15. Escandinávia 2017 – Finalmente a Dinamarca

7 de agosto de 2017

E chegou o dia de entrar na Dinamarca. Tanta coisa que eu queria ver naquele país e tanta coisa ficou por ver no fim. É sempre assim. Quantas vezes terei de lá voltar até explorar tudo o que tenho em mente?!

Chegou também o dia em que o meu amigo Filipe seguiria o seu caminho e eu o meu! Ora isso merecia um pequeno almoço caprichado, com uma bosta de café, mas muito boa disposição à mistura!

As nossas motinhas também se estavam a despedir, enquanto a GTR tentava secar a toalha de banho do patrão.

Curiosa a sensação de despedida, como se a viagem começasse naquele momento!

E lá seguiu ele o seu caminho…

E eu o meu!
Entraria no país por terra, eu queria ver como eram as coisas por lá, como eram as cidades, as aldeias e as paisagens, mais do que ir a correr para os pontos turísticos apanhar banhos de gente!

A Dinamarca está bem sinalizada, é quase impossível entrar no país sem “tropeçar” na tabuleta de boas vindas!

A curiosidade que o país me despertava era muito para lá dos sítios famosos e turísticos, dos museus ou locais imperdíveis. Eu queria ver como era o nada, o anonimo, os recantos perdidos na paisagem que não fazem ninguém comprar bilhetes para ir vem.

E foi tão bonito cada quilómetro que percorri, olhando em redor com encanto mesmo quando no horizonte não havia mais nada para além dele mesmo!

No meio de lado nenhum uma igreja, um jardim, um cemitério, faziam-me lembrar a Irlanda sem se parecerem nada com ela. Uma atmosfera de paz e serenidade, no meio do vazio, que me encanta.

E cheguei a Ribe, a cidade mais antiga da Dinamarca e uma das mais antigas da Europa. A catedral do século XII é um marco poderoso no meio da cidade feita de pequenas casinhas, muitas deles protegidas e preservadas pela sua importância histórica.

O edifício foi ampliado em tijolo 3 ou 4 séculos depois e mais tarde restaurado e alterado o seu interior, mas está bonito até hoje.

A praça em redor estava tão solarenga e alegre que apetecia passear por ali.

Não consegui sair dali antes de catar todas as ruinhas, em perspetivas encantadoras.

São mais de 100 casas que estão hoje protegidas e ainda bem, pois são o encanto da cidade!

Os pormenores são encantadores, como se cada proprietário cuidasse da sua casa como se de uma joia se tratasse!

A sensação ao passear pelas ruelas era de que as casas eram quase mais baixinhas do que eu!

A sensação que eu tinha era de que poderia ficar ali umas férias completas!

Mas lá fui seguindo pela costa, porque a curiosidade é sempre um bom motor para me manter em movimento e logo a seguir ficava Esbjerg, com os seus Men at sea, uma enorme escultura que comemorou os 100 anos da cidade em 1994.

O conjunto escultórico mede 9 metros de altura e pode ser visto do mar, pelos barcos que se aproximam do porto.

As pessoas pareciam negras e pequenininhas junto dos monstros brancos!

Ia percebendo e sentindo a Dinamarca como um país de pequenos encantos e essa seria a memória que cada quilometro de caminho formava na minha mente!

Não queria ver cidades, nem pessoas, nem atrações turísticas, por isso fui andando na direção do meu destino, procurando desviar-me de ferrys para atravessar para a grande ilha de Funen (Fyn) e depois para a Zelândia (Sjælland).

Ao lado da longa ponte há um farol

E ela é a única estrada em que paguei portagem, para além da ponte/túnel que liga a Zelândia à Suécia, claro.

Aqueles céus iam-se revelando em cenários fantásticos para uma paisagem serena.

Um caminho tão bonito quanto cheio de nada!

E lá estavam as igrejinhas lindas, nem todas brancas, mas todas com uma configuração típica.

Os caminhos que partiam da estrada que eu percorria eram ladeados de arvores, e eu podia perceber onde estavam pelas fileiras de “bolinhas verdes” que elas formavam ao longe.

E eram frequentemente de terra batida o que lhes dava um ar de caminho particular.

