12. Passeando pelos Balcãs… – de Bled até Zagreb…

8 de agosto de 2013

Estava na hora de enfrentar o calor de novo, mas eu não imaginava o quanto ele seria forte naquele dia! A vontade de ficar mais um pouco desaparece quando penso em tudo o que ainda há para visitar e nos grandes destinos que me esperam e naquele momento a partida sabia não a despedida mas a continuação do prazer da descoberta!

Percorri o caminho até ao centro da cidade, com casinhas fofinhas que apetecia habitar

E fui fazer um último picnic junto ao lago, porque eu tenho sempre tempo para mais um momento de paz nas minhas viagens! Nada é frenético nos caminhos que faço, por isso apesar do café da manhã que me deram na pousada onde dormi, fui comer a minha fruta com toda a calma, num banco de jardim à sombra e com uma paisagem que sempre me deixa saudades!

E ao pegar na moto ainda dei um belo passeio em torno do lago, num último olhar sobre a beleza pura!

E só depois segui viagem, com a vontade de não parar muito no meu caminho para Zagreb. O calor apertava já e rapidamente decidi que não iria andar de um lado para o outro a morrer, pois não tenho qualquer vocação para sofrer!

Por isso desviei-me apenas para visitar Predjama e o seu castelo!

O castelo é um espanto, construído literalmente na boca de uma caverna, foi sendo aumentado e adaptado à rocha que o acolhia ao longo dos séculos.

Inicialmente ele foi gótico, uma construção pequena do séc. XIII que se abrigava quase totalmente dentro da gruta, mas depois foi crescendo para fora dela.

E a gruta faz parte dele, com recantos inspiradores!

Sobe-se, desce-se, passa-se por corredores estreitos, passagens mais amplas e volta-se quase ao mesmo sítio!

E o pedregulho que forma a encosta e a gruta está por todo o lado!

Do castelo a paisagem sobre a aldeia e os campos inclinados, onde se fazem jogos de época, é linda!

Então volta-se a encontrar escadas escavadas na rocha, ingremes e sombrias que levam mais para o interior da gruta!

Há uma lenda sobre o castelo que conta que um cavaleiro, conhecido por Barão Ladrão, se fechou no castelo por muito tempo ao ser perseguido pela morte de um nobre.

Do castelo ele atirava cerejas para os soldados que o cercavam, levando-os ao desespero por não saberem nem entenderem como podia ele ter cerejas frescas depois de tanto tempo fechado no castelo cercado.

Na realidade o castelo tinha um túnel secreto, que ligava a uma aldeia mais longe, de onde vinham os mantimentos e as cerejas.

Os inimigos acabaram por subornar um criado do Barão que denunciou a sua presença na retrete, que era o único ponto frágil do castelo, e o nobre foi apanhado, literalmente, com as calças na mão por uma bala de canhão!

O castelo foi destruído e mais tarde reconstruido pelos novos proprietários e hoje lá está, com as suas galerias em pedra a complementar a construção.

Por baixo dele há uma série de grutas que podem ser visitadas, mas a fila de pessoas com capacetes de lampadinhas na testa era grande e não me apeteceu esperar para ir ver!

É curiosa a sensação de olhar para um castelo real enfiado numa gruta!

O calor era insuportável e eu só conseguia sentar e beber a todo o momento enquanto apreciava tão extraordinária paisagem!

Constatei que o termómetro da moto, por tudo e por nada, subia a valores fora do comum, até fixar-se regularmente nos 44º, por vezes ía mesmo aos 45º…

Estas temperaturas são de tal ordem fortes que conseguia estar mais fresco dentro do capacete fechado do que cá fora!

Eu parava a cada oportunidade, já por vício, já por desespero! Comprava uma garrafa de agua com gas gelada, bebia um bom pedaço e partia, pois apesar de tudo era menos penoso rolar do que parar, mas a garrafa fresca na mala chamava por mim e a urgência de parar antes que ela aquecesse era obsessiva! Quando encontrava trânsito lento o desespero começava a ameaçar instalar-se, volta a parar, bebe mais um pouco, segue mais um pouco!

Então, a dada altura, quando o trânsito voltava a ser mais lento, porque os automobilistas reduzem a velocidade com o calor e deixam o carro deslizar suavemente… porque têm ar condicionado e deslizar pelo calor infernal é natural, 5 motos desportivas seguiam na minha frente, a passinho de caracol, tentando passar. Eu ia mais atrás, a cismar mais uma vez com a água fresca que acabara de comprar, quando um dos motards vai abrandando o ritmo até que caiu para o lado!

