17. Escandinávia 2017 – Passeando pela ilha de Sjælland até Copenhaga

9 de agosto de 2017

Os meus passeios pelo país tiveram o efeito de me fazer querer ficar, de não querer sair da calma que tudo me transmitia. Desde sempre que eu quisera conhecer aquele país, embora me falassem dele como um país de ligação.
Os países que não estão na moda sempre me atraem afinal!

Não pretendia percorrer os sítios da moda, mas havia duas ou três coisas que eu queria ver, por isso dispus-me a passear um pouco pela ilha, entre a paz e a multidão.

Claro que o meu dia começaria pela parte da paz, com a bicharada a grasnar no meu jardim! Todos os dias, ao amanhecer, todos os animais da quinta eram postos em liberdade, para comerem e ginasticarem as pernas, e eu podia ouvi-los como um despertador natural.

E a paz começava logo no lado de fora da minha roulotte!

Naquele país a vontade é de deixar a moto rolar pela serenidade da paisagem e isso era o que eu faria de boa vontade até conhecer todos os seus recantos. Mas o tempo não é infinito numa viagem grande, por isso fui até Fredensborg, em busca de palácios e castelos.

O Fredensborg Slot foi uma agradável surpresa.

Sendo o palácio mais usado pela família real dinamarquesa eu esperava encontra-lo atolado de turistas barulhentos, mas não! Havia uma serenidade por ali que me inspirou a passear e ficar grande parte da minha manhã! Havia mesmo muito espaço para estacionar a minha moto junto ao portão!

Tomei a alameda esquerda, ladeada de arvores geometricamente dispostas, até ao lago.

E lá estava o imenso Esrum Sø, um dos maiores lagos da Dinamarca.

Logo ali fica o Nordmandsdalen, algo como Vale da Normandia, um jardim construído no séc XVIII, onde 70 esculturas retratam a população com vestes e utensílios característicos da época.

Retratar a população num jardim real foi uma inovação, ideia do rei ao que parece, pois até então só deuses, anjos e seres mitológicos tinham direito a serem representados em espaços nobres!

Quando voltei finalmente à entrada do palácio já havia alguns turistas por lá, mas a serenidade ainda se mantinha.

A apenas uns 10 ou 11 km dali fica Hillerød e o seu pequeno Slotsøen, o lago que é propriedade do rei e por isso não se pode pescar nem velejar nele, mas andam pequenos barcos turísticos por lá!

E ao fundo aparecia o Frederiksborg Slot, uma paisagem perfeita para um passeio ao som da minha musica.

Por caminhos muito bonitos e bem cuidados!

Senhoras passeiam seus bebés de bicicleta em redor do lago! Que coisa mais bonita que sempre aprecio ver!

Cada perspetiva era um postal ilustrado!

Jovens jogavam à bola nos campos do castelo e as bicicletas amontoavam-se no relvado. Fez-me lembrar quando eu era jovem e ia de bicicleta para a escola e havia rapaziada que fazia troça de mim, porque ninguém usava bicicleta para se deslocar. E eu sempre achava que um dia mais pessoas, jovens e adultos, usariam bicicletas para se moverem… mas enganei-me, o tempo passou e mesmo hoje só anda de bicicleta quem pratica ciclismo…

Em frente ao castelo fica o jardim barroco, inspirado nos jardins europeus da época, que é incontornável, e toda a gente visita e faz fotos por lá.

Eu tinha dado a volta a todo o lago para ir até ao castelo, e tinha valido a pena!

Ok, eu iria explorar o castelo, se houvesse pouca gente por ali entraria para o ver por dentro, mas só se não estivesse inundado de gente!

O palácio é renascentista, do inicio do séc. XVII, e é imponente, o maior da Escandinávia, dizem eles!

Não havia enchentes para a visita, o castelo era lindo e eu ia entrar!

No Palácio funciona o Museu de História Nacional que retrata um pouco da história da Dinamarca com uma coleção considerável de retratos, pinturas históricas e arte moderna.

Mas era o edifício que me apaixonava mais, afinal ali viveram muitos dos monarcas do país! No séc XIX o palácio foi gravemente danificado por um incendio, que obrigou a um profundo restauro. A belíssima capela saiu ilesa desta catástrofe e permanece linda até hoje!

O grande salão é impressionante!

Anda-se por ali a catar pormenores por todos os lados!

