1. Passeando por caminhos Celtas

Cucu!

Pois é, já parti o meu porquinho e já decidi o que vou fazer a seguir!

Não importa quanto tinha, importa o que posso fazer com o que tinha…

E o desenho foi feito à medida do que posso fazer!

Então, depois do azar que tive em 2011 com a minha Magnifica, volto para completar as minhas explorações e passear por essas terras celtas que tanto me chamam há tempo demais!

O meu plano A era outro, mas irrealizável para já, por isso sai o plano B, que será memorável!

Desta vez, baseada no “queres que te faça um desenho?” para ilustrar um pouco do que quero fazer fiz mesmo um desenho!

Digam-me que não está um desenho lindo!

Ora o desenho mais perfeitinho, apenas contendo os pontos onde dormirei, feito no Google maps, ficou assim!

O desenho que fiz à mão, lá em cima, é mais próximo das voltinhas que darei na realidade, o que fará com que esta volta vá dos 8.000km, do Google maps, para uns 13 ou 14.000 na estrada, depois de muito floreado o percurso!

Será isto o meu mês de agosto… desejem-me sorte!

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35 – Passeando até à Escócia – Uma corrida pelo reino, passando por Chester!

27 de Agosto de 2011

A reformulação da viagem, após a avaria, obrigara-me a deixar um percurso muito longo, no regresso a Londres, para tentar aproveitar ao máximo o tempo que pudesse na Escócia, por isso este dia foi passado quase totalmente a conduzir e fiz 1.050 km até ao meu destino.

Não resisti em partir sem dar uma volta pela zona. O tempo estava chuvoso mas mesmo assim fui dar a volta ao lago mais famoso, em tom de despedida. A vontade de ficar mais um pouco tornou a despedida triste, ainda por cima era bastante cedo e não havia ninguém nas ruas… enfim, todos os ingredientes para uma despedida como convém!

Há vários símbolos e representações do monstro do lago junto ao centro da NessieLand

Havia motards alojados no local, deixei a minha motita junto das deles para ficarem amigas.

Estava tudo a dormir ainda…

Tirei as últimas fotos com o lago como fundo

Fiquei ali a olhar longamente a paisagem, não tinha mesmo vontade nenhuma e partir!

Segui o meu caminho por via-rápida. Tinha muitos quilómetros para fazer não havia tempo para nacionais.

Fiz um grande trajecto atrás de um grupo de 5 motos da polícia, que me fascinou pela coordenação e plena confiança entre si, que demonstravam! Conduziam como se fossem um único veículo, moviam-se sem desfazerem a formação, mesmo quando se tratava de ultrapassar um camião, onde apenas os da direita tinham visibilidade para fazer a manobra! Fascinante forma de conduzir!

A distância entre eles era sempre constante, inclinavam todos exactamente ao mesmo tempo para uma ultrapassagem e nunca desfaziam a formação de 2+2+1! E não circulavam propriamente a velocidade legal! Eu ía a 140km/h, por isso eles iam a mais!

Mas eu também não sou pessoa para fazer uma corrida sem parar e havia ali uma cidade a meio do caminho que eu queria muito visitar. Tinha-me distraído na subida com outras coisas, mas não a podia deixar passar na descida!

Tinha de passar em Chester, uma cidade histórica lindíssima, a meio do país, cheia de ruínhas e casas medievais espantosas. Ali fica a loja mais antiga do mundo a funcionar desde o sec XI, não a encontrei…

Pedi a um polícia, junto da câmara da cidade, que me dissesse onde podia pousar a minha motita, pois não tinha tempo a perder a dar voltas e voltas à procura de um lugar!

E fui explorar a cidade, comer qualquer coisa e deliciar-me com tudo o que havia ali para ver!

A cidade tem imensos edifícios de paredes de madeira que remontam aos tempos de Tudor.

Uma terra encantadora onde apetece ficar uns dias!

Cada volta que se dá revela mais um recanto encantador!

A catedral deixou-me a pena de não a poder visitar, não teria tempo de o fazer!

Uma construção que vem desde o sec XI, mistura os estilos Românico e Gótico e é linda….

The Eastgate Clock, é o relógio mais fotografado da Inglaterra, depois o Big Ben! Está no sitio onde ficava a entrada da fortaleza romana que ali existiu.

Claro que fui procurar o caminho que me levasse lá acima!

O relógio diz ele próprio de que ano é, nem tive de perguntar a ninguém!

Lá de cima a vista sobre a rua com o mesmo nome: The Eastgate streat, para um lado

e para o outro

ali ao lado fica uma casa do ano 1395!!

