35. Passeando pelos Balcãs… – Um pequeno passeio até à Baviera!

27 de agosto de 2013

Innsbruck era uma cidade que despertava em mim todo o tipo de sentimentos!

A cada vez que a visitei, grandes temporais me acompanharam, chuva, vento, frio e visibilidade nula! Parece que tudo conspirou sempre para me ocultar os encantos de uma bela cidade, que se foi tornando misteriosa pelo clima que a envolvia!

E de manhã… lá estava tudo molhado e a chuvinha do costume à minha espera para me dar uma molha!

Apreciei com calma o hotelzinho tão bonitinho e simpático, e um pequeno-almoço monumental, como eu gosto!

Quando chove eu fico sempre sem saber muito bem o que fazer! Claro que posso sair e passear, a chuva nunca me assustou ou perturbou a condução, mas não posso fotografar!

Decidi dar uma voltinha por ali perto e depois ir para a cidade passar o resto do dia. Não valeria a pena andar de um lado para o outro com o céu tão baixo e tão húmido que nada deixava apreciar. Assim visitaria a cidade em pormenor, veria museus, exposições e tudo o que implicasse andar protegida da chuva e do frio, e pronto!

Eu estava na montanha a vinte e poucos quilómetros de Innsbruck, por isso não havia mau tempo que me impedisse de ver um pouco do sítio onde estava, que aquilo é bonito! Afinal é o Tirol! Por ali todos os hotéis dão as boas vindas aos motociclistas, incluindo o meu! Lindo!

Pus a máquina fotográfica ao bolso e subi a montanha. Logo ali acima ficava uma terra com um nome muito giro! Como eu não sei alemão pus-me a tentar traduções: “Alto da Peida”, ou “Alta Peida”

Escrevia eu no meu Face naquele dia: “Ontem cheguei aqui, perto de Innsbruck, de noite! Sem uma luz na moto, debaixo de chuva, por uma estrada que brilhava de água e serpenteava pelo monte acima, foi uma aventura! Hoje de manhã ainda chovia um pouco, mas fui “reconhecer” o local onde estou e descobri que estou perto de uma terrinha com um nome giríssimo! Como não sei alemão leio Alto da Peida! Eheheheh”

Mas a verdade é que por ali tudo é lindo, mesmo com chuva e nuvens baixas! Tive de arriscar e pôr de novo a maquina ao peito para ir captando todos os encantos possíveis!

Mesmo ao lado da estrada o riacho mais fofo! Estava a ver quando passava a Heidi por ali a correr!

E desci até Innsbruck, antes que a chuva e a humidade dessem cado da minha máquina fotográfica!

Lá estava ela como eu a conheci sempre: cheia de chuva!

“Rai’s-parta isto! Vou ter de cá voltar tantas vezes quantas as necessárias até apanhar um pouco de sol?”

Mas a cidade é sempre encantadora, mesmo cheia de chuva!

A Herzog-Friedrich-Straße, é o centro cidade antiga onde ficam construções muito bonitas, algumas autenticamente bordadas a cor e relevo, como a Helblinghaus!

E como o tempo estava uma bosta fui-me enfiar na casa dos licores! Que coisa linda, para além de saborosa!

Sim, aquilo bebe-se tudo!

Por esta altura eu já mudara de botas pois as outras tinham as solas gastas e metiam água!

E a dada altura lá estava a catedral da cidade, a Dom zu St Jakob do séc. XVIII! O barroco não é o estilo que eu mais aprecio, mas um magnífico teto pintado nunca me deixa indiferente e aquele é de me pôr definitivamente de nariz no ar! Não é por acaso que aquela catedral é um dos mais extraordinários e importantes edifícios de todo o Tirol!

Se por fora a igreja não é nada de especial, apenas mais uma construção barroca, por dentro os tetos são deslumbrantes!

Nem sei quanto tempo fiquei ali a olhar “para o balão”!

