imagens interessantes!

A ideia é sempre sair dos caminhos cheios de carros e gente, normalmente as alternativas são deliciosas ruas estreitinhas com paisagens para mais tarde recordar!

Esta é uma imagem do paraíso, para mim, quando ando em viagem!

E cheguei a Limoux, uma cidade que eu tinha curiosidade de conhecer desde 2009, quando perdi o meu GPS e vim de Carcassonne até Andorra comprar outro. O nome Limoux estava por todo o lado, mas eu não tinha condições de pensar sequer em visitar a cidade!

Desta vez tirei as dúvidas, é uma cidade interessante sim! Com a sua Pont Neuf do Séc. XIV sobre o rio Aude, muito bonita!

E a catedral, ou Igeja de Saint Matin do sec XII, muito bonita, embora enfiada no meio de um transito que devia passar mais longe…

Achei piada à grande pia de agua benta, que fiquei sem saber se não seria a pia batismal, dada a sua grande dimensão!!

O que mais me arrelia quando tento fazer uma panorâmica de uma cidade é o facto de haver sempre uma grua a lixar tudo!

E segui para Carcassonne que conheço bem e sabia que ficava ai bem perto!

Estava muito calor e eu não me quis meter pela cidadela cheia de gente!

Preferi explorar novas perspetivas das longas muralhas que envolvem a cidade e proporcionam enquadramentos lindíssimos e o rio Aude!

Nesta altura o calor já era muito, não se estava bem em lado nenhum, havia muita gente por todo o lado e tudo o que me apetecia era andar para arrefecer, mas a motita começou a querer falhar!

A princípio pensei que era apenas impressão minha, já no caminho me parecera senti-la desacelerar em andamento, mas logo a seguir não se sentia mais nada! Mas desta vez parecia que algo a iria impedir mesmo de andar!

Eu afastava-me já da cidade quando ela começou a soluçar! “Valha-me Deus! Querem ver que vou ficar sem moto? ” Eu dava-lhe um pouco de embraiagem e ela não ia abaixo, mas logo a seguir engasgava de novo! Parei junto ao um grupo de polícias que estava numa sombra a monitorizar um radar (pois, isso também há lá por todos os lados!) perguntei por uma oficina Honda. Para a frente não haveria nada, teria de voltar para Carcassonne.

Indicação de uns e de outros, um senhor numa estação de serviço deu-me um mapa e fez nele o desenho do percurso até à Honda, do outro lado da cidade “vá depressa que aquilo fecha cedo!”
Lá encontrei o que procurava e cheguei a tempo!

A moto não tinha nada! A única coisa que podia ser era impureza na gasolina. “mantenha o deposito cheio e reze para que seja apenas água, porque se for impureza, vai voltar a engasgar!

Mal enchi o depósito, deixou logo de falhar! Milagre, siga para Montpellier!

Já nem parei em mais lado nenhum, apenas para pôr gasolina, pois não deixei mais o deposito chegar sequer a meio… mesmo assim, ao chegar a Montpellier, voltou a soluçar, cada vez mais, cada vez mais forte até ir abaixo à porta do hotel onde iria dormir aquela noite!

“Obrigada fofinha, já que tinhas de ir ao menos fizeste-o no momento certo, já não fico por aí stressada na rua!”

Em Montpellier eu iria encontrar-me com o meu amigo Charles, que acompanhou algumas das minhas crónicas no meu blogue, sobretudo a de Marrocos. Como eu não podia mais ir até casa dele, veio ele até ao meu hotel. Fui jantar a sua casa, conhecer a sua esposa que tão simpaticamente cozinhou para nós. Amanhã iriamos à Honda ver o que a Magnifica tinha. Ele tem uma Pan igual, não haveria problemas, estava entre amigos!

Fim do quarto dia de viagem

4 – Passeando até à Suiça – de Jaca até Andorra la Vella

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1 de Agosto de 2012

Normalmente é ao 3º dia que o corpo se habitua definitivamente à sua nova condição de viajante! Sim, que o hábito de um ano não chega até ao outro! É também no 3º dia que eu começo verdadeiramente a sentir-me em viagem!

Há uma leve euforia que se apodera de mim e que, de repente me faz querer ver tudo, por ruas e ruelas, até ao sol se pôr!

Ora eu acordei em Jaca, perto de tanta coisa para ver e a montanha ali ao lado, que comecei por um destino que pretendia conhecer há já algum tempo!