O mar continuava fantástico com um céu impressionante cpor cima, seguramente iria chover aquela noite…

Mais um caminho de terra batida e chegaria ao meu destino.

Fui recebida por dois grandes gatos peludos muito curiosos, numa quinta cheia de animais, onde eu dormiria por 3 noites.

Registos de viagem – 2

Cheguei ao meu destino para dormir na Dinamarca e é uma quintinha, cheia de animais bem no meio da natureza! O meu quarto é uma roulotte com avançado e o meu pátio um grande relvado. Grande espanto à minha chegada “big bike and big lady!” Ainda me chamam grande e eu ainda não me sinto pequena junto deles! Vou jantar com esta gente boa e descomplicada!

(in Facebook)

A minha roulotte seria a verde, ao fundo de um relvado foto e perfeito.

Era hora de alimentar os animais da quinta e eu acompanhei a Karen nessa tarefa. A Karen é a jovem proprietária da quinta, que foi fazendo a visita guiada a todos os animais que ali cria, enquanto distribuía comida. Havia alguns recém-nascidos por lá.

Havia também uma enorme variedade de coelhos, separados por raças ou por cores, não sei!

O que mais me fascinou foi o maior de todos!

Acho que nunca tinha visto um coelho tão grande!

Perdi a noção de quantos animais diferentes vi naquela quinta!

Cavalos e póneis, acho que só não vi vacas!

Mas seria com os gatos felpudos e fofinhos que eu conviveria mais.

E à medida que o sol descia de um lado a lua subia do outro. Valia apena passear um pouco e ir vê-la sem as arvores na minha frente.

Tive companhia no meu passeio. Sem que eu dissesse nada, o gatinho simplesmente me acompanhou, como se fosse um cão treinado.

Passear com um cão é coisa de gente banal! Gente especial passeia com um gato 😉
E ele espera a cada vez que eu paro para tirar uma foto e aprecia o que estou a apreciar!

Definitivamente fui adotada por ele, pois veio comigo para casa

Soube bem ter companhia, ainda por cima eu adoro gatos!

Quanta serenidade aquele país e aquele ambiente me transmitia! No dia seguinte iria simplesmente passear, sem me preocupar em ir muito longe nem em ver muitas coisas, aquela atmosfera não me permitia pensar em stresses de multidões nem turistas aos magotes…

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14. Escandinávia 2017 – De Nuremberga até Hamburgo

6 de agosto de 2017

O facto de irmos subir toda a Alemanha não implicava faze-lo sem explorar, por isso havia duas ou três coisas pelo caminho que eu queria ver. Afinal o dia tínhamos o dia todo para fazer seiscentos e pouco quilómetros, não havia necessidade de ir a correr para Hamburgo!

Um dos sítios onde eu queria passar e estava na minha agenda há anos, era Bamberg. Uma cidade cheia de história que irei certamente voltar a visitar mais me pormenor, um dia, e que me encantou num passeio relaxado pelas suas ruelas.

Bamberg tem uma escultura de Igor Mitoraj, o mesmo que fez o Eros Vendado de Cracóvia. Sempre curiosa a sensação de cruzar com uma escultura dele, literalmente um pedaço do mundo clássico!

A sensação que se tem é que a ponte que atravessa o rio Regnitz está cheia de tralhas, entre esculturas religiosas cheias de pormenores e casas coloridas!

Mo meio fica a antiga Rathaus, aquela casa de travejamento amarelo que é o ex-libris da cidade.

Mas ela só é visível no seu enquadramento perfeito, a partir da margem ou da pequena ponte pedestre que passa mais atrás.

O edifício é do século XIV e fica na ligação das duas pontes à ilha sobre o rio Regnitz, por isso parece que está no meio da ponte.

É tão bonito o conjunto!

E sempre que passeio por uma cidade que parece também uma aldeia, só me ocorre quão felizes são as pessoas que ali vivem, pois têm o paraíso tão perto da porta de casa!

Chamam àquela margem do rio a Pequena Veneza, e é fácil de entender porquê, há gôndolas e tudo!

