33. Passeando pelos Balcãs… – Transfăgărășan – a estrada mais famosa do mundo!

25 de agosto de 2013

E tinha de me despedir de Bucareste e da Roménia, ainda que me apetecesse tanto lá ficar mais uma infinidade de tempo, ainda que houvesse tanta coisa que eu queria ver… Parti cheia de nostalgia e com a promessa a mim mesma de que voltaria com muito tempo para ver tudo o que pudesse!

Eu iria para tão longe naquele dia… É sempre assim, vou com toda a calma do mundo e volto em grandes “passadas”, longas estiradas! Ali eu iria de Bucareste até Budapeste, duas capitais com nomes parecidos em países vizinhos, que distaram entre si, para mim, cerca 1000 quilómetros.

Dei mais uma voltinha de moto pelas avenidas da capital em tom de despedida e fui visitar a igreja da Ascensão Princesa Balasa que é o mesmo que dizer Biserica Domnita Balasa

A Printesa Balasa, a princesa triste que diz a história sofreu muito e fez grandes coisas, está lá no jardim numa estátua em mármore de Carrara e o seu túmulo está no interior da igreja do séc. XVIII em estilo neorromânico! Eu tinha de ir ver por dentro, claro!

Aquelas igrejas sempre farão um grande efeito sobre mim, de tão diferentes que são das nossas!

Os interiores pintados são fantásticos!

Segui na direção de Sibiu, sabendo que iria passar pela estrada mais famosa do mundo no entretanto!

As paisagens continuavam a ser lindas e inspiradoras! Parece que para qualquer lado que eu me dirigisse nada mudaria, seria sempre tudo lindo!

As capelinhas na berma das estradas eram encantadoras, em ambientes deliciosos! Apetecia parar junto de todas para fazer fotos!

Quando dei por mim estava a precisar de gasolina e, como em todo o lado por onde andei por aquele país, não tardou a aparecer uma estação de serviço com multibanco e tudo para eu abastecer! Nem dava para stressar, há gasolina e multibanco por todo o lado e pronto!

Abasteci, 26 litros, depósito cheio, e fui pagar…

O multibanco “elétron” não pagou! Puxei do visa que uso sempre… não pagou! Valha-me Deus, eu já pagara tanta coisa com aquele cartão naquela viagem e de repente ele não dava sinal de vida?? Puxei do 2º visa, aquele que só uso em ultimo recurso, que isto de andar por países desconhecidos a toda a hora requer cuidados destes, sempre uma possibilidade de ultimo recurso… mas não pagou também!

Fiquei desnorteada, os funcionários da estação de serviço também! Chamaram o gerente, que nada pôde fazer, não havia maneira de pôr aquilo a funcionar! Perguntei onde ficava o multibanco mais próximo. Ficava a 3km de distância em Pitesti. Estava eu a pensar como fazer para me deixarem ir buscar dinheiro vivo para pagar, quando o gerente simplesmente me disse para eu ir! Nada me pediu como garantia, apenas me disse para eu ir!

Ficaram ali os três a ver-me ir embora, com ar de quem achava que eu certamente não voltaria…

Lembrei-me de uma vez não ter comigo a carteira na hora de pagar a gasolina, cá em portugal, numa estação de serviço onde eu ia frequentemente e ter deixado como garantia o meu Mp3 que na altura era um aparelho que valia 150€….

Ali nada me pediram, apenas me deixaram ir!

Ao fim dos 3km lá estava o multibanco, levantei dinheiro sem dificuldade e voltei. Quando entrei na estação de serviço o ar de alegria foi visível nos rostos dos funcionários, agradeceram várias vezes. Acho que voltaram a acreditar na humanidade naquele momento!

Eu não iria deixar que o português fosse visto na Roménia como os romenos são vistos por cá!

Mais à frente uns quilómetros encontrei a placa que procurava, depois de umas quantas pessoas me indicarem aqui e ali que eu estava a ir no bom caminho. Gente simpática!

A Transfăgărășan é considerada uma das melhores estradas do mundo, pelas suas extraordinárias curvas e paisagens, no entanto não foi construída com fins turísticos, desportivos ou paisagísticos! Na realidade ela teve desde o início fins militares, foi construída por Nicolae Ceaușescu em apenas 4 anos, tem 90 km de curvas e sobe a mais de 2000 metros de altitude!

É muito variado no seu percurso até chegar ao ponto mais famoso, passa por gargantas, planícies, lagos e sobe sobe sobe!

Contrariamente ao que eu esperava, não estava cheia de motos, nem de condutores malucos, como acontece nos passos de montanha italianos ou franceses! Havia gente, havia movimento, mas tudo na paz, com direito a espaço e tempo para paragens estratégicas para tirar fotos e tudo!

Parei junto a uma cascata para apreciar o caminho percorrido. Havia ali vários carros parados com pessoas a apreciar o mesmo que eu. Um miúdo foi sentar-se junto da moto, visivelmente fascinado por ela. Os familiares também ficaram a olhar mas ele não tirava os olhos da moto. Percebi que os pais queriam tirar fotos ao miúdo ali, mas quando me aproximei todos se afastaram.

Disse-lhe que ficasse, que montasse na moto para a fotografia. Foi giro ver o seu ar de assombro. Agradeceram-me tanto ter deixado o miúdo montar na moto, fizeram uma festa e muitas fotos!

A estrada é linda…

Encontrei todo o tipo de bichinhos por ela acima!

