65 – Passeando até à Suíça 2012 – A Bélgica – Dinant

31 de Agosto de 2012 – continuação

O tempo estava a puxar para ficar uma bosta, mas em viagem não se escolhe tempo para sair! Aliás eu não escolho nunca o tempo para sair de moto, já que saio todos os dias, quer chova ou faça sol!

Por isso só me restava seguir para Dinant ou ficar encolhida na pousada em Liege a ver coisa nenhuma! É claro que passei em Liege, porque ficava no meu caminho, e segui para Dinant, uma cidade que me andava a chamar a atenção pelas imagens imponentes da sua catedral descomunal junto do penhasco!

A aproximação à cidade faz-se passando pela fenda deixada entre o penhasco e uma agulha de pedra.
Há uma lenda sobre aquela agulha enorme que se formou ali, sobre um cavaleiro e um cavalo mágico que, ao fugir de Carlos Magno saltou do penhasco, deu uma patada na escarpa e ela abriu-se formando aquela agulha. A verdade é que os carros mais largos têm de passar com cuidado por ali!

Mais à frente fica a cidade, uma pena que não estivesse sol! Estacionei do outro lado do rio Meuse para observar melhor o conjunto monumental que a imponente catedral faz no conjunto urbanístico, com o alto penhasco atrás! Lindo!

A catedral é dedicada a Notre Dame está tão próxima do penhasco, que é encimado por uma cidadela, que quase se confunde com ele! Temos a sensação de que o topo da sua torre chega lá acima ao forte! Realmente é um conjunto memorável!

Atravessa-se depois a ponte cheia de saxofones decorados em honra de uma série de países, julgo que todos os países da Comunidade Europeia!

Saxofones porque afinal não nos podemos esquecer que Dinant é a terra natal de Adolph Sax, o senhor que inventou o saxofone no séc. XIX, e assim até entendemos melhor o nome do instrumento! 😀

claro que a bandeira portuguesa me saltou logo aos olhos, no meio de todas as outras!

Lá estava ela entre os saxofones de dois países que não eram o nosso!

O nosso estava mais à frente e, como seria de esperar, estava decorado com o mapa mundi, fomos representados como navegadores!

O rio é o mesmo que passa em Maastricht, só que em flamengo chamam-lhe Mass! Passa também em Liege! É grande para caramba, quase 1000 quilómetros de rio!

E lá estava a catedral com a sua torre encimada por uma espécie de coruchéu, que parece um chapéu!

Aquela catedral já sofreu de tudo! Já foi vítima da destruição de sucessivas invasões, guerras e incêndios que frequentemente varreram a cidade destruindo tudo em seu caminho.

A primeira igreja foi construída no início do séc. XII, depois foi um “bota abaixo” e reconstrói, desde desabamentos do penhasco atrás, que levavam consigo parte da construção, que originou a construção gótica, até a destruição da cidade por Carlos, o Temerário, que destruiu tudo e atirou os seus habitantes ao rio!

Depois a catedral voltou a ser destruída na primeira guerra e, mal tinha sido reconstruida, voltou ao chão durante a segunda…se juntarmos a isto tudo a história de água que por ali existe, a cada vez que o rio transborda e alaga tudo, temos de ter uma grande admiração e respeito pelo edifício, como se de uma pessoa heroica se tratasse!

E ela é diferente e única!

Única por dentro e por fora!

Mesmo ao lado há um teleférico para subir até ao forte, no topo do penhasco. Com o tempo chuvoso não apetecia estar a vestir o fato de chuva para ir dar a volta pela estrada, subi direta pelo teleférico e, já que o bilhete incluía a visita ao forte, iria também visita-lo!

E mesmo sem sol as perspetivas da cidade sucediam-se espantosas!

Lá em cima um velhote simpático esperava os visitantes para fazer a visita guiada. Foi uma agradável surpresa porque ele era muito engraçado e falava varias línguas, por isso entendia-se perfeitamente tudo oque explicava! Fiquei a saber imenso sobre a história da cidade e do país!

A “Citadelle” tem origem no séc. XI e fica a 100 metros de altitude, sobre o Rocher Bayard, com uma vista única sobre toda a Cidade.

Então de um terraço voltamos a ver a cidade, numa perspetiva extraordinária!

E o rio

Coisas curiosas que estão no forte: estes barrotes suportaram a primeira ponte de Dinant construída pelos monges no séc. XI. Foram retirados da água em 1952, o que quer dizer que estiveram submersos 900 anos! E ainda a gente acha que a madeira apodrece rapidamente com a água!

A outra curiosidade que adorei, foi uma réplica de uma trincheira bombardeada, isto é, criaram ali o ambiente de uma trincheira que ficou toda torta, depois de receber umas bombas em cima!

Quando o senhor explicou aquilo eu pensei que iriamos ver mais um recanto com bonecos a exemplificar o que se passaria na situação. Mas o que me/nos esperava era algo curioso!

Ao criarem a trincheira bombardeada e torta para um lado, criaram na realidade uma ilusão optica, em que a gente tenta andar direita e não consegue, porque tudo está torto!

Agarramo-nos às paredes e aos corrimões como tolinhos e parece que vamos cair mesmo assim!

Na realidade a nossa posição vertical fica comprometida pois tentamos forçar-nos a andar paralelos às paredes que estão inclinadas!

Foi uma alucinação! Então fecho os olhos e saio dali, porque com os olhos fechados não vejo a casa torta por isso ando direita! Mantenho-me facilmente na vertical e fico a rir-me e a apreciar a figurinha de tolinhos dos outros a tentarem andar inclinados como a trincheira! Uma experiencia que só experimentando se percebe a baralhação que é para o cérebro!

A guerra passou por ali e há lá em cima mais um cemitério militar!

E voltei a descer o teleférico!

E segui para Bouillon, que também tem um castelo mas, honestamente, não me apetecia ver mais fortes, nem castelos nem cidadelas!

Por isso olhei para ele cá de baixo mas fui mas é fazer um pic-nic que o tempo estava ligeiramente melhor e eu queria mas era paz e paisagem!

Na margem do rio Semois havia um clima tão agradável que decidi ficar-me por ali.

(continua)

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4 thoughts on “65 – Passeando até à Suíça 2012 – A Bélgica – Dinant

  1. Olá Gracinda!
    Fiquei uma vez mais encantada pelas belíssimas fotografias que partilhas na tua crónica.
    Obrigada! 🙂
    Continuação de boas escritas!
    Beijinho

    • Obrigada!
      Teria de ter muito tempo para fazer um livro à minha maneira, como eu o vejo e como eu gostaria que fosse! Seria o livro que eu nunca encontrei à venda, cheio de desenhos e fotos e historinhas de viagem e de locais! 😉

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