20.Islândia-Ilhas Faroé-Noruega

Streymoy e Eysturoy, as grandes ilhas 

18 de agosto de 2019

Eu sabia que iria acabar por dar comigo a suplicar por um pouco de sol, e pronto, era essa a minha condição!

A primeira coisa que eu fazia de manhã era gatinhar para cima do meu muro de relva e olhar o horizonte em busca de um nascer do astro rei! Qual rei? Rei que se preze não abandona assim seu reino e seus súbditos!

Lá estava tudo cheio de bruma a parecer fumo branco que escorria pela encosta das ilhas vizinhas! Oh, merda, outra vez?

Sim, eu não estava com o melhor humor, afinal passara o dia anterior e todo o serão a receber mensagens privadas, de uns e de outros, com imagens e links para eu seguir, falando da mortandade das baleias na Ilhas Faroé, e isso já me estava a dar nos nervos!

Será que alguém pensava que eu não sabia da tradição? E, curiosamente, a maior parte das mensagens eram de pessoas que nunca me dirigiam a palavra, nunca interagiam comigo, nada diziam, mas parece que não me falavam mas me viam pois sabiam que eu andava por lá!

Sim, tive de segurar o meu mau feitio para não mandar toda a gente catar-se!

Houve até quem me tentasse pressionar a fazer uma declaração do Facebook a dizer que discordava da matança das baleias… era deprimente pensar que pessoas adultas achassem que eu, por andar por lá, concordava com a tradição, ou acreditassem que uma declaração minha no Facebook fosse algo de útil a fazer-se, como se ela fosse conseguir o que o planeta todo anda a tentar e ainda não conseguiu… Enfim…

Embora o tempo continuasse encoberto não estava muito escuro, o que já era uma coisa positiva. Não deveria chover e isso já era fantástico!

E sim, a cada baía que eu passava lembrava-me se ali seria um dos sítios da emboscada e matança das baleias…

Mas nesta não era. As emboscadas são sempre junto a povoações, as pessoas têm até direito a dispensa do trabalho para irem assistir ao momento de terror.

Aqui era só paz e aguas quietas como espelhos.

Eu vira a catarata desde o outro lado da baía, era alta e sem ninguém em redor.

É quando a gente se apercebe que, quando lê que as Ilhas Faroé são inundadas de turistas, isso não quer dizer que os encontremos por lá aos pontapés! Quer dizer que, com tão pouca população, tudo parece uma multidão e, na realidade, 20 mil turistas por ano não é propriamente uma inundação!

A verdade é que, como na Islândia, eu andava sempre sozinha em todo o lado.

Kaldbak estava tão sozinha como eu, apenas um cãozito me recebeu e me seguiu por todo o lado enquanto eu passeei por lá.

A Kaldbak Kirkja é a coisa mais fofa e uma das mais icónicas das Ilhas ou, pelo menos, a que aparece nas fotos mais encantadoras, com o fiord como cenário de fundo.

É, mas naquele dia o Fiord estava meio escondido e a linda igreja de madeira negra perdera o seu cenário de sonho atrás de um teto de bruma branca.

Mesmo assim era sempre inspirador apreciar a igrejinha com quase dois séculos, rodeada do seu pequeno cemitério relvado na encosta de muros até ao mar.

As casinhas fazem pendant com a igreja e a paisagem verde. Aqueles telhados são espantosos!

Tinha de fazer uma foto da perspetiva icónica com a minha motita a posar!

“Às vezes eu tinha a sensação de que não havia ninguém naquelas ilhas! As casinhas aglomeravam-se em pequenas localidades, as igrejinhas estavam bem cuidadas, havia mesmo flores e sinais de civilização, mas não havia ninguém a maior parte do tempo! De que vivem as pessoas? Onde trabalham? Não sei, mas com tanta beleza em redor devem ser felizes ali! No meu caminho fui fazendo amizade com cavalos, vacas, ovelhas e cães, que era quem por la havia e me dava verdadeiramente atenção, enquanto os habitantes locais se deviam manter recolhidos com o mau tempo! E foi uma exploração cheia de beleza e natureza…” (in passeando pela Vida – a Pagina)

Normalmente eu não gosto de voltar para trás pelo mesmo caminho mas nas Føroyar não há escolha por vezes, porque há aldeiazinhas que ficam no fim da linha, não há nada depois delas. Kaldbak é uma delas

” As cataratas estão por todo o lado, como se todos aqueles montes verdejantes fossem fontes permanentes! E há quedas de água anónimas que, não sendo atrações turísticas, ninguém parece ir ver e são de uma beleza impressionante! Estão assim, na beira da estrada, sem nada que nos impeça de as olhar tão perto quanto queiramos, caminhas até elas, molhar as mãos ou recolher agua para mais uma aguarela. Quantas vezes parei para apreciar o espetáculo que elas davam e sentia-me privilegiada por ser a sua única espectadora…” (in Passeando pela Vida – a Página)

Do outro lado da baía podia-se ver a verdadeira dimensão da catarata, chama-se Týggjaráfoss. Nas Føroyar as cascatas também se chamam “foss” como na Islândia.

