17 – Passeando pelo Norte de Espanha – Ordino, Ax-les-Thermes, Ordino

17 de Julho de 2011

O dia seguinte foi curto e cheio de peripécias!

Começou com um sol lindo e uma paisagem deslumbrante, como já é esperado por terras de Andorra. A ideia era fazer as compras da praxe e depois seguir e dar uma voltinha pela redondeza do lado de França, quem sabe ir até Carcassonne, que o Jaky não conhecia!

Logo depois das primeiras compras em Andorra la Vella e começando a subir para Pas de La Casa, as nuvens começaram a aparecer!

Mas ao chegar ao topo o mundo era outro, do outro lado! Grandes nuvens e muito nevoeiro se começaram a avistar! Iriamos mergulhar naquele algodão todo logo a seguir à curva!

E assim foi, à medida que íamos descendo a visibilidade ia sendo cada vez mais nula! Foi então que me vi sozinha no meio do nevoeiro! Reduzi e nada, parei e ninguém apareceu! Não sabia o que fazer pois mesmo para voltar para trás estava perigoso, pois temia que não me vissem e viessem contra mim a meio da manobra. Pus os quatro piscas enquanto esperava e pensava. Apareceu um carro que parou logo à minha frente. Uma mão me chamou pela frincha do vidro. Aproximei-me. Era um senhor francês “O seu amigo está caído na curva, está um carro parado junto dele, acho que está tudo bem mas é melhor ir ver!” simpaticamente o senhor sinalizou a minha manobra para eu poder voltar para trás em segurança e lá fui depois de muitos agradecimentos. Encontrei o Jaky a recompor-se do tombo que dera ao tentar tirar os óculos de sol em andamento! Valha-me Deus, como pode alguém ter ilusões de fazer tal operação numa curva em espiral como aquela?

Descemos então calmamente até Pas de la Casa. Lá pudemos constatar que estava tudo bem com ele, felizmente caíra bem, porque no sítio e da forma que caiu podia ter corrido muito mal! Para animar um bocado fomos comprar um capacete novo para o rapaz que o que trazia já estava a pedir ajuda há tempos. Acho que o bom humor regressou naquele momento e o susto se foi!

Então seguimos para França, para Ax-les-Thermes, onde eu já passei vezes sem conta, prometendo a mim mesma parar um dia para ver! Começamos por almoçar, que o Jaky não passa com uma sandoca, só com comidinha de faca e garfo, num restaurante onde havia aficionados portugueses!

A cidadezinha, cheia de água e de águas boas, fica na confluência de 3 rios (o Oriège, o Ariège e o Laje), para além de ter nascentes de águas quentes!

Fomos seguindo o curso da água de um dos rios que não sei qual era. Deve ser curioso ter-se uma ponte para atravessar o rio e entrar em cada casa! Por ali cada casa tem a sua pontesinha!

As motitas tinham ficado em frente ao Casino, porque estando em França nunca há stress para estacionar uma moto!

E fui ver a zona antiga e “apertadinha” da cidade, como eu tanto gosto!

As ruínhas são encantadoras, embora algumas tenham uma espécie de canal saliente no meio! Como seria andar por ali com a minha moto? Sempre do mesmo lado e esperando que nada me fizesse passar para o outro!

Acho sempre imensa piada a estes estabelecimentos cheios de tralhas e minhoquices decorativas!

Os pormenores giros que se encontram por aquelas ruínhas!

Diz-se que a Rue des Escaliers subia em tempos até ao Castelo d’Ax, hoje desaparecido. Do lado fica uma casa medieval de travejamento de madeira, que terá sobrevivido a incêndios tão comuns na idade média!

E as ruínhas estreitas testemunham, elas também, a sua origem medieval.

Na place Place du Breilh fica le bassin des Ladres, uma fonte que já foi exterior às muralhas da cidade, na idade média, mas que hoje fica no seu coração.

A temperatura da água pode ser escaldante!

E há várias fontes por ali.

E uma espécie de lago onde as pessoas podem molhar os pés, sentando-se nas bermas e aproveitando a água quente que ali se junta!

E depois de longos momentos de apreciação da misteriosa terra que eu ainda não tinha explorado e que só então descobrira porque se chama Ax-les-Termes, já que as águas que lhe dão o nome estão ali mesmo no meio da praça, fomos seguindo na direção de Carcassonne.

Não era longo o caminho, seriam pouco mais de 100km, mas o tempo estava cada vez pior, à medida que nos embrenhávamos por terras de França.

Uma pena, porque os caminhos que íamos fazendo eram lindos, ruelas ziguezagueantes ladeadas de vegetação, mas nada se via para além da berma das ruas. A chuva começava a ser intensa, embora miudinha, prometendo piorar para a frente. Parei, era melhor voltarmos para trás, e foi quando o Jaky caiu pela 3ª vez! Puxa, aquilo lá parecia a Via-Sacra! Comecei a ter medo que aquilo desse mau resultado e o homem acabasse no hospital e eu a levantar motas do chão a cada queda!

