8. Danúbio 2016

06.08.2016 – Passau

Olá mundo!
Depois de dois dias gélidos e molhados, a chuva parou, o frio suavizou e estou em Passau na Pousada de Juventude que fica no castelo, depois de uma subida íngreme que parecia uma parede pavimentada! Vou dormir como uma princesa ❤
Beijucas mil

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08.08.2016

Hoje a minha Negrita desenhou uma infinita capicua ao passear pela Eslováquia!
Parabéns para ela! ❤

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Momentos de ontem, a caminho de Bratislava!

Eu e ela numa selfie, algures, pela Áustria!

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Coisas inesperadas que me ocorrem na estrada… 1
Depois de um passeio pela cidade de Nitra, volto para onde deixei a moto e… não a vejo! Credo, ela não está lá!!! Sinto um calafrio a percorrer todo o meu corpo. Tanta moto e a minha… ups, por uns segundos eu não vi a minha moto prateada, porque ela não é prateada nem é a Pan! Lá estava a Negrita toda reguila no meio das outras à minha espera…
Mas eu morri por uns segundos!

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09.08.2016

Bom dia mundo!
Li por aqui que há muitos incêndios pelo nosso país por estes dias… Li também que na minha terra um grande incêndio pós casas em perigo…
Como está tudo por Penafiel?

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Vou almoçar, Budapeste que espere por mim! — emKomárno.

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09.08.2016 – Budapeste

Cucu
Estradas fantásticas para fazer de moto com florestas frescas e paisagens lindas, uma aragem refrescante e aldeias, vilas e cidades encantadoras! Que se lixem os documentos da moto, o que já vivi ninguém mo tirará! 😀

*

Viajar com uma moto não é a mesma coisa que ir ao café ou dar pequenas voltas com ela. Viajar sozinha com ela, então, é algo de muito intimo. Imagine-se então uma primeira viagem com uma moto nova, diferente e meio desconhecida! Por algum motivo, seguramente a falta de prática no uso do controle de tracção, senti-me insegura em estradas de montanha com curvas em cotovelo, anoiteceu e percebi que nem via as curvas. A luz da moto era ‘curta’ e eu tinha de ir descobrindo a curva à medida que a minha luz a ia alcançando. Felizmente não estava só e o Filipe Marques foi o meu apoio e salvador. Elevou-me os médios e foi acompanhando a minha adaptação e conquista da confiança na moto. Hoje está tudo superado e parece que sempre conduzi esta moto. Ela reage de uma forma quase humana a cada movimento do meu corpo e só apetece conduzir o dia todo, curvas, retas, subidas ou descidas e mesmo em piso aventura!

Obrigada Filipe por teres estado comigo nesses momentos meio bizarros no inicio desta viagem!

Boa viagem para ti (y)

*

  1. Desta vez cheguei a Bratislava de dia, depois de caminhos encantadores feitos de subidas e descidas harmoniosas por entre florestas frescas e verdejantes! Então, de repente, ao longe o castelo apareceu, por cima dos campos cultivados, como se nada mais houvesse para além dele em toda a cidade! Parei abruptamente e fiquei a apreciar aquele momento irreal, e quase segui caminho sem me lembrar de captar o que me fizera parar!

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10.08.2016 – Vukovar

Cucu!
Uma enorme nuvem mijona, que cobria todo o céu, perseguiu-me todo o caminho, desde Budapeste até aqui! Mas eu fui esperta e a Negrita ladina, e consegui ver tudo o que queria e chegar cá a seco! Logo a seguir desatou a chover e está o maior temporal agora.
Agora vou mas é jantar e deixar a nuvem a passar-se sozinha lá fora.

*

O meu passeio nocturno de ontem foi assim!

  1. Há momentos assim, quando chego a uma cidade cheia de coisas que quero ver ou rever, e não me apetece sair! Enfio-me no hostel, sou bem recebida, tomo um duche e fico estendida na cama sem nada fazer! Eu sei que é quase criminoso não sair, mas simplesmente não me apetece! Então anoitece e eu levanto-me de um pulo, pego na moto e vou passear no escuro! E que bem que sabe ver Budapeste de noite, quando o enxame de turistas a deixou quase vazia para mim! Os quilómetros que eu fiz passeando ao longo das margens do Danúbio, pela noite dentro….