As casinhas enfileiram-se pela margen, como se fossem de brincar, e têm pequenos ancoradouros onde as pessoas param os seus barcos como quem pára carros ou bicicletas…

Frequentemente me perguntam se eu não tenho dificuldade em deixar para trás um sitio encantador, se como faço quando tenho vontade de ficar mais um dia ou dois mas não posso porque tenho de continuar a minha viagem.

Na realidade eu sempre passo em aldeias e cidades que me atraem sem o intuito de as explorar a fundo. Não sou uma maquina e só faço o que me apetece, e correr de lado para ado para ver tudo o que há, não condiz com o meu espirito relaxado e sereno em viagem. Seria incapaz de me massacrar tentando ver tudo numa corrida frenética! Eu deixo sempre assunto para voltar mais vezes e assim é-me muito fácil seguir viagem sem remorsos nem cansaços desnecessários!

Por isso seguimos para norte, pois Fulda ficava mais acima e tinha também coisas que eu queria ver!

Fulda é também uma cidade de origem medieval, e tem algumas construções muito bonitas. A Altes Rathaus é um edifício colorido, com travejamento exterior, muito bonito! Parece que todas as terras por ali têm uma Altes Rathaus – antiga Câmara!

Ao lado fica a Stadtpfarrkirche, a igreja paroquial lá do sitio, toda colorida.

Por ali gostam de cores vivas e contrastantes nas casas, e isso dá um ar tão cativante e alegre às ruas!

Parar para um café pode ser a experiencia mais surpreendente por aquelas terras!

O meu parceiro de viagem estava sempre a querer para tomar um cafezinho! Ora, por ali o café é caríssimo, é enorme e é uma bosta! Oh homem, acho que só podes ser masoquista!!!

A verdade é que o calor me provocava sonolência e eu também já estava a ser meio masoquista com o café. E no entanto não adiantava nada pois era tão fraco que nem para tirar o sono servia!

Seria chá de café?

Hann. Münden seria a ultima cidade a visitar antes de chagar ao nosso destino. Chamam-lhe a cidade dos três rios, porque fica no ponto em que o rio Fulda e o rio Werra se unem e se transformam no rio Weser.

Mas eu queria ver as suas casas medievais, meio inclinadas, com cores e decorações espantosas, e não me dececionei!

Aparentemente parece uma cidade igual às outras, com ruas bonitas cheias de comércio

Então chega-se à zona mais antiga

Então tudo em redor era fascinante! De repente estamos rodeados de casas com 400 e 500 anos, impressionantes!

Acho que elas se suportam umas à outras e se mantêm firmes passado tanto tempo com o apoio mutuo!

As portas e janelas já há muito que não estão esquadriadas, inclinando-se para um lado ou para o outro, mas firmes e lindas!

E os pormenores das fachadas e portas eram lindos e minuciosos!

E chegamos à Marktplatz, é sempre na Praça do Mercado que fica tudo, sobretudo a Rathaus!

Numa cidade assim o edifício da câmara é sempre espantoso e aquele não é exceção! Chamam-lhe a Historisches Rathaus e bem merece o titulo!

E a sua porta era fascinante! Claro que tivemos de fazer fotos ali, eu até faço coleção de portas mas não tinha nenhuma parecida com aquela!

Acho que o Filipe se sentir tão insignificante junto de um fundo tão vistoso que se pôs a fazer macacadas, só para dar nas vistas, senão ninguém o veria ali! Eheheheh

Então, de repente ao virar uma esquina, num largo bonito com arvores e casinhas giras, estava a Igreja de São Aegidien. Nada de anormal, se fosse apenas a igreja de origem medieval, cheia de história, com pormenores arquitetónicos de diversas épocas, de acordo com as diversas remodelações que foi tendo ao longo da sua rica história…

A novidade estava no seu interior, onde funciona um café restaurante!

Desde 2008, o dono de um hotel na zona, o hotel Aegidienhof, comprou a igreja e adaptou-a para o Café Aegidius , tendo em conta o caráter do espaço sagrado e o uso do mobiliário original.

O ambiente está muito bonito e acolhedor

Mas tenho de concordar que é um bocado estranho tomar um café ou uma bebida num altar!

Quando chegamos a Hamburgo estava a noitecer.

A cidade estava em festa, com gente, musica e barulho em redor do Lago Alster.