Cruzes! O homem desmaiou!!!

Parei na berma da estrada tentando encolher a moto sob uma pequena sombra de árvore.

Os colegas acorreram a ajudar o rapaz, tentando a todo o custo senta-lo. Valha-me Deus, nunca se levanta um desmaiado!

Fui ajudar. Eles falavam alemão, mas a linguagem gestual e o inglês serviram muito bem para lhes dizer “parem com isso!”. Fui buscar a minha toalha de banho, que é enorme, e pus dois a segura-la pelas pontas para fazer uma tenda de sombra sobre o rapaz, que estava ardente, parecia que tinha febre!

Tirei-lhe as botas, tirei-lhe o capacete, abri-lhe o blusão. Estava de fato de couro completo com camisolas por dentro! Só de ver aquilo eu própria quis desmaiar de calor! Então molhei-lhe a cabeça e os pulsos com a minha água ainda bem fresca e frisante. Lentamente ele voltou à vida.

O dilema ali era, se andasse sem casaco podia cair e magoar-se, se andasse com o casaco cairia de novo de certeza! “siga sem o casaco ou vai voltar a cair mais à frente!”

Ele assim fez, prendeu o casaco com a aranha no banco da moto e preparou-se para seguir caminho.

Quando voltei à minha moto ela apontava 42º, ao andar deveria ir descendo… mas não desceu, subiu mais e mais até aos 44º…

Depois da minha boa ação, fiquei de novo sem água! E a sede não era muita… era demais! Comecei a temer pela minha própria segurança, apesar de tudo eu também tenho a tensão arterial baixa…

Parei em Novo Mestro para me reabastecer de água, porque condições para visitar não era nenhuma!

Mais uma cerveja. Mais uma garrafa de água XL e o meu lenço vermelho a ficar todo molhado de eu limpar o rosto a todo o momento!

Tudo era escaldante por ali, pensar em caminhar só por si era um suplício! Oh céus, eu quero um lago para me meter dentro!

A terrinha era simpática mas o calor não deixou apreciar nada! Dei um banho à moto com a água gelada que pedi no café, pois agora eu já pensava também em refrescar a moto para poder sentar-me sem ter de levar com o calorão do assento!

Cada sombra da estrada sem trânsito servia para beber mais e mais água. Não me lembro de ter sofrido nunca tanto calor seguido, por tanto tempo, numa viagem!

Eu sentia que estava a perder paisagens lindas e recantos encantadores do país, mas só tinha uma coisa em mente… encontrar frescura no meio do inferno!

Passei pelo Grad Mokrice que eu queria ver mais de perto mas a vontade passou-me! O castelo do séc. XV já me chamou a atenção há uns anos atras, mas ainda não foi desta que fui vê-lo mais de perto! Terá de ficar para outra vez com menos calor!

A fronteira da Croácia é logo ali e eu só pensava em ir a correr esconder-me em Zagreb na pousada!

E foi o que fiz!

Que me importava se era cedo ou tarde? Entrei em desespero pela receção e… estava tãããão fresquinho lá dentro! Huuuuuum
O gatito da rececionista ficou em pânico com a minha entrada desesperada! eheheheh

Enfiei-me no bar, estiquei-me num sofá, pedi uma cerveja e morri de prazer e frio!

Então foram chegando outros hóspedes mochileiros, aflitos como eu, que se foram enfiando lá dentro refugiados e esbaforidos do calor. Um grupo de rapazes trazia garrafões de água de 5 litros, em vez de garrafas, num grupo de raparigas 2 apresentavam queimaduras solares graves nos ombros nus e toda a gente ali sofria atrozmente com o calor!

A tarde foi avançando e ninguém tinha vontade de voltar ao calor, então o céu desabou em fortes chuvadas intermitentes que fizeram tudo cheirar a terra e a pó, como se o chão estivesse são sedento de água e frescura como nós!

Não saí mais, jantei e fiquei por ali

e foi o fim do 10º dia de viagem!

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11. Passeando pelos Balcãs… – A bela Bled…

7 de agosto de 2013

Desde que passei por Bled a primeira vez que eu tenho vontade de voltar! Há algo de irreal na sua beleza que nos faz sentir a viver num conto de fadas ou num postal ilustrado de agência de viagens, daqueles que a gente sabe que são apenas para turista ver, pois beleza tal só pode ser falsa…

Mas tudo é real por ali e tudo é encantador também! Depois a acrescentar a toda a beleza havia uma brisa fresca e o lago que parece nunca aquecer seja qual for a temperatura ambiente no seu exterior!

