2. Passeando pela Grécia/Balcãs – Espanha

20 de agosto de 2022

No dia seguinte a minha mão estava uma verdadeira bosta!

Os dedos estavam tão inchados que era muito difícil mexe-los, o pulso estava uma verdadeira bola e fechar a mão era tarefa completamente impossível! Oh valha-me deus, como iria eu conduzir com uma mão inútil? Será que fora o esforço do dia anterior que provocara aquele inchaço todo? Se assim fosse a coisa iria piorar de dia para dia?

Sentei-me na praça e terminei o desenho que começara no dia anterior, enquanto gelava a mão e o pulso, a ver se desinchavam um pouco.

Eu estava cheia de vontade de seguir caminho e explorar coisas. O meu espirito estava longe do do dia anterior e a ultima coisa que me apetecia fazer era seguir direto para o meu destino!

Era cedo, não havia ninguém na rua e isso era fantástico para eu conduzir sem ter de andar a meter muitas mudanças, era só rolar!

Comecei timidamente indo tomar o pequeno almoço a Ayllón, uma terrinha muito mimi ligada à história de Portugal e ao tratado de paz depois da batalha de Aljubarrota.

Muito fixe, a Plaza Mayor estava toda por minha conta, por isso pude por-me por ali a comer croissants enquanto apreciava o ambiente medieval em redor, com o Edifício do Ayuntamiento ao fundo.

Não é por acaso que Ayllón faz parte dos “Los Pueblos Más Bonitos de España” porque é muito fofinha, cheia de história e vestigios do passado.

 Na varanda do Ayuntamiento um cartaz falava da reforma da saude rual, parece que em Espanha as coisas também não estão faceis com a saude!

A igreja de San Miguel, ao fundo da Plaza, do outro lado do Ayuntamiento, chamou-me a atenção é claro!

As construções românicas sempre me chamam a atenção. Mas era muito cedo, estava fechada. Apenas pude apreciar os pormenores do exterior.

Todo o pueblo é encantador e muito agradavel para passear e apreciar os pormenores

Do lado da muralha fica o Río Aguisejo, onde a minha motita me esperava.

Tão bom passear ao sabado, com as estradas ao meu dispor! Aos poucos a minha mão marota estava a conseguir finalmente voltar a apertar a embraiagem, por isso eu estava animada para procurar um pueblo que queria muito visitar.

E valeu a pena parar. O nome Calatañazor deriva do árabe “be Qal`at an-Nusur”, que significa “Castelo das Águias”

A vantagem desta terrinha é que fica no topo de um monte, mas tem bom acesso, a moto vai até à porta e depois as ruínhas não sobrem muito. E são lindas de morrer, com as casinhas cor de terra, sustentadas por bigas e colunas de madeira, com ar de serem mais velhas que o mundo!

O castelo é do século XIV ou XV, está bastante aruinado, mas permite uma bela perspetiva sobre o pueblo e o vale. Fica ali à beirinha também, não é preciso escalar nenhuma montanha para lá chegar!

E o pueblo é bem giro visto de lá de cima da torre.

Ao fundo a Iglesia de Nuestra Señora del Castillo, românica é imponente! A sua origem é do sec XII, foi alterada postreiormente, mas não perdeu a sua imponencia. Estava fechada, uma pena, teria gostado de a ver por dentro.

E as ruinhas, cheias de sol, voltaram a encantar-me ao ir embora. Acho que vou ter de voltar lá um dia, para explorar também a redondeza com calma, quando eu estiver plenamente recuperada desta não, para que nada me prenda de explorar.

No caminho para o meu destino decidi ir pelo parque Natural de Moncayo. O dia estava quente, eu já tinha o rosto a ficar queimado, porque como não conseguia abrir e fechar o capacete, mentinha-o aberto, por isso achei que andar pelo meio da natureza, entre arvores e sombras, seria fantástico!

E realmente foi uma bela escolha de caminho, fresco e lindo, até parei várias vezes para registar perspetivas da bela estrada!

Até a paisagem mudar abruptamente!

E foram tantos quilómetros de terra queimada! A luta com o fogo deve ter sido feroz, porque havia pedaços de terra lavrada e algumas casas ao longe que foram protegidas por contrafogos. Nitidamente tinham pegado fogo a arbustos menores junto de habitações e terrenos de vinha e fruta, para que o incendio maior não passasse, e ele contornou e seguiu!

Santo Deus, a sensação foi de entrar num cemitério da natureza!

A tragedia não era antiga, ainda cheirava a fumo e cinzas.

O Mosteiro Real de Santa María de Veruela, estava bem no limite da linha de fogo! Acredito que foram momentos e terror e luta para que o fogo não chegasse até ele!

Não tive vontade de entrar e visitar, ficará para uma proxima vez, apenas visitei em redor sem me meter lá dentro.

Embora as fotos apareçam sem ninguém, havia bastante gente lá dentro e eu estava muito antissocial para entrar!

Há coisas em Espanha que me fascinam, como as casitas, armazéns ou caves construídas debaixo da terra. Existem em diversas zonas do país, já visitei varias em vários sítios, ali só olhei de longe. É sempre uma visão que me surpreende!

E cheguei a Alquézar, para mim um dos pueblos mais bonitos que conheço em Espanha!

Não só é uma terra lindíssima, como fica situada junto do Cânion do Rio Vero e do Parque Natural de la Sierra de Guara, por isso por ali, toda a gente se tenta a aderir a atividades na natureza e algumas mais radicais no Canion. A minha atividade por lá, a cada vez que passo, tem sido sempre passear pelas ruelas, desenhar e beber sangria, mas um dia vou ficar mais tempo para poder explorar também a natureza em redor! 😉

Fui cedo para o meu destino, em Adahuesca, não muito longe de Alquezar. Sabia que havia petiscos no hostel e boa cerveja, por isso fui para o aconchego comer e beber e pôr gelo no meu pulso, que já não queria caber na luva!

Estava visto que os meus dias terminariam como começavam, com gelo até adormecer tudo, desde a pele até ao osso! Esse seria o segredo para fazer funcionar esta mão e ela de me dar um pouco de paz.

Vamos ver como é que a mão acorda amanhã, porque a vontade de explorar está a aumentar e não poderá ser uma mão marota a parar-me… ou poderá?

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