27. Passeando por caminhos Celtas – Até Cardiff, a capital do País de Gales!…

19 de agosto de 2014

Trouxe a minha bonequinha até à porta do Hostel para lhe colocar a mala que tinha de carregar desde o 3º andar até à porta. As pessoas são sempre tão simpáticas quando vêm uma menina a carregar uma grande mala e não faltam cavalheiros que se ofereçam para me ajudar.

Manchester era um nome que eu trazia na minha lista de vontades, talvez apenas pelo nome, talvez apenas pela música e músicos que dali saíram, mas simplesmente estava na lista “a visitar”!

Depois, como é sabido, eu adoro conduzir no trânsito, nunca me nego a meter a minha motita gordinha pelo meio dos carros, numa gincana de arranca e para, fura e segue, como faço no Porto ou em Lisboa! Por isso quando me recomendam que evite as cidade eu nada digo e faço exactamente o contrário! E que bom que é “surfar” com uma moto “gigante” por entre a confusão!

E fui até ao centro, não era muita coisa que eu queria ver, apenas queria sentir a cidade em torno de mim. Contra o que seria de esperar, fui até Albert Square, porque o que me prendia a tenção não era uma igreja ou uma catedral, era antes a Town Hall.

Aquele edifício é deslumbrante e eu ia preparada para tentar tudo para o visitar… não foi preciso! Apenas me deixaram entrar e pronto, sem que fosse necessária qualquer pressão ou argumentação da minha parte! Eu adoro aquela gente prática e sem “frufruzices”!

O edifício é neogótico e ali funciona o governo local, como uma câmara municipal deve ser!

Claro que só andei nos corredores e espaço públicos, mas que lindo aquilo é tudo!

Ninguém me incomodou enquanto andei por ali! Pessoas passavam, no seu percurso de trabalho, e sorriam para mim por eu andar ali maravilhada a olhar!
“It’s beautifull, isn’t it?” perguntava alguém a cada passo
“Oh yes, you are privileged to work here!”

O edifício tem ligações por corredores passadiços para o edifício lateral, onde funcionam outros serviços, a lembrar os corredores da idade média que também atravessavam ruas!

Então depois de muitas voltinhas por ali, lá fui ver a catedral!

É sempre uma surpresa entrar numa catedral inglesa, tudo se pode encontrar lá dentro sem ser um tradicional ambiente de culto! A porta de entrada estava decorada com bordados pendurados em tiras infinitas!

Numa igreja por vezes encontra-se um bar, com mesas e gente a lanchar, outras vezes encontra-se uma sala de exposições….

E ali havia algumas obras curiosas, como candelabros criativos,

ou trabalhos imensos de bordados em cores chamativas!

Os vitrais são inspiradores e modernos, lindos!

E o local de culto está lá na mesma, numa nave lateral!

A catedral, mais propriamente, Cathedral and Collegiate Church of St Mary, St Denys and St George, é gótica na sua origem, com muitas reformas e transformações ao longo da sua vida conturbada por momentos religiosos menos favoráveis, e momentos de guerra também. Mas lá está ela, linda, como se nada fosse!

Nasceu católica e hoje é anglicana.

E depois da história, e embora eu nem seja muito dada a futebóis, fui ver outra catedral que levava na minha lista de vontades!

Eu tinha de ir ver o estádio do Manchester!
Cheguei lá e havia chineses por todos os lados! Eu não sei se eram mesmo chineses, mas que tinham os olhos em bico, isso tinham!

Aproximei a moto e um segurança veio ter comigo, perguntar-me onde eu queria ir com ela. Expliquei que só queria tirar uma foto sem gente nem carros na frente. Ele perguntou de onde eu era, respondi que era portuguesa. O seu rosto iluminou-se “Portuguese? Great! Of course you will take your photo with your bike!” e desatou a enxotar os chineses do meu caminho para que a moto ficasse sozinha!

Mas o efeito do “I’m portuguese” ainda iria fazer-se notar mais à frente!
Pousei a moto no meio dos carros e fui tentar visitar o estádio.

As chinesas revelaram-se úteis ao tirarem-me uma foto, claro que depois de eu lhes ter tirado uma dezena delas também!

Um estádio é sempre aquela construção imensa que me fascina!

Pude vê-lo numa maquete na loja, mas eu queria mesmo visita-lo por dentro!

Então depois de muito catar pelos corredores laterais onde ficam as portas para as bancadas, cheguei à grande porta lateral, a sir Alex Ferguson Stand, onde fica o museu. Estavam 2 homens muito simpáticos à porta, que depois percebi que eram guias do estádio.

Dirigi-me a eles, eu queria visitar o estádio, mas tinha deixado a carteira na moto, do outro lado, junto da porta principal. De onde era eu? De Portugal! Fantástico! Quanto tempo tinha para visitar o estádio? Pouco! Sem problema, era só ir buscar a moto para ali e eles me fariam uma visita guiada cirúrgica, aos pontos mais importantes do estádio, sem que eu tivesse de demorar toda a hora e meia da visita que os chineses estavam a fazer! Genial!

E assim foi, trouxe a moto até à porta, um segurança veio-me receber, guardou-me o capacete e tudo, e eu fui visitar aquilo tudo como visitante VIP, sozinha com um guia e com tarifa reduzida, enquanto os chinocas andavam em bandos de muitos. Eu podia vê-los do outro lado do campo enquanto eu estava na bancada VIP!

O meu guia era simpático, contava histórias interessantes e fazia-me perguntas também. Apanhei-o numa foto!

Ele ofereceu-se para me fotografar também. Parecíamos velhos amigos!

O espaço amplo de um estádio sempre provoca em mim uma sensação forte, de pequenez, quase de êxtase! Se juntar a essa sensação o mítico do local, então entende-se melhor o mundo de sensações que passou por mim, ali!

Então depois veio o museu… toda a história de um grande clube e um grande estádio em infinitas memórias!

E lá estava o Ronaldo…

E as taças aos milhares!

Quando saí parece que caí num outro mundo!
O segurança veio trazer-me o capacete e pôs-se ali à conversa comigo.

“So you’re portuguese? Oh Ronaldo, Ronaldo, come back please!” Dizia ele!

Perguntou-me onde ía eu a seguir, disse que ía para Liverpool. O homem ficou alarmado

“Don’t go! Don’t go to Liverpool! Liverpool is shit!”

Oh valha-me Deus que a rivalidade futebolística não era para aqui chamada! Expliquei que ia a ver a cidade, que não ia ver os seus estádios e seguiria para sul, para Cardiff.

“Cardiff is too far, too many miles away from here, go straight to there, don’t go to Liverpool, Liverpool is shit!”

Adorei a conversa do homem, dizem que os ingleses são pouco expressivos mas há momentos em que o são e muito! Adoro-os!

E fiquei com uma fita muito bonita de Manchester como recordação daquela visita que adorei!

(continua)

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s