Naquele dia acordei obcecada com a vontade de mergulhar no lago, por isso sai de casa já com o fato de banho vestido. À primeira oportunidade eu iria meter-me na água, isso era certinho!

Tinha pensado em casa num percurso a fazer pelas montanhas ali perto mas, ao sair para a rua a ideia não me inspirou minimamente! Tinha sofrido bastante com o calor dos últimos dias e aquele prometia aquecer também, logo ir para longe da água estava fora de questão. Parece que quando a gente anda perto de um rio ou de um lago o calor não é tão agressivo, por isso não sairia dali de perto e fui passear para o lago!

Chegar ao lago pela manhã, foi a imagem da frescura e do paraíso para a minha mente!

Pousei a moto e fui passear pela fresca, apreciar o castelinho de longe. Não iria visita-lo, embora ele seja muito bonito e o mais antigo do país, porque já o visitei noutra altura e queria apenas aprecia-lo no enquadramento lindíssimo em que fica!

Encontrei um pintor que tinha o seu estaminé montado à sombra das árvores e pintava uns postaizinhos muito coloridos em aguarela para vender. Ainda me pus ali no paleio com ele e desenhei e pintei um pouco também. As minhas aguarelas são bem menos coloridas que as dele, por isso mais próximas das cores reais e houve quem passasse e me quisesse comprar duas das que fiz ali! Eheheh

“Não, não são para vender!” repetia eu enquanto as pessoas insistiam que as minhas eram mais bonitas que as do homem.

“Fique aqui hoje comigo a pintar para eu ver como faz!” insistia ele.

“Nem pensar, estou a passear e desenho pelo prazer, não para ensinar ou por obrigação!”

Deixei-o tirar fotos aos meus desenhos e fui embora, que tinha muita coisa para ver por ali!

Não se pode ficar indiferente, a paisagem é mesmo inspiradora! A ilha natural vê-se muito bem dali com a Igreja e Santuário da Assunção de Maria, do séc. XV a encima-la.

Pus-me a olhar bem para a ilha e para a sua escadaria até ao santuário. Dizem que tem 99 degraus… pode-se ir até lá de barco, mas eu não tinha a certeza se queria subir todos aqueles degraus debaixo do calor que se preparava para chegar…

Passear pela borda do lago é tão agradável e encantador que só apetece continuar calmamente e fotografar a cada 2 passos que se dá! E nunca se dá conta se está muito ou pouco calor pois a sobra é sempre fresca!

Só ao voltar à moto, e ao sair debaixo das árvores, é que me apercebi que o calor já tinha voltado! O termómetro da moto, que estava ao sol, apontava já 38º!!!

Eu bem tinha razão que não era coisa boa ir passear para a montanha! Por isso fui mas é visitar as Vintgar Gorge ou Soteska Vintgar, um desfiladeiro deslumbrante ali mesmo perto da cidade, com as águas mais puras e frescas que se possa imaginar!

Este desfiladeiro foi descoberto no final do séc. XIX e desde então que foram criadas condições para que ele possa ser visitado, com passadiços de madeira, renovados ao longo dos tempos, até hoje!

Dizem que aquelas águas são das mais puras da Europa!

São 1600m desta paisagem e desta frescura! Se fosse 3 vezes maior a distancia, ninguém se queixaria, pois é simplesmente delicioso passear por ali!

Então chega-se à outra ponta e tem lá um bar com gelados e cerveja para a completar todo o prazer do caminho!

É em momentos destes que eu sinto que o paraíso existe e é cá na terra mesmo!

Então volta-se para trás pelo mesmo caminho, que visto ao contrario e com o sol noutro angulo, parece renovado!

Há uma represa que torna o quadro mais perfeito e doseia o curso das águas!

E mesmo ali “dentro” com toda aquela sombra, o calor começava a querer entrar! A água chamava mesmo para lhe enfiar os pés dentro, e foi o que fiz! Mergulhei os pés e o corpo todo!
A água era incrivelmente fria!