Depois da voltinha matinal por Jaca, em que o forte estava fechado mas a catedral não!

Um edifício lindíssimo a Catedral de San Pedro de Jaca, que é uma das mais antigas construções românicas do país!

Com o “casco antíguo” em seu redor.

Fui até ao Monasterio de San Juan de la Peña, uma construção belíssima encravada por baixo de uma grande rocha, que é afinal todo um monte!

Quem o vê nas fotos parece pequenito, quase uma construção à dimensão de crianças!

Na realidade não é muito grande mas é bem maior do que o que parece!

É uma construção fantástica, anterior à nossa nacionalidade

Que cresceu adaptando-se à forma e ao espaço cedido pelo penhasco

O claustro é uma obra extraordinária que facilmente nos faz pensar no quanto era importante um espaço destes para meditação!

Pequenino e fofinho que parece também ele de brincar!

Diz a lenda que o Santo Graal esteve guardado neste mosteiro por muito tempo!

Aliás, segundo as lendas o Santo Graal “passou” em diversos mosteiros espanhóis!

E lá está ele, encolhido por baixo da escarpa, desde o séc. XI, espantoso!

Depois de uma infinidade de tempo a cuscar todos os recantos do Mosteiro, deixei-me ir passeando pelos Pirenéus, que ali não faltam paisagens bonitas, nem é preciso procura-las!

As estradas de montanha são sempre fascinantes de fazer, embora por andarmos perto das nuvens corremos o risco de enfiar a cabeça nelas!

Sobe-se e encontram-se mais terrinhas!

Há sempre um Col à nossa espera! Ainda bem que eu fiz o Col de Marie Blanque no dia anterior com sol, porque as nuvens cobriam-no quando voltei a passar e aquelas estradas têm piada se a gente as vir!

Claro que a névoa também pode dar um certo ar de mistério às situações, porque lá mesmo no local sentia-se isso também!

Já não é a primeira vez que passo no Château de Mauvezin, um castelo medieval com origem lá pelo séc. XI, mas ainda não foi desta que o fui visitar por dentro!

Pelo menos desta vez aproximei-me mais um pouco que o costume, mas como só faço o que me apetece… não me apeteceu entrar!

Também vi lá ao fundo Sainte-Bernard de Comminges, mas só tirei fotos, não me aproximei! Também sabe bem apreciar os conjuntos históricos de longe, por vezes a gente luta para chegar perto, com trânsito e ruelas e de perto não tem qualquer interesse!

E cheguei a Saint Béat, uma terrinha na borda do rio Garonne, um rio cheio de coisas que eu quero ver! Um dia destes vou fazer um Passeando pelo Garonne, já prometi à minha nova motita!

Não é uma daquelas terrinhas de visita obrigatória, mas quando a gente passa é simpática para se parar um pouco!

Mais à frente Luchon, de que ouvira vários motards falarem… não tem outro interesse senão as esplanadas, o movimento das pessoas e mais esplanadas… cada qual gosta do que gosta !

E engrenei pelo Vale d’Arán que é muito bonito e se pode visitar repetidamente pois os seus encantos não têm fim!

Tudo o que sobe tem de descer, e há descidas fantásticas! Pena é a plantação de postes por aqueles lados que arruína grande parte da beleza do local!

O que eu gosto da montanha!

E é no meio das montanhas que fica Andorra la Vella. A Pousada de Juventude fica mesmo na encosta, a gente sobe, sobe e pronto, é lá em cima!

Depois foi descer, descer e vir cá abaixo comer! eheheh

Ali lembrei-me que o meu amigo Elísio me pediu fotos com vacas com maminhas grandes por isso tirei uma foto aquela vaquinha « classe » !

Andorra é muito mais calma à noite e até tem perspetivas giras para se fotografar !

E fui dormir, que amanhã era outro dia com tantas coisas bonitas para ver e fazer !

Fim do terceiro dia de viagem!

40 – Passeando até à Escócia – De Ordino até Avila!

1 de Setembro de 2011

É sempre tão difícil voltar…

Olhei para o mapa… olhei pela janela… e os Pirenéus foram mais fortes!

Eu sabia que tinha um trajeto longo para fazer, mas não resisti a torna-lo bem mais longo e ir passear pela cordilheira do meu coração, (depois dos Alpes suíços)…e um caminho que seria de 735 km, de Ordino até Ávila, tornou-se em 1058 km de passeio!

