19 – Passeando pelo Norte de Espanha – Barcelona e a Casa Batlló de Gaudi…

18 de Julho de 2011 – continuação

Apenas a quinhentos metros da Casa Milá, no mesmo Passeig de Gràcia, fica a magnifica casa Batlló, com ares de dragão revestido de azulejo e paredes retorcidas em decorações fantásticas!

Esta casa é a remodelação de um edifício anterior e que o proprietário confiou a Gaudi e que foi executada quase em simultâneo com a Casa Milá, entre 1904 e 1906. Mais de um século depois ainda espanta tantos olhos, imagine-se na época!

Na cidade a casa é conhecida como “la casa de los huesos”- casa dos ossos, devido à sua decoração exterior, sobretudo os balcões com pilares ósseos; “la casa de las máscaras”- casa das máscaras, devido à semelhança das varandas com crânios, “la casa de los bostezos”- casa dos bocejos, porque parece que se abrem bocas e olhos na fachada ou “la casa del dragón”- casa do dragão, porque há um dorso escamoso sobre ela, que desperta o imaginário mais fantasioso! Deslumbrante!

Era o meu dia de sorte! Não havia qualquer fila para entrar na casa!

O Jaky não quis ir visitar, são coisas que não interessam a toda a gente, mas nada me impediria de ir visitar a casa, esperasse quem quisesse! Não hesitei, comprei o bilhete e lá fui eu!

Nos interiores tudo é pensado e projetado com cuidados decorativos extraordinários, tão característicos de Gaudi e do modernismo Catalão, uma variação da art nouveau .

O grande balcão visto do interior é tão extraordinário como visto do exterior!

Lá em baixo o Jaky esperava na seca, enquanto eu me deliciava cá dentro! Como pode alguém ficar à porta de tal construção, sem nem ter curiosidade de a ver por dentro, deixando ela adivinhar a sua beleza pela fachada extraordinária que exibe?

O teto da sala do grande balcão é ondulado em espirais e exibe um candeeiro de teto que produz efeitos de luz muito bonitos!

Há coisas que parecem tão recentes que até põem a gente em dúvida “isto foi feito quando mesmo?”

E sai-se para o pátio da traseira, por portas tão extraordinárias como se fossem principais!

O pátio faz a gente esquecer que está lá atrás, no meio das traseiras de todos os edifícios que para ali dão, de costas para nós, portanto!

E lá está a casa de costas!

Uma coisa que me tira do sério é o descuido que muitos arquitetos manifestam com as traseiras do edifícios que projetam! Como pode um edifício lindíssimo ter uma traseira miserável se a gente também vive com outras perspetivas do mundo, que não a frente de tudo? Porque têm de sujeitar uma população a viver com as traseiras horrorosas dos edifícios que lhes viram as costas?

É um pormenor que admiro em Gaudi, todas as perspetivas de um edifício têm os seus encantos, até as traseiras, até os telhados!

E as grades? As grades fascinaram-me!
Uma versão lindíssima do arame farpado, transformado em belas facas e navalhas, próprias para a conjuntura atual de assaltos e ladroagem, que fariam os ladrões terem de treinar para faquires para passa-las! eheheh

G

O interior do edifício é “oco” em dois profundos pátios interiores, como sempre Gaudi gosta de usar para fornecer luz natural aos interiores.

O efeito é lindo e misterioso!

Tinha de continuar a subir. Boa parte do edifício está fechado a visitas pois é usado para reuniões, seminários e convenções, mas vai-se subindo e vendo o que está a visita.

Na realidade a casa deixou de pertencer à família Batlló depois da guerra civil, quando serviu de reduto a uma série de refugiados. Naquela época sofreu graves danos e nos anos noventa foi restaurada pelos novos proprietários que a abriram a aluger como salas de congressos e reuniões e posteriormente ao público como visitas guiadas por áudio-guia.

Chega-se ao topo do edifício e ao dorso do dragão!

Lá está ele!

Pormenores que eu queria tanto ver de perto, sem imaginar que lhes poderia mesmo tocar!

Ali dentro daquele aglomerado de chaminés fica o recanto da água! E a gente entra e sente a água em nosso redor. Uma espécie de fonte no centro irradia sensações aquosas que se refletem no teto concavo…

Os reflexos movem-se como se a água luminosa irradiasse reflexos de movimento no teto! Uma sensação refrescante e inesperada!

E desci para o interior do edifício em curvas parabólicas que lembram, tal como na casa Milà, o interior de um ser gigantesco adormecido!

Enquadramentos quase lunares!

Perspetivas alucinantes…

a caminho da saída…

A espetacular fachada não deixa ninguém indiferente e faz transeuntes pararem para olhar a qualquer hora do dia.

Há leituras e interpretações das sensações que o edifício provoca em quem o observa mais atentamente! Fala-se da fachada escamosa em múltiplos tons e um telhado com a aparência de um dragão, a cruz de quatro braços em cima de uma torre cilíndrica que surge do telhado que poderia representar o punho de uma espada e as colunas com aspeto de ossos, as varandas metálicas que lembram crânios, levaram a ligações populares à lenda de São Jorge, santo padroeiro da Catalunha.

No final da visita o áudio-guia agradece aos visitantes porque é graças ao dinheiro que pagamos que permitimos que a casa se mantenha perfeita e linda para quem vier a seguir!

Adorei!

Fim do décimo terceiro dia de viagem…

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