Dizem que aquela agua é tão fresca e pura, que se pode beber direta do rio! O banho, na realidade não foi refrescante, foi gelado mesmo! Que sensação de contacto com o coração da terra mais inesquecível! Quando voltei ao trilho continuei gelada por muito tempo, agradavelmente fresca e cheia de vida…

Mal saí da sombra do desfiladeiro o calor estava todo à minha espera cá fora!

Peguei na moto e fui passear um pouco, mas à medida que o efeito refrescante do banho ia passando, eu ia recuperando a vontade de me voltar a enfiar na água! E foi o que fiz, fui pousar a moto junto ao lago e ali passei o resto da tarde, entre sombra e sol, mergulhos e longas braçadas a nado! Que bela é a vida assim!

A gente chegava-se um pouco para o sol e o calor era escaldante, chegava-se um pouco para a sombra e quase tinha frio! Curiosa a diferença de temperatura entre sombra e sol!

Acho que aquele foi o recanto do mundo onde eu nadei com melhor paisagem!

A água é límpida e tão fria que parecia impossível que todo aquele calorão existisse mesmo, quando a gente estava enfiada nela!

Eu bem digo que o paraíso existe!

Terminei a tarde acompanhada de uma belíssima cerveja, a apreciar os encantos do lago, com o castelinho medieval lá em cima do penhasco a completar o quadro irreal!

Depois fui passear um pouco, descalça pela relva e pelos passadiços de madeira, porque há vontades que não posso negar a mim própria e porque o momento assim me inspirava, para viver um pôr-do-sol lindíssimo digno das mais belas sombras chinesas do conto de fadas mais encantador!

E foi o fim do 9º dia de viagem!

10. Passeando pelos Balcãs… – San Marino, Imola, Bled

6 de agosto de 2013

Este foi um dia para percorrer mais uma grande distância. Queria ver uma ou duas coisas por ali perto mas o destino era outro país.

San Marino era uma daquelas terras que eu queria visitar. Sempre me despertou a curiosidade conhecer um dos países mais pequenos do mundo!

Dizem que é o 5º mais pequeno do mundo com apenas 61 km² de área e o 3º mais pequeno da Europa, depois do Vaticano com 0,44 km², e do Mónaco com 1,95 km²!

Adorei a designação completa de San Marino: Serenissima Repubblica di San Marino! E na realidade é mesmo sereníssima! Um enclave que é como uma ilha rodeada por Itália, é a população mais pequenita do Concelho da Europa! Olha-se de longe e vê-se o penhasco em que fica empoleirada e apetece mesmo lá ir!

Não se pode circular pelas ruas ingremes que sobem a encosta do monte, mas pode-se ir até bem perto e depois não custa nada caminhar por ali acima e por ali abaixo! As pessoas são simpáticas e, aquela hora da manhã, quando lá andei, não estava ainda inundada de turistas, por isso foi um passeio pelo topo do morro, que sobressai na imensa planície em paisagens deslumbrantes! Um elevado recanto encantador!

A ignorância é grande e eu não conseguia entender onde poderia estar o circuito de San Marino!

Aquilo é tudo tão justinho e ingreme que não caberia ali um circuito de Formula 1!

Claro que me pus a imaginar como seria uma alucinação uma corrida de moto por aquelas ruelas, um espanto, seguramente!

Lá de cima pode-se ver um mar que rodeia o penhasco, mas um mar de casas e paisagem, como se San Marino fosse uma ilha rodeada de Itália por todos os lados!

Ali ao lado fica o posto de turismo, onde perguntei onde ficava o autódromo onde se realiza o Grande Prêmio de San Marino. Fiquei a saber que nem é ali perto sequer, como eu imaginara! Na realidade realiza-se em Imola, no autódromo de Enzo e Dino Ferrari, perto de Bolonha.

Ok, Bolonha até ficava no meu caminho, vou lá passar e ver como aquilo é!

Entretanto continuei a explorar as ruelas encantadoras.

E no meio do intrincado trajeto de ruelas estreitas chega-se à basílica, numa praça empoleirada na encosta.

A Basilica di San Marino é naturalmente dedicada a São Marino, o fundador da republica!

É neoclássica, um estilo sóbrio que me fascina, pois foi construída no séc. XIX, quando a anterior construção, muito antiga com cerca de 15 séculos, entrava em colapso!

A sensação é de que estamos a passear por uma cidade e não por um país!

As torres são 3 e serviram para defender a república de ataques dos povos vizinhos, entre eles os que vinham de onde eu vinha: Rimini!