Quando finalmente saí o tempo parecia querer melhorar a qualquer momento! Que bom!

Voltei à Herzog-Friedrich-Straße, onde toda a gente começava a acreditar que o sol viria!

Eu acho que já vi esta fulana mais o seu cãozinho noutras cidades da Europa! Ou teria sido ali mesmo?

E subi à torre do relógio! Eu tinha de ver aquilo tudo lá de cima!

Que pena eu tive de não ver os Alpes dali, como seria suposto, não fossem as nuvens baixas…

Fui tratar de comer. Tinha de decidir o que fazer, porque afinal o sol viera e eu podia dar uma volta pela redondeza em vez de ficar ali todo o dia!

Decidi passear, fui buscar a moto, que ficara na margem do rio Inn, aquele que dá o nome à cidade e que tem uma paisagem muito bonita do outro lado, mas que nada se via, apenas as casinhas giras e coloridas!

A Alemanha é ali ao lado e foi para lá que fui passear, havia umas terrinhas que eu tinha muita curiosidade de visitar por ali.

No caminho da fronteira encontrei uma Motorrad Classica! Coisa fota!

Parei a minha motita na berma da estrada e fiquei ali no paleio com uns senhores que me fizeram uma festa! A assombração foi total quando me perguntaram de onde eu vinha e eu nem sabia responder: “Me? I’m coming from everywhere!” brinquei, então fiz uma rápida lista de onde eu vinha enquanto eles contavam pelos dedos os 17 países que eu acabava de visitar.

Tão engraçadas as suas expressões!
E segui para o 18º país da viagem: a Alemanha!

Mittenwald fica logo a seguir!

Eu sei que Garmich-Partenkirchen é muito mais conhecida pelas suas casas pintadas, mas Mittenwald, que pertence ao seu distrito, despertou-me muito o interesse e foi a ela que eu dediquei mais tempo e atenção! E foi a decisão certa pois é mais encantadora!

A cidadezinha é um encanto, com casinhas pequenas, jardins e flores em todos os caminhos e as pinturas em todas as fachadas!

Os pormenores das pinturas são espantosos! Não são nada obra de amadores ou simples habilidosos! Quem pinta daquela maneira sabe o que faz!

Perdi-me por ali em milhões de fotos!

As ruas estavam cheias de gente, mas num ambiente calmo, nada que se parecesse com o clima frenético dos turistas ruidosos!

E eu sentia-me a passear pelas folhas de um livro de histórias de encantar!

Ao fundo a igreja despertou a minha atenção, se se pintam as casas por fora daquela maneira, como se pintará a igreja por dentro? Claro que fui ver!

Aquele teto era um pequeno deslumbramento!

Não sei o tempo que fiquei por ali a passear, mas lá decidi ir visitar Garmich-Partenkirchen, que também fazia parte dos meus planos.

Aquelas ruínhas eram deliciosas, não pude impedir-me de passear mais um pouco com a moto por elas… pronto, ok, eu sei que é interdito ao trânsito, mas eu queria mostrar aquela beleza à minha Ninfa!

A paisagem envolvente é apenas a imagem do paraíso, mesmo com as nuvens a tapar boa parte dos seus encantos!

E chega-se a Garmisch-Partenkirchen que deve o seu nome à junção de duas cidades antigas Garmisch e Partenkirchen, hoje permanece uma cidade cheia de encanto, com as suas casas pintadas como telas de museu em cenas que contam histórias desde contos locais até cenas religiosas, de uma forma extraordinária!

Frequentemente existem inscrições, dizem que elas contam a origem da casa ou a sua função, eu não conseguiria ler para entender! Mas encantei-me com muitas delas, espreitei pelas suas portas e quis entrar. Tudo parece lindo por ali, numa zona de montanha e neve a desportos de inverno.

Tudo parece lindo por ali, numa zona de montanha e neve a desportos de inverno.

