5 – Passeando até à Suiça – de Andorra la Vella a Montpellier

2 de Agosto de 2012

É simplesmente delicioso acordar na montanha com o sol alegre e vistoso! Antes de partir para mais longe eu queria ir a Andorra la Vella comprar o meu perfume que deixo sempre para comprar lá pois cá custa o dobro do preço! Depois seguiria pela montanha, sempre por estradinhas secundarias para França.

Não há grande coisa para catar em Andorra la Vella, quando já se passou por lá tanta vez, mas os montes envolventes são muito acolhedores! O meu Patrick (GPS) dizia-me que não faltavam estradinhas aos SS por ali acima e por ali abaixo. E foi assim a minha voltinha matinal! Deliciosa, sem me afastar da cidade

Há gente que tem o privilégio de viver com uma paisagem destas, todos os dias, do lado de fora das suas janelas!

Tal como em todos os Pirenéus, tanto espanhóis como franceses, Andorra tem igrejas românicas lindíssimas!

Esta Igreja de São Miguel de Engolasters é das mais conhecidas de Andorra, é românica do sec XII e é super “mimi”! Muitas das pinturas e murais destas igrejas pirenaicas estão no Museu da Catalunha em Barcelona, incluindo as desta igreja. Foram retirados para que não se deteriorassem mais e no seu lugar foram colocadas réplicas, por isso as igrejas não estão despidas!

Mais acima um bocado fica o lago de Engolasters, um lago muito bonito que fica lá em cima a mais de 1600 metros de altitude!

A gente vê as placas e vai subindo e vai-se questionando se há mesmo um lago no topo do monte! E há mesmo!

E forma um autêntico espelho de agua!

O comércio estava aberto quando desci do monte, por isso foi só comprar o perfume e seguir o meu caminho. Segui para França por Espanha por estradas cheias de paisagens e pormenores lindíssimos!

Belver de Cerdanya lá ao fundo!

Segui um pouco pela Route des Cols que, como o nome indica, é de subir e descer, curvar e chorar por mais!

E segui para Villefranche-de-Conflent, que eu queria visitar desde que passei por ali, no ano passado ao regressar da Escócia, e vi uma autêntica romaria de gente às portas da cidade!

A cidade muralhada é medieval e está muito bem conservada. Foi construída em mármore rosa e foi sendo restaurada e mantida ao longo dos séculos.

Acima da cidadela fica o Fort Libéria, que não visitei… uma coisa que eu aprendi é que não se sobem longas escadarias em viagem ou será muito duro conduzir depois, com os músculos espalmados!

No interior das muralhas há um ambiente de férias! Muitas lojinhas de tudo, muitos turistas e as ruas cheias de gente!

Há recantos que se têm de visitar sem ninguém ou não se conseguirá ver o que o local é, para além dos turistas por todo o lado!

Ainda dei umas voltas por terras próximas, mas nada se aproxima do encanto de Villefranche, por isso segui para onde o interesse me levava!

Continuava por “caminhos de Santiago” e o Monasterio de San Miguel de Cuixá é um exemplar fantástico neste percurso, desde a idade média!

Azar dos azares… estava fechado! Então dei-lhe a volta, comi dos pêssegos do seu pomar, estavam meio verdes mas eu gosto assim! E tirei fotos do exterior, pois então! 😀

As aldeias na encosta do monte sempre prendem a minha atenção!

Enquanto eu me dirigia para Limoux atravessando a Retenue de Vinça, uma represa que proporciona imagens interessantes!

A ideia é sempre sair dos caminhos cheios de carros e gente, normalmente as alternativas são deliciosas ruas estreitinhas com paisagens para mais tarde recordar!

Esta é uma imagem do paraíso, para mim, quando ando em viagem!

E cheguei a Limoux, uma cidade que eu tinha curiosidade de conhecer desde 2009, quando perdi o meu GPS e vim de Carcassonne até Andorra comprar outro. O nome Limoux estava por todo o lado, mas eu não tinha condições de pensar sequer em visitar a cidade!

Desta vez tirei as dúvidas, é uma cidade interessante sim! Com a sua Pont Neuf do Séc. XIV sobre o rio Aude, muito bonita!

E a catedral, ou Igeja de Saint Matin do sec XII, muito bonita, embora enfiada no meio de um transito que devia passar mais longe…

Achei piada à grande pia de agua benta, que fiquei sem saber se não seria a pia batismal, dada a sua grande dimensão!!

O que mais me arrelia quando tento fazer uma panorâmica de uma cidade é o facto de haver sempre uma grua a lixar tudo!

E segui para Carcassonne que conheço bem e sabia que ficava ai bem perto!

Estava muito calor e eu não me quis meter pela cidadela cheia de gente!

Preferi explorar novas perspetivas das longas muralhas que envolvem a cidade e proporcionam enquadramentos lindíssimos e o rio Aude!

Nesta altura o calor já era muito, não se estava bem em lado nenhum, havia muita gente por todo o lado e tudo o que me apetecia era andar para arrefecer, mas a motita começou a querer falhar!

A princípio pensei que era apenas impressão minha, já no caminho me parecera senti-la desacelerar em andamento, mas logo a seguir não se sentia mais nada! Mas desta vez parecia que algo a iria impedir mesmo de andar!

Eu afastava-me já da cidade quando ela começou a soluçar! “Valha-me Deus! Querem ver que vou ficar sem moto? ” Eu dava-lhe um pouco de embraiagem e ela não ia abaixo, mas logo a seguir engasgava de novo! Parei junto ao um grupo de polícias que estava numa sombra a monitorizar um radar (pois, isso também há lá por todos os lados!) perguntei por uma oficina Honda. Para a frente não haveria nada, teria de voltar para Carcassonne.

Indicação de uns e de outros, um senhor numa estação de serviço deu-me um mapa e fez nele o desenho do percurso até à Honda, do outro lado da cidade “vá depressa que aquilo fecha cedo!”
Lá encontrei o que procurava e cheguei a tempo!

A moto não tinha nada! A única coisa que podia ser era impureza na gasolina. “mantenha o deposito cheio e reze para que seja apenas água, porque se for impureza, vai voltar a engasgar!

Mal enchi o depósito, deixou logo de falhar! Milagre, siga para Montpellier!

Já nem parei em mais lado nenhum, apenas para pôr gasolina, pois não deixei mais o deposito chegar sequer a meio… mesmo assim, ao chegar a Montpellier, voltou a soluçar, cada vez mais, cada vez mais forte até ir abaixo à porta do hotel onde iria dormir aquela noite!

“Obrigada fofinha, já que tinhas de ir ao menos fizeste-o no momento certo, já não fico por aí stressada na rua!”

Em Montpellier eu iria encontrar-me com o meu amigo Charles, que acompanhou algumas das minhas crónicas no meu blogue, sobretudo a de Marrocos. Como eu não podia mais ir até casa dele, veio ele até ao meu hotel. Fui jantar a sua casa, conhecer a sua esposa que tão simpaticamente cozinhou para nós. Amanhã iriamos à Honda ver o que a Magnifica tinha. Ele tem uma Pan igual, não haveria problemas, estava entre amigos!

Fim do quarto dia de viagem