Arte actual

 

 

O artista actual confronta-se com um problema que põe em causa uma definição do que é a arte. A partir do momento que, no inicio do século, se abolem todos os sistemas de significação em que a politica, a religião, a ciência são questionadas quanto à sua veracidade em termos de conceptualização e interpretação da realidade, deixa de haver uma “autoridade” em termos de retenção da verdade e como fio condutor de toda a esfera cultural, para se estabelecer uma espécie de crise de valores para os quais cada qual adianta as suas opções, os seus juízos de valor, no fundo a sua própria realidade.

 

Se, à partida, a esfera cultural é questionada invertem-se os termos dos conceitos de verdade, passando agora pela necessidade de reformulação das suas próprias premissas.

 

A racionalidade do homem é, pela primeira vez, posta em termos de dúvida, o que significa uma crise da razão e consequentemente a dissolução das certezas absolutas.

 

A consciência acerca da realidade é agora, não um todo possível tornado consciente, mas uma multiplicidade de “formas” sobre as quais o indivíduo especula e oscila.

 

É quando os movimentos contestatários, de que o movimento feminista é um exemplo, reivindicam o direito ao seu reconhecimento enquanto elemento activo e integrante do seio das sociedades, surgem novas formas de alteridade, passando a esfera social a ter em conta novos dados adquiridos pela integração dos mesmos no funcionamento em todas as esferas da sociedade.

 

A individualidade reafirmada através da forma de consciência do seu próprio eu (do individuo), determina um aprofundamento do conhecimento que tem em conta o individuo como uma totalidade, em que a acção é determinada pelo seu próprio psíquico, o superego e o ego ou parte consciente. É a acção destes dois elementos conjugados que interfere no campo das actividades humanas. É a fragmentação total, quer ao nível do indivíduo, quer ao nível da sua actividade produtiva, quer ao nível dos conceitos.

 

QUESTIONA-SE O DISCURSO E A LINGUAGEM

 

Isto tudo para dizer que o conceito de arte oscila assim, entre os pressupostos históricos e a nova abordagem do objecto. As vanguardas de que os Dadas são exemplo reclamam a morte da arte numa atitude face à derrocada das ideologias históricas.

 

As suas altitudes pretendem uma concretização do que teoricamente defendem, elevando simples objectos do quotidiano a categorias estéticas. Uma vez mais o próprio sistema absorve este tipo de altitudes, integrando-os e tornando-os obsoletos.

 

A burguesia adquire esses objectos, o que, em si, constitui a atribuição de um valor inerente à própria arte.

 

O que se fez ao longo destas décadas foi, precisamente, tentar encontrar um sentido para a arte e todas as vanguardas, através dos seus movimentos representados por certas individualidades, tentam responder a esse impasse.

 

Os Dadas, os Neo-Dadas, o Expressionismo Abstracto, a Nova Abstracção, Minimal, a Land-Art, os Action-Painting, os Happenings, são todos eles respostas através de caminhos próprios, à crise de significação. Responder ao que é a arte, qual o seu papel, o que constitui objectos estéticos é, todavia, uma questão que se foi transformando ao longo do tempo.

 

Os materiais a utilizar, os suportes, os temas, as construções de processos, são sempre suportados pelo conjunto de teorias mais ou menos simplistas acerca da criatividade. O que está sempre subjacente a estas atitudes é a tentativa de resgate às possibilidades da arte.

 

O Sr Joseph Beuys, que quando a mim é um artista total, uma vez que passa um pouco por todos esses movimentos artísticos, aponta que toda a gente é artista, o que significa dizer que tudo o que o Homem produz é arte ou vice-versa.

 

Partindo da ideia de que a matéria caótica é transformada, ordenada resultando em objectos de arte.

 

(Continua)

 

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