Voltei para trás, dei uma grande volta ao sabor do vento, apenas curtindo a montanha!

Eu estava tão perto do céu, estava mesmo no paraíso!

Os cavalinhos fizeram-me lembrar os Garranos do Gerês, tão lindos e simpáticos! Acho que lhes poderia ter tocado sem que eles se assustassem, de tão perto que me cheguei!

Realmente se o meu paraíso existe é seguramente na montanha!

Depois fui atras de Le Pont du Diable, já perto de Foix (cruzes o que eu andei para trás!) por ruelas onde a minha motita quase teve de ter dobradiças para curvar!

Eu não consigo resistir a nomes desta natureza, apetece-me sempre ir ver o que é uma Ponte do Diabo! eheheh

O rio Ariège, calmo e aparentemente inofensivo, na realidade sobe rapidamente e aumenta o seu caudal de forma surpreendente, conforme diversos sinais avisam no local!

Diz-se que a ponte deve o seu nome a uma lenda:

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Há muito tempo, duas terras, Ginabat e Montoulieu, estavam muito isoladas nas montanhas das fraldas dos Pirenéus porque a travessia do rio era muito perigosa por causa das correntes e redemoinhos, isso tornava muito difícil às populações irem a Foix vender e comprar os seus produtos, pois tinham de fazer longas caminhadas pelas florestas perigosas

Um dia um habitante, tentando resolver esta situação, pede ajuda ao diabo, que lhe construa uma ponte, dado que as populações não tinham condições de a construir por causa da perigosidade do rio. O diabo aceita, na condição de que a primeira alma a atravessar a ponte pronta, seja dele. O pacto foi aceite e numa noite a ponte foi construída.

Mas nenhum habitante das duas terras se atreve a tentar atravessa-la, sabendo do pacto com diabo. Então o homem que fizera o pacto aparece com um gato e fa-lo atravessar a ponte!

O diabo louco de raiva por ter sido engando daquela forma por um mortal desata a saltar e berrar e, com toda a agitação, cai ao rio sendo levado pela corrente forte. Os padres das aldeias acorrem rapidamente a benzer a ponte e a partir dali toda a gente pôde atravessa-la sossegadamente!

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Na realidade o seu nome deve-se ao facto da ponte não parar de se autodestruir no início da sua construção!

Não contente pelo desvio no sentido contrário ao do meu caminho, continuei a catar a zona até Montsegur.

A minha rápida exploração da zona não era inocente! Na realidade eu andava a dar uma pequena volta no País dos Cátaros… uma seita religiosa do sec XIII que considerava, entre outras coisas, que o Papa era um tipo herege! Foram todos mortos e hoje há todo um percurso de castelos que foram ocupados por eles, entre eles o castelo de Montsegur!

Um dia vou fazer um “Passeando pelo país dos Cátaros!” certamente!

O castelo de Montsegur, lindo, lá em cima periclitante no topo de um monte estupidamente alto!

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Não tive coragem de subir lá acima! Teria de o fazer a pé e, depois de um viagem, com tanto quilómetro para fazer… não havia condições!

A cidadezinha de Monsegur fica logo ali em baixo, fofinha!

Tinha de continuar o meu caminho, ou nunca mais chegaria a Ávila!

Mas não conseguia deixar de parar a todo o momento para tirar mais uma foto

A bastante distância ainda se podia ver o monte com o castelo de Montsegur, por cima das árvores!

Passei pelo Col de La Croix Des Morts, muito frequentado por ciclistas

E meti-me pelas ruínhas que eu gosto!

E depois de deambular ainda por uma carrada de quilómetros por ruínhas onde apenas caberia eu e a minha motita, lá cheguei à civilização e a seguir entrei, finalmente, em Espanha!

Onde fui obrigada a guardar a máquina fotográfica pois, logo a seguir, tive de atravessar o temporal e apanhar a chuva toda que não apanhei na Escócia!

Naquela noite a minha casa era em Ávila e era mesmo uma casa por minha conta!

Fim do 27º dia de viagem…

39 – Passeando até à Escócia – De Avignon até Ordino!

31 de Agosto de 2011

Não tinha o destino marcado, isto é, não tinha dormida marcada para a noite seguinte, por isso simplesmente fui dar uma volta pela cidade e depois iria descer pelo mapa abaixo e decidir pelo caminho onde iria ficar!

