14. Marrocos 2012 – Uma luta sensual na lama com a minha Magnífica!

(ainda o dia 6 de Abril de 2012 – continuação)

Estava na hora de sair da Medina e voltar para as motos para seguir viagem! Ainda fui pondo o olho aqui e ali, ao passar numa das portas da Mesquita. Era uma das portas das mulheres!

Mais à frente uma escolinha de uma sala apenas, com um grupo de miúdos, aparentemente minúsculos demais, cantarolava uma cantilena tipo tabuada de antigamente! Cantavam a lição!

As mesquitas e as suas torres, são tantas naquela Medina!

A Medina das 15 mil ruas, das 150 mesquitas, das 500 mil pessoas…

Voltamos a sair por uma porta invisível, havia gente “estacionada” por todo o lado.

Pregamos nas motos e seguimos para a tarde mais louca desta viagem!

A Medina está por todo o lado, demos-lhe a volta por fora, por boa parte dos seus muitos quilómetros.

Fes ficou para trás, lá em baixo, como uma manta sem fim!

Olhando atentamente podia-se ver a Mesquita e os milhares de telhados numa manta espetacular!

E saímos da cidade e partimos para a nossa aventura!

As paisagens são verdes por ali acima, com pormenores espantosos.

As estradas e as curvas eram extraordinárias!

As casinhas por aquelas paragens são lindas. As paredes são brancas e os telhados de colmo coberto com argila, provavelmente para os tornar mais resistentes aos ventos e intempéries!

A paisagem continuava a mudar e a apresentar-se cheia de beleza!

Estava finalmente sol, a paisagem era linda, que mais faltaria num dia perfeito para viajar?

Então encontramos a primeira ponte que vi na minha vida, de terra batida e com buracos e poças de água!!

Chegamos a Karia Ba Mohamed, uma terrinha simpática onde pararíamos para recuperar energias!

Ora lá estava a carninha ao penduro, mesmo à mão de escolhermos o que comer!

Este assador não é um assador qualquer, como parece à primeira vista! Há ali um interruptor que faz com que se ligue a ventilação! Primitivo, primitivo, mas não necessita de abanico!

Custou um bocado convencer o homem que a costela mindinha da vitela se pode comer assada na brasa! Ficou meio incrédulo e, meio contragosto, lá a cortou e assou e a gente comeu de boa vontade! Só é pena eles passarem tanto a carne, se bem que ali é aconselhável que o façam, por uma questão de desinfeção!

Pelas carinhas larocas dá para entender que estava tudo contente!

E lá pegamos de novo nas motitas para seguirmos para aquela que seria uma luta sensual na lama mais as nossas montadas! E digo sensual porque tudo foi feito com muito carinho e cuidado!

Tudo começou pelos preliminares, de paisagens lindas e suaves, inspiradoras!

Estradas lindas ladeadas pelas belas paisagens!

Recantos surpreendentes de paraíso!

E então começou o caminho das manobras carinhosas, cuidadosas e deslizantes!

Cada pedaço de alcatrão ou terra batida lisa, era uma pequena versão de autoestrada espetacular!

Junto dos percursos de condução delicada e criativa!

Ainda não sei como consegui tirar a mão do volante e fazer algumas fotos!

A paisagem era muito interessante e, a cada vez que a gente parava, valia a pena olhar em volta!

Nesta altura já batizara a minha motita como Pan-Marrokian ST-A (A de adventure!)

Aqui já quase toda a gente tinha experimentado o banho de lama, a minha Magnífica teve o cuidado de se reclinar ligeiramente sem deixar que eu me sujasse! Muito delicada nesta luta na lama, por isso uma luta sensual!

O Elísio conseguiu sair ileso! Dançou, estrebuchou, mas não caiu! Grande e fiel amigo da sua Nº 2, já batizada e FJR-A (A de adventure também!) pois era uma das que se estragaria tristemente se tivesse ido ao chão. Grande Elísio!

Vimos carros e furgões deslizarem de lado em toda aquela lama! Porque não podíamos nós deslizar também?

Eu estava preocupada com o pneu da minha motita, mas a lama não parecia deixar que ele perdesse ar! E lá fomos seguindo!

O que vale é que eramos muitos e ajudávamo-nos uns aos outros… quanto mais não fosse com apoio moral!

E não conseguia evitar de por o olho à paisagem envolvente!

Enquanto a estrada melhorava consideravelmente até parecer uma estrada de luxo perto do que já se vira!

Oh pr’a eles a curtir a estrada todos contentes!

Então, quando a gente pensava que tinha chegado ao paraíso… a brincadeira recomeçou!

Aquela lama era tão fininha e escorregadia que as motos tendiam a andar de lado, mesmo quando a gente ficava parada! É no mínimo estranho sentir uma moto de 300 quilos deslizar de lado!

O João foi o herói da tarde! Aquele que apoiou cada luta de lama, cada par amoroso de moto/condutor! Grande João, se não fosses tu, acho que ainda andava por lá à espera que aquela lama secasse e se convertesse em terra!

