3. Passeando por caminhos Celtas – até Saint-Jean-Pied-de-Port…

E como já vai sendo habito, tudo acontece antes de eu partir!

Parece que tudo conspira para desviar a minha atenção da empreitada que me proponho fazer e dos preparativos que procuro ultimar!

Desta vez foi a máquina fotográfica mais pequena, mais pequena mas muito melhor que a maior, aquela que avariou no ano passado e não veio a tempo da viagem e me obrigou a comprar uma nova (a maior) à última da hora! Pronto, este ano só foi à Sony umas 3 ou 4 vezes antes de partir, porque avariou o leitor de cartões, porque meteu porcarias dentro da lente, porque o estabilizador se passou e sei lá mais o quê!

Mas teve de se cuidar pois desta vez eu tinha a outra e nem cheguei verdadeiramente a stressar “Não queres ir? Ficas em casa e eu levo a outra que já foi à Roménia e portou-se muito bem!” e ela acabou por se pôr fina e ir comigo de viagem sim senhor, e trabalhar bem (mais ou menos) toda a viagem e não se falou mais do assunto!

Ora como eu não stressei com a máquina fotográfica o GPS juntou-se à festa e stressou ele! Foi para a Garmin em Barcelona e tudo. Lá veio melhor mas não a 100%, mas também não stressei por isso, o meu amigo Filipe Marques emprestou-me a sua Lulu, que é gémea do meu Rafael, e lá segui viagem com um casal de GPS. Não seria por isso que eu me perderia pelo mundo!

Uma última visita à Mototrofa, para trocar os punhos aquecidos que estavam meio derretidos por uns novos fornecidos pela garantia. E que bem que fiz em tratar disso, pois com o frio que apanhei usei-os todos os dias e sempre quase na temperatura máxima!

A motita é jovem mas já muito experiente! Estava em plena forma para partir!

**** **** ****

29 de julho de 2014

Há muito que eu deixei de me preocupar com o levantar muito cedo para partir numa viagem! Levanto-me quando acordar, sem usar sequer o despertador, e logo se vê como vai ser a seguir! Assim posso despedir-me direito do meu moçoilo, sem ter de o acordar de madrugada, ele vem ajudar-me a pôr tudo na moto e tira-me as ultimas fotos e tudo! Que mais posso querer?

E é sempre aquela sensação, não estou a sair de casa mais uma vez, como faço todos os dias! Estou a sair de casa para só voltar depois de muito ver, muito rolar e muito viver! É tão boa a sensação!!

Outro ritual que já vai sendo habitual é ir imprimir e encadernar o meu livro de viagem, onde tenho tudo planeado, desde o que posso querer ver, até reservas de dormidas e ferrys! Como tudo vem ficando para a última hora, também é na última hora que imprimo a coisa, as meninas da Telma-copias já se estão a habituar à minha visita e ao “Boa viagem” no final!

E naquele dia eu não iria fazer nada de especial, apenas conduzir, conduzir e conduzir, até ao sul de França, direto.

Claro que acabo sempre por parar aqui ou ali… mas nada de especial!

Os Pirenéus sempre me fascinam e eu queria passar a noite lá, numa terrinha deliciosa onde passei há dois anos e que adorei!

Oh, a sensação de conduzir tanto tempo seguido era tão boa que eu simplesmente quase não conseguia parar, até a tarde estar a chegar ao fim e o sol começar a brincar comigo, em paisagens deslumbrantes. Aí eu fui rapando da máquina e tirando algumas fotos.

E cheguei a Saint-Jean-Pied-de-Port e escrevia eu no meu facebook:

“Saint-Jean-Pied-de-Port, quase 900 km depois cá estou de novo! A última vez que aqui estive a minha motita estava mutilada, depois de ter batido dias antes de partir. Uma dor de alma, num ambiente tão bonito olhar para a minha moto partida! Mas hoje o conjunto está perfeito e a minha Ninfa já espantou olhos, parada no centro da cidadezinha, com montes de gente em seu redor a ler todos os seus autocolantes! Que belo dia para passear!”

O hostel ficava mesmo dentro das muralhas, numa casinha recuperada encantadora! Todas as casinhas por ali são encantadoras, afinal!

