34. Passeando pelos Balcãs… – Uma corrida entre Budapeste e Innsbruck!

26 de agosto de 2013

Budapeste é, na realidade, a junção de 3 cidades: Buda e Obuda na margem direita do rio Danúbio, com Peste, do lado esquerdo.

A passagem por Budapeste era por um lado necessária, tinha de passar por algum lado para voltar para casa, e por outro, desejada! Eu queria muito voltar àquela cidade para visitar e desenhar o parlamento…

Lá percebi que não fizera bem as contas, teria precisado de ficar mais tempo para o conseguir visitar por dentro…

Atravessei a Ponte da Liberdade ou Szabadság híd, que eu desenhei há uns anos e não tinha mais a certeza de como ela era! Na realidade esta minha dúvida devia-se ao facto desta ponte, embora seja de metálica, imita uma ponte de correntes, o que me fez pensar que estava doida ao desenhar a ponte de correntes com aqueles pináculos no topo! Ao atravessa-la reconheci logo a ponte bizarra do meu desenho! É o que dá fazer muitos desenhos no mesmo sítio!

A ponte das correntes fica logo à frente! Sim, andei de um lado para o outro do Danúbio!

A Ponte Széchenyi Lánchíd é uma ponte pênsil, é um ex-libris da cidade e que liga Buda a Peste!

Esta ponte sempre me fascinou e já a desenhei vezes sem conta, daí a confusão com a Szabadság híd, pois os seus desenhos aparecem baralhados uns com os outros nos meus livrinhos!

São ambas do séc. XIX, com apenas alguns anos de distância entre elas, e são lindas, duas das 10 pontes da cidade!

E fui direitinha ao parlamento… aquele edifício é um espanto, mas por dentro é de cortar a respiração! Fui a Budapeste com a finalidade de o visitar… mas correu mal! Estava tudo em obras e a fila para entrar para a visita só era largamente ultrapassada pela fila para comprar os bilhetes!

Valha-me Deus… e eu que tinha uma longa viagem para fazer até à Áustria, de mais de 700km devia ficar ali mais de 1 hora à espera para entrar e demorar depois outra hora na visita? Não sabia o que fazer, fiquei na fila, ao menos “enquanto penso e decido não preciso deixar crescer a fila até ao infinito”!

O que raio se estava a passar na cidade que nunca a vi tão cheia de gente nem tanta fila para visitar o monumento?!

Ele lindo é, um dos mais belos edifícios legislativos e o segundo maior parlamento da Europa, com 700 salas e gabinetes! (porque o maior, passei por ele dias antes em Bucareste!)

Tive de desistir da ideia de o visitar naquele dia… eu não iria ficar ali por horas, no meio de toda a multidão, à espera da visita, ficar sem tempo para dar uma volta pela cidade e depois correr como uma louca até Innsbruck, de noite e sem luz!

Então resignei-me a ir ver o edifício da outra margem do rio, passear calmamente, desenhar e partir depois!

Vi o Palácio Real Húngaro pelas traseiras… Lá em cima, no topo da colina do lado de Buda, sobranceira à cidade, fica o castelo, que é mais um palácio, onde viveram os reis da Hungria.

É de origem medieval, foi remodelado, acrescentado, destruído e reconstruido pela história fora, apresentando hoje aquele ar imponente que nos prende a atenção.

O movimento era tanto que percebi que teria de deixar a moto no fim-do-mundo e caminhar até lá acima… puxa, também não me apeteceu!

Ainda passei na catedral, mas havia por ali uma infinidade de camionetas de turismo e povo aos magotes por todos os lados…

Desisti…

Fui até à margem do rio, o Danúbio que é mais verde do que azul!

Estava lindo naquele dia, sem ninguém por perto. Acho que a multidão estava toda junto dos monumentos, ali só estava eu! Que bom! Finalmente algo da cidade totalmente por minha conta!

E eu desenhei!

Era uma das coisas que eu queria fazer ali, desenhar o Parlamento, se desse tempo depois de o visitar, como não o visitei a ele e a nenhum monumento, perdi-me em desenhos por ali!

O raio do edifício é mesmo bonito e imponente!

Depois fui passeando até junto da Ponte Széchenyi Lánchíd! Parei debaixo dela, o único sítio onde eu podia estar a sós a aprecia-la, pois é uma rua cheia de movimento e os turistas não vão muito para ali e fiquei a olhar… fotografei, desenhei e nada mais fiz do que encher a minha memória de recordações, as passadas, de quando lá fui, e as futuras, que ficaram depois deste momento. A próxima vez vou dar-me todo o tempo por ali para ver e viver tudo com mais calma… tem de ser!

Perdi-me no tempo por ali e quando parti percebi que já iria chegar tarde ao meu destino! Este tarde queria dizer de noite e eu com uma luz da moto fundida….

Eu tinha a vinheta para as autoestradas, um papelito que me custara 7€ na noite anterior, por isso fui fazer uma corridinha!

E ao entrar na Áustria, por via das dúvidas comprei também a vinheta! Não haveria muitas condições para andar em passeio demorado, o tempo ameaçava chuva e tudo!

Por isso, mais uma corrida, mais uma viagem!

O meu destino era Innsbruck mas não resisti em atravessar Viena! Não pelo seu lado mais grandioso e sim pelas ruelas de grande comércio. Afinal eu tinha de comer!

Mas conduzir por Viena é o desespero, sobretudo para quem já conduziu em Istambul, onde tudo é permitido! Em Viena a ordem é absoluta, tudo anda devagar e ordeiramente! Mas a verdade é que apenas na travessia da cidade cruzei com 2 acidentes graves! Bolas o melhor é seguir caminho que é mais perigoso conduzir aqui que no transito caótico e aparentemente desorganizado de Istambul!

E foi a luta total!

Começou descendo a temperatura, como sempre acontece quando vou para Innsbruuck! Depois, também como de costume, desatou a chover! E para terminar, anoiteceu!

Eu não via nada, as estradas brilhavam com tudo e com nada, a minha luz não era suficiente e eu tinha de reduzir a cada curva para ter a certeza de que ia na trajetória correta, cada vez que apanhava um caro em sentido contrario e a rua parecia um espelho!

A distância em vez de diminuir parecia que aumentava a todo o momento e, só quando cheguei a Innsbruck é que me lembrei que a minha dormida era na montanha!

“Pronto, ok, o pesadelo não só não acabou como ainda vai piorar!”

Comecei a subir e só via luzes acima de mim, um espelho debaixo da moto e uma diluvio a lavar todo!

A cada pequeno aglomerado de luzinhas eu suspirava para que fosse ali o meu hotel… mas nunca era, faltava sempre uma série de quilómetros!

E se ao chegar ao destino não houvesse nada à minha espera? E se eu tivesse de andar de um lado para outro à procura da casa e ela não aparecesse? Como faria, de noite, cheia de frio e a molhar-me?

Mas depois de uma longa distancia sem qualquer luz apareceu uma localidade e, logo à entrada, um hotel lindíssimo, cheio de luzinhas como se já fosse Natal, “oh, quem dera que fosse aquele mesmo, tão lindo!”… e era mesmo!

Que bom que era lindo pois eu iria ficar ali 2 noites!

Fui recebida com muita simpatia, um quarto quente, porque ali o frio começa bem cedo, e um jantar feito na hora para mim!

Afinal o paraíso existe sempre, depois do inferno!

E foi o fim do 29º dia de viagem…

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