Avignon… a primeira vez que ali passei foi apenas pelo nome! Lembrava-me a obra de Picasso “Les demoiselles d’Avignon”e fui lá apenas por isso! Afinal este nome evoca uma das obras mais notáveis e importantes do pintor, que marca o inicio de um novo estilo (o cubismo), viola todas as regras e leis da representação figurativa até à data e é verdadeiramente espantosa…

Avignon… é uma cidade cheia de história, verdadeiramente surpreendente e algo misteriosa pela diferença! As ruas são ruelas intrincadas, cheias de sentidos proibidos que nos fazem realmente circular pelo centro histórico!

De repente encontra-se uma praça com um monumento qualquer, depois de se sair, como uma rolha, de uma infinidade de ruinhas! Encontrei a Torre de Saint Jean, ali sozinha no meio da praças apertada entre os edifícios. A torre é o que resta dos vestígios de uma antigo convento dos Hospitaleiros de Saint-Jean-de-Jerusalém, do sec XVI.

E anda-se por ali, de ruela em ruela, até se encontrar outra “clareira” no meio do pouco espaço que cada quarteirão tem!

Então encontrei o Palácio dos Papas!

Avignon foi durante muitos anos a residência dos Papas, a cidade, aliás, foi propriedade da Igreja de Roma e dos Papa durante vários séculos!

O Palais des Papes é um edifício espantoso! Só é uma das maiores e mais importantes construções góticas da Europa!

A praça em frente é descomunal perto do aperto de toda a cidade!

Ao lado fica a Catedral de Notre Dame dés Doms, com origem no sec XII

O conjunto é verdadeiramente monumental! Tenho de me dispor a passar ali uma tarde e visitar tudo por dentro!

Depois de uma volta labiríntica pela cidade chega-se ao rio onde fica a ponte de Avignon que é afinal a Pont de St. Benezet, do sec XII

As muralhas da cidade, bem conservadas, construídas na época em que os Papas se mudaram para a cidade.

Depois engrenei pelos caminhos mais improváveis que encontrei, a França profunda é encantadora!

Até chegar a Narbonne, mais uma cidade onde eu passara muito tempo antes e que não chegara a conhecer direito… linda, com o seu Canal de la Robine a fazer risca ao meio!

Aproveitei para me encher de comida boa de novo! Ah aqueles mexilhões são uma delicia!

A cidade é simpática mas fecha as estações de serviço ao almoço!!!
Fui a 2 e à 3ª nem pensei mais, pedi a uma senhora muito simpática que me pusesse 30€ d’essence na barriguita da minha motita! Eu não iria espera 2 horas que aquilo abrisse! 😉

Narbonne fica já na província de Langdoc tem uma história cheia de estórias interessantes e está ligada a um canal surpreendente, que quero explorar um dia destes num “Passeando pelo Canal du Midi”! eheheh

Para já contentei-me em visitar o Palais des Archevêques e a Catedral,

o acesso à catedral faz-se pelo palácio

A Cathédrale St-Just-et-St-Pasteur do sec XIII

Esta é mais uma cathedral que se visita em silêncio…

Engraçado que as pessoas não faziam barulho, mesmo quando estavam a conversar à porta!

A Place de l’Hôtel de Ville em frente ao Palácio tem um pedaço de ruína romana no centro!

e voltei à estrada ainda a decidir para onde iria!

Ao ver os montes chegarem, no entanto, não tive mais duvidas de onde queria ir! Iria passear pelos Pirenéus e dormir em Ordino, no Hotel dos meus amigos!

O que eu gosto de passear pela montanha!

O tempo ameaçava chuva, eu vesti o fato e nada me perturbaria! Enquanto há visibilidade não há mau tempo que perturbe um passeio pela montanha!

Pas de la Casa apareceu então ali ao lado, ainda uns dias antes ali estivera! Já vai sendo habito passar por lá todos os anos, mas desta vez foram duas e seguidas!

Então decidi ir pelo Col de Ordino, que já queria fazer da última vez que ali passara, mas a configuração da rua não era inspiradora para principiantes! Agora que estava sozinha é que era o momento certo!

E sobe-se, sobe-se e passa-se por cima de todo o caminho que se faz normalmente!

E as paisagens são muito mais interessantes por ali!

E fui recebida amigavelmente num ambiente simpático e acolhedor, onde quero voltar brevemente…de novo!

Jantei divinalmente e bebi um vinho óptimo, que me acompanhou pelo serão!

Fim do 26º dia de viagem!