Não havia nunca muitos carros na rua, mas sempre que havia, punham-se atrás de mim! Isto deve ser sina minha, pois está sempre a acontecer-me, como quando cheguei ao Cabo Norte, no meio do maior frio, nevoeiro e ventania, sem conseguir ver onde punha as rodas e alguns carros se aproximavam e ficavam estrategicamente atrás de mim! Fosse eu borda fora, será que eles também me seguiriam?

“Devia fazer um poema, não, compor uma canção “I’m a Lighthouse” em inglês até fica fixe! É só vir o nevoeiro e toda a gente fica atrás de mim o tempo todo, e eu que os guie!” (in Facebook)

E eu que não gosto de ter ninguém atrás, para poder parar quando quiser sem ter de fazer muito sinais para avançarem! Caricato é quando eu paro e o carro que me segue pára atrás de mim, como se dispusesse a esperar que eu reinicie a marcha! A sério que me queres obrigar a andar?

Então na berma da estrada lá estava uma fabrica de “telhas”! Tal como eu imaginava, nem sempre a relva é semeada, embora muitas vezes o seja, como eu vira na Noruega. Frequentemente ela é recortada em quadrados e colocada sobre os telhados previamente preparados para a receber.

E logo à frente, lá estava a igreja onde o telhado estava a ser renovado! Fantástico ver como a coisa se processa!

A dada altura quase se deixa de perceber a diferença entre uma baía de mar e uma baía de lago, mas ali, definitivamente era um lago. Eu estava no meio da ilha de Streymoy, a mesma de Torshavn, junto ao Lago Saksunarvatn.

Sem nada entre mim e a água, um passo ao lado e glugluglu!

A partir dali o fio de água que se vê nos mapas, torna-se o riacho mais encantador a caminho de um dos sítios mais bonitos das ilhas: Saksun

Quantas vezes parei para apreciar o momento e ouvir o silêncio apenas perturbado pelo ronronar das águas…

Naquele ponto, mesmo estando com saudades de um belo sol, já nem sabia se todo aquele encanto misterioso não se perderia com a plena visibilidade que ele proporcionaria!

Acho que, quando se nasce isolado, se aceita bem viver isolado. A paisagem ajuda bastante, pois viver ali é como viver dentro de um postal ilustrado, todos os dias…

.. com uma cascata privada a encher a vida de sons inspiradores!

Felizmente a rua estava em ótimo estado e eu não tinha de me preocupar com o sitio onde pousava as minhas rodas, porque a paisagem era muito distrativo!

Então percebi que estava ser seguida e não era por um carro! Preocupa um bocado andares e ouvires os cascos atrás de ti! Pensas “vai tocar na moto e pôr-me ao chão!”

Era um cavalinho negro que se entusiasmou comigo e a minha Scarlette!

Os animais adoram-me! Este cavalinho gostou de mim, seguiu-me até às grades da estrada, depois não conseguia passar, ficou a olhar para mim. Ainda bem, eu tenho algum pavor a animai do meu tamanho, pois num instante me põem ao chão. O bichinho era simpático, mas mesmo sem me querer mal, facilmente tinha atirado comigo de cima da minha montada!

Ah, as benditas grades no chão! A Islândia tinha algumas, mas as Føroyar estão cheias delas, por todo o lado, nas retas e nos desníveis, enormes! A moto treme, escorre e derrapa nelas com a humidade, como se fosse revertidas a sabão! Há que passar sem hesitar ou será o tombo da artista!

Somos logo recebidos com advertências bem claras. É fácil entende porque se encontram avisos destes em muitos sítios das ilhas, os turistas podem ser, por vezes, muito invasivos, na ânsia de conseguir as melhores fotos.