E como não nos dispusemos a jantar numa igreja, fomos para o meio da festa encher-nos de salsichas, que por ali são deliciosas!

Confesso que já tenho saudades, tenho de procurar por cá se existem salsichas iguais àquelas para fazer uma tainada.

O pão que nos dão é tão pequenino que não cabe nada lá dentro!

Tivemos de puxar dos canivetes e refazer das sandocas!

Muito bom!

Embora a festa estivesse animada, deu para ver que por ali essas coisas não duram a noite toda! Ainda não tínhamos percorrido todo o perímetro e já estavam a desmontar a coisa!

Mas as perspetivas do lago eram magnificas, com ou sem festa!

Com o jato de água a fazer lembrar o de Genève, mudando de cor em reflexos inspiradores.

À medida que a cidade ia serenando, fomos visitando um pouco enquanto regressávamos às motos. O edifício da Rathaus ficava fantástico com a iluminação a valorizar a sua arquitetura fantástica.

E fomos para casa que amanha seria o dia de seguir para a Escandinávia!

Até amanhã, na Dinamarca…

13. Escandinávia 2017 – Passeando pelo norte da Baviera

5 de Agosto de 2017

A Alemanha é um país tão bonito que sempre me custa atravessa-la sem explorar um pouco, por isso parei em Nuremberga para visitar um pouco em redor. Um dia não é muito tempo para uma zona tão bonita como aquela, mas teria de chegar, veria o que pudesse sem pressas nem stress, e deixaria o resto para outra vez! É sempre assim que eu me contento com o que posso ver ou fazer, prometendo a mim mesma que voltarei.

O café não é grande coisa por aqueles lados, mas no hostel pelo menos não era muito caro, o que já era uma boa qualidade, porque pior do que um fraco café é pagar caro por ele!

A minha Negrita ia-se revelando, para alem de uma boa parceira de estrada, uma boa mesa de apoio também!

Dinkelsbühl foi o primeiro ponto de interesse que visitamos. Uma cidade medieval que eu queria visitar havia imenso tempo. O seu centro histórico parece todo ele um imenso cenário, de tão bonito e bem cuidado que está!

As casas pintadas em cores vivas e com frisos e pormenores decorativos são tão bonitas que apetece disparar fotos em todas as direções!

No centro da cidadezinha, por entre charretes e tendinhas de bugigangas, ficava a St. Georgs Kirche, uma belíssima igreja gótica que condiz tanto com o ambiente em redor!

Linda!

Com os tetos nervurados e altares entre estilos gótico e neo-gótico perfeitos!

Com o calor e o ambiente em redor tão inspirador, não havia como evitar para numa esplanada mesmo à porta da igreja e tomar uma cerveja refrescante!

Afinal estávamos no país da boa cerveja!

E a vontade era de explorar cada recanto em redor e acrescentar novas casas lindas à minha já longa coleção de casas europeias!

Tão bonito o ambiente de uma cidade sem prédios nem edifícios enormes apenas casinhas individuais!

E as portas da cidade foram mantidas e conservadas até hoje

Finalmente lá seguimos para Rothenburg ob der Tauber, uma cidade muito bonita que só peca pela fama que a faz estar sempre banhada de turistas.

As suas portas são espetaculares!

Quando os sítios são bonitos nunca há pressa em ir embora. O que quer se seja para ver a seguir pode esperar, se o tempo for pouco, fica para outra vez. De nada adianta andar a correr de lado para lado sem se dar tempo de apreciar cada local!

E não faltava nada por ali, até ursinhos para o rapazola brincar! 😉

E no meio das nossas explorações, sem contar encontrar mais nada do que todo o encanto de cada rua…

Encontramos uma loja de Natal espantosa!

A loja tem um museu, mas apenas as varias salas com exposição de mil e uma coisas para o Natal foi suficiente para nos prender a atenção por muito tempo!

Não se podia tirar fotos mas ninguém consegue controlar muito bem o meu telemóvel nem a rapidez com que ele capta uns e outros!

Confesso que sou uma fascinada pelo Natal, como uma criancinha!

E há sempre um bonequinho, ou um bonecão, para fazer par com o Filipe!

Parece que lá na terrinha são típicas umas bolas enormes de doce de diversas cores.