Então continuei a minha viagem em direcção a Londres, sempre por via-rápida, apreciando o mesmo país que eu visitara por nacionais, dias antes, e o interesse era diminuto, perto que eu sabia que existia por ali para ver!

A minha vontade de sair e engrenar por uma ruela qualquer era grande mas fui-me contendo, nunca mais chegaria a Londres se me pusesse a explorar ruelas…

Lá fui tirando umas fotos de quando em quando, ao ver passar construções em feno nas bordas dos terrenos! Vi vários castelos feitos de fardos de feno mas foi um urso que me espantou!

Um urso construído em fardos de feno não é obra de qualquer um! Espantoso!

Lá cheguei a Londres cheia de fome (o meu estado natural, eheheh) e fui directa ao Ace Café, com a ideia no franguinho com batatas que lá comera “milhares” de dias antes!

Estava por lá uma animação! Um evento que reunia carros e motos antigos

O franguinho estava óptimo e a cerveja deliciosa!

Depois lá fui espreitar a festa, para lá de um carro da polícia, no palco, onde dois tipos imitavam o Blues Brothers acompanhados por uma série de fulanas de chapéu. Alguém sugeriu que eu fosse lá para o meio já que também tinha chapéu!

Ok dancem vocês que eu já trago uma “milena” de quilómetros no corpo!

Acabei a noite a conversar lá fora com uns motards muito simpáticos que queriam saber de onde eu vinha “eu venho da Escócia!” pois, mas de que país era eu? “há, sou portuguesa” e tinha vindo de Portugal com a moto no ferry? “não, fiz por terra tudo o que pude!” mas isso dava para aí uma porrada de quilómetros! “claro, aí é que está a piada!” e onde estavam os meus amigos? “os meus amigos?! Estão em Portugal porquê?” puxa eu tinha vindo sozinha? Não tinha medo? “o vosso país não é um país seguro?” sim claro “então de que devo ter medo?”…

Um dia querem vir à concentração dos Piguinos, não se sentiam atraídos por Faro por ser muito quente e eles não estão habituados ao calor, além de ser muito longe do ferry…

Fui finalmente para o hostel, uma casa giríssima que eu já conhecia de ter passado à porta quando estivera em Londres dias antes.

Casa gira, pessoal super simpático e ambiente muito agradável!

Sentei-me de pernas para o ar num grande sofá e liguei-me à net de borla, a falar com o mundo!

Fim do 22º dia de viagem…

6 – Passeando até à Escócia – de Calais até Londres

10 de Agosto de 2011

Estava à porta da Grã-bretanha, era o dia de passar!

A minha preocupação era encontrar o balcão para comprar o bilhete e o sítio do embarque! Eu sei que é caricato mas embarcar a moto para qualquer lugar assusta-me sempre um bocado!

Tinham-me dito que Calais não era nada de especial e se calhar não é mesmo, mas toda a cidade tem os seus recantos, por isso, depois de comprar o bilhete (que teria ficado bem mais barato se não fosse estúpida e o tivesse comprado pela net) fui procurar os encantos da cidade. Tinha uma hora para passear um pouco e voltar para embarcar!

Fui naturalmente encontrar a cidadela de Calais!

Um forte sem nada de especial mas que se presta a boas fotografias, sem dúvida!

Ao longe via a porta de Neptuno, lá dentro há um espaço desportivo… estava a contar com tudo menos com isso!

Mais à frente a igreja, antiga e interessante mas não havia tempo para a ver por dentro!

E o farol, ali no meio da rua!

e num instante estava na hora de ir para o cais de embarque!

Conheci ali uns italianos que iam a Londres visitar a filha de um deles. Foram tão simpáticos que começou ali a “minha reconciliação” com os italianos! Aliás, ao longo desta viagem a quantidade de italianos, todos simpáticos, que encontrei, mostrou-me que no ano passado eu apenas tive azar com os estúpidos com que me cruzei no norte de Itália! 😉

O ferry é muito confortável e a viagem não custa nada! Eu que enjoo a andar de carro ainda não enjoei a andar de barco, é curioso, não é?

Por uma janela podia-se ver o cais e a nossa porta de embarque

Por outras podia-se ver Calais a ficar para trás!

Calais é o ponto de França mais perto da Inglaterra, fica apenas a uns 34 quilómetros do território inglês: Dover!

A confusão começou aqui!