Ainda nos rimos porque em tão pouco tempo e numa viagem tão simples ele conseguiu cair em 3 países, como se de uma grande viagem se tratasse: uma em Espanha – nos Picos da Europa; outra em Andorra – ao passar para Pas e da Casa e esta em França – algures a caminho de Carcassonne!

“vamos mas é para casa, para o quentinho, e pronto!”

E voltamos para trás, sem fotos porque a chuva não deixa. Curiosamente, mal começamos a subir para Andorra percebi logo que o sol ficara todo do lado de Espanha!

Tirei a foto da praxe no ponto alto da estrada no Port d’Envalira, a 2408 metros de altitude, o ponto de viragem para o sol!

Aquela estrada é deliciosa e a paisagem só ajuda!

E lá vislumbramos Andorra la Vella ao fundo!

Claro que a gasolina de Andorra vale mais a pena que a de França, que é cara para caramba!

E aquela cidade tem cada construção mais futurista! Um dia tenho de ir visitar aquilo tudo por dentro!

Foi ali que a minha motita Magnífica atingiu a bonita quilometragem de quase 200 mil quilómetros…

E fui para casa, que naquele dia era em Ordino e o meu quarto tinha esta belíssima paisagem!

Claro que depois de um dia cheio de peripécias feitas de tombos e chuvadas, não poderíamos ir para o aconchego sem uma pequena desgraça final! Ao tirar o novíssimo capacete, que comprara naquela manhã em Pas de la Casa, o Jaky não o agarrou bem, ele fugiu-lhe das mãos, e não podia ter fugido para a frente para eu o apanhar, não, pimba para trás em cheio no chão!! Caiu, bateu e rolou, para o conjunto ser completo! Algo se desencaixou e, sendo um Capacete Modular (Flip-Up), não fechava mais direito! Valha-me Deus, temos de voltar à loja amanhã! 😦

Fim do décimo segundo dia de viagem.

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5 thoughts on “17 – Passeando pelo Norte de Espanha – Ordino, Ax-les-Thermes, Ordino

  1. Fantástica reportagem!
    As consecutivas quedas do seu «compagnon de route», Jaky, fizeram-me recordar uma fase, ainda hoje inexplicável, em que frequentemente, sobretudo após percursos mais longos, ao parar a mota, não retirava os pés dos poisa-pés. Em consequência, tombava de “ladecos” eu e ela, ficando invariávelmente, ela por cima da minha perna, o que me causava algum constrangimento, dado que, precisava de ajuda para me livrar da situação. A mais embaraçosa de todas, decorreu no Algarve, quando após uma directa desde Lisboa, estacionei em frente a uma esplanada repleta e… tungas! Aterrei “todo junto”. Para cúmulo, aquele pessoal ficou a olhar e ninguem se mecheu. Foi um bakano que andava a indicar lugares de estacionamento que veio a correr e começou a tentar puxar-me debaixo da mota, uma honda sete-e-meio. O caricato da situação, apesar de me ter irritado profundamente, deu-me uma vontade incontrolável de rir, fazendo com que não conseguisse pedir ao “carocho” que aliviasse a mota, para que pudesse retirar a perna debaixo.
    ;))

    • Essas quedas em público são do pior! A mim poucas vezes me aconteceu, felizmente, mas como sou uma menina não falta quem venha ajudar a levantar a moto!

      Em viagem nunca caí nem nunca deixei cair a moto! Mesmo quando já estou bastante cansada, tenho muita consciência de que ando sozinha e tenho de me cuidar, sem distrações, ou pode correr mal!

      Com o Jaky começou a ser um problema pois alem de ele cair com facilidade era praticamente eu quem tinha de levantar a moto e isso cansa para além de preocupar, pois eu não sou a supermulher! 😦

      • Aprendi naquela fase dos tombos – sim, porque não se tratava de quedas, mas sim de simples tombos- que a melhor forma de levantar do chão uma moto pesada é: coclocando-nos ao lado do selim, virar o guiador no sentido contrário àquela em que está tombada, segurar com uma mão o guiador e com a outra, pegar por baixo do depósito. Assim, consegue-se mais fácilmente levantar a “bichinha” até à altura do joelho. Depois então, tendo o cuidado de segurar a manete do travão, ir levantando e endireitando o guiador até à vertical.
        Mas a Pan – Am merece todos os cuidados, até porque a carenagem deve custar uma “nota”.
        😉

      • Eu sei a técnica… mas não tenho força suficiente!
        Tenho muito pouca força nas mãos, embora muita gente pense que eu sou muito forte, porque sou alta e conduzo motos pesadas e grandes, mas o que eu tenho é habilidade e resistência para conduzir muito tempo, porque a força de mãos é mínima! 😮

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