Não sei o que aquilo é mas não me inspirou confiança, tinha ar de coisa muito doce e eu sou mais de salgadinhos

mas o meu amigo é todo doceiro e parecia tão feliz a devorar aquilo!

Poucas ruas estavam livres de multidões o que era uma pena, pois a arquitetura é linda!

A sorte é que os turistas enchem as ruas famosas, onde se podem captar as perspetivas que aparecem na internet, e poucos perdem tempo com as ruinhas paralelas e desconhecidas.

mesmo que nelas esteja a beleza mais genuína!

E o pedaço mais famoso do local estava cheio de gente, claro! Espera-se uma infinidade de tempo para vagar um pouco, ou só se verá gente e é o que se vê no fim, gente!

Nunca há pressa quando se vêem coisas bonitas, se não houver tempo para ir ma muitos lados, haverá para ir a poucos, mas que sejam bem vividos!

E nesta treta de ficar uma pouco quieta a apreciar o momento, descobri que existe Iced Tea com gás! Uma bosta!

Com grandes nuvens a formar-se, mas com toda a boa disposição de quem quer continuar a ver coisas bonitas, fomos até Lauf an der Pegnitz.

Por ali tudo é bonitinho e Lauf an der Pegnitz é um pequeno encanto, tão perto de Nuremberga que num instante se passa lá!

O centro é pequeno mas bonito, ideal para parar um pouco a tomar qualquer coisa enquanto o rapaz se punha a namorar ao telemóvel!

Claro que enquanto ele andava de um lado para o outro nas suas conversas, eu tinha de me entreter com alguma coisa, na esplanada mais bem situada lá do local, com a porta da cidade a fazer cenário de fundo!

A cerveja continuava a ser boa por aqueles lados!

Então de repente as nuvens chatearam-se à brava e ficaram mesmo negras de raiva!

E desatou a chover com toda a força!

Um momento raro, quando há sol de um lado e as nuvens ficam negras do outro, por isso, quando toda a gente se abrigava debaixo dos guarda-sóis eu fui procurar o melhor angulo para captar o contraste!

O Filipe não entendia nada do que andávamos a fazer a olhar para a chuva e apanhar com ela na testa! Oh rapaz, para a próxima tens de usar um chapéu! A mim a chuva não me perturbou nadinha! 😀

Eu tinha de registar aquele momento, em que o céu estava negro e as casas cheias de luz!

Porque a natureza não nos dá muito tempo para registarmos algumas das suas habilidades mais belas!

E lá fomos para Nuremberga, com as motos lavadinhas de fresco!

Aproveitando para percorrer outras ruas da cidade cheias de encanto!

A cidade é atravessada pelo rio com o seu nome, o Pegnitz, que cria recantos e perspetivas muito bonitas nas suas margens.

É preciso ter-se alguma paciência para me acompanhar, quando paro a qualquer momento para fazer mais uma foto!

E finalmente fomos para Nuremberga encher-nos de salsichas, que estávamos na terra delas! Eram deliciosas!

Numa esplanada a atirar para o medieval onde parecia que ainda era Natal!

Ali nasceu e morreu Albrecht Dürer, o grande artista do renascimento, e lá estava a sua estátua…

Nuremberga é uma cidade onde tenho de voltar com mais tempo, é linda e cheia de história. O seu centro histórico é grande e eu tenho de o explora melhor.

Na Espanha todas as cidades têm uma Plaza Mayor, na Bélgica têm uma Grand-Place, na Alemanha têm uma Hauptmarkt! E a Frauenkirche (Igreja de Nossa Senhora) ficou na minha agenda para visitar um dia, era linda em contraste com a noite!

Amanhã iriamos para Hamburgo, o ultimo ponto de paragem antes de seguirmos caminhos diferentes e eu entrar em terras escandinavas…

12. Escandinávia 2017 – de Iseltwald até Nuremberga

4 de agosto de 2017

A cada sitio que a gente pára dá vontade de ficar mais um pouco, mas a excitação de ver o que vem a seguir é sempre o combustível que dá energia e vontade de arrumar tudo nas malas e pôr rodas ao caminho. E o meu caminho seria ainda tão longo, que tudo o que via sabia sempre um pouco a prefácio de algo mais longínquo e mais novo!