O calor era já tanto que comecei a não querer andar muito mais! O que me valia era o meu lenço que eu molhava em todas as fontes para limpar e refrescar o rosto já febril!

Peguei na moto e pus-me a andar, ao conduzir o calor suporta-se melhor!

Queria passar em Imola, por isso no caminho passei pela terra de uma amiga do Facebook! Não a encontrei, mas passei perto.

O calor não me deixava sequer raciocinar, não havia ninguém na rua para eu perguntar e descobri, só depois, que era mais à frente um bocado…

Não foi desta que vi a terra da minha amiga Franca Bagnari!

Fui embora frustrada mas agradecendo o vento que a moto provocava em mim ao andar, já que não corria a menor aragem e a temperatura passava os 42º….

Mais à frente cruzei com um castelinho encantador todo em tijolo! Aquele país é cheio de surpresas!

O castelinho na realidade é considerado uma joia de entre as fortificações do séc. XV em Itália!
Chamam-lhe La Rocca di Bagnara e é lindo!

E tem um jardim com sobras deliciosas para eu parar e refrescar-me com uma deliciosa e gelada garrafa de água de um litro e meio!

Imola fica logo à frente!

Tal como eu imaginava, não faltam indicações que falam do autódromo! E lá estava ele!

Coisas de carros não são o que mais me apaixona, por isso pouco ou nada sabia do autódromo! Nem sabia que ele não era perto de San Marino!

Mas as histórias e os mitos desses locais atraem-me por isso fui juntando as que descobri por lá e as que catei naqueles dias… Afinal tratava-se do autódromo com o nome do fundador da grande marca italiana e onde morreu Ayrton Sena em 1994…

Estava tudo deserto por ali, mas podia-se andar à vontade pelas bancadas… pena não se poder ir até à pista…

Enzo, o criador da marca Ferrari, e Dino, Alfredino Ferrari, o seu filho que deu o nome a um modelo da marca, sofria de uma doença muito complicada e que o vitimou, distrofia muscular…

Na entrada principal tem uma escultura curiosa com uma série de carros que saem de dentro uns dos outros.

Pus a moto a beira e fui tirar fotografias para o meu moçoilo ver e para os meus amigos que me pediram fotos do circuito!

Fotos a acrescentar à minha pequena coleção de grandes circuitos:

Estoril – Portugal
Portimão – Portugal
Silverstone – Reio Unido
Nurburring – Alemanha
Enzo e Dino Ferrari – Italia

Não está mal para quem nem aprecia carros!

O calor estava infernal! Dei-me conta de repente de que as mãos suadas não entravam nas luvas, a roupa estava colada às costas e a moto escaldava. Era o suplício total.

Tinha de conduzir ou morreria naquele ar escaldante e parado que parecia estar a sacar toda a água do meu corpo. Se não partisse rapidamente acho que cairia para o lado inanimada!

E foi o que vi uns quilómetros à frente, quando o termómetro da minha moto oscilava entre os 42 e os 43 graus! O trânsito estava lento e em fila de pára-arranca, eu fui furando até que vi um pequeno aparato policial. Pensei que era uma operação stop, por isso deixei-me ficar muito educadamente na fila dos carros. Mas ao passar perto é que vi que não era nada disso!

Um grupo de polícias estava realmente parado na entrada de uma rotunda, mas não era operação stop nenhum! Um deles tinha simplesmente desmaiado na moto! Um frio percorreu a minha coluna!

As motos estavam paradas na berma da estrada e eles estavam em volta do colega estendido na relva da berma da estrada. Um segurava um guarda-chuva que protegia o desfalecido e os outros abanavam-no. A sua moto estava meio reclinada na rua…

Comecei a temer pela minha segurança, afinal eu tenho a tensão arterial muito baixa e aquilo não podia acontecer comigo!

Segui para a Eslovénia rezando para que o calor não me fizesse mal.

O entardecer e a montanha sossegaram o calor que me afligia tanto! Apenas olhar para a paisagem verde e cheia de sombras me refrescava a mente!

Como eu gosto daquele país!

Cheguei a Bled cheia de fome e obcecada com a comida! Eu não podia continuar a encher apenas a barriga de líquidos e arriscar-me a enfraquecer por não ter vontade de comer, porque o calor derrubar-me ia!

Fiquei ali, no meu restaurante de eleição na cidade, sobre o lago e com direito a musica ao vivo. A comida é sempre ótima e a cerveja deliciosa!

E foi o fim do 8º dia de viagem!