A lei deve ser sempre: olhar mas não tocar, passear mas não perturbar e, no fim, deixar tudo como estava! Quem não é capaz de tanto devia ficar em casa…

Aquelas terras são propriedade privada e há vários relatos de pessoas sobre os problemas que tiveram com o proprietário, porque ele não gosta pisem o que é seu. Curioso as pessoas referirem que invadiram suas propriedades acidentalmente, como se não fosse claro onde termina o espaço visitável e começa o espaço privado!

É a bosta da moda dos influenciadores que acham que tudo podem por uma bosta de selfie…

Em cima do morro, Dúvugarðar, uma fazenda em atividade, que funciona hoje como um museu. Mantém um rebanho de cerca de 300 ovelhas e algumas das suas casinhas têm mais de 200 anos.

Curioso que parece não ter havido uma ordem na sua construção, com as casinhas dispostas cada uma para seu lado!

Saksun é uma pequena aldeia de 14 habitantes, situada no topo de um anfiteatro natural circular, com vista para o fiord envolvente da Lagoa Pollurin, que abre para o mar depois dos rochedos.

A água corre em redor, desde o topo das montanhas, em várias cascatas impressionantes.

Normalmente pode-se subir até bem alto, mas por aqueles dias estava difícil! Aquela relva molhada escorregava tanto que nem sei se era mais difícil subir ou descer!

Eu não tencionava subir muito, e ainda bem, porque teria sido lindo fazer ski por ali abaixo ao descer, ou teria sido mais fazer sku, na realidade!

Eu vi uma gordinha bater com o rabo no chão e agradeci silenciosamente ela ter “almofada” no traseiro, ou teria sido dramático! Saiu de lá que parecia um brigadeiro de chocolate, porque embora de longe se veja tudo verde, a terra negra está logo por baixo e salta em lama quando a relva é pressionada. Não consegui evitar uma gargalhada, ao ver a moçoila toda borrada de castanho chocolate.

Vista lá de cima da cascata a Lagoa Pollurin era um espelho azul no meio do verde…

Ao longe a Igrejinha parecia uma pulga em cima do monte com as montanhas enormes como cenário de fundo. Confesso que o meu coração falhou uma batida com a beleza de tudo em redor!

Não é na fotos que tudo parece irreal de tão perfeito, lá a sensação era a mesma, só que mais avassaladora ainda!

Sentei-me um pouco numa pedra e fiz alguns desenhos rápidos

A Saksunar kirkja do século XIX é tão simples quanto bonita, construída em pedra e madeira e com o tipico telhado em relva, mas o que a torna surreal de tão vela, é a sua localização, no topo de um morro que é como altar sobranceiro ao fiord!

A vontade era de descer a ruinha com a moto, mas não é permitido e a descida acaba por ser encantadora pois vai revelando mais e mais do lago, la em baixo, e da dimensão das montanhas. O cemitério atrás da igreja era tão a condizer com a paisagem!

Um belo sitio para sentar, tomar café e desenhar!

Eu teria de ir lá abaixo, não havia condições de caminhar para muito mais longe por ali, a relva estava ensopada e escorregadia como na cascata…

Por isso eu fui em busca do caminho para o lago/mar lá em baixo.

Eu podia ver o caminho do outro lado da fenda, entre os montes, ao lado da estrada, com casas e carros.

E sim, dei a volta e segui por ali. Ao fim da rua havia um pequeno parque de estacionamento e depois era só descer.

A perspetiva sobre o caminho era tão inspiradora que acabei por demorar uma eternidade até lá abaixo. Desenhei, pintei e desci…

e qual não foi o meu espanto quando dei com um portão com torniquete para controlar as entradas!

Um torniquete com pagamento por multibanco!!! Estava no meio do monte ou na entrada do Metro?!

Eu sabia que os faroeses estavam a tirar partido do sucesso do seu país junto dos turistas, cobrando por tudo o que pudesse ser cobrado, mas não esperava um pagamento em multibanco o meio de lado nenhum para caminhar até um lago!

E lá meti o meu cartão multibanco para abrir o torniquete…

Consideremos que, se pago para entrar num museu ou catedral, num outro país da Europa, porque não pagar para ver as belezas naturais por ali, em outra perspetiva?

“Há uma paz e uma serenidade em todo o lado que é quase irreal! Não há vento, não há barulho, não há turistas, apenas eu e a natureza, como se nada disto tivesse sido descoberto ainda! As nuvens trazem consigo o mistério, mas o sol traria o fascínio….” (in Passeando pela Vida – a Página)

Lá de baixo, da margem do lago, podiam-se ver os fios de água de cascatas inacessíveis e apenas visíveis a partir dali.

