32. Passeando pelos Balcãs… – A Transilvânia e a casa do amigo Drácula!

24 de agosto de 2013 – continuação

A Transilvânia fica na zona central na Roménia e é mundialmente conhecida pelo seu habitante mais ilustre: o conde Vlad Tepes, que nasceu em 1431 e governou o território que corresponde à Roménia de hoje. Ele e o seu castelo inspiraram histórias e romances e hoje vai-se à Transilvânia por causa deles!

Depois de percorrer planícies ladeadas de montanhas deslumbrantes eu sabia que me estava a aproximar do castelo e imaginava-o por ali, no meio da bruma, sobre uma colina qualquer, por entre outros montes sombrios e inspiradores!

Mas os montes estavam longe demais para os 2km que o meu Patrick anunciava! “puxa, como posso estar apenas a 2 km de Bran se os montes estão tão longe?”

Mas os cartazes começavam a aparecer, anunciando o castelo assombrado “Castelul groazei”

É sempre uma sensação curiosa, por vezes um pouco hilariante mesmo, quando estou à espera de uma coisa e encontro outra! Pelas pesquisas que fizera na internet eu percebera que o castelo de Bran não era aquela construção tenebrosa e assustadora que se pode esperar e, quando lá cheguei, percebi logo que não seria também pela sua envolvência que ele seria assustador!

Para castelo do Conde Drácula, espera-se que ele esteja numa montanha ingreme qualquer, rodeado de paisagens sombrias ou, pelo menos, de difícil acesso! Quando chegamos lá, ele está pacificamente assente numa colina baixa, rodeado de comércio e recordações e artesanato local, com gente aos magotes por todos os lados e tem-se a sensação que “qualquer folha de couve” o tapa como eu comentava ainda em viagem. Um passo ao lado e ele desaparece atrás de uma árvore ou de uma série de telhados e o terror não é nenhum, mais parece um castelo digno de um conto de fadas! Mas é um castelinho bonito e pitoresco, isso é!

O movimento e o comércio é intenso por ali, lá se vai o restinho de terror que se podia ainda esperar! Eheheh

Entra-se na propriedade do castelo e os jardins são bonitos e verdes, a lembrar histórias de fadas e duendes!

E lá estava ele, talvez na única perspetiva em que é verdadeiramente imponente e assustador!

Mas foi ao entrar, para o visitar por dentro, que veio a vontade de sorrir!

O castelo é tão mimi que a sensação que eu tinha era que a qualquer momento passaria por mim tudo menos um vampiro! Uma Cinderela? Uma Rapunzel? Uma Bela adormecida? Qualquer uma, desde que fosse protagonista de uma história de encantar e nunca de uma história de terror!

O castelo é encantador, pitoresco e com passagens e balcões criativos que nos fazem percorrer todos os seus recantos! Ui a quantidade de desenhos que por ali fiz e o que eu me diverti no meio de uma multidão que o percorria permanentemente! A uns quilómetros da cidade ele é anunciado como castelo assombrado… mas na realidade deveria ser anunciado sim como um castelo assombroso!

Mas tem passagens secretas por dentro de paredes e tudo!

O castelo de Bran, apesar da sua rica história real, é conhecido pela sua história fictícia e romanceada! A sua lenda deve-se ao seu proprietário por muito tempo, o Príncipe Vlad Tepes, “o empalador”, conhecido pela sua bravura mas também pela sua crueldade para com os seus inimigos e prisioneiros, basta o apelido pelo qual era conhecido para se entender o terror que o envolvia! O castelo estava numa posição estratégica de grande controlo das rotas mercantis entre a Transilvânia e a Valáquia, mas a verdade é que, pelo menos hoje, não está no ambiente tenebroso que se espera!

Ah, aquele poço, que eu desenhei lá de cima, é tão diro! Fica no meio do pátio irregular

e está cheio de dinheiro!

Ninguém conseguia ficar indiferente a ele! Eheheh

Foi uma visita muito gira e, como o tempo estava a ficar uma bosta, deixei-me estar por ali a desenhar por horas!

E lá estava ele, imponente e assustador, por uns minutos, pois sai-se do ângulo e ele volta a ser mimi!

Cá fora encontra-se de tudo sobre o famoso conde e seu castelo!

Aproveitei para comer qualquer coisa e fiz amizade com 2 gregos que andavam por ali de moto. Tinham estacionado as motos junto à minha e ao perceberem que aquela Pan era minha ficaram muito impressionados!

Perguntaram-me de onde eu vinha, disse-lhes que também tinha estado na Grécia e eles pensaram que eu fora até lá de ferry. Ficaram escandalizados quando contei que viera por terra e que naquele momento já fizera cerca de 13.000km!

Mais uns que me perguntaram repetidamente onde estavam os meus amigos…

“Estão em Portugal, eu vim sozinha!”

Então um deles comentou com um ar de desilusão comicamente exagerado:

“E nós a acharmos que eramos uns heróis porque viemos da Grécia até aqui sozinhos… a Grécia é já ali comparando com Portugal, e tu és uma menina sozinha!”

E lá me fui embora, que ainda queria passear um pouco por Bucareste ao entardecer!

Adeus Drácula, gostei muito da tua casa!

E o caminho voltou a ser encantador, com pontes de madeira e tudo! Que coisa gira aquele país!

Ah, as paragens de autocarro eram lindíssimas! Mais pareciam bancos de jardim com telhado e tudo!

Logo ali a seguir fica uma cidade muralhada que eu tenho de visitar um dia. Descobri-a ao passar pois fica lá no topo do monte, como eu pensava que ficava o castelo de Bran, mas não se pode ir até lá de moto e já era tarde para eu apanhar o transporte próprio para ir lá acima. Por isso tirei fotos para guardar na memória para a minha próxima visita ao local! Pelo que investiguei deve ser lindíssimo aquilo ali em cima!

Quando vou a conduzir a máquina fotográfica é, frequentemente, a minha agenda! Registo em foto o que não quero esquecer!

e voltei para Bucareste

onde há momentos em que parece que estou em Paris!

Grandiosa cidade!

Com igrejas tão lindas por fora como por dentro

E avenidas de perder de vista!

Passear à noite por Bucareste, depois de tudo o que foi dito, prometido como perigo e anunciado como calamidade, foi a serenidade total!

Lá estava o parlamento a atrair a minha atenção… vou lá voltar, é certo!

A cidade é grandiosa com o Rio Dâmbovita a completar o seu encanto e a proporcionar reflexos de beleza pelo seu percurso! Se tudo não fosse tão calmo e ordenado, diria que se assemelha a passear por Paris ou Madrid, mas o ambiente é mais sereno e não me senti envolvida pela correria do trânsito!

Tal como eu imaginava, o medo por vezes agiganta as insignificâncias e faz ver monstros onde eles não estão. Adorável cidade, quando lá voltar será para ficar o tempo suficiente para a explorar com a calma e deslumbramento que ela merece!

E voltei para casa, onde a motita dormiria mais uma noite ao relento, na berma de uma rua qualquer no centro de Bucareste, sem que nada lhe acontecesse!

E foi o fim do 27º dia de viagem!

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