E demos mais um passo para norte, que a Escandinávia fica lá para cima!

Uma viagem é feita de moções e, apenas o facto de olhar para uma paisagem com a sensação de ir ficar ali mais um dia, é complemente diferente de olhar para ela ao partir.

Há uma serenidade num lago ao amanhecer, quando não há vento e tudo parece tão quieto, como se as águas fossem sólidas, de espelho, que o ritmo do coração abranda cá dentro e todo o resto do mundo parece afastar-se!
Que coisa linda!

E a aldeia fica ali mesmo, do outro lado da rua, com os chalés de madeira lindíssimos a completar o quadro de perfeita beleza.

Apanhei o meu companheiro de viagem a encolher a barriga para ficar mais elegante na foto.

E logo a seguir fica a cidade, que parece uma aldeia grande, de Interlaken. Aquele ponto onde todos os destinos de ski confluem, já que fica no centro da melhor zona de montanha do país.
Mas no verão é calma e colorida, com o rio Aar a atravessa-la ligando os dois lagos, Brienzersee e Thunersee, que a ladeiam.

E a cor do Aar voltou a fascinar-me, sempre me fascina!

O Filipe à sombra da bananeira… não, à sombra do candeeiro sobre o rio!

Ali no meio é o ponto onde termina Interlaken e começa Unterseen.

Uma localidade de cada lado do rio

A gente tinha parado as motos em Unterseen, logo a seguir ao rio e à ponte, ou antes aos rios e às pontes, já que o Aar de multiplica ali formando uma longa ilha o que dá a sensação de se tornar em vários canais. E as motos ficavam tão bem no ambiente em redor!

Já não sei quantas fotos tirei junto daquelas casas, nem com quantas motos o fiz! E a tradição cumpriu-se de novo!

E seguimos para norte. As paisagens sucedem-se encantadoras e é gratificante seguir atravessando-as. Como eu costumo pensar nestes momentos “que belo dia para passear!”

Então, de repente algo prendeu a atenção. Estávamos numa espécie de xona industrial e havia formas enormes no exterior de um armazém que eu tinha de ver de perto!

Simplesmente WoW!


Tratava-se de um atelier de escultura com materiais reciclados!

Chama-se Recycle Art e ali se fazem esculturas espantosas e únicas, usando peças de automóveis e motos, porcas, parafusos e rodas dentadas, tudo meticulosamente soldado.

E fazem-nas em todas as dimensões, algumas intimidam mesmo pelo seu pormenor, realismo e dimensão!

As esculturas são feitas à mão, de acordo com estudos prévios, depois polidas e lacadas.

E os resultados são verdadeiramente impressionantes!

O Filipe adorou o burro do Shreck, quase aparafusava a língua para ficar mais parecido com ele!

Eu identifiquei-me mais com os monstros, dragões e bicharocos meio monstruosos, devo ser mais monstruosa do que ele, cá no meu intimo!

E eles executam qualquer escultura de reciclagem sob encomenda, através de fotos ou desenhos desde veículos, animais, figuras fantásticas ou móveis. ADOREI!

Havia um carro em dimensão real pronto para ser entregue. Era impressionante!

Às vezes as coisas acontecem assim, numa viagem, a gente fica imenso tempo a ver o que não estava previsto e passa ao lado do que previra! E foi assim com Baden, olhamos para ela lá de cima da rua, mas a vontade de descer e ir ver de perto não era nenhuma, por isso ficamos com registos gerais, até voltarmos a passar com vontade de explorar!

Eram os últimos registos da Suíça, antes de entrar mos na Alemanha e o tempo estava a ameaçar dar-nos uma molha. Parece que vai ser sempre assim, quando entrar na Alemanha com o Filipe! Claro que a culpa era toda dele, já que no ano passado, quando me acompanhou até Estugarda, também apanhamos uma molha ao entrar no país!

A minha esperança era que ele levasse a chuva com ele quando nos separássemos, tal como fez noa ano passado, quando andou a nadar pela França, enquanto eu me deliciava com o sol dos países de leste.

Sinto-me sempre um embrulho quando visto toda a tralha de chuva!