O silêncio era absoluto, apenas embalado pelo som longínquo do mar, que ecoava levemente pelo lago, vindo do lado de lá do fiord… Só por isso tinha valido a pena descer até ali e pago a entrada!

Depois do estreito entre os montes fica a imensa praia negra, mas a maré estava a subir e pode ser muito perigoso ir até naquelas circunstancias. Num instante a gente fica presa na praia quando a agua fecha a saída. havia quem já estivesse a voltar dela tendo de atravessar a agua.

A igrejinha já não era visível em cima da colina, a neblina parecia um véu de algodão sobre ela!

Enquanto estive ali em baixo foi como se o tempo tivesse parado para mim!

E ao ir embora prometi a mim mesma que voltaria um dia, quem sabe para ver aquilo tudo com sol e céu azul!

E tinha postais escritos para mandar para a minha mãe, sempre o faço em viagem, ela gosta de os receber e eu gosto de os enviar, por isso andava à procura de selos e um posto de correios. Em Oyrarbakki encontrei tudo numa estação de serviço.

Àquela altura eu já via as estações de serviço como autênticos restaurantes, onde há sempre croissants acabados de fazer, cachorros quentes e uma série de coisas fixes para comer. Tal como na Islândia não falta nada, até posto de correio se encontra numa estação de serviço, ou perto!

Selfie de grupo reflexiva!

E segui para Eiði. Infelizmente a visibilidade era baixa por ali, o nevoeiro esta mais cerrado e não me adiantaria muito caminhar ou explorar em redor, pois quanto mais subia menos via.

Não havia ninguém na rua, como sempre eu estava só, por isso quando um homem passou foi como se a vida tivesse voltado à terra!

Mesmo não se vendo grande coisa eu subi um pouco e, quando Eiði desaparecia no meio das brumas, encontrei estes amigos, com cara de poucos amigos!

Acho que o pobre estava mais com cara de triste do que com cara de inimigo, mas nunca fiar! Com aquela armação, se ele se enervasse, atirava facilmente comigo e com a minha moto ao chão! Acho que os chifres retorcidos o impediam de ver para os lados, só pode, de tão perto que estavam dos olhos!

Não conseguiria ver o que queria, por isso não adiantava seguir para a frente. Teria de dar a volta e tentar avistar ao longe, do outro lado, se o nevoeiro permitisse.

Estava no extremo da grande ilha de Eysturoy e tinha de ir para o extremo da outra grande ilha de Streymoy, mesmo em frente.

O grande braço de mar que separa as ilhas é estreito e de uma ilha vê-se perfeitamente a outra, mesmo com o nevoeiro.

Do lado esquerdo Eysturoy, do lado direito Streymoy, as duas maiores ilhas de Føroyar.

Fossá é uma das cataratas mais altas das ilhas. Desce em dois níveis de quedas de água, como em degraus, por cerda de 140 metros em Fossdalur, o vale da cachoeira ou da cascata.

Impressionante! naquele momento quis ter um drone para espreitar por ali acima sem ter de subir!

Não me pus a escala-la, sei que há um trilho que sobe a cascata, mas o tempo não convidava por isso apenas me aproximei daquele que é o nível baixo de queda de água e desenhei um pouco.

Tjørnuvík fica na frente de Eiði, no extremo da ilha de Streymoy. Apesar do nevoeiro eu podia ver a aldeia remota lá em baixo, numa baía só sua.

A perspetiva da praia negra era fantástica.

E, como eu imaginara, os Risin og Kellingin, (o Gigante e a Bruxa), na costa abaixo de Eiði, estavam invisíveis…

Eu tinha a certeza de que os rochedos eram visíveis desde a praia de Tjørnuvík, mas só se via a parede branca nevoenta! Oh…

Bem, podia sempre explorar a aldeia e a praia e imaginar o que não podia ver, mas não era a mesma coisa! À entrada da aldeia havia um café/restaurante cheio de gente, certamente turistas. Algumas pessoas passeavam na praia, e seriam as única pessoas que veria por ali.

As casinhas não eram todas negras, muitas eram brancas e encantadoras, com pormenores bem cuidados e limpos, como se tudo tivesse sido pintado há pouco.

O muro da igreja fascinou-me, feito de pedras redondas empilhadas como num puzzle.

E dentro do muro a relva era tão verde que parecia artificial.