«Desembarca-se, anda-se atrás de uns e de outros, passa-se uma fronteira, depois outra, tudo muito simples e sai-se para a rua directo! Em filinha vou-me sentindo a conduzir à esquerda “que fixe! Afinal é fácil!” então reparo que vou toda catita pela via da esquerda mas pela faixa da direita! “espera aí, se é tudo ao contrário eu vou na faixa de ultrapassagem!”…

Não sei se devo pôr o meu Patrick a contar milhas ou quilómetros. Experimento milhas e ele dá-me a minha própria velocidade em milhas também. “boa, fico a saber como é isso das milhas” mas então vejo placas a dizer que Londres fica a 70 milhas e eu não sei se é longe ou perto! O GPS também me diz que estou a X milhas de Londres…

O meu cérebro dá uma volta sobre si, não sei se vou pela estrada correctamente ou a fazer asneiras! Tenho pela primeira vez a sensação, que me acompanhou por vários dias e em várias situações, de que estou a fazer bosta!

Saio da via-rápida “afinal eu não viajo para conhecer vias-rápidas, são todas iguais!” Quero ver um castelo que fica mais ou menos no caminho e vou andando pelas estradinhas…

À sensação de “vou a fazer bosta!” acrescentei a sensação de “vou a correr perigo!!!” só me resta colar-me toda à esquerda, às sebes e aos muros e ao entrar num cruzamento fazer contas por onde seguir… acho que vou ter um treco!»

Cheguei ao Bodian Castle, tão concentrada na estrada (que era uma ruela e onde eu achava que nenhum carro conseguiria cruzar comigo sem me rapar o espelho direito) que nem o vi!

Mas ele estava ali mesmo ao lado da estrada…

Naquele país é comum fazerem-se estacionamentos sobre relvados!

O castelinho do sec XIV com todo o ar de quem quer impressionar a vizinhança!

por um lado é imponente, por outro é “frágil” para defender o que quer que seja!

Aquela gente aproveita bem o sol, talvez por ele ser pouco ou pouco frequente! Levam o almoço ou o lanche e vão fazer pic-nics para estes locais bonitos! Haja sol, que lá vão eles para os relvados!

Ali ao lado um comboio a carvão passou para completar o quadro!

E segui para Londres… diziam-me que andava para lá tudo em manifestações, revoluções, pilhagens e não sei que mais…

A mim pareceu-me tudo calmo… uf, ainda bem!

Junto à National Gallery, na Trafalgar Square, o ambiente era de serenidade, a confusão que se vivia por ali tinha a ver com turismo e não com terrorismo!

Ao longe podem-se ver as torres do Big-Bem e do Parlamento

Pormenores curiosos de Trafalgar Square

O edifício da National Gallery domina a praça! Este é, afinal, um dos museus mais importantes da Europa! Eu queria visita-la e iria faze-lo noutro dia e não acreditava no que estava a ler: a entrada era gratuita!!!

Então fui ter com o meu amigo do Facebook, Hugo Ribeiro, que vive perto de Londres e fomos jantar ao Ace Café!

Um espaço curioso e simpático que é um ponto de encontro entre motards muito interessante! Um café que nasceu, nos anos 30, para servir camionistas e acabou por cativar motociclistas!

Gostei bastante do local, comi bem e voltaria lá no meu regresso a Londres, quando voltava da Escócia.

Fim do 5º dia!

Passeando pela Inglaterra!

Depois de uns bons quilómetros passeando pela Inglaterra uma sensação se mantém, o cinzento do céu e o verde da terra são uma constante!

Ainda não sei muito bem onde Londres falha, mas há qualquer coisa na cidade que me desagrada, essa falta de compreensão e de locais para se parar uma moto, desespera! Se por um lado nos deixam passar por onde queremos, por outro não nos deixam parar! Mas isso acontece um pouco por todo o lado onde passo! Raramente há parques para motos visíveis e, quando tento parar no meio dos carros, não há espaço! Parece que todo o espaço para estacionar é pago ou é privado!

Tive uma sensação parecida na Alemanha, talvez por serem países onde não se pode andar de moto no inverno, não estão preparados para as receber no verão!

O país é lindo, como eu imaginava, por vezes faz lembrar a Suiça, tudo verde, ruínhas estreitas ladeadas por sebes, que levam da cidade até à aldeia, porque parece que toda a cidade tem a sua “fralda” de aldeia! Poucos quilómetros antes e pouco depois tudo são campos e quintas! Basta sair-se um pouco do centro e está-se na “campanha”.

Certamente não seria um país para eu viver, mas seguramente, será um país para voltar a visitar!