Gostava de poder estar lá em época de Natal e apreciar a atmosfera que aquele ambiente deverá proporcionar por esses dias…

Eu sei que por ali tudo é lindo, por isso estava na hora de seguir mais um pouco para outra localidade encantadora!

(continua)

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34. Passeando pelos Balcãs… – Uma corrida entre Budapeste e Innsbruck!

26 de agosto de 2013

Budapeste é, na realidade, a junção de 3 cidades: Buda e Obuda na margem direita do rio Danúbio, com Peste, do lado esquerdo.

A passagem por Budapeste era por um lado necessária, tinha de passar por algum lado para voltar para casa, e por outro, desejada! Eu queria muito voltar àquela cidade para visitar e desenhar o parlamento…

Lá percebi que não fizera bem as contas, teria precisado de ficar mais tempo para o conseguir visitar por dentro…

Atravessei a Ponte da Liberdade ou Szabadság híd, que eu desenhei há uns anos e não tinha mais a certeza de como ela era! Na realidade esta minha dúvida devia-se ao facto desta ponte, embora seja de metálica, imita uma ponte de correntes, o que me fez pensar que estava doida ao desenhar a ponte de correntes com aqueles pináculos no topo! Ao atravessa-la reconheci logo a ponte bizarra do meu desenho! É o que dá fazer muitos desenhos no mesmo sítio!

A ponte das correntes fica logo à frente! Sim, andei de um lado para o outro do Danúbio!

A Ponte Széchenyi Lánchíd é uma ponte pênsil, é um ex-libris da cidade e que liga Buda a Peste!

Esta ponte sempre me fascinou e já a desenhei vezes sem conta, daí a confusão com a Szabadság híd, pois os seus desenhos aparecem baralhados uns com os outros nos meus livrinhos!

São ambas do séc. XIX, com apenas alguns anos de distância entre elas, e são lindas, duas das 10 pontes da cidade!

E fui direitinha ao parlamento… aquele edifício é um espanto, mas por dentro é de cortar a respiração! Fui a Budapeste com a finalidade de o visitar… mas correu mal! Estava tudo em obras e a fila para entrar para a visita só era largamente ultrapassada pela fila para comprar os bilhetes!

Valha-me Deus… e eu que tinha uma longa viagem para fazer até à Áustria, de mais de 700km devia ficar ali mais de 1 hora à espera para entrar e demorar depois outra hora na visita? Não sabia o que fazer, fiquei na fila, ao menos “enquanto penso e decido não preciso deixar crescer a fila até ao infinito”!

O que raio se estava a passar na cidade que nunca a vi tão cheia de gente nem tanta fila para visitar o monumento?!

Ele lindo é, um dos mais belos edifícios legislativos e o segundo maior parlamento da Europa, com 700 salas e gabinetes! (porque o maior, passei por ele dias antes em Bucareste!)

Tive de desistir da ideia de o visitar naquele dia… eu não iria ficar ali por horas, no meio de toda a multidão, à espera da visita, ficar sem tempo para dar uma volta pela cidade e depois correr como uma louca até Innsbruck, de noite e sem luz!

Então resignei-me a ir ver o edifício da outra margem do rio, passear calmamente, desenhar e partir depois!

Vi o Palácio Real Húngaro pelas traseiras… Lá em cima, no topo da colina do lado de Buda, sobranceira à cidade, fica o castelo, que é mais um palácio, onde viveram os reis da Hungria.

É de origem medieval, foi remodelado, acrescentado, destruído e reconstruido pela história fora, apresentando hoje aquele ar imponente que nos prende a atenção.

O movimento era tanto que percebi que teria de deixar a moto no fim-do-mundo e caminhar até lá acima… puxa, também não me apeteceu!

Ainda passei na catedral, mas havia por ali uma infinidade de camionetas de turismo e povo aos magotes por todos os lados…

Desisti…

Fui até à margem do rio, o Danúbio que é mais verde do que azul!

