23. Passeando pelos Balcãs… – Fui brincar para a montanha!

18 de agosto de 2013

Naquele segundo dia por Meteora eu decidi passear pela montanha ali perto!

Estava muito calor mas, mesmo assim, eu decidi ir! Apenas cometi um pequeno erro, fui passear de calções e o sol escaldante foi desenhando zonas vermelhas nas minhas pernas, ao mesmo tempo que toda a moto parecia escaldar, ao ponto de eu escaldar um tornozelo na carenagem! Dizem que a Pan European aquece, eu nunca dei por ela, o que aqueceu foi mesmo o sol, ao ponto de os plásticos se tornarem perigosos para as minhas pernas brancas e frágeis, que não viam o sol há vários anos!

Comecei por dar uma volta pela redondeza porque simplesmente não me podia impedir de ir sempre ver mais um pouco! Trikala fica ali aninhada junto dos grandes rochedos de Meteora e as casas vão até eles subindo por ruelas íngremes que vão até eles!

Rochedos que parecem paredes enormes, por vezes!

Fui-me afastando, com vontade de ir e de ficar, com aquele paraíso a afastar-se de mim no horizonte! “tenho de voltar cedo para passear por ali logo!” prometi a mim própria!

Logo a seguir comecei a subir, podia ver no GPS uma estrada convidativa e segui por ela! Tudo era tão bonito em meu redor que tive a certeza de que escolhera algo de bonito para fazer!

E começou ali mais uma epopeia com as benditas vacas! Detesto cruzar com bichos que são maiores e mais pesados do que eu mais a minha moto juntas!

A rua era um espanto! Retorcia-se como uma linha num bolso, subindo em curvas espirais encantadoras!

Se aquilo fosse na França ou na Suíça, teria por todo o lado placas a dizer “coll de qualquer coisa” e se fosse na Itália teria também em cada curva uma placa com o número da curva! Como era na Grécia não tinha nada e estava cheia de surpresas! Nem eu imaginava quantas até elas começarem a aparecer!

Ficava como fico em cada passo de montanha que faço, entre o sigo curtindo a estrada ou paro para tirar umas fotos?!

Mas rapidamente percebi que parar a cada curva seria o mais aconselhado, à medida que as tais surpresas foram começando a aparecer!

É que o aspeto irrepreensível da estrada era tão enganador, que ninguém podia prever que a cada passo ela simplesmente tivesse desaparecido e fosse substituída por grandes buracos, ou longos pedaços de terra batida, sempre posicionados em curvas estratégicas e insuspeitas!

Estava em grande altitude e algo destruíra parte da estrada! Ele como que caíra pelo monte abaixo em algumas zonas e outras preparavam-se para cair também!

A minha motita está longe de ser uma trail, mas lá se vai desenrascando se o piso não for terrível e, como a paisagem era deslumbrante, eu lá fui seguindo, esperando que os buracos não fossem tão grandes que me fizessem ter de voltar para trás!

Havia demasiados pedaços de estrada a ameaçar resvalar pelo monte abaixo a qualquer momento!

“Sem problema! Um carro pesa muito mais do que a minha moto e, se eles passam aqui, não há-se ser comigo que a estrava vai cair!” – este deve ser o pensamento dos que arriscam e caem pelos buracos, mas eu lá segui animada por ele!

Enquanto eu fui tirando fotos é porque a coisa não estava nada má!

Mas a verdade é que ia olhando para as curvas em cotovelo cá de cima a ver em que estado estavam! E, claro, foi-se o encanto de curvar “à matador” com o panorama!

Podia ver a linha desenhada pela estrada pelos montes fora, numa paisagem deslumbrante e só desejava que ela fosse transitável para mim!

Muitas curvas desfeitas e manhosos depois, entre ambientes lindíssimos, apareceu lá em baixo uma povoação! Quando vejo uma aldeia penso sempre que a estrada estará melhor a partir dali, afinal serve quem lá mora! Essa ideia animou-me “Boa, vão se acabar os pedaços de estrada ruins e será sempre boa estrada depois!”, mas claro que estava enganada!

A povoação era servida por ruas que mais pareciam caminhos privados, calcetados com pedaços de mármore e eu nem sabia por onde ir, temendo dar comigo a entrar pela porta de uma casa qualquer!

Então acabaram as fotos! O que quer dizer que a coisa ficou bem mais negra!

Dei comigo a passar numa rua muito a pique no meio do povoado! Não sabia se devia seguir ou voltar! Perguntei a uns senhores se podia seguir por ali abaixo! Acenaram-me que sim apontando o caminho com as mãos! E foi horrível!

