21. Escandinávia 2017 – Sozinha pelas montanhas da Noruega

13 de agosto de 2017

Aquele dia foi feito de silêncio e beleza, passeando por caminhos sem ninguém mas com toda a beleza que eu precisava encontrar. Havia um destino a alcançar e todo o caminho seria de contemplação da paisagem que surgisse, e ela era ainda mais encantadora do que eu podia esperar!

O dia amanheceu lindo em Evje por isso, pelo menos por ali, não choveria tão cedo!

Foi uma sensação tão curiosa acordar numa casinha de madeira, olhar pela janela e ver a minha motita, logo ali, pertinho da porta!

E de nada se faz muito por aqueles lados! A mais insignificante estrada é lindíssima e pode ter um lago a encanta-la mais ainda!

As casas de cada localidade em cada país sempre me fascinam. Gosto de perceber as caraterísticas típicas da arquitetura, que cores se usam, que materiais, como se protegem ou delimitam os seus espaços. Tudo isso mostra um pouco do povo que estou a visitar!

E quando comecei a encontrar as casinhas de telhados de relva tudo se tornou perfeito!

Localidades inteiras que se camuflavam na paisagem!

E a paisagem era simplesmente inspiradora!

A água é um elemento presente por todo o lado, em lagos e rios profundamente escavados por ela!

Eu não podia evitar de parar a todo o momento para fotografar, caminhar um pouco ou simplesmente olhar!

E foi numa dessas paragens que encontrei um casal de suíços a viajar cada um na sua moto. Claro que deu uma meia hora de conversa. Curiosamente a senhora estava mais espantada com a minha presença solitária tão longe do meu país do que o marido! Ela achava que nunca conseguiria ir até ali sozinha, mesmo sendo a sua viagem muito menor do que a minha!

Pessoalmente eu achava que se estivesse ali com alguém metade do encanto seria perdido! Porque o silêncio, a introspeção e os pensamentos livres dentro da minha cabeça são parte da beleza de cada momento!

Haverá algo mais apaixonante numa viagem do que fazer caminhos deslumbrantes sem ninguém a perturbar-me?

“As casinhas com telhado em relva estão por todo o lado! A tradição vem desde tempos que se perdem na memória, quando os meios naturais eram os disponíveis para proteger e isolar nos gélidos invernos. As casas são isoladas e depois forradas com relva e musgo que lhes dão um aspeto incrível. Por momentos, um olhar distraído quase nem apercebe um povoado ao longe. De perto, parecem construções de brincar. Estas casas inspiraram J.R. Tolkien nas suas casinhas dos hobbit.”

In Passeando pela Vida – a página

Começava a aproximar-me de Lysebotn e o caminho não podia ser mais inspirador!

Por entre “calhaus” gigantescos que tornavam a aproximação do fiord ainda mais fantástica!

Tudo era tão inspirador por ali…

E percebe-se que estamos no caminho dos motards quando as placas estão forradas de autocolantes!

Cada curva do caminho revelava mais e mais espanto!

Mesmo estando o céu a tornar-se cada vez mais cinzento, a visibilidade não se estava a perder

Então cheguei ao topo do fiorde!

Eu podia ver a estrada que o desce no meu GPS

As perspetivas sobre a estrada não eram as melhores e percebi então porque as fotos da estrada que aparecem na internet são aéreas e longínquas, porque de perto pouco se vê!

E lá estava o imenso abismo!

Depois de um relaxado café com aquela fantástica paisagem como fundo, fui divertir-me para o passo de montanha, parando aqui e ali para dar uma olhada à paisagem e aos recantos no seu percurso.

Que coisa linda cada curva daquele caminho!

E o desenho do GPS era tão inspirador!

Lá no fundo tudo era paz!
Percebi que não poderia apanhar o ferry pois só chegaria às 6.30 horas da tarde e eu não iria ficar ali toda a tarde à espera, por isso sentei-me no cais a apreciar o momento e a paisagem, com o meu picnic e o meu livrinho de desenhos até voltar a vontade de apanhar a estrada.

E voltei a subir tudo de novo para voltar para o mundo de pedra lá em cima.

Tinha o dia todo por minha conta, por isso parei as vezes que quis, subi e desci para curtir a estrada e voltei a parar para fotografar! Parecia uma criancinha feliz num parque de diversões!

E voltei a deliciar-me com a estrada cá em cima!

Quantas fotos tirei por ali fora!

Estes momentos foram dos mais intensos de toda a viagem, pela beleza agreste que eu aprecio tanto e pela sensação de espanto que provocava em mim a todo o momento e por isso eu quero lá voltar!

Claro que as casinhas com telhados relvados continuavam na minha mente e sim, havia muitas mais!

Tão lindinhas!

“Não sei quantas vezes parei a olhar a paisagem, por entre rios montes e lagos, como se nunca fosse suficiente cada perspetiva nova que encontrava. Então as casinhas de telhado de relva começaram a aparecer a todo o momento, meio camufladas no meio da natureza e eu não conseguia continuar a avançar! Não importava mais tudo o que eu poderia ver por ali, apenas o encanto de cada momento anónimo era suficiente para me fazer ficar, infinitamente a olhar…”

In Passeando pela Vida – a página

Tão bonito passear por ali, por uma das sequencias de estradas e paisagens mais bonitas que percorri até hoje!

E cheguei a Rysstad, com a sua Sylvartun, uma casa cheia de historia preservada como uma peça de museu.

Tão encantador o conjunto de casas de madeira! Claro que aproveitei para ver tudo de perto, desde as madeiras até à erva no telhado!

Claro que andei a passear no meio das casas cabeludas, eu tinha de as ver de perto!

Nunca encontrava ninguém na rua, por isso o que eu fazia era apenas da minha conta!

Mesmo passear pelos relvados irrepreensíveis das igrejas!

Acho que as igrejas naquele país são todas revestidas a madeira lacada de branco!

Revestidas de madeira ou construídas com ela, porque por dentro tudo é medeira também!

As cruzes no meio da relva foram uma novidade para mim! Não será fácil manter visível uma cruz que teima em desaparecer no meio da relva a toda a força!

E a paisagem era feita de um imenso muro de pedra, para lá de mais um rio!

A cada vez que passava por um conjunto de casinhas cabeludas, voltava a parar e a ir vê-las de perto!

Séculos de madeira impecável, ao mesmo tempo que há casas de cimento que não se aguentam e caem!

Os ancestrais palheiros que deram origem à forma que os modernos ainda conservam!

Estava na hora de ir para casa e fazer um jantar simpático, sentar-me no pequeno alpendre e apreciar o anoitecer!

Fui levantar dinheiro para ir às compras, estava com curiosidade de ver como era, pois até ali não o vira, tinha pago tudo com o cartão!

Mas as coisas não correram como eu esperava! Pude comprar tudo o que precisava para fazer o meu jantar menos uma inocente cerveja. Fiquei a saber que só poderia comprar bebidas alcoólicas até às 6.30 horas da tarde, como se uma cerveja me fosse arruinar o cérebro com uma bebedeira monumental! Pronto ok, comprei sumo e café solúvel e pronto, tinha de me entreter com algo! Aqueles noruegueses fizeram-me lembrar os irlandeses com as limitações na compra de álcool!

Tanta coisa que ficara por ver, mas tão gratificante fora aquele dia, o dia em que acrescentei mais um pedaço de encanto às minhas memórias…

Amanhã iria seguir para Bergen…

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