2.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

1 de agosto de 2019

– de Decazeville – França, até Saignelégier – Suíça –

Quando me perguntam se ainda há o que ver por esta Europa que eu tanto exploro, eu lembro-me sempre da quantidade de coisas incríveis que ainda não vi e que sei que existem…

Aquele dia não seria diferente! Embora eu estivesse a atravessar de novo o sul de França, que eu já percorri vezes sem conta, havia tanta coisa incrível para ver no meu caminho que eu tinha de selecionar. É sempre assim, sempre fica tanto o que ver para as vezes seguintes que passar perto. E voltei a andar para trás e para a frente em busca de pequenos encantos que sei que existem.

Embora me irrite um pouco ter de deixar a moto e caminhar para encontrar o que quero ver, eu sabia que Conques valia esse esforço. Obviamente, o ideal para mim é ir com a moto até ao centro da cidade ou aldeia que quero explorar e só depois caminhar. Mas ali não é possível. A entrada está vedada ao trânsito de veículos não autorizados e só me restava descer até lá ao fundo.

A vantagem é que o caminho permite captar diversas perspetivas e enquadramentos fantásticos da aldeia.

A aldeia é tão bonita que apetece ficar lá por dias, caminhar, explorar recantos, comer numa esplanada e desenhar!

“Tenho saudades de me encostar a uma parece para me proteger do sol enquanto descanso um pouco da caminhada! Subir e descer ruelas por entre construções antigas e lindas, é do mais bonito que se pode fazer, mesmo cansando, mesmo suando, com o sol a incidir e a aquecer. Mas é o que fica na memória, o prazer que foi, para além do cansaço e do calor, esse calor que me faz tanta falta, num ano em que quase só tive direito a frio! Na realidade tenho saudades do sol e pronto!”
(in Passeando pela Vida -a Página)

É um dos pontos fortes de passagem do caminho de Santiago Francês e havia peregrinos por lá. Apenas consegui fotos sem ninguém porque era cedo até para eles e os que já andavam na rua estavam concentrados nos cafés a tomar o pequeno-almoço.

É verdade, eu sou muito madrugadora em viagem. Não uso despertador, apenas acordo e saio para a rua, sejam que horas forem. Por isso os meus dias parecem enormes!

“Vivo tanto numa viagem que tudo parece longínquo no fim, como se se tivesse passado noutro ano, noutra época, noutra encarnação! Então começo a rever as fotos e tudo volta de repente… estava frio à sombra, o típico frio da manhã quando passeamos por entre o casario antigo de uma aldeia rodeada de montes, eu sentei-me num degrau e fiquei quieta, a sentir a atmosfera do local. Não havia turistas, apenas alguns peregrinos do caminho de Santiago, e eu desenhei, como se tivesse todo o tempo do mundo, porque é assim que eu sinto um local que me apaixona….”
(in Passeando pela Vida – a Página)

Percebo que não sou normal quando constato que acordo antes dos devotos peregrinos para passear!

Percebo também como me transformo em viagem! Normalmente canso-me muito, por tudo e por nada, a minha tenção baixa cobra-me qualquer esforço que faça, deixando-me exausta tão facilmente. No entanto, assim que me faço à estrada, a minha resistência vai aumentando e me vou transformando numa autentica maratonista!  

A Église Abbatiale Sainte-Foy – Abadia da Santa Fé, é uma enormidade no meio de uma aldeia cheia de casinhas pequenas e ruelas estreitas! É românica e tem quase mil anos de história. Infelizmente estava fechada e eu não esperaria que abrisse… uma boa razão para voltar a passar lá, porque é linda e eu tenho de a ver por dentro.

É, tenho de voltar a passar em Conques com mais tempo, ficou a vontade de explorar os montes em redor e captar outras perspetivas do local. Talvez da proxima vez que passe perto lá vá, se não estiver a caminho de um destino tão distante como o que tinha por aqueles dias…

Verrières apareceu-me no caminho como um cenário, do outro lado de um pequeno rio, como se tivesse sido posta ali para embelezar e não para se viver!

“Cada vez que eu digo que percorro todo o caminho desde minha casa até ao sitio mais longínquo que quero alcançar, a exclamação que mais oiço é do aborrecimento que pode ser atravessar países e zonas por onde já passei tanta vez! E, no entanto, sempre há tanto o que ver e explorar a cada passagem, como se os caminhos nunca fossem realmente esgotados, porque a beleza não tem fim e os recantos nunca serão totalmente conhecidos! Como o sul de França, que é tão grande e tão cheio de pequenas populações encantadoras como um país inteiro! Desta vez passei em Verrières, e a perspetiva da aldeiazinha era como um quadro pintado ao alcance do meu olhar. O orgulho das pessoas que conversavam por ali foi visível, cumprimentando-me e incentivando-me a entrar e percorrer as ruelas com a minha moto. E ficaram a olhar enquanto eu manobrava para atravessar a ponte, sem deixar de comentar como a moto era linda e eu era “une femme courageuse””
(in Passeando pela Vida – a Página)

Realmente a moto parecia gigante nas ruelas e junto das casinhas pequenas. Tudo uma questão proporção!

terrinha era pequenita, mas tinha um castelinho com a porta aberta para quem quisesse espreitar!