Encontrei uma foto no meio das fotos do Luis de um dos momentos em que o João me apoiava na travessia do lodo “Ai que eu não consigo” era a única coisa que eu conseguia dizer ao sentir a Magnífica a rabear e a querer estender-se na lama “Não me abandones!” dizia eu para o João, pois tinha a certeza que e ele me deixasse naquele momento eu não seguraria mais a moto! Eheheh
Que episódio!

Então o Correia, que se tinha revelado um grande acrobata de duas rodas, com uma condução irrepreensível, escolheu a melhor poça de lama e, por sinal a ultima, para se estender mais a sua querida Ângela!

Não havia condições, os pés escorregavam, as motos deslizavam, fazíamos todos SS artísticos por ali e lá vinha o João segurar cada moto, como quem segura a traseira da bicicleta para ensinar as crianças a andar de bicla!

Grande João! Quando voltar a entusiasmar-me com uma luta sensual na lama com a minha Magnífica não me posso esquecer de te convidar, por via das dúvidas!

Neste momento os nativos da localidade a que chegávamos vieram em nosso socorro e aconselharam-nos a seguir outro caminho… pois seguir em frente não era bom caminho!

Sábio conselho e vindo na hora certa! A partir dali o caminho era lindo e muito bom, em comparação!

Oh que paraíso! O cascão de lama nos meus pés até começou a secar e a querer caír!

Até já apetecia e dava para brincar!

Paramos finalmente para avaliar a situação e limpar as unhas!

Quem diz limpar as unhas diz lavar a moto do Tonica e o Tonica!

Um dos senhores da estação de serviço sacou da escova e do balde com detergente e toca a esfregar o lodo da metade mais criativa do Tonica, aquela que fizera o banho de beleza na argila!

Carros para lavar? Esperam na fila que isto agora está ocupado!

Eu acho que toda a gente tinha vontade de fazer companhia ao Correia, mas faltou a coragem de arriscar a testar fatos de chuva!

E chegamos ao nosso refúgio daquela noite, onde fomos recebidos com conforto e simpatia!

As minhas botas estavam lindas e eu não tinha outras para calçar!

Havia bolinhos e chá de menta para todos… menos para mim, que não gosto nem de uma coisa, nem de outra!

Foram-nos servidas tajines deliciosas e quentinhas, que isto de andar a rolar e a rebolar na lama faz uma fome danada!

O que eu gosto daquela comidinha! Acho que vou ter saudades!

E nem faltou o vinhinho de Portugal, que alguém deixará lá no restaurante e que o senhor muito gentilmente nos ofereceu!

Ui, e pude tirar a duvida e concluir que tajine acompanhada de um bom vinhinho é mesmo a delicia perfeita!

Depois foi o fim de mais um dia, com direito a lavagem de botas no lavatório e a uma noite muito bem dormida, depois de um longo dia!

E foi o fim do 8º dia de viagem

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13 thoughts on “14. Marrocos 2012 – Uma luta sensual na lama com a minha Magnífica!

  1. Fotos como sempre espetaculares, mas, essa passagem pela lama foi mais uma aventura ao bom estilo africano.
    Deve ter sido peneoso passar esse troço de estrada, mas é estranho que com um dia solarengo a lama já devia ter secado.
    A lavagem deve ter sido um dos momentos hilariantes desse dia.
    Beijinhos

  2. Olá Gracinda.
    Mais uns minutos bem passados por aqui. Obrigada por todos eles!
    Fotografias espectaculares, com uma beleza lindíssima.
    Toda uma aventura essa luta sensual na lama! ehehehe… 😀

    Adorei! 🙂

    Beijinho

  3. Estão todos de parabéns pela travessia!
    Não é nada fácil “navegar” com uma Pan no meio da lama, se já mesmo em terra elas querem patinar!
    O Sr Correia teve menos sorte mas tudo está bem quando acaba bem!
    E eu que pensava que Marrocos era só deserto…

    • É verdade!

      Fazer aqueles caminhos de Pan é muito criativo! E nas fotos não dá para ver quantos quilómetros foram, pois, que aquilo durou horas! eheheh

      Esta viagem foi cheia de coisas inesperadas para um pais de calor e deserto, heim? 😀

  4. Não quero ser repetitivo, mas as tuas fotos são mesmo especiais, revelam a tua forma especial de olhar.
    Este dia foi soberbo, parabéns ao grupo.

    • Obrigada!

      Foi uma aventura para não esquecer!

      A minha motita ainda tem a barriga cheia de cascão de lama. Lavei-a por fora, mas tenho de a levar à oficina para lavar por dentro toda a lama seca que por lá anda ainda! 😉

    • On venais de Fes pour aller à Chefchaouen e c’était un chemin entre Karia Ba Mohamed et Sidi Redouan (60km de chemin!!!), il y d’autres chemins mais nous avons choisi celui lá parce qu’on ne savais pas qu’il etait si mauvais!

      Ma moto s’appelle maintenant “Pan-Marrokian ST-A (A de adevnture)!” eheheheheheheh

    • Obrigada!
      Correu tudo bem no final de contas!

      A senhora da maquina fotografica sou eu?

      Bem, mal acabe a crónica começo a preparar a minha proxima viagem, já é habito faze-lo em Maio, por isso está quase na hora! 😉

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