E chegamos a Schwäbisch Gmünd. Uma cidade tão encantadora quanto uma cidade medieval alemã pode ser.

Há algumas construções religiosas por ali que eu gostava de visitar por dentro, como a igreja Românica Johanniskirche, mas não eram já horas de visitas, por isso só restava ver por fora e apreciar as fontes pintadas nas praças…

e a casas com pinturas no exterior, que sempre me fascinam!

Bem no coração da praça do mercado havia uma praia de areia montada para a miudagem brincar.

Um ambiente divertido que despertava a curiosidade a qualquer menino!

E as casinhas em redor são tão antigas e bonitinhas que tornam cada rua um cartão postal

Em redor da catedral, parece que se anda mesmo para trás no tempo!

A Heilig-Kreuz-Münster – Catedral da Santa Cruz – estava aberta para um concerto, por isso os banais mortais não podiam entrar! Uma pena porque, a considerar pelo seu aspeto exterior, deve ser linda, como todas as construções góticas o são!

E havia pequenos pormenores bem mais modernos curiosos e divertidos para explorar pela cidade

Mas os sofás cor de laranja fascinaram-me!

Que bem fica o preto sobre laranja!

Quando chegamos a Nuremberga estava a noitecer. O centro histórico é grande e fascinante, no dia seguinte teríamos de explorar aquilo tudo mas, para já, a urgência era mesmo ir comer!

Hora de parar e descansar e comer, antes que fosse tarde demais e tivéssemos de ir dormir de barriga vazia!

Aquino era tudo vontade de comer mesmo!

Amanhã estaremos ainda em Nuremberga, porque há algumas coisas bonitas que quero ver por ali…

11. Escandinávia 2017 – passeando pelo centro da Suiça…

3 de agosto de 2017

Passear um pouco pela Suíça é sempre tão pouco!
Mas o meu destino não era aquele, estava apenas numa pequena pausa de passeio por ali e tinha de me contentar com isso e seguir. Por isso daríamos uma volta pelo Bernese Oberland, e seria uma belíssima forma de matar saudades da montanha e do país.

Acordar com uma paisagem inspiradora, põe qualquer pessoa de boa disposição. Aquela água é um gelo, mas o povo não parecia importa-se e, àquela hora, já havia gente na mais amena cavaqueira enfiado nela como se fosse uma sauna!

Quando me passeio por sítios assim, o pensamento que me ocorre sempre é que há gente que vive naquele paraíso toda a sua vida!

Com o lago ali mesmo ao lado da rua, com aquela agua incrivelmente turquesa a inspirar para nunca mais sair dali!

Making off da foto de uma GTR junto ao lago!
E sim, a minha Negrita cobria-a completamente, são aqueles momentos em que a minha moto é maior que as outras todas, questão de perspetiva! eheheheh

E eu tinha de aproveitar o facto de ter alguém que me fotografasse para me captar naquele cenário de sonho!

Andar por ali de moto é tão bonito!

E fomos subindo para o Grimselpass, como quem vai subindo para o céu!

As águas que se tornam turquesa em Interlaken são cinzentas e turbas por ali, porque estamos a aproximar-nos do seu glaciar! Lindo!

Quando se chega lá acima há sempre motos junto ao Tonensee e há um bar onde fomos tomar café. Quase todos os empregados são portugueses e isso chocou-me, porque já la fui tanta vez e nunca me tinha apercebido!

Frequentemente as pessoas falam de que encontram portugueses por todo o lado e eu sempre me surpreendo porque não tenho essa experiência. Ou eles são turistas em bando e falam alto e eu vejo que existem, ou não me lembro de encontrar portugueses por todo o lado como muita gente diz! E de repente andava a encontra-los a torto e a direito! Como era isso possível?

Claro que a resposta foi obvia e imediata!
Quando viajo sozinha não tenho com quem falar português, logo ninguém percebe de onde sou. Como andava sempre a tagarelar com o Filipe as pessoas percebiam facilmente de onde eramos e falavam e brincavam connosco! Básico e adorável, e de repente, havia portugueses por todo o lado!

