20 – Passeando pelo Norte de Espanha – Barcelona e a Sagrada Família de Gaudi

19 de Julho de 2011

Acordei de manhã determinada a que não haveria nada que me impedisse de visitar a Sagrada Família, nem que eu tivesse de passar o dia todo à porta à espera para entrar!Mas era cedo e embora já houvesse fila quando lá chegamos não seria para demorar muito tempo a entrar.

Era a 5ª ou 6ª vez que visitava a grande igreja. Desde a primeira vez que lá passei, e ela tinha apenas as paredes exteriores de pé e todo o seu interior era um enorme estaleiro em terra batida, cheio de materiais de construção, gruas e equipamentos semelhantes, que eu quis acompanhar a obra e tenho-o feito com espaços longos entre as visitas, para sentir mais a evolução dos trabalhos.

Depois que o Papa a consagrou em Novembro de 2010, eu decidi que estava na hora de lá voltar e vê-la sem todos os andaimes dos ultimos tempos no seu interior!

Conhecido apenas como Sagrada Família, o Templo Expiatório da Sagrada Família é deslumbrante! A grande obra-prima do arquiteto catalão Antoni Gaudi, a que ele dedicou grande parte da sua vida, começou por ser um edifício neogótico, pensado por um outro arquiteto, mas acabou por se tornar às suas mãos um edifício espantoso, o símbolo mais extraordinário da arquitetura modernista espanhola e um templo onde tudo é pensado em simbologias de formas, estruturas e luminosidades únicas! Dizem que só estará completo em 2026, quando se comemorará o centenário da morte do grande génio que a concebeu!

E quando entrei o paraíso era logo ali…

Os tetos são sustentados por colunas inspiradas em troncos de árvores que se abrem em galhos espiralados no topo e a distância provocada por toda aquela dimensão faz parecer que o topo está tão perto do céu!

Vertigens que me obrigam a sentar e, sem conseguir tirar os olhos do topo, fico hipnotizada!

Estou no centro do transepto e aquele teto fantástico cruza em cima de mim, lá no alto.

Só me lembro de ficar a olhar para um teto cheia de espanto assim quando visitei a capela Sistina, mas desta vez a hipnose era mais intensa, desta vez o meu êxtase foi bem maior!

O altar fica ali, rodeado de luz e aberturas, com a imagem de Cristo Crucificado pendurado, no meio do vazio, com uma filinha de luzes que o rodeiam… tão leve!

E a nava central é cruzada pelo transepto multiplicando o efeito de cúpula e infinito lá em cima!

Simplesmente não se consegue deixar de ficar ali a olhar para o teto…

Gaudi deixou construída uma “pequena” parte do templo, se pensarmos na dimensão que ele terá quando concluído! Hoje tenta-se completar a obra o mais de acordo com os seus projetos, embora se tenha de criar muita coisa que foi perdida durante a guerra civil e a segunda guerra, incêndios e perdas acidentais do género.

Há arquitetos catalães que defendem que a obra não devia ser concluída para não adulterarem a vontade e o projeto inicial de Gaudi…

Mas, pessoalmente, acho que se há elementos básicos suficientes para se concluir a obra, será melhor conclui-la do que ficar com um resto inacabado de uma obra que entraria facilmente em ruina por causa da exposição aos elementos!

O coro está previsto para suportar coros de 1500 de pessoas! Na realidade ele circunda boa parte do templo como uma imensa varanda!

A nave central ainda não tem os vitrais todos concluídos, mas já é digna de se ver e os efeitos de luz são bonitos mesmo assim!

Apaixonei-me por este templo desde o primeiro momento em que o vi ao vivo e volto a apaixonar-me a cada visita!

Os vitrais já colocados provocam jogos de luzes de cores quentes e frias que prendem o olhar! São espantosos!

O jogo de colunas e luzes e cores é deslumbrante e eu quis ficar ali o resto do dia a olhar…

Cá fora a fachada da Natividade é a mais antiga e aquela que foi construída por Gaudi. Está previsto que entre em restauro quando toda a igreja estiver completa.

Ali são representadas cenas do nascimento de Cristo e toda a fachada parece uma enorme escultura!

Como o arquiteto sabia que não conseguiria construir todo o templo no seu tempo de vida decidiu construir toda uma fachada que desse um rosto ao seu trabalho e incentivasse a continuação da construção. Por isso escolheu a fachada da Natividade por ser mais agradável para a população. E por isso eu acho que está certo concluir a obra pois seria essa a sua vontade!

Por a fachada da Natividade ser contemporânea de Gaudi e a fachada da Paixão ser de construção posterior e porque a segunda é bem menos “trabalhada” e em linhas muito geométricas, há quem pense que esta foi adulterada durante a construção recente! Mas os desenhos originais do arquiteto testemunham que ela é como deveria ser!

As maquetas dos interiores, das colunas, das cúpulas e até das torres estão disponíveis para visita no museu do templo.

E até se pode prever como irá ficar a “porta principal” da igreja! Porque as fachadas já existentes são as laterais! Está neste momento em construção a fachada da Glória e pode-se ver na maqueta como ela será!

Os estudos de Gaudi sobre o “comportamento” na natureza para construção das suas estruturas arquitetónicas pode-se perceber pela maqueta feita de fios e pesos, pendurada no teto, que mostra como é a curva natural das coisas! As tais curvas hiperbólicas que ele sempre usa!

E passamos por baixo da maqueta dos tetos da igreja e quase nos sentimos lá!

Volto à fachada da Paixão dedicada à condenação e morte de Cristo, por isso Gaudi a criou austera, retilínea e fria…

Mesmo as esculturas são geometrizadas, acentuando o frio e triste de cada cena…

Uma visita carregada de sensações, cheia de emoções e repleta de enquadramentos fantásticos em milhares de fotos que me provocam sensações ainda hoje, ao olhar para elas!

Já está marcada a proxima visita para daqui a uns 2 ou 3 anos para ver como vão as obras, já que a ultima vez que lá fui foi em 2008! 😉

(continua)

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2 thoughts on “20 – Passeando pelo Norte de Espanha – Barcelona e a Sagrada Família de Gaudi

  1. Uma obra que só podía nascer da genialidade de um espírito vindo de fora deste planeta, ou então, que por qualquer inexplicável acaso, se conseguiu projectar numa quarta dimensão.
    Fotos admiráveis, Gracinda!

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