Fui comer finalmente, comida de panela, de alguma forma eu já sabia que esta viagem seria de comidas de plástico por isso tinha de aproveitar enquanto estava num pais onde se cozinha!

E o sol pôs-se lindo quando eu passeava pelas ruelas!

Era tudo o que eu queria, ver a cidadezinha de noite, com as suas muralhas e pontes e o rio Nive a passar logo ali!

“Em Saint Jean Pied de Port, convergem as três grandes vias do Caminho de Santiago no território francês, de Paris, Le Puy e de Vecelay (Chemin de Saint-Jacques des Pyrénées-Atlantiques) e isso é visível pelo centro de apoio e pela igreja de Nossa Senhora.” (Passeando até à Suiça 2012)

Tão bonito tudo por ali! Tão relaxante e sossegado! Adoro aquela terra!

Ouviam-se vozes que vinham da igreja e eu fui espreitar! Era um coro que fazia lembrar os cantares alentejanos. Pude perceber pelos cartazes à porta que se tratava do Coro Basco de Homens Gogotik e cantavam tão bem! Umas senhoras encostaram-se mais umas às outras, num banco da igreja, para me arranjarem lugar e eu fiquei ali, maravilhada a ouvir! Era lindo!

E acabei por voltar calmamente para “casa”. O pátio do hostel era uma maravilha para se estar ao serão, em conversas sussurradas em diversas línguas e eu, que nem estudei muitas línguas, era a que falava e entendia mais pessoas que falavam em inglês, em francês, em espanhol e em italiano! Foi tão giro!

E foi o fim do primeiro dia de viagem, cheio de encanto e desejos realizados, depois de tanto tempo sonhando em partir, em conduzir muitos quilómetros seguidos, em conhecer terras e gentes…

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12 thoughts on “3. Passeando por caminhos Celtas – até Saint-Jean-Pied-de-Port…

  1. Para começo de mais uma crónica, não está nada mal, também já nos habituaste a muito boas descrições das tuas “epopeias”.
    cá ficamos “sintonizados” e ansiosamente á espera de mais.

  2. E nós estamos por cá para irmos assistindo a mais um bom relato da tua bela voltinha. Quando me sento na minha, menina, HONDA NC 700 XA, já me tem acontecido até ir por caminhos mais longos só para andar mais de mota eheheheheh
    Venha mais fotos e relatos da tua voltinha

    Boas curvas amiga Gracinda

    • Obrigada pela companhia!
      É verdade sim, essa sensação de conduzir a nossa motita é deliciosamente fantástica, sobretudo quando a vida não nos deixa andar tudo o que queremos durante muito tempo!

  3. Olá Gracinda andava ansioso e todos os dias aqui vinha espreitar as suas crónicas e que bom foi voltar a ler algo que tão bem sabe fazer, o relato da sua Viagem.
    Tirando o azar de Glasgow (que pena) mas até com isso aprendemos. Desejo sinceramente que tudo corra bem para podermos desfrutar das suas fotos e crónicas.
    Boa Viagem e que Deus a acompanhe.
    João (Pai Pedroyamaha)

    • Olá
      Durante a viagem eu não conseguia abrir o blogue e publicar aqui, por isso só agora começo a contar como foi!
      Obrigada pela sua companhia e espero que vá ficando atento pois conto publicar regularmente o que esta epopeia foi.
      Fazer uma crónica é uma forma que encontrei de não esquecer o muito que vivo numa viagem!
      Cumprimentos

  4. As minhas desculpas por chegar tarde à tua crónica mas teve mesmo que ser.
    Agora, com todo o tempo do mundo, vou saborear a tua prosa e as tuas imagens, de que tenho saudades.
    Este ano não parti de mota…e não tenho crónica para “trocar” contigo. Nem sei como o sistema nervoso aguentou. A vida continua. Para compensar vou viver cada dia teu como meu e viajar…viajar sem parar. Obrigado.

    • Sempre a tempo de apanhar a história, pois ela vai saindo aos poucos!
      Eu reparei no silêncio aí desse lado mas pensei que estaria a acontecer uma viagem surpresa! Afinal foi mesmo silêncio! Olha, vamo-nos encontrando aqui pela minha cronica esperando que para o ano haja crónica daí!

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