Estava lindo naquele dia, sem ninguém por perto. Acho que a multidão estava toda junto dos monumentos, ali só estava eu! Que bom! Finalmente algo da cidade totalmente por minha conta!

E eu desenhei!

Era uma das coisas que eu queria fazer ali, desenhar o Parlamento, se desse tempo depois de o visitar, como não o visitei a ele e a nenhum monumento, perdi-me em desenhos por ali!

O raio do edifício é mesmo bonito e imponente!

Depois fui passeando até junto da Ponte Széchenyi Lánchíd! Parei debaixo dela, o único sítio onde eu podia estar a sós a aprecia-la, pois é uma rua cheia de movimento e os turistas não vão muito para ali e fiquei a olhar… fotografei, desenhei e nada mais fiz do que encher a minha memória de recordações, as passadas, de quando lá fui, e as futuras, que ficaram depois deste momento. A próxima vez vou dar-me todo o tempo por ali para ver e viver tudo com mais calma… tem de ser!

Perdi-me no tempo por ali e quando parti percebi que já iria chegar tarde ao meu destino! Este tarde queria dizer de noite e eu com uma luz da moto fundida….

Eu tinha a vinheta para as autoestradas, um papelito que me custara 7€ na noite anterior, por isso fui fazer uma corridinha!

E ao entrar na Áustria, por via das dúvidas comprei também a vinheta! Não haveria muitas condições para andar em passeio demorado, o tempo ameaçava chuva e tudo!

Por isso, mais uma corrida, mais uma viagem!

O meu destino era Innsbruck mas não resisti em atravessar Viena! Não pelo seu lado mais grandioso e sim pelas ruelas de grande comércio. Afinal eu tinha de comer!

Mas conduzir por Viena é o desespero, sobretudo para quem já conduziu em Istambul, onde tudo é permitido! Em Viena a ordem é absoluta, tudo anda devagar e ordeiramente! Mas a verdade é que apenas na travessia da cidade cruzei com 2 acidentes graves! Bolas o melhor é seguir caminho que é mais perigoso conduzir aqui que no transito caótico e aparentemente desorganizado de Istambul!

E foi a luta total!

Começou descendo a temperatura, como sempre acontece quando vou para Innsbruuck! Depois, também como de costume, desatou a chover! E para terminar, anoiteceu!

Eu não via nada, as estradas brilhavam com tudo e com nada, a minha luz não era suficiente e eu tinha de reduzir a cada curva para ter a certeza de que ia na trajetória correta, cada vez que apanhava um caro em sentido contrario e a rua parecia um espelho!

A distância em vez de diminuir parecia que aumentava a todo o momento e, só quando cheguei a Innsbruck é que me lembrei que a minha dormida era na montanha!

“Pronto, ok, o pesadelo não só não acabou como ainda vai piorar!”

Comecei a subir e só via luzes acima de mim, um espelho debaixo da moto e uma diluvio a lavar todo!

A cada pequeno aglomerado de luzinhas eu suspirava para que fosse ali o meu hotel… mas nunca era, faltava sempre uma série de quilómetros!

E se ao chegar ao destino não houvesse nada à minha espera? E se eu tivesse de andar de um lado para outro à procura da casa e ela não aparecesse? Como faria, de noite, cheia de frio e a molhar-me?

Mas depois de uma longa distancia sem qualquer luz apareceu uma localidade e, logo à entrada, um hotel lindíssimo, cheio de luzinhas como se já fosse Natal, “oh, quem dera que fosse aquele mesmo, tão lindo!”… e era mesmo!

Que bom que era lindo pois eu iria ficar ali 2 noites!

Fui recebida com muita simpatia, um quarto quente, porque ali o frio começa bem cedo, e um jantar feito na hora para mim!

Afinal o paraíso existe sempre, depois do inferno!

E foi o fim do 29º dia de viagem…