Então fomos ao meu cantinho encantado, onde pouca gente vai, junto ao glaciar do Aar e o seu Obeaarsee, percorrendo um dos caminhos de alta montanha mais bonitos que conheço…

Muita gente que vai até ali, pousa os carros e vai caminhando até ao glaciar, por isso havia carros mas pouca gente, como eu gosto!

Mas havia gente para pedirmos que nos fizessem uma foto aos dois, nas nossas motos, como o coração do Aar ao fundo.

Um momento de descontração e de apreciação do penteado que o capacete desenhou na cabeça do Filipe!

Sim, está lindo, com um carrapito à Tintim em cima e tudo!

A infinidade de montanhas espantosas em redor com tanta coisa para ver e sentir, quase nos tiram o fôlego!

Caminhos espantosos!

Caminhos que estão por todos os lados, de tal maneira se retorcem sobre si próprios de monte em monte!

E de um Passo de montanha vê-se o outro e o glaciar que iriamos visitar a seguir!

Por estrada os dois glaciares estão a pouco mais de 12 quilómetros, o que quer dizer que, a direito, a nascente do Rio Aar (que segue para a capital, Berna), e a nascente do Rio Rhône (que segue para Genève), estão tão perto como o nascimento de dois irmãos gémeos!

“Há muitos anos atrás eu visitei o Glacier du Rhône e há muito tempo que o queria voltar a ver de perto. É sempre uma sensação poderosa, para mim, estar tão perto de um glaciar, como se se tratasse de um vulcão, cheio de vida. Caminhar pelo gelo, que parece mais pedra rija, sentir o seu pulsar debaixo dos pés… Muito mudou aquele gigante, desde a primeira vez que o vi, está bem menor, meio esventrado e o efeito do calor é tão visível! Mas continua tão majestoso e impressionante…”

(in Passeando pela Vida – Facebook)

E ali em baixo fica a caverna de gelo, que vai sendo protegida do calor e ameaça desaparecer a cada verão!

Parece que o abominável homem das neves andava por ali!

E a abominável mulher também!

Em alguns pontos mais finos, onde o gelo foi escavado par colocar a luz, ele podia assemelhar-se ao gelo dos nossos frigoríficos, mas só aí!

O gelo do rio não é branco porque a textura petrificada pelos resíduos naturais o faz parecer mais pedra do que gelo e eu conseguia caminhar por cima da crosta rugosa como se de rocha se tratasse!

E onde ele abre o azul é absoluto!

E a perspetiva do glaciar é linda…

Cá fora estamos no Furkapass, com paisagens incríveis sobre o Grimselpass e a sucessão de montes até perder de vista! Sou uma privilegiada e, em tantas vezes que ali passei, sempre tive direito a bom tempo e boa visibilidade, e sempre me encantei!

O Filipe a arranjar a gravata para a nobre foto!

Claro que fiz a foto da praxe com aminha motita em tão belo enquadramento!

E aproveitei ter quem me fotografasse para aparecer também! Eu gosto sempre mais das fotos em que não estou em pose.

O tempo para dentro de mim com uma paisagem assim…

Depois de uma sequência de estradas em obras, que nos fizeram agradecer a sorte de estarmos em moto, chegamos ao lago dos quatro cantões em perspetivas de fiordes e reflexos quase irreais.

Lucerna fica a seguir, sempre encantadora, não importa quantas vezes a visite!

Com as suas coisas especiais para turistas…

mas também o que de mais genuíno tem de seu!

Um dia, ao passar à porta daquele bar, fui abordada por um bando de fulanos eufóricos, que fazia algazarra em torno de mim e me oferecia cerveja e eu não entendia nada porque falavam alemão. Só depois percebi que era por eu ser parecida com a fulana que é imagem do bar, uma versão da Penélope!

Não sei para onde aqueles dois olhavam, mas devia ser algo muito interessante, a considerar pela atenção!

E as pessoas apreciavam o fim de tarde na margem do Rio Reuss…

que tem perspetivas espantosas, com os desníveis e represas que mostram a sua cor e pureza.

Lucerna fascinar-me-á para sempre…

A perspetiva sobre Samersee é sempre aquela beleza que nos enche o coração no caminho de Lucerne para Interlaken

Que belo caminho para casa!

No dia seguinte seguiríamos para o sul da Alemanha…