A rua era tão íngreme que tinha uma espécie de degraus 15cm, tudo em mármore, e fazia curvas e tudo! Não havia como inverter a marcha, só me restava descer aquilo tudo! A moto saltitava de degrau em degrau e eu apenas agarrava o guiador com toda a força para que a roda da frente não abanasse! Se eu caísse ali tenho a certeza que a moto continuaria a deslizar por ali abaixo até bater numa curva ou noutra mais abaixo! Foi então que eu me levantei seguindo de pé para que a moto saltitasse livre do meu peso, para que não batesse com nada no chão!

Então quando eu pensava que estava a chegar ao fim da aventura e que nada de pior podia aparecer, a ruela desapareceu e deu lugar à maior buracada, com direito a terra solta, com cascalho à mistura e tudo!

“valha-me Deus, que eu tenho de seguir para a frente custe o que custar!”

Na realidade naquele momento não poderia voltar para trás pois não me meteria a subir os degraus com a moto, isso era certo! Cheguei ao fim do povoado e o caminho piorava a cada curva, descendo a pique. Estava tão cansada de dominar uma moto de 320kg, debaixo de um sol escaldante, que arranjei maneira de parar um pouco, mesmo com a moto a deslizar pelo cascalho. Uma série de pedrinhas rolaram por ali abaixo empurradas pela travagem da moto!

E tirei uma foto ao fundo do penhasco!

Já se via o alcatrão lá em baixo! Oh maravilhosa visão!

Eu entendi que estava num parque natural perto de Pramanta, mas não consegui entender mais nada! Não há forma de entender grego!

E passei o rio Aqueloo, aquele que já foi venerado como espirito do deus Aqueloo!

A beleza continuava e a estrada não melhorava!

Com quilómetros de estrada em cascalho solto!

E pontes de metal que pareciam autoestradas no meio de tanto pó, escorregadelas e derrapagens na areia!

Cheguei a Arta sem qualquer vontade de visitar o que quer que fosse! A cidade estava deserta e eu morta de cansaço! Meti-me na única esplanada a funcionar e quase desfaleci de prazer ao saborear uma cerveja tão gelada que quase me partia os dentes!

Eu sei que a cidade tem os seus encantos e a redondeza é digna de visita, mas naquele momento eu só queria voltar para Meteora e arrefecer os miolos!

E foi o que fiz, mandei o meu Patrick (GPS) pensar por mim e levar-me rapidamente para Trikala pela autoestrada mais próxima!

Só ao voltar avistar os grandes penedos no fim da rua despertei de uma condução em piloto automático, estava a chegar de novo ao meu paraíso!

A senhora de casa voltou a trazer-me um belíssimo prato de frutos variados, frescos e descascados, que me souberam pela vida, acompanhados pelo resto do vinho gelado que sobrara do dia anterior!
OH, as energias voltaram-me logo, à medida que o tempo arrefecia finalmente um pouco!

E voltei a sair! Tinha de ir ver uma última vez os penhascos ao pôr-do-sol!

Desta vez ainda vi o mosteiro de St George ”Mandelas” encrustado na parede de rocha

É destes mosteiros que os monges não saem facilmente! Alguns não sairão mais até ao fim dos seus dias, pois nem têm mais condições de escalar aquilo!

Era tão reconfortante passear por ali, e voltar a fotografar tudo de novo, pois não se consegue andar por ali sem se tirar um milhão de fotos!

Andavam por ali uma série de “navetes” a passear turistas que paravam nos pontos estratégicos para as pessoas poderem ver o pôr-do-sol! Algumas pessoas pareciam fazer mais festa à minha moto do que à paisagem!

Voltei a encontrar o senhor do dia anterior! Andava de novo na sua motoreta a passar por ali, parava a cada mosteiro, fumava um cigarro, falava um bocado comigo e voltava a encontra-lo no seguinte!

Há brincadeira giras que se fazem por ali, como estacionar a motita num local especial!

Ou apanhar-me a mim e a ela num enquadramento curioso!

E o sol pôs-se e eu fui embora! Tinha sido um dia lindo mas difícil, tinha de comer para repor energias!

No restaurante já me recebiam como se fosse da casa, afinal era a 3ª noite que eu lá ia jantar!

O patrão até me levou a visitar o espaço

Porque estava muito calor e ele estava no assador! Só de olhar para o fogo até me sentir mal!

E foi o fim do 20º dia de viagem…

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6 thoughts on “23. Passeando pelos Balcãs… – Fui brincar para a montanha!

  1. Só tenho uma palavra a dizer ESPETACULAR, locais fantásticos com vistas fabulosas, muito boa reportagem.
    Um dia ainda gostava de ir visitar essas bandas.
    Muitos parabéns pela reportagem e pelas fotos, imagino que foram umas boas centenas delas, mas a que vi gostei muito.

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