“São tantas as comunas que ladeiam o rio Lot que eu quero conhecer que, a cada vez que passo por ele, tento visitar mais uma ou duas. Desta vez passei por Espalion, com as suas casinhas antigas debruçadas sobre o rio, em cenários de encanto. Sentei-me por e a sensação foi de saudade de tantas outras explorações do belo país e a vontade era de continuar passeando por ele explorado todas as suas belezas. Tudo tão bonito por ali…”
(in Passeando pela Vida)

Como eu gostava de poder viajar por mais tempo, um mês de cada vez é tão pouco para explorar tudo o que quero….

Passeei em redor, de uma ponte até à outra, porque havia coisas que eu queira ver. Entre as duas pontes as calquières guardam memórias antigas dos curtumes na região, casinhas com varandas de madeira sobre o Lot!

E segui para Estaing. Já lá tinha passado a caminho da Rússia, mas é daqueles sitios onde apetece ficar, por isso voltar a passar nunca é demais!

Já desenhei ali, mas não resisti a captar um novo momento. A moto estava estacionada no sitio ideal para registar uma nova perspetiva e uma nova memória!

Acho que por ali toda a terrinha que se prese tem o seu proprio castelo!

As estradas estavam cheias de gravilha negra, podia sentir as pedrinhas a tilintar por dentro dos para-lamas da moto, e questinava-me se na Islândia a sensação seria semelhante àquela. Gracejava no facebook “Frio e gravilha negra por todo caminho… acho que já estou na Islândia e nem dei por ela!!!! 😉

Nem eu imaginava, naquele momento, como seria parecido, mas muito mais perigoso e assustador do que apenas pedrinhas que subiam pelos para-lamas a moto acima…

O Lot ecanta-me a cada vez que cruzo com ele, um rio que já prometi a mim mesma percorrer de ponta a ponta, porque ele é lindo e porque está rodeado de sitios encantadores, aldeiasinhas e castelos medievais.

E eu sempre paro vezes sem conta quando cruzo com ele, para explorar mais um pouco ou, simplesmente, para fazer um picnic!

Ainda daria tempo de passar em Ternand, uma aldeia no topo de um morro, feita de casinhas de pedras douradas.

Ao tempo que eu queria passar ali! Mas não esperava ser a unica estranjeira a passear por lá! A bem dizer apenas encontrei habitantes locais, coisa rara numa terrinha tão bonita que eu temia estar mesmo cheia de turistas!

A cor ocre das pedras era tão fascinante como eu imaginava pelas fotos da internet, e os promenores deliciosos!

A sensação era que toda a aldeia estava ali para mim, eu podia demorar o tempo que quisesse apreciando o que quisesse pois não havia ninguém a perturbar a minha exploração. Apenas um ou outro habitante local passava aqui ou ali, de resto estava todo ao meu dispor para apreciar e desenhar!

Oh, e os pormenores eram deliciosos por vezes! As gargalhadas que eu dei com o aviso do “gato bizarro”! Ahahahahah

E na verdade encontrei alguns gatos bizarros, que me olharam com aquele ar de desprezo tão seu carateristico, e que eu adoro e me faz sempre sorrir!

O meu dia estava a chegar ao fim e eu tinha de seguir viagem, pois a minha dormida ainda era distante, algures na fronteira suíça, por isso tive de deixar os gatos e os desenhos para trás.

É nestes momentos que tenho de controlar a minha vontade e deixar de parar em todo o lado, para seguir o meu caminho. Ao fim de mais uma série de quilómetros encontrei a fronteia Suíça e a minha dormida seria logo a seguir. Eu sempre tenho de levar as minhas motos até lá, nem que seja por meia duzia de quilómetros.

Do tipo “vês Scralett, foi por causa deste país que eu comecei a viajar pela Europa de moto!”

E para me aquecer o coração (e o estomago) o hostel tinha restaurante e o restaurante tinha “moules/frites” yessss

As tradições criam-se e uma que eu criei foi comer mechilhões com batatas fritas em todas a viagens que faço! Costuma ser em França, mas se for na Suiça, na Bélgica ou na Rússia, (yess, também os encontrei lá) serve perfeitamente!

A motita dormiu na rua, juntinho da esplanada, bem onde a parei quando cheguei…

Eu e ela fizeramos mais de 800km naquele dia, estava na hora de descansarmos as duas.
Até amanhã Scarlett…

One thought on “2.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

  1. É um encanto a beleza destas aldeias, ainda por cima estando distantes dos grandes centros urbanos, ainda assim conseguem manter uma qualidade arquitectónica invejável!

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