E as casas negras pareciam de brincar, com os tradicionais telhados de relva a condizer.

Por ali seca-se peixe como se fosse bacalhau.

Tudo tão perfeito que nem faltavam mesas para sentar e conviver, em bora não houvesse ninguém nas ruas.

E por falar em pormenores, os habitantes daquelas terras são artesãos de carinho e bom humor!

Em qualquer canto se viam bonequinhos feitos de pedras redondas, muito engraçados.

Sempre casais, de trajes bem pormenorizados, com toucas e chapéus e tudo!

De alguma forma condiziam tão bem com a arquitetura tradicional! E ficou provado que nem sempre o preto é triste, porque as casas pretas por lá eram as mais “mimis”

Não havia pessoas pelas ruas, mas havia dignos representantes de seus habitantes.

Casalinhos de pedra guardiões dos seus quelhos.

De alguma forma os bonequinhos faziam esquecer que não havia ninguém, era como se fossem gente.

Na realidade não se pode esperar encontrar muita gente pelas ruas de uma aldeia onde vivem pouco mais de 60 pessoas.

E quando voltei à praia os Risin og Kellingin tinham aparecido! Yess!

O Risin (o Gigante) é o rochedo mais afastado de terra e tem 71 metros de altura; a Kellingin (a Bruxa) é o rochedo mais próximo da terra, com 68 metros de altura, é mais pontiagudo e parece ter as pernas afastadas.

Reza a lenda que um dia os gigantes islandeses, com inveja, queriam apoderar-se das Ilhas Faroé e o Risin e a sua esposa Kellingin, foram enviados para as capturar.

Ao chegarem à costa montanhosa de Eiðiskollur o gigante esperou no mar enquanto a bruxa escalava a escarpa. A ideia era que ela amarrasse todas as ilhas com uma corda grossa, de forma que o gigante as pudesse arrastar até à Islândia. Mas quando ela amarrou a escarpa e puxou, a montanha partiu-se. Eles lutaram toda a noite tentando prender a costa com a corda, mas a montanha estava firme e forte e não cedeu.

Diz ainda a lenda que um gigante ou uma bruxa não podem apanhar sol ou se transformarão em pedra. Ora com toda a luta eles distraíram-se e não deram conta de que amanhecia e dá para perceber o que aconteceu: transformaram-se em dois blocos enormes de pedra! Dizem que até hoje lá estão olhando com ansiedade para a sua Islândia.

Eu adoro as lendas dos locais!

Pode ser que um dia eu voltes às Føroyar para ver tudo o que não pude ver por causa do nevoeiro… quem sabe!

Mesmo com o nevoeiro encobrindo tanto da beleza do local, as perspetivas da aldeia desde a praia eram encantadoras e misteriosas.

Embora a areia seja negra deixa um rasto branco à passagem das ondas do mar!
(Não fui eu quem desenhou o coração, já lá estava desenhado quando passei!)

Os murinhos de pedras protegendo os pequenos terrenos cultivados fizeram-me lembrar dos murinhos nos Açores.

Terrenos de cultivo mesmo na margem da praia!

E por ali acima fica a encosta de um monte vertiginosamente verde, que eu não conseguia ver…

… com cataratas e cursos de água por todo o lado.

Na subida da estrada, para me ir embora, não conseguia deixar de apreciar a aldeia a afastar-se naquela paraíso meio escondido, mas muito bonito.

A rua é estreita e tem refúgios para permitir o cruzamento de dois veículos, o sitio perfeito para apreciar o paraíso que fica para trás.

E para a frente, um vislumbre das grandes pedras pontiagudas do Gigante e da Bruxa…

Teria gostado de ir até junto dos rochedos… mas ficaria para outra vez…

Teria sido inútil caminho até Eiðiskollur pois nada se veria lá de cima…

Eiðiskollur e Eiði do outro lado do monte.

Regressando a casa, em Torshavn, cruza-se com uma terrinha de vez em quando, embora a maior parte do caminho seja vazia de casas e gente. Haldarsvík é uma das vilas na costa de Streymoy com Eysturoy como paisagem, do outro lado do mar.

Ninguém nas ruas! Será que aquela gente passa a vida dentro de casa?

Kollafjørður, já perto de casa (ok, por ali tudo era perto de minha casa!), deserta, mas com pormenores muito curiosos.

Como a igrejinha com telhado de relva, que a gente tem de espreitar por cima do muro para ver!