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Estou toda contente, o livrete da Negrita chegou hoje a minha casa, bem a tempo de ficar lá à espera que eu volte de viagem! (Y)
Entretanto pediram-me hoje, pela primeira vez, os documentos, ao passar a fronteira entre a Hungria e a Croácia! Saquei do passaporte, onde tenho dentro: a minha carta de condução, a carta verde, a tradução dos dados da moto, o meu BI e mais uma série de inutilidades. Ao verem tantos papeis, mandaram-me seguir, sem nem se darem ao trabalho de ver aquilo tudo, afinal eu sou europeia!

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Coisas que vou descobrindo no meu caminho!
A câmara, ou junta de freguesia (prefeitura para os brasileiros) que funciona numa antiga igreja, em Kakasd na Hungria!

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11.08.2016 – Belgrado

Coisas inesperadas que me ocorrem na estrada… parte 2!

Depois de explorar Vukovar, consultei os meus planos para o dia. Tanta coisa que eu queria impreterivelmente ver e uma bosta de tempo a preparar-se. Incompreensível como tudo o que queria ver era tão longe! Como pude fazer planos para tão grandes distâncias? Segui para o primeiro sítio que queria ver, com o tempo a agravar a cada quilómetro. As placas a indicar Belgrado estavam por todo o caminho e o meu destino era ainda tão longe!!! Desatou a chover quando passei por uma enorme cidade, nem vi qual era no meio do transito e de tanta agua e nevoeiro no ar. Mas a duvida instalara-se, então parei numa estação de serviço e sim passara Belgrado! Na realidade eu vira mal os meus planos e estava a correr para a etapa seguinte, que terminará em Vidin! Resultado, não perdi nada, pois não havia nada de especial que quisesse ver até cá, e cheguei ao fim do meu caminho para hoje ao meio dia! Só me ria de mim mesma, toda triste porque o tempo não me deixaria ver coisas que tanto queria e que estão afinal no meu caminho de amanhã! 😀
Ah, e amanhã vai estar sol! (y)

*

Vukovar… quanta gente morreu ali hà tão pouco tempo….
A torre de água permanece como um marco a lembrar uma história de terror!

 

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Hoje, o Danúbio em Belgrado! ❤

 

  1. Voltei a Belgrado. E por entre chuva e nevoeiro, com o frio a ameaçar regelar-me os ossos, fui ver o Danúbio, afinal era cedo demais para me apresentar no hostel onde dormirei! E o rio estava cheio de cisnes! Moviam-se em grupo ao mínimo sinal de movimentação na água. Percebi que procuravam comida e atirei algumas pequenas migalhas do meu pão. Vieram todos tentar apanha-las. O espectáculo era lindo, mas eu não iria atirar todo o meu pão para o presenciar e eles acabaram por se desinteressar de mim, seguindo a sua busca a cutucarem-se uns aos outros, aqui e ali. Um momento inesperado na margem do rio que me trouxe cá!

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12.08.2016

 Belgrado, no mesmo sítio onde no ano passado estive e não conheci a senhora que me seguira na Internet. Desta vez conhecemo-nos e falamos horas sobre mim, sobre arte e sobre a história do pais e paises vizinhos, da guerra e da paz nos Balcãs. Foi uma estadia incrivel deixa amizade para quando cá voltar a passar! ❤ Miss Depolo Guest house.

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– Vidin

Cucu
Passei fronteiras e mais fronteiras, fui à Roménia e voltei à Sérvia, segui para a Bulgária e já nem sei quantas historias contei! A que mais enternece os guardas é a de que perdi o documento da moto e mandaram-me um papel provisório de Portugal pois demora um mês a fazer um novo livrete. Perguntam-me (pela milésima vez na minha vida) pelos meus amigos, eu faço um arzinho de patinho perdido, digo que estou sozinha, e deixam-me passar!
Que assim seja sempre!