A minha paciência e concentração para visitar museus, castelos e palácios é meio limitada numa grande viagem, por isso eu sabia que não deveria visitar muitos mais castelos e aquele ficaria bem na minha memória, pela sua imponência e beleza!

Como o edifício está assente sobre 3 pequenas ilhas, o próprio lago funciona como foço e o regresso a terra faz-se por caminhos que inspiram respeito!

Visto do outro lado o castelo ainda é mais imponente do que visto do lago!

E finalmente segui para Copenhaga!

Registos de viagem – 3

Eu via tantas placas indicando København que pensava “puxa, que terra famosa esta, não me lembro de uma cidade tão importante com este nome!”. Por outro lado a capital nunca aparecia nas placas! Uma cidade mais anunciada do que Copenhaga?! Então fez-se luz! Os gajos chamam cada nome a sua capital ! AHAHAHAH

(in Facebook)

A capital tem tanto de encantador como de “assustador”!

Depois de tão belos passeios pela serenidade do país, chegar a Copenhaga e mergulhar numa multidão constante e frenética, foi o choque total que eu teria dispensado…

Pousei a moto junto à coluna de Lurblæserne, dos tocadores de Lur, na praça da câmara, e dei uma volta em redor.

As ruas estavam cheias de gente, o vento estava forte, decididamente não faltava nada para me chatear!

Pormenores de uma cidade apinhada de gente!

É sabido que grande parte da população do país vive concentrada ali, é sabido também que, como qualquer capital, todo o turista passa por lá e é sabido também que para muito turista Dinamarca é Copenhaga, resultado… enchente e mais enchente…

O transito também era complicado e, na impossibilidade de passar pelo meio dos carros, eu tinha de ficar na fila e pronto! Um canito meteu-se comigo, aparentemente os cães por lá são como os de cá, detestam motos! O dono aproveitou para meter conversa comigo e perguntar-me se era confortável passear de moto ou se fazia doer as costas. Disse-lhe de onde vinha e para onde ia e que não morreria de cansaço. O fulano pareceu animado! Preferia estar no meio do transito numa moto do que num carro, concluiu ele! Pois, também eu!  😉

Havia muitas bicicletas pela cidade também mas, ao contrario de muito ciclista maluco que vejo noutros países, eram civilizados e cumpridores!

Cansei-me da confusão e tratei de ir embora. Afinal no regresso da viagem voltaria a passar em Copenhaga e então teria outra disposição para explorar melhor a cidade. Mas não fui embora sem passar na famosa Den lille Havfrue – a Pequena Sereia!

É mesmo pequena e meio insignificante! Está ali, em cima de uma rocha, junto da margem onde qualquer pessoa lhe pode pôr a mão e fazer selfies, tudo o que os turistas precisam para se amontoarem!


E lá estavam eles à fila!

Por terra e por mar!

Havia mesmo um carrinho de café mesmo ao lado. Aproveitei para tomar um que era mais uma mijoca, mas a menina era muito simpática e deu-me 2 pacotes de açúcar, pois a coisa era amarga como rabo de gato!

Encontrei ali uma das poucas raparigas da minha altura e era um trambolho! Eu não estava preparada para encontrar dinamarquesas gordas e desajeitadas!

Claro que o regresso “a casa” não tinha de ser feito a direito e, depois da trapalhada da multidão, eu estava a precisar de um caminho de paz de novo! Por isso passei em Køge

A cidade tem um centro encantador com casa muito antigas, a mais antiga do séc XVI. Encontrei-a facilmente porque se distingue das outras até pela cor vermelha! Linda!

Mas as casas amarelas são mais populares e são espetaculares, fazem bom contraste com a minha moto!

Embora tenha um ar de terrinha pequena, Køge é um porto imponente e tem o seu centro empresarial importante nas proximidades! Por isso, nunca negligenciar o ar de aldeia que uma cidade pode ter!

Roskilde, foi apenas uma cidade que apareceu no meu caminho e que eu atravessei. Estava deserta e pouca coisa havia aberta.

Teria de voltar a jantar com o pessoal do meu alojamento!

Tão relaxante voltar a conduzir serenamente pelas ruas desertas ao pôr-do-sol…

Amanhã seria o dia de atravessar para a Suécia…

 

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3 thoughts on “17. Escandinávia 2017 – Passeando pela ilha de Sjælland até Copenhaga

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