Passear por um Passo de montanha é sempre o deslumbramento total, depois há estradas míticas que enchem esse passeio de significado, porque é aquela estrada e não outra, a que estamos a fazer! É o caso da Transfăgărășan, famosa pela filmagem do Top Gear, que fez dela “a estrada mais fantástica do mundo”!

Não será a mais fantástica do meu mundo pois já fiz outras tão ou mais bonitas e com curvas tão ou mais fantásticas, mas é uma estrada muito bonita e interessante de fazer, sobretudo quando estamos a subir pelo seu lado menos famoso até ao topo onde começa a sensação de que a estrada anda por todo o lado, como uma linha num bolso. Nesta subida a paisagem é verdadeiramente inspiradora e por vezes quase perdemos a noção da dimensão do que os nossos olhos abarcam, não fosse uma pequena casa aqui ou ali, para servir de bitola de medida!

E chega-se ao topo!

E lá há comidinha e gente simpática e tudo! Nada do carnaval que é em Bormio no topo da Stelvio, que parece uma peregrinação religiosa, apenas um ambiente de montanha com produtos locais à venda!

Depois de comer uns queijinhos com pão e tal, fui ver uns autocolantes da estrada, toda contente, e… não tinha mais dinheiro para pagar! Oh valha-me Deus que isto do dinheiro estava a pôr-me maluca! Então o homem, muito simpático, ofereceu-mos! Que gente boa aquela! Trouxe uns 6 autocolantes oferecidos porque não tinha dinheiro para os pagar, e isso parece a Roménia de que se fala por cá?

Então começa a parte mais famosa da estrada com placas sugestivas que dizem, segundo o tradutor do Google: “Curvas particularmente perigosas circular com velocidade reduzida”

Ora vamos lá ver se a coisa é como nas fotos!

E lá estava ela toda encarquilhada sobre si própria pelo monte abaixo!

É uma estrada larga, que permite uma condução rápida e fluida, podem circular camiões por ela, ao contraria da Stelvio em que as curvas são muito apertadas e não terá ângulo para pesados muito grandes!

O meu Patrick mostrava-me um desenho muito criativo do percurso que eu estava a fazer!

E andava por lá um camião que ocupava toda a estrada a cada curva! Aproveitei para fazer umas fotos e uns desenhos até chegar a ele!

Curiosamente não se viam quase motos nenhumas por ali! E eu só via carros!

Então, de repente passei por… um porco???

O que anda um porco cor-de-rosinha a fazer a mais de 2000 metros de altitude?

E, pela primeira vez na vida, cruzei com uma vara de porcos a “pastar”! Já vi todo o tipo de animais no monte, cabras, vacas, cavalos, burros! Mas porcos? Foi a primeira vez!

Fiquei ali a olhar para eles, todos contentes a passear pela estrada!

E foi o fim da estrada fenomenal e o início da estrada comum!

Andei por ali muito tempo a brincar, desci, subi, mais lento mais rápido e quando segui… o tempo do relógio já era pouco e o tempo meteorológico traiu-me! O céu ficou carregado quando eu andava a curtir umas estradinhas no meio das aldeias e caminhos e o diluvio ameaçou cair sobre mim!

Estava de novo a precisar de gasolina, que isto de andar numa estrada daquelas a brincar, gasta!

E foi na hora que a estação de serviço apareceu no meu caminho… porque o diluvio caiu mesmo, por mais de 2 horas de chuva muito intensa! Os senhores da bomba só me diziam para esperar, quando eu fiz menção de continuar o meu caminho! E fiquei!

Uma RT se juntou à minha Ninfa e eu tive a companhia de um polaco na minha espera por melhor tempo!

Foi um pedaço giro em que trocamos experiencias e conhecimentos, fizemos perguntas e comparamos percursos. O seu trajeto fora muito menor que o meu, mas ele estava tão maravilhado quanto eu com a Roménia, iria voltar para ver mais do país.

Com o tempo que “perdi” ali, que não foi perdido porque trocar experiencias é tão importante para mim com acrescenta-las à minha vida, não pude ir a Sibiu, e isso foi uma pena…

A minha preocupação então era o facto de ter uma luz da frente fundida! Já vi que a sina se mantem, perder uma luz em viagem! Afinal não era mania da Magnífica, a Ninfa fez o mesmo!

O problema agora é que com aquele tempo e a noite a aproximar-se eu não veria nada da estrada para seguir para a Hungria! Por isso decidi que pararia num hotelzinho de beira de estrada a qualquer momento e passaria ali a noite. Budapeste ficaria para outra vez!

Mas então uma situação se criou que me aconchegou o coração e me fez ir até Budapeste por mais de 500km de condução, grande parte noturna! Fui adotada por camionistas que me ampararam e acompanharam, iluminando o meu caminho, fazendo sinais e cumprimentando-me pela janela dos seus castelos com rodas!

A sensação de ir integrada no meio de um comboio de camiões fascinou-me e eu não tive coragem de sair e quebrar aquele ambiente tão agradável! Falei com muitos a cada paragem, comi com eles, ri e brinquei e nunca me senti nem só, nem em perigo nem às escuras! Eu adoro camiões!

E cheguei à fronteira!

Comprei a vinheta para as autoestradas, pois aquela hora eu não iria fazer nacionais, e continuei no meio de uma série de camiões que iam precisamente para Budapeste!

Cheguei à capital à 1.30h da manhã e fui recebida por um motociclista muito simpático que me ajudou a contactar com o hostel que estava fechado àquela hora!

Uma viagem alucinante e diferente de tudo que eu estou habituada! ADOREI!

E foi o fim do 28º dia de viagem

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