*

Choveu muito esta noite e, de manhã, a minha bonequinha teve direito a tratamento especial! Não fui só eu que fui tratada como uma rainha, ela foi tratada como uma princesa! 😀

25-a

O meu livrinho de viagem conta uma história que ainda está meio por acontecer e merece sempre bastante atenção quando o mostro!

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Desta vez conheci toda a família!
Cá estamos, hoje de manhã, as 4 meninas: Eu, a minha Negrita, a dona da casa e a filhota! Gente boa (Y)

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Danúbio verde!

  1. O rio Danúbio acompanhou todo o meu dia de viagem hoje e foi revelando recantos seus que são encantos. Do outro ladro fica a Roménia, deste a Sérvia e as margens erguem-se quase em fiorde, provocando enquadramentos fantásticos. Ele é lindo em toda a sua extensão, mas aqui vai-se tornando verdadeiramente encantador. E se, na Áustria, inspirou Strauss para criar a valsa “Danúbio azul”, na zona onde ele ainda é afinal acastanhado, aqui ele é já esmeralda, como se o caminho que percorre o tornasse translucido e mais belo a cada quilómetro que percorre!

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13.08.2016  Dve Mogili.

 

Coisas que me acontecem em viagem, parte 3!
Eu adoro os búlgaros!
Não falam nada que eu entenda, mas fartam-se de falar para mim. Ando numa estrada deserta há quilómetros, posso ver que não vem ninguém. Paro para tirar uma foto, aparece um camião, um carro de família e a seguir um trator!

‘problem?’ pergunta um e depois o outro e o outro ainda!

No problem, só parei para coçar o rabo!

‘all ok?’ insistem!

Sim sim, já cocei o rabo fiquei muito melhor!

‘where you?’

Portugal! ‘WoW!!!’
Sempre a mesma conversa, eles sabem pouco inglês, mas é tão suficiente!

 

( Eu brinquei ao contar a história, mas ninguém imagina o quanto eu apreciei cada conversa que tive a cada vez que alguém me abordou! Aquece o coração a simpatia das pessoas!)

*

Números giros que a minha Negrita vai desenhando ao longo do caminho! Isto foi anteontem, porque hoje desenhou outros mais interessantes!

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Chipul lui Decebal.

Disse eu à minha Negrita:
“não olhes agora, mas acho que o monte está a olhar para ti!”
E não é que estava mesmo!! 😀

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14.08.2016 · Ruse, Bulgária ·

Ruse, as empregadas são tão giras aqui e vestem vestidinhos vermelhos tão pequeninos e sexys!

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14.08.2016

Cucu!
Cheguei ao fim do Danúbio e ele está por todo o lado, num delta sem fim!
Vou jantar e beber um copo em sua honra e outro em homenagem à minha Negrita, que me trouxe tão bem até aqui!

*

  De regresso à Roménia!
Por ruinhas e ruelas, estradas infinitas que levam a povoados minúsculos e decrépitos, muito piso aventura, onde a minha Negrita deixou todos os carros para trás e gente simpática na fronteira, que nem questionou a minha história de ter perdido o documento da moto e simplesmente me deixou entrar!

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Passeando ao entardecer!

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Boa noite mundo
e até amanhã! ❤

 

  1. Cheguei ao delta do Danúbio e, depois de quilómetros de paz e serenidade, uma grande cidade me esperava! Tulcea estava cheia de gente e eu nem conseguia passar quanto mais ver o sol a pôr-se por trás daquilo tudo! Segui para o hotel, que sabia ficava mais à frente, sem nada entre ele e a área protegida. Ali deveria ser o sítio e o momento certo para ver o sol pela última vez antes da noite! Enganei-me… a tubagem tão típica por cá, aquela que sobre e passa por cima de tudo, bem na berma da estrada, ficava bem ao nível dos meus olhos! Parei a moto na berma da estrada, pus-me de pé em cima dela e fotografei-o, bem na hora em que ele começava a desaparecer no horizonte… Ficou como calhou, mas marca o momento do meu pôr-do-sol no delta!

— em Delta do Danúbio.

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E cheguei ao fim do rio Danúbio…

 

(mas a viagem continua!)

 

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