A Kollafjørður kirkja é uma igrejinha do século XIX, muito bem cuidada e com uma paisagem privilegiada sobre o fiord. A bem dizer, parece que nas Føroyar todas as casas e toda a gente tem direito a paisagens privilegiadas!

Podia constatar isso pelas casas situadas pela encosta acima, lindas e voltadas para o mar!

Tive de dar a volta à igreja para a ver, dado que ela está encoberta do lado da estrada, mas descoberta do lado do mar.

E os pormenores que me ficaram na memória, foram as pedras pintadas na berma da estrada, mesmo junto à água. Alguém se deu ao cuidade de converter as pedras angulosas em casinhas!

Casinhas, carros, autocarros e camionetas!

Que coisa fofa!

Eu andava preocupada com a passagem do túnel para Vagar. Ouvira dizer que tinha-se 2 dias para a pagar e eu temia não ir a tempo e, de alguma forma, ter de pagar multa. Então, ao passar perto, percebi que aquela era a estação de serviço onde o pagamento devia ser feito, conforme me tinha descrito. Ufa, ainda vou a tempo!

Tinham-me dito que a portagem se pagava no regresso, na primeira estação de serviço após o túnel. numa estação de serviço que ficava a 1 ou 2 km. Bora lá cumprir as minhas obrigações. Então descobri que as motos não pagam portagens, por isso eu podia ir embora em paz! Eu j´suspeitava, pois tinha visto preços para diversos veículos e não havia nada sobre motos, mas nunca confiar sem confirmar!

Descobri também que não há portagens na ilhas. Apenas nos dois túneis, que passam por baixo do mar, é exigido um pagamento único de ida e volta, e nesses a passagem das motos é grátis!

Excelente!

Quando não há nada para além de paisagem lisa, sem arvores, tudo verde a subir e a descer, há pormenores que saltam à vista, como uma paragem no meio de lado nenhum!

E, parecendo que não, faz sentido e tem bastante uso! Caminhantes desembarcam ali para subir as montanhas.

E os habitantes lá em baixo sobrem até à estrada para apanharem o transporte para diversos pontos das ilhas.

Na pureza verde da paisagem, de alguma forma, um porto com contentores pode ter um aspeto tão desajustado e perturbador…

E pronto, vamos para Torshavn que há coisas que quero aproveitar para ver.

O pequeno forte sobre o porto de Torshavn estava a chamar-me a atenção desde que chegara e era uma boa oportunidade para o visitar.

Entra-se da rua sem qualquer portão. A fæstning Skansin é uma fortaleza histórica sobre o porto de Tórshavn e a sua maior destruição não foi em tempo de guerra e sim na ampliação do porto.

A sua construção original é do século XVI e teve como finalidade defender a capital de ataques marítimos.

A maior parte dos canhões ainda lá existentes são dinamarqueses

Mas há também canhões ingleses, deixados durante a ocupação inglesa na Segunda Guerra Mundial. Ali funcionou o quartel-general do Comando da Marinha Real. Ali fica um dos faróis das Ilhas Faroé, o Farol Skansin, que orientava a navegação para o porto da capital. Tão fofinho!

Lá de cima pode-se ver claramente Nólsoy, 10 quilómetros de ilha habitados por cerca de 260 pessoas. Afinal das 18 ilhas que compõem o arquipélago, apenas uma não é habitada e essa fica bem distante.

Embora Skansin não fique muito elevada, proporciona perspetivas muito bonitas em redor. Dali quase se podia ver o parque de campismo e a minha casa.

Mas as perspetivas sobre o porto eram as mais detalhadas, já que ele fica mesmo em baixo da colina.

Dava para ver perfeitamente por onde entrar e onde se formam as filas de embarque, se bem que percebia-se que o porto não tinha portas e a gente podia entrar em qualquer ponto se estivesse a pé.

Eu gosto de estudar as coisas para não ter surpresas e fui embora mais contente depois de perceber como funcionava o porto para não stressar quando fosse embarcar, já que o meu embarque seria no meio da noite.

Fui para casa que estava cheia de fome e cansada da falta de sol. Logo ao lado as esculturas chamaram a minha atenção.

É, não chovera durante o dia, mas a humidade tinha sido grande por todo o lado. Abri as malas todas e pus tudo a arejar, a ver se a coisa secava um pouco.

Home sweet home

As voltas que dei num dia e tão poucos quilómetros contabilizados no final! Apenas lamentei a falta de sol, o resto foi só prazer!

Amanhã vou para as ilhas do norte… se o tempo deixar!

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